Part 10 - when the curtain hits the floor


Bela’s POV


Tum. Tum. Tum. Tum.

Pisquei com força, na vã tentativa de atenuar o latejar da minha cabeça.
Não era uma dor monstruosa. Eram apenas pancadas ritmadas, exatamente com 'tum-tum-tum's, que acometiam-me à medida em que eu forçava meus olhos a se abrirem.
- Filha?! – A imagem da minha mãe focalizou-se a minha frente. – Como está se sentindo?! – perguntou e exasperada.
- Bem. – minha voz, rouca pelo desuso, soou melhor do que eu esperava. – O aconteceu?
- Céus... Você não... Lembra? – seus olhos se arregalaram ao mesmo tempo em que eu franzia o cenho.
Como assim?
Meu Deus, do que eu deveria lembrar?!


Bela’s POV off


Sam's POV

Estávamos todos no hall do hospital. No inicio, era uma galera enorme. Depois, os pais de Bela foram enxotando o excesso de pessoas aos poucos, de forma disfarçada, educada.
Bela tinha passado a noite desacordada. Antes de o médico vir nos dar um parecer, estávamos muito preocupados. Ela parecia mal e, da última vez que isso aconteceu, lesionou a parte do cérebro responsável pela memória.
"Ela está bem." Foi a primeira coisa que o doutor Dylan, o mesmo que a atendera da outra vez, disse. "Mas só poderemos avaliar melhor quando Bela estiver acordada. A pancada foi forte."
Desde então, ficamos mais tranquilos. Veja bem, não disse que estávamos calmos, mas, comparado ao estado catatônico de antes, parecíamos mais normais.
Já passava das oito da manhã quando a tia Sue apareceu, sua feição não era animadora.
- O que houve?! – Tom despejou as palavras em jatos. Meu coração palpitava forte.
- Ela... Não se lembra.
E não foi só que comecei a chorar.

Sam's POV off

Bela’s POV


- E-eu... Eu vou chamar o médico. – minha mãe saiu quase correndo da sala, com lagrimas nos olhos.
Como assim não me lembro? Será que eu já tenho 35 anos, sou casada com um maloqueiro, tenho vários filhos e pelancas?!

Instantes depois, dr. Dylan adentrou o quarto com o semblante pesado.
- Doutor Dylan! Do que eu deveria me lembrar?! Quantos anos eu tenho?!
- Quantos anos acha que tem?
- Dezoito?
- Sim, você ainda tem dezoito. – sorriu minimamente, aproximando-se do meu leito. – Qual é a ultima coisa de que se lembra?
- Er... A tour, a festa na casa do Tom...
- Oh, – ele suspirou. Parecia aliviado. – Então sua memória está aparentemente boa.
- Ah, graças a Deus. – compartilhei de seu alívio. – Eu perguntei à minha mãe o que tinha acontecido e ela quase morreu. E quase me matou de preocupação também... Quero dizer, eu só queria saber o que tinha acontecido comigo no quesito saúde, mas ela me fez achar que eu havia perdido a memória. De novo.
- Ah, sim. – ele sorriu novamente. – Bom, sobre o que aconteceu com você: aparentemente, nada demais. Nenhum exame mostrou algo grave ou mesmo fora do normal. Vamos fazer mais alguns para ter certeza, mas me parece que poderei te dar alta amanhã, senão hoje mesmo. – concordei com a cabeça. – Como se sente?
- Muito bem, fora a dor de cabeça e o sono.
- Certo. – ele tomou ar pra falar mais alguma coisa, entretanto, foi interrompido por alguém batendo na porta.
- Filha? – meu pai entrou no quarto seguido de minha mãe.
- Oi, pai. – sorri. – Estava aqui falando com o Dr. Dylan que não perdi a memória coisa nenhuma.  Lembro direitinho da minha festa de nove anos ontem. – brinquei, ele riu.
- Que bom!
- Ah, graças a Deus! Eu tive tanto medo! Céus, eu não deveria ter me precipitado! Estão todos chorando lá embaixo!
- O que?! Mãe! – repreendi.
- Desculpa, foi sem querer. – ela sorriu amarelo.
Rolei os olhos. Meu pai continuava rindo.
- Você tem que parar de cair por aí, Bela. – ele disse. – Antes que acabe causando um estrago de verdade.
- Com certeza. – dr. Dylan concordou sorrindo. – Vou adiantar algumas coisas para seu exame, Bela, já volto.
- Mãe chame-os aqui. – pedi. – Mas tente não falar que eu estou morrendo nem nada do tipo, ok? Tom deve estar muito preocupado...
- E está! Vou chamá-los.
- Vou com ela, preciso comer. – meu pai anunciou.
- Ok. Até mais. – dei um tchauzinho, me ajeitando na cama.
Devo ter esperado cerca de cinco minutos ou menos. Foi o suficiente pro meu cérebro perverso começar a trabalhar.

