[Tom's narrative mode on]
Eu sou completamente apaixonado pela Bela desde que olhei pra ela com duas "marias-chiquinhas" mal feitas, entrando na sala de aula, segurando uma mochila azul com uma estampa de pântano (algo como sapos, plantas e lagos... É, eu lembro). Nada de rosa. Completamente diferente daquelas mini Barbies que as outras menininhas tentavam ser. Sim. Desde aquela época eu sou apaixonado por ela e parece que isso fica pior a cada dia.
Mas eu não sou só apaixonado. Eu sou obcecado. Eu compro todas as revistas, foda-se se são de mulher, em que ela aparece. Vejo todos os programas que contem com sua presença, ou, se eu não tiver em casa, os coloco pra gravar. Eu fico vendo as fotos dela na internet e as coisas que ela posta nas redes sociais. Mas não sou tipo um fã. Sou tipo um maníaco obcecado mesmo. Só porque tudo que vem dela me faz bem. É como se ela fosse um refúgio.
Essa obsessão doentia começou depois que ela simplesmente parou de falar comigo e começou a me odiar. Como se ela fosse um droga e a falta dela me deixou em abstinência. Eu preciso dela e se não a tenho fisicamente, preciso tê-la de todas as outras formas possíveis. Eu amo a Bela.
Eu não sei o que eu fiz. É sério. Não sei. Mas se for o que eu acho que foi, é no mínimo injusto ela me deixar desse jeito, largado como um saco de bosta em qualquer canto da mente dela.
Se você tá aí sentado com essa bunda fedida, achando que Ordinary Fantasy é um desses musicais tipo High School Musical que todo mundo fica feliz e a garota acha que perdeu a virgindade e engravidou dando um selinho no namorado, está enganado. Ordinary Fantasy é o tipo de filme que deixou o Sr. Johnson completamente irritado por ver a filha se esfregando na TV com um cara bem mais velho que ela, além de fumar, beber que nem um corno e falar palavras feias. Com certeza, se a Bela tivesse que se esfregar em mim, ele não iria ficar tão desconfortável assim. E eu também ficaria bem mais confortável.... Beeeeeem mais...
Enfim, eu não queria ver a Bela trocando baba com aquele veado, então fiz menção de levantar do sofá, mas a mão do Harry me segurou pelo pulso.
- Fica aqui, cara. - ele ordenou com cara de mau e eu ri, irônico.
- Eu vou ali na cozinha buscar alguma coisa pra beber. Já volto, não precisa ficar com medo de me perder, amor. - falei, escutando risadas.
- Volte mesmo. Senão vou te buscar lá. - ele entrou na brincadeira e o povo continuou rindo, apesar de eu não ter achado a menor graça. Ok, eu tinha mesmo os planos de fugir dali, mas agora eu teria que voltar. Merda.
- Eu sou muito gato, fala aê. - Escutei Harry dizer, se admirando na TV, e o olhei com desprezo, assim como todo mundo da sala. Ele riu. Depois a gente riu também
- Cala boca, adoro essa parte. - Sam disse, batendo palminhas como uma garota mimada.
O filme tava rolando, duas musicas já haviam sido cantadas. Eu tava com vontade de sumir dali. Principalmente quando, do nada, percebi que Sam tinha sumido, Danny também; Harry abraçava Lia pelo ombro num canto do sofá; Doug estava dividindo a poltrona com a Soph, e eles estavam bem agarrados. Eu tava um pouco separado da Bela, mas nós dois estávamos no outro canto do sofá. Tava um clima completamente... Romântico, o que me deixava nervoso.
Sam's POV
Era agora ou nunca.
Essa obsessão doentia começou depois que ela simplesmente parou de falar comigo e começou a me odiar. Como se ela fosse um droga e a falta dela me deixou em abstinência. Eu preciso dela e se não a tenho fisicamente, preciso tê-la de todas as outras formas possíveis. Eu amo a Bela.
Eu não sei o que eu fiz. É sério. Não sei. Mas se for o que eu acho que foi, é no mínimo injusto ela me deixar desse jeito, largado como um saco de bosta em qualquer canto da mente dela.
O que eu acho é que... Bom, ela tinha uma amiga. Maddie. Na verdade, eu sempre soube que elas não eram muito amigas, só andavam juntas às vezes, mas como a Sam falava que ela era satanista, acho que a Bela preferia não se aproximar muito. E eu achava isso engraçado. O fato é que, teve uma festa... Eu tinha quinze anos. Foi a primeira vez que eu bebi, e como bom iniciante, fiquei completamente chapado. A Maddie era bonita e estava lá, quase me engolindo com os olhos. Aí eu fiquei com ela.
Parece que a Bela ficou sabendo e aí parou de falar comigo. MAS, PORRA, EU SEMPRE FIQUEI COM AS MENINAS E ELA NUNCA SE IMPORTOU DESSA MANEIRA. Eu acho que deve ser porque a Maddie era amiga dela, ou sei lá... Mas mesmo assim... Eu não entendo.
Depois que ela passou a me odiar, aconteceram várias coisas tipo... Ficar bêbado mais algumas (ok, muitas) vezes, perder a virgindade, ingressar a minha vida sexual com certo vigor... Pois é, essas coisas.
É serio, eu planejava (planejava mesmo) perder a virgindade com a Bela. Eu planejava isso, er... Toda noite. Mas, Puta que pariu, ela me largou! O que eu ia fazer?! Parar de ser homem?! Mesmo assim, nunca me conformei de não ter sido com ela.
Parece que a Bela ficou sabendo e aí parou de falar comigo. MAS, PORRA, EU SEMPRE FIQUEI COM AS MENINAS E ELA NUNCA SE IMPORTOU DESSA MANEIRA. Eu acho que deve ser porque a Maddie era amiga dela, ou sei lá... Mas mesmo assim... Eu não entendo.
Depois que ela passou a me odiar, aconteceram várias coisas tipo... Ficar bêbado mais algumas (ok, muitas) vezes, perder a virgindade, ingressar a minha vida sexual com certo vigor... Pois é, essas coisas.
É serio, eu planejava (planejava mesmo) perder a virgindade com a Bela. Eu planejava isso, er... Toda noite. Mas, Puta que pariu, ela me largou! O que eu ia fazer?! Parar de ser homem?! Mesmo assim, nunca me conformei de não ter sido com ela.
Sim, eu trocaria TODAS as mulheres com que eu já estive por ela. Todas. Sem pensar duas vezes. Isabela Johnson é, irreversivelmente, o amor da minha vida. A mulher que habita os meus sonhos.
O problema é que eu sempre fui covarde demais pra dizer isso a ela. Sempre fico me borrando de medo igual a um maricas quando o assunto é 'contar sobre minha paixão doentia para a Bela'. Eu travo. Não consigo. Não é algo que eu possa controlar ou escolher, senão ela já saberia há muito tempo. Quando eu finalmente consegui chegar perto de ter coragem de falar ela vai lá e... PERDE A PORRA DA MEMÓRIA. Puta que pariu, é muita azar mesmo. E ela ainda acorda me odiando mais que nunca. Eu podia jurar que ela tinha melhorado.
E, cara, ela-tirou-a-merda-da-roupa-na- minha-frente. COMO ELA FAZ ISSO?! Ela queria ser estuprada?! Porra! Meu Deus, o que acontece comigo na frente daquela garota? Eu travo completamente! Que nem uma gazela!
Hoje eu vou encontrar com ela. Quer dizer, Soph chamou os caras e eu pra passar a noite lá na casa dela. A gente vai (beber e) conversar. Ela disse que todo mundo ia. Todo mundo significa todas as meninas. Todas as meninas significa: a Bela vai estar lá.
Talvez se eu estiver meio bêbado, eu consiga falar alguma coisa.
Cheguei junto com os caras. Tocamos a campainha e Soph abriu a porta.
- Woooooooooooooooooooow! - ela gritou, pulando nos braços do Harry. Depois largou ele e agarrou o Dougie, depois a mim, e depois o Danny. Ah, quase esqueci. O Danny levou a Georgia. Retardado.
- Er, oi Georgia. - Soph disse sem a mesma animação.
- GEORGIA?! - escutamos a voz da Sam vindo de dentro da casa. Soph saiu da frente da porta e as duas se encararam. E quando eu digo duas, eu quero dizer Georgia e Sam. Essa troca de olhares feminina dá medo, é sério.
- Oi Georgia! - Lia disse com a voz ainda um pouco rouca (rouca de verdade, não no sentido figurado, é que ela ainda tava meio doente), mas ela estava alegre. Ou supostamente alegre.
- Oi, Er... Qual seu nome mesmo? - Georgia perguntou, entrando no apartamento e Sam bufou.
- Thalia.
- Oi, Thalia! - Ela falou alegre, cumprimentando-a. - Oi Sammy - abraço - Oi, Bela! - abraço. - Oi, todo mundo! - disse por fim, acenando.
- Oi Georgia. Como vai? - Bela perguntou sorrindo forçadamente. Eu tenho certeza de que aquilo tinha sido um sorriso forçado.
- Ótima.
- Eu também, obrigada. - Bela retrucou, virando-se pra nós e nós rimos. - Oi, gays! - ela disse sorridente.
Todos nos cumprimentamos. Ela estava agindo normalmente comigo. Como se nada tivesse acontecido anteriormente. Que bom, cara.
Danny' POV
Acho que vou começar a acreditar quando as pessoas me chamam de burro. Como é que eu não me liguei que a Sam e Georgia não se gostam?! Caramba, foi sem querer... Eu nem lembrei. Quando vi, já tinha chamado a Georgia, e agora ela estava aqui, e todo mundo olhava torto pra ela. ATÉ MEUS PRÓPRIOS AMIGOS.
Danny's POV off
- O que é que a gente veio fazer aqui mesmo? - Sam "começou" enquanto todos se ajeitavam no sofá ou no chão.
- Ah, sei lá. Conversar. - Soph respondeu - Lia comprou uns filmes e a gente podia ver.
- É uma boa, já que ninguém vai conversar mesmo... - Sam retrucou e Bela prendeu a risada (não me pergunte o porquê. Não entendi).
- Tá bom. O filmequeeupegueiéNárnia. Não me matem! - ela disse quase antes de começar aquele reboliço de opiniões e críticas. - Gente! Só tem Nárnia! Ou é Nárnia ou é o filme de vocês - ela falou apontando pra mim e pra Bela.
- Você comprou o meu filme?! - Bela perguntou arregalando os olhos.
- O nosso filme. - Harry corrigiu e ela riu.
- Sim, comprei o filme de vocês. E vou obrigar todo mundo a ver!
- Bela Johnson e Jason Cooper se pegando com vigooooor! - Soph zoou, cantarolando, e aquilo me incomodou demais.
Claro, porque a Bela não me beijava no filme. Mas beijava o veado do Jason. E não só beijava! Quem dera que fossem só beijos!
- Ai, não! Eu não quero me ver agarrando o Jason e sendo "engolida" - fez aspas com as mãos - por ele. Eu fico com vergonha! - Bela fez manha e Sam tacou uma almofada nela.
- Ele é muito gostoso! Você devia se orgulhar de ter pego um cara tipo ele. - Sam comentou e nós gargalhamos. Na verdade, só fingi que gargalhei.
- Ah, mas não gosto de ver o Danny se esfregando com aquelas garotas na parte da festa... - Georgia falou e todos, de repente, pararam de rir quase que sincronizadamente e aí a fitamos, deixando a garota completamente sem graça.
- Então, vamos ver o filme?! - Soph sugeriu, colocando Ordinary Fantasy no aparelho de DVD.
- Sabe, eu odeio não conseguir me sentir confortável. Eu não estou confortável. Por isso estou odiando isso. - Sam, e suas filosofias incompreensíveis...
- Vou ignorar o que você acabou de falar porque eu não entendi nada. - Thalia falou, escolhendo a opção de iniciar o filme.
- Eu explico, não tem problema. Quando tem pessoas clandestinas nos nossos encontros de amigos, eu não me sinto confortável, entendeu agora, Lia? - ela disse, encarando a amiga que arregalou os olhos e prendeu a risada.
- Sabe que eu concordo?! Clandestinos sempre me incomodam. - Bela disse, se ajeitando no sofá, fazendo Soph soltar uma gargalhada.
Georgia fingia não ouvir e encrava um ponto fixo qualquer da sala. O clima ficou muito estranho até que Bela começou a gargalhar muito alto, desencadeando um mar de risadas na sala. Exceto da parte da Georgia.
- Calma aí. Por que vocês tão rindo tanto?! - Danny perguntou, se recompondo de uma gargalhada. O olhei tentando fazer com que ele percebesse, mas... Não deu certo. Nunca dá certo com o Jones.- Não tô entendendo nada... Quem é "clandestino"? Porque, assim, se fosse pra ser alguém daqui, com certeza seria a Georgia, já que eu a trouxe sem avisar a própria dona da cas... AH, ENTENDI? - balançamos a cabeça, assentindo e ele soltou uma risada sem graça, olhando em seguida, pra namorada.
- Er... Eu v-vou indo. Tenho uma sessão de fotos amanhã cedo e não posso dormir tarde... - Ela disse, completamente perturbada com a situação.
- Mas ainda são sete e meia, Georgia.
- Danny, deixa a garota ir. Ela tem sessão de fotos cedo, então precisa descansar, não é, querida? - Sammy se intrometeu e eu fiquei quieto no meu canto, segurando a vontade de rir.
- Tá bom. Vai com Deus, Georgia. - Danny disse sem nem se mexer na poltrona em que estava e a namorada bufou.
- Você não vai me levar?!
- Não... - ele respondeu dando de ombros e a garota bufou tão alto que pareceu um grito fino, com os punhos cerrados. Sam, então, num ato de pura bondade fraternal gargalhou apontando pra cara dela. Cara, garotas são más. Elas são terrivelmente más.
- Enfim liberdade! - Sam gritou, jogando os braços pro alto de uma forma engraçada e espontânea e, obviamente, todo mundo riu.
- Agora vamos ver a Bela agarrando o Jason Cooper! - Thalia disse animada, pulando no sofá entre Harry e Soph. Puta merda. É pra implicar? Só pode ser.
- Para geeeente! - Bela resmungou, manhosa, escondendo o rosto com as mãos. Fiquei com uma vontade do cacete de beijá-la, mas tá, eu me controlo.
- Só agarrando? - Sam perguntou com uma cara safada - Ela sugou o garoto, deu vários chupões naquele pescoção enorme e também ficou com o pescoço todo roxinho. Aposto que aquilo não se chama beijo técnico. - Vou ali bater na Sam. Dá licença.
E, cara, ela-tirou-a-merda-da-roupa-na-
Hoje eu vou encontrar com ela. Quer dizer, Soph chamou os caras e eu pra passar a noite lá na casa dela. A gente vai (beber e) conversar. Ela disse que todo mundo ia. Todo mundo significa todas as meninas. Todas as meninas significa: a Bela vai estar lá.
Talvez se eu estiver meio bêbado, eu consiga falar alguma coisa.
Cheguei junto com os caras. Tocamos a campainha e Soph abriu a porta.
- Woooooooooooooooooooow! - ela gritou, pulando nos braços do Harry. Depois largou ele e agarrou o Dougie, depois a mim, e depois o Danny. Ah, quase esqueci. O Danny levou a Georgia. Retardado.
- Er, oi Georgia. - Soph disse sem a mesma animação.
- GEORGIA?! - escutamos a voz da Sam vindo de dentro da casa. Soph saiu da frente da porta e as duas se encararam. E quando eu digo duas, eu quero dizer Georgia e Sam. Essa troca de olhares feminina dá medo, é sério.
- Oi Georgia! - Lia disse com a voz ainda um pouco rouca (rouca de verdade, não no sentido figurado, é que ela ainda tava meio doente), mas ela estava alegre. Ou supostamente alegre.
- Oi, Er... Qual seu nome mesmo? - Georgia perguntou, entrando no apartamento e Sam bufou.
- Thalia.
- Oi, Thalia! - Ela falou alegre, cumprimentando-a. - Oi Sammy - abraço - Oi, Bela! - abraço. - Oi, todo mundo! - disse por fim, acenando.
- Oi Georgia. Como vai? - Bela perguntou sorrindo forçadamente. Eu tenho certeza de que aquilo tinha sido um sorriso forçado.
- Ótima.
- Eu também, obrigada. - Bela retrucou, virando-se pra nós e nós rimos. - Oi, gays! - ela disse sorridente.
Todos nos cumprimentamos. Ela estava agindo normalmente comigo. Como se nada tivesse acontecido anteriormente. Que bom, cara.
Danny' POV
Acho que vou começar a acreditar quando as pessoas me chamam de burro. Como é que eu não me liguei que a Sam e Georgia não se gostam?! Caramba, foi sem querer... Eu nem lembrei. Quando vi, já tinha chamado a Georgia, e agora ela estava aqui, e todo mundo olhava torto pra ela. ATÉ MEUS PRÓPRIOS AMIGOS.
Danny's POV off
- O que é que a gente veio fazer aqui mesmo? - Sam "começou" enquanto todos se ajeitavam no sofá ou no chão.
- Ah, sei lá. Conversar. - Soph respondeu - Lia comprou uns filmes e a gente podia ver.
- É uma boa, já que ninguém vai conversar mesmo... - Sam retrucou e Bela prendeu a risada (não me pergunte o porquê. Não entendi).
- Tá bom. O filmequeeupegueiéNárnia. Não me matem! - ela disse quase antes de começar aquele reboliço de opiniões e críticas. - Gente! Só tem Nárnia! Ou é Nárnia ou é o filme de vocês - ela falou apontando pra mim e pra Bela.
- Você comprou o meu filme?! - Bela perguntou arregalando os olhos.
- O nosso filme. - Harry corrigiu e ela riu.
- Sim, comprei o filme de vocês. E vou obrigar todo mundo a ver!
- Bela Johnson e Jason Cooper se pegando com vigooooor! - Soph zoou, cantarolando, e aquilo me incomodou demais.
Claro, porque a Bela não me beijava no filme. Mas beijava o veado do Jason. E não só beijava! Quem dera que fossem só beijos!
- Ai, não! Eu não quero me ver agarrando o Jason e sendo "engolida" - fez aspas com as mãos - por ele. Eu fico com vergonha! - Bela fez manha e Sam tacou uma almofada nela.
- Ele é muito gostoso! Você devia se orgulhar de ter pego um cara tipo ele. - Sam comentou e nós gargalhamos. Na verdade, só fingi que gargalhei.
- Ah, mas não gosto de ver o Danny se esfregando com aquelas garotas na parte da festa... - Georgia falou e todos, de repente, pararam de rir quase que sincronizadamente e aí a fitamos, deixando a garota completamente sem graça.
- Então, vamos ver o filme?! - Soph sugeriu, colocando Ordinary Fantasy no aparelho de DVD.
- Sabe, eu odeio não conseguir me sentir confortável. Eu não estou confortável. Por isso estou odiando isso. - Sam, e suas filosofias incompreensíveis...
- Vou ignorar o que você acabou de falar porque eu não entendi nada. - Thalia falou, escolhendo a opção de iniciar o filme.
- Eu explico, não tem problema. Quando tem pessoas clandestinas nos nossos encontros de amigos, eu não me sinto confortável, entendeu agora, Lia? - ela disse, encarando a amiga que arregalou os olhos e prendeu a risada.
- Sabe que eu concordo?! Clandestinos sempre me incomodam. - Bela disse, se ajeitando no sofá, fazendo Soph soltar uma gargalhada.
Georgia fingia não ouvir e encrava um ponto fixo qualquer da sala. O clima ficou muito estranho até que Bela começou a gargalhar muito alto, desencadeando um mar de risadas na sala. Exceto da parte da Georgia.
- Calma aí. Por que vocês tão rindo tanto?! - Danny perguntou, se recompondo de uma gargalhada. O olhei tentando fazer com que ele percebesse, mas... Não deu certo. Nunca dá certo com o Jones.- Não tô entendendo nada... Quem é "clandestino"? Porque, assim, se fosse pra ser alguém daqui, com certeza seria a Georgia, já que eu a trouxe sem avisar a própria dona da cas... AH, ENTENDI? - balançamos a cabeça, assentindo e ele soltou uma risada sem graça, olhando em seguida, pra namorada.
- Er... Eu v-vou indo. Tenho uma sessão de fotos amanhã cedo e não posso dormir tarde... - Ela disse, completamente perturbada com a situação.
- Mas ainda são sete e meia, Georgia.
- Danny, deixa a garota ir. Ela tem sessão de fotos cedo, então precisa descansar, não é, querida? - Sammy se intrometeu e eu fiquei quieto no meu canto, segurando a vontade de rir.
- Tá bom. Vai com Deus, Georgia. - Danny disse sem nem se mexer na poltrona em que estava e a namorada bufou.
- Você não vai me levar?!
- Não... - ele respondeu dando de ombros e a garota bufou tão alto que pareceu um grito fino, com os punhos cerrados. Sam, então, num ato de pura bondade fraternal gargalhou apontando pra cara dela. Cara, garotas são más. Elas são terrivelmente más.
- Enfim liberdade! - Sam gritou, jogando os braços pro alto de uma forma engraçada e espontânea e, obviamente, todo mundo riu.
- Agora vamos ver a Bela agarrando o Jason Cooper! - Thalia disse animada, pulando no sofá entre Harry e Soph. Puta merda. É pra implicar? Só pode ser.
- Para geeeente! - Bela resmungou, manhosa, escondendo o rosto com as mãos. Fiquei com uma vontade do cacete de beijá-la, mas tá, eu me controlo.
- Só agarrando? - Sam perguntou com uma cara safada - Ela sugou o garoto, deu vários chupões naquele pescoção enorme e também ficou com o pescoço todo roxinho. Aposto que aquilo não se chama beijo técnico. - Vou ali bater na Sam. Dá licença.
Se você tá aí sentado com essa bunda fedida, achando que Ordinary Fantasy é um desses musicais tipo High School Musical que todo mundo fica feliz e a garota acha que perdeu a virgindade e engravidou dando um selinho no namorado, está enganado. Ordinary Fantasy é o tipo de filme que deixou o Sr. Johnson completamente irritado por ver a filha se esfregando na TV com um cara bem mais velho que ela, além de fumar, beber que nem um corno e falar palavras feias. Com certeza, se a Bela tivesse que se esfregar em mim, ele não iria ficar tão desconfortável assim. E eu também ficaria bem mais confortável.... Beeeeeem mais...
Enfim, eu não queria ver a Bela trocando baba com aquele veado, então fiz menção de levantar do sofá, mas a mão do Harry me segurou pelo pulso.
- Fica aqui, cara. - ele ordenou com cara de mau e eu ri, irônico.
- Eu vou ali na cozinha buscar alguma coisa pra beber. Já volto, não precisa ficar com medo de me perder, amor. - falei, escutando risadas.
- Volte mesmo. Senão vou te buscar lá. - ele entrou na brincadeira e o povo continuou rindo, apesar de eu não ter achado a menor graça. Ok, eu tinha mesmo os planos de fugir dali, mas agora eu teria que voltar. Merda.
- Eu sou muito gato, fala aê. - Escutei Harry dizer, se admirando na TV, e o olhei com desprezo, assim como todo mundo da sala. Ele riu. Depois a gente riu também
- Cala boca, adoro essa parte. - Sam disse, batendo palminhas como uma garota mimada.
O filme tava rolando, duas musicas já haviam sido cantadas. Eu tava com vontade de sumir dali. Principalmente quando, do nada, percebi que Sam tinha sumido, Danny também; Harry abraçava Lia pelo ombro num canto do sofá; Doug estava dividindo a poltrona com a Soph, e eles estavam bem agarrados. Eu tava um pouco separado da Bela, mas nós dois estávamos no outro canto do sofá. Tava um clima completamente... Romântico, o que me deixava nervoso.
Sam's POV
Era agora ou nunca.
Depois de expulsarmos Georgia e ver uma boa parte do filme, eu disse que ia fazer pipoca pra gente e pedi a ajuda do Danny. Nós dois fomos pra cozinha... Onde tinha uma porta... Onde tinha uma chave... Pra trancar a porta. Hum, isso pode ajudar.
- E então, o que vai fazer? - ele perguntou com aquela carinha inocente, achando mesmo que eu só estava lá pra cozinhar pros outros. FALA SÉRIO.
- Pipoca e... Hum... Chocolate.
- Vai fazer chocolate?
- É. Chocolate quente com vodca pra gente beber.
- Quer nos embebedar, Sam?! - ele brincou e eu o olhei provocantemente.
- Isso é apenas parte do plano, Dan. Se você não se lembra, é pra gente ficar em casais e deixar a Bela e o Tom juntos. Mas... Talvez eu também queira... - me aproximei devagar dele - te deixar louco. - Putz! Eu disse mesmo isso? Óscar de 'melhor cena brega' pra mim, por favor. Ele riu e colou a mão em minha cintura, dando um leve solavanco que colou nossos corpos.
- Vejo que sabe bem do que eu tô falando... - comentei no pé do ouvido dele. Sim, eu queria muuuuuito seduzir o Danny, e parece que tudo aquilo estava dando super certo.
Então, cheguei perto. Muito perto. Eu iria beijá-lo agora. Em dois segundos. Em um segundo... Nossos lábios finalmente se encostaram quando...
- Sam! - Bela entrou na cozinha me gritando e depois nos olhou de olhos arregalados. - Ops... Foi mal. - virou sobre os calcanhares e saiu rapidamente, fechando a porta da cozinha trás de si.
- Puta merda. Eu sou muito burra. - reclamei, olhando a chave encaixada na fechadura. Eu tinha colocado ali, mas não tinha trancado. Sei lá, eu me esqueci... A beleza do Danny me desconcentra.
- Calma. Ela já foi. Agora podemos continuar de onde paramos. - ele disse com um leve sorriso malicioso.
- Não! Não podemos! O clima acabou. - me estressei. Merda, tinha que ser a Johnson pra estragar tudo!
- Ahn?
- Não tem mais nenhum clima pra gente ficar aqui se pegando na cozinha, Danny.
- Eu faço ter. - ele disse simplesmente, me puxando em seguida, e me beijando loucamente. SAFADO! Cadê a consciência de estar traindo a namoradinha?
- E então, o que vai fazer? - ele perguntou com aquela carinha inocente, achando mesmo que eu só estava lá pra cozinhar pros outros. FALA SÉRIO.
- Pipoca e... Hum... Chocolate.
- Vai fazer chocolate?
- É. Chocolate quente com vodca pra gente beber.
- Quer nos embebedar, Sam?! - ele brincou e eu o olhei provocantemente.
- Isso é apenas parte do plano, Dan. Se você não se lembra, é pra gente ficar em casais e deixar a Bela e o Tom juntos. Mas... Talvez eu também queira... - me aproximei devagar dele - te deixar louco. - Putz! Eu disse mesmo isso? Óscar de 'melhor cena brega' pra mim, por favor. Ele riu e colou a mão em minha cintura, dando um leve solavanco que colou nossos corpos.
- Vejo que sabe bem do que eu tô falando... - comentei no pé do ouvido dele. Sim, eu queria muuuuuito seduzir o Danny, e parece que tudo aquilo estava dando super certo.
Então, cheguei perto. Muito perto. Eu iria beijá-lo agora. Em dois segundos. Em um segundo... Nossos lábios finalmente se encostaram quando...
- Sam! - Bela entrou na cozinha me gritando e depois nos olhou de olhos arregalados. - Ops... Foi mal. - virou sobre os calcanhares e saiu rapidamente, fechando a porta da cozinha trás de si.
- Puta merda. Eu sou muito burra. - reclamei, olhando a chave encaixada na fechadura. Eu tinha colocado ali, mas não tinha trancado. Sei lá, eu me esqueci... A beleza do Danny me desconcentra.
- Calma. Ela já foi. Agora podemos continuar de onde paramos. - ele disse com um leve sorriso malicioso.
- Não! Não podemos! O clima acabou. - me estressei. Merda, tinha que ser a Johnson pra estragar tudo!
- Ahn?
- Não tem mais nenhum clima pra gente ficar aqui se pegando na cozinha, Danny.
- Eu faço ter. - ele disse simplesmente, me puxando em seguida, e me beijando loucamente. SAFADO! Cadê a consciência de estar traindo a namoradinha?
Danny escorregou a mão da minha cintura para o meu quadril e meus pelos se ouriçaram. Expandi meus dedos por seus cabelos, fazendo carinhos com a minha unha fajuta (isso porque eu não tenho unha nenhuma, roo tudo).
Danny me jogou contra a parede, e... Wow, que pegada. Senti aquele baque nas costas e sorri durante o beijo que, só pra constar, parecia algo como a galáxia: surpreendente e infinito. Ah, e, é claro, excitante, mas isso não é uma característica da galáxia, certo? A não ser que você seja o Tom...
Meu coração parecia querer arrebentar minha caixa torácica. Suas mãos adentraram minha blusa, fazendo caricias nas laterais do meu tronco, acima do quadril.
Danny me jogou contra a parede, e... Wow, que pegada. Senti aquele baque nas costas e sorri durante o beijo que, só pra constar, parecia algo como a galáxia: surpreendente e infinito. Ah, e, é claro, excitante, mas isso não é uma característica da galáxia, certo? A não ser que você seja o Tom...
Meu coração parecia querer arrebentar minha caixa torácica. Suas mãos adentraram minha blusa, fazendo caricias nas laterais do meu tronco, acima do quadril.
Mas minhas mãos não ficaram pra trás. Uma delas acariciava seus cabelos enquanto a outra também acariciava a pele sob sua blusa. Enrosquei minhas pernas na sua cintura e ele dividia meu peso com a parede.
Nossas línguas massageavam uma a outra até que ele decidiu abandonar tais movimentos para seguir com seus lábios até meu pescoço. Distribuiu beijos e alguns chupões lá de forma que cada centímetro da minha pele ficasse completamente arrepiado. Sabe aquela história de correntes elétricas e borboletas? Aposto que sabe. E comigo estava acontecendo tudo aquilo. Clichê, eu sei... Mas o que eu posso fazer se é sempre isso que acontece? Não é uma sensação nova, mas não deixa de ser ma-ra-vi-lho-sa.
- Sam... - o escutei suspirar perto de meu ouvido. - eu... meio que gosto de você. - continuou em sussurros.
MEUDEUSDOCÉU,OQUEFOIISSOOOOOO?! Tremi na base, colega. Ele-gosta-de-mim. Desculpa aí, marmanjada, mas Danny Jones GOSTA de MIM. Vamos nos casar e transar todos os dias, amor!
- Você só pode ser um maluco! - eu sei, as vezes falo coisas que não quero.
- O que? - ele me soltou e me encarou, mantendo a pouca distância entre nós. O empurrei, com um olhar incrédulo. Tudo falso.
- Você é um retardado, Jones. Re-tar-da-do. - seu olhar era de quem não estava entendendo bulhufas - Como você pode dizer uma coisa dessas, tendo uma namorada?
- E-eu... Eu não gosto muito da Georgia. Quero dizer, gosto dela, mas não como namorada...
- Meu filho, por que você voltou com ela, então?
- É que... Bom, fiquei com pena de dizer 'não'.
- Idiota. Frouxo, bunda mole!
- Quer parar de me xingar?
- Não! Burro, retardado mental, mongolóide, broxa, est...
- Broxa não. Tudo menos broxa!
- Você. É. Broxa. Bro-xa.- falei provocando como uma criancinha.
- NÃO SOU NÃO! - ele ficou indignado.
- É sim, Danny. Eu sei que é.
- Ok, não vou discutir com você. Sou superior demais pra discutir com uma criança de oito anos. - empinou o nariz como se fosse alguém.
- PATÉTICO, DANNY. Ceninha deplorável. De-plo-rá-vel!
- QUER PARAR DE SEPARAR AS PALAVRAS EM SÍLABAS?
- Não. Eu não quero pa-rar. - zoei e controlei a vontade rir.
- ENTÃO VÁ A MERDA. - ele disse, virando as costas e caminhando, enfezado, até a porta da cozinha. NÃO VOU DEIXAR ISSO BARATO, JONES.
- Não dá! - falei antes dele sair. Ele me encarou. - Não dá pra eu ir à merda, Jones. Não sei onde sua mãe mora. Como vou chegar até ela?
- Acabou de chamar minha mãe de merda? - me olhou, indignado.
- Pra um burro, até que você entendeu rápido, e filho de merda, merdinha é. - Acrescentei com um sorrisinho vencedor e arrogante, e fiz questão de desfilar até a porta da cozinha, abrir e sair, de nariz empinado.
- O que pensa que está fazendo?! - ele me perguntou, ainda incrédulo, depois de alguns segundos estático. Eu já estava na sala, quase chegando no sofá e ele acabara de sair da cozinha. Todos pararam de ver o filme para assistir à nossa cena.
Mas a gente não podia brigar ali, na frente do Tom e da Bela! Tínhamos que ser um casal! BURRO.
- Ah, Dan... Pensei que já tinha ficado cansado. - Ri maliciosamente. - Vamos para o segundo round, então. - Voltei para a cozinha com cara de tarada e ele não tava entendendo mais nada. Oh, aquilo ia dar trabalho. Tinha certeza que ia.
Sam's POV off
Beleza. Agora o Danny tava pegando a Sam. Legal. Muito legal. Harry com a Thalia, Dougie com a Soph e Danny com a Sam. Completamente agradável, levando em consideração que eu sempre fui o apaixonado e tudo que eu peguei foi... MERDA NENHUMA. Estou me sentindo humilhado agora.
E... Pera aí. Danny e Sam? Mas o Danny não tava com a Georgia? Wow, isso vai acabar dando problema.
O filme se encaminhava para o final, quando senti alguma coisa cair no meu ombro. Era uma cabeça. Na verdade, não uma simples cabeça. Era cabeça dela.
Ela havia dormido e, sem querer, tombou sua cabeça no meu ombro.Como se não bastasse, como se aquilo não fosse o suficiente para o sangue fervilhar em meu corpo e meu coração explodisse, ela me abraçou. ME-ABRAÇOU.
Ok, todos aqui devem saber o quanto a Bela fica inconsciente enquanto dorme. Mas mesmo assim, estava me abraçando e dormia como um anjo, com um leve sorriso, quase imperceptível nos lábios.
Eu estava quase surtando. E também estava completamente sem jeito. Tinham pessoas ali... Como eu iria abraçá-la de volta? Como eu ia fazer isso na frente das amigas dela? Resposta óbvia: eu não ia. Não, eu não sou gay. Sou só envergonhado quando o assunto é Isabela.
Por um momento, achei que vi Soph cutucando o Dougie e apontando discretamente pra nós dois, mas quando olhei de novo, eles estavam atentos ao filme.
Soph's POV
- Olha aquilo Doug! - sussurrei no ouvido dele, e apontei pra Bela agarrada no Tom como se fosse um coala segurando-se num bambu. Ele virou para os observar e soltou um risinho fofo, mas assim que Tom nos olhou, fomos rápidos o suficiente pra voltar a ver o filme como se nada tivesse acontecendo.
Mais alguns minutos se passaram e o filme acabou. Sabe quando você sente vergonha por alguém? Então. Eu tava sentindo vergonha pelos meus queridos amigos ali presentes que tiveram que se ver na televisão. Principalmente pela Bela e pelo Danny que toda hora trocavam beijos e amaços calientes com alguém.
No caso da Bela, com o gato, gostoso e tesudinho do Jason Cooper! Oh, delícia. No caso do Danny, com algumas atrizes aí. Umas três ou quatro. Ou cinco... Não sei. Ele era o pegador do filme. E... pela grande ironia do destino, Harry era o mais nerdzinho que não pegava ninguém. HAHAHAHAHAH, só rindo mesmo (Com todo o respeito à Lia, sua atual namorada fictícia).
Enfim, se eu fosse a Bela, estaria MORREEEEEEENDO de vergonha agora. Mas, ela não estava nem aí, pra falar a verdade. Ela tinha dormido. Pelo amor de Deus, quem dorme vendo seu próprio filme? Eu ficaria inquieta até desligarem a TV e minha cara sumir da tela de uma vez. Não sirvo para ser atriz, apesar da minha grande habilidade em atuação, modéstia à parte.
Desligamos a TV e acendemos a luz.
- ISABELA JOHNSON, ACORDA PRA ESCOLA! - Lia gritou e Bela nem se mexeu.
- Só um instantinho, preciso terminar com esse lanche. - ela respondeu com uma voz firme e séria. Caímos na gargalhada.
- Acorda, Belinha. - Lia disse, cutucando a coitada. Tom só ria enquanto a garota dormia esparramada em seu colo. - Bela, é sério, acorda. Bela. ISABELAAA! - a menina parecia uma pedra.
- BELA VOCÊ ESTÁ AGARRADA COM O THOMAS FLETCHER. - tentei, tendo a certeza que ia funcionar e ela ia sair gritando, pulando e dando um ataque de pelancas... Mas não.
- Eu sei. Me deixa dormir, por favor. - ela resmungou ainda de olhos fechados, se aconchegando melhor no colo dele.
...
...
...
...
(isto é um silencio fatal onde nós estamos trocando olhares assustados e perplexos com o que acabamos de escutar)
...
...
...
- Isso foi estranho. - Harry cortou o silêncio.
- Isso foi completamente estranho. - enfatizei.
- Que tal pararmos de olhar pros dois? Tom já tá ficando vermelhinho. - Lia disse com um sorriso engraçado no rosto e ele sorriu amarelo. Eles são fofinhos juntos. Todo mundo sabe disso.
- Boa ideia. Hey, Doug, pode me ajudar com as coisas da cozinha?
- Soph, essa desculpa já foi usada pela Sam quando ela foi catar o Danny. Tenta outra. - Harry comentou e Lia desatou a rir. Doug também. Tom, mais ainda. Eu não. Apenas ri ironicamente, semicerrando os olhos. Eu realmente precisava de ajuda na cozinha, ok?!
- Sem graça. - comentei. - Mas deixa pra lá. Vou colocar a mesa pra alimentar a barriga gorda de vocês sozinha mesmo. - melodraminha básico.
- Aw, linda. Eu te ajudo. - Dougie disse como se eu fosse uma menininha de sete anos. Ridículo. Mas eu gostei...
- HUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM! - óbvio que esse povo não perde a oportunidade de implicar. Por isso, Eles se entreolharam e Tom puxou o corinho de "huuuum" insinuando que nós tinhas algumas coisa.
- Puta que pariu, querem calar essa boca? Tô tentando dormir! - Do nada, escutamos Bela reclamar ainda de olhos fechados.
- Iiiih, nervosinha. - Lia provocou e a gente gargalhou alto (acho que só pra irritar).
- Mas que merda! Não são vocês que têm que ficar andando pelos cantos, fazendo shows e correr de fãs malucos pelas ruas! - ela se queixou finalmente abrindo os olhos, se endireitando no sofá, e cruzando as pernas (como índio) e os braços, depois bufou, toda enfezadinha.
- Na verdade - Tom pigarreou - A gente passa exatamente pela mesma coisa. Mas é pior porque nossas fãs são realmente malucas e a gente tem realmente que correr delas. - gargalhamos. Ela pegou uma almofada que se encontrava ao seu lado e tacou nele.
- Cala essa boca, Fletcher. E vê se evita falar comigo. Você enche meu saco. - Olhamos pra ela com a famosa cara de "WHAAAT THEEE FUUUCK??!!"
Que eu saiba, segundos atrás ela tava agarrada com ele. Qual é o problema dessa garota?
- Er... Dougie, vem me ajudar? - quis sair dali correndo, odeio esses climas esquisitos
- Sim, claro. - ele veio atrás de mim e nós fomos até a cozinha.
Soph's POV off
Acabei de constatar, por motivos óbvios e explícitos, que Isabela Johnson sofre de um problema mental popularmente conhecido como bipolaridade. E se eu constatei errado, a culpa é dos médicos que não considerarem o problema dessa garota como TRANSTORNO BIPOLAR!
Soph estava colocando a mesa enquanto todo mundo a ajudava. Até Sam e Danny ajudaram. Isso porque quando Soph entrou na cozinha os viu dormindo, debruçados no balcão. Não agarrados, na verdade, segundo ela eles estavam até meio distantes, mas... Você sabe, sexo dá sono.
Enfim, todo mundo a ajudou menos eu e Bela. Estávamos sentados lado a lado no sofá até agora sem trocar uma palavra.
- Bela. - tomei coragem. - Qual é o seu problema? Você é irritantemente bipolar!
- É, sou. Isso é problema meu. Não se mete. - respondeu sem olhar pra mim.
- Para de ser assim comigo. - falei sério e ela me olhou por um instante, sem expressão.
- Se eu tivesse um bom motivo... - Vamos, Tom, apenas fale! 'eu amo você'! Anda, fala! Não é tão difícil assim! Apenas fale...
- Eu... - engoli seco. Eu ia falar, estava decidido. - eu... Te... - pigarreei - Eu te... te trato bem. - óbvio que eu não ia conseguir. Por que mesmo eu achei que ia...?
- Verdade, Fletcher. Você é um mar de rosas comigo. Nunca faz as coisas pra me irritar. Nunca implica comigo. Você é realmente perfeito! - fez uma cara tão irônica que me deu vontade de tacar ela pela janela.
- Bela. Todo mundo implica com você, a diferença é que você só se irrita comigo. Com os outros você tem essa incrível capacidade de levar na brincadeira. Mas comigo é diferente.
- Você pensa no que fala, Tom? - ela parecia incrédula - Ou melhor. Você pensa no que faz? No que fez? - ela bufou e fechou os olhos, ponderando. - Ok. Me convença que você mudou que eu mudo com você. E me desculpa por ter sido grosseira a troco de nada. Vou tentar evitar. - ela disse olhando para as próprias mãos repousadas sobre suas pernas e então... Ela me abraçou. Pela segunda vez no dia. E dessa vez, simplesmente pude abraçá-la de volta. Eu estava explodindo de felicidade. (Eu disse que ela era bipolar, eu fucking disse!)
Mas... O que seria "convencer que mudei"? Mudei o que? O quem tem de errado comigo? O que eu tenho feito ou fiz de tão errado? Cara, eu simplesmente não sei o que fazer. Mas não posso desperdiçar uma chance dessas. Eu vou descobrir. Eu vou saber. Eu vou mudar. E não acho que haja alguma coisa no mundo que possa me impedir.
Ela não demorou muito no abraço, mas pra mim pareceu um eternidade, como se tivesse acontecido em câmera lenta.
- Venham comeeeeer, seus mal educados! - Sam nos chamou e nós dois olhamos pra mesa já completamente posta. Tinha coisas como pão, geléias, queijos, presunto, peito de peru, sucos de caixa, refrigerante, alguns salgados, e, ah, tinha muita coisa. Nada de pizza e álcool. Não parecia um encontro de amigos de dezenove/dezoito/dezessete anos.
- Cadê a pinga? - Bela perguntou se levantando, depois riu de si mesma. - E, Sam, pra sua informação não quero que fique me chamando de mal educada por aí. Vai que as pessoas acreditam? - ela disse fingindo estar afetada.
- Mas vocês dois - Lia apontou pra mim e pra Bela - são uns mal-educados mesmo. Todo mundo ajudou a colocar a mesa e vocês ficaram lá, de resenha. - concluiu, e Sam concordou.
- Resenha boooooa, né, Fletcher? - Danny falou rindo e Harry tacou um pão (desperdício, eu poderia ter comido) nele. Por que não jogou logo uma granada?
- Aposto que a resenha estava mesmo muito boa. Melhor que resenhar com o Jason Cooper! - Sam comentou com uma expressão meio... Tarada. - Gostoso dos infernos. - falou num suspiro e todo mundo riu.
- Sam só acorda com um bom humor desses depois de uma boa...
- Trepada! - Harry quase gritou, cortando o que Bela ia dizendo e todo mundo gargalhou alto.
- OLHA O VOCABULÁRIO, JUDD! - Soph disse, tentando não rir, mas não obteve êxito.
