Part 8


Respirei fundo a brisa francesa. Fazia um tempo que eu não visitava a iluminada Paris.
- Eu me sinto demais quando venho a Paris. Sei lá, tem todo esse glamour que me deixa empolgada... - Lia comentou abobada, olhando pelas ruas através da van.
Soltamos na porta do hotel, e depois de dar uma atençãozinha (bem pouco porque tava um frio desgraçado) aos fãs, subimos para nossos quartos abençoados com a calefação.
- Sam está me ligando. - falei assim que Lia saiu do banheiro. Estávamos no quarto dela fazendo nada. - Oi!
- Vadia, nem me ligou quando chegou.
- Awn, desculpa, bebê. Eu esqueci, você sabe como sou cabeça de vento.
- Sei. Sei muito bem. - com certeza ela estava revirando os olhos. - DEIXA EU FALAR COM ELA, SAMANTHA! - escutei Soph gritando ao fundo e ri.
- Samantha é o teu cu. -  Sam retrucou antes da Soph tomar o telefone e tagarelar comigo a respeito do novo apelido que o Dougie andava usando. Eu quase a morri. Juro.
- Que foi, retratada? - Thalia perguntou curiosa diante da minha crise de riso.
- VOCÊ TEM QUE VER DO QUE O DOUGIE TÁ CHAMANDO A SOPHIA! HAHAHHAHAHAHAAHH.

- Ok, Bela, está pronta?
- Eu tô... E você? Tá pronta pra se encontrar com seu antigo caso de verão, Henri O'Brian?
- AI MEU DEUS, EU TINHA ESQUECIDO COMPLETAMENTE.
- Serio?! Jurava que você tava toda animadinha pra vir comigo só pra dar uns pegas nele...
- O QUE? FUMOU UMA ERVINHA HOJE, ISABELA? BEBEU CHÁ DE COGUMELO? EU QUERIA VIR PORQUE EU AMO PARIS E NÃO POR CAUSA DAQUELE TRASTE!
- Eita! Calma, se controla, mulher!
- NÃO ME CONTROLO NÃO!
- Lia, fala baixo, vão ouvir...
- VOCÊ TAMBÉM É UMA CASCAVEL, JOHNSON! NÃO ME LEMBROU QUE EU IA TER QUE ME ENCONTRAR COM ELE!
- Mas eu pensei que você sabia... E fala baixo, é serio, vão ouvir...
- TO NEM AÍ! QUE OUÇAM! ME DIZ O QUE EU VOU FAZER QUANDO OLHAR PRA CARA DO HENRI! ME DIZ!
- Sorrir? - Ouvimos uma voz suave e máscula vindo da porta, e lá estava ele. O próprio. O dito cujo. Lá estava Henri O'Brian escorado no batente da porta nos olhando com um sorriso sarcástico. - Como vai, Hoppus?
- To bem. - ela parecia um tomate ensanguentado de tão vermelha, mas mantinha uma expressão segura e tranquila.
- Que ótimo! - sorriu - E como vai nossa estrela? - perguntou simpático, direcionado seus olhos verde-acastanhados a mim.
- Ah, vou bem! E você?
- Muito bem! Que bom que você chegou cedo, Bela, já está tudo pronto para a passagem de som. Vamos?
- Vamos! - fui saltitante, que nem uma gazela.
- Vem também, Lia?
- Thalia, por favor. - solicitou rígida - E sim, eu vou também. - Sorriu curto, e com um ar de superioridade, pôs-se a andar.

Depois das passagens de som, corri para o camarim pra me arrumar e tudo mais. Minha roupa (#) era muito maneira. Eu mesma havia tido a ideia, e não sei como Lia conseguiu arranjar tudo exatamente do jeito como eu imaginava. Inclusive o sapato (#). Ela é uma santa.
Demorei dois séculos pra me arrumar, tanto que quando fiquei pronta, já era quase a hora de eu entrar no palco.


A apresentação foi muito legal! Amei, sério. Só cantei três músicas e fiz mais umas bobeirinhas lá, o show mesmo seria amanhã, mas ainda assim hoje foi maravilhoso! Me diverti muito!
- BELA! Foi lindo! - Lia veio correndo pra me abraçar, mas desistiu quando viu que os setenta por cento de água que formam meu corpo estavam todos sobre a minha pele. - Nossa, ou essa roupa é muito quente, ou você foi dar uma nadada pelo pacífico e voltou.
- Essa roupa é quente. - disse meio esbaforida enquanto pegava a garrafa de água que algum ser que eu não conheço me oferecia.
- Ok, eu tenho coisas pra contar. - ela declarou meio misteriosa e eu sorri cúmplice. - Vai tomar uma ducha que eu te conto tudo depois. Anda! - deu um tapinha na minha bunda e eu fui pro camarim apressada, isso porque a palavra 'ducha' me seduziu tanto que foi quase como um imã.

- Conta, bebê. - falei, me sentando ao lado dela no sofá do camarim.
- Eu e O'Brian nos pegamos com vigor bem aqui onde estamos sentadas. - ela largou a bomba e eu apenas arregalei os olhos.
- MEU DEUS! Não era você que tinha aversão a ele?
- Na verdade, não é aversão, sabe? Eu só não gosto dele, ele é escroto. Mas é bonito. - Lia fez menção de dizer mais alguma coisa mas não o fez. Só que eu sabia muito bem o complemento da fala dela:
- E o Harry não gosta dele. - sorri vitoriosa.
- Que Harry? - Fez uma atuação impecável de desenformada e eu rolei os olhos. E ri, é claro.
- Aquele gostoso, tesudo, musculoso e másculo do McFly. Lembra dele? Seu ex, pelo qual você ainda é perdidamente apaixonada?
- Anh... - ela encarou o chão pensativa, ainda na sua encenação. - Desculpe, não me recordo. Na verdade, acho que o vi na TV uma ou duas vezes, mas você deve estar confundindo. Esse cara não é nada pra mim. - disse com descaso. Dei uma gargalhada forçada que ela não gostou.
- Claro, claro. Não deve ser nada mesmo pra você! Mais fácil você praticar necrofilia com o cadáver do Hitler do que gostar de um cara desses, né?! Entendo.
- Engraçada. Pera aí que eu já vou rir, só um minuto.
- Tá bom, Lia, olha... Se você quiser, pode se enganar. Pode enganar a quem você quiser. Mas você não vai me convencer de que não gosta mais do Harry. Até porque uma vez você me disse que o amava. E amor não acaba. Nem se ele jogar uma bomba atômica na casa da sua mãe você vai deixar de amar aquele crápula, infelizmente. Minha avó sempre disse que se você deixa de amar alguém, é porque nunca o amou de verdade.
- Então! Seja esperta, Bela. Eu simplesmente nunca amei o Harry. - Disse como se aquilo fosse óbvio - Eu só tava apaixonadinha. E você sabe muito bem como as pessoas apaixonadas acham que sentem a coisa mais forte do mundo. Era só uma confusãosinha na minha cabeça. Ele também dizia que me amava e já está até com outra.
- Ah, isso não quer dizer nada. Ele pode muito bem não gostar dela...
- Mas não hesitou em ficar do lado dela ao invés de apoiar os melhores amigos.
- ELE É ORGULHOSO, POMBAS! - HAHAHAHHAHAHAHAHAHAH ACHO TÃO ENGRAÇADO FALAR POMBAS! Sempre fico rindo mentalmente. - Não ia querer ficar com os amigos porque seria a mesma coisa que estar com você, que cagou solenemente para as desculpas dele! Foi ridículo da parte dele? Foi! Mas não significa que ele te odeia, não significa que ele gosta dela, não significa que ele deixou de te amar, não significa que ele não mereça umas porradas. - concluí, satisfeita com meus argumentos.
- Ok, foda-se. Eu não peguei o David por causa do Harry. Peguei porque quis e pronto. Não tem discussão. - levantou nervosa. - Vou ao banheiro. - eu adoraria ter revirado os olhos pra ela nessa hora, mas fiquei com medo. Hihihihi...