- Bela! – Sam berrou, correndo pra me abraçar.
- Hey! – sorri. – Oi gente e... Oi, Fletcher. – disse com o maior nojo possível.
Todos, sem exceção, arregalaram os olhos.
Foi um silêncio sepulcral.
Terrível para meu autocontrole. Eu estava quase explodindo de vontade de rir.
- V-você... Você não... V-você...
Rolei os olhos.
- Tão neandertal que não aprendeu nem a falar. O que você faz aqui afinal, hein? Quem foi que te convidou?
- Bela... Vocês... São namorados.
- HAHAHAHA, Judd, conta outra! Nem se eu tivesse sob tortura nazista. – desdenhei. Thomas continuava com os olhos arregalados.
- Bela, não é possível, você... Qual é a ultima coisa de que se lembra? – Thalia perguntou, cautelosa.
- Er... Acho que... Pera aí... Ah, Flor! Você não estava no Alasca?!
- Essa não. – Dougie bateu com a mão na testa.
- Eu já voltei há alguns meses, Bela...
- Meses?
- É.
- E... Meu Deus, o que aconteceu nesses meses? – fiz minha melhor expressão de pavor.
- Muita coisa. – Harry disse.
- Muita mesmo. – Danny enfatizou, ainda meio estupefato.
- Falem!
- Não dá, Bela... Foram muitos acontecimentos... – Soph usava um tom de voz manso, lotado de pesar. Eu queria muito rir.
- Então resumam! Por favor!
- Eu namoro o Danny. Soph namora o Dougie. Thalia está pegando o Harry, mas eles já namoraram antes.
- A gente está namorando de novo, Sam. – Lia a interrompeu, todos ficaram levemente chocados (inclusive eu, de verdade) – Contaríamos na festa, mas ela... – apontou pra mim.
- Bom, é... Então Lia e Harry namoram agora. – ela suspirou.
Tentei parecer o mais incrédula possível.
- E você namora comigo. – Tom falou pela primeira vez, ressentido. Ele parecia tão triste, magoado, ferido, que eu quis parar com a brincadeira.
Mantive-me chocada.
- Isso é impossível, Fletcher! Eu nunca chegaria perto de você.
Ele recuou, exaurido.
Eu estava quase parando de brincar...
- Você o ama, Bela. – disse Sam, ao meu lado no leito – Até perdeu a virgindade com ele.
- O QUE?!
- Pois é, e vocês fazem sexo igual dois coelhos.
- Sam! – Flor a repreendeu.
- Que é?! Eu to tentando fazê-la lembrar! Essas coisas a gente não esquece, sabe?
- Você não se lembra de nadinha, Bela? – Dougie perguntou, esperançoso.
- Eu me lembro de... Uma chave!
- Chave? Chave! A chave de ontem! – Soph exclamou e todos parecer subitamente interessados.
- E do que mais?! – Tom quis saber.
- Er... Um... Porco! Um porquinho lindo!
- O Garry! – Sam berrou.
- Caralho, ela se lembra do Garry mas não lembra de você, cara... – Harry comentou olhando para Tom e eu precisei muito rir, mas não o fiz.
- Não fode... – Fletcher murmurou carrancudo. Lindo. – E o que mais, Bela?
- Hm... Deixa eu ver... Eu me lembro de um... Porão... E eu estava usando uma fantasia sexy de Natal... E dançando e... Meu Deus, o que eu estava fazendo lá?!
- Cara, ela se lembra da noite do porão! – Danny vibrou.
- Não se lembra de quem estava lá com você? – Tom perguntou vidrado.
- Er... Ashton Kutcher?
Tom bufou.
- Óbvio que não! – rebateu. Danny riu.
- Quem era, então? Você? – disse com desdém.
- Sim!
- HAHAHA, faça-me rir, Tom!
- Tom? Desde quando você o chama de Tom? – Soph ergueu uma de suas sobrancelhas.
- Desde quando eu quero, ora.
- E por que você quereria isso?
- Lembrei de outra coisa! – quase a interrompi com minha exclamação, mudando o rumo da conversa
- O que?! – Sam perguntou rápido.
- Que meu nome está tatuado na próstata do Tom!
Todos ficaram em silêncio, me olhando como se eu fosse fezes de chipanzé. Até que Tom abriu a boca com o olhar de incredulidade.
- Sua... Filha da puta, você não perdeu memória nenhuma, não é?!
- Ei! Não me chama de filha da puta!
Ele veio correndo me abraçar.
- Eu deveria estar muito puto, mas to tão feliz!
- Eu sou má, né?!
E então, todos pareceram cair na real e me xingaram até a morte.

Depois das broncas, começamos a conversar mais civilizadamente.
- Bela, você tem que parar de tacar essa cara no chão, nas paredes, em todos os lugares... - Sam alertou.
- Meu pai disse isso mais cedo.
- Não consigo o imaginar dizendo isso. – Flor comentou, alguns concordaram.
- Ele não usou exatamente essas palavras. – sorri. – Agora, mudando o assunto, quer dizer que você e Harry estão namorando?! – falei feliz.
- É! Explica essa história direito, Lia! – Soph ajeitou-se ao pé da "cama" (aquilo estava longe de ser confortável como a minha cama).
- O que tem pra explicar? Nós voltamos, ora. Simplesmente isso.
- Foi romântico? – Flor quis saber.
- Sim! – Harry respondeu. – Eu nunca serei tão romântico na vida quanto fui naquele dia...
- É bom que você aprenda a ser. – Lia o olhou, durona.
- Tá bom, sargento.
- Judd! Já falei pra parar de me chamar assim! – ela reclamou e eu gargalhei.
- Ótimo apelido, Harry! – tive de comentar.

Mais tarde, naquele dia, fiz alguns outros exames pra que pudéssemos ter certeza sobre minha saúde e, tudo dado como bem, ganhei alta para o dia seguinte. Pedi que Tom passasse a noite comigo no hospital e ele concordou com prazer. Eu sabia que concordaria. Aposto que ele fazia mais questão que eu de passar a noite ali comigo. Ao longo da tarde, recebi ligações e visitas, o que acabou deixando meu dia mais cheio que o normal. Tive sossego depois das nove, quando acabou o horário de visitas.
- To morto. – Tom murmurou, ajeitando-se ao meu lado naquela coisa minúscula. – Passei a noite em claro.
- Eu imaginei...
- Eu te amo.
Sorri, o observando. Estávamos um de frente para o outro. Os olhos dele, pesados, mal conseguiam abrir. Acariciei levemente seu rosto, sentindo-o corresponde ao meu afago com uma leve caricia em minha cintura.
- Sei disso. – falei. – E eu sei que você também sabe o quão recíproco é.
- Tenho uma leve noção. – sorriu, ainda de olhos fechados.
- Esses meses foram tão loucos, né?
- Os mais loucos da minha vida.
- E os melhores também.
- Os melhores, com certeza – concordou, puxando-me para mais próximo dele.
- Sabia que minha memória daquela semana que a gente meio que voltou a se falar nunca ressurgiu?
- Nadinha? – me perguntou, agora de olhos abertos.
- Tive alguns insights, mas nada muito concreto. Eu te contei, lembra?
- Sim, de você tirando a roupa!
- E você dizendo que meu corpo era normal! Eu esperava no mínimo um "Wow, nossa, espetacular, musa, maravilhosa, perfeita, vem cá agora, sua linda!"
Ele gargalhou lindamente.
- Acredite, na minha cabeça se passava muito mais que isso na hora. – confessou.
- Eu me lembro de ver fotos suas secretamente no meu quarto, entre meus 15 e 16 anos, e depois apagar o histórico! Era ridículo. – rimos juntos. – Eu sempre estive tão apaixonadinha...
- Eu sou um cara de sorte, Bela Johnson é apaixonada por mim...
- Eu sou uma garota de sorte. Fala sério, meu namorado é meu ídolo da adolescência, meu melhor amigo, um rockstar perturbadoramente gostoso e apaixonado por mim! Ninguém tem mais sorte que eu.
- Eu posso dizer exatamente o mesmo.
- Somos perfeitos, não é?
- Muito.
- Você acha que vamos acabar juntos no final?
- Acho que sim. Seria covardia se não acabássemos, não acha?
- Seria. Seria mesmo. Também acho que vamos acabar juntos.
- Bela...?
- Hm?
- Vamos dormir?
- Sim...
- Mas... Bela?
- Hm?
- Quem você acha que vai ser o primeiro casal a casar de nós quatro?
- Soph e Dougie.
- É, com certeza.
- Eles já estão quase fazendo bodas de ouro, pra mim.
- É...
Depois disso, caímos no sono.
Juntos.
Assim como eu tinja certeza, de alguma forma, que permaneceríamos por toda a vida.
Juntos.

Bela's POV off
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------



UPSHOT

Revista Faces - London, UK

A cantora Bela Johnson comemora seu aniversário de 20 na cidade de Tromso, Noruega, para ver a Aurora Boreal. "Foi a coisa mais emocionante da minha vida", confessou durante um vídeo gravado por ela (a disposição em seu canal no YouTube), "Eu nunca vou esquecer".