- Vou te enfiar a porrada, vagabundo! - Sam voou de sua cadeira, deu a volta na mesa, e quando quase alcançou Harry, ele se levantou e começou a correr também.
- Seu $£^>*^# @& $@¥ €€ #*£€ ¥ ^%@" $$@/! - ela ia correndo e gritando absurdos, palavrões pesadamente inventados e personalizados, o que me fazia sentir dor na barriga de tanto rir.
- Eu não trepei em porra nenhuma, seu desgraçado! - ela esbravejou, tentando voltar a sentar à mesa, emburrada.
- Desculpe, mas eu só completei o que a Bela ia dizer...
- Nem vem, Harry! - ela se defendeu - Eu nem ia dizer isso!
- Nãããã, imagina! - Ele foi irônico. E gay.
- Claaaro que não ia falar isso! - Lia entrou na pilha! - Você ia falar que ela acordava assim depois comer um delicioso sorvete de morango! - foi sarcástica.
- Vocês são todos um bando de bosta. - Bela revidou, enfiando uma torrada na boca.
- Ei! Tô quieto aqui! - Dougie protestou. - Não mereço ser chamado de bosta.
- Mas você fede que nem uma. - tive que comentar. Bela se engasgou com o suco depois de ouvir. Fiquei uns dois ou três segundos preocupado até ela começar a gargalhar loucamente. Os outros a acompanharam.
- Teu cu que fede, seu gordo. - Dougie xingou e eu gargalhei.
- Dougzinho, você já cheirou? - Danny perguntou e tomou um murro no braço. - OUTCH! Uuuh, que fortinho!
- Não sou você pra ficar cheirando o cu do Tom. - ele disse e logo em seguida mordeu um pedaço enorme de pão, que não pareia caber na boca dele, mas eu sempre soube que o Dougie tinha tendências canibalescas...
- Ai, é sério, vocês me matam de rir. - Bela comentou, limpando as lágrimas no canto dos olhos. Ela sempre chora quando ri demais.
Nos empanturramos de comida e depois voltamos a conversar no sofá por quase duas horas. Decidimos que já era hora de ir. Tava tarde, uma onze da noite, e, desculpe mas eu fico morrendo de sono.
- Vamos embora, Harry. - eu disse, me levantando do sofá, onde todos estavam conversando.
- Vamos...
- É, vamos. - Dougie ratificou, também se levantando.
- Ah, meninos! Fiquem mais um pouquinho! - Soph resmungou e a gente riu.
- Eu tô morrendo de sono. É sério. Preciso ir pra casa.
- Ai, Tom, deixa de ser gay. Macho que é macho aguenta firme... - Thalia comentou e eu fiz cara de tédio.
- Então eu não sou macho. E eu to indo pra casa.
- Lia, vamos pra casa também? - Bela perguntou. Presumi que ela estava de carona com a Lia.
- Tô com cara de quem quer ir pra casa?
- Aaaaaaaah, Lia! Eu preciso dormir, também to com sono...
- Dorme aqui, Bela! - Soph sugeriu e Bela fez uma careta engraçada.
- Não posso. Amanhã cedo meus pais estão voltando pra Essex, e eu preciso estar lá pra me despedir e tudo mais.
- Bela, quer uma carona? Tem um espaço no carro.
- AAAAI, HARRY! Você é um fofo. - ela pulou nele, dando um abraço bem mais caloroso que o que ela dera em mim mais cedo...
- Sou mesmo, eu sei. - Ele disse rindo e ela gargalhou.
Sabe, meu amigos até que são... Eles são... Er... Bons amigos. É. É isso. São bons amigos. Eles estão sempre lá me dando força e ajudando, mesmo que as vezes mereçam uma porrada por meter os pés pelas mãos, estão sempre disposto a ajudar.
No caminho, Harry e Danny foram nos bancos da frente do carro. Bela, eu e Doug ficamos exatamente nessa ordem, no banco de trás. Eles meio que manipularam tudo só pra ela sentar no meu lado e dormir no meu ombro até chegar na casa dela.
Eles são uns lindos, se eu não fosse homem...
- Bela, acorda. Chegamos.
- Tom... - ela sussurrou me nome, ainda de olhos fechados, com a cabeça apoiada no meu ombro.
- Que...? - respondi igualmente sussurrando.
- Deveríamos ser amigos.
- O que? - pensei não estar ouvindo direito.
- A gente... A gente deveria voltar a ser amigo.
- É... deveríamos.
- Mas isso me parece uma coisa tão distante... - Bela falava tão baixo que eu mal ouvia. Principalmente porque o rádio tava ligado e os caras conversavam alguma coisa qualquer, fingindo não prestar atenção em nós dois.
- Por quê? - perguntei e ela finalmente tirou a cabeça do meu ombro e me encarou.
- Porque simplesmente parece. Não consigo me ver sendo sua amiga de novo. Mas eu quero isso.
- A gente pode tentar. Não deve ser tão complicado assim...
- É... Talvez... Tchau Tom.
- Tchau...
- Tchau, meninos! Obrigada pela carona! - aumentou o tom de voz pela primeira vez, enquanto abria a porta do carro e saía.
- Tchau, Johnson! - Danny gritou e ela riu, batendo a porta em seguida.
Suspirei alto e joguei minha cabeça pra trás.
- AAAAAAAAI. - resmunguei enquanto me espreguiçava.
- Tá, já pode falar toda a conversa. - Harry disse, dando partida no carro.
- Ué? Vocês não ouviram?
- Não! A gente tava conversando, cê não viu?
- Harry, vocês são os caras mais fofoqueiros da galáxia. Eu nunca suspeitaria que vocês não estavam prestando atenção.
- Para de molengar e fala logo, Fletcher. - Dougie ordenou e eu pigarreei antes começar.
- Ela disse que a gente devia ser amigo.
- Hum... - ele resmungou como se fosse pra eu continuar.
- Hum o que? Já acabei.
- Foi só isso que vocês ficaram cochichando? - Danny perguntou, indignado.
- Foi.
- Tá, ela disse isso. E o que você disse? - Harry quis saber, enquanto mudava a estação de rádio.
- Eu concordei, oras. Ela disse que isso seria difícil pra ela, mas era o que ela queria. Aí eu concordei e... Acho que agora vamos voltar a ser amigos.
- Tá bom, Fletcher, já pode gritar, pular, dançar e sair correndo por aí cantando musiquinhas românticas e dormir abraçado com seu travesseiro que tem aquela fronha escrita "I love Bela". A gente promete que não vai te zoar muito. - Dougie falou e eles riram.
- Ha-ha. Engraçadão. Me mijei aqui. - ironizei e eles riram mais.
Sabe, não posso mentir. Eu vou fazer tudo isso que o Dougie disse, mas sem eles verem, é claro.
- O que é isso? - perguntei assim que o Harry estacionou na minha garagem e saiu do carro.
- Nós vamos dormir aqui, ué. A gente não te avisou não?
- Não... - dei de ombros e abri a porta de casa.
Nem sei o que eles foram fazer, só sei que minha cama era meu único amor (depois, é claro, de vocês sabem quem) e foi pra lá que meus pés me levaram.
EU NUNCA ODIEI TANTO A MÚSICA DO STAR WARS NA MINHA VIDA INTEIRA, AAAAAAAAAAAARGH! MAS QUE MERDA.
Abri os olhos totalmente contra minha vontade. Devia ser o que? Seis da manhã? Não sei, mas era o que parecia. Estiquei o braço e atendi a porcaria do telefone que insistia em tocar àquela hora da manhã.
- Quê. - Não tive humor pra dizer 'alô'.
- Er... Tom?
- AH! Oi Senhora Johnson! - Fingi ser a coisa mais educada e bem humorada do mundo.
- Oi, meu anjo! Te acordei, né?
- Nããão! Que isso! Eu já ia levantar mesmo!
- Sei... Levantar às sete horas da manhã, num sábado? Duvido, Tom. - ela disse divertida, e eu ri. - Enfim, desculpa interromper seu sono de beleza, mas eu tô indo pra Essex hoje. Na verdade, vou pro aeroporto daqui a uma hora.
- Ah, eu quase me esqueci. Que bom que a senhora me ligou porque eu queria ir até o aeroporto com vocês...
- Oh! Então pode se apressar, mocinho!
- Tá bom, eu tô indo. A gente se vê daqui a uma hora.
- Até. - ela disse e riu. - Beijinhos, querido.
Desligamos e eu pulei da cama e fui correndo para o banho. Eu realmente queria ir ao aeroporto com os Johnson, mas tinha esquecido completamente.
Tomei um banho rápido, me arrumei e fui tomar o café da manhã. Dulce, a minha governanta/babá/espiã enviada pela minha mãe, já tinha chegado e assim que eu encontrei com ela na cozinha, me olhou com uma cara estranha.
- De pé a essa hora?
- Sim! Eu tenho que ir ao aeroporto daqui a pouco.
- Viagem de última hora?
- Não, não. Sr. e Sra. Johnson vão voltar pra casa.
- Oh, sim... Quer que eu faça panqueca?
- Se não for nenhum incomodo...
- Até parece, Tom.
Bela's POV
- VAAAAAAAAAAAAMOS, MÃE! VAI PERDER O VOO, HEIN!
- To indo, to indo!
- Sue, é sério! Você tá desde cinco horas da manhã se arrumando!
- Eu não posso esquecer nada aqui, Edward.
- Mãe, você já olhou tudo. Não vai esquecer nada. Se esquecer eu mando por correio. Vamos logo!
- Ai, chatos. - ela resmungou, finalmente aparecendo na sala com todas as suas tralhas.
Chegamos no aeroporto que estava bem vazio e tranquilo. Graças a Deus... Esperávamos anunciarem o voo num daqueles banquinhos... Eu estava caindo de sono. Meu olho permanecia fechado por trás dos grandes óculos escuros enquanto meu pai afagava minha cabeça e fazia um cafuné que me levava ao sétimo sono.
- Tom! Até que enfim!
- Oi!, senhora Johnson! - abri os olhos abruptamente e o vi parado ali, sendo agarrado pela minha mãe.
- Oi, Tom! - Meu pai disse, se levantando para abraça-lo e depois ele olhou pra mim.
- E aí, Fletcher.
- E aí, Bela. - sorri pra ele, que sentou ao meu lado e retribuiu o sorriso.
- Mãe, vou ali comprar um café senão vou apagar. - avisei antes de me levantar pra ir até a cafeteria do aeroporto.
- Vou com você. - Tom disse, se levantando junto comigo.
Caminhamos até a cafeteria em silêncio.
- AI MEU DEUS. É A BELA E O TOM! - escutei uma voz feminina gritar ao meu lado e quando olhei, quatro meninas vinham correndo em minha direção. - AI, NÃO ACREDITO! ACHO QUE EU TO PASSANDO MAL. - ela disse se abanando com as mãos e as outras meninas faziam uma cara desesperada. Eu ri.
- Oi gente! - Tom cumprimentou sorrindo.
- P-podemos tirar uma foto com vocês?!
- Claro! - respondi, depois eu e Tom pousamos para todas as fotos que as meninas quiseram tirar. Foram umas cinco fotos, pelo menos.
- Esse é o casal mais lindo do mundo! - uma delas exclamou do nada. Vergonha detected.
- É mesmo! Vocês formam o casal mais perfeito de todos! - a outra concordou com os olhos brilhando e eu gargalhei pra disfarçar minha vontade de enfiar a cabeça num buraco e nunca mais sair.
- Obrigada! - respondi meio (lê-se: completamente) sem graça, mas lutando pra que isso não transparecesse. Depois autografamos caderninhos, até que elas decidiram sair.
- Elas são engraçadas.
- É são... - respondi ainda rindo para o nada.
Pedimos nossos cafés e fomos voltando para o banco onde meus pais estavam.
- E então, vai fazer o que hoje? - ele puxou algum assunto.
- Dormir.
- É sério?
- Aham. Vou dormir o dia inteiro.
- Acho que isso não é uma má ideia.
- Ei, sabe o que eu acabei de lembrar?!
- O que?
- Segunda a gente tem ensaio. Nosso primeiro ensaio juntos. Digo, do McFLY comigo.
- É! É verdade!
- Vai ser legal.
- Tenho certeza que sim. Er... - ele resmungou e colocou a mão no bolso. Tirou de lá seu celular que vibrava compulsivamente. - Número desconhecido... Estranho. Alô?... Ah, Oi!... É, eu também... Amanha? Que horas?... Não sei se vou poder... Er, ok. Às sete?... Mas agora não dá, eu tô ocupado... Hm, pode ser... Um beijo, a gente se vê amanhã... Tchau.
- Quem era?
- Katy. - Alguém me explica porquê eu fiquei com vontade de matar essa garota? Não era pra isso ocorrer, produção!
- Sua peguete da escola? - tentei parecer natural.
- Ela não é minha peguete.
- Hum, sei. Você só fica com ela há um século... Mas é claro que ela não é sua peguete!- ironia mode on.
- Eu não gosto de dizer que ela é minha peguete.
- Mas ela é.
- Não é.
- É.
- Não é, cara.
- Ok. - rolei os olhos - Vão se encontrar amanhã?
- Vamos, mas ela disse que não é nada demais, só queria conversar comigo. Do contrário, eu não encontraria com ela.
- Cansou do corpo roliço? - ele gargalhou.
- Você é hilária. - comentou, achando graça.
- Ridículo.
- Engraçadinha.
- Galinha.
- Neurótica.
- Irritante.
- Ciumenta.
- Ciumenta? Tá achando mesmo que eu sinto ciúme de você, Fletcher? PFFF! Coitado! - ok, talvez, só nesse momento, eu esteja com um pouquinho de ciúme. MAS É SÓ NESSE MOMENTO.
- Quanto tempo que a gente não discute assim... - murmurejou, nostálgico. Por um momento mergulhei junto com ele nas memórias da nossa infância, quando discutíamos assim até não encontrarmos mais adjetivos ruins, então desatávamos a rir...
- É... Eu sempre me divertia no final das contas. - ele riu e me abraçou pelo ombro, apoiando seu braço ali. Me senti estranhamente bem...
Thalia's POV
Tia Sue tinha me acordado cedo só pra falar "estou indo viajar! Vou sentir saudades! Beijinhos" e depois disso não consegui mais pregar o olho.
As vezes eu achava que a Tia Sue era meio carente de filhas, já que a Bela é filha única e mora longe dela.
É que ela trata todo mundo come se fosse filho. Me ligou SÓ PRA DIZER QUE IA VIAJAR! E aposto que também ligou pro Danny, pro Tom, pro Harry, Pro Dougie, pra Sam e pra Soph.
No final das contas acaba sendo engraçado. Ela é engraçada...
Enfim, não conseguia mais pregar o olho então decidi comer, ver TV ou algo do tipo. Eu estava na casa da Soph, e a Sam também.
Aproveitei esse tempo silencioso e solitário pra pensar. Ontem, eu e Harry ficamos num clima, digamos, estranho... Ele realmente fica me tratando como namorada. Me abraçando, sendo fofo... E ainda me chama de amor, de vez em quando! Tudo bem que ontem era pra gente forçar um climinha, só pra Bela e Tom acabarem ficando juntos, mas a gente nem precisou forçar! O clima tava lá! Bom, pelo menos pra mim, né.
Meu Deus, onde eu estou com a cabeça? Eu não posso ter nada com o galinha do Judd. Ele vai me trair com a primeira poposuda que passar na frente dele. Eu tenho que me concentrar em encenar toda essa história de namoro por mais essa semana e aí, fim de tudo. Isso mesmo, nada de Har...
Do nada, meu celular tocou e interrompeu minha frase de efeito de fim de pensamento.
- Alô?
- Lia? - NÃO ACREDITO.
- Não morre cedo!
- Por quê? Tava falando de mim?
- Pensando, na verdade.
- Huuuuuuuum! - fez um voz sugestiva. - Sabe, eu também tava pensando em você, por isso te liguei.
- Pensando em mim tão cedo?
- É que a Sra. Johnson me ligou avisando que ia viajar e aí eu não consegui mais dormir.
- Sério?! Aconteceu exatamente a mesma coisa comigo.
- Estranho... Deve ser porque a gente combina, né? - não. Claro que não! Óbvio que não! No way in hell!
- Para de ser estranho, Harry.
- Enfim. Eu queria saber se você não quer sair hoje.
- Sair? Pra onde?
- Sei lá, algum lugar tipo...
- Vamos no parque comer algodão doce! - dei a ideia e ele gargalhou.
- Pode ser!
- OK, me pega aqui mais tarde, tipo umas dez horas.
- Sim senhora.
- Vou lá tomar um banho.
- Vou lá tocar bateria pra acordar o Danny e o Dougie.
- Tá bom, divirta-se com isso.
- Um beijo, amor.
- PARA COM ISSO, HARRY.
- Desculpa! Desculpa! Um beijo, Thalia Hoppus.
- Um beijo, Judd.
Desligamos e eu suspirei.
MERDA, MAL SINAL. NADA DE SUSPIROS, THALIA, NADA DE SUSPIROS!
Harry's POV
- Alô.
- Oi, Lia! Sou eu, já cheguei. Tô aqui em baixo.
- Ok, tô descendo. - ela desligou.
Hoje estava meio frio em Londres (Oh! Grande novidade!), mas parecia um bom dia para ir a um parque. Sorri comigo mesmo assim que vi Lia sair do seu prédio e caminhar até o meu carro. Ela estava linda.
- Hey! - vociferou assim que entrou no carro e me abraçou.
- E então? Pronta pra comer um delicioso algodão doce?
- Isso foi muito esquisito, Harry...
- O que?
- Essa sua fala de animador de festa infantil.
- Ah, só tava tentando parecer legal pra você gostar de mim.
- Não funcionou... - falou olhando para o além e depois sorriu. - Brincadeira.
- Eu sei. Você não seria tão má.
- Ah, não? Tem certeza?
- Absoluta.
- Veremos... - eu ri e ela me olhou como se eu tivesse feito um crime. - Tá rindo de que?
- De você tentando ser má.
- Harry, você é um saco.
- Também te amo.
- Dá pra parar com essas brincadeiras?
- Que brincadeiras?
- De ficar falando que me ama, me chamando de amor, de linda, e variantes.
- E quem disse que eu estava brincando?
- Harry! Para com isso! Não gosto! Eu to tentando ter uma convivência pacífica com você, mas assim não dá!
- Thalia, o que eu quero dizer é que eu não estou brincando quando eu digo que você é linda. E que eu te amo.
- COMOÉQUEÉ?
- É isso mesmo que você escutou.
- Sei. - retrucou descrente. - Você acabou de se declarara pra mim? Harry Judd dizendo que ama uma garota? Até parece, Harry. Eu te conheço. Não se esqueça disso.
- Porra, se você não quer acreditar, não acredita. Mas que eu gosto de você, eu gosto.
- Gostar é infinitamente diferente de amar. E a gente nunca ficou pra você saber se você gosta de mim ou não.
- Não seja por isso. - aproximei bruscamente o meu rosto do dela, aproveitando o sinal fechado e ela espalmou a mão no peito, me impedindo de prosseguir.
- PARA! Para de querer se aproveitar de todas as garotas com quem você se relaciona!
- Você que tem que parar de achar que eu to querendo me aproveitar! Se você não sabe, Thalia, eu não fico com ninguém há muito tempo só porque comecei a gostar de você, tá? - confessei e ela pareceu surpresa.
- Há quanto tempo? Uma semana? Nossa, grande coisa.
- Bem mais que uma semana.
- Fala quanto.
- Não. - bufei. Ela ficou em silêncio e olhou a rua pela janela, virando o rosto para o lado oposto a mim, como se não quisesse me olhar. O que será que eu fiz com nosso passeio...?
- Você me ama, Harry? Ama mesmo? Você sabe o que é amar uma garota?
- Eu não sei se já amei uma garota, Thalia. Não sei o que é amar uma garota, mas sei que eu não senti por elas o que eu sinto por você, oras. Então, pra mim, eu te amo.
- Para de ser infantil. Não é tão simples assim. Você nem sabe o que é amar, e você não me ama.
- Que seja. Eu gosto de você e é isso que importa.
- E o que eu sinto não importa?
- É lógico que importa, eu não tava falando nesse sentido. Eu quis dizer que não importa o nome do meu sentimento, o que importa é que é por você que ele existe em mim... - ela ficou em silêncio mais um vez. -... Thalia... Você gosta de mim?
Harry's POV off
Danny's POV
Eu tinha acordado com um barulho insuportável da bateria do Harry, que ele fez o favor de colocar dentro do quarto e começar a tocar loucamente. Tive vontade de cuspir nele, mas eu acordei com a boca meio seca e não encontrei baba o suficiente pra isso.
O Dougie insistiu em ficar deitado na cama e acabou voltando a dormir, aí o Harry avisou que ia sair, depois eu fui procurar o Tom, mas ele também não estava em casa.
- Ei, Dulce
- Bom dia, Daniel.
- Cadê o Tom?
- Aeroporto.
- AI, MEU DEUS! O QUE ACONTECEU? ALGUMA COISA IMPORTANTE?
- Calma, meu filho! Ele só foi se despedir pessoalmente dos pais da Bela. Eles vão voltar pra Essex hoje.
- AAAAAAAAh, ufa. Tomei um susto agora. Se bem que eu deveria ter imaginado que ele foi fazer isso... A Sra. Johnson ligou pra todo mundo no meio da madrugada só pra dizer que ela tava indo embora. Mas enfim, o que tem pra comer?
- Tem cereal, mas se você quiser, preparo alguma coisa.
- Pode ser cereal mesmo. Deu vontade. - abri o armário da cozinha, peguei o cereal, depois fui na geladeira pegar o leite, preparei a mistura deliciosa numa cambuquinha e comi.
Hoje era Sábado. Dia de 'nada pra fazer', mas sempre que eu falava 'nada pra fazer' apareciam um zilhão de coisas pra fazer. Então é melhor eu não ficar falando 'nada pra fazer'. Merda! Já falei várias vezes 'nada pra fazer'! Que droga! Agora vou ter muitas coisas pra fazer!
Eu estava indo pro estúdio do Tom, quando escutei meu telefone tocar.
- Danny Jones falando. - atendi sem ver no visor quem era.
- Oi, meu amoooor!
- Ah... Georgia.
- Que foi, bebê? Que falta de animação é essa?
- Ah, nada não.
- Hun, não fica tristinho, meu lindo. Olha só, eu queria muito te ver hoje. Tenho duas seções de foto pra fazer, mas talvez a gente fique um tempão juntinhos se você vier aqui!
- Er... Não dá, Georgia...
- Por que, mozinho?
- Porque eu tenho que fazer, erm... Fazer uma... Gravação especial com a Bela. Um vídeo acústico que a gente combinou, e aí, cê sabe né, vai levar o dia todo. Além disso vou ter que estudar porque tem trabalho valendo ponto na segunda.
- Ah... Entendi. Que horas é isso tudo?
- Daqui a pouco.
- Hum... Então não vai dar mesmo, né?
- É. Sem chances.
- Então tá bom, bebê.
- Um beijo, loirinha.
- Beijo, môôô!
Desliguei correndo e digitei, o mais rápido que pude, os números que eu nem sei como eu lembrava.
- Fala, Jones!
- Bela! Precisamos gravar alguma música acústica hoje!
- O que?! Por quê?!
- Porque eu disse pra Georgia que a gente ia!
- Por que você mentiu pra ela?
- Eu não tive outra saída! Senão eu teria que encontrar com ela. E eu não to afim da Georgia hoje, e duvido que eu esteja amanhã, ou depois...
- Por que você não termina logo com ela, Danny?
- Ah, Bela, não é tão simples...
- É sim! É só chegar e dizer: Georgia, temos que terminar. Tchau.
- Mas ela vai implorar pra eu ficar com ela e eu não vou conseguir dizer não!
- Porra, Danny. Seja homem!
- Bela, você vai me ajudar ou não?
- Aaaaaaaaaaaai, que saco, Jones. Tá bom, tá bom. Mas você vem aqui pra casa e você arranja uma câmera descente. A minha quebrou.
- Valeu Bela! Você é a melhor de todas!
- Tá, enfim, vai vir só você ou o resto também?
- O Tom está com você, não está?
- Aham.
- Então! Não precisa dos outros pra fazer coisas acústicas.
- AAAHAHAHAHAHAHAH! Tadinhos!
- Mas é sério!
- Ok, ok, Jones, vem logo! - ela desligou na minha cara e eu ri.
Fui indo em direção a escada só pra pegar uma blusa do Tom porque a minha tava fedendo a alguma coisa, mas meu celular voltou a tocar.
- Danny Jones falando.
- Oi, Jones, sou eu. É só pra avisar que o Tom mandou você pegar a câmera dele que está no armário de estúdio! (O que?! Eu mandei você falar totalmente o contrário disso!) - escutei Tom esbravejar e Bela gargalhou. - Escutou bem o que eu disse? No armário do estúdio! Traz ela!
- Ok! Pode deixar que eu levo!
- Tchau Jones! Cuidado com a câmera, hein! - ela gargalhou de novo e eu ri.
- Tá bom! Tchau!
Voltei pra pegar a câmera, que era uma daquelas profissionais e tudo mais, depois fui finalmente trocar a roupa.
Danny's POV off
Soph's POV
Eu estava lá, no meu soninho de beleza, planejando acordar lá pelas duas da tarde, por mais que eu já tenha eventualmente acordado com a ligação da tia Sue, nada mais poderá interromper meu sono. E lá estava eu, sonhando com coisas legais quando...
A PORRA DO TELEFONE TOCOU!
- QUÊ.
- Noooooossa! Que humor, hein! Quer que eu ligue depois?
- Não, não... Fala logo, agora que eu já tive que acordar.
- Ok, mas limpa o canto da boca. - fiquei sem entender.
- Que?!
- É que tá escorrendo veneno.
- Ah, Fletcher! Vai à merda!
- Meu Deeeeus! Estou ligando pra pessoa certa? As vezes tenho a impressão de que liguei por engano pra Sam, e não pra você...
- Vai falar ou não vai?
- Ok, enfim, a Bela mandou eu te ligar pra ver se você e a Sam não querem vir aqui pra casa dela. Vamos passar a tarde aqui.
- Agora?
- Bom, eu já tô aqui e o Danny tá chegando, mas vocês podem vir quando quiserem.
- Tá. Vou tomar um banho, café da manhã, acordar a leoa e depois passo aí.
- Beleza.
- Que horas são?
- Er... Calma aí. - escutei algum barulho irreconhecível -... São onze e meia.
- Ainda?!
- Acordar cedo faz bem as vezes.
- Tá bom, tá bom.
- Vou desligar. Tenho que ligar pros outros.
- Tá. Tchau.
- Tchau.
Levantei bufando (literalmente), cheguei a ter vontade de rir da minha cara. Eu parecia um búfalo. Tirei a blusa e calcinha que eu vestia e entrei no box. Liguei a ducha o mais forte possível e tomei um banho rápido. Terminei minha higiene matutina, vesti um moletom grosso e uma calça jeans. Tava frio, apesar do Sol. Calcei uma sapatilha qualquer e depois fui acordar a Sammy.
- Sam. - Mexi no braço dela e ela resmungou algo como "odeio pelo, odeio pelo! Me deixa!" - Sammy, acorda, anjinho. - Ela virou a cabeça paro o outro lado ignorando meus apelos. - BRADLEY, ACORDA.
- Porra! Me deixa! Que merda! Quando eu quero dormir, eu durmo e não há nada que ninguém possa fazer pra me deixar acordada! Então vai ocupar a porra do seu tempo com outra coisa, cacete! - esbravejou com a boca no travesseiro, e se eu não a conhecesse tão bem, não entenderia um terço do que ela disse.
- Ok. Então eu tô indo pra casa da Bela. Você pode ficar aí e depois tranca a casa pra mim.
- Você tá indo pra onde?
- Casa da Bela. Todo mundo vai pra lá.
- Todo mundo quem?
- O de sempre, nós oito. Quer dizer, já que você não vai, nós sete.
- Tááá... Eu vou. - ela se deu por vencida e eu ri. - Dá tempo de eu me arrumar ou vou ter que ir com cara de joelho?
- Dá tempo. Ainda vou comer, mas vai logo.
- Tá. - ela coçou os olhos, bocejou e levantou do sofá que ela havia usado como cama enquanto eu me encaminhava pra cozinha.
Em quarenta minutos estávamos dentro do táxi a caminho da casa da Bela.
Soph's POV off
- Oi! Nós somos Danny...
- Tom...
- e a maravilhosamente linda, Bela - ela brincou e a gente riu.
- e a gente vai fazer um cover. If I never ser your face again, do Maroon 5 com a Rihanna. - Danny concluiu enquanto eu e Bela olhávamos atentos para a câmera.
Posicionei meus dedos nas casas do violão e Danny fez o mesmo. Bela se ajeitou no banquinho onde ela estava sentada e sorriu e a gente começou a tocar.
Sabe, não tô muito acostumado a cantar com a Bela. Sério mesmo. A gente fez um musical juntos, mas só cantamos dentro do estúdio, separadamente, e não teve nenhuma interação. Confesso que cantar assim, com ela, me deixa completamente arrepiado. Principalmente pelo fato dela ser muito ousada a cada nota que canta, e ter uma autoconfiança invejável. É como se ela tivesse estudado toda a musica antes da gente cantar. Ela é incrível.
- Cause you keep me coming back for more (coming back for more)
And I feel a little better than I did before
And if I never see your face again
I don't mind
Cause we got much further than I thought we'd get tonight.
Sometime you move so well
It's hard not to give in
I'm lost, I can't tell
Where you end and I begin
It makes you burn to learn
I'm with another man
I wonder if he's half
The lover that I am...
Eu admirava mais a voz dela do que fazia qualquer outra coisa. As vezes eu me sentia um idiota, mas foda-se.
Terminamos a gravação e Bela soltou, do nada, uma gargalhada que fez eu e Danny rirmos, depois ela se levantou pra finalizar o vídeo.
- Ok, Danny, fiz sua vontade, agora você faz a minha.
- E qual é sua vontade?
- Ainda não sei, mas quando eu tiver uma, você vai ter que fazer.
- Tá bom. - ele deu de ombros e ela deu uma risada nasalada.
Guardamos as coisas e fomos pra sala, e assim que chegamos lá, o interfone tocou.
- Danny, minha vontade é que você seja meu servo hoje, começando por atender o interfone pra mim. - Bela informou, sentando-se no sofá e colocando o pé na mesa de centro.
- Tá brincando né?
- Não, não tô. VAI LOGO! - ele bufou e se levantou, marchando até o interfone. Eu e Bela trocamos um olhar cúmplice depois ela gargalhou. Nunca vou esquecer esse olhar cúmplice. Ele não acontece há uns bons anos...
- Era a Soph e ela já está subindo. - Danny avisou e Bela sorriu pra ele. Minutos depois a campainha tocou.
- OOOOOOOOOOI GALERA! - Soph entrou animada. - Pera aí. Cadê a galera?
- Harry e Thalia foram namorar por aí e Dougie ainda não acordou. - respondi a vendo acomodar-se em um dos lugares do sofá.
Tinham dois sofás que formavam um "L" na sala do apartamento. Um grande e um menor. Eu dividia o menor, de três lugares, com a Bela e Soph sentou no outro. Sam fez o mesmo, depois de passar por Danny, ignorando-o.
- Gente, posso propor uma coisa? - Sammy perguntou com cara de maluca e a gente riu.
- Desde que minha casa não pegue fogo, tudo bem. - Bela assentiu e ela rolou os olhos.
- Não vai ser a sua casa que vai pegar fogo. Vai ser outra coisa... - arregalamos os olhos a vendo sorrir.
- Explique-se. - Soph pediu e ela pigarreou antes de começar a falar.
- Vamos brincar de uma coisa. Na verdade, fazer uma experiência. Vamos ver se a orelha de alguém queima mesmo, ou coça, ou sei lá o que, quando pessoas falam mal dela.
- E quem será a vítima? - perguntei curioso.
- Os que não estão aqui. - a ideia foi perfeitamente aceita.
Ok, eu sei que não estamos parecendo bons amigos agora, mas... Eles entenderiam, não é? Nós somos pobres jovens que não tem nada pra fazer...
- Beleza, vamos começar pela Thalia e pelo Harry. - Soph sugeriu.
Bela's POV
Sabe, eu sei que eu devem estar me perguntando "Mas Bela, onde está sua doutrina de nunca falar mal das pessoas?!", só que eu tenho uma filosofia que responde e prevalece sobre essa doutrina. É a seguinte:
Desde que eu esteja falando, numa brincadeira com meus próprios melhores amigos, dos meus próprios melhores amigos, sem intenção de difamá-los ou agredi-los moralmente, não vejo nenhum problema... né?
Bela's POV off
- Acho que eles devem estar se pegando agora. - Sam filosofou.
- Ou mais que isso. - foi o que eu ouvi sair da minha boca. Acabei pensando alto e ri de mim mesmo. - Harry não perde tempo não.
- Thalia deve estar sendo uma vadia na mão dele. - Soph disse e a gente gargalhou. Mulher é uma coisa má.
- Não consigo imaginar a Thalia de vadia. - Bela comentou e todos olharam pra ela - Ela deve ficar lá na cama transando com o cara e pensando "Hum, amanhã tenho que estar às dez na faculdade, depois organizar minha agenda, marcar um show beneficente da Bela e depois estudar para Literatura Greco-Romana." - rimos mais.
- E deve ficar gemendo coisas como "oh, awn, contas, aaawn, entrevistas, awn, awn, preço dos ingressos do show extra, ooow, agenda cheia!" - Sam fez uma imitação, digamos, "bem feita" e a gente ficou rindo ainda mais alto.
- Duvido que a Thalia cederia aos caprichos do Harry, ela iria falar "oh, não, seria errado para meu currículo!" - Soph comentou e Bela começou a bater a mão com força na própria perna de tanto que ria. Ela sempre fica assim meio... Agressiva nas suas crises de riso.
- E o Harry? Deve ficar como? "QUERO SEXO, QUERO SEXO, QUERO SEXO. Merda, estou há um dia sem sexo, preciso de sexo, preciso de sexo!" - falei e o Danny concordou, gargalhando.
- Escuta essa. - Danny puxou ar antes de continuar - Um dia o Harry veio me contar que...
- CALMA AÍ. - Bela interrompeu. - Não vai contar um segredo do coitado, né?
- Não, não... Acho que todo mundo já deve imaginar isso.
- Então continua. - ela ordenou.
- Enfim, ele veio me dizer que estava há dois meses inteiros, INTEIROS, fazendo sexo todos os dias, e não tinha nem uma ficante sequer. Era com mulheres variadas. - falou e começou a gargalhar. Eu ri junto e eu acho que as meninas ficaram meio chocadas, mas riram também.
- O Harry exagera na garanhísse. - Sam comentou.
- Exagera mesmo. Vai que ele pega DST? - Bela palpitou com os olhos arregalados e Sam tacou uma almofada na cara dela.
- Ele usa camisinha. - avisei.
- Meu Deus, ele é muito novo pra isso tudo. - Soph comentou com a mão na boca.
- Valeu, tia.
- Cala a boca, Tom! - ela reclamou, me dando a língua em seguida.
- E o Dougie, hein gente? - Sam lembrou.
- Ele é gay. - Danny afirmou, com certeza.
- Ele é fresco.- Bela comentou.
- Muito fresco. - concordei.
- O Dougie deve usar as mãos todo dia de noite do jeito que é carente. - Sam falou, prendendo o cabelo num coque. Rimos.
- Ele tira meleca. - Danny falou se aconchegando no sofá.
- Todos vocês tiram que eu sei. - Bela disse com um ar de "mãe", o que me deu vontade de rir compulsivamente.
- Mas o Dougie tira muita meleca. Eu sei por que eu já vi várias vezes. - Sam comentou.
- Não. Para. Olha só quem fala. - Bela disse, quase indignada, apontando pra Sam, que se encolheu em seu lugar e mandou o dedo pra ela. - Você é a garota mais melequenta que eu conheço. Uma fábrica de melecas ambulante.
- Pelo menos não fico tirando na frente das pessoas.
- Bom saber que eu não sou considerada uma pessoa por você. - Bela fingiu ficar triste e trilhou com o indicador o caminho de uma suposta lágrima caindo dos seus olhos.
- Ei, mudando de assunto, por que a Soph tá aí quietinha, hien? - Eu gostava de implicar com a Soph. Era sempre engraçado. - Não quer falar mal do Dougie?
- Não tenho nada pra falar. - ela deu de ombros.
- OOOOOOOOWN, QUE FOFURA! TODA APAIXONADINHAAA! - Bela provocou e recebeu um olhar aniquilante e claramente vingativo.
- Vocês dois - Soph apontou pra mim e pra Bela - Formam o casal mais implicante do Reino Unido.
- E por que não do mundo? - Bela perguntou desencadeando uma explosão atômica nos meus órgãos internos.
- Acabou de admitir que são um casal? - Soph indagou, boquiaberta, lendo minha mente, e Bela arqueou as sobrancelhas antes de responder.
- Sim, somos um casal, oras - AI MEU DEUS - Toda vez que refere-se a um macho e uma fêmea, fala-se casal. Casal de irmãos, casal de alienígenas, casal de primos, casal de namorados, casal de capivaras, e - ela estendeu bem a palavra - casal de amigos, que é o nosso caso. - A Bela sempre consegue me embrulhar como seu eu fosse um saco de bosta e me jogar de um precipício, como agora. Que merda.
- Mas não foi nesse sentido que eu disse "casal".
- Mas foi nesse sentido que eu entendi e interpretei. - Bela deu de ombros e Soph bufou, derrotada.
- Bela, um. Sophia, zero. - Sam zoou e Soph resmungou algo que só elas três entenderam e riram.
- Vamos almoçaaaaaaaaaaaaaaaaaaar! Tô com muita fome. - Johnson reclamou e todos nós concordamos.
- Acho que a gente deveria sair pra comer em algum lugar. Tô com a maior vontade de sair nas revistas de fofocas de amanhã pra esfregar na cara das vacas do meu trabalho. - Soph opinou.
- Ué, mas os meninos já não foram lá pra você esfregar isso na cara delas? - Sam perguntou enquanto se levantava e se contorcia um pouco (não sei porquê).
- Já, mas eu quero esfregar mais.
- Beleza. Vamos no Chopstick. - Falei só porque eu sabia que a Bela odiava comida japonesa, e aquele era um restaurante oriental, como se pode deduzir pelo nome.
- EEEW! NÃO! - ela reclamou e eu ri. - Vamos em Notting Hill, no Arancina! - Ela sugeriu com os olhos brilhando. - Faz um século que não vou lá.
- Isso! Eu tava mesmo morrendo de vontade de visitar Notting Hill, e lá todo mundo vive com câmera pra tirar foto. Vamos. - Soph concordou prontamente e Sam saiu correndo, meio que se contorcendo e eu entendi tudo: ela tava segurando a vontade de fazer xixi.
- Danny, meu servo, liga pro Dougie e manda ele encontrar com a gente lá. - Bela pediu... Ordenou, na verdade, e ele rolou os olhos antes de tirar o celular do bolso.
Thalia's POV
Posso dizer que sou uma pessoa MUITO sortuda. Muito mesmo. Quando ainda estávamos no carro, prestes a chegar no parque, Harry me encurralou com aquela fatídica pergunta, a qual eu tinha certeza de que a resposta seria "não". Eu tinha. Não tenho mais.
E eu odeio o fato de não ter mais certeza das coisas. Eu preciso ter certeza das coisas, mas não tenho. Não nesse caso. E isso está me matando.
Enfim, sou uma pessoa realmente sortuda. Harry tinha acabado de fazer a pergunta quando recebi uma ligação da Bela, na verdade, do Tom pelo telefone residencial da Bela, cortando o assunto.
Depois ele não voltou a tocar no assunto, o que me fez agradecer mentalmente.
- ...Mas e então? Como você saiu dessa?! - ele me perguntou rindo
- Ah, eu literalmente saí. Eu saí correndo sem nem sequer olhar pra trás! Eu fiquei desesperada!
- Meu Deus! Você é completamente maluca, Lia!
- Eu só não tava preparada, ora...
- Entendo...
- Mas eu acho que isso não está nada equilibrado.
- Ahn? - ele provavelmente não entendeu do que eu tava falando.
- Só eu que conto as coisas da minha vida. Você nunca fala nada da sua.
- O mundo já sabe todas as coisas legais na minha vida... - ele disse, encarando o horizonte e eu dei um soco de leve no seu braço. - OUTCH! Foi só uma brincadeira! - ele tentou prender o riso, mas não teve muito sucesso.
- Metidinho...
- Ok, isso soou meio metido mesmo, mas é verdade. Acho que o que eu for contar, você já sabe.
- Harry, você tá achando que eu sou o que? Uma daquelas fãs retardadas que não param de falar do McFLY e ficam o dia inteiro vendo e lendo coisas sobre você, pra saber tudo sobre sua vida e babar olhando suas fotos? Eu tenho mais o que fazer, meu querido.
- Ok, ok, senhora atarefada. Me desculpa.
- Anda, me conta alguma coisa.
- Tá bom. Uma vez, o Fletch marcou uma tour pra uma época em que a gente teria provas. Conversamos com os nossos pais e eles disseram que tudo bem. Quer dizer... Os pais deles disseram que tudo bem, porque minha mãe quis me tacar num rio cheio de piranhas famintas. Ela ficou gritando coisas como "VOCÊ NUNCA PODE FALATAR UMA PROVA NA SUA VIDA, A NÃO SER QUE VOCÊ ESTEJA EM COMA NO HOSPITAL" e blablablá. Aí acabou que a gente teve que adiar a tour só por causa da minha mãe.
- Nossa.
- Eu sei, eu não tenho nenhuma história legal.
- Não, essa história foi legal, só que eu quero mais!
- Já disse que não tenho histórias legais!
- Uhum... Sei. Um Rock Star não tem uma história legal. Me engana que eu gosto, Harry.
- É sério.
- Se você pedir pra Bela te falar alguma coisa legal, é bem capaz dela começar a falar hoje e só terminar quando a voz dela acabar. Aí ela beber água e chupar uma pastilha pra continuar falando até você chutar a cara dela e trancá-la num guarda roupa. Sério mesmo.
- Eu sei... Eu morro de rir com a falação dela.
- Opa, meu telefone tá tocando. Só um segundinho. Alô?
- Lia?
- Oi, Danny.
- Tô interrompendo alguma coisa?
- Não.
- Ok, mas usem camisinha, tá?
- Danny, não sou sua avó não, tá?
- Coitada da minha vózinha! Ela nem tem marido!
- Danny, seja objetivo, por favor.
- Tá. A gente tá indo almoçar em Notting Hill.
- Arancina?
- Isso.
- A Bela que escolheu, né?
- Aham.
- Ela tava enchendo o saco pra ir lá... Imaginei que isso não fosse demorar pra acontecer... Enfim, vocês estão indo agora?
- Estamos. Já estamos saindo da casa dela.
- Tá bom. Eu vou indo com o Harry.
- Ok. Não fiquem se pegando nos sinais fechados.
- Tchau, Daniel. - desliguei na cara dele e bufei. Depois ri. O Danny é ridículo.
- Vamos no Arancina? - Harry perguntou olhando dentro dos meus olhos.
- Vamos. - desviei o olhar só pra não ficar com cara de retardada e babar na beleza dele - Vem logo, antes que eles cheguem lá e comecem a comer sem a gente. - me levantei do banquinho do parque e fui andando com Harry em meu encalço.
Thalia's POV off
- ...E eu quero um Pollo Etna. - Ela é tão linda falando Italiano...
- Quero o mesmo. - pedi assim que o garçom olhou pra mim.
- Imitão! - Ela zombou e eu fiz cara de desprezo.