Soph's POV

As coisas por aqui estavam normais. Quero dizer, cê sabe, Lia e Bela não fazem tanta falta assim. Elas viajaram há aproximadamente dois dias e voltam daqui a três dias, nem é tanto tempo.
Tava todo mundo na casa do Tom - inclusive o Harry, mas ele teve o bom senso de não levar a namorada legal dele - e estávamos vendo a apresentação da Bela no "quarto-cinema".
- Ela não é foda? - Tom perguntou pela trigésima sétima vez.
- É, Tom. É. - Respondi com tanto descaso que ele me mandou o dedo do meio.
- O que tem demais nela dessa vez? - Sam perguntou tentando entende o motivo de tamanha adimiração da parte do Tom. - É a mesma coisa que todos os outros shows.
- Ela é foda em todos os shows, então vou elogiá-lá em todos os shows. Se não quer ouvir, enfia um lápis na orelha e fica surda. - Ele disse claramente imitando a Bela com aquele jeito afiado de falar as coisas e, dessa vez, Sam quem mandou o dedo.
- OLHA, GENTE, ELA VAI CANTAR 'SO DAMN IN LOVE', CALEM A BOCA. - Flor gritou, se levantou do sofá e começou a cantar junto, balançando os braços no alto lentamente, no rítmo da música, como se ela realmente estivesse lá na platéia.
- Essa música é tão fofinha! - Sam acompanhou a Flor nos movimentos enquanto Danny e Harry riam.
I am so, so damn in love
There is no way out for heart
So now I might tell the world
How I'm in love, how I'm in love, I'm fuckin' in love!
(Like I've never been before)
- Um dia canta essa musica pra mim, Danny? - Sam pediu toda saltitante assim que acabou o refrão.
- No dia que eu me apaixonar por você, eu canto! - HAHAHAHHAHAHA, BOA DANNY!
Sam começou a estapeá-lo sem nenhuma piedade, enquanto ele ria e tentava se esquivar.
- BRINCADEIRA! OUTCH! OOOOOUTCH! É BRINCADEIRA, SAM!
- BRINCADEIRA É O QUE FAZEM NOS JOGOS MORTAIS! ISSO QUE VOCÊ FEZ FOI ENVIAR UMA CARTA AO INFERNO IMPLORANDO POR UMA MORTE SANGRENTA, IMBECIL!
- PARA, OUTCH! PARA, PARA! TÁ MACHUCANDO, AI, PORRA, OUTCH!
- PEDE PINICO ROSA!
- PENICO ROSA! PENICO ROSAAAAA!
- Veado. - ela xingou, saindo de perto dele antes de voltar a prestar atenção na música, que tava no finalzinho.
- Olha, ela tá emocionada! - Flor falou, quase vomitando um arco-íris.
- Tá nada, sãos as luzes refletindo no olho dela. - Dougie afirmou e eu concordei.
- Ela vai falar alguma coisa! - Sam gritou. - AUMENTA, AUMENTA!
- (...) porque essa música significa muito mais pra mim agora... - gritos da multidão - Só sentimos de verdade a letra quando estamos vivendo-a no dia-a-dia... - mais gritos. - E eu estou! - deu uma risadinha e cantou mais uma vez o refrão, só que baixinho e com mais sentimento ainda. Foi bonitinho. Tom só faltou desmaiar. Ele ficava rindo que nem um idiota. Que fofos.

- Melzinho! - Dougie me chamou, mas eu tava mexendo no celular e acabei ignorando meio que sem querer. - Mel! Melzinho, quer parar de me ignorar?
- Eu vou vomitar em vocês se continuarem se chamando de Melzinho. - Sam reclamou e eu gargalhei, colocando o celular na mesinha de centro e caminhando até o Dougie.
- Fala, meu bombonzinho. - falei intercalando as palavras com beijinhos curtos. As vezes eu fico tipo "quem sou eu?", mas a verdade é que eu e Doug usamos esses apelidos carentes de insulina só pra ser engraçado mesmo. Não é como se fosse verdade, mas a gente finge que é e os outros acreditam. HAHA!
- Nada, só pra avisar que o jantar tá na mesa e Tom disse que se todo mundo não descer em um minuto e trinta e três segundos, ele vai nos deixar com fome.
- Ok, então vamos descer, eu to curiosa pra experimentar a gororoba do Fletcher! - Falei saltitante e ele riu, pegando minha mão, e então descemos.
Conclusão do dia: Tom até que cozinha bem.

Soph's POV off

Sam's POV

Depois da janta a gente começou a beber loucamente - não sei porquê - e foi engraçado por que todo mundo ficou bêbado mais rápido que o normal. O Danny tava louco, sério mesmo!
- EU TENHO QUE FAZER UMA CONFISSÃO!
- Faça, Jones. - Flor se remexeu no chão, derrubando algumas latinhas vazias.
- Um dia eu tava na rua, né. - Ele começou a chorar - Aí passou um anão e eu chutei ele! - Chorou mais. Não era aquele choro com lágrimas, eram só uns resmungões escandalosos. Quis bater nele pra ver se ficava quieto, mas ao invés disso, me preocupei em tentar fazer Soph se desengasgar (também batendo nela), já que ela riu que nem um gralha tuberculosa da confissão do pobre Alan.
- EU TAMBÉM QUERO ME CONFESSAR!
- TODO MUNDO JÁ SABE QUE VOCÊ QUER SER MULHER, POYNTER, NÓS QUEREMOS NOVIDADES. Por favor, quem é o próximo a se confessar? - Tom ignorou o coitado do Dougie e olhou pra todos que estavam espalhados pela sala.
- Ei! É serio, eu quero me confessar! - Dougie reclamou e Tom rolou os olhos, lhe dando atenção. - Tudo bem, eu sempre sonhei em trocar meu nome pra Skywalker. Não seria legal? Skywalker Lee Poynter?! - Ele perguntou maravilhado e Soph fechou os olhos no maior estilo "meu Deus, removam esse bêbado daqui".
- Cara. - Harry falou pausadamente com uma voz horrível de bêbado. - Se liga, você não pode trocar seu nome.
- Eu conheço uma mulher que trocou. - Danny declarou, interessado - Ela é minha tia. Me lembro da vez em que ela me deu banho porque eu tinha me cagado. Eu costumava chamá-la de Sheryl nessa época, mas hoje todos a chamam de... Ah, não, acabei de pensar na possibilidade de Shell não ser um novo nome, e sim um apelido!
- Puta merda. Alguém me diz como esse jumento se formou? - Soph perguntou retoricamente (ou não) e Tom gargalhou alto.
Essa bebida deve estar adulterada. 

Sam's POV off

- Ai, que cu! O Fletcher não atende! - reclamei. Estava solitária na minha cama e eu podia muito bem dormir, mas não queria fazer isso sem antes falar com ele.
Decidi ligar pro Harry.
- ALÔ! - ok, esse não é o Harry.
- Danny? - Chutei.
- ALOOOOOOOOOÔ?! Ah, foda-se. - ele desligou.
Calma, Bela, não saia por aí querendo morder as coisa até elas se esfarelarem, mantenha o controle e tente ligar pra mais alguém.
Flor.
Isso. Flor deve me atender.
- ALÔ! - Danny atendeu de novo. - AQUI É DA CARNIFICINA...
- BABACA, O LUGAR QUE VENDE CARNE É AÇOUGUE, ENERGÚMENO ACÉFALO! - alguém berrou ao fundo.
- DESCULPE, AQUI É DO AÇOUGUE, DEIXE SEU RECADO APÓS O GRITO DO DOUGIE.
Poynter deu um berro desafinado e Danny desligou o telefone sem me dar chances de falar uma letra sequer.
Tudo bem, eu já estaria verde, musculosa e grande, grunhindo e destruindo as coisas, se não estivesse rindo tanto a ponto de urinar (ou quase isso).
Última tentativa. Soph.
E se o Danny atender, vou voltar pra Londres pra espancá-lo.
- NÃO DANNY, SOLTA MEU TELEFONE, É A BELA QUE TÁ LIGANDO, DEVOLVE! - Soph gritava do outro lado da linha.
- QUÊ?! A BELA?! PORRA DANNY... Alô? - Tom atendeu rápido.
- AMOR!
- AMOR! Como você tá?
- Bem! E você?
- Eu tô bem, minha linda!
- E bêbado! - afirmei rindo. - Que feio, fazendo farra sem mim!
- A gente faz quando você voltar também! Mas você não pode demorar senão vou morrer!
- Ah, claro, Fletcher, vai sim. - ironia mode on. - Awn, bebê lindo, só liguei pra desejar boa noite. - disse manhosa. Eca...
- Ah, ok. Me imagine nu ao seu lado aí na cama.
- Já estou. - rimos.
- Também vou fazer isso. Todos estão mandando beijos para as duas. O Harry disse pra você perguntar pra Lia se ela não quer voltar com ele.
- HAHAHAHAHHAHAHA, ok, pode deixar!
- Amo você!
- Também! Muito! Boa noite... E BATA NO DANNY POR MIM! - Ordenei antes de rir e desligar. Depois, dormi imediatamente.