- Está gravando?

- Sim!
- Er, ok. Oi! Sou Bela Johnson e eu estou aqui em Tromso, uma cidade incrível... Hoje é meu aniversário e meu namorado me deu de presente essa viagem, pra que eu realizasse um dos meus sonhos e eu to um pouco emocionada. Vim ver a aurora boreal e...
- Olhe para trás!
- Oh! Nossa! Está roxo! É tão... Oh, meu Deus...
- Não chora, amor!
- Não ria! Apenas filme isso... É tão...
- É a segunda vez que você diz "é tão..."
- Shh... Aprecie o espetáculo, Thomas.
(...)



Tom fora bem recompensado naquela noite. Seria uma viagem inesquecível para ambos. Ela nunca esqueceria, pois realizou seu sonho de ver a Aurora Boreal. Ele nunca esqueceria, pois além de terem tido um momento especial sob as luzes coloridas no céu, transou com sua namorada na piscina aquecida do hotel e foi absurdamente incrível, a melhor parte da viagem, sem comparação. Pra ele.



E! news - London, UK

Aos 22 anos, Harry Judd anuncia seu noivado com a empresária Thalia Hoppus, com quem namora desde os dezessete.

- Não tem receio por se casar tão cedo, Harry?
- Eu teria, se não estivéssemos falando dela – apontou para a noiva que ria ao seu lado – Não adianta, fui fisgado. Pra valer.



- Cara... É hoje. – Harry apareceu de manhã, sem aviso prévio, na casa de Tom. O amigo atendeu a porta, descabelado, trajando apenas suas boxers largas de caranguejo.

- É hoje o que, Judd?
- Que eu peço a Thalia em casamento.
Fletcher arregalou os olhos, surpreso.
- Assim, do nada?
- Posso entrar na sua casa, pelo menos?
- Ah, pode. Foi mal. – Tom deu passagem.
- Bom, eu estou mais certo que tudo... ELA VAI SER MINHA MULHER!
- Porra, não grita, a Bela está dormindo!
- EU ESTOU FELIZ, FODA-SE O SONO DA BELA!
- É ISSO AÍ, CARA! PORRA, VOCÊ VAI SE CASAR!
- EU VOU ME CASAR!
De um modo estranho, pulavam abraçados pela casa.



- Pra onde está me levando, Harry?

- Estação de trem.
- Estação de trem? – Thalia arregalou os olhos. – Vamos viajar?
- Sim, passaremos dois dias em Paris.
- Sério?! – ela sorriu largamente. Sorrisos como esse eram o combustível dele – Por que isso?
- Surpresa.
- Ok... Gosto de surpresas. – deu-lhe um selinho animado.



- Pode tirar.

Assim que Lia desamarrou a venda que cobria seus olhos, um sorriso de admiração tomou-lhe os lábios.
- Disney Paris? Está brincando?!
- Eu sabia que você ia gostar. – balançou os ombros, modesto. Ela o agarrou num abraço apertado, distribuindo selinhos onde seus lábios alcançavam.
O dia foi maravilhoso. Foram em todas as atrações possíveis, todos os brinquedos e montanhas russas, tiraram foto com os personagens da Disney e comeram besteira. Tiveram que parar para alguns autógrafos, mas nada que pudesse comprometer a qualidade daqueles momentos.
- Amor, vamos ali no castelo. – Harry apontou, tentando parecer calmo.
- Vamos! Dizem que é mais lindo à noite.
- Sim, é.
Deram as mãos e caminharam até lá, mas Thalia sentiu-se momentaneamente desapontada quando viu que o entorno do castelo estava sendo isolado.
- Ah, não vamos poder entrar... Vai ter aquele show de fogos, acho que os fogos saem do castelo, então vamos ter que deixar pra próxima. – ela não soube esconder a frustração.
Harry sorriu.
- Vem cá. – novamente, deram as mãos e Harry a conduziu para a direção da entrada do castelo, mesmo estando bloqueado.
- O que está fazendo, Harry?!
- Shh...
Thalia franziu o cenho quando um dos guardas cumprimentou seu namorado. "Mas o que é que tá acontecendo?"
Seu coração parou quando viu uma mesa iluminada por um belo candelabro. A mesa estava posta para dois. Havia vinho, pétalas de rosa e uma musiquinha da Disney ao fundo.
- Surpresa! – ele a olhou sorridente.
- Vamos... Vamos... Jantar aqui dentro?!
- Sim. E ver os fogos de um ângulo especial. – apontou para a enorme janela.
- Meu Deus, amor, que lindo!
Lia o beijou com ternura. O jantar estava sendo maravilhoso, ela sentia-se em êxtase.
E então os fogos começaram.
Era quase mágico.
Tão lindo, tão especial.
- Eu te amo tanto... – Harry sussurrou ao pé de seu ouvido. Abraçando-a por trás. Lia sorriu.
- Eu te amo mais.
- Eu... Eu... – percebendo seu nervosismo atípico, Thalia virou-se de frente para ele.
- O que foi?
- Lia... A gente tá junto há tanto tempo... E, quando eu paro pra pensar, parece muito mais... Muito, muito mais. Mas ainda assim, não é o suficiente pra mim... – suspirou. – E isso vai ser muito complicado, eu sei... Mas... Você é a mulher da minha vida e eu não saberia viver meus dias, minha rotina, sem ter a certeza de que eu vou chegar em casa e te ver me esperando. Não quero nem me arriscar a descobrir. – sorriu. – Não consigo imaginar outra mulher sendo mãe dos meus filhos, nenhuma parece mais certa do que você. Não quero passar o resto dos meus dias com mais ninguém além de você, porque, de alguma forma, eu simplesmente sei que você foi feita pra mim. Não importa o quão clichê isso soe, não é porque é batido que não possa ser verdade: Você é minha alma gêmea. – ele falou rindo, vendo os olhos dela mareados.
- Sim, eu sou. – fungou, já começando a chorar enquanto ele ajoelhava-se a sua frente.
- Então... – tirou a caixinha de veludo preta do bolso – Será que você não faria o favor de casar comigo?
- É um favor enorme, não acha? – ela limpou as lágrimas, extremamente nervosa.
- É, acho... Mas eu vou dar bons genes aos nossos filhos. Fala sério, sou lindo!
- Tomara que eles herdem apenas sua beleza e não esse ego inflado que mal cabe nesse castelo.
- Vai dizer logo "sim" ou vou precisar enfiar esse anel no seu dedo na marra?
Ela gargalhou, sentindo outras lágrimas escorrerem.
- Ok, Judd... Eu faço o favor de me casar com você.



Thalia fora uma linda noiva, oito meses depois, com sua barriguinha de quatro meses nada disfarçada no vestido. A maquiagem à prova d'água de Sam não suportou o volume de lágrimas enquanto Bela cantava durante a entrada das alianças. O casamento foi inspirador.