- Eu vou querer um... Er... - Sam ficou fazendo caretas tentando decifrar como se falava as palavras do Menu - Isso aqui. - ela desistiu e apontou para a opção. O garçom esticou o pescoço para olhar e sorriu, anotando o pedido.
- Quero esse Parmigiana di melanzane. - Harry pediu.
- Ok, todos já pediram? - O garçom perguntou olhando-nos pacientemente, e nós assentimos. Ele, então, saiu, caminhando em direção à cozinha.
- Ei, quero fazer uma pergunta para Thalia, Harry e Doug. - Sam se pronunciou e eu prendi o riso. - Vocês sentiram alguma coisa hoje?
- Er... Como assim? - Dougie perguntou, interessado.
- Tipo uma coceira ou queimação excessiva na orelha...?
- Sam! Você falou mal da gente?! - Thalia perguntou indignada.
- Ei, como você sabe?! - Soph ficou surpresa. Confesso que eu também fiquei. Tava tão na cara assim?!
- Sam, você já fez essa "experiência" - Lia desenhou aspas com os dedos - comigo uma vez, quando a gente ficou falando mal da Bela e do Tom.
- EI! - Bela reclamou e eu fiz careta.
- Caraca! É verdade! Eu tinha me esquecido desse dia. E o pior é que a experiência não deu em nada. Eles não sentiram queimação nenhuma...
- DEPOIS EU QUE SOU O BURRO, NÉ.
- Cala a boca, Jones, senão sobra pro teu lado. - Sam alertou e a gente riu.
- Nhe nhe nhe nhe... - Danny zombou e ela deu o dedo.
Não demorou pro almoço chegar e todos comerem felizes. Vários assuntos preencheram o espaço de tempo em que ficamos almoçando e beliscando petiscos cuidadosamente escolhidos pela Bela. Começamos a falar sobre filmes, quais eram bons e quais eram uma grande bosta. Sabe, as vezes esses papos servem pra eu me apaixonar ainda mais, como se fosse possível, por ela.
-... Mas então, Danny, - falei. - Já viu aquele filme "os gays dizem não"?
- "Os gays dizem não"? - ele coçou o queixo tentando lembrar - Não. - respondeu e então todos começaram a rir compulsivamente. Ele ficou meio preocupado tentando entender porque a gente tava rindo. Eu me divirto com o Danny, cara. Me divirto muito. - Do que vocês estão rindo?!
- Nada não... - Bela falou, tentando puxar o ar de volta. - E aquele outro filme, do mesmo diretor, "os burros continuam dizendo não"? Já viu?
- Não, não vi não. - continuamos rindo. - Porra, dá pra falar do que vocês estão rindo?
- E ELE AINDA INSISTE EM DIZER QUE NÃO É BURRO. MEU DEUS! - Sam quase gritou.
- Danny, anjinho, é uma piada. - Soph começou a explicar. - O Tom perguntou se se você viu um filme chamado 'os gays dizem não', mas ele, indiretamente, quis dizer que os gays respondem 'não', e você respondeu não, ou seja, você é gay; depois a Bela fez a mesma piada. Entendeu?
- AAAAH! AGORA ENTENDI! - Ele comemorou.
- Meu Deus. Que lerdo. - Dougie comentou, bebendo um gole do suco.
Bela's POV
O almoço estava sendo legal, quando, de repente senti uma forte dor de cabeça e...
A cena apareceu clara como água na minha mente, e eu tive a impressão de ter desmaiado por um instante. Depois, tudo voltou ao normal e meus amigos me olhavam preocupados. Balancei a cabela tentando organizar as idéias.
- Eu vou ao banheiro. - Avisei, me levantando, sem a certeza de que eu estava bem o suficiente pra isso.
- Eu também vou... - Thalia disse, e eu me senti agradecida. Sam e Soph também se levantaram e todas foram comigo ao banheiro.
- O que foi aquilo? - Soph perguntou meio preocupada, assim que chegamos no banheiro.
Me apoiei na pia e suspirei.
- Acho que eu tive uma visão, ou sei lá...
- O QUE? - Sam se espantou e fez uma careta de medo.
- Foi algo muito estranho... Eu tava no quarto do Tom, perguntando pra ele algo sobre meu corpo, mas eu tava sem roupa... Digo, só de calcinha e de sutiã. Foi... estranho.
- Será que você resgatou alguma parte da sua memória? - Lia palpitou e eu apenas balancei a cabeça em sinal de confusão.
- Não sei... Mas foi tão real... Como se eu tivesse me teletransportado pra lá, e vivido essa cena. Senti na pele a vergonha, a curiosidade, a ansiedade, e o... - 'desejo', eu ia completar, mas não o fiz.
- E o...? - Soph quis saber.
- O... O frio. - menti.
- Nossa... Que estranho. - Sam comentou, ainda meio chocada, e assutada, eu diria.
- Você tá bem? - Thalia quis se certificar, demostrando toda a preocupação que sempre tivera.
- Tô... Eu tô completamente normal. Só fiquei meio preocupada.
- A gente pode marcar uma consulta de urgência com seu médico pra amanhã, se você quiser.
- Pode ligar pra ele, mas só diz o que aconteceu. Não precisa marcara nada, só se ele achar necessário. - respondi à Lia, e ela sorriu. - Vamos voltar pra mesa.
- Vamos pra casa logo. - Soph sugeriu e nós consentimos.
- Está tudo bem? - Tom foi o primeiro a perguntar, assim que me aproximei.
- Aham. Foi só uma... Tontura. - respondi.
- Er... Bela. - Lia me chamou e eu a olhei. - Pode vir aqui rapidinho? - ela ainda não tinha chegado na mesa. Estava no meio do caminho, entre o banheiro e o lugar onde estávamos sentados, e então, eu caminhei em sua direção.
- Fala.
- Eu acho que você deve contar isso pro Tom.
- O que?! Claro que não! Sem chances.
- É sério. Ele é o único que vai poder te dizer se isso aconteceu e foi realmente uma de suas memórias perdidas, ou não. - Bufei. Ela tinha razão. Eu tinha que saber, antes mesmo de informar ao médico. Se for verídico, significa que recuperei uma parte da memória.
- Você... Tem razão. Vou ter que contar pra ele.
- É. Faça isso ainda hoje, pra gente resolver isso logo. É importante, Bela. É a sua saúde. - assenti e então voltamos pra mesa.
Não demorou pra que os meninos pagassem a conta e nós saíssemos do restaurante.
- E então? O que vamos fazer agora? - Dougie perguntou, enquanto caminhava conosco até o lugar onde nossos carros estavam parados.
- Bom, vocês eu não sei, mas eu vou pra minha casa. Eu quero descansar hoje. - informei - Er, Tom... - ele me olhou em resposta. - Tem como você me ajudar com uns... Trabalhos de casa de Biologia?
- Biologia? Desde quando você precisa de ajuda em biologia? ISSO É DESCULPA PRA NAMORAAAAAAAAR - Sam implicou e eu revirei os olhos.
- Pra sua informação, é um trabalho de dupla e é pra segunda. Eu me esqueci de escolher uma dupla então tô pedindo pro Fletcher, sua vaca. - Menti parcialmente. Tinha mesmo um trabalho em dupla, mas não era pra segunda e eu teria tempo de fazê-lo em outras ocasiões e com outras pessoas...
Tom me olhou, sabendo que não era pra isso que eu o chamava. Bom saber que nossas trocas de olhares ainda serviam para alguma coisa. Elas sempre funcionaram muito bem.
- Por mim tudo bem. - ele respondeu indiferente e eu sorri fraco. Bom saber que ainda podia contar com o Tom às vezes.
Bela's POV off
Sam's POV
Foi tudo tão rápido. A Bela saiu com o Tom, e logo depois, a Soph saiu com o Doug - éclaroqueelesvãosepegardaquiapoucomasémelhoreunãocomentarissocomninguém.
Obviamente, Lia não perdeu tempo e saiu com o Judd gostosão segundos depois. E quem sobrou? Um gorila albino que não sabe a raiz quadrada de 25, mas não deixa de ser incrivelmente sexy, e eu. Ficamos lá com cara de cocô analisando o estacionamento do Arancina, sem trocar uma palavra.
- Danny Jones? - escutamos uma voz feminina vindo de trás e olhamos.
- Oi! - respondeu, sorridente de um jeito que quase me fez suspirar.
- Eu sou sua fã. Eu te amo. - A menina, que parecia ter a mesma idade que a nossa, se declarou e aquilo me deixou... hum... como é que eu posso dizer? PUTA!
- Ah, obrigado! - ele agradeceu sem jeito e sorriu fofamente - Eu também amo muito todas vocês. São a nossa inspiração.
- Não. Você não entende. Eu não te amo do jeito que você me ama. Na verdade, você não me ama. Você nem me conhece. Mas eu te conheço, Danny, e eu te amo muito. Eu daria tudo pra ter um abraço seu. Eu sei que você ama suas fãs. Mas você ama um coletivo e não uma unidade. - a menina disse, e eu fiquei de boca aberta. CACETE, ALGUÉM TIRA ESSA MOCRÉIA DAQUI?
Se ela ainda fosse feia... Aí ajudaria. Mas não. Ela tem que ser peituda, bonita, popozuda, ruiva natural (pelo menos é o que parece) e ter dentes branco. E RETOS.
- Escuta, er... - ele começou a dizer, mas não sabia o seu nome, então ela o interrompeu e disse:
- Samantha. Mas pode me chamar de Sam.
OPA OPA OPA OPA OPA. PERA AÍ. JÁ É DEMAIS, NÉ NÃO? COMO ASSIM, "PODE ME CHAMAR DE SAM"? EU SOU A SAM! EEEEEU!
E PORQUE ELE A CHAMARIA DE SAM? ELES NUNCA MAIS VÃO SE VER MESMO!
Danny riu, achando aquilo a piada do ano. Há há. Olha como eu ri. Muito engraçada, essa.
- Então, Sam, acho muito legal tudo isso que você disse, e... Eu realmente gosto muito das minhas fãs mas nunca tenho tempo de falar com elas direito. Talvez o que você disse tenha sido a coisa mais legal que já ouvi de uma fã e eu agradeço muito por isso. Eu realmente me sinto muito... Feliz. Muito mesmo. - então ele puxou a garota para um abraço e a mesma soltou uma lágrima, agarrando o Danny com força.
- Você é o amor da minha vida Danny! - ela suspirou em seu braço e eu quase fui lá vomitar na cara dela, e sujar todo o seu cabelinho ridículo com resíduos estomacais menos nojentos que ela. - Ei, menina! - a lagartixa de privada ruiva me chamou e eu olhei com desprezo, murmurando um "hm" - pode tirar uma foto minha com o Dan? - perguntou, me estendendo uma câmera.
"não, sua vadia."
- Claro. - sorri falsamente. Peguei a câmera da mão dela e bati uma foto propositalmente tremida e tosca.
- Er... Não ficou muito boa, pode tirar outra? - FOLGADA DO CACETE.
- Olha, me desculpa, mas eu tenho impulsos nervosos na mão e eu fico tremendo compulsivamente. - mostrei minhas mãos tremendo fajutamente e ela fez uma careta esquisita.
- Tudo bem... Eu tento tirar. Obrigada. - ela respondeu e eu forcei um sorriso de novo. Danny se mantinha alheio como se tivesse achando aquilo tudo normal. Ele nem ligou pra minha mentira cabeluda.
A menina bateu a foto, depois Danny escreveu um testamento em um papelzinho minúsculo e deu pra garota, que foi embora saltitante.
- Você viu que maneiro? Ela também era Sam! - Ele disse empolgado.
- Vai. Se. Foder.
- Wooow. Cruz credo. Que bicho te mordeu?
- Nenhum. Vou pra casa. Tchau. - virei as costas e fui caminhando pra fora do estacionamento.
- Sam! Espera! - ele me gritou e eu virei pra trás. - Você não quer uma carona?
- Querer, eu não quero não, mas não to nem um pouco afim de pegar um táxi e acabar com meus trocadinhos, então, sim, aceito.
Já estávamos no carro, perto de casa, e até agora, só quem havia falado tinha sido o rádio.
- Sam... - Danny me chamou de repente.
- Quê.
- Por que nunca me contou? - ele parecia meio... Preocupado.
- O que? - não entendi.
- Por que nunca me contou do seu problema na mão?
- O qu... - ai. Meu. Deus. Santa paciência Divina, preencha meu ser. Por favor. - Danny. Você é um burro, jumento, anta retardada. - ele me olhou sem entender. Levei minha mão até a testa, e ponderei um pouco.
Ele era muito burro e merecia uma porrada. Dou porradas físicas ou colo uma foto do Danny num bob pra ficar dando porradas em casa?
- Seu animal, - comecei a explicar - eu não tenho merda nenhuma na mão.
- Você mentiu pra ela?
- ÓBVIO.
- Mas por que você faria iss... AAAAH! - ele pareceu perceber, e então eu me preparei para mais uma sacada idiota dele, que me faria ter vontade me jogar do quinto andar. - VOCÊ NÃO QUERIA TIRAR A FOTO! - que bom que ele foi menos burro do que eu esperava.
- É.
- Tava com ciúmes da Sam 2? - SAM 2? VAI À MERDA DANNY.
- Não!
- Tava sim que eu sei!
- Ok, eu tava. Mas e daí? Não vai fazer diferença. - eu disse, já tirando o cinto de segurança, quando percebi que seu carro já estava entrando na garagem do meu prédio.
- Sam, posso te dizer uma coisa?
- Não.
- Mas eu vou dizer mesmo assim. - o olhei esperando que ele falasse de uma vez, mas ele não o fez. Apenas ficou me olhando, como se fosse um truque sujo pra que eu me perdesse em seus olhos. Um truque sujo que estava funcionando.
- Fala logo, Danny. - bufei impaciente, quando saí do transe.
- Não quero mais falar, e sim fazer isso. - ele me puxou e me beijou violentamente.
E foi naquele momento que a Sam birrenta e infectada por glicose anal - popularmente conhecido como cu doce - saiu de mim, e uma Sam que tem vontade de devorar Dannys indefesos entrou no lugar dela.
Sam's POV off
Dougie's POV
- Está entregue. - disse, assim que parei na porta do prédio da Soph.
- Obrigada Doug. Estou te devendo mais essa. Na verdade, estou te devendo muitas, né?
- Um dia você me recompensa tudo. Não tenho pressa.
- Mas eu tenho! Nesse tempo que eu demoro, vai que você fica fazendo mais coisas por mim, e aí um dia só vou poder te pagar se eu vender a Inglaterra e te der o que foi arrecadado. - ela disse e eu gargalhei.
- Tudo bem, tudo bem. Então você pode zerar sua dívida comigo.
- Não... Também não quero parecer injusta. Pode pensar em alguma coisa e depois me diz o que é.
- Qualquer coisa do mundo?
- Desde que eu não corra perigo de ir presa.
- Aaaaah. Estragou tudo. - brinquei e ela soltou uma risada engraçada que me fez rir junto.
- Dougieee, eu tenho que ir. Tenho alguns trabalhos pra finalizar e é melhor eu fazer isso logo.
- Tá, bom. Até mais.
- Até mais. - ela me ia me dar um beijo na bochecha, mas eu virei bem na hora e... "ai, meu Deus, vocês se beijaram!", deve ser isso que você tá pensando, mas não. Ela acabou beijando meu olho e esmagando meus cílios, o que doeu e ardeu pra cacete.
- OUTCH! - resmunguei e ela colocou a mão na boca, espantada.
- Me desculpa!
- Tudo bem, nem doeu.
- Jura?
- Não. Doeu, mas já tá passando. - ela riu.
- Larga de ser frouxo, sua gazela! - ela me zoou e eu comecei a chorar. De mentira, claro. - Tchau, Doug, vai chorar com sua mamãe. E vê se coloca um colírio pra não ficar cego.
- Ok, vou fazer exatamente isso.
- Beijos... Na bochecha, dessa vez. - ela disse antes de deixar o carro e entrar no seu prédio.
Sorri sozinho, e depois dei partida no carro para ir pra minha casa e entrar no computador pra jogar Habbo online.
MENTIRA!
Vou pra casa pra fazer... Ah, sei lá, eu só vou pra casa.
Dougie's POV off
- Eu sei que você não pediu pra eu vir aqui por causa do trabalho de biologia. - disse, assim que chegamos na casa dela.
- É. Não foi... - ela parecia nervosa, o que, automaticamente, me deixava nervoso.
- O que houve?
- Sabe aquela hora em que eu passei mal no restaurante? - ela perguntou eu confirmei, murmurando um "uhum". Ela pareceu ponderar antes de continuar falando. - Naquela hora, eu meio que tive algo como uma visão. Como se eu tivesse... Lembrado de alguma coisa. Mas eu preciso saber, antes de conversar com o médico, se foi verídico ou se foi só fruto da minha imaginação maluca, e só você pode esclarecer essa dúvida, porque era você quem estava na "visão" - fez aspas com os dedos.
Pelo amor de Deus, que seja verídico! Que ela tenha lembrado!
- Pode falar.
- Olha aqui. Nem pense em ficar se achando se for uma coisa da minha imaginação, só porque eu estive pensando em você, ok?! - ela ameaçou e eu assenti com a cabeça.
Er, desculpa, Bela, mas não tem como eu não ficar me achando. Me desculpa.
- Tá bom, eu não vou. - menti.
- Certo. Bom, o que eu vi foi...
E ela contou.
Contou a cena em que ela se despiu na minha frente. A cena da tentativa de homicídio ao meu autocontrole.
- E então? Foi verdade? - perguntou ansiosa.
- Er... Foi.
- Então eu... Fiquei seminua na sua frente?
- Ficou.
- E o que você fez depois?
"ah, eu? Eu fiquei igual a um velho broxa babaca, e perdi a única oportunidade que eu tive de dizer que você é a garota mais bonita que eu já vi na minha vida, e ao invés disso, disse que seu corpo é normal, como se eu tivesse uma merda seca no lugar do cérebro. Foi isso que eu fiz. "
- Nada. - optei por responder apenas isso.
- Você ficou lá parado?
- Er... O que era pra eu fazer? - eu realmente queria que ela dissesse o que esperava de mim.
- Tudo menos ficar parado. Idiota.
- Você não sabe o aconteceu depois.
- E o que aconteceu depois?
Merda. Não era pra eu ter falado isso... Agora vou ter que contar essa bodega pra ela, como se eu não soubesse que ela teria vontade de me cortar com lâminas de barbeador, depois fazer uma mistura de suco de limão com álcool e sal grosso pra jogar nas feridas e nos meus olhos ao saber que...
- ... A gente se beijou. - me ouvi dizer, antes de raciocinar. Agora era tarde demais.
- A GENTE O QUE?!
- Se beijou. - repeti, como se aquilo não me fizesse ter vontade de vomitar minhas tripas. De nervoso, é claro.
- E-eu tava bêbada?
- Não...
- Você tava?
- Não.
- Eu tava sobre efeito de alguma droga, de algum remédio ou de ...
- Não, Bela. Você tava completamente sóbria.
- Você me agarrou, ou algo do tipo?
- Porra, NÃO! Óbvio que não! Que ideia! Dá você aceitar que foi por livre e espontânea vontade?
- M-mas...
- E, se quer saber, foi você quem me beijou. - informei, e sua expressão mudou de assustada para triste. Ela encarou o chão por alguns segundos. Também desviei meu olhar e acabei me perdendo em pensamentos. De repente, escutei um soluço baixo.
Olhei pro lado e vi que Bela estava... Chorando? Bela estava chorando?!
- Bela... O que houve?!
- Tom, pode sair daqui? - ela disse, limpando as lágrimas. Seu olho estava vermelho, assim como seu nariz. O rosto tava úmido e as sobrancelhas se uniam, enquanto enrugava-se, ficando franzida. Uma expressão realmente triste. Meu coração parecia dilacerado.
- Me diz o que aconteceu, eu...
- EU SOU UMA IDIOTA. VOCÊ DEVE ESTAR COMPLETAMENTE SATISFEITO COM SEU MAIS NOVO TROFÉUZINHO. NÃO SEI PORQUÊ EU SOU TÃO FRACA! Sai daqui, Tom!
Bela's POV
Eu sou realmente muito burra. Cometi duas vezes o mesmo erro. Eu me deixei levar por um desejo estúpido e acabei beijando aquele idiota.
Mas eu tava com tanta raiva de mim mesma... Com raiva por me importar em não lembrar daquilo. Eu queria me lembrar do beijo. Eu precisava. Aquilo estava me matando. Mas eu não podia simplesmente querer me lembrar do beijo. Eu não podia ter... Gostado. Será que eu gostei? Isso é tão confuso...
Eu estava chorando de olhos fechados e escutei a porta ser aberta e logo em seguida, fechada. Tom havia ido embora, então comecei a chorar mais. Chorei muito...
Eu, estranhamente, queria que ele me abraçasse e me consolasse.
Mas não foi o que ele fez. É claro que ele não faria isso. O que me dera para pensar em algo desse tipo?
Bela's POV off
Domingo foi um dia chato. Passou tão... Rápido. Não teve merda nenhuma pra fazer. Segunda feira foi igualmente chato. Fui completamente ignorado pela Bela na escola, o que deixava meu dia monótono e nebuloso.
No ensaio, só faltou eu babar em cima dela. Ela é perfeita demais.
Thalia a acompanhou e toda hora ficava trocando olhares com o Harry. Eles pensaram que nós não vimos, mas a gente só faltou linchar o Harry depois que elas foram embora. "Linchar" no bom sentido.
Nos ensaios não teve muita coisa - além de eu poder ver a pessoa mais perfeita do planeta cantando, e cantando junto comigo - porque a gente perdeu muito tempo decidindo a playlist. Seriam vinte músicas. A gente tocaria sete do McFLY, depois a Bela entraria pra cantar mais três músicas nossas junto com a gente. Aí, ela iria cantar três músicas dela, e a gente, McFLY, ia tocar. E pra terminar, tocaríamos sete músicas do Ordinary Fantasy. Conseguimos bastantes músicas. Foi ótimo. Seria perfeito se a Bela não estivesse tão desanimada.
Enfim. Ensaiamos na segunda, na terça, na quarta e hoje era quinta. O ensaio estava marcado para depois do almoço. Sam e Soph vinham.
Eram oito horas e eu estava chegando na escola. A primeira aula começava oito e meia. Só quem estava lá era o Harry. Estacionei no local de sempre, do lado do carro do Judd e caminhei até a entrada. Estava andando na direção dele quando uma louca, mais conhecida como Sam, passou correndo, gritando um "oiTomtôpassando!", e entrou no prédio.
Sentei do lado do Judd, num dos banquinhos que fica perto da árvore enorme, no pátio da entrada.
- E aí. - falei, e ele me ignorou. - Harry. - continuou ignorando. Ele estava com os fones de ouvido, batucando alguma coisa na perna, enquanto encarava o nada. Puxei os fones do ouvido dele e ele me lançou um olhar de vingador do futuro.
- PORRA.
- Bom dia, Margarida! - cumprimentei sorrindo, ignorando sua falta de alegria. - Você sempre chega cedo... - comentei.
- Também... Minha mãe vai no meu quarto quinze pras seis da manhã e fica falando no meu ouvido até eu acordar. Aí ela me obriga a levantar, tomar banho, comer, passar e engomar meu próprio uniforme, secar o cabelo pra não "pegar friagem" na rua senão posso acabar internado no hospital, no leito da morte, com uma pneumonia gravíssima. - Harry falou meio emburrado e eu ri.
- Sua mãe é ótima.
- Com certeza. Eu que o diga. - ironia detectada.
- Oi, maricas! - Danny apareceu do nada como se fosse um ninja.
Ficamos mais um tempo conversando aí o Dougie chegou com um caixa de sapato toda lacrada por fita adesiva e com alguns furos enormes em cima e nas laterais.
- O que é isso? - Harry perguntou enquanto o Dougie sorria com uma cara de "eu sou safado e trouxe um aparato maligno pra escola".
- É a minha mais nova iguana bebê.
- Você comprou uma iguana? - perguntei, e eu com certeza fazia uma cara esquisita.
- Comprei!
- Pra que serve ela? - foi a vez do Danny se interessar. Ele perguntou, esticando o pescoço com o intuito de tentar ver alguma coisa pelos buracos da caixa.
- Ela serve pra ter, né, idiota. - Dougie respondeu sem muita paciência e voltou a olhar pra sua iguana bebê.
Sam's POV
Eu queria ter chegado mais cedo na escola, mas a porcaria do Kaio ficou com preguiça. É que eu realmente precisava ter uma conversinha com a nossa amada diretora.
- Pode entrar. - a escutei dizer, e adentrei a sala.
- Olá, Sra. Paskin.
- Olá, senhorita Bradley.
- Posso conversar com você rapidinho? Prometo que vou ser rápida.
- Pode falar.
- Eu quero saber se, já que nós somos super amigas e tal, a senhora não pode me dar mais uma ajudinha naquele plano meu que eu comentei com você... - disse, e ela sorriu docemente.
Ninguém resiste à minha lábia. Ninguém. A ajudinha da Sra. Paskin tava no papo.
...
Sam's POV off
Thalia's POV
- Isso! - comemorei baixo, assim que ouvir o som do sinal que anunciava o intervalo.
Meu celular profissional estava vibrando loucamente desde que eu chegara na faculdade. Não via a hora do intervalo chegar pra resolver logo essa porcaria.
O número era desconhecido, então eu não fazia a menor ideia do que/quem podia ser.
- Alô, Thalia Hoppus?! - uma voz conhecida (não sei de onde) atendeu quase que instantaneamente.
- Oi, eu mesma! Com quem eu falo?
- Aqui é Henri O'Brian, organizador e produtor do Kids & choices!
- Oh, sim! Tudo bem, Henri?
- Tudo! Que bom que você atendeu! Estava desesperado para falar com você. Escuta. O Kids & choices desse ano vai acontecer daqui a dois meses e tem um espacinho no diário de programação destinado à nossa atração principal... E eu queria muito saber se a Bela aceita esse convite. Eu sei que está muito em cima da hora pra convocar, mas eu realmente gostaria que ela pudesse estrelar o evento...
- Hum, interessante vocês deixarem pra convocar a atração principal por último, com dois meses de antecedência.
- Eu sei, eu sei, e eu peço desculpas...
- Olha, Henri, é um ótimo convite, mas não sei se a Bela vai estar disponível. Esse ano ela está com a agenda saturada. Já é a segunda vez que avisam em cima da hora sobre um evento importante. Foi assim com a turnê do filme, e agora com o Kids & choices. Bom, fica realmente complicado encaixar algo assim.
- Eu entendo. É que, bom, não foi um erro meu. A equipe da produção montou toda a programação com todas as atrações, mas deixou um espaço para a atração principal desse ano, porque eles precisavam de alguém com uma playlist agitada e emocionante o suficiente. Aí, agora eles jogaram essa responsabilidade de última hora pra cima de mim, e estou me virando para resolver. A primeira pessoa que pensei foi na Bela, porque, além de tudo, sei que ela não tem essas 'frescuras de celebridade'... Enfim, me desculpa por tudo, mas eu gostaria muito que vocês aceitassem o convite.
- Ok... Vou checar a disponibilidade dela e depois nós conversamos. Te dou a resposta amanhã. Podemos almoçar em algum lugar.
- Podemos ir ao Skylon.
- Ótimo. Nos encontramos lá às duas.
- Tudo bem.
- Só me passa, por favor, os detalhes primários do evento.
- Ah, sim. Bom, esse ano o evento será em Paris. Vão ser nos dias 19 e 20 de dezembro. A Bela vai cantar duas músicas no dia 19 e fazer algumas apresentações. O Show vai ser no dia 20. Dia 21, será a visita ao orfanato sorteado.
- Hm. Ok. Está anotado. Até amanhã, Henri.
- Até, Thalia. - desligamos.
Eu, como boa conhecedora da minha amiga, sei que ela vai pirar quando ouvir isso. E que com certeza vai aceitar. O problema é que, se ela tinha planos de passar as festas de final do ano em Barbados com a família, como ela disse, o plano vai por água abaixo.
O intervalo passou tão rápido que nem deu tempo de eu comer. Voltei pra sala frustrada com isso, sentei nos fundos e abri meu caderno para começar a notar tudo que a professora falaria.
Thalia's POV off
Bela's POV
Hoje era um dia interessante. Eu, Sam, Danny e Tom tínhamos aula de Literatura no mesmo tempo, o que costumava ser legal. Exceto quando eu estava tentando evitar o Tom.
E, só pra piorar, hoje, antes da aula de Literatura, tinha aula de Educação Física, que também era junto com o Fletcher.
E lá estava eu, me trocando no vestuário feminino, colocando aquele shortinho minúsculo antes de começar a aula. Estava tudo mais ou menos tranquilo, quando comecei a escutar um burburinho. Saí da cabine em que eu tava pra ver o que estava acontecendo e dei de cara com ninguém mais, ninguém menos que... Katy Springs. A Katy que pega ou pegava o Tom.
- Bela! - ela exclamou sorrindo.
- Oi Katy! - forcei uma simpatia.
- Gostou de me ver aqui?! Mudei de prédio. A gente vai passar a se encontrar muito agora!
- Nossa, que... Legal!
- Muito, não é?!
- Hey, meninas! Venham pra quadra que a aula vai começar. - escutamos a professora chamar e todo mundo foi saindo. Fui atrás, quando senti uma mão segurar meu braço, me impedindo de continuar.
Olhei pra Katy, que me segurava com força e mantinha um olhar de cascavel do mal sobre mim.
- Er... Algum problema? - perguntei percebendo que estávamos sozinhas no vestuário.
- Sim. Na verdade, um grande problema. Sabe por que eu pedi pra diretora pra me trocar de prédio, Bela?
- Não. - me mantive indiferente.
- Porque o meu Tom veio pra cá também. E eu não quero saber de porcaria de história nenhuma em que ele esteja envolvido com alguma garota que não seja eu. Principalmente se a envolvida for você. E eu estou disposta a fazer TUDO pra não deixar isso acontecer, entendeu? Porque o meu Tom é MEU, e eu não sou de dividir minhas coisas. - ela informou com uma cara de lunática e eu soltei uma risada indiferente.
- Olha, Katy. Pode ficar tranquila quanto a parte que me toca. O seu Tom não corre risco de ter nada comigo. Nem se dê ao trabalho de se preocupar. - fiz o possível pra ter um tom de voz doce e bem distante do irônico e desagradável, porque eu realmente não tinha o intuito de irritá-la.
Me desvencilhei da encruzilhada em que ela havia me colocado entre os armários e seu corpo de palmito e fui andando novamente em direção à quadra.
Handebol. Eu amo handebol. Adoro toda aquela corrida, aquela movimentação, a troca rápida de passe. O handebol feminino da minha escola é bem legal. Talvez seja meu esporte favorito.
Os meninos estavam na arquibancada conversando. Ainda não era a hora deles entrarem na quadra, obviamente porque as meninas estavam jogando.
Enfim, Tom estava lá. Ele conversava com alguns meninos, mas sem tirar os olhos do jogo.
Tocaram a bola pra mim, e como eu sou bem rápida, disparei em direção ao gol. Quando cheguei na área, a barreira do outro time se formou e então me vi fechada. Optei por recuar o jogo, tocando pra Katy, que fez algumas firulas com a bola enquanto eu me aproximava novamente da área esperando que ela tocasse pra mim novamente, e eu arremessasse pro gol.
Foi quase o que aconteceu. Ao invés de tocar pra mim, Katy arremessou a bola em mim. E foi com tanta, mas tanta força, que a marca da bola ficou certinha na minha bochecha, e eu caí feito uma jaca podre no chão.
Humilhante.
As jogadoras meio que fizeram uma rodinha ao redor de mim e ficaram me encarando, talvez preocupadas, ou talvez só curiosas, e eu continuei lá com aquela cara de merda.
- Woops! - Katy piou como se estivesse arrependida de ter feito o que fez. Como se não tivesse feito de propósito - Desculpa, Bela. - ela foi completamente sarcástica.
- Er, não foi nada. Não tem problema. Foi só um acidente de jogo. Eu entendo. - Me levante sendo assistida por todos, e Katy prendia o riso, o que fez meu sangue ferver um pouco, mas... Nada que eu não possa controlar. Por enquanto...
- ELA O QUE?!
- Isso mesmo que você ouviu. Ela jogou a bola na minha cara. - eu e Sam sussurrávamos, enquanto a professora de literatura falava qualquer coisa sobre Shakespeare.
- E teve montinho nela?
- Montinho?
- É! Montinho de porrada!
- Não! Quer dizer, não que eu saiba. Depois que eu levantei, a professora me obrigou a ir à enfermaria pra colocar gelo.
- Nossa, eu iria enfiar a mão na cara daquela vadia, se eu fosse você. - ela disse rangendo os dentes e eu ri.
- Relaxa. Daqui a pouco ela desiste de implicar comigo. Ela só implica comigo agora por causa do...
- Com licença, Sra. Truscot. Posso interromper sua aula por alguns minutos? - a diretora perguntou, assim que entrou na nossa sala, interrompendo minha fala. Já sabíamos do que se tratava.
- Oh, claro, Sra. Paskin. - A professora respondeu sorrindo e Sam se mexeu nervosamente na carteira ao meu lado.
- Obrigada. Então, turma, vou ser bem breve porque eu ainda tenho muitas turmas pela frente. Vim avisar quais serão as duplas para o trabalho do ano. O resultado foi sorteado, hoje no período da manhã. Eis as duplas: Alicia Parks e Bruno Kurts. Steve Michell e Dalillah Benson. Jared Yarn e Beth Scchubach. Felicia Sheffield e Frank Jordan. Sammy Bradley e Ashton Müller. Kinna Robert e Fillip Owes. Daniel Jones e Breena Dallas. Thomas Fletcher e...
Bela's POV off
Não é possível. Eu não acredito nisso. Só pode ser brincadeira. Sim. Brincadeira. Como é que isso foi...?
- Tom. - Danny sussurrou. - Acho que isso quer dizer alguma coisa.
- Isso o que?
- Você e Bela no trabalho! Foi o destino que juntou vocês! - Será?
- Não viaja... - Falei sem nem saber se eu tinha certeza.
- Eu acho que é.
- Pra mim tanto faz. - menti. - Só sei que, mesmo se não for coisa do destino, é uma chance que eu não posso desperdiçar. Tô cansado de ficar me escondendo, cara.
- Isso aí, mano! - ele me incentivou, parecendo um rapper drogado.
-... e Ryan Welees. Essas são as duplas dessa turma. Qualquer coisa, é só passar na minha sala mais tarde, mas eu espero que não tenhamos problemas com as duplas. Afinal, são só trabalhos, não é mesmo? - a diretora sorriu - Obrigada. - disse, antes de se sair da sala.
- Isso vai ser uma merda. A Breena é minha dupla, cara, ela vai querer lamber o chão que eu piso.
- Ela já não faz isso não? - perguntei sério e ele soltou uma gargalhada exagerada.
- O bom é que eu vou ficar lá parado e ela vai fazer tudo pra mim.
- Bom? A Breena vai ser a parte inteligente do seu grupo e você acha isso bom? Tá ferrado... Na verdade, o seu grupo não tem parte inteligente.
- Vai se foder. - ele resmungou, mas acho que a professora ouviu, já que nos olhou feio.
O intervalo chegou e nós fomos para o refeitório. Harry e Dougie já estavam lá. Eu e Danny sentamos na mesa e todos esperávamos que Bela e Sam logo chegassem e sentassem com a gente.
O que não aconteceu.
- Tommyyy! - escutei a voz fina, ao mesmo tempo aveludada, e tão conhecida pelos meus ouvidos. Olhei, e vi Katy e sua eterna companheira, Janie, vindo em minha direção.
- Oi, Katy. - sorri.
- Nem deu tempo da gente se falar na educação física, mas agora a gente vai ter todo tempo do mundo nos intervalos. Fui transferida pra esse prédio! - ela disse animadamente e Janie só sorria e concordava com a cabeça.
Também sorri e ela sentou-se do meu lado, e Janie, entre mim e Danny.
- Não te largo mais, bebezinho! - ela brincou, agarrando meu braço, e eu ri. De novo. Não que eu tivesse muita vontade de ficar fazendo isso...
- E aí, Katy, conte as novidades. Como andam as coisas no outro prédio? - Harry puxou um assunto e todos na mesa começaram uma conversa animada sobre as diferenças entre o prédio que a gente estudava antes e esse prédio de agora.
Não percebemos o tempo voando. Quando vi, já estava na hora de voltar pra aula. Estrannho. A Bela e a Sam nem deram o ar da graça. Mesmo que a Bela tenha me ignorado esses dias, ela sempre aparecia pra comer com a gente. E, também não sei porquê a Sam não apareceu... Ela nunca deixa de vir.
Sophia's POV
- Chegueeeeeei! - avisei, assim que entrei no estúdio do Tom.
- Oi Soph! A gente já ia começando sem você! - Lia quase gritou, sorrindo.
- Dougie que quis te esperar. - Bela disse com aquela cara de "eu quero implicar com vocês", e eu pude sentir minhas bochechas corarem.
Assim com as dele.
Pera aí.
Então ele pediu pra me esperar mesmo?
- Vamos começar logo! - Tom pediu e Harry bateu as baquetas quatro vezes. A música começou sincronizadamente e eu percebi que era "I've got you". Só porque eu amo essa música. Mentira. Não é só porque eu amo. É que eu tava querendo dar uma de protagonista... Whatever. Bela cantou essa com eles e ficou meio... PERFEITO.
Depois eles cantaram mais um zilhão de músicas e finalmente pararam pra descansar.
- Preciso. De. Comida. - Bela informou e despencou no sofá, em cima de mim, da Sam e da Lia.
- Ai, sua vaca. - Sam reclamou e ela riu.
- Eu também preciso de comida. - Tom informou. - Vou lá na cozinha. Alguém acompanha?
- Não. Vai sozinho. Ninguém te ama. - Dougie disse com uma voz de Darth Vader e a gente riu da cara de sofrimento do Tom. Ele se virou cabisbaixo e seguiu pra cozinha.
- Vou atrás da comida. Não do Tom, mas da comida. - Danny falou antes de se levantar e seguir pelo mesmo caminho.
- Ah, quer saber? Eu admito. Sou gamado no Tom. Vou atrás dele. - Harry declarou e Dougie fez cara de ofendido. Aí os dois saíram do estúdio, deixando apenas nós quatro lá.
- Tá legal. Sam, pode ir falando porque você tá emburrada e calada. - quis saber, assim que percebi a "atmosfera pesada" do local.
- Não tô merda nenhuma. - ela resmungou em resposta e cruzou os braços.
- Tem certeza? - Lia perguntou, erguendo uma sobrancelha.
- Ai, porra. Se eu não falar vocês vão ficar enchendo meu saco, né?
- É. - eu e Lia concordamos em uníssono e ela bufou.
- É que hoje, na escola, eu e Bela estávamos indo pro refeitório e quando a gente avistou a nossa mesa, os meninos estavam lá, num super papo dez com as vadias da Katy e da Jenie, com quem o SENHOR JONES estava grudado. Porra, o Danny tava grudado com aquela biscate do demônio! Que merda! Ele não sabe que a gente tá ficando?! É escondido, mas a gente tá ficando! Merda. - ela disparou como se fosse uma metralhadora de palavras, esbravejando e gesticulando com raiva.
- Isso é ciúmes, então? - Lia perguntou.
- É!
- Ah, Sam. Relaxa. O Danny não vai pegar a sem-cérebro da Jenie. - tentei tranquilizá-la.
- Como se, pro Danny, cérebro fizesse alguma diferença. - ela resmungou e nós rimos.
- E você, Bela? Qual é a do bico? Tá enfezada também? - Lia perguntou.
- Ah! - Sam exclamou parecendo lembrar de alguma coisa - Hoje, aquela mocréia, mais conhecida como Katy, deu uma bolada na cara da Bela!
- Sério?! - eu fiquei bem surpresa. E com raiva. Ah, cara... A Belinha é minha neném! (mentira.)
- Aham! - Sam confirmou. - E não foi fraco. Foi a maior porrada. E a lerda aqui - apontou pra Bela deitada no colo dela - não fez porra nenhuma.
- O que você queria que eu fizesse?! Batesse nela e fosse mandada pra detenção? Aí depois alguém conta pra alguma revista de fofoca dessas e espalha pro mundo todo que eu bati na pobre garota que acertou acidentalmente a bola em mim, e pronto. Tô fodida.
- Concordo. Nem tudo no mundo é porradaria, Bradley. - falei.
- Aaaaah, mas nesse caso eu não me seguraria. Eu partia pra cima igual a um animal. - ela falou entre dentes.
- Depende de qual animal. Se você partisse pra cima feito um coala, não ia dar certo. - comentei e Bela soltou uma gargalhada alta.
- Nem foi engraçado. - Lia deu de ombros.
- EU ACHEI. - Bela gritou e nós demos um high five.
- MENINAS! - escutamos Danny nos gritar, provavelmente para que nós fossemos comer. E foi o que fizemos. Passamos a tarde conversando e depois cada um foi pra suas casas.
Hoje tive folga no trabalho, o que me deixou bem feliz.
Na verdade, hoje o dia estava sendo realmente maravilhoso. Na faculdade, só boas notícias. Folga, e um Dougie completamente cortês e carinhoso comigo.
Sim. Ele foi explicitamente fofo comigo hoje.
Fiquei a maioria do tempo envergonhada com as demonstrações de afeto dele, mas nada que eu não tenha gostado. Corrigindo: ... que eu não tenha amado.
Thalia's POV
Fui até a casa da Bela com ela pra que pudéssemos conversar com calma.
- Pronto, pode falar.
- Então.. Mais cedo, eu recebi uma ligação do Henri O'Brian e...
- AI MEU DEUS, O HENRI DO KIDS & CHOICES?!
- Isso, ele mesmo. E ele convidou você pra estrelar o evento esse ano.
- AI, MEU DEUS! QUE MÁXIMO!
- Eu sei, eu sei. Mas você sabe que o show é em Dezembro e nós já estamos em Outubro, não é?
- Lia, nós estamos no início de Outubro e o K&C acontece no final de Dezembro. Para de ser cri-cri. Pode falando pra ele que eu super aceito e que vai ser uma honra.
É, eu já sabia que ia ser assim. Eu já tinha ligado pra mãe dela mais cedo, que concordou e disse que não teria nenhum problema.
- Ok. Amanhã vou me encontrar com ele no almoço. - disse e ela começou a dar pulinhos engraçados na sala.
- Você vai se encontrar com o bonitão do Henriiiii! - cantarolou ainda pulando.
- Bela, para de idiotice. Não é esse tipo de encontro, e você fala como se você não tivesse que ir junto.
- Eu não vou coisa nenhuma! Não vou ser empata foda dos outros.
- BELA! Meu Deus, é uma coisa profissional!
- Para com isso, Hoppus. Você só tem 19 anos. Vai aproveitar a vida.
- Como se eu já não aproveitasse...
- Não acho que você aproveite tanto assim. - ela deu de ombros e se sentou no sofá, ligando a TV em seguida.
- Vocês acham que eu sou uma santa, né...
- Não, claro que não. Nós sabemos que você, de vez em quando, dá umas rapidinhas com uns caras aí.
- EU NÃO DOU UMAS RAPIDINHAS! - coloquei a mão no coração como se tivesse ficado ofendida.
- Nããããão, imagina. E eu sou neta da Beyonce.
- O que eu quis dizer é que eu não dou rapidinhas porque não sou mulher de rapidinhas. Sou mulher de "demoradinhas". - expliquei e ela gargalhou.
- Sua biscate! - ela xingou, rindo.
- Enfim, Bela. Amanhã, esteja no Skylon às duas.
- Não! Eu não vou, já disse que não vou e nada no mundo me fará colocar os pés naquele restaurante amanhã.
- Credo!
- Tô falando sério.