Thalia's POV

- Bela. Bela. Bela. Bela. Ai, porra. BELAAAAAA! - eu balançava ela, cutucava, estapeava e a garota nem se mexia. - ISABELA ADAM JOHNSON, VOCÊ TEM UM SHOW INTEIRO PRA FAZER HOJE!
Nada. Ótimo. Ela vai ver só.
Arranquei o cobertor quentinho que a envolvia - manobra infalível - e sorri vitoriosa, a vendo levantar.
Tudo bem, o que ela está fazendo?
A coisa (Bela) foi andando meio sonâmbula até o cobertor que eu joguei no meio do quarto, o pegou na maior calma, voltou pra cama, deitou, se cobriu e dormiu. Sem nem olhar pra minha cara.
COMO ELA TEM ESSA PACHORRA?
- BELA, TOM ESTÁ BEM AQUI, SEGURANDO DOIS CACHORROS QUENTES SÓ PRA VOCÊ!
- CADÊ? - caiu que nem uma jaca, HAHAHAHA. - Ai, porra, você me acordou com uma pegadinha idiota e eu acreditei feito um Danny! Que lamentável! - foi resmungando até o banheiro, se higienizou e finalmente se prestou a me dar a devida atenção.
- O que quer comigo?
- Quero que se arrume porque estamos indo para o Kids and choiceeees! Hoje é o seu show!
- Hm. Ok. Vou me vestir.

- ARE YOU READYYYYYY?! - Bela gritou pronta pra entrar no palco. Ela tava suspensa numa espécie de "elevador" que estava prestes a descer. Iria entrar por cima, adorei.
A platéia tava bem eufórica e era legal ouvir a reação da multidão àquilo tudo. Enquanto ela tava descendo naquela roupa brilhante (#) selecionada pela produção do K&C,  o povo delirava com os acordes da primeira música. Eu tava entretida vendo a sua performance quando senti duas mãos envolverem minha cintura. Virei pra trás. Era o Henri.

Thalia's POV off

Tom's POV

Cara, às vezes não gosto muito de ficar vendo os shows da Bela. Tudo bem, eu gosto sim, mas que dá um ciúme dos infernos quando ela fica se esfregando naqueles dançarinos (mais musculosos que eu), dá. 

Eu tava sozinho em casa assistindo ao Show dela quando a campainha tocou. Corri pra atender a porta amaldiçoando quem quer que fosse por estar interrompendo um momento tão sagrado.
- Oi, Fletcher. - Katy. Puta merda.
- O que você quer? Seja rápida porque eu tô ocupado.
- Ocupado? Posso saber com o que?
- Não.
- Não vai me deixar entrar? Está frio aqui fora, se você não percebeu.
- Eu percebi. - bufei - Entra. 
Eu não tenho o coração de pedra, sabe? Não vou deixar a garota passando frio ali fora.
- Ah, então estava ocupado assistindo o show da Johnson? - ela riu debochada, olhando a TV da sala.
- Katy, por favor, pode ser objetiva? O que quer aqui?
- Hm, ok. Vim me desculpar. - Crispou os lábios e ajeitou uma mecha do cabelo. - Eu estava bêbada na formatura.
- Por que não veio se desculpar antes, enquanto a Bela estava aqui? É com ela que você tem questões pendentes.
- Eu não queria falar com ela. Queria falar com você. - Suspirou. - A gente tinha uma coisa legal, Tommy. - Não gosto desse apelido, só pra constar.
- Er, Katy, não vamos entrar nesse assunto. Pode deixar que eu aviso pra Bela que você se desculpou. - Falei, dando a entender que ela já podia ir embora.
- Não tem como você não sentir mais nada por mim. - ela afirmou. 
- Katy, olha, é claro que eu gostava de estar com você - passei a mão no cabelo, meio tenso. - mas...
- Então! O que aconteceu pra você deixar de gostar?
Isso não era uma pergunta meio óbvia?
- Katy, desculpe, mas eu gosto apenas da Bela. Não sinto mais nada por ninguém. - disse com certo pesar e ela rolou os olhos. 
Desamarrou, então, o sobretudo revelando o que ela usava (#) por debaixo daquele pano grosso. Ou melhor. Revelando o que ela não usava.
- Erm... Katy. O que pensa que está fazendo? - Falei depois de alguns segundos atônito. - Veste isso. - apontei pro sobretudo dela, que jazia no chão.
- Não. Acho que nossa conversa renderá melhor assim. - ela veio se aproximando sensualmente e... Cara, sou homem. 
Ok, sou homem mas não sou cafajeste. Concentre-se, Fletcher! Pensa na Bela, pensa na Bela!
Começou a beijar meu pescoço e gemer no meu ouvido, e eu ficava repetindo meu mantra: pensa na Bela, pensa na Bela, pensa na Bela!
- P-para Katy... 

Tom's POV off

Sam's POV

- VAI LOGO, DANNY!
- Calma, estou indo! Você podia pelo menos carregar uma bolsinha né! - Ele reclamou. Estávamos saindo do mercado que tinha perto da casa do Fletcher. 
Eu e Danny já estávamos de saco cheio de ficar na casa dele, então decidimos comprar comida e ir pra casa do Tom. 
Algum tempo depois, Danny estacionou na porta da casa. Como estava muito frio, eu saí correndo do carro pra entrar logo. Jones que se virasse com as compras lá no carro, MUAHAHAHAHHAHA.
Abri a porta apressada e não acreditei no que vi.

Sam's POV off

Tom's POV

- Você quer mesmo que eu pare?
Seja um homem decente, Tom! ANDA!
- Quero. - disse firme, a segurando pelos ombros. - E quero que você vá embora. Entenda que eu não gosto mais de você Katy, e me deixa em paz com a Bela. Por favor. - Continuei firme e ela me olhou com raiva.
- Ok! Dane-se! - esbravejou tomando distancia de mim e indo pegar seu sobretudo jogado no chão. E foi bem nessa hora que Sam entrou.
Fodeu.
- Sam... - Murmurei por impulso e ela me olhou, já ficando vermelha, ela ia chorar.
- Foi muito bom te ver Fletcher. - Katy disse, piscando pra mim e saiu, esbarrando em Sam quando passou pela porta. Filha de uma puta!
Bradley nem se mexeu. Ficou me olhando atônita e eu engoli seco. PORQUE MERDAS EU SOU TÃO AZARADO?
- Eu não fiz nada, é sério.
- Me poupe das suas desculpas, Fletcher. E VÊ SE MORRE, SEU DESGRAÇADO! - deu as costas batendo a porta da minha casa com toda força.
FODEU, FODEU, FODEU, FODEU, FODEEEEEEEU!

Tom's POV off 

Danny's POV

Eu estava catando todas as sacolas espalhadas pelo banco dos passageiros quando percebi que Sam entrou no carro que nem um furacão, e ela estava chorando. 
- FECHA APORTA! - Ela ordenou, colocando o cinto de segurança e já acelerando.
- Tá maluca?! - fechei a porta traseira correndo antes que eu caísse pela rua.
- VAMOS EMBORA DAQUI, DANNY!
- Ahn? Por quê?
- PORQUE VOCÊ SÓ TEM AMIGOS IDIOTAS!
- Do que você está falando, Sam?
- VOCÊ NÃO VIU QUEM ACABOU DE SAIR DESSA CASA DE MERDA?
- Er, não, eu tava aqui pegando as bolsas e nem vi...
- A KATY! QUANDO EU ENTREI NA CASA DO FLETCHER, ELA ESTAVA SÓ DE LINGERIE, SE VESTINDO! ELES TINHAM ACABADO DE TRANSAR DANNY! O FLETCHER TRAIU A BELA COM A KATY! A KATY!
- Meu Deus! Você tem certeza? 
- Tenho, Jones! É claro que tenho! 
- Acho melhor a gente voltar e falar com ele, pode ter acontecido algum eng...
- NÃO! VAMOS EMBORA, DEIXA AQUELE PORRENTO LÁ, ATÉ APODRECER E SER COMIDO PELOS MICRÓBIOS!
- Eu duvido que ele tenha feito isso, Sam...
- MAS ELE FEZ, PORRA!

Meu celular começou a tocar e logo vi que era ele.
- Alô?
- DANNY, ESTÁ COM A SAM?
- Estou! Que porra você fez, Fletcher?
- Eu não fiz nada! Katy chegou aqui, tirou a roupa e eu mandei ela colocar de volta! Só isso! 
- NÃO FALA COM ELE, DANNY! ELE VAI QUERER MENTIR, É ÓBVIO!
- Deixa ele se explicar, Sammy! - Pedi nervoso e ela, então, deu uma de maluca e começou a querer tomar o celular da minha mão. Enquanto dirigia. Isso me deu medo. - Pera aí, Sam! Deixa eu falar com ele! Sam! Solta!
- NÃO, ME DÁ ISSO!
- SAM!
- ME DÁ, DANNY! - Não sei como, mas ela conseguiu tomar aquilo da minha mão e desligar a ligação. 
Fletcher está com problemas.