Glam week – London, UK

O astro Tom Fletcher, guitarrista e vocalista da banda McFLY, confirma seu término com Bela Johnson. A cantora foi vista chorando ao lado da fotógrafa e amiga de infância, Sam Bradley, no evento beneficente para o orfanato St. Marcus de crianças deficientes, na última sexta-feira. Desde então, os rumores de que o casal estava separado depois de quase sete anos de namoro começaram a se espalhar e foram confirmados hoje, no Twitter.
"Sobre Bela e eu, sim, decidimos terminar. Algumas coisas não deram certo, mas ainda somos amigos"


- Dois idiotas. – Soph comentou com Thalia que acolhia em seus braços o pequeno Ben adormecido.

- Sim. Vinte e quatro anos na cara e ainda agem como se tivessem quinze. Estão parecendo até o Danny e a Sam.
- Falando neles, estão brigados?
- Sim. Danny não respondeu as mensagens dela por três horas – Lia rolou os olhos e Soph gargalhou.
- Mas... Bela não quis contar por que terminou?
- Não. Não me disse nada. Só ficou com essa cara de morta, chorando lá em casa o dia todo.
- Estranho... Foi a coisa mais improvável do mundo.
- Daqui a pouco eles voltam... – Lia riu.
- Com certeza.
Todos estavam na festa de aniversário de Sue Johnson, em Southend. O dia estava calmo, o almoço muito agradável, a casa cheia. Todos em completa harmonia. Exceto por dois.
- Minha mãe não tem dó de mim. – Bela falava sozinha, pegando os engradados de cerveja no isopor. – Por que ela não pediu a algum homem?
- Ainda com essa mania de falar sozinha?
- Ah, oi, Fletcher. – Lhe sorriu brevemente. – Óbvio que eu ainda to com essa mania, não é como se não nos víssemos há anos...
- Foram só duas semanas. – ele disse, a ajudando com as cervejas.
- Duas semanas e três dias.
- Na verdade, a gente se viu quase todos esses dias. – ele riu brevemente.
- Ah, você entendeu.
- Entendi...



- Quando vocês vão voltar, Bela? – Flor perguntou sem rodeios, assim que cruzaram-se. – Odeio ver vocês separados!

- Não sei se vamos voltar. – ela respondeu, sem tirar os olhos da mesa de doces.
Flor a olhou descrente e Bela rolou os olhos, admitindo o óbvio:
- Ok, ok, não sei quando vamos voltar. Não depende só de mim. A gente brigou sério.
- Entendo... Como foi?
- Ele gritou "VOCÊ É SEM NOÇÃO E HIPÓCRITA", eu gritei "ENTÃO VÁ SE FODER E DEIXA A HIPÓCRITA AQUI EM PAZ", aí ele disse "EU VOU MESMO" e eu disse "OK, TCHAU".
- Sério?
- Aham.
- E por quê?!
- Por besteiras! Na verdade, não foi essa a pior parte. A pior parte foi depois, quando ele me mandou uma mensagem dizendo "não vou conseguir morar na mesma casa que a minha ex namorada". E eu estava tão puta, mas tão puta que respondi "não precisa se preocupar. Sua EX namorada está indo pra Southend e não pretende voltar"... – Bela suspirou, entristecendo ao lembra-se da história.
- Nossa... Que pesado.
- Foi bem tenso. Mas estamos nos tratando decentemente, como você pode ver.



Isso foi num sábado.
Eles se viram de novo no domingo, e conversaram sobre iogurte.
Na segunda, Bela foi passar uns dias na casa de Soph. O encontrou de novo, na social que eles fizeram.
Na terça, os nove combinaram de alugar o campo de paintball. Tom e Bela ficaram no mesmo time e tiraram fotos juntos, coloridos pela tinta. 
"Ganhamos, somos invencíveis!" Foi a legenda que ela colocou na foto em que os dois estavam abraçados, comemorando.Quarta feira, Tom os chamou para casa dele para que os nove passassem o dia juntos. Como sempre. Danny levou fotos antigas.
"Agarrados desde sempre" foi a legenda que Tom colocou na foto que postou dos dois quando crianças, acenando na casa da árvore. Uma fã sortuda comentou "tem certeza que estão separados??? Hahaha amo vocês" e ele fez questão de responder "Também não sei"
Bela viu. E sorriu.


- Ei, Lia... Me dá aqui nosso filho. – Bela pegou Ben no colo, o afagando em seus braços. – Lindão. Vamos lá falar com o tio Tom.

- Oi, pigmeu! – Fletcher, que estava do lado de fora conversando com Dougie, acenou para o bebê sorrindo. – Você está tão grandão...

- Claro que não, Tom! Ele é tão pequenininho!
- Vem cá com tio Dougie, Ben! – Poynter roubou a criança do colo de Bela, que fez uma careta. O pequeno Judd começou a chorar.
- Tá vendo, essa criança me odeia! – Dougie reclamou ao som das risadas e Tom e Bela, sentados lado a lado no gramado. – Vou levá-lo pra mãe dele.
- Ai... Eu quero um pra mim! – suspirou Bela, encantada com o sobrinho. Tom sorriu, abraçando-a pelo ombro.
- Podemos providenciar isso. – disse entre risos.
- Podemos, é? – ela o encarou, desafiadora.
- Se dependesse de mim, já estaríamos providenciando há muito tempo.
O coração dela acelerou.
- Quem mandou terminar comigo por mensagem e ainda me expulsar de casa?
- Você é que entende tudo errado, como sempre. Eu não quis terminar tudo com a mensagem, eu quis consertar... Eu disse "como morar com minha ex?", ou algo do tipo, porque queria me certificar de que você não era minha ex, entende? Era pra soar como “Nós temos que voltar porque a gente mora junto”.
Ela o olhou incrédula.
- Claro! Como vou saber dos seus desejos obscuros nas entrelinhas? O que custava ser mais explicito? Eu estava estressada, nunca entenderia dessa forma. – riram. Ele se aproximou e deu-lhe um selinho. – Eu chorei igual uma idiota, sabia?
- Eu chorei também. – Tom confessou, ouvindo Bela gargalhar.
- Somos imbecis.
- Somos imbecis!
- Imbecis e lindos. – ela brincou, pulando para o colo dele.
Se beijaram pela grama como se não houvesse amanhã.



- Vocês voltaram? – Dougie perguntou a Tom, no Sábado.

- Estamos apenas ficando, sem compromisso.
- Ah, cara, vá tomar no cu. – Harry lhe deu um tapa na nuca.
- Outch! To brincando! É obvio que voltamos, porra.
- Por que ela não voltou a morar aqui, então? – Danny questionou, esticando-se no sofá.
- Ela nunca deixou de morar aqui. Ela só pegou meia dúzia de roupa e fingiu que foi embora. – deu de ombros. Os três riram, quase não escutaram a campanha tocando ensandecidamente.
- Já vou! – Tom gritou. Atendeu a porta, vendo Bela de mala e cuia. Ele apenas olhou pra trás, sorrindo para os amigos ao murmurar: – Não disse?
- Não quero saber o que você disse, Fletcher, só quero que me ajude com essa mala. Tá pesada. – o cumprimentou com um selinho. – Oi, meus homens! – ela acenou. – Dougie, tire os pés da minha mesa! Eu odeio quando ficam marcas de dedos do pé nessa porra desse vidro, vou fazer você limpar com a língua! – ameaçou e depois se juntou a eles nas gargalhadas.
Era bom estar de volta.