- Você é um vaca. E eu tenho que ir pra casa. Tenho dois trilhões de deveres de casa.
- Beleza. Também tenho umas coisas aí pra fazer.
- O que? - perguntei curiosa, porque ela nunca tem nada pra fazer fora da vida artística dela. Nem os dever de casa ela faz.
- Alimentar meu hamster, trabalho de geografia, ver TV e... dormir cedo para esquecer as mazelas.
- Ah! Falando em mazela... Eu queria mesmo conversar com você sobre hoje à tarde. - ela manteve os olhos na TV e apenas balançou a cabeça pra que eu continuasse. - Você acabou não dizendo porque tava triste. E nem vem dizer que não estava.
- Eu tava... Pensativa.
- Pensando em...?
- Na vida.
- Para de ser vaga.
- Ah, cara, eu tava pensando em... em... Sei lá! Tava pensando no Tom. - ela resmungou alguma coisa que eu não escutei.
- Em que?!
- noTom. - Falou um pouquinho mais alto, mas eu continuei sem escutar.
- EM QUE?!
- NO TOM, CACETE.
No Tom?!
- No Tom?!
- É...
OK, ISSO FOI ESTRANHO.
Pra mim, Tom era um pensamento proibido na mente da Bela. Algo que não merecesse nem ao menos um segundo de 'devaneio'.
Se bem que...
- Bela? Posso te perguntar uma coisa?
- Não. - ignorei sua resposta:
- Você acha que, por algum motivo, você possa estar gostando do Tom?
- É O QUE? PIROU?
- Não. Eu só... especulei.
- Especulou beeeeeeeeeem errado. Muito errado. Muito mesmo.
- Hum... Não sei não. Às vezes eu acho que, se você abrisse mais os seus olhos, enxergaria além.
- Er... É. Amanhã ligaremos para uma clínica de reabilitação mental pra te internar, amiga, não se preocupe.
- Ha-ha. Muito engraçado. Enfim, fica a dica, bebê. Tenho que ir agora.
- Ok. Erm... Lia...
- Oi.
- Não conta pra ninguém essa coisa do Tom.
- Mas por que mesmo você estava triste hoje? - perguntei, já perto da porta e ela engoliu seco.
- Não sei... Eu só... estava triste. - me aproximei novamente dela e dei-lhe um beijo na testa.
- Sabe que pode conversar tudo o que quiser comigo, não sabe?
- Sei. Obrigada Lia.
- Nada, bebezinha. - disse, indo até a porta. Joguei beijos no ar, antes de sair, e ela os pegou, colocando no decote e eu gargalhei, fechando a porta em seguida.
A Bela, apesar de não esconder muitos segredos da gente, é uma pessoa bem misteriosa. A gente sabe que não conseguimos esconder coisas muito tempo umas das outras, mas eu sempre tive a impressão de que as histórias da Bela têm uma raiz muito profunda, a qual não conhecemos, e, sinceramente, não tenho certeza se vamos chegara a conhecer ou entender...
Thalia's POV off
Harry's POV
Eu estava na casa do Tom quando recebi uma mensagem.
Era da Lia. Sorri antes de abrir e ler.
" Precisamos nos encontrar pra ver como vai ser o nosso "término". Já tem duas semanas, não é? Hahahaha, até que não foi horrííííível. Me liga assim que puder pra gente resolver logo isso. xxx Lia "
O sorriso foi embora tão rápido quanto veio.
Por algum motivo, aquilo me desagradou muito.
Eu estava gostando mesmo de ter que levar a Thalia sempre lá em casa e ficar horas trancado no quarto com ela, mesmo que a gente só jogasse conversa fora.
Eu estava gostando de ter que ficar passeando com ela, e ter algum motivo pra poder segurar sua mão e a abraçar.
Eu não queria que aquilo acabasse. Não podia acabar. Eu não ia deixar acabar.
" Me encontra amanhã, no almoço. Pode ser no parque, em frente ao lago, naquele mesmo banquinho que a gente sentou da última vez. "
" Foi mal, Hazz, amanhã nem dá. Vou me encontrar com o O'Brian no almoço! UHUUUUL! Pode ser no Sábado? "
ELA IA SE ENCONTRAR COM QUEM?! PUTA-QUE-PARIU. AH, NÃO. NÃO MESMO. NÃO VOU DEIXAR.
- O'Brian... - murmurei com raiva.
- O que? - Danny perguntou, parando de beber seu leite.
- Nada não. Tenho que ir galera, até mais. - avisei, e fui correndo pra minha casa.
Harry's POV off
- Ai, Tommy... Como eu senti saudades desses nossos beijos. - Ela resmungou com a boca colada no meu pescoço e eu tentei sorrir. Deu certo.
Pigarreei antes de mentir:
- Também senti, Katy... - disse e ela mordiscou de leve meu pescoço.
A gente estava na escola, num dos nossos intervalos que coincidiam, e a gente acabou ficando de novo. Sei lá como foi que chegamos até esse ponto, mas simplesmente aconteceu.
A frustrante verdade era que, depois de ter beijado a Bela, nada mais poderia me agradar senão ela.
Bela's POV
Eu não comi nada até agora, estou morrendo de fome (e um pouco zonza também...). A próxima pessoa que passar por mim, vai ser sequestrada e usada de alimento por m...
- Acho que te amo, Thomas Fletcher! - o ar ao meu redor começou a sumir. Minha boca ficou seca e eu tentei me mover, mas minhas pernas não deixavam.
O vi sorrir. Depois ela o beijou novamente.
Eles estavam abraçados, trocando carinho num dos cantos escuros da biblioteca.
Eu não sei como eu havia chegado até ali, mas só sei que cheguei, e assisti àquela cena... nojenta. Sim, nojenta, porque me deu náusea. Uma forte e incontrolável vontade de vomitar, e gritar, e chorar, e sair correndo até Katy, puxá-la pelos cabelos e gritar na cara dela que era pra ela ficar longe do Fletcher.
Não consegui controlar. As lágrimas vieram, e vieram com força. Tive que pregar os olhos com toda força para que o grito não escapasse da minha garganta. Tava tudo silencioso demais e eles certamente me escutariam se eu o fizesse.
Meus joelhos estavam cedendo ao meu peso e eu, por um momento, pensei que fosse desmaiar ali mesmo, já que comecei, realmente, a passar mal.
"Não seja ridícula e fraca, Isabela, não vai cair aqui por causa de uma coisa idiota."
Tentei dizer a mim mesma, mas foi inútil. Eu estava realmente mal. Senti dois braços, me envolverem com carinho e quando olhei pra ver quem era, vi Sam com cara de pesar.
- Vem, Bela, vamos sair daqui. - ela disse com a voz calma, como um consolo. Mas minhas pernas estavam cravadas no chão, e eu não tinha mais senso de direção.
E, bom, eu me desequilibrei. Tive que me segurar numa das estantes para não cair, o que fez barulho. Não tão alto, mas perfeitamente audível.
- AI, MEU DEUS! BELA! - escutei Sam gritar, apesar de não conseguir enxergá-la. Estava zonza demais pra isso.
Eu não ia desmaiar. Não podia. Simplesmente não podia.
- BELA, TÁ ME OUVINDO?! - ela gritou, segurando meu rosto meio desesperada. Eu estava, e murmurei um 'uhum' sem muita força pra ela não enlouquecer. Já estava jogada no chão, e escutei mais passos apressados.
- BELA! - e então estremeci ao ouvir aquela voz. - O QUE HOUVE, SAM?!
- EU NÃO SEI, ACHO QUE ELA TÁ DESMAIANDO! TOM, ELA NÃO PODE MORRER! - Sam gritou desesperada e eu tive que rir (pois é, até nessas situações ela me faz rir).
- Cala a boca e me ajuda a levantar, Sam. - reuni forças pra dizer, mas minha voz saiu muito falhada e não tive certeza se ela ouviu.
- Bela, consegue levantar? - ela perguntou, carinhosa. Certamente não havia escutado o que eu acabara de falar.
- Acho que sim. - menti. Eu não tinha força o suficiente para aquilo e sabia disso.
- Eu te ajudo. - Tom me segurou, me ajudando a levantar.
- Para de chorar! - Sam pediu, limpando algumas lágrimas, e só então eu percebi que eu ainda estava chorando compulsivamente, mesmo sem sentir.
- O que houve aqui? - a voz chata, irritante, nojenta, enjoada e fina da Katy ecoou em meus ouvidos e eu senti um arrepio ruim percorrer meu corpo.
- Nada. - eu disse - Foi só um... susto.
- Susto? - Sam perguntou.
- Aham. Um susto. Um susto horrível. - murmurei pra mim mesma.
- O que houve, Bela? Para de chorar. - Tom perguntou, e então pude ver que quem estava me mantendo de pé eram os braços do Tom ao redor do meu corpo, então eu o abracei involuntariamente. Foi como um instinto. Quase sem querer. Na verdade, completamente sem querer. Porque eu realmente não queria.
- N-não consigo. - resmunguei com a voz embargada, sentindo seus braços me apertarem mais. Solucei algumas vezes antes de começar a conseguir me recompor.
Depois de alguns segundos, fiquei de pé com minhas próprias forças e sequei minhas lágrimas com certa brutalidade. Senti raiva por ter parecido tão fraca na frente deles. Sabe, eu posso ser fraca. Tenho todo o direito. Desde que eu esteja sozinha no meu quarto, e só minhas pelúcias e minhas comidas compartilhando desse momento. E talvez eu também abra uma exceção para TV e computador.
Pigarreei antes de falar.
- Vamos Sam, daqui a pouco temos aula. - ajeitei meu uniforme.
- Claro. - ela segurou meu braço como se quisesse ter certeza de que eu não iria cair novamente, e fomos caminhando para a saída da biblioteca.
- BELA - o escutei me chamar e hesitei antes de virar pra trás e encarar sua expressão confusa e preocupada. - Por favor... - ele se aproximou de mim - Vai pra enfermaria. Por favor, estou pedindo.
- Não precisa, Fletcher, eu estou b...
- Vai. - ele me interrompeu. - Só... Vai, por favor.
- Pode deixar que ela vai por bem ou sendo arrastada pelos cabelos, Fletcher. Deixa que dela, cuido eu. Pode voltar para a sua biscate e termine o que estava prestes a fazer. - Sam falou com bastante raiva depois laçou-lhe um sorriso falso e curto.
Quase voei no pescoço dela por ter falado aquilo. O que ela pensava que estava fazendo?! Quero dizer... O que ela estava querendo dizer com aquilo?!
E... Até onde ela sabia do que se passava dentro de mim?
- Vamos no banheiro... - cochichei assim que ganhamos uma boa distância do Fletcher.
- Ok. Mas depois, enfermaria, tá bom? - ela barganhou e eu assenti com a cabeça, apesar de já estar me senti melhor quanto ao meu mal-estar.
Bela's POV off
Sophia's POV
- Hum, Dougster, você não deveria estar na escola?
- Você não deveria estar na faculdade?
- Como você sabia que eu tava aqui?
- Não sabia. Eu vim até aqui, aí te achei.
DESTINO-NO-NO-NO.
- Wow.
- Acho que o mundo está conspirando a nosso favor, não acha? - ele perguntou olhando pra mim por baixo de seus óculos escuros.
- Hum, pode até ser. - dei de ombros.
Tudo fingimento. Até parece que eu tava realmente indiferente. Ha-Ha.
- Se o mundo está a nosso favor, por que a gente não honra logo os trabalhos dele? - ele perguntou, e por um momento pensei estar entendendo errado?
- O qu...
Eu ia perguntando quando fui surpreendida por um beijo.
Um beijo.
UM BEIJO.
CACETE, UM BEIJO DO DOUGIE POYNTER. NA BOCA.
Voltando tudo. Hoje eu acordei. Aí não quis ir pra faculdade. Sei lá, bateu aquele feeling de matar aula, sabe? Mas como eu já tava acordada, vim para a praça perto do meu apartamento.
Estava aqui, meditando, quando senti alguém sentar do meu lado. Olhei pra ver quem era e me deparei com Dougie. Trocamos um sorriso breve depois ficamos simplesmente sentados encarando o horizonte, apenas curtindo a presença um do outro.
Aí, do nada, me bateu a vontade de escutar sua voz, então comecei com aquele diálogo.
E agora, aqui estou, numa sexta-feira, de manhã, na praça Oshville, beijando - eu disse bei-jan-do - o Dougie - eu disse Dou-gie.
A princípio, levei um belo de um choque quando nossas bocas se encostaram abruptamente e simplesmente demorei alguns segundos para processar o havia acabado de acontecer. Só então abri minha boca deixando sua língua adentrá-la, e todo aquele calor invadir meu corpo e entorpecer cada célula.
Nossas línguas faziam movimentos circulares não muito sincronizados e a sensação de que meu coração rasgaria meu peito a qualquer momento apenas aumentava - o que eu achava impossível. Senti sua mão encostar em minha nuca, trazendo meu rosto mais pra perto do seu.
O beijo não se intensificou. Apenas manteve o ritmo lento e calmo. Sem afobações, sem desespero, e sem vontade de sexo.
Mentira. Tinha uma pequena - bem pequena - vontade da minha parte, mas fora isso, nada que nenhuma criancinha não pudesse ver.
Sophia's POV off
- Toooooooooom! TOM! - Danny gritou sacudindo a mão na minha frente. - A aula já acabou, cara! Vai ficar aí parado mesmo?!
- Er... Eu não tinha percebido.
- É, tô vendo. O que deu em você?
- Nada, cara... Nada.
- Hum. Que aula você tem agora?
- Biologia.
- Ih, a Katy e a Bela também estão nesse horário, não estão? - ele perguntou animado.
Puta merda.
- É, estão. - falei sem a menor paciência.
- É sério, Tom, o que houve com você? - ele parecia preocupado, dessa vez.
- Nada. Não foi nada. - Falei, antes de me levantar e sair apressado em direção a qualquer lugar que não fosse a aula de biologia.
Bela's POV
Cheguei um pouco atrasada na aula de biologia, afinal a enfermeira me alugou durante dois séculos, pra depois falar que não havia nada demais comigo. Só falta de comida (o que eu resolvi bem rápido, passando na cantina).
Ótimo.
O estranho foi que Tom não apareceu por lá.
Nem Katy.
Isso não foi só estranho. Isso foi... horrível. Era sufocador, pra mim, imaginar toda aquela cena que vira mais cedo.
A vontade de chorar voltou e eu me senti ridícula. Assim que a aula acabou, fui correndo para único lugar que meus pés podiam me levar. O único que eu sabia que serviria para alguma coisa.
O lugar mais ridículo e deplorável e vergonhoso e sem sentido e estranho do mundo: sala do psicólogo.
- PAUL. - ele quase pulou da cadeira, assim que eu abri sua porta (sem bater), exclamando seu nome.
Só então chorei. Sentei na cadeirinha que eu costumava sentar e chorei, chorei, chorei e chorei. Fiquei um bom tempo chorando até que me bateu aquele senso de 'semancol' e eu parei de chorar (tive que fazer um esforço enorme, se quer saber). Limpei as lágrimas que pareciam corroer minha pele e o encarei.
- O que houve? - perguntou preocupado.
- O T-Tom... - disse, ainda me recuperando do pranto.
- Se acalma, tá? Está tudo bem...? - assenti com a cabeça. - O que aconteceu, afinal?
- Paul, quando a Katy se mudou para esse prédio... - fiz uma breve pausa e raciocinei. - Sabe quem é a Katy?
- Katy Springs do terceiro ano B?
- Sim. Na verdade, é terceiro ano A. Ela está nesse prédio agora.
- Hm... - ele murmurou. - E o que tem ela?
- Ela não vai com a minha cara. Na verdade, ela me odeia. E eu não estou brincando. Na aula de educação física ela me acertou uma bolada no rosto, e ainda quase me ameaçou de morte se eu chegasse perto do Tommy - debochei - dela. Mas até aí, aquilo não tinha me incomodado nem um pouco, até eu... - funguei tentando não voltar a chorar igual a uma babaca. - Até e-eu ver os dois se agarrando na biblioteca.
Paul me olhou com ternura e respirei fundo antes de continuar:
- Aquilo me fez tão mal que eu cheguei a... quase desmaiar. E fiquei passando mal de verdade. Com enjoos e essas coisas.
- Como você se sentiu, exatamente?
- Sinceramente? Eu me senti traída. Eu me senti idiota, inválida, ignorada, inútil. Senti como seu eu fosse uma saquinho de merda boiando no esgoto. E ainda teve o episódio do final de semana.
- Que episódio?
- Você sabe que estávamos bem, não sabe?
- É, sei.
- Pois é, estávamos ótimos, até que eu tive meio que uma lembrança da semana que eu perdi. - ele ergueu as sobrancelhas. - Lembrei de uma cena em que nós... - Está certo, não vou contar que eu me despi diante do Fletcher pro Paul. Não mesmo. - estávamos juntos e eu meio que o provoquei. Depois o Tom me disse que a gente se beijou e dormimos juntos, no bom sentido. Eu fiquei desesperada, Paul. Me senti tão... Burra por ter me deixado levar... Sabe? Como se o passado não importasse. Tá certo que eu tenho que acreditar que ele mudou, ou pelo menos tentar acreditar, mas eu não vou me atirar nos braços dele só porque eu... - e então percebi o que eu estava prestes a dizer.
- Ainda é apaixonada por ele. - Paul concluiu, completamente seguro.
- V-você acha que...?
- Bela, tire suas próprias conclusões agora: Ninguém te conhece melhor do que você mesma. A partir de quê você sentiu a vontade de ficar com ele? A partir de quê você se sentiu tão mal quando o viu com outra menina? E por que você desistiria tão fácil de uma paixão supostamente não-correspondida?
- Porque ele me humilhou.
- Não é esse o ponto. O que estou querendo dizer é que os fatos não formaram motivos o suficiente para você deixar de gostar dele. Você, involuntariamente, ainda não deixou de amá-lo.
- Não pode estar acontecendo isso comigo agora, Paul. - me lamentei enterrando a cabeça na mesa e suspirando pesadamente.
- Está acontecendo desde que vocês se conheceram, pequena.
- Por favor, me diz o que eu faço. Pelo amor de Deus, eu preciso de um conselho. Por favor...
- Vou propor uma coisa. Nada de ignorá-lo ou ficar deixando que as mágoas do passado assolem a relação de vocês dois a partir de agora. Seja o que for que aconteça, você vai esquecer que aquela situação toda um dia aconteceu. Simplesmente não a deixe voltar à tona. E recomece sua amizade com o Tom. Cative, construa alicerces. Trate-o como você o tratava antes. Esse é o meu conselho. E acredito que isso possa ajudar, Bela.
Ponderei.
Será que isso vai dar certo mesmo? Eu estaria disposta?
- Mas e a Katy? - isso me preocupou por um momento.
- Simplesmente garanta uma relação saudável com o Tom, que ela se tornará inofensiva. O que vier dela não lhe atingirá, e nunca tente atingi-la.
Respirei fundo.
- Tudo bem. - disse, por fim. - É isso que eu vou fazer. - ele sorriu orgulhoso, e eu me levantei, de cabeça erguida. - Obrigada, Paul. Você sabe que eu te amo, né? - ele gargalhou.
- Sei sim.
Dei-lhe um beijinho e saí de sua sala. Era a hora da saída. Muitos alunos ainda circulavam pelos corredores, e tive sorte de ninguém me ver saindo da sala do Paul. Subi as escadas apressada.
Meu Deus, eu gosto do Fletcher? Eu amo o Fletcher?
Bela's POV off
Thalia's POV
Escolhi uma roupa com calma, tomei um banho com calma, escovei bem os cabelos, e depois os sequei com o secador, tentando deixá-los um pouco diferente do de sempre. Não funcionou muito bem, mas dane-se. Vai ficar assim mesmo.
Fiz uma maquiagem leve. Quer dizer... De aparência leve, porque o que eu taquei de base, pó, sombra, corretivo, creminho, lápis, rímel, batom cor-de-boca 24 horas, e variantes, não me permitiria dizer que minha maquiagem foi algo leve.
Mesmo assim, consegui fazer com que não ficasse aquele aspecto horrível de "oi, tá na cara de que eu coloquei trinta e três quilos de maquiagem na minha face só pra tentar ficar gatinha".
Qual é? Eu tinha que ficar gatinha mesmo! ERA O HENRI O'BRIAN. E ele sempre está gatinho. Isso é um fato.
Coloquei meu vestido branco, com uma carteira marrom(#), e uma sandália(#) de salto também marrom. Eu estava casual o suficiente para almoçar num lugar como Skylon.
É. Acho que estou legal.
Quando fiquei pronta, percebi que era uma da tarde.
Harry's POV
- BELA!
- AH! - ela gritou de susto - Fala, criatura!
- Eu preciso que você me diga uma coisa muito urgente.
- Fala logo!
- Onde e que horas a Thalia vai almoçar com o O'Brian hoje?
- Pra que quer saber?
- Eu preciso! É pra... pra... - engoli seco. PENSA, HARRY. - Pra eu poder buscar ela depois. A gente combinou de passar lá em casa depois que ela saísse do almoço, mas não sei onde é e nem que horas ela vai estar lá, e também não consigo fala com ela pelo telefone. - Fui bem convincente com a mentira. Eu acho.
- Hum. Bom, que eu saiba, era no Skylon, daqui a dez minutos.
- VALEU! - disse, virando as costas e disparando até a saída da escola. Mais precisamente, até o meu carro.
Thalia's POV
- Oi!
- Olá, Thalia! Nossa. Wow. - ele resmungou, me olhando de cima à baixo. Corei. - Você está... Fantástica.
- Obrigada. Você também. - sorri, sentando na cadeira que ele puxara para mim.
- Como está?
- Muito bem. E você?
- Atolado, mas também estou bem.
Henri estava sendo impecavelmente gentil, e encantadoramente bonito. Aquilo não parecia mesmo uma reunião de negócios. Era um fato que, se Bela estivesse aqui, não seria a mesma coisa. Não estou dizendo que ela faria desse encontro, uma reunião séria. Não mesmo. Só estou dizendo que não seria exatamente esse tipo de encontro que estaríamos tendo agora.
Pedimos nossas comidas e bebidas, e começamos um assunto aleatório. Confesso que eu... Eu... Eu não parava de fazer charminhos e caras sensuais para o Henri. Pronto. falei.
Harry's POV
- Qual mesa o senhor gostaria, sr. Judd?
- Er... - avaliei o salão até que encontrei a mesa perfeita. Dava pra ver os dois bem de perto, e talvez até ouvi-los, se eu me esforçasse. Além disso, acho que estou discreto o suficiente pra Thalia não me ver. - Aquela mesa ali. - apontei e a mulher sorriu, me levando discretamente até a mesa desejada.
Sentei-me e peguei de imediato o cardápio, abrindo-o de forma que meu rosto fosse parcialmente escondido.
- Vou dar uma olhada no cardápio e escolher alguma coisa. Por enquanto eu aceito um suco de abacaxi com hortelã. - falei, dispensando cerimonias e a mulher sorriu, anotando meu pedido em seu palm top e logo depois se retirou.
Suco de abacaxi com hortelã? Desde quando fiquei tão veado?
Thalia's POV
Gargalhei. De novo. Eu já tinha feito isso umas quinhentas vezes. Isso porque Henri era realmente uma pessoa muito divertida. A gargalhada foi morrendo aos poucos e um "silêncio" (se é que podemos chamar assim, enquanto estamos no meio de um restaurante relativamente cheio) tomou conta do nosso encontro.
E então eu lembrei.
Não estamos num simples encontro. Estamos a trabalho.
E, parecendo ter poderes telepáticos, Henri cortou o silêncio com a seguinte afirmação:
- Você me deve uma resposta.
- Hm, é. - sorri e ele retribuiu.
- E então? A Bela vai ou não estrelar o Kids & Choices? - ele perguntou, ansioso, e eu o olhei fazendo uma cara misteriosa.
Fiz um pouco de suspense engolindo alguns goles do meu suco de abacaxi com hortelã e lançando alguns olhares duvidosos. Pigarreei antes de dizer:
- Sim. Ela vai.
Henri abriu um enorme sorriso que me fez sorrir também.
- Obrigada, Lia! Muito obrigada! - ele agradeceu, colocando, com delicadeza, sua mão por cima da minha que repousava sobre a mesa. Aquele ato me fez ter um leve arrepio na região da nuca, e com certeza, minha bochecha corou. - Eu sabia que vocês não iriam me decepcionar.
Harry's POV
O que aquele retardado mental pensa estar fazendo? Quem é aquele filho de uma leitoa fedida pra ficar segurando a mão da Thalia assim? A GENTE AINDA NEM TERMINOU, PORRA.
Eu vou enfiar a mão na cara daquele veado. To dizendo. Não vou me controlar.
Pra piorar, a Thalia ria de tudo que ele falava igual a uma hiena com cólera. Como se aquele homossexual fosse capaz de ser tão engraçado quanto eu.
E POR QUE BODEGAS ELA ESTÁ FICANDO VERMELHA? O QUE AQUELE MERDA ESTÁ FALANDO PRA ELA? Ah, não. Eu devia ter escutado o Danny, pelo menos uma vez na vida, e ter colado escuta na bolsa das minhas namoradas.
Não que ela fosse uma namorada oficial, mas e daí? Namorada é namorada.
- Sr. Judd?
- Oi. - desviei o olho da mesa da Lia por um segundo, olhando para um homem (provavelmente, garçom) que trazia o meu suco numa bandeja.
- Seu suco. - ele colocou o copo devidamente ornamentado sobre a mesa, e eu agradeci com um movimento suave de cabeça e um sorriso forçado, voltando a olhar pra mesa dos dois pombinhos (sim, pombinhos, porque pombos são fedidos, sujos, feios e cheios de doenças).
Não que a Lia fosse feia, ou cheia de doenças, ou tenha qualquer outra característica de pombo. Mas eu to com raiva dela, então foda-se.
Thalia's POV
- Eu confesso que, bom, eu estava com um pé meio atrás pelo fato da Bela estar aceitando esse convite, assim, sem nem pensar muito, mas ela tá na idade disso mesmo. Curtir e aproveitar. Foi a mãe dela que disse isso, e eu concordo plenamente.
- Hm, você fala como se você não estivesse na idade de curtir também. Quantos anos você tem, afinal? Dezoito?
- Dezenove.
- Wow, Thalia, essa é a idade perfeita pra curtir e aproveitar. Pare de falar como se fosse uma velha.
- Você tem quantos anos?
- Chegando nos trinta.
- Tipo o que? Vinte e sete?
- Vinte e nove.
- Hm, literalmente chegando nos trinta.
- Pois é. - ele riu.
- Mas nem parece. Quero dizer... Você parece ser bem mais novo. Te daria uns vinte e três. Sério mesmo. - Fui sincera.
- Nossa! Obrigado! Revigorante escutar isso de uma menina como você.
- Obrigada. - sorri, envergonhada. De uma menina como eu? Uuuuuh, acho que gostei de ouvir isso, hein...
- Sabe, a gente deveria sair mais vezes. - Uuuuuuuuuuuuuh, gostei mais ainda disso.
- É, deveríamos.
- Que tal a gente se encontrar sexta que vem também?
- Hum, seria ótimo.
Harry's POV
O que deve ser agora? O Don Juan recitou uma jura de amor pra ela?
Argh. Isso está sendo, no mínimo, desgastante.
Mas vou ficar até o final. Não quero perder um suspiro sequer.
Na verdade, espero que não tenho nenhum suspiro.
Fiquei observando-os por quase uma hora. UMA HORA INTEIRA VENDO A THALIA COM OUTRO CARA E COMENDO LAGOSTA. SOZINHO. Muito legal.
E então, os dois finalmente decidiram ir embora. O'Brian pagou a conta, o que já era de se esperar, e levantou-se ao mesmo tempo que ela.
O problema é que eles pareciam íntimos demais. E eu não estou exagerando. A troca de olhares era... Ridiculamente intensa. Parecia que, a qualquer momento, ele iria pular em cima dela como um animal.
E isso me fazia querer pular em cima dele como um animal. Não com as mesmas intenções, é claro.
Eu já tinha pedido a conta e já havia pago meu almoço. Decidi não levantar junto com eles ou Lia podia me ver. Ou qualquer outra pessoa gritar "EI, AQUELE NÃO É O BATERISTA DO MCFLY?", e aí a Thalia invadiria a cozinha pra pegar uma faca e um pouco de fogo pra me torturar.
Mas logo quando eles chegaram até a porta de saída do restaurante, e iam se cumprimentar, uma bola gorda entrou na minha frente, e eu identifiquei essa bola como sendo uma velha obesa com cara de cu de elefante. Essa maldita velha me impediu de ver A HORA H! COMO EU IA SABER SE ELES SE BEIJARAM OU NÃO? PUTA MERDA.
Só sei que eu fiquei irado. Ainda mais porque, quando a velha saiu da frente, O'Brian já tinha ido embora, e eu pude ver através das portas de vidro, que Thalia se encontrava estática, atônita, encarando o nada, com uma cara de "olha como o que acabou de acontecer foi lindo!" e, pra arruinar de vez a minha raça, ela ainda estava com as duas mãos sobre o coração. Depois foi saltitante em direção ao estacionamento. Pra mim isso significava duas coisas. Um: eles haviam se beijado. Dois: Eu estava perdendo Thalia para Henri O'Brian.
MEEEEEEEEEEEERDAAAAAAAAAAAAAA!
Thalia's and Harry's POV off
Danny's POV
Eu fui praticamente obrigado a ir para a casa da Georgia. Ela disse que estava com saudades, e eu não podia ignorá-la de novo.
Perguntei pra Sam se estava tudo bem se eu fosse ver a Georgia e ela respondeu exatamente isso:
- Faz o que você quiser da sua vida. To pouco me fodendo para aquela corna loira. Desde que você não me largue por causa dela e não diga que a ama, eu deixo você dar uma visitinha no presépio dela.
- AMOOOOOOOOOR! - ela pulou em cima de mim assim que abriu a porta! - Ai, eu amo o uniforme da sua escola, mozinho. Você fica tão fofinho! - sorri forçadamente e beijei sua bochecha.
- Tudo bem?
- Tudo, e você, bebê?
- Tô bem. Er... Georgia, não vou poder ficar muito tempo. Daqui a pouco tenho ensaio com os caras e com a Bela.
- Bela, Bela, Bela, Bela, Bela... Nossa, tudo ela. Toda vez que você não pode me ver, é culpa dela. To começando a ficar com ciúmes, Dan.
- Não fica com ciúmes da Bela, Georgia. Isso já é ridículo. Eu a conheço a bem mais tempo que conheço você e eu sempre fui amigo dela. Não é agora que isso vai mudar. - desculpa aí a grosseria, mas é que eu não tenho mais a mesma paciência com a Georgia.
- Ai, credo, Danny. Tava brincando. Eu hein.
- Desculpa.
- Tudo bem, meu amor.
Ficamos conversando sobre alguma merda desinteressante, até que ela decidiu colocar um filme pra gente ver. Fomos até o quarto dela, e deitamos juntos na cama. Até aquela hora, só havíamos trocado alguns selinhos, e eu sabia que ela já estava se incomodando com aquilo.
- Amor... - ela miou e eu murmurei um "quê" em resposta. - To com frio. Me esquenta?
- Er... - que vontade de dar um fora... - Ah, Georgia, eu também to com frio... - tentei parecer bonzinho - Por que não pega um cobertor?
- Você tá chato, hein, Danny?! - ela reclamou se desencostando de mim e cruzando os braços, com um bico maior que a face da terra.
- Desculpa... - sussurrei e ela bufou. Eu estava extremamente desconfortável naquela situação. Tudo que eu queria era ir embora...
Até que meu santo celular tocou. Era a Bela.
- Ih! É a Bela. Ela deve querer que eu vá logo pro ensaio. - falei antes de atender e Georgia revirou os olhos. - Alô!
- Oi, Danny, tudo bem?
- Tudo! E você?
- Tudo mais ou menos. Enfim, queria te perguntar uma coisa. Será que você...
- Ensaio? - a cortei - Já estou atrasado?!
- O que? Danny? Está falando comigo?
- Sério? Puxa vida, Bela! Eu já estou indo! Vou voando!
- Ãn? Danny? O ensaio é só cinco horas!
- Calma, Bela! Estou aí em cinco minutos! Não precisa gritar, eu não vou me atrasar, é que eu estou aqui na casa da Georgia! Mas eu já to saindo!
- Danny, pergunta pra ela seu eu posso... - Georgia tentou pedir, sussurrando, mas foi logo interrompida por mim.
- Não posso levar ninguém?! Ah, por que, Bela?
- DANNY, QUAL É O SEU PROBLEMA? Dá pra me explicar o que está acontecendo?
- Ok! Já estou indo! Um beijo! Tchau! - desliguei correndo, e olhei pra Georgia que estava ainda mais emburrada.
- Depois você me pergunta por que eu não gosto da Johnson. - Ela reclamou sem me olhar.
- Desculpa, amor. Tenho que ir. - Ignorei seu comentário anterior, e fui correndo até a porta, me livrando daquele apartamento o mais rápido que eu pude.
Obviamente, eu não ia pra casa do Tom agora. Assim que entrei no meu carro, liguei pra saber o que a Bela queria, e expliquei toda a história pra ela, enquanto me encaminhava para um apartamento onde eu me divertiria bem mais...
O apartamento da Bradley.
Toquei a campainha e aguardei ansiosamente até que ela atendesse. Mas não foi o que aconteceu. Quem atendeu foi o Kaio. O irmão mais velho dela.
- Oi.
- Er, oi... A Sam tá aí?
- Tá, por quê?
- Posso falar com ela?
- Ela tem celular. Pode falar com ela pelo celular.
- Mas... Eu precisava falar com ela pessoalmente...
- Falar exatamente sobre o que com a minha Sam?
- S-sobre... - ele estava me assustando. Até que ouvi uma gargalhada vinda de dentro da casa e Kaio abriu mais a porta, revelando uma Sammy sentada no sofá, escutando tudo com um saco de biscoitos na mão.
- Já pode parar, Kaio, obrigada. - ela pediu e ele riu, me dando espaço pra entrar.
- Entra aí, cara. - ele foi amigável e eu quase caguei nas calças. Porque meu cu tinha ficado tão fechado, tão fechado, que nem um alfinete passava nele e agora, quando relaxei, parecia que meu cocô ia descer direto.
- Obrigado... - entrei na casa, e Kaio saiu, quase simultaneamente.
- Olha, não façam nada de errado, hein! - ele avisou rindo, antes de bater a porta e sair.
- Ficou se cagando de medo do meu irmãããão! - ela zombou e eu ri sarcasticamente, sentando ao seu lado enquanto ela zapeava pelos canais.
- Eu nunca tinha falado com ele antes, na minha vida inteira.
- Sério?
- Acho que só cumprimentei, sabe? Nas suas festas, ou de alguma das meninas...
- Hum, sei.
- Ele é bastante intimidador.
- Pois é, também acho. Ele é magricelinho mas tem carinha de mau. E ele é lindo.
- Eu que sou.
- Você parece uma beluga desbotada.
- Eu não faço a menor ideia do que seja uma beluga!
- É um animal!
- Eu não sou um animal!
- AI, IDIOTA. A BELUGA É UM ANIMAL.
- Aaaah, entendi. Pensei que que estivesse me xingando.
- ANIMAL!
Droga... agora não sei se ela tá falando de mim ou da beluga.
- Estou falando de você agora, Jones. - ela comentou com aquela expressão de "¬¬", e eu percebi que ela sabia que eu estava me perguntando quem era o animal dessa vez.
- Você é uma chata, Bradley.
- E você me ama, mesmo eu sendo chata.
- Só amo uma mulher no mundo e nome dela Joss Stone. - falei, recebendo alguns tapas ardidos no braço - OUTCH! Brincadeira! O nome dela é mãe. Mais conhecida como pessoa que trouxe o incrível Danny Jones ao mundo.
- Você é nojento e seboso. Levante-se do meu sofá e ponha-se daqui para fora, seu metido.
- Não vou. Vou ficar aqui até meus pés criarem raízes nesse chão. - afirmei e ela gargalhou, me tacando biscoito em seguida.
Ai, como era bom passar as tardes com a Sam... Além de beijar melhor do que a Georgia, na minha humilde opinião, ela ainda era completamente divertida.
Danny's POV off
Soph's POV
Depois de passarmos a manhã na praça conversando, observando a paisagem, e nos beijando às vezes, eu e Doug decidimos ir pra casa. Incrível como ele consegue ser exorbitantemente fofo quando quer.
Na hora de nos levantarmos da grama, Dougie pegou minha mão, me ajudando cordialmente com essa tarefa (como se fosse algo difícil) até que eu me pus de pé, e ele manteve sua mão na minha. Sorri internamente com isso, e então caminhamos até seu carro.
- Vai mesmo pra casa agora? - ele perguntou com uma cara galanteadora, ainda segurando minha mão de uma forma carinhosa.
- Vou. Tenho que trabalhar daqui a pouco. Preciso ir pra casa tomar um banho e almoçar.
- Aaaaaaaah. - lamentou de uma forma exagerada que me fez rir. - Tudo bem, então te deixo em casa.
- Doug, eu agradeço sua carona, mas minha casa é a três minutos daqui, isso se eu for andando devagar. - ele riu.
- Tá, tá bom. - se deu por vencido. - Então... É aqui que a gente de despede?
- Sim. - sorri fraco e ele retribuiu de uma forma ainda mais fraca - Até mais, Doug.
- Até mais, Soph. - ele repetiu minha despedida, depositando sua mão livre na minha nunca e puxando levemente meu rosto para perto do rosto dele. Antes de fazer qualquer coisa, ele olhou instintivamente para os dois lados, e então, beijou o cantinho da minha boca.
Sorri de novo, depois virei as costas e fui andando - lê-se voando pelas nuvens branquinhas do meu céu azul e iluminado - até minha humilde residência, onde, ao chegar, tomei um belo banho, depois comi lasanha, e me arrumei para ir ao meu adorável trabalho.
Seria muito ou extremamente patético dizer que eu estava suspirando de dois em dois minutos?
Soph's POV off
Sam's POV
Obvio que, depois de alguns poucos minutinhos de conversa, já estávamos nos agarrando no sofá. Sempre que nos beijávamos, não era algo muito parado. Tinha movimento por todos os lados. Mãos, cabeça, língua, quadris... Não que a gente já tenha transado. Isso ainda não aconteceu, mas... Você sabe, tem todo aquele movimento de pélvis contra pélvis e tal...
Danny segurava com firmeza na minha cintura e movimentava sua língua de forma circular e calma. Suas mãos quentes em contato com minha pele fria, por baixo da blusa, me causavam ligeiros arrepios, e uma sensação esquisita no coração, como se ele quisesse rasgar meu peito de tão forte que batia.
Estávamos sentados no sofá, um de frente pro outro, sem toda aquela proximidade costumeira de pessoas que estão prestes a... Transar loucamente.
Não que a gente estivesse prestes a transar loucamente, é claro.
Então, senti Danny aprofundar o beijo de forma apressada e concentrada. Os calafrios e arrepios aumentavam e se tornavam constantes assim como a periódica aceleração da minha pressão sanguínea. Ele deslizou as mãos até minhas costas, me puxando pra mais perto de si, de forma que eu ficasse em seu colo, tendo-o entre minhas pernas, e eu embrenhei meus dedos em suas madeixas sem muita noção de se aquilo podia machucá-lo ou não.
Consegui senti seus batimentos cardíacos quase tão rápidos quanto os meus, e sua já evidente animação. Sorri durante o beijo, o que o fez sorrir também. Mordisquei seu lábio inferior e, por um momento, abri meus olhos, encontrando os seus com uma expressão contida de prazer e, de uma forma estranha, inocência.
Danny, por mais safado e espertinho que fosse, conseguia ser inocente. E digamos que o tipo de "inocência" dele me agrada. E muito.
- Você deveria parar de me provocar assim, Bradley. - ele disse, sem desgrudar seus lábios dos meus.
- Por quê? Eu acho que eu deveria te provocar até mais.
- Só não espere que eu mantenha meu autocontrole funcionando por muito tempo. - ele avisou com a voz rouca e grossa e eu dei uma risadinha. Deslizei meus lábios até seu ouvido, deixando um beijinho no meio do caminho, e sussurrei:
- Você até parece inteligente falando desse jeito.
- Fico inteligente quando estou excitado.
- Então acho que vou ficar te provocando nas provas de geometria. - Falei num tom baixo e provocativo, mordiscando seu lóbulo macio.
- Meu autocontrole está indo embora, Sam... - Danny decidiu alertar, no mesmo tom que o meu, apertando suas mãos em minha cintura, massageando-a.
Dei-lhe um curto selinho e levei meus lábios de volta para seu ouvido, abraçando seu pescoço ao mesmo tempo. Soltei uma segunda risadinha, dessa vez mais sensual, antes de dizer, num sussurro quase inaudível:
- Deixe-o ir.
Na mesma hora, Dan deslizou uma de suas mãos pelas minhas costas, até segurar de forma autoritária a minha cabeça, guiando meus movimentos no recém-iniciado beijo feroz que ele me dera.
Sua língua se movimentava freneticamente ao redor da minha, explorando todas as partes alcançáveis da minha boca, enquanto a minha fazia o mesmo.
Eu já estava completamente excitada, isso é um fato. Quase tive um troço quando percebi que Danny se levantou do sofá, com uma tremenda facilidade em manter-me no seu colo, e foi andando às cegas até meu quarto.
Esbarramos em tudo que era possível. E, por vezes, quase tivemos que romper o beijo para rir. Eu disse quase. Sim, quase, porque não desgrudamos nossas bocas nem por um milésimo, mesmo que estivéssemos rindo. E não acho que vamos desgrudar tão cedo.
Assim que senti minha coluna ser virada num plano horizontal e minhas costas entrarem em contato com a cama, sorri. Eu queria muito aquilo. Sério mesmo.
Tudo bem, eu sei que eu sempre quero. Mas com o Danny não estava sendo exatamente querer. Era algo como necessitar, precisar, almejar. Muito, muito mais que simplesmente querer. Meu corpo desenvolveu uma estranha obsessão pelo corpo do Danny, e por mais que isso fosse algo muito físico, eu sentia que meu coração estava começando a se amarrar ao dele de uma forma medonhamente irreversível.
Mas dane-se. Tô nem aí. Se tem uma coisa que eu aprendi sobre a minha relação com os homens é que se eu os quero, eu os tenho. Não tô dizendo que eu seja uma deusa da beleza, ou uma macumbeira de primeira que joga mandinga nos outros. Eu só sei aproveitar as situações que felizmente o destino coloca a meu favor. Nem sempre você precisa ser uma coisa linda (não que eu não seja, porque, além de tudo, eu sou. HAHAHA) pra conseguir os caras. Você só precisa ser... Perspicaz. E isso eu também sou.
Mas, enfim, se eu quiser ter algum cara pra mim, confio nos meus meios de conseguí-lo, se esse sentimento não for recíproco desde o princípio sem que eu tenha que me esforçar.
Se estou sempre me entregando a eles tão rapidamente, é porque eu não tenho medo que eles me virem as costas depois, justamente por saber meios de tê-los sempre comigo.
Acontece que com o Danny, essa certeza me parecia um pouquinho mais distante. Eu já havia chorado por ele, e isso não é algo comum. Não sei porque ele exerce esse outro efeito sobre mim. Só sei que isso me deixa mais motivada a capturá-lo de jeito.
A Insegurança estava lá, tenho que admitir. Mas ela ainda não incomodava tanto. Eu e Danny tínhamos um curioso e longo caminho pela frente e eu estava louquinha pra desvendar o mistério por trás dessa nossa nova relação.