Danny's POV off

Thalia's POV

- Merda! A droga do telefone da Bela não para de tocar! - reclamei impaciente. Aquela musiquinha dos padrinhos mágicos pode ser bem irritante, às vezes. Ou sempre.
 Henri riu, beijando meu pescoço mais uma vez.
- Melhor a gente se vestir, Bela já está se despedindo.
- Verdade. - ri. 
Vesti minha roupa sem muitas demoras, assim como ele. No celular da Bela tinham vinte e duas ligações perdidas. Uma da mãe dela, duas do Tom e dezenove da Sam. O que essa maluca queria de tão urgente?

Thalia's POV off

- DEZENOVE? Nossa, deve ser urgente mesmo. Melhor eu ligar pra ela.
- É. - Lia concordou sem dar muito atenção, estava entretida com seu telefone.

- Alô? Sam?
- Bela! - sua voz estava horrorosa, característica de quando ela chorava.
- O que houve? - Não dei muita importância porque, bem, é a Sam e ela chora por tudo.
- O T-tom - fungou. Ai, meu Deus, o que tem o Tom?! - O Tom, ele... Ele te traiu, Bela! - chorou mais e eu ainda não tinha processado a informação. - Com a Katy! 

O choque foi enorme. Meu coração acelerou de forma exagerada e eu senti meu corpo quente.
- Bela, o que houve? - Lia perguntou, provavelmente vendo minha cara e se assustando. - O que ela falou? - Tomou o telefone da minha mão, perguntou à Sam o que havia acontecido e sua reação não foi muito diferente da minha. Mas aposto que sua dor não era nem um terço da que eu estava sentindo.
Como ele... Como ele pôde?


Acordei com muita dor de cabeça no dia seguinte. Me sentia meio estranha, como se eu soubesse que hoje seria melhor eu dormir o dia inteiro.
E seria mesmo.
Eu não queria ter que pensar na vida porque ultimamente ela estava uma merda. Escutei um barulho de porta abrindo mas não despreguei os olhos para ver quem era. Já sabia que era a Lia.
- Vamos, Belinha... - sua voz transbordava pesar.
- Não queroooo! - Fiz manha, me aconchegando melhor no cobertor quentinho.
- Hoje tem a visita ao orfanato, você vai ver criancinhas fofinhas e vai ser filmada brincando com elas, fazendo todas aquelas coisas felizes e amáveis, você não pode deixar que um idiota qualquer arruíne isso.
- Eu não consigo acreditar que ele tenha feito isso comigo, deve ter alguma coisa errada! - levantei subitamente, gesticulando meio indignada.
Essa sensação estava me matando.
- Então! Deve ter alguma coisa errada, não se deixe abater ainda. Você precisa conversar com ele, a Sam pode ter se enganado ou visto errado, você sabe como ela é afobada. Tenta relaxar, ok? - sorriu maternalmente e acariciou meu cabelo. - Vai se arrumar pra não se atrasar. Daqui a pouco você vai pra casa e tudo vai se resolver.
Funguei.
- Tudo bem. Você está certa.

Quando cheguei ao orfanato, as criancinhas ficaram alopradas. Teria sido muito divertido se eu não tivesse numa fossa terrível.

Eu só pensava no quão decepcionada estava com o Tom. Aquilo havia sido completamente inesperado, todo mundo achava que ele não seria capaz de me trair.
Mas foi. E com a Katy. Inacreditável, não?
As palavras da Sam no telefonema da noite anterior não saíam da minha cabeça um segundo sequer, assim como as imagens do Tom e da Katy se agarrando no sofá... 
Que nojo.
"Quando eu abri a porta da casa do Fletcher, ela estava nua! Quer dizer, de sutiã e calcinha! E só porque eu cheguei ela começou a colocar aquele sobretudo fedido!"
" O Fletcher vai se ver comigo, cara! Como ele pôde te trair? Eu achava isso a coisa mais impossível da face da Terra!"
" E ele ainda fica ligando pra Deus e mundo tentando se explicar! Que cretino! Agora que traiu, não quer assumir a culpa. Filho duma puta!"
"A vadia da Katy ainda teve a pachorra de piscar pra ele NA MINHA FRENTE quando foi embora! E ainda esbarrou em mim! EM MIM! E SE EU RESOLVESSE BATER NELA? É que eu não sabia se batia nela ou no Fletcher! Aí eu acabei batendo no Danny, quando chegamos em casa."
(...)
A vontade de chorar ia e vinha constantemente. O meu humor oscilava do péssimo para o ruim, e às vezes ia do lamentável para o ridículo. Tudo que eu queria era ir pra casa. SÓ QUE NÃO DAVA. Eu teria que passar na casa do Fletcher de qualquer jeito. Todas as minhas coisas estavam lá, inclusive meu hamster. Não dava pra eu simplesmente ir pra minha casa e o deixar apodrecendo lá com os vermes.

O dia se arrastou até a hora em que eu cheguei a Londres. O clima de Natal, que normalmente me deixaria em êxtase, estava me dando vontade de morrer. E matar todo mundo.


- Oi, Bela. - Sam me abraçou desanimada, assim que chegamos à casa da Lia.

- Oi.
- Como foi a viagem? - Flor perguntou atenciosa e eu dei de ombros.
- Seus shows foram muito bons! - Soph me deu um tapinha no braço e eu sorri em agradecimento.
- Quer dormir por aqui hoje? - Lia perguntou preocupada porque ela sabia que minha chave de casa estava na casa do Tom, e pra ir pra casa eu teria que olhar pra ele. Não seria bom.
- Acho que é melhor. - Falei e me joguei no sofá. - Que merda, por que eu tinha que deixar tudo meu lá?
- A culpa é sua que deu chave da sua casa pra todo mundo e depois tomou de volta. A gente ainda teria a chave se você não tivesse nos obrigado a devolver. - Sam falou e eu concordei mentalmente.
- É que eu achei que precisaria de mais privacidade já que Tom e eu estávamos sempre juntos por aí. - Comentei com remorso e Flor suspirou.
- Sempre achei vocês muito novos pra terem essa vida quase conjugal. Quero dizer, vocês têm dezoito anos e praticamente moram juntos... Têm uma vida quase de marido e mulher... Acho tudo isso muito precoce.
- Flor tem razão. - Lia concordou enquanto digitava alguma coisa no telefone.
- Sempre foi assim. Digo, antes do nosso afastamento e tudo mais. Eu e ele praticamente morávamos juntos na minha casa. Ele dormia lá quase todo dia, quando não dormia na casa dos meninos, e nós também fazíamos tudo juntos...
- Verdade. - Sam ratificou.
- É como se a gente tivesse tentando reconstruir essa proximidade entre nós. Nunca me incomodou passar o dia inteiro com ele...
- Mesmo assim, acho que esse namoro de vocês é quase como um casamento. - Lia reforçou.
- Eu estou me sentindo destruída. - comentei meio aleatoriamente e comecei a chorar.
- Ele foi um babaca. - Flor declarou.
- Mais que isso. Foi desumano. - Sam disse com raiva, começando a chorar também (eu riria desse fato, se não estivesse tão depressiva). - Eu sempre achei que ele nunca seria capaz de...
- Tudo bem, foda-se a Bradley. Eu falei com o Tom. - Soph, que até então parecia alheia à conversa (e um pouco incomodada também), confessou e Sam arregalou os olhos.
- O quê?! Mas eu mandei todo mundo ignorá-lo!
- Eu sei! Mas eu fiquei indignada e fui falar com ele! E ele me contou tudo... Sabe, acho que a história dele é verdadeira. Tenho certeza que ele não traiu a Bela. - ela respirou fundo - Bela, acho que você deveria ir lá sim, e ouvir o que ele tem a dizer.
- Er... Partindo desse pressuposto, concordo com a Soph. - Flor declarou e eu fiquei um pouco confusa, mas minha resposta foi firme:
- Não mesmo. Não quero falar com ele.


E lá estava eu, às 3:58 da manhã, na porta da casa do Fletcher. Eu sei que disse que não ia falar com ele, mas rolou o maior barraco lá entre as meninas e acabou que todas (menos a Sam) me obrigaram a vir até aqui. Elas me largaram aqui na porta - eu e todas as minhas malas - e foram embora. Muito más, eu sei.


Toquei a campainha meio relutante e, surpreendentemente, ele atendeu rápido. Eu tinha certeza que teria que usar outros artifícios porque ele provavelmente não escutaria (nada) a campainha durante seu sono de beleza.