Glam Week - London, UK

Novamente pelo Twitter, Tom Fletcher anuncia seu novo status amoroso, na última segunda-feira: "Sinto muito informar, rapazes, mas @belajohnson voltou para seu dono". Bela também fez questão de entrar na brincadeira, publicando: "Pois é, pessoal, @tommclfy não sabe viver sem mim... Sentiu falta das minhas massagens noturnas"


Latest rates (.co.uk) - London, UK

Milhões de pessoas acompanharam ao vivo, ontem, o pedido de casamento mais diferente da atualidade. O astro Danny Jones (26) pediu sua namorada de longa data Sammy Bradley (26) em casamento, via Twitter, enquanto viajava em turnê na América do Norte.

"@sambradley estou com saudades..."
"@dannymcfly também tô, príncipe! Volta logo!"
"@sambradley quer casar comigo?"
"@dannymcfly haha, bobo"
"@sambradley não, amor, sério. Aceita?"
"@dannymcfly para, Dan..."
"@sambradley não estou brincando, eu amo você mais que tudo. Casa comigo!!!!!!!"
"@dannymcfly ME LIGA."
...
"OMFG, era verdade!!! Estou noiva! @dannymcfly é um louco, haha! Te amo, noivo! X"
"@sambradley TE AMO MAIS, NOIVA!"



- Sam, calma!

- CALMA? NÃO É VOCÊ QUE ESTÁ ESPERANDO SEU NOIVO RESPONDER A DROGA DA MENSAGEM QUE EU MANDEI DESDE ONTEM!
- Sam, ele estava na despedida de solteiro...
- POR ISSO MESMO, JOHNSON! Se ele estiver com alguma cachorra...
- Sam! Ele estava com os meninos! Deve ter bebido até cair... Nada demais.
- BEBIDO ATÉ CAIR?! E SE ELE NÃO CHEGAR PRO CASAMENTO?!
- Bradley, calma, porra!
- Chegamos! – Thalia abriu a porta da sala da noiva, entrara com Ben vestido em seu micro terninho.
- Olha minha roupa! – Ben gritou, apontando para si mesmo. – Papai disse que eu vou ter muitas mulheres.
- Papai disse o que?! – Thalia perguntou durona e Ben levou as mãos à boca com uma cara marota. – O Harry só fala besteira pra essa criança... – ela suspirou.
- Tia Sam, fiz um desenho pra você. – ele era tão adorável! Tinha pequenos olhinhos azuis e as bochechas rosadas. Flor dizia que o menino era cópia da mãe com os olhos do pai. Ele mal tinha completado quatro anos e já era um prodígio. Tinha que ser filho do Harry...
- Own, obrigada, meu amor! Que lindo! Guarde ali em cima, por favor.
- As madrinhas mais lindas chegaram! – Soph cantarolou, entrando junto com Flor.
A partir de então, todas se dedicaram a acalmar Sam, antes que ela vomitasse no próprio vestido.



Enquanto o reverendo falava, Sam olhou pra Danny de esguelha. Ele retribuiu o olhar.

- Onde você se meteu? – ela sussurrou.
- Estive na casa do Tom, mas meu celular caiu na banheira. – respondeu no mesmo tom, ainda olhando para o reverendo.
- Banheira? Que banheira, quem estava com você na banheira, Daniel Alan David Jones?!
- Algum problema? – foram interrompidos pelo reverendo.
- Claro que não. – Sam sorriu sem graça.



Ben levou as alianças, ele ficou tão envergonhado que todo o seu rosto enrubesceu intensamente; no entanto, como os pais, permaneceu sorridente e autoconfiante. Todos acharam uma graça. Fora a única parte da cerimônia que Thalia chorou.



Já Bela, Flor e Soph tiveram seu momento de lágrimas num outro instante: quando, no fim da cerimônia, Danny cantou I've got You, vestindo, por cima do terno, a mesma blusa antiga que vestira uma única vez aos dezoito anos, que agora mal o servia, repetindo a cena de quando a pediu em namoro, oito anos antes. Foi emocionante. Especialmente para a noiva.



The Sun – UK

O surpreendente show de Bela Johnson na arena de Wembley deixou marcas. A surpresa que recebera antes de sua última performance mudou sua vida para sempre. Um show inesquecível para uma legião de fãs ao redor do mundo e, sobretudo, um show inesquecível para um casal apaixonado.


O Show tinha sido incrível. Estava sendo gravado, tornaria-se, em breve, um DVD. Ela se sentia extremamente bem. Era um momento especial pra ela, havia convidado seus pais e seus avós, seus sogros e cunhada, e todos os seus amigos... Mas o nervosismo que sentiu no início se dissipou logo na primeira música, como sempre.

Ela costumava deixar as músicas pra ele no final. Essa última, uma que havia sido lançada há pouco tempo era uma predileção de Tom, por isso, era uma predileção de Bela também.
- A música que vou cantar agora é muito especial. – ela disse, caminhando até o piano de calda e sentando sobre ele. Seu pianista tocava alguns acordes leves enquanto ela falava – Escrevi em um momento especial, e fala sobre amor. – os gritos eram altos ao final de cada frase. – Mas, mais do que uma mais uma canção de amor dentre milhares, essa musica fala de uma história verdadeira, a história do meu amor... E eu quero ouvi-los cantar comigo.
Mas a melodia mudou de repente.
E todos gritaram como loucos.
Bela olhou pra trás sem entender e, no telão de efeitos especiais que ficava atrás do palco, varias fotos antigas começaram a passar. Fotos deles dois. E, de um segundo para o outro, Tom apareceu no palco.
- Little Joanna's got big blue eyes... – ele sorriu ao cantar, caminhando até ela. – Coconut cream and coffee coloured thighs...
Bela, boquiaberta, não sabia se olhava pro telão ou para ele. Cada foto lhe remetia um momento especial. Os mostrava crescendo juntos, sempre tão amigos e agarrados (exceto por um pequeno desvio de curso nebuloso no passado), sempre tão apaixonados...
Ao terminar a música, o pianista continuou com a melodia. Tom tinha muito o que falar.
- Escrevemos essa música juntos, devíamos ter uns dez anos... – ele sorriu, olhando para ela. Hipnotizado. – E desde então escrevemos muitas outras... Mas essa foi a primeira. E a usarei toda vez que tiver em um momento especial. – riram juntos, assim como todo o publico – Bela Johnson é minha sina desde que a vi. Literalmente. As marias-chiquinhas, a mochila verde com estampa de sapos, o seu jeito delicado pra espirrar, mas estabanado para todo o resto. – riram. – Me lembro de puxar minha irmã pra mostrar Bela a ela. Eu perguntei "ta vendo aquela ali?". Ela respondeu que sim e então eu disse "ela vai ser a mãe dos meus filhos". – Thomas gargalhou. – E eu só tinha uns doze anos. A conhecia há algum tempo e já tinha uma das maiores certezas da minha vida. Acho que já vivemos por quase tudo que um casal poderia viver. E nesse momento, estou consolidando mais um passo adiante. O meu amor por você é o mais puro e essencial possível, daqueles que poucos têm a felicidade de encontrar. Sorte a minha, o encaixe do meu quebra-cabeça esteve comigo desde o início e agora quero me certificar de que sempre estará. Até o final. Você iluminou meu coração... – em meio às lagrimas, Bela riu com a analogia à sua musica –... e tudo que há de melhor em mim. Eu quero que saiba que sempre vou me dedicar a você, o que eu tiver de mais nobre será seu. Por completo. Pra sempre. – Thomas sorriu, tirando do bolso uma caixinha de veludo em forma de cocô. Bela começou a chorar histericamente. – Então, agora, aqui na frente de todo mundo, quero me redimir por meu pedido de namoro ter sido uma merda... – todos riram juntos. – Por isso estou tentando ser o mais romântico possível. Mesmo que você diga que acha sem noção e cafona, – nesta hora, ele rolou os olhos – sei que gosta. – suspirou. – Johnson, quer ser a Sra. Fletcher?
Bela arremessou-se contra o namorado (agora noivo), agarrando-lhe pescoço e chorando copiosamente. Ela sentia que, a qualquer momento, um líquido brilhante podia escorrer de seus poros, ela transbordava de puro êxtase. Não conseguia acreditar. Aquele momento definitivamente superou a aurora boreal.
- Certo, tem toda aparte chata de trocar meus documentos e você vai estragar meu nome artístico... Mas acho que pode dar certo.