Sam's POV off
A campainha da minha casa tocou e eu estranhei, pulando subitamente da cama, já que eu não estava esperando por ninguém. Eu tinha acabado de chegar em casa, e tinha me jogado na cama pra tentar colocar as coisas no lugar nas poucas horas que eu tinha até todo mundo chegar para o ensaio.
E é justamente esse "todo mundo" que me preocupa. Bela está incluída nele, e é simplesmente insuportável ser ignorado por ela depois de ter contado sobre o melhor momento de sua vida.
No fundo, eu sempre soube porquê eu tenho tanto medo de contar o que eu sinto. O medo, pânico, de não ser correspondido e desprezado pela pessoa mais importante da minha vida me corrói e impõe uma barreira impenetrável diante de todas as palavras que estão entaladas na minha garganta.
Cheguei até a porta da minha casa, curioso pra saber quem era. Segurei a maçaneta e num movimento lento, a abri.
Não podia ser.
Ou melhor.
Era tudo que eu precisava.
- Er... Oi.
- Oi - respondi a olhando nos olhos, e nós dois sorrimos fracos, ao mesmo tempo. Ela pigarreou antes de falar.
- Será que... Hm... Eu posso falar com você?
- Pode. - dei espaço pra que ela entrasse, e ela o fez. Ainda estava com o uniforme da escola, o que me fez pensar que ela veio direto de lá.
Bela caminhou lenta e envergonhadamente até o sofá, mas não sentou. Apenas ficou ali, parada, encarando o próprio pé. Sua mochila descansava em apenas um dos ombros e ela estava completamente... Linda.
- Pode falar... - Quase sussurrei e ela me olhou, hesitante. Ela estava corada em sinal de vergonha.
Espera aí. Bela? Envergonhada? Na minha casa?
Tem alguma coisa errada.
- Bela, cara, você não precisa ficar com vergonha daqui. Senta aí. É sério. - a estimulei e ela fechou os olhos, respirando fundo. Depois os abriu, e me encarou com uma expressão decidida.
- Quer saber? Dane-se. - ela falou tirando a mochila do ombro e a jogando no chão, depois se jogou no sofá de um modo desleixado. Agora sim. Agora estou reconhecendo-a. - Bom. Eu vim aqui porque eu quero te dizer uma coisa.
- Prossiga.
- Na verdade, te pedir uma coisa, ates de tudo. - assenti com a cabeça, a estimulando a continuar - Tom, me desculpa?
Acho que não consegui segurar meu impulso de arregalar os olhos.
Chupa essa manga, Fletcher. Isabela Johnson no seu sofá, bem de frente pra você, te pedindo desculpas.
- o que? - Foi só o que consegui dizer, tentando ganhar tempo pra processar a informação.
- Tom, eu preciso que você me desculpe.
- Pelo que?
- Por tudo. Por todo esse tempo em que eu fui meio... Em que eu te repeli completamente do meu círculo de amizade. Eu quero que você me desculpe pelo jeito em que eu estive te tratando. Eu não... Devia. Tom, me desculpa?
Que merda é essa? Pegadinha? Tão filmando? Puta que pariu, desculpem meu momento homossexual, mas eu acho que eu vou ali no banheiro chorar.
Mentira.
Mas eu acho que eu tô sonhando. Delirando. Será que eu tô perdido no deserto? Isso é miragem?
Puta merda, Tom, para de pensar nessas bostas e fala qualquer porra!
Pois é. Eu demorei alguns segundos apenas encarando-a, tentando me certificar de que aquilo era a mais pura realidade. Eu observava, meio chocado, os olhos entorpecidos de agonia e ansiedade dela e sua expressão preocupada e inocente.
- E-eu... - engoli seco. Porra, vira homem, Thomas. Pigarreei (para ganhar firmeza na voz) antes de continuar. - Eu... Eu desculpo. É claro que eu desculpo. - ela sorriu largamente. - Mas só se você me desculpar também.
- Eu desculpo. Finalmente desculpo, Fletcher. Vou guardar tudo aquilo no passado. Nunca mais vamos tocar nesse assunto, tá?
- Fechado.
Do nada, ela pulou em cima de mim, agarrando meu pescoço num abraço apertado. Muito apertado. Por ambas as partes. Sim, porque eu realmente não poderia deixar de abraçá-la com toda força. Poder senti-la em meus braços era, com toda certeza, a melhor sensação dessa galáxia.
E, naquele momento, meu mundo parecia finalmente estar nos eixos. Ela era minha de novo. Mesmo que não soubesse exatamente disso. Mas só o fato de eu saber, já era extremamente extasiante.
- O que te fez vir até aqui? - perguntei curioso.
- Hmm... Consciência. - ela respondeu séria, mas logo depois começou a gargalhar sozinha, se desvencilhando do abraço. - Mentira. Você não vai acreditar o que meio fez vir aqui. Na verdade, o certo seria "quem" e não "o que".
- Quem, então?
- O Paul. Você sabia que ele sabe de toda nossa vida?
- Paul? O psicólogo?
- Aham, ele mesmo.
- Mas você não...? Bela, você andava visitando o Paul escondida?
- Eu ando visitando o Paul escondida. Só quem sabe disso é a Sam. E você, agora.
- E você ficava falando de nós dois lá? - perguntei, prendendo o riso e ela revirou os olhos e cruzou os braços.
Mal sabia ela o quão curioso eu estava.
- Pois é, Fletcher. Eu vivia lá falando de tudo que aconteceu entre nós, e dizendo o quanto eu te odiava. - sorriu ironicamente.
- Wow, então o Paul só escutou coisas ruins de mim?
- Da minha boca, praticamente tudo.
- Nossa, você é horrível.
- Bem que você mereceu. Mas deixa isso pra lá. Já estamos de bem, né?
- Sim. Estamos.
- Ok. Isso é... Bom.
- Com certeza.
- Tom? - a olhei e resmunguei um "hm" em resposta - Vou perguntar uma coisa e você promete não rir, e responder com toda seriedade do mundo?
- Prometo.
- Ok. Bom... O que você sente por mim nesse exato momento?
FO-DEU.
Chupa essa outra manga, Fletcher.
Você prometeu que ia responder com sinceridade, agora se vira, mano.
- O-o que eu sinto por você? - repeti, mas foi algo automático. Com certeza não foi meu raciocínio que me fez repetir, que nem um babaca, a pergunta.
- É.
- E-eu sinto... Sinto... - vamos pensar. O que eu sinto por ela? Amor, carinho, adoração, admiração, obsessão, paixão, tesão, amizade, saudade, vontade de casar, necessidade, fanatismo, orgulho, entre muitos outros. É só escolher um e dizer. Não é difícil. - Eu... Não sei.
- Não sabe?
- Não.
De alguma forma, eu não fui completamente mentiroso. Em partes, eu não sei exatamente o que eu sinto por ela. Não acho que isso seja expressável em palavras.
- Hum... Entendo. - ela murmurou bem baixo, se ajeitando no sofá e depois, ficou em silêncio por longos segundos. - Er... eu tenho que ir embora.
Bela se levantou do sofá rapidamente, e pegou sua mochila do chão, se dirigindo às pressas até a porta.
- Eu só sei que... - quase gritei antes dela tocar na maçaneta, e ela se virou pra mim.
Eu não podia deixá-la ir daquele jeito. Não mesmo. Eu não ia ser uma bosta de novo e perder mais uma chance. Eu tinha que tentar. Mas... e se ela risse da minha cara? Eu não sabia de porra nenhuma que ela sentia. Ai, merda... - Eu... Eu não quero mais ficar longe de você. - arrisquei e ela fitou o chão, corando violentamente. - Nunca mais.
- Nem eu... - a ouvi murmurar, depois ergueu sua cabeça novamente, de forma que nossos olhares se encontrassem e sorríssemos. - Não vamos mais. Afinal de contas eu... Eu amo você, Fletcher. - seu sorriso alargou.
Pensei que, nessa hora, eu fosse sentir todo o meu corpo formigar e ter um ataque cardíaco e sair correndo pela casa, depois me tacar na piscina.
Mas não.
O que eu senti foi uma sensação avassaladora de... Alívio. Muito alívio. E uma felicidade estonteante.
Ela me amava.
Ela me amava.
Mas espera. Ela não me amava do jeito que eu a amava. Não sentia paixão por mim. Com certeza não. E isso ainda é uma merda.
Caminhei até ela, abraçando pela cintura, e a senti retribuir.
- Eu amo você, Bela. - sussurrei com os lábios grudados na pele no pescoço dela, me entorpecendo com seu cheiro estonteante. - Sempre amei.
E então, ela sorriu, saindo do abraço e me olhando nos olhos.
- Vê se nunca mais na sua vida me machuque, senão, seu cretino subdesenvolvido, eu te dou um pé na bunda fatal e corto o Fletcher Jr. fora. - disse, autoritária e eu gargalhei.
- Não vou. E, Bela, seja lá o que eu tenha feito, não foi por querer, eu juro. Eu nunca faria algo pra te machucar.
- Tudo bem. - ela suspirou, tomando agora um tom mais sério - Não vamos mais tocar nesse assunto. Passado é passado.
- Está certa.
- Tom, eu preciso ir. Tenho que almoçar, trocar de roupa e alimentar meu hamster, ele deve estar faminto.
- Argh, maldito hamster.
- Ei! Não ouse chamar o Marlon de maldito!
- Nhe nhe nhe - provoquei e ela me empurrou com força, depois a gente riu.
- Por que você não vem almoçar comigo, e me ajudar a alimentar meu hamster, e também tomar banho comigo?! - pausa. WHAT? - Aaaaaah, brincadeirinha a parte do banho! Enfim, depois a gente volta pra cá pra ensaiar. É que todas as minhas amigas estão muito ocupadas com suas vidas, e quem costumava ter tempo pra ficar comigo era a Flor e ela está no Alasca, então...
- OK, eu vou. - ela falaria pra sempre se eu não interrompesse.
- ÊÊÊÊ!
- Mas antes deixa eu trocar de roupa.
-Tá, mas vai rápido.
Thalia's POV
Uns trinta segundos depois de eu ter batido a porta da minha casa, a campainha tocou novamente e eu deduzi que fosse o porteiro avisando de alguma correspondência.
- HARRY?! - quase pulei de susto ao abrir a porta.
- Oi, Lia! Tudo bem?!
- Tudo sim. Que bom que você está aqui! - sorri - Precisamos mesmo conversar. E então? Como vai ser nosso término?
- Er... Lia, era mesmo sobre isso que eu queria falar.
- Ótimo. Pode se sentar, se quiser. Quer beber alguma coisa?
- Não, valeu. - ele sentou no sofá, e eu sentei em seguida. Ficamos de frente um pro outro a uma certa distância.
- Bom, eu vou precisar de você por mais um tempo.
- O QUE? - NÃONÃONÃONÃONÃONÃO, PELO AMOR DE DEUS, NÃÃÃÃO!
- É que, sabe o casamento da Rebecca, lá do Ordinary Fantasy? - assenti com a cabeça - Então! Vou ter que ir com você. Aí, cê sabe, né. Vamos ter que estar "namorando".
- C-como é?! Não! Não! Olha, Harry, não dá, eu...
- Lia, por favor, faz isso por mim. Aguenta só mais esse tempinho. Somos amigos, não somos? Amigos fazem sacrifícios um pelos outros.
- Tudo bem. Já que somos amigos, então vou esperar que você, no mínimo entenda o meu lado e aceite minhas condições.
- Ok.
- Bom, eu e o Henri O'Brian estamos meio que... saindo. E eu não quero ter que estragar isso por uma relação falsa que vou ter que ter com você. Então, você vai ter que deixar eu sair com o O'Brian quando eu quiser.
- O QUE? NÃO! Aí eu vou ser o corno? Sem chances.
- Amigos fazem sacrifícios um pelo outro.
- PORRA, MAS ASSIM TAMBÉM É DEMAIS, NÉ NÃO?
- Ai, Harry, olha aqui. Não começa com essas merdas de liçõezinhas de moral não, que se eu quiser, viro as costas agora pra você e não faço porra nenhuma, então abaixa a bolinha. Se quiser minha ajuda, vai ter que ser do meu jeito.
- Lia, você está sendo injusta.
- Por quê?
- Porque eu não quero ser corno.
- Você não vai ser corno.
- CLARO QUE VOU! Minha namorada vai sair com outro. O QUE É ISSO PRA VOCÊ?
- Tudo bem. Meus encontros com o Henri podem ser dentro das nossas casas. Assim, ninguém nos vê na rua. Eu explico pra ele toda a situação, e que é só até o casamento, aí, pronto. Vai ficar tudo certo.
Ele me olhava com uma cara de ódio, incrédulo, irritado. Suas veias da testa pulsavam e suas narinas estavam arreganhadas pelo fato dele estar bufando ao invés de respirar normalmente.
- Quer saber? Foda-se tudo. Pode ficar com aquele veado caquético do O'Brian, e dane-se o resto. Não precisa se preocupar em fingir ser minha namorada, muito menos em fingir ser minha amiga. Ah! Tive uma ideia! Por que você não finge que não me conhece?! - num movimento rápido, Harry já estava batendo a porta da minha casa, sem me dar tempo de retrucar, deixando pra trás um silêncio assustador.
Não consegui fechar minha boca por alguns segundos.
- O que foi que deu nele?! - perguntei a mim mesma, depois que a voz decidiu sair. Ele pareceu realmente transtornado, e aquilo me incomodou bastante.
Meu Deus, o que deu nele?
Thalia's POV off
- Puta merda, Harry, já é a décima terceira vez que você erra hoje. - Reclamei depois dele errar, pela segunda vez, a batida SÓ NESSA MÚSICA. Sem contar com os outros quinhentos mil erros que ele cometeu durante todo o ensaio.
- Porra, Tom, vai encher o saco da tua mãe. - Ele respondeu um tanto quanto agressivo.
- Uuuuh, o que que aconteceu, chapa? - Danny perguntou, se aproximando dele, que o olhou com hesitação.
- Nada. - optou por murmurar, e depois bufou, se ajeitando no banquinho. - 1, 2, 3, 4...
Começamos a tocar silence is a scary sound, torcendo pra que tudo ocorresse bem dessa vez, o que não aconteceu.
- É sério, cara, o que tá acontecendo? - Danny perguntou, começando a ficar preocupado. Eu já estava preocupado há muito tempo, pra falar a verdade.
- Desde o início da banda, eu nunca te vi assim. - Doug comentou, sentando no sofá ao lado da Bela, que digitava qualquer coisa no notebook, já que a gente já tinha ensaiado toda a parte dela.
- Eu tô um pouco... Irritado.
- Isso a gente já percebeu. - Danny gesticulou.
- Mas, que eu saiba, irritação nunca te atrapalhou. - disse, também me sentando no sofá, do outro lado da Bela, e deitando minha cabeça no seu ombro.
- Isso, na minha terra, se chama paixão. - Bela falou vagamente, sem tirar os olhos da tela do computador. - Quem te fisgou, peixão?
- Que?! Do que você está falando? Ficou maluca? Que eu saiba, as pessoas ficam felizes quando estão apaixonadas, e não putas da vida. Quando as pessoas estão putas da vida é porque elas estão putas da vida, oras! Não tem nada a ver com paixão. - ele disparou, falando tão rápido que não sei se o Danny entendeu.
Brincadeira.
- O que?! - Danny fez cara de "WTF?!" e eu retiro o que o disse. - Não entendi merda nenhuma, cara.
- Nem eu. - Dougie acrescentou e Bela começou a gargalhar.
- Ai, seus burricos. - ela suspirou. - Ele só disse que não está apaixonado. E, Harry, você não sabe merda nenhuma sobre estar apaixonado, querido. Nem sempre é um mar de rosas. Principalmente quando não se é correspondido. - Bela explicou, mas não foi como se ela já tivesse passado por isso. Ela falou indiferente como se só tivesse escutado falar que as coisas eram assim. E pior que as coisas eram exatamente assim. Ela estava mais que certa.
- Falou A experiente em relacionamentos. - Harry ironizou e nós rimos.
- Calem suas bocas e podem voltar a ensaiar, tá bom?
- Ah, não. - resmunguei - Pausa para comida, ar fresco, água e cama, por favor.
- Aham, sei bem como é essa pausa. - Bela retrucou - Ela começa agora e só acaba segunda feira, na hora do ensaio.
- Exatamente. - respondi e ela riu.
- É, já deu por hoje. - Danny disse, colocando a guitarra no suporte.
- Cara, hoje eu to com uma vontade enorme de ir pra piscina e ficar lá o dia todo. - Dougie comentou.
- Piscina? Mas tá um frio desgraçado lá fora.
- Eu sei, Danny, eu sei. Mas é que, sei lá, eu estou com vontade de água. Sabe? Vontade de encostar em alguma água.
Foi algo simultâneo: todos olharam pro Dougie com o canto dos olhos, franzindo a testa e fazendo as melhores expressões "Você acabou de falar a merda mais estranha que eu já ouvi" já vistas no mundo.
- Você acabou de falar a merda mais estranha que eu já ouvi. - Danny falou e eu ri sozinho.
Depois dessa, descemos. Todos foram pra sala de TV jogar videogame, mas eu realmente precisava pegar alguma coisa pra comer e beber. Quando eu estava entrando na cozinha, meu celular tocou.
- Alô?
- Oi, Tommy!
- Oi, Katy - não consegui ter a mesma animação na voz.
- Tudo dez por aí?
- Aham, e aí?
- Estaria bem melhor, na sua presença. - ela miou e eu ri. - Enfim, lindo, eu queria saber se você não quer vir aqui hoje. Já to com saudade das nossas barbaridades na cama.
- Er... Não dá, Katy, eu vou sair com os meus amigos.
- Ah, sem problemas, depois você passa aqui...
- Não vai dar, Katy, me desculpe... Eles vão dormir aqui e tudo mais...
- Ai, ok... Escuta, você vai na festa da Ivy amanhã?
- Vou.
- Então tá bom. A gente se encontra lá.
- Tá.
- Beijo. Te amo, lindo.
- Tchau. - desliguei.
- Quem era, o que queria, onde você vai, com quem, porque, quando e que horas? - Bela fez essas vinte mil perguntas cruzando os braços com aquela famosa expressão de mãe-do-Harry e eu ri, só então percebendo que ela havia escutado parte da conversa sorrateiramente.
- Wow! - falei, erguendo as sobrancelhas, e finalmente a fazendo rir.
- Está esperando o que pra responder, Fletcher? - Ela tentou voltar a fazer sua cara séria, mas não estava obtendo tanto êxito quanto almejava.
- Ok, vou responder só porque você vai fazer um sanduíche pra mim depois. - barganha implícita - Era a Katy, ela queria que eu fosse pra casa dela.
- E o que você disse?
- Que não.
- E por que eu escutei você dizendo "vou"?
- Porque ela perguntou se eu ia na festa da Ivy Knowles, amanhã, aí eu disse que ia.
- E com quem você vai?
- Com você. Satisfeita?
- Na verdade, sim. Bastante. - a puxei pela cintura para dar-lhe um abraço e fui surpreendido com um mordida na bochecha.
- Outch! Isso doeu!
- Foi minha intenção. - ela disse, rindo.
- Canibal. Agora vai fazer meu sanduíche.
- Só se você pedir direito. Não sou escrava.
- Tá, tá bom. Faz por favor?
- Faço.
- Bela?
- Hm.
- Eu amo você.
- Por causa do sanduíche?
- Não.
- Hum, então eu também amo você. - ela sorriu, e se virou para pegar as coisas enquanto eu a observava hipnotizadamente.
Eu podia fazer aquilo pela minha vida toda. Podia dizer 'eu amo você' duas vezes a cada piscar de olhos que eu desse, durante toda a minha vida, porque nunca chegaria à intensidade do quanto eu a amava.
E ela me amava também.
Bela me amava.
[Tom's narrative mode off]
Soph estava colocando a mesa enquanto todo mundo a ajudava. Até Sam e Danny ajudaram. Isso porque quando Soph entrou na cozinha os viu dormindo, debruçados no balcão. Não agarrados, na verdade, segundo ela eles estavam até meio distantes, mas... Você sabe, sexo dá sono.
Enfim, todo mundo a ajudou menos eu e Bela. Estávamos sentados lado a lado no sofá até agora sem trocar uma palavra.
- Bela. - tomei coragem. - Qual é o seu problema? Você é irritantemente bipolar!
- É, sou. Isso é problema meu. Não se mete. - respondeu sem olhar pra mim.
- Para de ser assim comigo. - falei sério e ela me olhou por um instante, sem expressão.
- Se eu tivesse um bom motivo... - Vamos, Tom, apenas fale! 'eu amo você'! Anda, fala! Não é tão difícil assim! Apenas fale...
- Eu... - engoli seco. Eu ia falar, estava decidido. - eu... Te... - pigarreei - Eu te... te trato bem. - óbvio que eu não ia conseguir. Por que mesmo eu achei que ia...?
- Verdade, Fletcher. Você é um mar de rosas comigo. Nunca faz as coisas pra me irritar. Nunca implica comigo. Você é realmente perfeito! - fez uma cara tão irônica que me deu vontade de tacar ela pela janela.
- Bela. Todo mundo implica com você, a diferença é que você só se irrita comigo. Com os outros você tem essa incrível capacidade de levar na brincadeira. Mas comigo é diferente.
- Você pensa no que fala, Tom? - ela parecia incrédula - Ou melhor. Você pensa no que faz? No que fez? - ela bufou e fechou os olhos, ponderando. - Ok. Me convença que você mudou que eu mudo com você. E me desculpa por ter sido grosseira a troco de nada. Vou tentar evitar. - ela disse olhando para as próprias mãos repousadas sobre suas pernas e então... Ela me abraçou. Pela segunda vez no dia. E dessa vez, simplesmente pude abraçá-la de volta. Eu estava explodindo de felicidade. (Eu disse que ela era bipolar, eu fucking disse!)
Mas... O que seria "convencer que mudei"? Mudei o que? O quem tem de errado comigo? O que eu tenho feito ou fiz de tão errado? Cara, eu simplesmente não sei o que fazer. Mas não posso desperdiçar uma chance dessas. Eu vou descobrir. Eu vou saber. Eu vou mudar. E não acho que haja alguma coisa no mundo que possa me impedir.
Ela não demorou muito no abraço, mas pra mim pareceu um eternidade, como se tivesse acontecido em câmera lenta.
- Venham comeeeeer, seus mal educados! - Sam nos chamou e nós dois olhamos pra mesa já completamente posta. Tinha coisas como pão, geléias, queijos, presunto, peito de peru, sucos de caixa, refrigerante, alguns salgados, e, ah, tinha muita coisa. Nada de pizza e álcool. Não parecia um encontro de amigos de dezenove/dezoito/dezessete anos.
- Cadê a pinga? - Bela perguntou se levantando, depois riu de si mesma. - E, Sam, pra sua informação não quero que fique me chamando de mal educada por aí. Vai que as pessoas acreditam? - ela disse fingindo estar afetada.
- Mas vocês dois - Lia apontou pra mim e pra Bela - são uns mal-educados mesmo. Todo mundo ajudou a colocar a mesa e vocês ficaram lá, de resenha. - concluiu, e Sam concordou.
- Resenha boooooa, né, Fletcher? - Danny falou rindo e Harry tacou um pão (desperdício, eu poderia ter comido) nele. Por que não jogou logo uma granada?
- Aposto que a resenha estava mesmo muito boa. Melhor que resenhar com o Jason Cooper! - Sam comentou com uma expressão meio... Tarada. - Gostoso dos infernos. - falou num suspiro e todo mundo riu.
- Sam só acorda com um bom humor desses depois de uma boa...
- Trepada! - Harry quase gritou, cortando o que Bela ia dizendo e todo mundo gargalhou alto.
- OLHA O VOCABULÁRIO, JUDD! - Soph disse, tentando não rir, mas não obteve êxito.
- Vou te enfiar a porrada, vagabundo! - Sam voou de sua cadeira, deu a volta na mesa, e quando quase alcançou Harry, ele se levantou e começou a correr também.
- Seu $£^>*^# @& $@¥ €€ #*£€ ¥ ^%@" $$@/! - ela ia correndo e gritando absurdos, palavrões pesadamente inventados e personalizados, o que me fazia sentir dor na barriga de tanto rir.
- Eu não trepei em porra nenhuma, seu desgraçado! - ela esbravejou, tentando voltar a sentar à mesa, emburrada.
- Desculpe, mas eu só completei o que a Bela ia dizer...
- Nem vem, Harry! - ela se defendeu - Eu nem ia dizer isso!
- Nãããã, imagina! - Ele foi irônico. E gay.
- Claaaro que não ia falar isso! - Lia entrou na pilha! - Você ia falar que ela acordava assim depois comer um delicioso sorvete de morango! - foi sarcástica.
- Vocês são todos um bando de bosta. - Bela revidou, enfiando uma torrada na boca.
- Ei! Tô quieto aqui! - Dougie protestou. - Não mereço ser chamado de bosta.
- Mas você fede que nem uma. - tive que comentar. Bela se engasgou com o suco depois de ouvir. Fiquei uns dois ou três segundos preocupado até ela começar a gargalhar loucamente. Os outros a acompanharam.
- Teu cu que fede, seu gordo. - Dougie xingou e eu gargalhei.
- Dougzinho, você já cheirou? - Danny perguntou e tomou um murro no braço. - OUTCH! Uuuh, que fortinho!
- Não sou você pra ficar cheirando o cu do Tom. - ele disse e logo em seguida mordeu um pedaço enorme de pão, que não pareia caber na boca dele, mas eu sempre soube que o Dougie tinha tendências canibalescas...
- Ai, é sério, vocês me matam de rir. - Bela comentou, limpando as lágrimas no canto dos olhos. Ela sempre chora quando ri demais.
Nos empanturramos de comida e depois voltamos a conversar no sofá por quase duas horas. Decidimos que já era hora de ir. Tava tarde, uma onze da noite, e, desculpe mas eu fico morrendo de sono.
- Vamos embora, Harry. - eu disse, me levantando do sofá, onde todos estavam conversando.
- Vamos...
- É, vamos. - Dougie ratificou, também se levantando.
- Ah, meninos! Fiquem mais um pouquinho! - Soph resmungou e a gente riu.
- Eu tô morrendo de sono. É sério. Preciso ir pra casa.
- Ai, Tom, deixa de ser gay. Macho que é macho aguenta firme... - Thalia comentou e eu fiz cara de tédio.
- Então eu não sou macho. E eu to indo pra casa.
- Lia, vamos pra casa também? - Bela perguntou. Presumi que ela estava de carona com a Lia.
- Tô com cara de quem quer ir pra casa?
- Aaaaaaaah, Lia! Eu preciso dormir, também to com sono...
- Dorme aqui, Bela! - Soph sugeriu e Bela fez uma careta engraçada.
- Não posso. Amanhã cedo meus pais estão voltando pra Essex, e eu preciso estar lá pra me despedir e tudo mais.
- Bela, quer uma carona? Tem um espaço no carro.
- AAAAI, HARRY! Você é um fofo. - ela pulou nele, dando um abraço bem mais caloroso que o que ela dera em mim mais cedo...
- Sou mesmo, eu sei. - Ele disse rindo e ela gargalhou.
Sabe, meu amigos até que são... Eles são... Er... Bons amigos. É. É isso. São bons amigos. Eles estão sempre lá me dando força e ajudando, mesmo que as vezes mereçam uma porrada por meter os pés pelas mãos, estão sempre disposto a ajudar.
No caminho, Harry e Danny foram nos bancos da frente do carro. Bela, eu e Doug ficamos exatamente nessa ordem, no banco de trás. Eles meio que manipularam tudo só pra ela sentar no meu lado e dormir no meu ombro até chegar na casa dela.
Eles são uns lindos, se eu não fosse homem...
- Bela, acorda. Chegamos.
- Tom... - ela sussurrou me nome, ainda de olhos fechados, com a cabeça apoiada no meu ombro.
- Que...? - respondi igualmente sussurrando.
- Deveríamos ser amigos.
- O que? - pensei não estar ouvindo direito.
- A gente... A gente deveria voltar a ser amigo.
- É... deveríamos.
- Mas isso me parece uma coisa tão distante... - Bela falava tão baixo que eu mal ouvia. Principalmente porque o rádio tava ligado e os caras conversavam alguma coisa qualquer, fingindo não prestar atenção em nós dois.
- Por quê? - perguntei e ela finalmente tirou a cabeça do meu ombro e me encarou.
- Porque simplesmente parece. Não consigo me ver sendo sua amiga de novo. Mas eu quero isso.
- A gente pode tentar. Não deve ser tão complicado assim...
- É... Talvez... Tchau Tom.
- Tchau...
- Tchau, meninos! Obrigada pela carona! - aumentou o tom de voz pela primeira vez, enquanto abria a porta do carro e saía.
- Tchau, Johnson! - Danny gritou e ela riu, batendo a porta em seguida.
Suspirei alto e joguei minha cabeça pra trás.
- AAAAAAAAI. - resmunguei enquanto me espreguiçava.
- Tá, já pode falar toda a conversa. - Harry disse, dando partida no carro.
- Ué? Vocês não ouviram?
- Não! A gente tava conversando, cê não viu?
- Harry, vocês são os caras mais fofoqueiros da galáxia. Eu nunca suspeitaria que vocês não estavam prestando atenção.
- Para de molengar e fala logo, Fletcher. - Dougie ordenou e eu pigarreei antes começar.
- Ela disse que a gente devia ser amigo.
- Hum... - ele resmungou como se fosse pra eu continuar.
- Hum o que? Já acabei.
- Foi só isso que vocês ficaram cochichando? - Danny perguntou, indignado.
- Foi.
- Tá, ela disse isso. E o que você disse? - Harry quis saber, enquanto mudava a estação de rádio.
- Eu concordei, oras. Ela disse que isso seria difícil pra ela, mas era o que ela queria. Aí eu concordei e... Acho que agora vamos voltar a ser amigos.
- Tá bom, Fletcher, já pode gritar, pular, dançar e sair correndo por aí cantando musiquinhas românticas e dormir abraçado com seu travesseiro que tem aquela fronha escrita "I love Bela". A gente promete que não vai te zoar muito. - Dougie falou e eles riram.
- Ha-ha. Engraçadão. Me mijei aqui. - ironizei e eles riram mais.
Sabe, não posso mentir. Eu vou fazer tudo isso que o Dougie disse, mas sem eles verem, é claro.
- O que é isso? - perguntei assim que o Harry estacionou na minha garagem e saiu do carro.
- Nós vamos dormir aqui, ué. A gente não te avisou não?
- Não... - dei de ombros e abri a porta de casa.
Nem sei o que eles foram fazer, só sei que minha cama era meu único amor (depois, é claro, de vocês sabem quem) e foi pra lá que meus pés me levaram.
EU NUNCA ODIEI TANTO A MÚSICA DO STAR WARS NA MINHA VIDA INTEIRA, AAAAAAAAAAAARGH! MAS QUE MERDA.
Abri os olhos totalmente contra minha vontade. Devia ser o que? Seis da manhã? Não sei, mas era o que parecia. Estiquei o braço e atendi a porcaria do telefone que insistia em tocar àquela hora da manhã.
- Quê. - Não tive humor pra dizer 'alô'.
- Er... Tom?
- AH! Oi Senhora Johnson! - Fingi ser a coisa mais educada e bem humorada do mundo.
- Oi, meu anjo! Te acordei, né?
- Nããão! Que isso! Eu já ia levantar mesmo!
- Sei... Levantar às sete horas da manhã, num sábado? Duvido, Tom. - ela disse divertida, e eu ri. - Enfim, desculpa interromper seu sono de beleza, mas eu tô indo pra Essex hoje. Na verdade, vou pro aeroporto daqui a uma hora.
- Ah, eu quase me esqueci. Que bom que a senhora me ligou porque eu queria ir até o aeroporto com vocês...
- Oh! Então pode se apressar, mocinho!
- Tá bom, eu tô indo. A gente se vê daqui a uma hora.
- Até. - ela disse e riu. - Beijinhos, querido.
Desligamos e eu pulei da cama e fui correndo para o banho. Eu realmente queria ir ao aeroporto com os Johnson, mas tinha esquecido completamente.
Tomei um banho rápido, me arrumei e fui tomar o café da manhã. Dulce, a minha governanta/babá/espiã enviada pela minha mãe, já tinha chegado e assim que eu encontrei com ela na cozinha, me olhou com uma cara estranha.
- De pé a essa hora?
- Sim! Eu tenho que ir ao aeroporto daqui a pouco.
- Viagem de última hora?
- Não, não. Sr. e Sra. Johnson vão voltar pra casa.
- Oh, sim... Quer que eu faça panqueca?
- Se não for nenhum incomodo...
- Até parece, Tom.
Bela's POV
- VAAAAAAAAAAAAMOS, MÃE! VAI PERDER O VOO, HEIN!
- To indo, to indo!
- Sue, é sério! Você tá desde cinco horas da manhã se arrumando!
- Eu não posso esquecer nada aqui, Edward.
- Mãe, você já olhou tudo. Não vai esquecer nada. Se esquecer eu mando por correio. Vamos logo!
- Ai, chatos. - ela resmungou, finalmente aparecendo na sala com todas as suas tralhas.
Chegamos no aeroporto que estava bem vazio e tranquilo. Graças a Deus... Esperávamos anunciarem o voo num daqueles banquinhos... Eu estava caindo de sono. Meu olho permanecia fechado por trás dos grandes óculos escuros enquanto meu pai afagava minha cabeça e fazia um cafuné que me levava ao sétimo sono.
- Tom! Até que enfim!
- Oi!, senhora Johnson! - abri os olhos abruptamente e o vi parado ali, sendo agarrado pela minha mãe.
- Oi, Tom! - Meu pai disse, se levantando para abraça-lo e depois ele olhou pra mim.
- E aí, Fletcher.
- E aí, Bela. - sorri pra ele, que sentou ao meu lado e retribuiu o sorriso.
- Mãe, vou ali comprar um café senão vou apagar. - avisei antes de me levantar pra ir até a cafeteria do aeroporto.
- Vou com você. - Tom disse, se levantando junto comigo.
Caminhamos até a cafeteria em silêncio.
- AI MEU DEUS. É A BELA E O TOM! - escutei uma voz feminina gritar ao meu lado e quando olhei, quatro meninas vinham correndo em minha direção. - AI, NÃO ACREDITO! ACHO QUE EU TO PASSANDO MAL. - ela disse se abanando com as mãos e as outras meninas faziam uma cara desesperada. Eu ri.
- Oi gente! - Tom cumprimentou sorrindo.
- P-podemos tirar uma foto com vocês?!
- Claro! - respondi, depois eu e Tom pousamos para todas as fotos que as meninas quiseram tirar. Foram umas cinco fotos, pelo menos.
- Esse é o casal mais lindo do mundo! - uma delas exclamou do nada. Vergonha detected.
- É mesmo! Vocês formam o casal mais perfeito de todos! - a outra concordou com os olhos brilhando e eu gargalhei pra disfarçar minha vontade de enfiar a cabeça num buraco e nunca mais sair.
- Obrigada! - respondi meio (lê-se: completamente) sem graça, mas lutando pra que isso não transparecesse. Depois autografamos caderninhos, até que elas decidiram sair.
- Elas são engraçadas.
- É são... - respondi ainda rindo para o nada.
Pedimos nossos cafés e fomos voltando para o banco onde meus pais estavam.
- E então, vai fazer o que hoje? - ele puxou algum assunto.
- Dormir.
- É sério?
- Aham. Vou dormir o dia inteiro.
- Acho que isso não é uma má ideia.
- Ei, sabe o que eu acabei de lembrar?!
- O que?
- Segunda a gente tem ensaio. Nosso primeiro ensaio juntos. Digo, do McFLY comigo.
- É! É verdade!
- Vai ser legal.
- Tenho certeza que sim. Er... - ele resmungou e colocou a mão no bolso. Tirou de lá seu celular que vibrava compulsivamente. - Número desconhecido... Estranho. Alô?... Ah, Oi!... É, eu também... Amanha? Que horas?... Não sei se vou poder... Er, ok. Às sete?... Mas agora não dá, eu tô ocupado... Hm, pode ser... Um beijo, a gente se vê amanhã... Tchau.
- Quem era?
- Katy. - Alguém me explica porquê eu fiquei com vontade de matar essa garota? Não era pra isso ocorrer, produção!
- Sua peguete da escola? - tentei parecer natural.
- Ela não é minha peguete.
- Hum, sei. Você só fica com ela há um século... Mas é claro que ela não é sua peguete!- ironia mode on.
- Eu não gosto de dizer que ela é minha peguete.
- Mas ela é.
- Não é.
- É.
- Não é, cara.
- Ok. - rolei os olhos - Vão se encontrar amanhã?
- Vamos, mas ela disse que não é nada demais, só queria conversar comigo. Do contrário, eu não encontraria com ela.
- Cansou do corpo roliço? - ele gargalhou.
- Você é hilária. - comentou, achando graça.
- Ridículo.
- Engraçadinha.
- Galinha.
- Neurótica.
- Irritante.
- Ciumenta.
- Ciumenta? Tá achando mesmo que eu sinto ciúme de você, Fletcher? PFFF! Coitado! - ok, talvez, só nesse momento, eu esteja com um pouquinho de ciúme. MAS É SÓ NESSE MOMENTO.
- Quanto tempo que a gente não discute assim... - murmurejou, nostálgico. Por um momento mergulhei junto com ele nas memórias da nossa infância, quando discutíamos assim até não encontrarmos mais adjetivos ruins, então desatávamos a rir...
- É... Eu sempre me divertia no final das contas. - ele riu e me abraçou pelo ombro, apoiando seu braço ali. Me senti estranhamente bem...
Thalia's POV
Tia Sue tinha me acordado cedo só pra falar "estou indo viajar! Vou sentir saudades! Beijinhos" e depois disso não consegui mais pregar o olho.
As vezes eu achava que a Tia Sue era meio carente de filhas, já que a Bela é filha única e mora longe dela.
É que ela trata todo mundo come se fosse filho. Me ligou SÓ PRA DIZER QUE IA VIAJAR! E aposto que também ligou pro Danny, pro Tom, pro Harry, Pro Dougie, pra Sam e pra Soph.
No final das contas acaba sendo engraçado. Ela é engraçada...
Enfim, não conseguia mais pregar o olho então decidi comer, ver TV ou algo do tipo. Eu estava na casa da Soph, e a Sam também.
Aproveitei esse tempo silencioso e solitário pra pensar. Ontem, eu e Harry ficamos num clima, digamos, estranho... Ele realmente fica me tratando como namorada. Me abraçando, sendo fofo... E ainda me chama de amor, de vez em quando! Tudo bem que ontem era pra gente forçar um climinha, só pra Bela e Tom acabarem ficando juntos, mas a gente nem precisou forçar! O clima tava lá! Bom, pelo menos pra mim, né.
Meu Deus, onde eu estou com a cabeça? Eu não posso ter nada com o galinha do Judd. Ele vai me trair com a primeira poposuda que passar na frente dele. Eu tenho que me concentrar em encenar toda essa história de namoro por mais essa semana e aí, fim de tudo. Isso mesmo, nada de Har...
Do nada, meu celular tocou e interrompeu minha frase de efeito de fim de pensamento.
- Alô?
- Lia? - NÃO ACREDITO.
- Não morre cedo!
- Por quê? Tava falando de mim?
- Pensando, na verdade.
- Huuuuuuuum! - fez um voz sugestiva. - Sabe, eu também tava pensando em você, por isso te liguei.
- Pensando em mim tão cedo?
- É que a Sra. Johnson me ligou avisando que ia viajar e aí eu não consegui mais dormir.
- Sério?! Aconteceu exatamente a mesma coisa comigo.
- Estranho... Deve ser porque a gente combina, né? - não. Claro que não! Óbvio que não! No way in hell!
- Para de ser estranho, Harry.
- Enfim. Eu queria saber se você não quer sair hoje.
- Sair? Pra onde?
- Sei lá, algum lugar tipo...
- Vamos no parque comer algodão doce! - dei a ideia e ele gargalhou.
- Pode ser!
- OK, me pega aqui mais tarde, tipo umas dez horas.
- Sim senhora.
- Vou lá tomar um banho.
- Vou lá tocar bateria pra acordar o Danny e o Dougie.
- Tá bom, divirta-se com isso.
- Um beijo, amor.
- PARA COM ISSO, HARRY.
- Desculpa! Desculpa! Um beijo, Thalia Hoppus.
- Um beijo, Judd.
Desligamos e eu suspirei.
MERDA, MAL SINAL. NADA DE SUSPIROS, THALIA, NADA DE SUSPIROS!
Harry's POV
- Alô.
- Oi, Lia! Sou eu, já cheguei. Tô aqui em baixo.
- Ok, tô descendo. - ela desligou.
Hoje estava meio frio em Londres (Oh! Grande novidade!), mas parecia um bom dia para ir a um parque. Sorri comigo mesmo assim que vi Lia sair do seu prédio e caminhar até o meu carro. Ela estava linda.
- Hey! - vociferou assim que entrou no carro e me abraçou.
- E então? Pronta pra comer um delicioso algodão doce?
- Isso foi muito esquisito, Harry...
- O que?
- Essa sua fala de animador de festa infantil.
- Ah, só tava tentando parecer legal pra você gostar de mim.
- Não funcionou... - falou olhando para o além e depois sorriu. - Brincadeira.
- Eu sei. Você não seria tão má.
- Ah, não? Tem certeza?
- Absoluta.
- Veremos... - eu ri e ela me olhou como se eu tivesse feito um crime. - Tá rindo de que?
- De você tentando ser má.
- Harry, você é um saco.
- Também te amo.
- Dá pra parar com essas brincadeiras?
- Que brincadeiras?
- De ficar falando que me ama, me chamando de amor, de linda, e variantes.
- E quem disse que eu estava brincando?
- Harry! Para com isso! Não gosto! Eu to tentando ter uma convivência pacífica com você, mas assim não dá!
- Thalia, o que eu quero dizer é que eu não estou brincando quando eu digo que você é linda. E que eu te amo.
- COMOÉQUEÉ?
- É isso mesmo que você escutou.
- Sei. - retrucou descrente. - Você acabou de se declarara pra mim? Harry Judd dizendo que ama uma garota? Até parece, Harry. Eu te conheço. Não se esqueça disso.
- Porra, se você não quer acreditar, não acredita. Mas que eu gosto de você, eu gosto.
- Gostar é infinitamente diferente de amar. E a gente nunca ficou pra você saber se você gosta de mim ou não.
- Não seja por isso. - aproximei bruscamente o meu rosto do dela, aproveitando o sinal fechado e ela espalmou a mão no peito, me impedindo de prosseguir.
- PARA! Para de querer se aproveitar de todas as garotas com quem você se relaciona!
- Você que tem que parar de achar que eu to querendo me aproveitar! Se você não sabe, Thalia, eu não fico com ninguém há muito tempo só porque comecei a gostar de você, tá? - confessei e ela pareceu surpresa.
- Há quanto tempo? Uma semana? Nossa, grande coisa.
- Bem mais que uma semana.
- Fala quanto.
- Não. - bufei. Ela ficou em silêncio e olhou a rua pela janela, virando o rosto para o lado oposto a mim, como se não quisesse me olhar. O que será que eu fiz com nosso passeio...?
- Você me ama, Harry? Ama mesmo? Você sabe o que é amar uma garota?
- Eu não sei se já amei uma garota, Thalia. Não sei o que é amar uma garota, mas sei que eu não senti por elas o que eu sinto por você, oras. Então, pra mim, eu te amo.
- Para de ser infantil. Não é tão simples assim. Você nem sabe o que é amar, e você não me ama.
- Que seja. Eu gosto de você e é isso que importa.
- E o que eu sinto não importa?
- É lógico que importa, eu não tava falando nesse sentido. Eu quis dizer que não importa o nome do meu sentimento, o que importa é que é por você que ele existe em mim... - ela ficou em silêncio mais um vez. -... Thalia... Você gosta de mim?