Seus cabelos desgrenhados e rosto amassado não o deixavam menos bonito. Isso era um fato ruim, no momento.
- Bela?
Respirei fundo e abaixei a cabeça, não queria que ele visse meus olhos marejados. Me deu espaço para entrar e eu o fiz.
Não falei nada, simplesmente comecei a chorar por tudo aquilo. Por não saber realmente o que aconteceu, por essa agonia toda...
- Bela, eu...
- Eu só vim aqui... - o interrompi, olhando em seus olhos e vendo que as lágrimas ameaçavam cair - Pra pegar a chave da minha casa.
Ele me olhou entristecido por alguns segundos.
- Por favor, a gente pode conversar?
- Está tarde, Tom. Eu to cansada e quero dormir.
- Dorme aqui, não precisa ir pra casa...
- Tom, por favor... - Supliquei sem saber exatamente se era isso que eu queria.
- Bela, não vou deixar você sair dessa casa sem me escutar.
- Tom...
- Você confia em mim, não confia? - hesitei em responder - Ou pelo menos confiava.
- Eu confiava.
- Você realmente acha que eu te trairia com a Katy? Isso faz algum sentido pra você?
- Sinceramente? Isso não faz nenhum sentido pra mim.
- Exatamente! Isso não faz nenhum sentido pra ninguém! Justamente porque não aconteceu!
- Ela estava de lingerie, Tom. Junto com você.
- Acredita em mim, amor, por favor. Eu tenho certeza que você sabe que isso não aconteceu. Você sabe que eu to falando a verdade.
- Eu odeio isso Tom. - murmurei ressentida - Odeio o fato de sempre ter alguma coisa pra atrapalhar a nós dois, odeio o fato de saber que tem gente que fica articulando um fim trágico pro nosso namoro, odeio saber que toda vez que estiver longe eu estarei correndo o risco de alguma garota te atacar e acabar com o que a gente tem... Eu fico insegura! Essas coisas me fazem pensar que... Que não é pra ser, entende? Que não deveria existir um "nós".
- O que? Não, não diz isso nunca! Tudo que você falou está errado. - ele gesticulou nervoso - Você acha mesmo que depois de toda essa nossa história, nós não temos que ficar juntos?
Voltei a encarar o chão. Eu não sabia exatamente o que dizer.
Ele sentou no sofá, apoiando os cotovelos nos joelhos e afundando o rosto nas mãos.
Sentei ao seu lado, meio desconfortável.
- Escuta. - ele disse - Eu amo você. Eu não te traí, não suportaria a ideia de você terminar comigo... Principalmente se for por uma coisa que eu não fiz. Eu amo você, Isabela.
- Por que ela estava aqui?
- Ela veio porque, supostamente, queria se desculpar por ter feito o que fez no baile. Então eu disse que ela deveria pedir desculpas a você e não a mim. Mas ela insistiu em ficar aqui em casa e do nada tirou o sobretudo. E ela tava só de calcinha e sutiã. Então eu a mandei colocar de volta, ela ficou puta, mas foi se vestir, só que a Sam chegou bem nessa hora. Aí a Katy, pra foder com a minha vida, piscou pra mim e falou alguma coisa do tipo "hoje foi muito bom" e saiu. Não aconteceu nada entre nós, Bela. Nada. Só que a porra da Sam atrapalhou tudo... Ai, caralho, que raiva dela... - ele afundou novamente o rosto nas mãos e então, alguns poucos segundos depois, eu acariciei suas costas cobertas pela fina camisa do Blink. Tom me olhou meio surpreso ao sentir minha carícia e eu sorri minimamente.
- Eu... Bom, eu acredito em você, Fletcher. - Funguei. - Mas a próxima vez que a Springs se meter na nossa vida, vou no centro de magia negra e faço uma macumba horrorosa pra ela. - Alertei irritada e ele gargalhou, me agarrando em seguida.
- Amo você. - ele disse tão perto que seus lábios roçavam nos meus.
- Também te amo muito. - abracei seu pescoço antes de beijá-lo saudosamente. Era um alívio enorme fazer as pazes com ele. Enorme!


- Outch! Minhas costas! - Reclamei assim que acordei. - Tom. - chamei, mas ele nem se mexeu - Tom! Tooooom!
- Hm...
- Tom! Sai de cima de mim!
- Ah, desculpa, amor.
- Tom, vamos lá pra cima, foi uma péssima ideia fazer isso aqui no sofá.
- É... - ele murmurou ainda de olhos fechados.
- Vem, bebê! Vamos! - Cutuquei sua bochecha e ele sorriu antes de levantar. Devia ser umas dez da manhã, só que a gente dormiu muuuuuito tarde, se é que você me entende. 
No caminho pro quarto demos de cara com Danny e Harry descabelados.
Eles arregalaram os olhos - eu estava de roupas íntimas, apenas. 
- O que eu perdi? - Harry perguntou confuso, olhando pro Tom.
- Caramba! Esqueci que vocês estavam aqui!
- Tom! - Exclamei indignada. - Nós... Nós... Tivemos um momento íntimo lá embaixo, correndo o risco de eles descerem a qualquer segundo?!
- Merda, eu esqueci completamente...
- Bela, que lingerie indecente é essa, hein? - Danny questionou colocando as mãos na cintura e Harry gargalhou. Eu corri pra trás do Fletcher e fiquei olhando pro chão pra ver se achava um buraco pra enfiar minha cara.
- Você quer um soco agora ou só mais tarde? - Tom riu ironicamente e eu achei graça, mas pensei que seria melhor se ficasse quieta.
- Ui, que ciumento!
- Depois quero saber de todos os detalhes da reconciliação. - Harry informou e Tom rolou os olhos.
- Que reconciliação? AI MEU DEUS, A BELA ESTÁ PELADA! - Dougie berrou, aparecendo no corredor de repente, bem no estilo mestre dos magos.
- Er, Tom, não é melhor irmos pro quarto logo?
- Acho interessante. - ele falou e nós tornamos a andar na direção do quarto dele.
- Olha! A calcinha dela é fio dental, que assanhada! - Escutamos Dougie exclamar e os outros rirem. No segundo seguinte já estávamos trancados no quarto dormindo. Vai entender...


- Então quer dizer que agora já está tudo bem? - Sam perguntou, roubando um cookie do meu prato.
- Está. - respondi sorrindo.
- Vê se da próxima vez você me escuta antes de sair espalhando pra todo mundo a merda. - Tom comentou e ela rolou os olhos.
- Já pedi desculpa oitenta vezes. Quer mais o quê?
- Genteeee, cês estão ligados que é amanhã que a gente viaja, né? - Soph lembrou e nós vibramos.
- Meu Deus, é verdade! Amanhã já é véspera de Natal! Ai, que lindo! - Comemorei.
- Natal é o melhor dia do ano. - Tom falou de boca cheia e eu concordei.
- O Henri costuma dizer que é só mais uma data comercial. - Lia comentou. Ela só tava falando do Henri desde que chegou aqui. Se isso tem a ver com o Harry? É claro que tem.
- E você convive muito com ele pra saber que ele COSTUMA dizer isso. - Harry comentou sarcasticamente e todos (sério, todos) nós rolamos os olhos.
- O que você tem a ver com isso, Judd?
- Nada, eu só estava falando.
- Dispenso seus comentários.
- Dane-se, eu comento o que eu quiser e quando eu quiser.
- Eu sei, querido, pode comentar, eu apenas estou dizendo que vou dispensar cada fezes que sair da sua boca.
- HAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAH, ADOREI O "CADA FEZES"! - gritei e Sam riu da minha cara.
- Não foi tão engraçado. - Flor deu de ombros, mas eu continuei rindo.
- Eu achei engraçado, mas eu tava mastigando esse biscoito e se eu risse, iria cuspir em todo mundo.
- Own, que lindo o Danny com bons modos! - Sam apertou suas bochechas e ele lhe deu um selinho.
- Às vezes eu tenho saudade das brigas da Sam e do Danny... - Essa fui eu, toda nostálgica.
- Eu não, agora a gente tem as do Harry com a Lia. - Dougie reclamou tacando um farelo no Harry.
- Não tenho culpa se ele quer agir que nem uma criança.
- Ah, eu? Você que está agindo que nem uma retardada. Há um bom tempo.
- Você podia parar de ser imbecil, né, Judd? Se eu tenho agido assim, a culpa é sua- Não é! Você que é uma...
- Oh, espere! Henri está me ligando, depois falo com você, querido. - ela o cortou e só faltou sair lava dos olhos dele.
Assistimos Lia se levantar da mesa e rebolar até o canto da sala. Ela fazia questão de gargalhar alto e fazer caras melosas enquanto falava com o O'Brian... Bem óbvio que era pra provocar o Harry.
- Melzinho, passa a manteiga? - Dougie pediu e eu gargalhei. Isso sempre vai acontecer quando eles se chamarem assim.
- Só se você me der um beijinho, chocolatinho branco da Sosô!
HAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAH
- Ai, sério, me poupem disso. - Sam pediu, fazendo careta.
- Vocês são muito chatos, me deixem chamar a Môzi do jeito que eu quiser!
- É! - ela concordou rindo e passando a manteiga pro Dougie. 
- Quando a Bela chama o Fletcher de bebê ninguém reclama.
- PORQUE 'BEBÊ' É COMPLETAMENTE NORMAL. - Sam explicou (meio alterada, mas tudo bem).
- Ai, quero mais cookie. - reclamei.
- Amor, você já comeu uns oito...
- Fazer o quê? Tenho que alimentar dois! - sorri, acariciando minha barriga.
- C-como é?! - Flor gaguejou enquanto Sam se engasgava e Tom se mantinha em apneia. O resto estava calado, me encarando de olhos arregalados.
- Que é, gente?
- Isabela, você tá grávida? - Sam perguntou direta e eu quase ri.
- Não. - dei de ombros. - Sou eu e a minha lombriga. - Sorri sapecamente e Tom suspirou alto, em alívio. - Nunca ouviram essa piada? - perguntei retoricamente, já que era óbvio que nenhum deles nunca havia escutado.
- Que engraçada a sua brincadeira.
- Vocês que são idiotas. - dei de ombros de novo. - Agora passa mais um cookie.
- Bela, o Fletcher quase pariu o filho que você não está esperando, não faça essa brincadeira de novo.
- Ah, Flor, sem exageros. Vocês estão muito afobados.
- O que perdi? - Lia voltou alegre.
- Bela contando que tava grávida. - Danny disse e Lia deu uma risadinha.
- Tão vendo? Essa era a reação que eu esperava de vocês. Não aquelas caras de cu...
- Por quê? Eles acreditaram? - Lia perguntou, já rindo da cara deles.
- Pois é.

