Oi, eu sou Bela Fletcher.
Essa sobre quem você tem lido na história. Mas, com certeza, não preciso mais falar de mim, você já deve saber tudo. Talvez minha história precise de um desfecho. Porém, como eu poderia finalizar algo que ainda não chegou ao fim? Eu poderia falar sobre as pessoas ao meu redor.
Poderia falar de Flor, que casou-se com um sul-africano, modelo da Chanel, que falava oito línguas e a levou para morar na Itália. Tiveram dois filhos que pouco se pareciam com ela nos aspectos físicos, mas carregavam a mesma maluquice interior. Agora ela estava grávida do terceiro.
Poderia falar de Sam e os dias difíceis que teve de enfrentar quando, depois de muito tentar engravidar de Danny, acabou descobrindo que não pode ter filhos. Mas a história deles ainda não acabou, ainda há muito pela frente. Mais problemas virão, com toda certeza, e não é por isso que os dois deixarão de ser felizes. A adoção de Gabe nos trouxe muita alegria e deu a eles uma esperança de que as coisas podem, sim, caminhar para um final feliz.
Eu poderia, também, falar de Soph que nunca uniu-se a Dougie em matrimônio, mas já tem três filhos com ele. Os terríveis gêmeos, Chandler e Tyler, capazes de destruir qualquer amontoado de moléculas que encontrarem e a doce Giovanna, que Doug registrou com dois "n" contra a vontade de Soph, sua eterna noiva. Entretanto a história deles também não acabou. Pode haver um quarto filho ou, quem sabe, um casamento, não é? Nada é impossível...
Eu poderia, ainda, falar sobre Harry, Thalia e Ben, a família com os dentes mais brancos de todo o Reino Unido. Eram tão fofos juntos que se tornaram os "garotos propaganda" de uma das maiores marcas de produtos destinados à saúde dental da Grã Bretanha. Faziam absolutamente tudo juntos, era bonito de se ver.
Ou podíamos falar sobre minha pequena família. Sobre a quase hiperatividade de Jojo e seu talento sobrenatural para música. Podíamos falar dos nossos cinco gatos, da jabuti e do imortal grilo Krikkie (Joan sempre achou que fosse o mesmo até descobrir que eu e Tom providenciávamos um novo toda vez que o antigo morria). Podíamos falar do quanto éramos imensamente felizes e carregávamos a certeza de que seríamos assim para sempre. Ainda carregamos.
Eu tive uma vida maravilhosa. Tive uma família perfeita. Amigos incomuns, que cresceram junto comigo, choraram quando eu chorei, sorrindo quando sorri. Estiveram comigo do inicio ao fim. Quem é o sortudo que tem isso, hoje em dia?
Eu amei muito. Fui muita amada.
Eu fui feliz. Eu estive aqui. Eu iluminei corações e tive o meu iluminado, aceso com uma chama que nunca vai apagar. Eu dei o melhor de mim e me mantive forte pelo caminho por onde passei. E se isso aconteceu é porque tive uma Florence pra me bajular, uma Sam pra me fazer aprender a ter paciência e não sair socando a cara de todo mundo quando estiver nervosa, uma Soph pra me ensinar a extrair algo extremamente útil – porém nem um pouco sábio – das fases mais difíceis, uma Thalia pra cuidar de mim como uma mãe enquanto a minha morava longe. E porque tive um Harry pra me ajudar a ver a graça das coisas, um Dougie pra compartilhar minhas estranhezas, um Danny para questionar a existência de certas pessoas – como ele próprio – no mundo e, bom, um Tom, simplesmente pra que pudesse existir.
Para ser sincera, na verdade, eu acho que eu deveria terminar essa história com um Muito Obrigada. Eu não seria ninguém sem cada um deles. Ah, e, é claro, sempre com a ressalva de que AINDA NÃO É O FIM! Aliás, tenho que descer correndo porque o Harry disse que era perfeitamente capaz de consertar o cano da pia que os gêmeos do Dougie quebraram, mas ele provavelmente está inundando minha cozinha!
- BELA, CORRE AQUI, ARRANJA O TELEFONE DE UM ENCANADOR, PELO AMOR DE DEUS!
É, eu disse.
Bye bye.
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