Harry's POV off
Danny's POV
Eu tinha acordado com um barulho insuportável da bateria do Harry, que ele fez o favor de colocar dentro do quarto e começar a tocar loucamente. Tive vontade de cuspir nele, mas eu acordei com a boca meio seca e não encontrei baba o suficiente pra isso.
O Dougie insistiu em ficar deitado na cama e acabou voltando a dormir, aí o Harry avisou que ia sair, depois eu fui procurar o Tom, mas ele também não estava em casa.
- Ei, Dulce
- Bom dia, Daniel.
- Cadê o Tom?
- Aeroporto.
- AI, MEU DEUS! O QUE ACONTECEU? ALGUMA COISA IMPORTANTE?
- Calma, meu filho! Ele só foi se despedir pessoalmente dos pais da Bela. Eles vão voltar pra Essex hoje.
- AAAAAAAAh, ufa. Tomei um susto agora. Se bem que eu deveria ter imaginado que ele foi fazer isso... A Sra. Johnson ligou pra todo mundo no meio da madrugada só pra dizer que ela tava indo embora. Mas enfim, o que tem pra comer?
- Tem cereal, mas se você quiser, preparo alguma coisa.
- Pode ser cereal mesmo. Deu vontade. - abri o armário da cozinha, peguei o cereal, depois fui na geladeira pegar o leite, preparei a mistura deliciosa numa cambuquinha e comi.
Hoje era Sábado. Dia de 'nada pra fazer', mas sempre que eu falava 'nada pra fazer' apareciam um zilhão de coisas pra fazer. Então é melhor eu não ficar falando 'nada pra fazer'. Merda! Já falei várias vezes 'nada pra fazer'! Que droga! Agora vou ter muitas coisas pra fazer!
Eu estava indo pro estúdio do Tom, quando escutei meu telefone tocar.
- Danny Jones falando. - atendi sem ver no visor quem era.
- Oi, meu amoooor!
- Ah... Georgia.
- Que foi, bebê? Que falta de animação é essa?
- Ah, nada não.
- Hun, não fica tristinho, meu lindo. Olha só, eu queria muito te ver hoje. Tenho duas seções de foto pra fazer, mas talvez a gente fique um tempão juntinhos se você vier aqui!
- Er... Não dá, Georgia...
- Por que, mozinho?
- Porque eu tenho que fazer, erm... Fazer uma... Gravação especial com a Bela. Um vídeo acústico que a gente combinou, e aí, cê sabe né, vai levar o dia todo. Além disso vou ter que estudar porque tem trabalho valendo ponto na segunda.
- Ah... Entendi. Que horas é isso tudo?
- Daqui a pouco.
- Hum... Então não vai dar mesmo, né?
- É. Sem chances.
- Então tá bom, bebê.
- Um beijo, loirinha.
- Beijo, môôô!
Desliguei correndo e digitei, o mais rápido que pude, os números que eu nem sei como eu lembrava.
- Fala, Jones!
- Bela! Precisamos gravar alguma música acústica hoje!
- O que?! Por quê?!
- Porque eu disse pra Georgia que a gente ia!
- Por que você mentiu pra ela?
- Eu não tive outra saída! Senão eu teria que encontrar com ela. E eu não to afim da Georgia hoje, e duvido que eu esteja amanhã, ou depois...
- Por que você não termina logo com ela, Danny?
- Ah, Bela, não é tão simples...
- É sim! É só chegar e dizer: Georgia, temos que terminar. Tchau.
- Mas ela vai implorar pra eu ficar com ela e eu não vou conseguir dizer não!
- Porra, Danny. Seja homem!
- Bela, você vai me ajudar ou não?
- Aaaaaaaaaaaai, que saco, Jones. Tá bom, tá bom. Mas você vem aqui pra casa e você arranja uma câmera descente. A minha quebrou.
- Valeu Bela! Você é a melhor de todas!
- Tá, enfim, vai vir só você ou o resto também?
- O Tom está com você, não está?
- Aham.
- Então! Não precisa dos outros pra fazer coisas acústicas.
- AAAHAHAHAHAHAHAH! Tadinhos!
- Mas é sério!
- Ok, ok, Jones, vem logo! - ela desligou na minha cara e eu ri.
Fui indo em direção a escada só pra pegar uma blusa do Tom porque a minha tava fedendo a alguma coisa, mas meu celular voltou a tocar.
- Danny Jones falando.
- Oi, Jones, sou eu. É só pra avisar que o Tom mandou você pegar a câmera dele que está no armário de estúdio! (O que?! Eu mandei você falar totalmente o contrário disso!) - escutei Tom esbravejar e Bela gargalhou. - Escutou bem o que eu disse? No armário do estúdio! Traz ela!
- Ok! Pode deixar que eu levo!
- Tchau Jones! Cuidado com a câmera, hein! - ela gargalhou de novo e eu ri.
- Tá bom! Tchau!
Voltei pra pegar a câmera, que era uma daquelas profissionais e tudo mais, depois fui finalmente trocar a roupa.
Danny's POV off
Soph's POV
Eu estava lá, no meu soninho de beleza, planejando acordar lá pelas duas da tarde, por mais que eu já tenha eventualmente acordado com a ligação da tia Sue, nada mais poderá interromper meu sono. E lá estava eu, sonhando com coisas legais quando...
A PORRA DO TELEFONE TOCOU!
- QUÊ.
- Noooooossa! Que humor, hein! Quer que eu ligue depois?
- Não, não... Fala logo, agora que eu já tive que acordar.
- Ok, mas limpa o canto da boca. - fiquei sem entender.
- Que?!
- É que tá escorrendo veneno.
- Ah, Fletcher! Vai à merda!
- Meu Deeeeus! Estou ligando pra pessoa certa? As vezes tenho a impressão de que liguei por engano pra Sam, e não pra você...
- Vai falar ou não vai?
- Ok, enfim, a Bela mandou eu te ligar pra ver se você e a Sam não querem vir aqui pra casa dela. Vamos passar a tarde aqui.
- Agora?
- Bom, eu já tô aqui e o Danny tá chegando, mas vocês podem vir quando quiserem.
- Tá. Vou tomar um banho, café da manhã, acordar a leoa e depois passo aí.
- Beleza.
- Que horas são?
- Er... Calma aí. - escutei algum barulho irreconhecível -... São onze e meia.
- Ainda?!
- Acordar cedo faz bem as vezes.
- Tá bom, tá bom.
- Vou desligar. Tenho que ligar pros outros.
- Tá. Tchau.
- Tchau.
Levantei bufando (literalmente), cheguei a ter vontade de rir da minha cara. Eu parecia um búfalo. Tirei a blusa e calcinha que eu vestia e entrei no box. Liguei a ducha o mais forte possível e tomei um banho rápido. Terminei minha higiene matutina, vesti um moletom grosso e uma calça jeans. Tava frio, apesar do Sol. Calcei uma sapatilha qualquer e depois fui acordar a Sammy.
- Sam. - Mexi no braço dela e ela resmungou algo como "odeio pelo, odeio pelo! Me deixa!" - Sammy, acorda, anjinho. - Ela virou a cabeça paro o outro lado ignorando meus apelos. - BRADLEY, ACORDA.
- Porra! Me deixa! Que merda! Quando eu quero dormir, eu durmo e não há nada que ninguém possa fazer pra me deixar acordada! Então vai ocupar a porra do seu tempo com outra coisa, cacete! - esbravejou com a boca no travesseiro, e se eu não a conhecesse tão bem, não entenderia um terço do que ela disse.
- Ok. Então eu tô indo pra casa da Bela. Você pode ficar aí e depois tranca a casa pra mim.
- Você tá indo pra onde?
- Casa da Bela. Todo mundo vai pra lá.
- Todo mundo quem?
- O de sempre, nós oito. Quer dizer, já que você não vai, nós sete.
- Tááá... Eu vou. - ela se deu por vencida e eu ri. - Dá tempo de eu me arrumar ou vou ter que ir com cara de joelho?
- Dá tempo. Ainda vou comer, mas vai logo.
- Tá. - ela coçou os olhos, bocejou e levantou do sofá que ela havia usado como cama enquanto eu me encaminhava pra cozinha.
Em quarenta minutos estávamos dentro do táxi a caminho da casa da Bela.
Soph's POV off
- Oi! Nós somos Danny...
- Tom...
- e a maravilhosamente linda, Bela - ela brincou e a gente riu.
- e a gente vai fazer um cover. If I never ser your face again, do Maroon 5 com a Rihanna. - Danny concluiu enquanto eu e Bela olhávamos atentos para a câmera.
Posicionei meus dedos nas casas do violão e Danny fez o mesmo. Bela se ajeitou no banquinho onde ela estava sentada e sorriu e a gente começou a tocar.
Sabe, não tô muito acostumado a cantar com a Bela. Sério mesmo. A gente fez um musical juntos, mas só cantamos dentro do estúdio, separadamente, e não teve nenhuma interação. Confesso que cantar assim, com ela, me deixa completamente arrepiado. Principalmente pelo fato dela ser muito ousada a cada nota que canta, e ter uma autoconfiança invejável. É como se ela tivesse estudado toda a musica antes da gente cantar. Ela é incrível.
- Cause you keep me coming back for more (coming back for more)
And I feel a little better than I did before
And if I never see your face again
I don't mind
Cause we got much further than I thought we'd get tonight.
Sometime you move so well
It's hard not to give in
I'm lost, I can't tell
Where you end and I begin
It makes you burn to learn
I'm with another man
I wonder if he's half
The lover that I am...
Eu admirava mais a voz dela do que fazia qualquer outra coisa. As vezes eu me sentia um idiota, mas foda-se.
Terminamos a gravação e Bela soltou, do nada, uma gargalhada que fez eu e Danny rirmos, depois ela se levantou pra finalizar o vídeo.
- Ok, Danny, fiz sua vontade, agora você faz a minha.
- E qual é sua vontade?
- Ainda não sei, mas quando eu tiver uma, você vai ter que fazer.
- Tá bom. - ele deu de ombros e ela deu uma risada nasalada.
Guardamos as coisas e fomos pra sala, e assim que chegamos lá, o interfone tocou.
- Danny, minha vontade é que você seja meu servo hoje, começando por atender o interfone pra mim. - Bela informou, sentando-se no sofá e colocando o pé na mesa de centro.
- Tá brincando né?
- Não, não tô. VAI LOGO! - ele bufou e se levantou, marchando até o interfone. Eu e Bela trocamos um olhar cúmplice depois ela gargalhou. Nunca vou esquecer esse olhar cúmplice. Ele não acontece há uns bons anos...
- Era a Soph e ela já está subindo. - Danny avisou e Bela sorriu pra ele. Minutos depois a campainha tocou.
- OOOOOOOOOOI GALERA! - Soph entrou animada. - Pera aí. Cadê a galera?
- Harry e Thalia foram namorar por aí e Dougie ainda não acordou. - respondi a vendo acomodar-se em um dos lugares do sofá.
Tinham dois sofás que formavam um "L" na sala do apartamento. Um grande e um menor. Eu dividia o menor, de três lugares, com a Bela e Soph sentou no outro. Sam fez o mesmo, depois de passar por Danny, ignorando-o.
- Gente, posso propor uma coisa? - Sammy perguntou com cara de maluca e a gente riu.
- Desde que minha casa não pegue fogo, tudo bem. - Bela assentiu e ela rolou os olhos.
- Não vai ser a sua casa que vai pegar fogo. Vai ser outra coisa... - arregalamos os olhos a vendo sorrir.
- Explique-se. - Soph pediu e ela pigarreou antes de começar a falar.
- Vamos brincar de uma coisa. Na verdade, fazer uma experiência. Vamos ver se a orelha de alguém queima mesmo, ou coça, ou sei lá o que, quando pessoas falam mal dela.
- E quem será a vítima? - perguntei curioso.
- Os que não estão aqui. - a ideia foi perfeitamente aceita.
Ok, eu sei que não estamos parecendo bons amigos agora, mas... Eles entenderiam, não é? Nós somos pobres jovens que não tem nada pra fazer...
- Beleza, vamos começar pela Thalia e pelo Harry. - Soph sugeriu.
Bela's POV
Sabe, eu sei que eu devem estar me perguntando "Mas Bela, onde está sua doutrina de nunca falar mal das pessoas?!", só que eu tenho uma filosofia que responde e prevalece sobre essa doutrina. É a seguinte:
Desde que eu esteja falando, numa brincadeira com meus próprios melhores amigos, dos meus próprios melhores amigos, sem intenção de difamá-los ou agredi-los moralmente, não vejo nenhum problema... né?
Bela's POV off
- Acho que eles devem estar se pegando agora. - Sam filosofou.
- Ou mais que isso. - foi o que eu ouvi sair da minha boca. Acabei pensando alto e ri de mim mesmo. - Harry não perde tempo não.
- Thalia deve estar sendo uma vadia na mão dele. - Soph disse e a gente gargalhou. Mulher é uma coisa má.
- Não consigo imaginar a Thalia de vadia. - Bela comentou e todos olharam pra ela - Ela deve ficar lá na cama transando com o cara e pensando "Hum, amanhã tenho que estar às dez na faculdade, depois organizar minha agenda, marcar um show beneficente da Bela e depois estudar para Literatura Greco-Romana." - rimos mais.
- E deve ficar gemendo coisas como "oh, awn, contas, aaawn, entrevistas, awn, awn, preço dos ingressos do show extra, ooow, agenda cheia!" - Sam fez uma imitação, digamos, "bem feita" e a gente ficou rindo ainda mais alto.
- Duvido que a Thalia cederia aos caprichos do Harry, ela iria falar "oh, não, seria errado para meu currículo!" - Soph comentou e Bela começou a bater a mão com força na própria perna de tanto que ria. Ela sempre fica assim meio... Agressiva nas suas crises de riso.
- E o Harry? Deve ficar como? "QUERO SEXO, QUERO SEXO, QUERO SEXO. Merda, estou há um dia sem sexo, preciso de sexo, preciso de sexo!" - falei e o Danny concordou, gargalhando.
- Escuta essa. - Danny puxou ar antes de continuar - Um dia o Harry veio me contar que...
- CALMA AÍ. - Bela interrompeu. - Não vai contar um segredo do coitado, né?
- Não, não... Acho que todo mundo já deve imaginar isso.
- Então continua. - ela ordenou.
- Enfim, ele veio me dizer que estava há dois meses inteiros, INTEIROS, fazendo sexo todos os dias, e não tinha nem uma ficante sequer. Era com mulheres variadas. - falou e começou a gargalhar. Eu ri junto e eu acho que as meninas ficaram meio chocadas, mas riram também.
- O Harry exagera na garanhísse. - Sam comentou.
- Exagera mesmo. Vai que ele pega DST? - Bela palpitou com os olhos arregalados e Sam tacou uma almofada na cara dela.
- Ele usa camisinha. - avisei.
- Meu Deus, ele é muito novo pra isso tudo. - Soph comentou com a mão na boca.
- Valeu, tia.
- Cala a boca, Tom! - ela reclamou, me dando a língua em seguida.
- E o Dougie, hein gente? - Sam lembrou.
- Ele é gay. - Danny afirmou, com certeza.
- Ele é fresco.- Bela comentou.
- Muito fresco. - concordei.
- O Dougie deve usar as mãos todo dia de noite do jeito que é carente. - Sam falou, prendendo o cabelo num coque. Rimos.
- Ele tira meleca. - Danny falou se aconchegando no sofá.
- Todos vocês tiram que eu sei. - Bela disse com um ar de "mãe", o que me deu vontade de rir compulsivamente.
- Mas o Dougie tira muita meleca. Eu sei por que eu já vi várias vezes. - Sam comentou.
- Não. Para. Olha só quem fala. - Bela disse, quase indignada, apontando pra Sam, que se encolheu em seu lugar e mandou o dedo pra ela. - Você é a garota mais melequenta que eu conheço. Uma fábrica de melecas ambulante.
- Pelo menos não fico tirando na frente das pessoas.
- Bom saber que eu não sou considerada uma pessoa por você. - Bela fingiu ficar triste e trilhou com o indicador o caminho de uma suposta lágrima caindo dos seus olhos.
- Ei, mudando de assunto, por que a Soph tá aí quietinha, hien? - Eu gostava de implicar com a Soph. Era sempre engraçado. - Não quer falar mal do Dougie?
- Não tenho nada pra falar. - ela deu de ombros.
- OOOOOOOOWN, QUE FOFURA! TODA APAIXONADINHAAA! - Bela provocou e recebeu um olhar aniquilante e claramente vingativo.
- Vocês dois - Soph apontou pra mim e pra Bela - Formam o casal mais implicante do Reino Unido.
- E por que não do mundo? - Bela perguntou desencadeando uma explosão atômica nos meus órgãos internos.
- Acabou de admitir que são um casal? - Soph indagou, boquiaberta, lendo minha mente, e Bela arqueou as sobrancelhas antes de responder.
- Sim, somos um casal, oras - AI MEU DEUS - Toda vez que refere-se a um macho e uma fêmea, fala-se casal. Casal de irmãos, casal de alienígenas, casal de primos, casal de namorados, casal de capivaras, e - ela estendeu bem a palavra - casal de amigos, que é o nosso caso. - A Bela sempre consegue me embrulhar como seu eu fosse um saco de bosta e me jogar de um precipício, como agora. Que merda.
- Mas não foi nesse sentido que eu disse "casal".
- Mas foi nesse sentido que eu entendi e interpretei. - Bela deu de ombros e Soph bufou, derrotada.
- Bela, um. Sophia, zero. - Sam zoou e Soph resmungou algo que só elas três entenderam e riram.
- Vamos almoçaaaaaaaaaaaaaaaaaaar! Tô com muita fome. - Johnson reclamou e todos nós concordamos.
- Acho que a gente deveria sair pra comer em algum lugar. Tô com a maior vontade de sair nas revistas de fofocas de amanhã pra esfregar na cara das vacas do meu trabalho. - Soph opinou.
- Ué, mas os meninos já não foram lá pra você esfregar isso na cara delas? - Sam perguntou enquanto se levantava e se contorcia um pouco (não sei porquê).
- Já, mas eu quero esfregar mais.
- Beleza. Vamos no Chopstick. - Falei só porque eu sabia que a Bela odiava comida japonesa, e aquele era um restaurante oriental, como se pode deduzir pelo nome.
- EEEW! NÃO! - ela reclamou e eu ri. - Vamos em Notting Hill, no Arancina! - Ela sugeriu com os olhos brilhando. - Faz um século que não vou lá.
- Isso! Eu tava mesmo morrendo de vontade de visitar Notting Hill, e lá todo mundo vive com câmera pra tirar foto. Vamos. - Soph concordou prontamente e Sam saiu correndo, meio que se contorcendo e eu entendi tudo: ela tava segurando a vontade de fazer xixi.
- Danny, meu servo, liga pro Dougie e manda ele encontrar com a gente lá. - Bela pediu... Ordenou, na verdade, e ele rolou os olhos antes de tirar o celular do bolso.
Thalia's POV
Posso dizer que sou uma pessoa MUITO sortuda. Muito mesmo. Quando ainda estávamos no carro, prestes a chegar no parque, Harry me encurralou com aquela fatídica pergunta, a qual eu tinha certeza de que a resposta seria "não". Eu tinha. Não tenho mais.
E eu odeio o fato de não ter mais certeza das coisas. Eu preciso ter certeza das coisas, mas não tenho. Não nesse caso. E isso está me matando.
Enfim, sou uma pessoa realmente sortuda. Harry tinha acabado de fazer a pergunta quando recebi uma ligação da Bela, na verdade, do Tom pelo telefone residencial da Bela, cortando o assunto.
Depois ele não voltou a tocar no assunto, o que me fez agradecer mentalmente.
- ...Mas e então? Como você saiu dessa?! - ele me perguntou rindo
- Ah, eu literalmente saí. Eu saí correndo sem nem sequer olhar pra trás! Eu fiquei desesperada!
- Meu Deus! Você é completamente maluca, Lia!
- Eu só não tava preparada, ora...
- Entendo...
- Mas eu acho que isso não está nada equilibrado.
- Ahn? - ele provavelmente não entendeu do que eu tava falando.
- Só eu que conto as coisas da minha vida. Você nunca fala nada da sua.
- O mundo já sabe todas as coisas legais na minha vida... - ele disse, encarando o horizonte e eu dei um soco de leve no seu braço. - OUTCH! Foi só uma brincadeira! - ele tentou prender o riso, mas não teve muito sucesso.
- Metidinho...
- Ok, isso soou meio metido mesmo, mas é verdade. Acho que o que eu for contar, você já sabe.
- Harry, você tá achando que eu sou o que? Uma daquelas fãs retardadas que não param de falar do McFLY e ficam o dia inteiro vendo e lendo coisas sobre você, pra saber tudo sobre sua vida e babar olhando suas fotos? Eu tenho mais o que fazer, meu querido.
- Ok, ok, senhora atarefada. Me desculpa.
- Anda, me conta alguma coisa.
- Tá bom. Uma vez, o Fletch marcou uma tour pra uma época em que a gente teria provas. Conversamos com os nossos pais e eles disseram que tudo bem. Quer dizer... Os pais deles disseram que tudo bem, porque minha mãe quis me tacar num rio cheio de piranhas famintas. Ela ficou gritando coisas como "VOCÊ NUNCA PODE FALATAR UMA PROVA NA SUA VIDA, A NÃO SER QUE VOCÊ ESTEJA EM COMA NO HOSPITAL" e blablablá. Aí acabou que a gente teve que adiar a tour só por causa da minha mãe.
- Nossa.
- Eu sei, eu não tenho nenhuma história legal.
- Não, essa história foi legal, só que eu quero mais!
- Já disse que não tenho histórias legais!
- Uhum... Sei. Um Rock Star não tem uma história legal. Me engana que eu gosto, Harry.
- É sério.
- Se você pedir pra Bela te falar alguma coisa legal, é bem capaz dela começar a falar hoje e só terminar quando a voz dela acabar. Aí ela beber água e chupar uma pastilha pra continuar falando até você chutar a cara dela e trancá-la num guarda roupa. Sério mesmo.
- Eu sei... Eu morro de rir com a falação dela.
- Opa, meu telefone tá tocando. Só um segundinho. Alô?
- Lia?
- Oi, Danny.
- Tô interrompendo alguma coisa?
- Não.
- Ok, mas usem camisinha, tá?
- Danny, não sou sua avó não, tá?
- Coitada da minha vózinha! Ela nem tem marido!
- Danny, seja objetivo, por favor.
- Tá. A gente tá indo almoçar em Notting Hill.
- Arancina?
- Isso.
- A Bela que escolheu, né?
- Aham.
- Ela tava enchendo o saco pra ir lá... Imaginei que isso não fosse demorar pra acontecer... Enfim, vocês estão indo agora?
- Estamos. Já estamos saindo da casa dela.
- Tá bom. Eu vou indo com o Harry.
- Ok. Não fiquem se pegando nos sinais fechados.
- Tchau, Daniel. - desliguei na cara dele e bufei. Depois ri. O Danny é ridículo.
- Vamos no Arancina? - Harry perguntou olhando dentro dos meus olhos.
- Vamos. - desviei o olhar só pra não ficar com cara de retardada e babar na beleza dele - Vem logo, antes que eles cheguem lá e comecem a comer sem a gente. - me levantei do banquinho do parque e fui andando com Harry em meu encalço.
Thalia's POV off
- ...E eu quero um Pollo Etna. - Ela é tão linda falando Italiano...
- Quero o mesmo. - pedi assim que o garçom olhou pra mim.
- Imitão! - Ela zombou e eu fiz cara de desprezo.
- Eu vou querer um... Er... - Sam ficou fazendo caretas tentando decifrar como se falava as palavras do Menu - Isso aqui. - ela desistiu e apontou para a opção. O garçom esticou o pescoço para olhar e sorriu, anotando o pedido.
- Quero esse Parmigiana di melanzane. - Harry pediu.
- Ok, todos já pediram? - O garçom perguntou olhando-nos pacientemente, e nós assentimos. Ele, então, saiu, caminhando em direção à cozinha.
- Ei, quero fazer uma pergunta para Thalia, Harry e Doug. - Sam se pronunciou e eu prendi o riso. - Vocês sentiram alguma coisa hoje?
- Er... Como assim? - Dougie perguntou, interessado.
- Tipo uma coceira ou queimação excessiva na orelha...?
- Sam! Você falou mal da gente?! - Thalia perguntou indignada.
- Ei, como você sabe?! - Soph ficou surpresa. Confesso que eu também fiquei. Tava tão na cara assim?!
- Sam, você já fez essa "experiência" - Lia desenhou aspas com os dedos - comigo uma vez, quando a gente ficou falando mal da Bela e do Tom.
- EI! - Bela reclamou e eu fiz careta.
- Caraca! É verdade! Eu tinha me esquecido desse dia. E o pior é que a experiência não deu em nada. Eles não sentiram queimação nenhuma...
- DEPOIS EU QUE SOU O BURRO, NÉ.
- Cala a boca, Jones, senão sobra pro teu lado. - Sam alertou e a gente riu.
- Nhe nhe nhe nhe... - Danny zombou e ela deu o dedo.
Não demorou pro almoço chegar e todos comerem felizes. Vários assuntos preencheram o espaço de tempo em que ficamos almoçando e beliscando petiscos cuidadosamente escolhidos pela Bela. Começamos a falar sobre filmes, quais eram bons e quais eram uma grande bosta. Sabe, as vezes esses papos servem pra eu me apaixonar ainda mais, como se fosse possível, por ela.
-... Mas então, Danny, - falei. - Já viu aquele filme "os gays dizem não"?
- "Os gays dizem não"? - ele coçou o queixo tentando lembrar - Não. - respondeu e então todos começaram a rir compulsivamente. Ele ficou meio preocupado tentando entender porque a gente tava rindo. Eu me divirto com o Danny, cara. Me divirto muito. - Do que vocês estão rindo?!
- Nada não... - Bela falou, tentando puxar o ar de volta. - E aquele outro filme, do mesmo diretor, "os burros continuam dizendo não"? Já viu?
- Não, não vi não. - continuamos rindo. - Porra, dá pra falar do que vocês estão rindo?
- E ELE AINDA INSISTE EM DIZER QUE NÃO É BURRO. MEU DEUS! - Sam quase gritou.
- Danny, anjinho, é uma piada. - Soph começou a explicar. - O Tom perguntou se se você viu um filme chamado 'os gays dizem não', mas ele, indiretamente, quis dizer que os gays respondem 'não', e você respondeu não, ou seja, você é gay; depois a Bela fez a mesma piada. Entendeu?
- AAAAH! AGORA ENTENDI! - Ele comemorou.
- Meu Deus. Que lerdo. - Dougie comentou, bebendo um gole do suco.
Bela's POV
O almoço estava sendo legal, quando, de repente senti uma forte dor de cabeça e...
- Tom, posso te perguntar uma coisa? - indaguei e Tom fez que sim com a cabeça, sem ao menos olhar pra mim. Me senti uma completa idiota por estar daquele jeito. - Mas antes, quero que prometa que vai ser imparcial e sincero, e também que não vai me levar a mal.
- Tá.
- Acha que eu tenho que engordar? Ou emagrecer ou... Sei lá. O que acha do meu corpo? - ele resmungou alguma coisa que eu não entendi.
- O que? - perguntei, pra que ele repetisse.
- Erm...sei lá... Seu corpo é... Normal. - deu de ombros e eu tive vontade de sumir dali. Morrer. Nossa.
Idiota: é isso que eu sou.
A cena apareceu clara como água na minha mente, e eu tive a impressão de ter desmaiado por um instante. Depois, tudo voltou ao normal e meus amigos me olhavam preocupados. Balancei a cabela tentando organizar as idéias.
- Eu vou ao banheiro. - Avisei, me levantando, sem a certeza de que eu estava bem o suficiente pra isso.
- Eu também vou... - Thalia disse, e eu me senti agradecida. Sam e Soph também se levantaram e todas foram comigo ao banheiro.
- O que foi aquilo? - Soph perguntou meio preocupada, assim que chegamos no banheiro.
Me apoiei na pia e suspirei.
- Acho que eu tive uma visão, ou sei lá...
- O QUE? - Sam se espantou e fez uma careta de medo.
- Foi algo muito estranho... Eu tava no quarto do Tom, perguntando pra ele algo sobre meu corpo, mas eu tava sem roupa... Digo, só de calcinha e de sutiã. Foi... estranho.
- Será que você resgatou alguma parte da sua memória? - Lia palpitou e eu apenas balancei a cabeça em sinal de confusão.
- Não sei... Mas foi tão real... Como se eu tivesse me teletransportado pra lá, e vivido essa cena. Senti na pele a vergonha, a curiosidade, a ansiedade, e o... - 'desejo', eu ia completar, mas não o fiz.
- E o...? - Soph quis saber.
- O... O frio. - menti.
- Nossa... Que estranho. - Sam comentou, ainda meio chocada, e assutada, eu diria.
- Você tá bem? - Thalia quis se certificar, demostrando toda a preocupação que sempre tivera.
- Tô... Eu tô completamente normal. Só fiquei meio preocupada.
- A gente pode marcar uma consulta de urgência com seu médico pra amanhã, se você quiser.
- Pode ligar pra ele, mas só diz o que aconteceu. Não precisa marcara nada, só se ele achar necessário. - respondi à Lia, e ela sorriu. - Vamos voltar pra mesa.
- Vamos pra casa logo. - Soph sugeriu e nós consentimos.
- Está tudo bem? - Tom foi o primeiro a perguntar, assim que me aproximei.
- Aham. Foi só uma... Tontura. - respondi.
- Er... Bela. - Lia me chamou e eu a olhei. - Pode vir aqui rapidinho? - ela ainda não tinha chegado na mesa. Estava no meio do caminho, entre o banheiro e o lugar onde estávamos sentados, e então, eu caminhei em sua direção.
- Fala.
- Eu acho que você deve contar isso pro Tom.
- O que?! Claro que não! Sem chances.
- É sério. Ele é o único que vai poder te dizer se isso aconteceu e foi realmente uma de suas memórias perdidas, ou não. - Bufei. Ela tinha razão. Eu tinha que saber, antes mesmo de informar ao médico. Se for verídico, significa que recuperei uma parte da memória.
- Você... Tem razão. Vou ter que contar pra ele.
- É. Faça isso ainda hoje, pra gente resolver isso logo. É importante, Bela. É a sua saúde. - assenti e então voltamos pra mesa.
Não demorou pra que os meninos pagassem a conta e nós saíssemos do restaurante.
- E então? O que vamos fazer agora? - Dougie perguntou, enquanto caminhava conosco até o lugar onde nossos carros estavam parados.
- Bom, vocês eu não sei, mas eu vou pra minha casa. Eu quero descansar hoje. - informei - Er, Tom... - ele me olhou em resposta. - Tem como você me ajudar com uns... Trabalhos de casa de Biologia?
- Biologia? Desde quando você precisa de ajuda em biologia? ISSO É DESCULPA PRA NAMORAAAAAAAAR - Sam implicou e eu revirei os olhos.
- Pra sua informação, é um trabalho de dupla e é pra segunda. Eu me esqueci de escolher uma dupla então tô pedindo pro Fletcher, sua vaca. - Menti parcialmente. Tinha mesmo um trabalho em dupla, mas não era pra segunda e eu teria tempo de fazê-lo em outras ocasiões e com outras pessoas...
Tom me olhou, sabendo que não era pra isso que eu o chamava. Bom saber que nossas trocas de olhares ainda serviam para alguma coisa. Elas sempre funcionaram muito bem.
- Por mim tudo bem. - ele respondeu indiferente e eu sorri fraco. Bom saber que ainda podia contar com o Tom às vezes.
Bela's POV off
Sam's POV
Foi tudo tão rápido. A Bela saiu com o Tom, e logo depois, a Soph saiu com o Doug - éclaroqueelesvãosepegardaquiapoucomasémelhoreunãocomentarissocomninguém.
Obviamente, Lia não perdeu tempo e saiu com o Judd gostosão segundos depois. E quem sobrou? Um gorila albino que não sabe a raiz quadrada de 25, mas não deixa de ser incrivelmente sexy, e eu. Ficamos lá com cara de cocô analisando o estacionamento do Arancina, sem trocar uma palavra.
- Danny Jones? - escutamos uma voz feminina vindo de trás e olhamos.
- Oi! - respondeu, sorridente de um jeito que quase me fez suspirar.
- Eu sou sua fã. Eu te amo. - A menina, que parecia ter a mesma idade que a nossa, se declarou e aquilo me deixou... hum... como é que eu posso dizer? PUTA!
- Ah, obrigado! - ele agradeceu sem jeito e sorriu fofamente - Eu também amo muito todas vocês. São a nossa inspiração.
- Não. Você não entende. Eu não te amo do jeito que você me ama. Na verdade, você não me ama. Você nem me conhece. Mas eu te conheço, Danny, e eu te amo muito. Eu daria tudo pra ter um abraço seu. Eu sei que você ama suas fãs. Mas você ama um coletivo e não uma unidade. - a menina disse, e eu fiquei de boca aberta. CACETE, ALGUÉM TIRA ESSA MOCRÉIA DAQUI?
Se ela ainda fosse feia... Aí ajudaria. Mas não. Ela tem que ser peituda, bonita, popozuda, ruiva natural (pelo menos é o que parece) e ter dentes branco. E RETOS.
- Escuta, er... - ele começou a dizer, mas não sabia o seu nome, então ela o interrompeu e disse:
- Samantha. Mas pode me chamar de Sam.
OPA OPA OPA OPA OPA. PERA AÍ. JÁ É DEMAIS, NÉ NÃO? COMO ASSIM, "PODE ME CHAMAR DE SAM"? EU SOU A SAM! EEEEEU!
E PORQUE ELE A CHAMARIA DE SAM? ELES NUNCA MAIS VÃO SE VER MESMO!
Danny riu, achando aquilo a piada do ano. Há há. Olha como eu ri. Muito engraçada, essa.
- Então, Sam, acho muito legal tudo isso que você disse, e... Eu realmente gosto muito das minhas fãs mas nunca tenho tempo de falar com elas direito. Talvez o que você disse tenha sido a coisa mais legal que já ouvi de uma fã e eu agradeço muito por isso. Eu realmente me sinto muito... Feliz. Muito mesmo. - então ele puxou a garota para um abraço e a mesma soltou uma lágrima, agarrando o Danny com força.
- Você é o amor da minha vida Danny! - ela suspirou em seu braço e eu quase fui lá vomitar na cara dela, e sujar todo o seu cabelinho ridículo com resíduos estomacais menos nojentos que ela. - Ei, menina! - a lagartixa de privada ruiva me chamou e eu olhei com desprezo, murmurando um "hm" - pode tirar uma foto minha com o Dan? - perguntou, me estendendo uma câmera.
"não, sua vadia."
- Claro. - sorri falsamente. Peguei a câmera da mão dela e bati uma foto propositalmente tremida e tosca.
- Er... Não ficou muito boa, pode tirar outra? - FOLGADA DO CACETE.
- Olha, me desculpa, mas eu tenho impulsos nervosos na mão e eu fico tremendo compulsivamente. - mostrei minhas mãos tremendo fajutamente e ela fez uma careta esquisita.
- Tudo bem... Eu tento tirar. Obrigada. - ela respondeu e eu forcei um sorriso de novo. Danny se mantinha alheio como se tivesse achando aquilo tudo normal. Ele nem ligou pra minha mentira cabeluda.
A menina bateu a foto, depois Danny escreveu um testamento em um papelzinho minúsculo e deu pra garota, que foi embora saltitante.
- Você viu que maneiro? Ela também era Sam! - Ele disse empolgado.
- Vai. Se. Foder.
- Wooow. Cruz credo. Que bicho te mordeu?
- Nenhum. Vou pra casa. Tchau. - virei as costas e fui caminhando pra fora do estacionamento.
- Sam! Espera! - ele me gritou e eu virei pra trás. - Você não quer uma carona?
- Querer, eu não quero não, mas não to nem um pouco afim de pegar um táxi e acabar com meus trocadinhos, então, sim, aceito.
Já estávamos no carro, perto de casa, e até agora, só quem havia falado tinha sido o rádio.
- Sam... - Danny me chamou de repente.
- Quê.
- Por que nunca me contou? - ele parecia meio... Preocupado.
- O que? - não entendi.
- Por que nunca me contou do seu problema na mão?
- O qu... - ai. Meu. Deus. Santa paciência Divina, preencha meu ser. Por favor. - Danny. Você é um burro, jumento, anta retardada. - ele me olhou sem entender. Levei minha mão até a testa, e ponderei um pouco.
Ele era muito burro e merecia uma porrada. Dou porradas físicas ou colo uma foto do Danny num bob pra ficar dando porradas em casa?
- Seu animal, - comecei a explicar - eu não tenho merda nenhuma na mão.
- Você mentiu pra ela?
- ÓBVIO.
- Mas por que você faria iss... AAAAH! - ele pareceu perceber, e então eu me preparei para mais uma sacada idiota dele, que me faria ter vontade me jogar do quinto andar. - VOCÊ NÃO QUERIA TIRAR A FOTO! - que bom que ele foi menos burro do que eu esperava.
- É.
- Tava com ciúmes da Sam 2? - SAM 2? VAI À MERDA DANNY.
- Não!
- Tava sim que eu sei!
- Ok, eu tava. Mas e daí? Não vai fazer diferença. - eu disse, já tirando o cinto de segurança, quando percebi que seu carro já estava entrando na garagem do meu prédio.
- Sam, posso te dizer uma coisa?
- Não.
- Mas eu vou dizer mesmo assim. - o olhei esperando que ele falasse de uma vez, mas ele não o fez. Apenas ficou me olhando, como se fosse um truque sujo pra que eu me perdesse em seus olhos. Um truque sujo que estava funcionando.
- Fala logo, Danny. - bufei impaciente, quando saí do transe.
- Não quero mais falar, e sim fazer isso. - ele me puxou e me beijou violentamente.
E foi naquele momento que a Sam birrenta e infectada por glicose anal - popularmente conhecido como cu doce - saiu de mim, e uma Sam que tem vontade de devorar Dannys indefesos entrou no lugar dela.
Sam's POV off
Dougie's POV
- Está entregue. - disse, assim que parei na porta do prédio da Soph.
- Obrigada Doug. Estou te devendo mais essa. Na verdade, estou te devendo muitas, né?
- Um dia você me recompensa tudo. Não tenho pressa.
- Mas eu tenho! Nesse tempo que eu demoro, vai que você fica fazendo mais coisas por mim, e aí um dia só vou poder te pagar se eu vender a Inglaterra e te der o que foi arrecadado. - ela disse e eu gargalhei.
- Tudo bem, tudo bem. Então você pode zerar sua dívida comigo.
- Não... Também não quero parecer injusta. Pode pensar em alguma coisa e depois me diz o que é.
- Qualquer coisa do mundo?
- Desde que eu não corra perigo de ir presa.
- Aaaaah. Estragou tudo. - brinquei e ela soltou uma risada engraçada que me fez rir junto.
- Dougieee, eu tenho que ir. Tenho alguns trabalhos pra finalizar e é melhor eu fazer isso logo.
- Tá, bom. Até mais.
- Até mais. - ela me ia me dar um beijo na bochecha, mas eu virei bem na hora e... "ai, meu Deus, vocês se beijaram!", deve ser isso que você tá pensando, mas não. Ela acabou beijando meu olho e esmagando meus cílios, o que doeu e ardeu pra cacete.
- OUTCH! - resmunguei e ela colocou a mão na boca, espantada.
- Me desculpa!
- Tudo bem, nem doeu.
- Jura?
- Não. Doeu, mas já tá passando. - ela riu.
- Larga de ser frouxo, sua gazela! - ela me zoou e eu comecei a chorar. De mentira, claro. - Tchau, Doug, vai chorar com sua mamãe. E vê se coloca um colírio pra não ficar cego.
- Ok, vou fazer exatamente isso.
- Beijos... Na bochecha, dessa vez. - ela disse antes de deixar o carro e entrar no seu prédio.
Sorri sozinho, e depois dei partida no carro para ir pra minha casa e entrar no computador pra jogar Habbo online.
MENTIRA!
Vou pra casa pra fazer... Ah, sei lá, eu só vou pra casa.
Dougie's POV off
- Eu sei que você não pediu pra eu vir aqui por causa do trabalho de biologia. - disse, assim que chegamos na casa dela.
- É. Não foi... - ela parecia nervosa, o que, automaticamente, me deixava nervoso.
- O que houve?
- Sabe aquela hora em que eu passei mal no restaurante? - ela perguntou eu confirmei, murmurando um "uhum". Ela pareceu ponderar antes de continuar falando. - Naquela hora, eu meio que tive algo como uma visão. Como se eu tivesse... Lembrado de alguma coisa. Mas eu preciso saber, antes de conversar com o médico, se foi verídico ou se foi só fruto da minha imaginação maluca, e só você pode esclarecer essa dúvida, porque era você quem estava na "visão" - fez aspas com os dedos.
Pelo amor de Deus, que seja verídico! Que ela tenha lembrado!
- Pode falar.
- Olha aqui. Nem pense em ficar se achando se for uma coisa da minha imaginação, só porque eu estive pensando em você, ok?! - ela ameaçou e eu assenti com a cabeça.
Er, desculpa, Bela, mas não tem como eu não ficar me achando. Me desculpa.
- Tá bom, eu não vou. - menti.
- Certo. Bom, o que eu vi foi...
E ela contou.
Contou a cena em que ela se despiu na minha frente. A cena da tentativa de homicídio ao meu autocontrole.
- E então? Foi verdade? - perguntou ansiosa.
- Er... Foi.
- Então eu... Fiquei seminua na sua frente?
- Ficou.
- E o que você fez depois?
"ah, eu? Eu fiquei igual a um velho broxa babaca, e perdi a única oportunidade que eu tive de dizer que você é a garota mais bonita que eu já vi na minha vida, e ao invés disso, disse que seu corpo é normal, como se eu tivesse uma merda seca no lugar do cérebro. Foi isso que eu fiz. "
- Nada. - optei por responder apenas isso.
- Você ficou lá parado?
- Er... O que era pra eu fazer? - eu realmente queria que ela dissesse o que esperava de mim.
- Tudo menos ficar parado. Idiota.
- Você não sabe o aconteceu depois.
- E o que aconteceu depois?
Merda. Não era pra eu ter falado isso... Agora vou ter que contar essa bodega pra ela, como se eu não soubesse que ela teria vontade de me cortar com lâminas de barbeador, depois fazer uma mistura de suco de limão com álcool e sal grosso pra jogar nas feridas e nos meus olhos ao saber que...
- ... A gente se beijou. - me ouvi dizer, antes de raciocinar. Agora era tarde demais.
- A GENTE O QUE?!
- Se beijou. - repeti, como se aquilo não me fizesse ter vontade de vomitar minhas tripas. De nervoso, é claro.
- E-eu tava bêbada?
- Não...
- Você tava?
- Não.
- Eu tava sobre efeito de alguma droga, de algum remédio ou de ...
- Não, Bela. Você tava completamente sóbria.
- Você me agarrou, ou algo do tipo?
- Porra, NÃO! Óbvio que não! Que ideia! Dá você aceitar que foi por livre e espontânea vontade?
- M-mas...
- E, se quer saber, foi você quem me beijou. - informei, e sua expressão mudou de assustada para triste. Ela encarou o chão por alguns segundos. Também desviei meu olhar e acabei me perdendo em pensamentos. De repente, escutei um soluço baixo.
Olhei pro lado e vi que Bela estava... Chorando? Bela estava chorando?!
- Bela... O que houve?!
- Tom, pode sair daqui? - ela disse, limpando as lágrimas. Seu olho estava vermelho, assim como seu nariz. O rosto tava úmido e as sobrancelhas se uniam, enquanto enrugava-se, ficando franzida. Uma expressão realmente triste. Meu coração parecia dilacerado.