- Eu to com medo. É serio, vou cagar nas calças. - Danny falou sem tirar os olhos da TV. A gente tava vendo Amigo Oculto.

- Eu já devo ter feito isso umas duas vezes. - Dougie declarou e eu gargalhei.
- Bela, você podia apertar menos meu braço, né? Já está gangrenando. - Tom reclamou olhando pro braço que estava realmente vermelho.
- Ah, foi mal...
- Ah, não, eu odeio esse olhar por trás das folhagens, nunca é coisa boa, ai meu Deus... - Danny começou a se desesperar.
- Danny, sabia que esse filme é baseado em fatos reais e o Charlie da história verídica mora ali na rua de trás? - Harry o perguntou.
- O q-que? Isso é serio?
- É. - Tom confirmou. - Ele é bem estranho e... Cara, muita coincidência, toda vez que eu vejo esse filme ele vem aqui em casa!
- AH, NÃO! AH, NÃO! ELE DEVE TER ALGUM TIPO DE PODER DO MAL, DESLIGA, DESLIGA!
- Para, gente! Tadinho! - Sam reclamou, abraçando-o. - É mentira, Dan, eles só querem te assustar.
- Tudo bem, mas eu concordo com a ideia de desligar. - Dougie disse.
- Gente, esse filme nem dá tanto medo assim. - opinei. (Eu sou falsa, beijos.)
- Aham, claro que não dá! O meu braço tá roxo só porque você me ama, né? - Tom é um escroto.
- Ok, então vamos desligar. - Flor pegou o controle e o fez.
- LIGA A LUZ! - Danny pediu meio desesperado e eu ri.
- Danny, às vezes eu acho que falta alguma parte do seu cérebro. Você é tão estranho...- Lia comentou pensativa e todos concordaram.

- Gente, vou embora. - Soph anunciou. 

- Tenho que fazer minha mala.
- Ih, eu também. - Sam lembrou. - Me leva, Jones?
- Levo, vamos.
- Vou também, Melzinho. - HAHAHAHHAHAHAHAHAHA, ai Dougie...
- Vou me juntar ao bonde. - Flor falou, indo pegar sua bolsa.
- Também. - Lia se espreguiçou antes de levantar.
- É, se todos vão, eu vou junto. Tchau, galera. - Harry disse e no minuto seguinte só estávamos eu e Tom.
- Linduxo, vamos fazer as malas? - propus e ele sorriu antes de abraçar a minha cintura e encher meu pescoço de beijos.
- Vamos fazer uma coisa bem melhor?
Eu ri.
- Vamos fazer as malas antes de fazer coisas melhores?
- Hm, ok. - Ele concordou. - Então vamos fazer as malas logo. - ele me puxou apressado e eu ri mais ainda.


- JINGLE BELLS, JINGLE BELLS, JINGLE ALL THE WAY... - Danny e Dougie não calavam a boca enquanto nós enfeitávamos nossa "casa".
Hoje é dia vinte e três de dezembro, um dia bem legal. Estamos num resort maravilhoso em Barbados - descobrimos que a avó do Danny era dona de um chalé daqui - que consiste basicamente em uma área ampla (e quando digo ampla, quero dizer um lugar grande pra cacete que parece não ter fim) dividida em três partes: a parte do lazer, com salão de festas, restaurante, um milhão de piscinas diferentes e muitas outras coisas legais; a parte da praia, já que estamos no litoral e esse resort tem uma espécie de praia particular; e a parte das dependências.
Enfim. Esse lugar era um paraíso, e nós, como bons jovens recheados de hormônios e falta do que fazer, estávamos enfeitando o nosso amado chalé para o Natal.
- DANNY E DOUGIE, SE VOCÊS NÃO CALAREM A BOCA AGORA, VOU ENFIAR ESSA ARVORE DE NATAL NO CU DE VOCÊS! - Sam reclamou de cima da escada que ela usava para alcançar a parte superior da janela.
- Mas Sam, estamos em clima de Natal! Temos que cantar! - Danny retrucou.
- Ai, merda, porra, que inferno! - escutamos Lia reclamar de seu quarto e eu, como boa fofoqueira, fui ver o que era.
- Que foi?
- Eu nunca mais fico com ninguém famoso, é serio! Nunca mais! Odeio minha vida pessoal estampada nos tabloides!
- Ahn? Tá falando do que?

Ela não me respondeu. Apenas apontou pra tela do seu MacBook e então pude ver uma imagem composta por duas fotos de Lia lado a lado: a da direita era ela de mãos dadas com Harry andando pela rua, ambos sorrindo. Na da esquerda, ela cochichava alguma coisa no ouvido do Henri, que abraçava sua cintura de lado e ria maliciosamente.
Embaixo, havia um texto não muito extenso.


" A ex-namorada do baterista Harry Judd, Thalia Hoppus, foi vista com Henri O'Brian no último dia do evento Kids and Choices. Eles pareciam ter algum tipo de relacionamento íntimo - trocaram beijos e abraços durante a maior parte do tempo em que estiveram juntos. Hoppus, aspirante a empresaria e produtora, braço direito e esquerdo da cantora Bela Johnson, estaria no evento para acompanhá-la, mas parece que encontrou uma excelente forma de diversão.
Harry e Thalia tiveram um relacionamento de aproximadamente três meses e meio e a causa do término, até então, é desconhecida.
O casal sempre pareceu bastante apaixonado e o fim repentino da relação deixou muitas pessoas espantadas. Entretanto, poucos acreditavam que o primeiro relacionamento sério e público do astro seria duradouro, já que uma de suas marcas era o perfil de 'womanizer'.
Numa entrevista rápida com Judd, foi perguntado sobre o fim do namoro e sua resposta foi surpreendente para muitos:
'Não me sinto tão preparado para falar sobre esse assunto, é muito recente e eu ainda estou um pouco sensível quanto a isso.'
Harry se mostrou desconfortável diante do tema e isso nos leva a supor que não tenha sido ele quem terminou o namoro. Sua reação ao abordarem o fato mostrou o quanto estava abatido e consternado.
Por outro lado, Thalia se mostrou indiferente. Em momento algum pareceu desgostosa da separação e seguiu em frente, engatando um suposto relacionamento com Henri O'Brian (...)
"

- Ótimo. Realmente ótimo. - o sarcasmo transbordava do tom de voz da Lia - Agora sou vista como a vaca que quebrou o coração do pobre coitado do Judd.
- Er... Talvez não seja assim que as pessoas estejam te vendo... - tentei amenizar, mas aposto que não adiantaria de nada.
- Põe no Blog daquela amiga da Soph pra ver se ela fala alguma coisa sobre isso! - Sam, que até então eu nem sabia que estava ali escutando tudo, sugeriu e Lia imediatamente acessou o site da menina.