Bela e Tom casaram-se num jardim em Southend, grande o suficiente para a pequena cerimônia deles, diferente do de Sam. Sob a luz do sol, a sombra das árvores e a benção de Deus, casaram-se.

O discurso de Tom, o mais original possível, foi em forma de música e encantou as pessoas de maneira inesperada. Bela, levemente alcoolizada, quis discursar descalça, sentada sobre uma mesa e falou coisas bonitas. Tom, mais uma vez, sentiu-se presenteado.



- Eu sempre tive uma meta. Todas as pessoas têm uma. E a minha foi alcançada assim que disse “aceito”. Vivi minha vida, até hoje, moldando-me e ansiando por este dia e uma vez li que, quando se alcança um sonho, você deve se focar em outro. Tom sempre foi meu sonho e agora que consolidamos o início de uma história juntos, ele não poderia deixar de ser. Se tornou ainda mais, aliás. Ele sempre será a minha meta. Sempre tive muitas paixões. Paixões são como sonhos, minha avó me disse uma vez, e eu concordo. Minha profissão é uma das maiores paixões da minha vida. Um sonho que realizo todos os dias. Minha família é uma outra grande paixão. Meus amigos, meus tesouros, são mais um exemplo de paixão que carrego comigo. Mas a maior delas sempre será fazer feliz o homem com quem me casei. Fazê-lo feliz tanto quanto ele me faz. Meu sonho agora é ser a esposa que ele merece, uma mulher de quem ele sinta orgulho, uma boa mãe para os nossos filhos, essa é minha nova meta, e eu serei eternamente apaixonada pela minha nova vida, por esses meus novos objetivos. Estou apaixonada por essa nova fase na qual estou mergulhando de cabeça, me entregando de corpo e alma, abdicando de mim mesma pra pô-lo em primeiro lugar. E a certeza de que eu serei feliz, não importam as circunstancias, é meu corrimão. Eu não poderia querer nada melhor pra mim. Não poderia querer pais melhores, não poderia querer uma família mais perfeita. Não poderia querer amigos mais invejavelmente adequados... E, principalmente, eu nunca ousaria almejar, mesmo porque nunca existirá, um marido mais sublime... Somos perfeitos um para o outro, Fletcher, vem cá me dar um beijinho, meu linduxo!

- Estão vendo como eu casei com a melhor garota do cosmos?



Na noite de núpcias, não fizeram sexo. Mas amor. Sem penetrações, sem preliminares. Apenas longos, afáveis beijos, outrora acariciando-se ternamente, deitados no gramado do quintal e vendo as estrelas até o Sol nascer. Foi uma noite diferente. Talvez nunca tivessem experimentado um estado de amor tão palpável, tão visível quanto naquele momento. Foi raro. Único. Dois corpos que exalavam suas próprias auroras boreais, envolvendo um ao outro para nunca mais soltar. Nunca mais. Para todo o sempre, eles sabiam.



More Gossip – London, UK


Hey, pals!

Hoje a fofoca é especial, assim como toda vez que falo sobre nossos boys do McFLY. Vocês sabem que tenho uma equipe atrás deles o tempo todo para obter as informações de primeira mão.
Sophia Harrison, que foi minha amiga na faculdade, namorada de Dougie Poynter desde aqueles tempos, não parece estar em bons lençóis no que se diz respeito a relacionamentos...
Numa entrevista para o TMI, no momento em que o assunto "Love's in the air" foi abordado, Harry falou maravilhado sobre sua pequena família Judd, Danny comentou sobre o quão feliz está a sua vida depois de casado e Tom quase expeliu glitter pelos olhos ao falar de sua recente união matrimonial com Bela Johnson. Já Dougie, afirmou com categoria que casamento não está nos seus planos por enquanto. Ele parecia nem cogitar essa ideia. Será que as coisas andam bem para o lado da minha ex-colega?
Mantenham-se conectados!
Até a próxima.
Xoxo Z.