- Me diz o que aconteceu, eu...
- EU SOU UMA IDIOTA. VOCÊ DEVE ESTAR COMPLETAMENTE SATISFEITO COM SEU MAIS NOVO TROFÉUZINHO. NÃO SEI PORQUÊ EU SOU TÃO FRACA! Sai daqui, Tom!
Bela's POV
Eu sou realmente muito burra. Cometi duas vezes o mesmo erro. Eu me deixei levar por um desejo estúpido e acabei beijando aquele idiota.
Mas eu tava com tanta raiva de mim mesma... Com raiva por me importar em não lembrar daquilo. Eu queria me lembrar do beijo. Eu precisava. Aquilo estava me matando. Mas eu não podia simplesmente querer me lembrar do beijo. Eu não podia ter... Gostado. Será que eu gostei? Isso é tão confuso...
Eu estava chorando de olhos fechados e escutei a porta ser aberta e logo em seguida, fechada. Tom havia ido embora, então comecei a chorar mais. Chorei muito...
Eu, estranhamente, queria que ele me abraçasse e me consolasse.
Mas não foi o que ele fez. É claro que ele não faria isso. O que me dera para pensar em algo desse tipo?
Bela's POV off
Domingo foi um dia chato. Passou tão... Rápido. Não teve merda nenhuma pra fazer. Segunda feira foi igualmente chato. Fui completamente ignorado pela Bela na escola, o que deixava meu dia monótono e nebuloso.
No ensaio, só faltou eu babar em cima dela. Ela é perfeita demais.
Thalia a acompanhou e toda hora ficava trocando olhares com o Harry. Eles pensaram que nós não vimos, mas a gente só faltou linchar o Harry depois que elas foram embora. "Linchar" no bom sentido.
Nos ensaios não teve muita coisa - além de eu poder ver a pessoa mais perfeita do planeta cantando, e cantando junto comigo - porque a gente perdeu muito tempo decidindo a playlist. Seriam vinte músicas. A gente tocaria sete do McFLY, depois a Bela entraria pra cantar mais três músicas nossas junto com a gente. Aí, ela iria cantar três músicas dela, e a gente, McFLY, ia tocar. E pra terminar, tocaríamos sete músicas do Ordinary Fantasy. Conseguimos bastantes músicas. Foi ótimo. Seria perfeito se a Bela não estivesse tão desanimada.
Enfim. Ensaiamos na segunda, na terça, na quarta e hoje era quinta. O ensaio estava marcado para depois do almoço. Sam e Soph vinham.
Eram oito horas e eu estava chegando na escola. A primeira aula começava oito e meia. Só quem estava lá era o Harry. Estacionei no local de sempre, do lado do carro do Judd e caminhei até a entrada. Estava andando na direção dele quando uma louca, mais conhecida como Sam, passou correndo, gritando um "oiTomtôpassando!", e entrou no prédio.
Sentei do lado do Judd, num dos banquinhos que fica perto da árvore enorme, no pátio da entrada.
- E aí. - falei, e ele me ignorou. - Harry. - continuou ignorando. Ele estava com os fones de ouvido, batucando alguma coisa na perna, enquanto encarava o nada. Puxei os fones do ouvido dele e ele me lançou um olhar de vingador do futuro.
- PORRA.
- Bom dia, Margarida! - cumprimentei sorrindo, ignorando sua falta de alegria. - Você sempre chega cedo... - comentei.
- Também... Minha mãe vai no meu quarto quinze pras seis da manhã e fica falando no meu ouvido até eu acordar. Aí ela me obriga a levantar, tomar banho, comer, passar e engomar meu próprio uniforme, secar o cabelo pra não "pegar friagem" na rua senão posso acabar internado no hospital, no leito da morte, com uma pneumonia gravíssima. - Harry falou meio emburrado e eu ri.
- Sua mãe é ótima.
- Com certeza. Eu que o diga. - ironia detectada.
- Oi, maricas! - Danny apareceu do nada como se fosse um ninja.
Ficamos mais um tempo conversando aí o Dougie chegou com um caixa de sapato toda lacrada por fita adesiva e com alguns furos enormes em cima e nas laterais.
- O que é isso? - Harry perguntou enquanto o Dougie sorria com uma cara de "eu sou safado e trouxe um aparato maligno pra escola".
- É a minha mais nova iguana bebê.
- Você comprou uma iguana? - perguntei, e eu com certeza fazia uma cara esquisita.
- Comprei!
- Pra que serve ela? - foi a vez do Danny se interessar. Ele perguntou, esticando o pescoço com o intuito de tentar ver alguma coisa pelos buracos da caixa.
- Ela serve pra ter, né, idiota. - Dougie respondeu sem muita paciência e voltou a olhar pra sua iguana bebê.
Sam's POV
Eu queria ter chegado mais cedo na escola, mas a porcaria do Kaio ficou com preguiça. É que eu realmente precisava ter uma conversinha com a nossa amada diretora.
- Pode entrar. - a escutei dizer, e adentrei a sala.
- Olá, Sra. Paskin.
- Olá, senhorita Bradley.
- Posso conversar com você rapidinho? Prometo que vou ser rápida.
- Pode falar.
- Eu quero saber se, já que nós somos super amigas e tal, a senhora não pode me dar mais uma ajudinha naquele plano meu que eu comentei com você... - disse, e ela sorriu docemente.
Ninguém resiste à minha lábia. Ninguém. A ajudinha da Sra. Paskin tava no papo.
...
Sam's POV off
Thalia's POV
- Isso! - comemorei baixo, assim que ouvir o som do sinal que anunciava o intervalo.
Meu celular profissional estava vibrando loucamente desde que eu chegara na faculdade. Não via a hora do intervalo chegar pra resolver logo essa porcaria.
O número era desconhecido, então eu não fazia a menor ideia do que/quem podia ser.
- Alô, Thalia Hoppus?! - uma voz conhecida (não sei de onde) atendeu quase que instantaneamente.
- Oi, eu mesma! Com quem eu falo?
- Aqui é Henri O'Brian, organizador e produtor do Kids & choices!
- Oh, sim! Tudo bem, Henri?
- Tudo! Que bom que você atendeu! Estava desesperado para falar com você. Escuta. O Kids & choices desse ano vai acontecer daqui a dois meses e tem um espacinho no diário de programação destinado à nossa atração principal... E eu queria muito saber se a Bela aceita esse convite. Eu sei que está muito em cima da hora pra convocar, mas eu realmente gostaria que ela pudesse estrelar o evento...
- Hum, interessante vocês deixarem pra convocar a atração principal por último, com dois meses de antecedência.
- Eu sei, eu sei, e eu peço desculpas...
- Olha, Henri, é um ótimo convite, mas não sei se a Bela vai estar disponível. Esse ano ela está com a agenda saturada. Já é a segunda vez que avisam em cima da hora sobre um evento importante. Foi assim com a turnê do filme, e agora com o Kids & choices. Bom, fica realmente complicado encaixar algo assim.
- Eu entendo. É que, bom, não foi um erro meu. A equipe da produção montou toda a programação com todas as atrações, mas deixou um espaço para a atração principal desse ano, porque eles precisavam de alguém com uma playlist agitada e emocionante o suficiente. Aí, agora eles jogaram essa responsabilidade de última hora pra cima de mim, e estou me virando para resolver. A primeira pessoa que pensei foi na Bela, porque, além de tudo, sei que ela não tem essas 'frescuras de celebridade'... Enfim, me desculpa por tudo, mas eu gostaria muito que vocês aceitassem o convite.
- Ok... Vou checar a disponibilidade dela e depois nós conversamos. Te dou a resposta amanhã. Podemos almoçar em algum lugar.
- Podemos ir ao Skylon.
- Ótimo. Nos encontramos lá às duas.
- Tudo bem.
- Só me passa, por favor, os detalhes primários do evento.
- Ah, sim. Bom, esse ano o evento será em Paris. Vão ser nos dias 19 e 20 de dezembro. A Bela vai cantar duas músicas no dia 19 e fazer algumas apresentações. O Show vai ser no dia 20. Dia 21, será a visita ao orfanato sorteado.
- Hm. Ok. Está anotado. Até amanhã, Henri.
- Até, Thalia. - desligamos.
Eu, como boa conhecedora da minha amiga, sei que ela vai pirar quando ouvir isso. E que com certeza vai aceitar. O problema é que, se ela tinha planos de passar as festas de final do ano em Barbados com a família, como ela disse, o plano vai por água abaixo.
O intervalo passou tão rápido que nem deu tempo de eu comer. Voltei pra sala frustrada com isso, sentei nos fundos e abri meu caderno para começar a notar tudo que a professora falaria.
Thalia's POV off
Bela's POV
Hoje era um dia interessante. Eu, Sam, Danny e Tom tínhamos aula de Literatura no mesmo tempo, o que costumava ser legal. Exceto quando eu estava tentando evitar o Tom.
E, só pra piorar, hoje, antes da aula de Literatura, tinha aula de Educação Física, que também era junto com o Fletcher.
E lá estava eu, me trocando no vestuário feminino, colocando aquele shortinho minúsculo antes de começar a aula. Estava tudo mais ou menos tranquilo, quando comecei a escutar um burburinho. Saí da cabine em que eu tava pra ver o que estava acontecendo e dei de cara com ninguém mais, ninguém menos que... Katy Springs. A Katy que pega ou pegava o Tom.
- Bela! - ela exclamou sorrindo.
- Oi Katy! - forcei uma simpatia.
- Gostou de me ver aqui?! Mudei de prédio. A gente vai passar a se encontrar muito agora!
- Nossa, que... Legal!
- Muito, não é?!
- Hey, meninas! Venham pra quadra que a aula vai começar. - escutamos a professora chamar e todo mundo foi saindo. Fui atrás, quando senti uma mão segurar meu braço, me impedindo de continuar.
Olhei pra Katy, que me segurava com força e mantinha um olhar de cascavel do mal sobre mim.
- Er... Algum problema? - perguntei percebendo que estávamos sozinhas no vestuário.
- Sim. Na verdade, um grande problema. Sabe por que eu pedi pra diretora pra me trocar de prédio, Bela?
- Não. - me mantive indiferente.
- Porque o meu Tom veio pra cá também. E eu não quero saber de porcaria de história nenhuma em que ele esteja envolvido com alguma garota que não seja eu. Principalmente se a envolvida for você. E eu estou disposta a fazer TUDO pra não deixar isso acontecer, entendeu? Porque o meu Tom é MEU, e eu não sou de dividir minhas coisas. - ela informou com uma cara de lunática e eu soltei uma risada indiferente.
- Olha, Katy. Pode ficar tranquila quanto a parte que me toca. O seu Tom não corre risco de ter nada comigo. Nem se dê ao trabalho de se preocupar. - fiz o possível pra ter um tom de voz doce e bem distante do irônico e desagradável, porque eu realmente não tinha o intuito de irritá-la.
Me desvencilhei da encruzilhada em que ela havia me colocado entre os armários e seu corpo de palmito e fui andando novamente em direção à quadra.
Handebol. Eu amo handebol. Adoro toda aquela corrida, aquela movimentação, a troca rápida de passe. O handebol feminino da minha escola é bem legal. Talvez seja meu esporte favorito.
Os meninos estavam na arquibancada conversando. Ainda não era a hora deles entrarem na quadra, obviamente porque as meninas estavam jogando.
Enfim, Tom estava lá. Ele conversava com alguns meninos, mas sem tirar os olhos do jogo.
Tocaram a bola pra mim, e como eu sou bem rápida, disparei em direção ao gol. Quando cheguei na área, a barreira do outro time se formou e então me vi fechada. Optei por recuar o jogo, tocando pra Katy, que fez algumas firulas com a bola enquanto eu me aproximava novamente da área esperando que ela tocasse pra mim novamente, e eu arremessasse pro gol.
Foi quase o que aconteceu. Ao invés de tocar pra mim, Katy arremessou a bola em mim. E foi com tanta, mas tanta força, que a marca da bola ficou certinha na minha bochecha, e eu caí feito uma jaca podre no chão.
Humilhante.
As jogadoras meio que fizeram uma rodinha ao redor de mim e ficaram me encarando, talvez preocupadas, ou talvez só curiosas, e eu continuei lá com aquela cara de merda.
- Woops! - Katy piou como se estivesse arrependida de ter feito o que fez. Como se não tivesse feito de propósito - Desculpa, Bela. - ela foi completamente sarcástica.
- Er, não foi nada. Não tem problema. Foi só um acidente de jogo. Eu entendo. - Me levante sendo assistida por todos, e Katy prendia o riso, o que fez meu sangue ferver um pouco, mas... Nada que eu não possa controlar. Por enquanto...
- ELA O QUE?!
- Isso mesmo que você ouviu. Ela jogou a bola na minha cara. - eu e Sam sussurrávamos, enquanto a professora de literatura falava qualquer coisa sobre Shakespeare.
- E teve montinho nela?
- Montinho?
- É! Montinho de porrada!
- Não! Quer dizer, não que eu saiba. Depois que eu levantei, a professora me obrigou a ir à enfermaria pra colocar gelo.
- Nossa, eu iria enfiar a mão na cara daquela vadia, se eu fosse você. - ela disse rangendo os dentes e eu ri.
- Relaxa. Daqui a pouco ela desiste de implicar comigo. Ela só implica comigo agora por causa do...
- Com licença, Sra. Truscot. Posso interromper sua aula por alguns minutos? - a diretora perguntou, assim que entrou na nossa sala, interrompendo minha fala. Já sabíamos do que se tratava.
- Oh, claro, Sra. Paskin. - A professora respondeu sorrindo e Sam se mexeu nervosamente na carteira ao meu lado.
- Obrigada. Então, turma, vou ser bem breve porque eu ainda tenho muitas turmas pela frente. Vim avisar quais serão as duplas para o trabalho do ano. O resultado foi sorteado, hoje no período da manhã. Eis as duplas: Alicia Parks e Bruno Kurts. Steve Michell e Dalillah Benson. Jared Yarn e Beth Scchubach. Felicia Sheffield e Frank Jordan. Sammy Bradley e Ashton Müller. Kinna Robert e Fillip Owes. Daniel Jones e Breena Dallas. Thomas Fletcher e...
Bela's POV off
Não é possível. Eu não acredito nisso. Só pode ser brincadeira. Sim. Brincadeira. Como é que isso foi...?
- Tom. - Danny sussurrou. - Acho que isso quer dizer alguma coisa.
- Isso o que?
- Você e Bela no trabalho! Foi o destino que juntou vocês! - Será?
- Não viaja... - Falei sem nem saber se eu tinha certeza.
- Eu acho que é.
- Pra mim tanto faz. - menti. - Só sei que, mesmo se não for coisa do destino, é uma chance que eu não posso desperdiçar. Tô cansado de ficar me escondendo, cara.
- Isso aí, mano! - ele me incentivou, parecendo um rapper drogado.
-... e Ryan Welees. Essas são as duplas dessa turma. Qualquer coisa, é só passar na minha sala mais tarde, mas eu espero que não tenhamos problemas com as duplas. Afinal, são só trabalhos, não é mesmo? - a diretora sorriu - Obrigada. - disse, antes de se sair da sala.
- Isso vai ser uma merda. A Breena é minha dupla, cara, ela vai querer lamber o chão que eu piso.
- Ela já não faz isso não? - perguntei sério e ele soltou uma gargalhada exagerada.
- O bom é que eu vou ficar lá parado e ela vai fazer tudo pra mim.
- Bom? A Breena vai ser a parte inteligente do seu grupo e você acha isso bom? Tá ferrado... Na verdade, o seu grupo não tem parte inteligente.
- Vai se foder. - ele resmungou, mas acho que a professora ouviu, já que nos olhou feio.
O intervalo chegou e nós fomos para o refeitório. Harry e Dougie já estavam lá. Eu e Danny sentamos na mesa e todos esperávamos que Bela e Sam logo chegassem e sentassem com a gente.
O que não aconteceu.
- Tommyyy! - escutei a voz fina, ao mesmo tempo aveludada, e tão conhecida pelos meus ouvidos. Olhei, e vi Katy e sua eterna companheira, Janie, vindo em minha direção.
- Oi, Katy. - sorri.
- Nem deu tempo da gente se falar na educação física, mas agora a gente vai ter todo tempo do mundo nos intervalos. Fui transferida pra esse prédio! - ela disse animadamente e Janie só sorria e concordava com a cabeça.
Também sorri e ela sentou-se do meu lado, e Janie, entre mim e Danny.
- Não te largo mais, bebezinho! - ela brincou, agarrando meu braço, e eu ri. De novo. Não que eu tivesse muita vontade de ficar fazendo isso...
- E aí, Katy, conte as novidades. Como andam as coisas no outro prédio? - Harry puxou um assunto e todos na mesa começaram uma conversa animada sobre as diferenças entre o prédio que a gente estudava antes e esse prédio de agora.
Não percebemos o tempo voando. Quando vi, já estava na hora de voltar pra aula. Estrannho. A Bela e a Sam nem deram o ar da graça. Mesmo que a Bela tenha me ignorado esses dias, ela sempre aparecia pra comer com a gente. E, também não sei porquê a Sam não apareceu... Ela nunca deixa de vir.
Sophia's POV
- Chegueeeeeei! - avisei, assim que entrei no estúdio do Tom.
- Oi Soph! A gente já ia começando sem você! - Lia quase gritou, sorrindo.
- Dougie que quis te esperar. - Bela disse com aquela cara de "eu quero implicar com vocês", e eu pude sentir minhas bochechas corarem.
Assim com as dele.
Pera aí.
Então ele pediu pra me esperar mesmo?
- Vamos começar logo! - Tom pediu e Harry bateu as baquetas quatro vezes. A música começou sincronizadamente e eu percebi que era "I've got you". Só porque eu amo essa música. Mentira. Não é só porque eu amo. É que eu tava querendo dar uma de protagonista... Whatever. Bela cantou essa com eles e ficou meio... PERFEITO.
Depois eles cantaram mais um zilhão de músicas e finalmente pararam pra descansar.
- Preciso. De. Comida. - Bela informou e despencou no sofá, em cima de mim, da Sam e da Lia.
- Ai, sua vaca. - Sam reclamou e ela riu.
- Eu também preciso de comida. - Tom informou. - Vou lá na cozinha. Alguém acompanha?
- Não. Vai sozinho. Ninguém te ama. - Dougie disse com uma voz de Darth Vader e a gente riu da cara de sofrimento do Tom. Ele se virou cabisbaixo e seguiu pra cozinha.
- Vou atrás da comida. Não do Tom, mas da comida. - Danny falou antes de se levantar e seguir pelo mesmo caminho.
- Ah, quer saber? Eu admito. Sou gamado no Tom. Vou atrás dele. - Harry declarou e Dougie fez cara de ofendido. Aí os dois saíram do estúdio, deixando apenas nós quatro lá.
- Tá legal. Sam, pode ir falando porque você tá emburrada e calada. - quis saber, assim que percebi a "atmosfera pesada" do local.
- Não tô merda nenhuma. - ela resmungou em resposta e cruzou os braços.
- Tem certeza? - Lia perguntou, erguendo uma sobrancelha.
- Ai, porra. Se eu não falar vocês vão ficar enchendo meu saco, né?
- É. - eu e Lia concordamos em uníssono e ela bufou.
- É que hoje, na escola, eu e Bela estávamos indo pro refeitório e quando a gente avistou a nossa mesa, os meninos estavam lá, num super papo dez com as vadias da Katy e da Jenie, com quem o SENHOR JONES estava grudado. Porra, o Danny tava grudado com aquela biscate do demônio! Que merda! Ele não sabe que a gente tá ficando?! É escondido, mas a gente tá ficando! Merda. - ela disparou como se fosse uma metralhadora de palavras, esbravejando e gesticulando com raiva.
- Isso é ciúmes, então? - Lia perguntou.
- É!
- Ah, Sam. Relaxa. O Danny não vai pegar a sem-cérebro da Jenie. - tentei tranquilizá-la.
- Como se, pro Danny, cérebro fizesse alguma diferença. - ela resmungou e nós rimos.
- E você, Bela? Qual é a do bico? Tá enfezada também? - Lia perguntou.
- Ah! - Sam exclamou parecendo lembrar de alguma coisa - Hoje, aquela mocréia, mais conhecida como Katy, deu uma bolada na cara da Bela!
- Sério?! - eu fiquei bem surpresa. E com raiva. Ah, cara... A Belinha é minha neném! (mentira.)
- Aham! - Sam confirmou. - E não foi fraco. Foi a maior porrada. E a lerda aqui - apontou pra Bela deitada no colo dela - não fez porra nenhuma.
- O que você queria que eu fizesse?! Batesse nela e fosse mandada pra detenção? Aí depois alguém conta pra alguma revista de fofoca dessas e espalha pro mundo todo que eu bati na pobre garota que acertou acidentalmente a bola em mim, e pronto. Tô fodida.
- Concordo. Nem tudo no mundo é porradaria, Bradley. - falei.
- Aaaaah, mas nesse caso eu não me seguraria. Eu partia pra cima igual a um animal. - ela falou entre dentes.
- Depende de qual animal. Se você partisse pra cima feito um coala, não ia dar certo. - comentei e Bela soltou uma gargalhada alta.
- Nem foi engraçado. - Lia deu de ombros.
- EU ACHEI. - Bela gritou e nós demos um high five.
- MENINAS! - escutamos Danny nos gritar, provavelmente para que nós fossemos comer. E foi o que fizemos. Passamos a tarde conversando e depois cada um foi pra suas casas.
Hoje tive folga no trabalho, o que me deixou bem feliz.
Na verdade, hoje o dia estava sendo realmente maravilhoso. Na faculdade, só boas notícias. Folga, e um Dougie completamente cortês e carinhoso comigo.
Sim. Ele foi explicitamente fofo comigo hoje.
Fiquei a maioria do tempo envergonhada com as demonstrações de afeto dele, mas nada que eu não tenha gostado. Corrigindo: ... que eu não tenha amado.
Thalia's POV
Fui até a casa da Bela com ela pra que pudéssemos conversar com calma.
- Pronto, pode falar.
- Então.. Mais cedo, eu recebi uma ligação do Henri O'Brian e...
- AI MEU DEUS, O HENRI DO KIDS & CHOICES?!
- Isso, ele mesmo. E ele convidou você pra estrelar o evento esse ano.
- AI, MEU DEUS! QUE MÁXIMO!
- Eu sei, eu sei. Mas você sabe que o show é em Dezembro e nós já estamos em Outubro, não é?
- Lia, nós estamos no início de Outubro e o K&C acontece no final de Dezembro. Para de ser cri-cri. Pode falando pra ele que eu super aceito e que vai ser uma honra.
É, eu já sabia que ia ser assim. Eu já tinha ligado pra mãe dela mais cedo, que concordou e disse que não teria nenhum problema.
- Ok. Amanhã vou me encontrar com ele no almoço. - disse e ela começou a dar pulinhos engraçados na sala.
- Você vai se encontrar com o bonitão do Henriiiii! - cantarolou ainda pulando.
- Bela, para de idiotice. Não é esse tipo de encontro, e você fala como se você não tivesse que ir junto.
- Eu não vou coisa nenhuma! Não vou ser empata foda dos outros.
- BELA! Meu Deus, é uma coisa profissional!
- Para com isso, Hoppus. Você só tem 19 anos. Vai aproveitar a vida.
- Como se eu já não aproveitasse...
- Não acho que você aproveite tanto assim. - ela deu de ombros e se sentou no sofá, ligando a TV em seguida.
- Vocês acham que eu sou uma santa, né...
- Não, claro que não. Nós sabemos que você, de vez em quando, dá umas rapidinhas com uns caras aí.
- EU NÃO DOU UMAS RAPIDINHAS! - coloquei a mão no coração como se tivesse ficado ofendida.
- Nããããão, imagina. E eu sou neta da Beyonce.
- O que eu quis dizer é que eu não dou rapidinhas porque não sou mulher de rapidinhas. Sou mulher de "demoradinhas". - expliquei e ela gargalhou.
- Sua biscate! - ela xingou, rindo.
- Enfim, Bela. Amanhã, esteja no Skylon às duas.
- Não! Eu não vou, já disse que não vou e nada no mundo me fará colocar os pés naquele restaurante amanhã.
- Credo!
- Tô falando sério.
- Você é um vaca. E eu tenho que ir pra casa. Tenho dois trilhões de deveres de casa.
- Beleza. Também tenho umas coisas aí pra fazer.
- O que? - perguntei curiosa, porque ela nunca tem nada pra fazer fora da vida artística dela. Nem os dever de casa ela faz.
- Alimentar meu hamster, trabalho de geografia, ver TV e... dormir cedo para esquecer as mazelas.
- Ah! Falando em mazela... Eu queria mesmo conversar com você sobre hoje à tarde. - ela manteve os olhos na TV e apenas balançou a cabeça pra que eu continuasse. - Você acabou não dizendo porque tava triste. E nem vem dizer que não estava.
- Eu tava... Pensativa.
- Pensando em...?
- Na vida.
- Para de ser vaga.
- Ah, cara, eu tava pensando em... em... Sei lá! Tava pensando no Tom. - ela resmungou alguma coisa que eu não escutei.
- Em que?!
- noTom. - Falou um pouquinho mais alto, mas eu continuei sem escutar.
- EM QUE?!
- NO TOM, CACETE.
No Tom?!
- No Tom?!
- É...
OK, ISSO FOI ESTRANHO.
Pra mim, Tom era um pensamento proibido na mente da Bela. Algo que não merecesse nem ao menos um segundo de 'devaneio'.
Se bem que...
- Bela? Posso te perguntar uma coisa?
- Não. - ignorei sua resposta:
- Você acha que, por algum motivo, você possa estar gostando do Tom?
- É O QUE? PIROU?
- Não. Eu só... especulei.
- Especulou beeeeeeeeeem errado. Muito errado. Muito mesmo.
- Hum... Não sei não. Às vezes eu acho que, se você abrisse mais os seus olhos, enxergaria além.
- Er... É. Amanhã ligaremos para uma clínica de reabilitação mental pra te internar, amiga, não se preocupe.
- Ha-ha. Muito engraçado. Enfim, fica a dica, bebê. Tenho que ir agora.
- Ok. Erm... Lia...
- Oi.
- Não conta pra ninguém essa coisa do Tom.
- Mas por que mesmo você estava triste hoje? - perguntei, já perto da porta e ela engoliu seco.
- Não sei... Eu só... estava triste. - me aproximei novamente dela e dei-lhe um beijo na testa.
- Sabe que pode conversar tudo o que quiser comigo, não sabe?
- Sei. Obrigada Lia.
- Nada, bebezinha. - disse, indo até a porta. Joguei beijos no ar, antes de sair, e ela os pegou, colocando no decote e eu gargalhei, fechando a porta em seguida.
A Bela, apesar de não esconder muitos segredos da gente, é uma pessoa bem misteriosa. A gente sabe que não conseguimos esconder coisas muito tempo umas das outras, mas eu sempre tive a impressão de que as histórias da Bela têm uma raiz muito profunda, a qual não conhecemos, e, sinceramente, não tenho certeza se vamos chegara a conhecer ou entender...
Thalia's POV off
Harry's POV
Eu estava na casa do Tom quando recebi uma mensagem.
Era da Lia. Sorri antes de abrir e ler.
" Precisamos nos encontrar pra ver como vai ser o nosso "término". Já tem duas semanas, não é? Hahahaha, até que não foi horrííííível. Me liga assim que puder pra gente resolver logo isso. xxx Lia "
O sorriso foi embora tão rápido quanto veio.
Por algum motivo, aquilo me desagradou muito.
Eu estava gostando mesmo de ter que levar a Thalia sempre lá em casa e ficar horas trancado no quarto com ela, mesmo que a gente só jogasse conversa fora.
Eu estava gostando de ter que ficar passeando com ela, e ter algum motivo pra poder segurar sua mão e a abraçar.
Eu não queria que aquilo acabasse. Não podia acabar. Eu não ia deixar acabar.
" Me encontra amanhã, no almoço. Pode ser no parque, em frente ao lago, naquele mesmo banquinho que a gente sentou da última vez. "
" Foi mal, Hazz, amanhã nem dá. Vou me encontrar com o O'Brian no almoço! UHUUUUL! Pode ser no Sábado? "
ELA IA SE ENCONTRAR COM QUEM?! PUTA-QUE-PARIU. AH, NÃO. NÃO MESMO. NÃO VOU DEIXAR.
- O'Brian... - murmurei com raiva.
- O que? - Danny perguntou, parando de beber seu leite.
- Nada não. Tenho que ir galera, até mais. - avisei, e fui correndo pra minha casa.
Harry's POV off
- Ai, Tommy... Como eu senti saudades desses nossos beijos. - Ela resmungou com a boca colada no meu pescoço e eu tentei sorrir. Deu certo.
Pigarreei antes de mentir:
- Também senti, Katy... - disse e ela mordiscou de leve meu pescoço.
A gente estava na escola, num dos nossos intervalos que coincidiam, e a gente acabou ficando de novo. Sei lá como foi que chegamos até esse ponto, mas simplesmente aconteceu.
A frustrante verdade era que, depois de ter beijado a Bela, nada mais poderia me agradar senão ela.
Bela's POV
Eu não comi nada até agora, estou morrendo de fome (e um pouco zonza também...). A próxima pessoa que passar por mim, vai ser sequestrada e usada de alimento por m...
- Acho que te amo, Thomas Fletcher! - o ar ao meu redor começou a sumir. Minha boca ficou seca e eu tentei me mover, mas minhas pernas não deixavam.
O vi sorrir. Depois ela o beijou novamente.
Eles estavam abraçados, trocando carinho num dos cantos escuros da biblioteca.
Eu não sei como eu havia chegado até ali, mas só sei que cheguei, e assisti àquela cena... nojenta. Sim, nojenta, porque me deu náusea. Uma forte e incontrolável vontade de vomitar, e gritar, e chorar, e sair correndo até Katy, puxá-la pelos cabelos e gritar na cara dela que era pra ela ficar longe do Fletcher.
Não consegui controlar. As lágrimas vieram, e vieram com força. Tive que pregar os olhos com toda força para que o grito não escapasse da minha garganta. Tava tudo silencioso demais e eles certamente me escutariam se eu o fizesse.
Meus joelhos estavam cedendo ao meu peso e eu, por um momento, pensei que fosse desmaiar ali mesmo, já que comecei, realmente, a passar mal.
"Não seja ridícula e fraca, Isabela, não vai cair aqui por causa de uma coisa idiota."
Tentei dizer a mim mesma, mas foi inútil. Eu estava realmente mal. Senti dois braços, me envolverem com carinho e quando olhei pra ver quem era, vi Sam com cara de pesar.
- Vem, Bela, vamos sair daqui. - ela disse com a voz calma, como um consolo. Mas minhas pernas estavam cravadas no chão, e eu não tinha mais senso de direção.
E, bom, eu me desequilibrei. Tive que me segurar numa das estantes para não cair, o que fez barulho. Não tão alto, mas perfeitamente audível.
- AI, MEU DEUS! BELA! - escutei Sam gritar, apesar de não conseguir enxergá-la. Estava zonza demais pra isso.
Eu não ia desmaiar. Não podia. Simplesmente não podia.
- BELA, TÁ ME OUVINDO?! - ela gritou, segurando meu rosto meio desesperada. Eu estava, e murmurei um 'uhum' sem muita força pra ela não enlouquecer. Já estava jogada no chão, e escutei mais passos apressados.
- BELA! - e então estremeci ao ouvir aquela voz. - O QUE HOUVE, SAM?!
- EU NÃO SEI, ACHO QUE ELA TÁ DESMAIANDO! TOM, ELA NÃO PODE MORRER! - Sam gritou desesperada e eu tive que rir (pois é, até nessas situações ela me faz rir).
- Cala a boca e me ajuda a levantar, Sam. - reuni forças pra dizer, mas minha voz saiu muito falhada e não tive certeza se ela ouviu.
- Bela, consegue levantar? - ela perguntou, carinhosa. Certamente não havia escutado o que eu acabara de falar.
- Acho que sim. - menti. Eu não tinha força o suficiente para aquilo e sabia disso.
- Eu te ajudo. - Tom me segurou, me ajudando a levantar.
- Para de chorar! - Sam pediu, limpando algumas lágrimas, e só então eu percebi que eu ainda estava chorando compulsivamente, mesmo sem sentir.
- O que houve aqui? - a voz chata, irritante, nojenta, enjoada e fina da Katy ecoou em meus ouvidos e eu senti um arrepio ruim percorrer meu corpo.
- Nada. - eu disse - Foi só um... susto.
- Susto? - Sam perguntou.
- Aham. Um susto. Um susto horrível. - murmurei pra mim mesma.
- O que houve, Bela? Para de chorar. - Tom perguntou, e então pude ver que quem estava me mantendo de pé eram os braços do Tom ao redor do meu corpo, então eu o abracei involuntariamente. Foi como um instinto. Quase sem querer. Na verdade, completamente sem querer. Porque eu realmente não queria.
- N-não consigo. - resmunguei com a voz embargada, sentindo seus braços me apertarem mais. Solucei algumas vezes antes de começar a conseguir me recompor.
Depois de alguns segundos, fiquei de pé com minhas próprias forças e sequei minhas lágrimas com certa brutalidade. Senti raiva por ter parecido tão fraca na frente deles. Sabe, eu posso ser fraca. Tenho todo o direito. Desde que eu esteja sozinha no meu quarto, e só minhas pelúcias e minhas comidas compartilhando desse momento. E talvez eu também abra uma exceção para TV e computador.
Pigarreei antes de falar.
- Vamos Sam, daqui a pouco temos aula. - ajeitei meu uniforme.
- Claro. - ela segurou meu braço como se quisesse ter certeza de que eu não iria cair novamente, e fomos caminhando para a saída da biblioteca.
- BELA - o escutei me chamar e hesitei antes de virar pra trás e encarar sua expressão confusa e preocupada. - Por favor... - ele se aproximou de mim - Vai pra enfermaria. Por favor, estou pedindo.
- Não precisa, Fletcher, eu estou b...
- Vai. - ele me interrompeu. - Só... Vai, por favor.
- Pode deixar que ela vai por bem ou sendo arrastada pelos cabelos, Fletcher. Deixa que dela, cuido eu. Pode voltar para a sua biscate e termine o que estava prestes a fazer. - Sam falou com bastante raiva depois laçou-lhe um sorriso falso e curto.
Quase voei no pescoço dela por ter falado aquilo. O que ela pensava que estava fazendo?! Quero dizer... O que ela estava querendo dizer com aquilo?!
E... Até onde ela sabia do que se passava dentro de mim?
- Vamos no banheiro... - cochichei assim que ganhamos uma boa distância do Fletcher.
- Ok. Mas depois, enfermaria, tá bom? - ela barganhou e eu assenti com a cabeça, apesar de já estar me senti melhor quanto ao meu mal-estar.
Bela's POV off
Sophia's POV
- Hum, Dougster, você não deveria estar na escola?
- Você não deveria estar na faculdade?
- Como você sabia que eu tava aqui?
- Não sabia. Eu vim até aqui, aí te achei.
DESTINO-NO-NO-NO.
- Wow.
- Acho que o mundo está conspirando a nosso favor, não acha? - ele perguntou olhando pra mim por baixo de seus óculos escuros.
- Hum, pode até ser. - dei de ombros.
Tudo fingimento. Até parece que eu tava realmente indiferente. Ha-Ha.
- Se o mundo está a nosso favor, por que a gente não honra logo os trabalhos dele? - ele perguntou, e por um momento pensei estar entendendo errado?
- O qu...
Eu ia perguntando quando fui surpreendida por um beijo.
Um beijo.
UM BEIJO.
CACETE, UM BEIJO DO DOUGIE POYNTER. NA BOCA.
Voltando tudo. Hoje eu acordei. Aí não quis ir pra faculdade. Sei lá, bateu aquele feeling de matar aula, sabe? Mas como eu já tava acordada, vim para a praça perto do meu apartamento.
Estava aqui, meditando, quando senti alguém sentar do meu lado. Olhei pra ver quem era e me deparei com Dougie. Trocamos um sorriso breve depois ficamos simplesmente sentados encarando o horizonte, apenas curtindo a presença um do outro.
Aí, do nada, me bateu a vontade de escutar sua voz, então comecei com aquele diálogo.
E agora, aqui estou, numa sexta-feira, de manhã, na praça Oshville, beijando - eu disse bei-jan-do - o Dougie - eu disse Dou-gie.
A princípio, levei um belo de um choque quando nossas bocas se encostaram abruptamente e simplesmente demorei alguns segundos para processar o havia acabado de acontecer. Só então abri minha boca deixando sua língua adentrá-la, e todo aquele calor invadir meu corpo e entorpecer cada célula.
Nossas línguas faziam movimentos circulares não muito sincronizados e a sensação de que meu coração rasgaria meu peito a qualquer momento apenas aumentava - o que eu achava impossível. Senti sua mão encostar em minha nuca, trazendo meu rosto mais pra perto do seu.
O beijo não se intensificou. Apenas manteve o ritmo lento e calmo. Sem afobações, sem desespero, e sem vontade de sexo.
Mentira. Tinha uma pequena - bem pequena - vontade da minha parte, mas fora isso, nada que nenhuma criancinha não pudesse ver.
Sophia's POV off
- Toooooooooom! TOM! - Danny gritou sacudindo a mão na minha frente. - A aula já acabou, cara! Vai ficar aí parado mesmo?!
- Er... Eu não tinha percebido.
- É, tô vendo. O que deu em você?
- Nada, cara... Nada.
- Hum. Que aula você tem agora?
- Biologia.
- Ih, a Katy e a Bela também estão nesse horário, não estão? - ele perguntou animado.
Puta merda.
- É, estão. - falei sem a menor paciência.
- É sério, Tom, o que houve com você? - ele parecia preocupado, dessa vez.
- Nada. Não foi nada. - Falei, antes de me levantar e sair apressado em direção a qualquer lugar que não fosse a aula de biologia.
Bela's POV
Cheguei um pouco atrasada na aula de biologia, afinal a enfermeira me alugou durante dois séculos, pra depois falar que não havia nada demais comigo. Só falta de comida (o que eu resolvi bem rápido, passando na cantina).
Ótimo.
O estranho foi que Tom não apareceu por lá.
Nem Katy.
Isso não foi só estranho. Isso foi... horrível. Era sufocador, pra mim, imaginar toda aquela cena que vira mais cedo.
A vontade de chorar voltou e eu me senti ridícula. Assim que a aula acabou, fui correndo para único lugar que meus pés podiam me levar. O único que eu sabia que serviria para alguma coisa.
O lugar mais ridículo e deplorável e vergonhoso e sem sentido e estranho do mundo: sala do psicólogo.
- PAUL. - ele quase pulou da cadeira, assim que eu abri sua porta (sem bater), exclamando seu nome.
Só então chorei. Sentei na cadeirinha que eu costumava sentar e chorei, chorei, chorei e chorei. Fiquei um bom tempo chorando até que me bateu aquele senso de 'semancol' e eu parei de chorar (tive que fazer um esforço enorme, se quer saber). Limpei as lágrimas que pareciam corroer minha pele e o encarei.
- O que houve? - perguntou preocupado.
- O T-Tom... - disse, ainda me recuperando do pranto.
- Se acalma, tá? Está tudo bem...? - assenti com a cabeça. - O que aconteceu, afinal?
- Paul, quando a Katy se mudou para esse prédio... - fiz uma breve pausa e raciocinei. - Sabe quem é a Katy?
- Katy Springs do terceiro ano B?
- Sim. Na verdade, é terceiro ano A. Ela está nesse prédio agora.
- Hm... - ele murmurou. - E o que tem ela?
- Ela não vai com a minha cara. Na verdade, ela me odeia. E eu não estou brincando. Na aula de educação física ela me acertou uma bolada no rosto, e ainda quase me ameaçou de morte se eu chegasse perto do Tommy - debochei - dela. Mas até aí, aquilo não tinha me incomodado nem um pouco, até eu... - funguei tentando não voltar a chorar igual a uma babaca. - Até e-eu ver os dois se agarrando na biblioteca.
Paul me olhou com ternura e respirei fundo antes de continuar:
- Aquilo me fez tão mal que eu cheguei a... quase desmaiar. E fiquei passando mal de verdade. Com enjoos e essas coisas.
- Como você se sentiu, exatamente?
- Sinceramente? Eu me senti traída. Eu me senti idiota, inválida, ignorada, inútil. Senti como seu eu fosse uma saquinho de merda boiando no esgoto. E ainda teve o episódio do final de semana.
- Que episódio?
- Você sabe que estávamos bem, não sabe?
- É, sei.
- Pois é, estávamos ótimos, até que eu tive meio que uma lembrança da semana que eu perdi. - ele ergueu as sobrancelhas. - Lembrei de uma cena em que nós... - Está certo, não vou contar que eu me despi diante do Fletcher pro Paul. Não mesmo. - estávamos juntos e eu meio que o provoquei. Depois o Tom me disse que a gente se beijou e dormimos juntos, no bom sentido. Eu fiquei desesperada, Paul. Me senti tão... Burra por ter me deixado levar... Sabe? Como se o passado não importasse. Tá certo que eu tenho que acreditar que ele mudou, ou pelo menos tentar acreditar, mas eu não vou me atirar nos braços dele só porque eu... - e então percebi o que eu estava prestes a dizer.
- Ainda é apaixonada por ele. - Paul concluiu, completamente seguro.
- V-você acha que...?
- Bela, tire suas próprias conclusões agora: Ninguém te conhece melhor do que você mesma. A partir de quê você sentiu a vontade de ficar com ele? A partir de quê você se sentiu tão mal quando o viu com outra menina? E por que você desistiria tão fácil de uma paixão supostamente não-correspondida?
- Porque ele me humilhou.
- Não é esse o ponto. O que estou querendo dizer é que os fatos não formaram motivos o suficiente para você deixar de gostar dele. Você, involuntariamente, ainda não deixou de amá-lo.
- Não pode estar acontecendo isso comigo agora, Paul. - me lamentei enterrando a cabeça na mesa e suspirando pesadamente.
- Está acontecendo desde que vocês se conheceram, pequena.
- Por favor, me diz o que eu faço. Pelo amor de Deus, eu preciso de um conselho. Por favor...
- Vou propor uma coisa. Nada de ignorá-lo ou ficar deixando que as mágoas do passado assolem a relação de vocês dois a partir de agora. Seja o que for que aconteça, você vai esquecer que aquela situação toda um dia aconteceu. Simplesmente não a deixe voltar à tona. E recomece sua amizade com o Tom. Cative, construa alicerces. Trate-o como você o tratava antes. Esse é o meu conselho. E acredito que isso possa ajudar, Bela.
Ponderei.
Será que isso vai dar certo mesmo? Eu estaria disposta?
- Mas e a Katy? - isso me preocupou por um momento.
- Simplesmente garanta uma relação saudável com o Tom, que ela se tornará inofensiva. O que vier dela não lhe atingirá, e nunca tente atingi-la.
Respirei fundo.
- Tudo bem. - disse, por fim. - É isso que eu vou fazer. - ele sorriu orgulhoso, e eu me levantei, de cabeça erguida. - Obrigada, Paul. Você sabe que eu te amo, né? - ele gargalhou.
- Sei sim.
Dei-lhe um beijinho e saí de sua sala. Era a hora da saída. Muitos alunos ainda circulavam pelos corredores, e tive sorte de ninguém me ver saindo da sala do Paul. Subi as escadas apressada.
Meu Deus, eu gosto do Fletcher? Eu amo o Fletcher?
Bela's POV off
Thalia's POV
Escolhi uma roupa com calma, tomei um banho com calma, escovei bem os cabelos, e depois os sequei com o secador, tentando deixá-los um pouco diferente do de sempre. Não funcionou muito bem, mas dane-se. Vai ficar assim mesmo.