" Quem não está transtornado com essa historia da Thalia dando um pé na bunda do nosso Tigrão, hein?! Acho que todos estão. Afinal, quem acha legal chutar um partido como o Harry para ficar com Henri O'Brian?! Não que ele seja feio, mas, convenhamos, Harry é bem melhor.
As fãs do McFLY não gostaram muito dessa história e é bem capaz da senhorita Hoppus ganhar uma legião haters. Eu serei uma delas!
Thalia, além dar um unfollow no Harry, fez questão de trocar tweets super românticos com O'Brian. Ela quer mesmo que todos a odeiem.
Aff...
Vou ficando por aqui, comentem!
Xx Z.
"

- Viu?! Eu devo ter jogado catarro na cruz, porque né...
- Ah, Lia, relaxa vai... Daqui a pouco você e Harry voltam e todo mundo esquece isso.
- HA-HA. Muito engraçado, Sam.
- Sam está certa. - Dei de ombros. - É muito obvio que vocês vão voltar.
- Não acho. - ela sorriu ironicamente e eu rolei os olhos.
- OLHA, ELA FALOU DE MIM E DO DANNY! - Sam gritou apontando pra tela onde brilhava o título do post "Danny de namorada nova?!"
- Vai mesmo querer ler as coisas dessa garota? - perguntei. - Ela é bem escrota...
- Foda-se! Adoro quando falam de mim!

" Danny tem sido visto por aí com uma menina nova. Nome? Sam Bradley. Ela é famosa pelas fotos exclusivas que consegue e sempre esteve por tabela nos tabloides por ser agarrada com Bela Johnson. Acreditamos piamente que Danny esteja com ela pelos seus... Hm... Dotes. Sabe como é, nem todas as Inglesas têm aquelas curvas tão acentuadas como as de Sam. O que poucos sabem é que os dois são conhecidos de longa data! Olha só essa foto!...
(A foto era uma em que Sam me abraçava, e Danny e Tom faziam chifrinho em nós duas. Tínhamos uns doze anos nessa época.)
...Quem nunca viu as fotos de infância dos meninos do McFLY com a Bela? E quem nunca reparou que na maioria das fotos tem mais uma garotinha no meio? Então! Essa garotinha é a Sam! Pois é, ela mudou bastante, mas podem acreditar: É ela!
Se eu apoio o namoro dos dois? Bom, eu prefiro o Danny solteiro, é claro. E eu também acho que essa tal de Sam é muito piranhazinha, entendem? Mas, apesar de tudo, entre as atuais McGirls, ela é a minha preferida!
Até mais!
Xoxo, Z.
"

- CHUPA, BELA! ELA GOSTA MAIS DE MIIIIIM!
- Ó, que legal. - ironia? Sim.
- Eu odeio essa garota, juro. - Lia resmungou.
- VEM CÁ, VOCÊS TRÊS VÃO FICAR AÍ FOFOCANDO OU VÃO AJUDAR COM A DECORAÇÃO? - Soph entrou de repente no quarto e parecia bem bolada.
- Qual motivo do estresse? - Lia perguntou se levantando.
- Não to estressada.
- Está.
- Não tô.
- Está sim.
- JÁ DISSE QUE NÃO TÔ, THALIA, MAS QUE SACO!
- Ui, ela não está estressada... - debochei baixinho, só pra Sam ouvir, mas não deu muito certo.
- Vocês são ridículas. - Ela bufou e saiu do quarto.

Depois daquele pequeno estresse matinal, terminamos com as decorações natalinas e tudo ficou lindo.
- Que tal irmos à praia? - Flor sugeriu e nós nos animamos.
- Cara, olha que inacreditável... Praia e Natal ao mesmo tempo... É incrível! - Tom bradou, agarrando minha cintura. - Eu tava cansado de tanta neve!
- Pode crer! Todos os natais da minha vida foram associados a um bando de neve sem fim... E agora aqui estou, prestes a ir à praia! Amo esse lugar. – Danny exclamou animado.
- Melhor presente de Natal de todos: ver garotas de biquíni a tarde toda... - Harry comentou com um sorriso tarado, olhando diretamente pra Lia, que rolou os olhos.
- Esse é o grande Harry - ela retrucou - Sempre galinha, mulherengo, desrespeitador...
- Cala a boca, Thalia, você que...
- EI, EI, EI! É Natal! Sem brigas, ok?! - pedi. - Que saco, vocês dois estão piores que a Sam e o Danny! Eu hein...
- Aham, falou a que nunca brigou com o Tom na vida. - Lia implicou e eu rolei os olhos.
- Vamos à praia ou não? - Dougie perguntou impaciente e nós concordamos, mas a animação não era mais a mesma.
- Venham, meninas, vamos nos trocar. - Flor chamou e nós a seguimos.

- E então, Soph, por que está tão calada? - Sam perguntou aleatoriamente.
- Não interessa.
- Quer parar de ser idiota? - Lia reclamou e eu rolei os olhos. Prefiro ficar quieta nesses momentos.
- Compartilha com a gente o que te aflige, Soph! - Flor falou fofamente.
- Não vou compartilhar nada, não sou facebook.
- HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAAHHAAHHAHAH - ADORO MUITO AS RESPOSTAS DA SOPH!
- Gente, deixa pra lá, se ela não quer falar, dane-se. - Lia deu de ombros - Deixa ela sendo grossa a troco de nada!
- Thalia, você nem sabe o que aconteceu. Não começa! - Soph replicou bastante irritada e o clima ficou pesado.
- Er... A gente não deveria se arrumar pra ir à praia? - todos me ignoraram.
- Você não quer falar e espera que a gente ature esse seu humor escroto?!
- Eu sou obrigada a falar tudo que acontece na minha vida?! Que merda!
- CARACA, CALEM A BOCA VOCÊS DUAS! - Sam gritou.
- Apoio. - falei. - Qual é, gente, é Natal! Tenho certeza que vocês não querem perder tempo brigando.
- MENINAAAAS! JA ESTÃO PRONTAS?! - Escutamos a voz do Danny gritando da sala.
- QUASE! – gritei de volta, já começando a arrancar as minhas roupas. A gente não tava nem perto de prontas...
- Ok, vamos logo. - Flor resmungou, também se despindo.
Todas nós vestimos nossos biquínis à La Brasil, bem no estilo 'I'm sexy and I know it :9', pegamos as cangas, protetor solar, bronzeador e outros utensílios importantes para esse tipo de passeio. Nos enfiamos em nossos minishorts - os quais nunca utilizávamos em Londres por falta de situações apropriadas - e regatas, prontas pra arrasar (Isso ficou tão brega que nem vou comentar).

- Sophia, que tipo de short é esse? - Dougie perguntou arregalando os olhos assim que ela apareceu na sala.
- Daquele tipo que se veste. - ela respondeu com descaso e Harry riu.
- Não tá faltando pano nisso aí não? - Tom interrogou apontando pros shorts da Flor e da Soph e as duas mandaram seus respectivos dedos do meio pra ele.
- Espere até ver o short das outras, nós somos as mais santas. - Escutei Flor informar e gargalhei.
Eu, Sam e Lia ainda estávamos no quarto caçando o bronzeador mágico da Sam. Segundo ela, o produto a deixaria da cor do pecado. Como se isso fosse possível...
- ACHEI! - Ela gritou. - Achei meu creme da negritude! Vocês vão ver, vou ficar bronzeadíssima!
- Ok, Sam, vamos. - Lia murmurou um pouco impaciente e descrente da eficiência da tal loção, e nós finalmente saímos do quarto antes que os meninos viessem nos buscar com facas, foices, machados, cadeiras elétricas, tacos de baseball e esses tipos de coisa.
- CA-RA-LHO. - Harry soltou quando bateu seus olhos nas coxas descobertas de Lia.
- Perdeu alguma coisa nas minhas pernas, Judd? - ela implicou rindo.
- Er, não. - Respondeu constrangido e levou seus olhos pra uma outra direção aleatória.
- Johnson, vai colocar um short, já estarmos atrasados. - Tom pediu com falso descaso e eu dei uma risadinha sem humor.
- Vamos logo pessoal.
- Vamos assim que você e Sam colocarem uma roupa. - Danny falou.
- Alan, não enche, você nem meu namorado é!
- Ainda... - ele provocou forçando uma voz galanteadora e quase levou um murro na cara. Sam é meio agressiva às vezes (ou sempre...).
- Como se eu fosse aceitar... - ela resmungou cruzando os braços e rolando os olhos.
- Como se ela não fosse aceitar. - sussurrei pro Tom que riu alto demais.
- QUE É, FLETCHER?! Vai cuidar da sua vida.
- Sam, acho que isso que você tem por mim é paixão reprimida.
- Ah, é. Deve ser. Morro de amores por você, Fletcher lindo, gato, sensual, tesudo, gostoso, assim que você quiser meu corpo nu, é só ligar, delicinha.
- Tudo bem, chega de blá blá blá, vamos logo, meus pupilos. - Flor falou, saltitando até a porta.
- Você vai mesmo com essa coisa que insistem em chamar de short? - Tom me perguntou realmente desconfortável.
- Sério que você se importa? Eu vou tirar do mesmo jeito, e ficar bem mais pelada que isso lá na praia... - bons argumentos, Bela, bons argumentos.
- Isso não me tranquiliza nem um pouco.
- Para de bobeira, bebê. - apertei suas bochechas - É só um short, não entendi o motivo de tanto alarde.
- É meio vulgar...
- É a intenção... - falei com um sorriso maroto, dei um beijinho na trave, depois lancei uma piscadela no maior estilo 'vou ali rodar a bolsinha' e fui andando na sua frente para alcançar os outros. Nossa, me senti tão Sam nessa hora...