- Olha isso, Poynter! OLHA ISSO! OLHA O QUE ESTÃO FALANDO DAQUELA BOSTA DE ENTREVISTA QUE VOCÊ DISSE QUE NEM IAM REPARAR!
- Calma, Soph... Nós podemos ajeitar isso.
- NÃO PODEMOS AJEITAR NADA COM VOCÊ NA FRENTE DESSE XBOX SEM NEM OLHAR PRA MINHA CARA.
- E a gente achando que os dois seriam os primeiros a casar... – Tom sussurrou no ouvido de Bela, aconchegados no sofá, sob o cobertor quentinho da casa dos Judd.
- Mentes juvenis de dezoito anos... – ela sussurrou de volta.
- O que estão cochichando aí? – Sam quis saber.
- Nada demais. – Bela respondeu, a briga entre Soph e Dougie era plano de fundo.
- Querem parar de gritar?! – Lia pediu, também aos berros. – Ben está dormindo!
- Quer saber?! – Sophia pegou sua bolsa com força – Eu vou pra minha casa.
- Qual é o seu problema, Soph?! Pra que tanto escândalo?! EU SÓ TENHO VINTE E SETE ANOS, NÃO QUERO CASAR! Tenho muito o que aproveitar ainda!
- TEM MUITO O QUE APROVEITAR?! – ela riu irônica, o clima foi ficando pesado. – Você tem razão. – seu tom de voz dizia o contrario de sua afirmação. – Tem muito o que aproveitar. Pra que perder tempo com um encosto como eu, que te impede de curtir a vida, não é? Pra que?! Perda de tempo! Mas fica tranquilo, Poynter, agora você vai poder aproveitar muito mais... PORQUE ESTÁ TUDO ACABADO ENTRE NÓS.
Foi completamente teatral. Ela soltou a frase com as veias saltando do pescoço e o rosto vermelho. Chegou a cuspir algumas gotículas de saliva, até. Mas antes de deixar a casa, Dougie sentiu o peso daquela declaração o atingir como uma manada de búfalos. Tudo acabado entre eles? Mas... Como poderia ele viver sem Soph?
- Não! Não, pétala, não faz isso, vamos conversar melhor.
- NÃO VENHA COM ESSA DE PÉTALA PRA CIMA DE MIM!
- Mas...
- OU A GENTE CASA, OU NÃO TEM PÉTALA, NÃO TEM FLOR, NÃO TEM JARDIM, NÃO TEM PORRA NENHUMA!
- Ihhh... – Harry soltou alto demais para o momento e acabou levando um tapa da esposa.
- Soph! – Dougie tentou sua melhor cara de gato de botas. Não funcionou.
- VOCÊ OUVIU BEM, POYNTER!
- OK, VOCÊ QUER CASAR? A GENTE CASA! SE ASSIM QUE VOCÊ QUER, ASSIM QUE VAI SER! TUDO TEM QUE SER SEMPRE DO SEU JEITO, NÃO É?
- É, TEM!
- ENTÃO TÁ, SOMOS NOIVOS! ESTÁ FELIZ AGORA?!
- ESTOU! Na verdade... Estou muito feliz! – ela abriu um sorriso enorme e o abraçou.
- Quer saber, eu também estou! – ele sorriu também, desfrutando da gostosa sensação de abraçá-la. Diferente do que Doug achava, a sensação de que iria se casa com ela não lhe remeteu medo, pavor, escravidão. Mas lhe remeteu uma forte alegria e um alívio sereno de que seria ela a dormir com ele todas as noites.
Os amigos bateram palma e assobiaram, aos risos. Foi uma cena hilária de se presenciar.
- Amo você, pétala.
- Também te amo, noivo. – trocaram alguns beijos – Agora, com licença, tenho que publicar urgentemente no Twitter. Aquela vaca vai se engasgar com o próprio veneno...
- Mas... – Danny coçou o queixo intrigado – Vacas não são venenosas, são?



Kill News – London, UK


Bela Johnson, agora Fletcher, vai ganhar uns quilinhos! Sim! Depois de um ano e sete meses de casamento, aos 28, a cantora anuncia estar grávida fazendo uma bonita homenagem ao mais novo papai.


- Amor, está pronta? – Tom chamou do andar de baixo.

Bela estava no banheiro, olhando seu reflexo no espelho. Ela lembrou-se do dia anterior quando, ao abraçar o marido perfumado, sentiu-se levemente nauseada com o cheiro forte, que, em situações normais, costumava amar. Há anos tomava anticoncepcional para, além de regular seu ciclo menstrual, não engravidar. Entretanto, há alguns meses tinha deixado de tomar. Agora, sua menstruação estava estranhamente atrasada.
Sorriu. Viu como estava radiante. Suspirou antes de responder:
- Já estou descendo!



Algumas horas depois, já estavam na casa dos Johnson para um pequeno almoço de família.

A conversa estava agradável e a comida, deliciosa como sempre. Bela ajudou a mãe a recolher os pratos depois.
- Há algum motivo para esse sorriso interminável desde que você pôs os pés aqui? – Sue perguntou à filha, com a sobrancelha erguida indicando que estava desconfiada.
Bela alargou ainda mais o sorriso.
- Mãe... Eu acho que estou grávida. – o viço que cintilava em seus olhos entorpecia qualquer um. Sra. Johnson soltou o ar fortemente pela boca com os olhos arregalados e já mareados. Levou as mãos ao coração, que batia forte. – Mas eu ainda não tenho certeza. – Bela se apressou, antes que a mãe começasse a gritar e espalhar as boas novas aos quatro ventos.
- Mas então vamos agora fazer os testes de gravidez!
- Tem testes aqui? – Bela questionou estranhando.
- Não. Mas tem o telefone da farmácia.



Um tempo depois, Bela saiu do banheiro da suíte dos pais com o teste em mãos. As lágrimas nos olhos e o sorriso que mal cabia no rosto não a deixavam mentir. Sua mãe lhe abraçou com força e as duas choraram juntas no quarto.

- Mãe, não quero que o Tom saiba por enquanto. Quero contar pra ele de um jeito especial pra eu me redimir pelo noivado.
Sue acatou ao pedido sem dificuldade. Mais tarde, naquela noite, Tom reparou em como ela estava diferente.
- Bela?
- Hm?
- Aconteceu alguma coisa que eu não sei?
- Er... Por quê? – perguntou ela, tentando não deixar escapar nada.
- Você está estranha hoje. Tá meio no mundo da lua, fica sorrindo para o nada... – ele abraçou sua cintura por debaixo do cobertor.
- Não há nada de errado, amor. – sorriu, lhe dando um selinho.
- Tem certeza? – ele sabia que não era verdade, mas, de alguma forma, não sentiu-se mal. Bela estava feliz demais para ser algo ruim. Tinha certeza que, mais cedo ou mais tarde, iria acabar sabendo.
- Tenho. – ela riu. – Nada errado. Vamos dormir que eu tô cansada...



Exatamente uma semana depois, um Sábado nublado, o McFLY terminava seu show na arena de Wembley. Bela teve sete dias para preparar tudo.

Antes da ultima música, o telão chiou como se estive dado defeito. Depois chiou de novo. E de novo. E então apareceu, por alguns segundos, Debbie e Carrie pulando, comemorando com lágrimas nos olhos. Outro chiado. O vídeo agora era de Thalia abrindo a boca devagar e depois começando a gritar. Mais um chiado. No instante seguinte, Sam chorava abraçada com Florence. Chiado. Soph batia palmas sorridente. Chiado. "Pra que você está filmando, Johnson?", Thalia perguntou, curiosa. O rosto de Bela apareceu no telão "Oi, amor! Lembra que você perguntou se tinha alguma coisa errada, e depois perguntou por que eu estava saindo tanto essa semana?" Chiado. "Oi, Tom!" A cara de Danny parecia maior que o normal naquela tela "Prepare-se para chorar como uma gazela! Tipo o Harry!" A câmera focalizou em Judd, que estava no canto do cômodo que parecia uma cozinha, com os olhos vermelhos "É que vocês não conhecem a sensação, idiotas..." Harry retrucou, Dougie e Danny riram. "Parabéns, cara, estamos muito felizes!". O chiado seguinte foi o último. O telão se apagou; Danny, Dougie e Harry olhavam sorridentes para a cara confusa de Tom e, de repente, uma luz forte se acendeu no fundo do palco. Bela Johnson estava sob ela.
O piano soprou levemente as primeiras notas de Little Joanna e Tom gargalhou. A plateia berrava, Harry estava emocionado novamente.