Fiz uma maquiagem leve. Quer dizer... De aparência leve, porque o que eu taquei de base, pó, sombra, corretivo, creminho, lápis, rímel, batom cor-de-boca 24 horas, e variantes, não me permitiria dizer que minha maquiagem foi algo leve.
Mesmo assim, consegui fazer com que não ficasse aquele aspecto horrível de "oi, tá na cara de que eu coloquei trinta e três quilos de maquiagem na minha face só pra tentar ficar gatinha".
Qual é? Eu tinha que ficar gatinha mesmo! ERA O HENRI O'BRIAN. E ele sempre está gatinho. Isso é um fato.
Coloquei meu vestido branco, com uma carteira marrom(#), e uma sandália(#) de salto também marrom. Eu estava casual o suficiente para almoçar num lugar como Skylon.
É. Acho que estou legal.
Quando fiquei pronta, percebi que era uma da tarde.
Harry's POV
- BELA!
- AH! - ela gritou de susto - Fala, criatura!
- Eu preciso que você me diga uma coisa muito urgente.
- Fala logo!
- Onde e que horas a Thalia vai almoçar com o O'Brian hoje?
- Pra que quer saber?
- Eu preciso! É pra... pra... - engoli seco. PENSA, HARRY. - Pra eu poder buscar ela depois. A gente combinou de passar lá em casa depois que ela saísse do almoço, mas não sei onde é e nem que horas ela vai estar lá, e também não consigo fala com ela pelo telefone. - Fui bem convincente com a mentira. Eu acho.
- Hum. Bom, que eu saiba, era no Skylon, daqui a dez minutos.
- VALEU! - disse, virando as costas e disparando até a saída da escola. Mais precisamente, até o meu carro.
Thalia's POV
- Oi!
- Olá, Thalia! Nossa. Wow. - ele resmungou, me olhando de cima à baixo. Corei. - Você está... Fantástica.
- Obrigada. Você também. - sorri, sentando na cadeira que ele puxara para mim.
- Como está?
- Muito bem. E você?
- Atolado, mas também estou bem.
Henri estava sendo impecavelmente gentil, e encantadoramente bonito. Aquilo não parecia mesmo uma reunião de negócios. Era um fato que, se Bela estivesse aqui, não seria a mesma coisa. Não estou dizendo que ela faria desse encontro, uma reunião séria. Não mesmo. Só estou dizendo que não seria exatamente esse tipo de encontro que estaríamos tendo agora.
Pedimos nossas comidas e bebidas, e começamos um assunto aleatório. Confesso que eu... Eu... Eu não parava de fazer charminhos e caras sensuais para o Henri. Pronto. falei.
Harry's POV
- Qual mesa o senhor gostaria, sr. Judd?
- Er... - avaliei o salão até que encontrei a mesa perfeita. Dava pra ver os dois bem de perto, e talvez até ouvi-los, se eu me esforçasse. Além disso, acho que estou discreto o suficiente pra Thalia não me ver. - Aquela mesa ali. - apontei e a mulher sorriu, me levando discretamente até a mesa desejada.
Sentei-me e peguei de imediato o cardápio, abrindo-o de forma que meu rosto fosse parcialmente escondido.
- Vou dar uma olhada no cardápio e escolher alguma coisa. Por enquanto eu aceito um suco de abacaxi com hortelã. - falei, dispensando cerimonias e a mulher sorriu, anotando meu pedido em seu palm top e logo depois se retirou.
Suco de abacaxi com hortelã? Desde quando fiquei tão veado?
Thalia's POV
Gargalhei. De novo. Eu já tinha feito isso umas quinhentas vezes. Isso porque Henri era realmente uma pessoa muito divertida. A gargalhada foi morrendo aos poucos e um "silêncio" (se é que podemos chamar assim, enquanto estamos no meio de um restaurante relativamente cheio) tomou conta do nosso encontro.
E então eu lembrei.
Não estamos num simples encontro. Estamos a trabalho.
E, parecendo ter poderes telepáticos, Henri cortou o silêncio com a seguinte afirmação:
- Você me deve uma resposta.
- Hm, é. - sorri e ele retribuiu.
- E então? A Bela vai ou não estrelar o Kids & Choices? - ele perguntou, ansioso, e eu o olhei fazendo uma cara misteriosa.
Fiz um pouco de suspense engolindo alguns goles do meu suco de abacaxi com hortelã e lançando alguns olhares duvidosos. Pigarreei antes de dizer:
- Sim. Ela vai.
Henri abriu um enorme sorriso que me fez sorrir também.
- Obrigada, Lia! Muito obrigada! - ele agradeceu, colocando, com delicadeza, sua mão por cima da minha que repousava sobre a mesa. Aquele ato me fez ter um leve arrepio na região da nuca, e com certeza, minha bochecha corou. - Eu sabia que vocês não iriam me decepcionar.
Harry's POV
O que aquele retardado mental pensa estar fazendo? Quem é aquele filho de uma leitoa fedida pra ficar segurando a mão da Thalia assim? A GENTE AINDA NEM TERMINOU, PORRA.
Eu vou enfiar a mão na cara daquele veado. To dizendo. Não vou me controlar.
Pra piorar, a Thalia ria de tudo que ele falava igual a uma hiena com cólera. Como se aquele homossexual fosse capaz de ser tão engraçado quanto eu.
E POR QUE BODEGAS ELA ESTÁ FICANDO VERMELHA? O QUE AQUELE MERDA ESTÁ FALANDO PRA ELA? Ah, não. Eu devia ter escutado o Danny, pelo menos uma vez na vida, e ter colado escuta na bolsa das minhas namoradas.
Não que ela fosse uma namorada oficial, mas e daí? Namorada é namorada.
- Sr. Judd?
- Oi. - desviei o olho da mesa da Lia por um segundo, olhando para um homem (provavelmente, garçom) que trazia o meu suco numa bandeja.
- Seu suco. - ele colocou o copo devidamente ornamentado sobre a mesa, e eu agradeci com um movimento suave de cabeça e um sorriso forçado, voltando a olhar pra mesa dos dois pombinhos (sim, pombinhos, porque pombos são fedidos, sujos, feios e cheios de doenças).
Não que a Lia fosse feia, ou cheia de doenças, ou tenha qualquer outra característica de pombo. Mas eu to com raiva dela, então foda-se.
Thalia's POV
- Eu confesso que, bom, eu estava com um pé meio atrás pelo fato da Bela estar aceitando esse convite, assim, sem nem pensar muito, mas ela tá na idade disso mesmo. Curtir e aproveitar. Foi a mãe dela que disse isso, e eu concordo plenamente.
- Hm, você fala como se você não estivesse na idade de curtir também. Quantos anos você tem, afinal? Dezoito?
- Dezenove.
- Wow, Thalia, essa é a idade perfeita pra curtir e aproveitar. Pare de falar como se fosse uma velha.
- Você tem quantos anos?
- Chegando nos trinta.
- Tipo o que? Vinte e sete?
- Vinte e nove.
- Hm, literalmente chegando nos trinta.
- Pois é. - ele riu.
- Mas nem parece. Quero dizer... Você parece ser bem mais novo. Te daria uns vinte e três. Sério mesmo. - Fui sincera.
- Nossa! Obrigado! Revigorante escutar isso de uma menina como você.
- Obrigada. - sorri, envergonhada. De uma menina como eu? Uuuuuh, acho que gostei de ouvir isso, hein...
- Sabe, a gente deveria sair mais vezes. - Uuuuuuuuuuuuuh, gostei mais ainda disso.
- É, deveríamos.
- Que tal a gente se encontrar sexta que vem também?
- Hum, seria ótimo.
Harry's POV
O que deve ser agora? O Don Juan recitou uma jura de amor pra ela?
Argh. Isso está sendo, no mínimo, desgastante.
Mas vou ficar até o final. Não quero perder um suspiro sequer.
Na verdade, espero que não tenho nenhum suspiro.
Fiquei observando-os por quase uma hora. UMA HORA INTEIRA VENDO A THALIA COM OUTRO CARA E COMENDO LAGOSTA. SOZINHO. Muito legal.
E então, os dois finalmente decidiram ir embora. O'Brian pagou a conta, o que já era de se esperar, e levantou-se ao mesmo tempo que ela.
O problema é que eles pareciam íntimos demais. E eu não estou exagerando. A troca de olhares era... Ridiculamente intensa. Parecia que, a qualquer momento, ele iria pular em cima dela como um animal.
E isso me fazia querer pular em cima dele como um animal. Não com as mesmas intenções, é claro.
Eu já tinha pedido a conta e já havia pago meu almoço. Decidi não levantar junto com eles ou Lia podia me ver. Ou qualquer outra pessoa gritar "EI, AQUELE NÃO É O BATERISTA DO MCFLY?", e aí a Thalia invadiria a cozinha pra pegar uma faca e um pouco de fogo pra me torturar.
Mas logo quando eles chegaram até a porta de saída do restaurante, e iam se cumprimentar, uma bola gorda entrou na minha frente, e eu identifiquei essa bola como sendo uma velha obesa com cara de cu de elefante. Essa maldita velha me impediu de ver A HORA H! COMO EU IA SABER SE ELES SE BEIJARAM OU NÃO? PUTA MERDA.
Só sei que eu fiquei irado. Ainda mais porque, quando a velha saiu da frente, O'Brian já tinha ido embora, e eu pude ver através das portas de vidro, que Thalia se encontrava estática, atônita, encarando o nada, com uma cara de "olha como o que acabou de acontecer foi lindo!" e, pra arruinar de vez a minha raça, ela ainda estava com as duas mãos sobre o coração. Depois foi saltitante em direção ao estacionamento. Pra mim isso significava duas coisas. Um: eles haviam se beijado. Dois: Eu estava perdendo Thalia para Henri O'Brian.
MEEEEEEEEEEEERDAAAAAAAAAAAAAA!
Thalia's and Harry's POV off
Danny's POV
Eu fui praticamente obrigado a ir para a casa da Georgia. Ela disse que estava com saudades, e eu não podia ignorá-la de novo.
Perguntei pra Sam se estava tudo bem se eu fosse ver a Georgia e ela respondeu exatamente isso:
- Faz o que você quiser da sua vida. To pouco me fodendo para aquela corna loira. Desde que você não me largue por causa dela e não diga que a ama, eu deixo você dar uma visitinha no presépio dela.
- AMOOOOOOOOOR! - ela pulou em cima de mim assim que abriu a porta! - Ai, eu amo o uniforme da sua escola, mozinho. Você fica tão fofinho! - sorri forçadamente e beijei sua bochecha.
- Tudo bem?
- Tudo, e você, bebê?
- Tô bem. Er... Georgia, não vou poder ficar muito tempo. Daqui a pouco tenho ensaio com os caras e com a Bela.
- Bela, Bela, Bela, Bela, Bela... Nossa, tudo ela. Toda vez que você não pode me ver, é culpa dela. To começando a ficar com ciúmes, Dan.
- Não fica com ciúmes da Bela, Georgia. Isso já é ridículo. Eu a conheço a bem mais tempo que conheço você e eu sempre fui amigo dela. Não é agora que isso vai mudar. - desculpa aí a grosseria, mas é que eu não tenho mais a mesma paciência com a Georgia.
- Ai, credo, Danny. Tava brincando. Eu hein.
- Desculpa.
- Tudo bem, meu amor.
Ficamos conversando sobre alguma merda desinteressante, até que ela decidiu colocar um filme pra gente ver. Fomos até o quarto dela, e deitamos juntos na cama. Até aquela hora, só havíamos trocado alguns selinhos, e eu sabia que ela já estava se incomodando com aquilo.
- Amor... - ela miou e eu murmurei um "quê" em resposta. - To com frio. Me esquenta?
- Er... - que vontade de dar um fora... - Ah, Georgia, eu também to com frio... - tentei parecer bonzinho - Por que não pega um cobertor?
- Você tá chato, hein, Danny?! - ela reclamou se desencostando de mim e cruzando os braços, com um bico maior que a face da terra.
- Desculpa... - sussurrei e ela bufou. Eu estava extremamente desconfortável naquela situação. Tudo que eu queria era ir embora...
Até que meu santo celular tocou. Era a Bela.
- Ih! É a Bela. Ela deve querer que eu vá logo pro ensaio. - falei antes de atender e Georgia revirou os olhos. - Alô!
- Oi, Danny, tudo bem?
- Tudo! E você?
- Tudo mais ou menos. Enfim, queria te perguntar uma coisa. Será que você...
- Ensaio? - a cortei - Já estou atrasado?!
- O que? Danny? Está falando comigo?
- Sério? Puxa vida, Bela! Eu já estou indo! Vou voando!
- Ãn? Danny? O ensaio é só cinco horas!
- Calma, Bela! Estou aí em cinco minutos! Não precisa gritar, eu não vou me atrasar, é que eu estou aqui na casa da Georgia! Mas eu já to saindo!
- Danny, pergunta pra ela seu eu posso... - Georgia tentou pedir, sussurrando, mas foi logo interrompida por mim.
- Não posso levar ninguém?! Ah, por que, Bela?
- DANNY, QUAL É O SEU PROBLEMA? Dá pra me explicar o que está acontecendo?
- Ok! Já estou indo! Um beijo! Tchau! - desliguei correndo, e olhei pra Georgia que estava ainda mais emburrada.
- Depois você me pergunta por que eu não gosto da Johnson. - Ela reclamou sem me olhar.
- Desculpa, amor. Tenho que ir. - Ignorei seu comentário anterior, e fui correndo até a porta, me livrando daquele apartamento o mais rápido que eu pude.
Obviamente, eu não ia pra casa do Tom agora. Assim que entrei no meu carro, liguei pra saber o que a Bela queria, e expliquei toda a história pra ela, enquanto me encaminhava para um apartamento onde eu me divertiria bem mais...
O apartamento da Bradley.
Toquei a campainha e aguardei ansiosamente até que ela atendesse. Mas não foi o que aconteceu. Quem atendeu foi o Kaio. O irmão mais velho dela.
- Oi.
- Er, oi... A Sam tá aí?
- Tá, por quê?
- Posso falar com ela?
- Ela tem celular. Pode falar com ela pelo celular.
- Mas... Eu precisava falar com ela pessoalmente...
- Falar exatamente sobre o que com a minha Sam?
- S-sobre... - ele estava me assustando. Até que ouvi uma gargalhada vinda de dentro da casa e Kaio abriu mais a porta, revelando uma Sammy sentada no sofá, escutando tudo com um saco de biscoitos na mão.
- Já pode parar, Kaio, obrigada. - ela pediu e ele riu, me dando espaço pra entrar.
- Entra aí, cara. - ele foi amigável e eu quase caguei nas calças. Porque meu cu tinha ficado tão fechado, tão fechado, que nem um alfinete passava nele e agora, quando relaxei, parecia que meu cocô ia descer direto.
- Obrigado... - entrei na casa, e Kaio saiu, quase simultaneamente.
- Olha, não façam nada de errado, hein! - ele avisou rindo, antes de bater a porta e sair.
- Ficou se cagando de medo do meu irmãããão! - ela zombou e eu ri sarcasticamente, sentando ao seu lado enquanto ela zapeava pelos canais.
- Eu nunca tinha falado com ele antes, na minha vida inteira.
- Sério?
- Acho que só cumprimentei, sabe? Nas suas festas, ou de alguma das meninas...
- Hum, sei.
- Ele é bastante intimidador.
- Pois é, também acho. Ele é magricelinho mas tem carinha de mau. E ele é lindo.
- Eu que sou.
- Você parece uma beluga desbotada.
- Eu não faço a menor ideia do que seja uma beluga!
- É um animal!
- Eu não sou um animal!
- AI, IDIOTA. A BELUGA É UM ANIMAL.
- Aaaah, entendi. Pensei que que estivesse me xingando.
- ANIMAL!
Droga... agora não sei se ela tá falando de mim ou da beluga.
- Estou falando de você agora, Jones. - ela comentou com aquela expressão de "¬¬", e eu percebi que ela sabia que eu estava me perguntando quem era o animal dessa vez.
- Você é uma chata, Bradley.
- E você me ama, mesmo eu sendo chata.
- Só amo uma mulher no mundo e nome dela Joss Stone. - falei, recebendo alguns tapas ardidos no braço - OUTCH! Brincadeira! O nome dela é mãe. Mais conhecida como pessoa que trouxe o incrível Danny Jones ao mundo.
- Você é nojento e seboso. Levante-se do meu sofá e ponha-se daqui para fora, seu metido.
- Não vou. Vou ficar aqui até meus pés criarem raízes nesse chão. - afirmei e ela gargalhou, me tacando biscoito em seguida.
Ai, como era bom passar as tardes com a Sam... Além de beijar melhor do que a Georgia, na minha humilde opinião, ela ainda era completamente divertida.
Danny's POV off
Soph's POV
Depois de passarmos a manhã na praça conversando, observando a paisagem, e nos beijando às vezes, eu e Doug decidimos ir pra casa. Incrível como ele consegue ser exorbitantemente fofo quando quer.
Na hora de nos levantarmos da grama, Dougie pegou minha mão, me ajudando cordialmente com essa tarefa (como se fosse algo difícil) até que eu me pus de pé, e ele manteve sua mão na minha. Sorri internamente com isso, e então caminhamos até seu carro.
- Vai mesmo pra casa agora? - ele perguntou com uma cara galanteadora, ainda segurando minha mão de uma forma carinhosa.
- Vou. Tenho que trabalhar daqui a pouco. Preciso ir pra casa tomar um banho e almoçar.
- Aaaaaaaah. - lamentou de uma forma exagerada que me fez rir. - Tudo bem, então te deixo em casa.
- Doug, eu agradeço sua carona, mas minha casa é a três minutos daqui, isso se eu for andando devagar. - ele riu.
- Tá, tá bom. - se deu por vencido. - Então... É aqui que a gente de despede?
- Sim. - sorri fraco e ele retribuiu de uma forma ainda mais fraca - Até mais, Doug.
- Até mais, Soph. - ele repetiu minha despedida, depositando sua mão livre na minha nunca e puxando levemente meu rosto para perto do rosto dele. Antes de fazer qualquer coisa, ele olhou instintivamente para os dois lados, e então, beijou o cantinho da minha boca.
Sorri de novo, depois virei as costas e fui andando - lê-se voando pelas nuvens branquinhas do meu céu azul e iluminado - até minha humilde residência, onde, ao chegar, tomei um belo banho, depois comi lasanha, e me arrumei para ir ao meu adorável trabalho.
Seria muito ou extremamente patético dizer que eu estava suspirando de dois em dois minutos?
Soph's POV off
Sam's POV
Obvio que, depois de alguns poucos minutinhos de conversa, já estávamos nos agarrando no sofá. Sempre que nos beijávamos, não era algo muito parado. Tinha movimento por todos os lados. Mãos, cabeça, língua, quadris... Não que a gente já tenha transado. Isso ainda não aconteceu, mas... Você sabe, tem todo aquele movimento de pélvis contra pélvis e tal...
Danny segurava com firmeza na minha cintura e movimentava sua língua de forma circular e calma. Suas mãos quentes em contato com minha pele fria, por baixo da blusa, me causavam ligeiros arrepios, e uma sensação esquisita no coração, como se ele quisesse rasgar meu peito de tão forte que batia.
Estávamos sentados no sofá, um de frente pro outro, sem toda aquela proximidade costumeira de pessoas que estão prestes a... Transar loucamente.
Não que a gente estivesse prestes a transar loucamente, é claro.
Então, senti Danny aprofundar o beijo de forma apressada e concentrada. Os calafrios e arrepios aumentavam e se tornavam constantes assim como a periódica aceleração da minha pressão sanguínea. Ele deslizou as mãos até minhas costas, me puxando pra mais perto de si, de forma que eu ficasse em seu colo, tendo-o entre minhas pernas, e eu embrenhei meus dedos em suas madeixas sem muita noção de se aquilo podia machucá-lo ou não.
Consegui senti seus batimentos cardíacos quase tão rápidos quanto os meus, e sua já evidente animação. Sorri durante o beijo, o que o fez sorrir também. Mordisquei seu lábio inferior e, por um momento, abri meus olhos, encontrando os seus com uma expressão contida de prazer e, de uma forma estranha, inocência.
Danny, por mais safado e espertinho que fosse, conseguia ser inocente. E digamos que o tipo de "inocência" dele me agrada. E muito.
- Você deveria parar de me provocar assim, Bradley. - ele disse, sem desgrudar seus lábios dos meus.
- Por quê? Eu acho que eu deveria te provocar até mais.
- Só não espere que eu mantenha meu autocontrole funcionando por muito tempo. - ele avisou com a voz rouca e grossa e eu dei uma risadinha. Deslizei meus lábios até seu ouvido, deixando um beijinho no meio do caminho, e sussurrei:
- Você até parece inteligente falando desse jeito.
- Fico inteligente quando estou excitado.
- Então acho que vou ficar te provocando nas provas de geometria. - Falei num tom baixo e provocativo, mordiscando seu lóbulo macio.
- Meu autocontrole está indo embora, Sam... - Danny decidiu alertar, no mesmo tom que o meu, apertando suas mãos em minha cintura, massageando-a.
Dei-lhe um curto selinho e levei meus lábios de volta para seu ouvido, abraçando seu pescoço ao mesmo tempo. Soltei uma segunda risadinha, dessa vez mais sensual, antes de dizer, num sussurro quase inaudível:
- Deixe-o ir.
Na mesma hora, Dan deslizou uma de suas mãos pelas minhas costas, até segurar de forma autoritária a minha cabeça, guiando meus movimentos no recém-iniciado beijo feroz que ele me dera.
Sua língua se movimentava freneticamente ao redor da minha, explorando todas as partes alcançáveis da minha boca, enquanto a minha fazia o mesmo.
Eu já estava completamente excitada, isso é um fato. Quase tive um troço quando percebi que Danny se levantou do sofá, com uma tremenda facilidade em manter-me no seu colo, e foi andando às cegas até meu quarto.
Esbarramos em tudo que era possível. E, por vezes, quase tivemos que romper o beijo para rir. Eu disse quase. Sim, quase, porque não desgrudamos nossas bocas nem por um milésimo, mesmo que estivéssemos rindo. E não acho que vamos desgrudar tão cedo.
Assim que senti minha coluna ser virada num plano horizontal e minhas costas entrarem em contato com a cama, sorri. Eu queria muito aquilo. Sério mesmo.
Tudo bem, eu sei que eu sempre quero. Mas com o Danny não estava sendo exatamente querer. Era algo como necessitar, precisar, almejar. Muito, muito mais que simplesmente querer. Meu corpo desenvolveu uma estranha obsessão pelo corpo do Danny, e por mais que isso fosse algo muito físico, eu sentia que meu coração estava começando a se amarrar ao dele de uma forma medonhamente irreversível.
Mas dane-se. Tô nem aí. Se tem uma coisa que eu aprendi sobre a minha relação com os homens é que se eu os quero, eu os tenho. Não tô dizendo que eu seja uma deusa da beleza, ou uma macumbeira de primeira que joga mandinga nos outros. Eu só sei aproveitar as situações que felizmente o destino coloca a meu favor. Nem sempre você precisa ser uma coisa linda (não que eu não seja, porque, além de tudo, eu sou. HAHAHA) pra conseguir os caras. Você só precisa ser... Perspicaz. E isso eu também sou.
Mas, enfim, se eu quiser ter algum cara pra mim, confio nos meus meios de conseguí-lo, se esse sentimento não for recíproco desde o princípio sem que eu tenha que me esforçar.
Se estou sempre me entregando a eles tão rapidamente, é porque eu não tenho medo que eles me virem as costas depois, justamente por saber meios de tê-los sempre comigo.
Acontece que com o Danny, essa certeza me parecia um pouquinho mais distante. Eu já havia chorado por ele, e isso não é algo comum. Não sei porque ele exerce esse outro efeito sobre mim. Só sei que isso me deixa mais motivada a capturá-lo de jeito.
A Insegurança estava lá, tenho que admitir. Mas ela ainda não incomodava tanto. Eu e Danny tínhamos um curioso e longo caminho pela frente e eu estava louquinha pra desvendar o mistério por trás dessa nossa nova relação.
Sam's POV off
A campainha da minha casa tocou e eu estranhei, pulando subitamente da cama, já que eu não estava esperando por ninguém. Eu tinha acabado de chegar em casa, e tinha me jogado na cama pra tentar colocar as coisas no lugar nas poucas horas que eu tinha até todo mundo chegar para o ensaio.
E é justamente esse "todo mundo" que me preocupa. Bela está incluída nele, e é simplesmente insuportável ser ignorado por ela depois de ter contado sobre o melhor momento de sua vida.
No fundo, eu sempre soube porquê eu tenho tanto medo de contar o que eu sinto. O medo, pânico, de não ser correspondido e desprezado pela pessoa mais importante da minha vida me corrói e impõe uma barreira impenetrável diante de todas as palavras que estão entaladas na minha garganta.
Cheguei até a porta da minha casa, curioso pra saber quem era. Segurei a maçaneta e num movimento lento, a abri.
Não podia ser.
Ou melhor.
Era tudo que eu precisava.
- Er... Oi.
- Oi - respondi a olhando nos olhos, e nós dois sorrimos fracos, ao mesmo tempo. Ela pigarreou antes de falar.
- Será que... Hm... Eu posso falar com você?
- Pode. - dei espaço pra que ela entrasse, e ela o fez. Ainda estava com o uniforme da escola, o que me fez pensar que ela veio direto de lá.
Bela caminhou lenta e envergonhadamente até o sofá, mas não sentou. Apenas ficou ali, parada, encarando o próprio pé. Sua mochila descansava em apenas um dos ombros e ela estava completamente... Linda.
- Pode falar... - Quase sussurrei e ela me olhou, hesitante. Ela estava corada em sinal de vergonha.
Espera aí. Bela? Envergonhada? Na minha casa?
Tem alguma coisa errada.
- Bela, cara, você não precisa ficar com vergonha daqui. Senta aí. É sério. - a estimulei e ela fechou os olhos, respirando fundo. Depois os abriu, e me encarou com uma expressão decidida.
- Quer saber? Dane-se. - ela falou tirando a mochila do ombro e a jogando no chão, depois se jogou no sofá de um modo desleixado. Agora sim. Agora estou reconhecendo-a. - Bom. Eu vim aqui porque eu quero te dizer uma coisa.
- Prossiga.
- Na verdade, te pedir uma coisa, ates de tudo. - assenti com a cabeça, a estimulando a continuar - Tom, me desculpa?
Acho que não consegui segurar meu impulso de arregalar os olhos.
Chupa essa manga, Fletcher. Isabela Johnson no seu sofá, bem de frente pra você, te pedindo desculpas.
- o que? - Foi só o que consegui dizer, tentando ganhar tempo pra processar a informação.
- Tom, eu preciso que você me desculpe.
- Pelo que?
- Por tudo. Por todo esse tempo em que eu fui meio... Em que eu te repeli completamente do meu círculo de amizade. Eu quero que você me desculpe pelo jeito em que eu estive te tratando. Eu não... Devia. Tom, me desculpa?
Que merda é essa? Pegadinha? Tão filmando? Puta que pariu, desculpem meu momento homossexual, mas eu acho que eu vou ali no banheiro chorar.
Mentira.
Mas eu acho que eu tô sonhando. Delirando. Será que eu tô perdido no deserto? Isso é miragem?
Puta merda, Tom, para de pensar nessas bostas e fala qualquer porra!
Pois é. Eu demorei alguns segundos apenas encarando-a, tentando me certificar de que aquilo era a mais pura realidade. Eu observava, meio chocado, os olhos entorpecidos de agonia e ansiedade dela e sua expressão preocupada e inocente.
- E-eu... - engoli seco. Porra, vira homem, Thomas. Pigarreei (para ganhar firmeza na voz) antes de continuar. - Eu... Eu desculpo. É claro que eu desculpo. - ela sorriu largamente. - Mas só se você me desculpar também.
- Eu desculpo. Finalmente desculpo, Fletcher. Vou guardar tudo aquilo no passado. Nunca mais vamos tocar nesse assunto, tá?
- Fechado.
Do nada, ela pulou em cima de mim, agarrando meu pescoço num abraço apertado. Muito apertado. Por ambas as partes. Sim, porque eu realmente não poderia deixar de abraçá-la com toda força. Poder senti-la em meus braços era, com toda certeza, a melhor sensação dessa galáxia.
E, naquele momento, meu mundo parecia finalmente estar nos eixos. Ela era minha de novo. Mesmo que não soubesse exatamente disso. Mas só o fato de eu saber, já era extremamente extasiante.
- O que te fez vir até aqui? - perguntei curioso.
- Hmm... Consciência. - ela respondeu séria, mas logo depois começou a gargalhar sozinha, se desvencilhando do abraço. - Mentira. Você não vai acreditar o que meio fez vir aqui. Na verdade, o certo seria "quem" e não "o que".
- Quem, então?
- O Paul. Você sabia que ele sabe de toda nossa vida?
- Paul? O psicólogo?
- Aham, ele mesmo.
- Mas você não...? Bela, você andava visitando o Paul escondida?
- Eu ando visitando o Paul escondida. Só quem sabe disso é a Sam. E você, agora.
- E você ficava falando de nós dois lá? - perguntei, prendendo o riso e ela revirou os olhos e cruzou os braços.
Mal sabia ela o quão curioso eu estava.
- Pois é, Fletcher. Eu vivia lá falando de tudo que aconteceu entre nós, e dizendo o quanto eu te odiava. - sorriu ironicamente.
- Wow, então o Paul só escutou coisas ruins de mim?
- Da minha boca, praticamente tudo.
- Nossa, você é horrível.
- Bem que você mereceu. Mas deixa isso pra lá. Já estamos de bem, né?
- Sim. Estamos.
- Ok. Isso é... Bom.
- Com certeza.
- Tom? - a olhei e resmunguei um "hm" em resposta - Vou perguntar uma coisa e você promete não rir, e responder com toda seriedade do mundo?
- Prometo.
- Ok. Bom... O que você sente por mim nesse exato momento?
FO-DEU.
Chupa essa outra manga, Fletcher.
Você prometeu que ia responder com sinceridade, agora se vira, mano.
- O-o que eu sinto por você? - repeti, mas foi algo automático. Com certeza não foi meu raciocínio que me fez repetir, que nem um babaca, a pergunta.
- É.
- E-eu sinto... Sinto... - vamos pensar. O que eu sinto por ela? Amor, carinho, adoração, admiração, obsessão, paixão, tesão, amizade, saudade, vontade de casar, necessidade, fanatismo, orgulho, entre muitos outros. É só escolher um e dizer. Não é difícil. - Eu... Não sei.
- Não sabe?
- Não.
De alguma forma, eu não fui completamente mentiroso. Em partes, eu não sei exatamente o que eu sinto por ela. Não acho que isso seja expressável em palavras.
- Hum... Entendo. - ela murmurou bem baixo, se ajeitando no sofá e depois, ficou em silêncio por longos segundos. - Er... eu tenho que ir embora.
Bela se levantou do sofá rapidamente, e pegou sua mochila do chão, se dirigindo às pressas até a porta.
- Eu só sei que... - quase gritei antes dela tocar na maçaneta, e ela se virou pra mim.
Eu não podia deixá-la ir daquele jeito. Não mesmo. Eu não ia ser uma bosta de novo e perder mais uma chance. Eu tinha que tentar. Mas... e se ela risse da minha cara? Eu não sabia de porra nenhuma que ela sentia. Ai, merda... - Eu... Eu não quero mais ficar longe de você. - arrisquei e ela fitou o chão, corando violentamente. - Nunca mais.
- Nem eu... - a ouvi murmurar, depois ergueu sua cabeça novamente, de forma que nossos olhares se encontrassem e sorríssemos. - Não vamos mais. Afinal de contas eu... Eu amo você, Fletcher. - seu sorriso alargou.
Pensei que, nessa hora, eu fosse sentir todo o meu corpo formigar e ter um ataque cardíaco e sair correndo pela casa, depois me tacar na piscina.
Mas não.
O que eu senti foi uma sensação avassaladora de... Alívio. Muito alívio. E uma felicidade estonteante.
Ela me amava.
Ela me amava.
Mas espera. Ela não me amava do jeito que eu a amava. Não sentia paixão por mim. Com certeza não. E isso ainda é uma merda.
Caminhei até ela, abraçando pela cintura, e a senti retribuir.
- Eu amo você, Bela. - sussurrei com os lábios grudados na pele no pescoço dela, me entorpecendo com seu cheiro estonteante. - Sempre amei.
E então, ela sorriu, saindo do abraço e me olhando nos olhos.
- Vê se nunca mais na sua vida me machuque, senão, seu cretino subdesenvolvido, eu te dou um pé na bunda fatal e corto o Fletcher Jr. fora. - disse, autoritária e eu gargalhei.
- Não vou. E, Bela, seja lá o que eu tenha feito, não foi por querer, eu juro. Eu nunca faria algo pra te machucar.
- Tudo bem. - ela suspirou, tomando agora um tom mais sério - Não vamos mais tocar nesse assunto. Passado é passado.
- Está certa.
- Tom, eu preciso ir. Tenho que almoçar, trocar de roupa e alimentar meu hamster, ele deve estar faminto.
- Argh, maldito hamster.
- Ei! Não ouse chamar o Marlon de maldito!
- Nhe nhe nhe - provoquei e ela me empurrou com força, depois a gente riu.
- Por que você não vem almoçar comigo, e me ajudar a alimentar meu hamster, e também tomar banho comigo?! - pausa. WHAT? - Aaaaaah, brincadeirinha a parte do banho! Enfim, depois a gente volta pra cá pra ensaiar. É que todas as minhas amigas estão muito ocupadas com suas vidas, e quem costumava ter tempo pra ficar comigo era a Flor e ela está no Alasca, então...
- OK, eu vou. - ela falaria pra sempre se eu não interrompesse.
- ÊÊÊÊ!
- Mas antes deixa eu trocar de roupa.
-Tá, mas vai rápido.
Thalia's POV
Uns trinta segundos depois de eu ter batido a porta da minha casa, a campainha tocou novamente e eu deduzi que fosse o porteiro avisando de alguma correspondência.
- HARRY?! - quase pulei de susto ao abrir a porta.
- Oi, Lia! Tudo bem?!
- Tudo sim. Que bom que você está aqui! - sorri - Precisamos mesmo conversar. E então? Como vai ser nosso término?
- Er... Lia, era mesmo sobre isso que eu queria falar.
- Ótimo. Pode se sentar, se quiser. Quer beber alguma coisa?
- Não, valeu. - ele sentou no sofá, e eu sentei em seguida. Ficamos de frente um pro outro a uma certa distância.
- Bom, eu vou precisar de você por mais um tempo.
- O QUE? - NÃONÃONÃONÃONÃONÃO, PELO AMOR DE DEUS, NÃÃÃÃO!
- É que, sabe o casamento da Rebecca, lá do Ordinary Fantasy? - assenti com a cabeça - Então! Vou ter que ir com você. Aí, cê sabe, né. Vamos ter que estar "namorando".
- C-como é?! Não! Não! Olha, Harry, não dá, eu...
- Lia, por favor, faz isso por mim. Aguenta só mais esse tempinho. Somos amigos, não somos? Amigos fazem sacrifícios um pelos outros.
- Tudo bem. Já que somos amigos, então vou esperar que você, no mínimo entenda o meu lado e aceite minhas condições.
- Ok.
- Bom, eu e o Henri O'Brian estamos meio que... saindo. E eu não quero ter que estragar isso por uma relação falsa que vou ter que ter com você. Então, você vai ter que deixar eu sair com o O'Brian quando eu quiser.
- O QUE? NÃO! Aí eu vou ser o corno? Sem chances.
- Amigos fazem sacrifícios um pelo outro.
- PORRA, MAS ASSIM TAMBÉM É DEMAIS, NÉ NÃO?
- Ai, Harry, olha aqui. Não começa com essas merdas de liçõezinhas de moral não, que se eu quiser, viro as costas agora pra você e não faço porra nenhuma, então abaixa a bolinha. Se quiser minha ajuda, vai ter que ser do meu jeito.
- Lia, você está sendo injusta.
- Por quê?
- Porque eu não quero ser corno.
- Você não vai ser corno.
- CLARO QUE VOU! Minha namorada vai sair com outro. O QUE É ISSO PRA VOCÊ?
- Tudo bem. Meus encontros com o Henri podem ser dentro das nossas casas. Assim, ninguém nos vê na rua. Eu explico pra ele toda a situação, e que é só até o casamento, aí, pronto. Vai ficar tudo certo.
Ele me olhava com uma cara de ódio, incrédulo, irritado. Suas veias da testa pulsavam e suas narinas estavam arreganhadas pelo fato dele estar bufando ao invés de respirar normalmente.
- Quer saber? Foda-se tudo. Pode ficar com aquele veado caquético do O'Brian, e dane-se o resto. Não precisa se preocupar em fingir ser minha namorada, muito menos em fingir ser minha amiga. Ah! Tive uma ideia! Por que você não finge que não me conhece?! - num movimento rápido, Harry já estava batendo a porta da minha casa, sem me dar tempo de retrucar, deixando pra trás um silêncio assustador.
Não consegui fechar minha boca por alguns segundos.
- O que foi que deu nele?! - perguntei a mim mesma, depois que a voz decidiu sair. Ele pareceu realmente transtornado, e aquilo me incomodou bastante.
Meu Deus, o que deu nele?
Thalia's POV off
- Puta merda, Harry, já é a décima terceira vez que você erra hoje. - Reclamei depois dele errar, pela segunda vez, a batida SÓ NESSA MÚSICA. Sem contar com os outros quinhentos mil erros que ele cometeu durante todo o ensaio.
- Porra, Tom, vai encher o saco da tua mãe. - Ele respondeu um tanto quanto agressivo.
- Uuuuh, o que que aconteceu, chapa? - Danny perguntou, se aproximando dele, que o olhou com hesitação.
- Nada. - optou por murmurar, e depois bufou, se ajeitando no banquinho. - 1, 2, 3, 4...
Começamos a tocar silence is a scary sound, torcendo pra que tudo ocorresse bem dessa vez, o que não aconteceu.
- É sério, cara, o que tá acontecendo? - Danny perguntou, começando a ficar preocupado. Eu já estava preocupado há muito tempo, pra falar a verdade.
- Desde o início da banda, eu nunca te vi assim. - Doug comentou, sentando no sofá ao lado da Bela, que digitava qualquer coisa no notebook, já que a gente já tinha ensaiado toda a parte dela.
- Eu tô um pouco... Irritado.
- Isso a gente já percebeu. - Danny gesticulou.
- Mas, que eu saiba, irritação nunca te atrapalhou. - disse, também me sentando no sofá, do outro lado da Bela, e deitando minha cabeça no seu ombro.
- Isso, na minha terra, se chama paixão. - Bela falou vagamente, sem tirar os olhos da tela do computador. - Quem te fisgou, peixão?
- Que?! Do que você está falando? Ficou maluca? Que eu saiba, as pessoas ficam felizes quando estão apaixonadas, e não putas da vida. Quando as pessoas estão putas da vida é porque elas estão putas da vida, oras! Não tem nada a ver com paixão. - ele disparou, falando tão rápido que não sei se o Danny entendeu.
Brincadeira.
- O que?! - Danny fez cara de "WTF?!" e eu retiro o que o disse. - Não entendi merda nenhuma, cara.
- Nem eu. - Dougie acrescentou e Bela começou a gargalhar.
- Ai, seus burricos. - ela suspirou. - Ele só disse que não está apaixonado. E, Harry, você não sabe merda nenhuma sobre estar apaixonado, querido. Nem sempre é um mar de rosas. Principalmente quando não se é correspondido. - Bela explicou, mas não foi como se ela já tivesse passado por isso. Ela falou indiferente como se só tivesse escutado falar que as coisas eram assim. E pior que as coisas eram exatamente assim. Ela estava mais que certa.
- Falou A experiente em relacionamentos. - Harry ironizou e nós rimos.
- Calem suas bocas e podem voltar a ensaiar, tá bom?
- Ah, não. - resmunguei - Pausa para comida, ar fresco, água e cama, por favor.
- Aham, sei bem como é essa pausa. - Bela retrucou - Ela começa agora e só acaba segunda feira, na hora do ensaio.
- Exatamente. - respondi e ela riu.
- É, já deu por hoje. - Danny disse, colocando a guitarra no suporte.
- Cara, hoje eu to com uma vontade enorme de ir pra piscina e ficar lá o dia todo. - Dougie comentou.
- Piscina? Mas tá um frio desgraçado lá fora.
- Eu sei, Danny, eu sei. Mas é que, sei lá, eu estou com vontade de água. Sabe? Vontade de encostar em alguma água.
Foi algo simultâneo: todos olharam pro Dougie com o canto dos olhos, franzindo a testa e fazendo as melhores expressões "Você acabou de falar a merda mais estranha que eu já ouvi" já vistas no mundo.
- Você acabou de falar a merda mais estranha que eu já ouvi. - Danny falou e eu ri sozinho.
Depois dessa, descemos. Todos foram pra sala de TV jogar videogame, mas eu realmente precisava pegar alguma coisa pra comer e beber. Quando eu estava entrando na cozinha, meu celular tocou.
- Alô?
- Oi, Tommy!
- Oi, Katy - não consegui ter a mesma animação na voz.
- Tudo dez por aí?
- Aham, e aí?
- Estaria bem melhor, na sua presença. - ela miou e eu ri. - Enfim, lindo, eu queria saber se você não quer vir aqui hoje. Já to com saudade das nossas barbaridades na cama.
- Er... Não dá, Katy, eu vou sair com os meus amigos.
- Ah, sem problemas, depois você passa aqui...
- Não vai dar, Katy, me desculpe... Eles vão dormir aqui e tudo mais...
- Ai, ok... Escuta, você vai na festa da Ivy amanhã?
- Vou.
- Então tá bom. A gente se encontra lá.
- Tá.
- Beijo. Te amo, lindo.
- Tchau. - desliguei.
- Quem era, o que queria, onde você vai, com quem, porque, quando e que horas? - Bela fez essas vinte mil perguntas cruzando os braços com aquela famosa expressão de mãe-do-Harry e eu ri, só então percebendo que ela havia escutado parte da conversa sorrateiramente.
- Wow! - falei, erguendo as sobrancelhas, e finalmente a fazendo rir.
- Está esperando o que pra responder, Fletcher? - Ela tentou voltar a fazer sua cara séria, mas não estava obtendo tanto êxito quanto almejava.
- Ok, vou responder só porque você vai fazer um sanduíche pra mim depois. - barganha implícita - Era a Katy, ela queria que eu fosse pra casa dela.
- E o que você disse?
- Que não.
- E por que eu escutei você dizendo "vou"?
- Porque ela perguntou se eu ia na festa da Ivy Knowles, amanhã, aí eu disse que ia.
- E com quem você vai?
- Com você. Satisfeita?
- Na verdade, sim. Bastante. - a puxei pela cintura para dar-lhe um abraço e fui surpreendido com um mordida na bochecha.
- Outch! Isso doeu!
- Foi minha intenção. - ela disse, rindo.
- Canibal. Agora vai fazer meu sanduíche.
- Só se você pedir direito. Não sou escrava.
- Tá, tá bom. Faz por favor?
- Faço.
- Bela?
- Hm.
- Eu amo você.
- Por causa do sanduíche?
- Não.
- Hum, então eu também amo você. - ela sorriu, e se virou para pegar as coisas enquanto eu a observava hipnotizadamente.
Eu podia fazer aquilo pela minha vida toda. Podia dizer 'eu amo você' duas vezes a cada piscar de olhos que eu desse, durante toda a minha vida, porque nunca chegaria à intensidade do quanto eu a amava.
E ela me amava também.
Bela me amava.
[Tom's narrative mode off]
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