Bela chorou enquanto cantava. Durante toda a musica, sua mão estava sobre a barriga, mas não foi o suficiente para Tom entender o recado. Ele estava emocionado com a surpresa, entretanto ainda não entendia o real motivo dela.

- Como você disse, essa é a nossa música para momentos especiais. – ela falou ao terminar de cantar. – E por isso eu a escolhi como a trilha sonora desse presente que eu tenho pra lhe dar.
Tom a olhou franzindo o cenho.
O telão acendeu novamente, e toda a atenção voltou-se para lá. Danny, Sam, Flor, Lia, Harry, o pequeno Ben, Dougie, Soph e Bela estavam lá, na porta de uma loja de bebês. Bela contou "Um, dois, três e...", então todos gritar juntos "HEY DADDY!". No vídeo, Bela levantou a blusa e em sua barriga estava desenhado um coração. Os nove pulavam, animados e sorridentes, ora beijando, ora acariciando a barriga que estaria crescendo em breve.
Tom mal conseguia se expressar. Ele ficou olhando hipnotizado para o vídeo por alguns instantes e depois olhou para Bela como se precisasse confirmar aquela informação. Ela apenas sorriu. Ele sorriu de volta, sem vergonha por estar chorando.
Abraçaram-se, beijaram-se. Thomas também beijou a barriga de Bela antes de ser cumprimentado pelos outros três no palco. O mais novo papai implorou pra que a esposa ficasse no palco até o fim do show, não queria estar distante dela um minuto sequer.



Apesar de todo o estresse, Tom dizia, incansavelmente, que foram os meses mais engraçados de sua vida. Bela foi uma grávida hilária.

- Onde você está indo, amor? – ela perguntou, erguendo-se no colchão até ficar sentada.
- Reunião. – ele respondeu simplesmente. Dando uma última ajeitada no cabelo.
- Reunião? Já é a terceira da semana!
- É a primeira do mês, Bela. E já estamos no final de Março!
- Então por que você saiu tanto essa semana?
- Amor, eu não saí.
- Mas você está tão distante que é como se tivesse saído! Eu estou carente!
- Mas a Sam já tá vindo e eu não vou demorar. Prometo ficar aqui na cama com você quando voltar. – Tom argumentou. Bela estava pior que Sam.
- Thomas! E se eu sentir sede enquanto estiver sozinha em casa, for descer as escadas pra tomar água e sair rolando? Eu estou obesa, mal consigo enxergar meus pés e tenho muitas necessidades! Não posso ficar sozinha! Quando você voltar, eu posso estar morta! Ou parindo! Já estou com oito meses, você sabe.
- Aham, sei. – ele se aproximou dela, selando-lhe os lábios demoradamente. – Por isso você vai ficar bem quietinha aí na cama até a Sam chegar e tudo ficará bem. Tenho que ir.
Ela assentiu, depois soltou uma risada.
- Como você me aguenta? Eu estou insuportável! – disse, divertida.
- Você faz de propósito que eu sei. – ele riu também. Não, ela não fazia. Estava mesmo tendo surtos de bipolaridade. Não que fosse sério, era pura manha de grávida... – Até mais. Qualquer coisa me liga, já sabe.
- Beijo, amor, volta logo.



Exatamente cinco semanas depois, todos eles estavam na casa de Danny, como faziam pelo menos três vezes na semana, para passarem um tempo juntos. Soph dizia a Lia como ela queria que fosse seu casamento – que ainda não tinha acontecido, Dougie a enrolava muito bem –, Sam e Danny estavam abraçados na ponta do sofá, assistindo TV; Tom mexia no celular, na outra ponta, ao lado de Bela que conversava com Dougie e Harry, sentados no chão a sua frente. O pequeno Ben brincava com Florence e o cachorro.  Estava tudo muito bem... Até que Bela levantou-se para pegar algo de comer na cozinha.

- Ah, não, Bela! Não acredito que você urinou no meu sofá! – Danny reclamou. – Essa criança está comprimindo sua bexiga!
- O que? Danny, eu não urin... Céus. – Ela olhou para baixo, seu moletom estava todo molhado. E não era de urina.
- ELA VAI PARIR! – Dougie gritou e a casa, de repente, virou um caos.



Thomas sentia-se sufocado com aquela mascara em sua cara. Mesmo assim, já havia tirado pelo menos cinco fotos com aquela roupinha de médico para, futuramente, postar em todas as redes sociais possíveis. Mas não pensava nisso agora.

A única coisa que passava por sua cabeça, aliás, era a dor de Bela enquanto paria sua filha.
Sua filha.
Era inacreditável.
A mão de Thomas já estava dormente de tanto ser apertada e seus ouvidos, acostumados com os gritos, não se incomodavam mais. Ele suava frio. Seu corpo tremia de ansiedade.
Mas tudo parou quando as costas de Bela caíram sobre o leito, o corpo mole e suado parecia inativo; o rosto, sempre tão ávido, empalideceu, e os olhos, que antes se fechavam com força, estavam agora fechados calmamente. A mão dela não o apertava mais. Sua respiração não era mais ruidosa. Agora era calma e ritmada. Seu sorriso era bonito e a lágrima que deslizou pelo canto de seu olho o fez sentir vontade de chorar também, enquanto sentia o carinho da esposa em suas mãos antes esmagadas.
A pequena Joan havia nascido. Calada, silenciosa. Mal ligava para o que estava acontecendo ao seu redor. Seu primeiro choro apenas aconteceu quando ganhou uns tapinhas do obstetra.
- Eu achava que cair da escada doía... Isso porque eu ainda não tinha parido... – Bela murmurou com a voz baixa, mas completamente audível. Tom sorriu, sem conseguir falar diante de um momento tão inexplicavelmente maravilhoso.
- Aqui está a mais nova Fletcher. Perfeita e Saudável. – A enfermeira entregou a criança embrulhada nos panos da maternidade. Tão pequena e indefesa. Tão linda. Tão deles.
- Oi, Jojo. – Bela sorriu com a visão turva. O nariz extremamente entupido pelo choro mal a deixava respirar e nasalava sua voz – Você é tão miudinha!
- Bem vinda, tampinha. – Fletcher acariciou a bochecha da filha com o indicador.
- É tão estranho, não é? – Bela desviou o olhar de Joan para Tom – Nossas vidas estão tão perfeitas...
Ele sorriu.
- Eu devo ser mesmo o cara mais sortudo do mundo. – deu um selinho na esposa – Não acredito que ninguém tenha uma sorte maior que a minha.
Bela negou com a cabeça.
- Errou. Eu tenho.
- Eu amo você.
- Eu também, Thomas. E amo a nossa filha com cara de joelho...



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------



> take a shortcut up to
Part  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10

Nenhum comentário:

Postar um comentário