- Wow! Aqui é lindo! - Soph exclamou.
- Cadê minha câmera?! CADÊ-MINHA-CÂMERAAA?!
- Er... Sam, acho que você não trouxe. - Lia informou e ela arregalou os olhos.
- Eu trouxe a minha, pode usar.
- Own, obrigada, Flor! Não vivo sem tirar foto... - Sam tomou a máquina da mão da Florence e a primeira coisa que fez foi tirar uma foto de si mesma, as always. Rolei os olhos, rindo. Não por ela, mas pelo Danny que entrou clandestinamente no fundo com a maior cara polegar opositor.
- Vem gente, vamos nos instalar ali! - Harry apontou pra um local mais vazio, perto de um quiosque.

Dia Maravilhoso em Barbados!
As estrelas Bela Johnson, Tom Fletcher, Danny Jones, Dougie Poynter e Harry Judd curtiram o dia numa praia paradisíaca em Bridgetown, ao lado de suas amigas Íntimas. O dia foi um tanto romântico! O baixista Dougie Poynter passou grande parte do tempo beijando sua namorada, Sophia Harrison, e trocando caricias íntimas sobre as águas salgadas da costa caribenha. Danny Jones também parecia bastante íntimo da "amiga" de infância Sammy Bradley, com quem ficou abraçado enquanto tomavam Sol. Os dois não aparentavam preocupação em esconder sua paixão e trocaram beijos mais quentes que o próprio clima tropical da ilha, durante todo o passeio. Da mesma forma, Bela e Tom não ficaram para trás no quesito paixão. Durante o mergulho dos cantores, eles permaneceram agarrados e quem não babaria no momento em que ela passou protetor solar no corpo divinamente esculpido do namorado? E quem não invejaria o olhar que Bela recebeu enquanto Tom se deleitava ao passar o mesmo produto nela? Quem não inveja a mão boba - e bem descarada - dele, hein? Todas nós invejamos! O casal não se desgrudou um minuto sequer, andavam pra todos os lados de mãos dadas e pareciam fazer questão de mostrar o quanto estavam apaixonados.
Por outro lado, o baterista Harry Judd nem ao menos olhou para a ex-namorada, Thalia Hoppus. Parece que o fim do relacionamento não foi nada amigável. Para quem achava que os dois tinham chances de voltar, o passeio à praia foi bastante esclarecedor: não há a menor possibilidade dos dois reatarem.



Me enfiei na rede que tinha na varanda, entre Dougie e Harry. Os dois pareciam morgar e Harry fumava um cigarro.
- Qual é a boa? - perguntei.
- Nenhuma. - os dois responderam em uníssono, um tanto desanimados.
- Nossa, gente... O clima natalino não deixa vocês inspirados?
- Não com a quantidade de acontecimentos ruins... - Harry respondeu e eu suspirei.
- A vida tem sido complicada. - Doug adicionou fazendo com que eu o olhasse sem entender.
- O que está havendo?
- Eu e Soph... Eu sei que nós parecemos estar muito bem, mas... Ela tem se estressado muito comigo por motivos idiotas e eu não costumo me irritar, só que está cada vez mais difícil.
- O que quer dizer?
- Ela é ciumenta. Tipo... Muito mesmo. - confessou aparentemente cansado.
- Por isso ela estava estressada hoje?
- Segundo ela, uma moça da recepção estava se atirando para mim.
- Mas... Mas... Caramba! Isso sempre vai acontecer! - exclamei. - Quero dizer, sempre vão existir garotas atiradas. Vocês são os meninos do McFLY, todas os querem! Quer exemplo maior do que o que aconteceu comigo e com o Tom? Maddie e Katy, duas assanhadas que querem atrapalhar a vida alheia... Elas fizeram de tudo pra atazanar meu relacionamento e aqui estamos nós, firmes e fortes.
- Não é só a Soph que precisa escutar isso. Thalia também. Sabe, podíamos estar juntos agora. Ela só está perdendo tempo. - Harry comentou e Dougie soltou um resmungo em concordância.
- Verdade, vou conversar com elas.
- A Soph está sendo uma idiota! - Dougie murmurejou indignado e eu ri. - Ela não percebe que eu não tenho olhos pra nenhuma outra pessoa além dela?! Pra mim ela é a mulher mais bonita e perfeita do mundo, e eu to pouco me fodendo se tem outras dando em cima de mim! - esbravejou. - Ela está sendo idiota por não perceber isso! Se eu quisesse outra, já teria dado um jeito de me livrar dela há muito tempo, nunca gostei de compromissos...
- É nessas horas que eu fico me martirizando por não andar com um gravador ligado. - disse, e eles riram. - Mas relaxem, meus bebezinhos, eu vou falar com elas. Prometo.
- Valeu Bela! - Dougie me agarrou e logo depois Harry fez o mesmo.
- Vai ser meu presente de Natal.
- Agradecemos muito. - Harry disse e eu sorri, beijando a bochecha dos dois.

Danny's POV

Me acomodei ao lado de Sam no sofá, abraçando sua cintura. Eu estava realmente sonolento e torci mentalmente pra que ela não reclamasse.
- Danny, não sou sua cama não. - Ela resmungou e eu rolei os olhos.
- Eu sei disso, só queria te abraçar.
- Ahn... Ok. - a senti passar o braço pelo meu ombro, me abraçando ladinamente e sorri com isso.
- Obrigado.
- Oi casal! - Fletcher chegou e pulou num canto do sofá. - Sabe, eu estive pensando... Acho que eu não deveria ter comprado aquilo pra Bela...
- Acredite, Tom, ela não poderia ganhar nada melhor, você foi realmente criativo. - Sam opinou e eu concordei com ela.
- Não fui exatamente criativo... Ela disse o que queria e eu simplesmente providenciei.
- Ah, mas era bem improvável que você comprasse um...
- FRANGO FRITO! - Gritei ao observar Bela entrando na sala. Ela arregalou os olhos e começou a gargalhar.
- Vocês são loucos... - balançou a cabeça rindo e foi na direção dos quartos.
- Boa Danny... - Tom suspirou aliviado e Sam sorriu.
- Danny pensando rápido uma vez na vida! Isso é motivo de comemoração!
- Ha-ha-ha, engraçada. - Ironizei e ela me deu um selinho de desculpa.
- Nossa, vocês estão mais melosos do que eu pensava. Isso é realmente estranho...
- Ah, Fletcher, acho que você é o ultimo que pode falar de mel, que eu saiba, o Danny não tem um travesseiro escrito 'I love Sam'.
- Você que acha...
Só pra deixar claro, eu não tenho.
- Oi, povo! O que vocês estão fazendo? - Flor se sentou ao lado do Tom e a gente deu de ombros.
- Estamos conversando sobre a vida amorosa da Sam e do Danny.
- Oh, jura? Adorei o assunto. Inclusive, eu, Soph, Bela e Lia fizemos um bolão estimando o tempo que os dois demoram pra namorar.
- QUERO ENTRAR NESSE BOLÃO! - Tom gritou e Sam rolou os olhos.
- Fletcher, você é um ser desprezível. - Ela comentou com desprezo e eu ri. Acho engraçada essa implicância que ela tem com o Tom.
- Obrigado, Sam, você é sempre tão simpática comigo! - ele retrucou sorrindo sem mostrar os dentes e se virou para Flor. - Quais são as apostas?
- Lia apostou que ele pede no Natal. Bela disse que ainda demora mais ou menos um mês porque a Sam é uma nojenta. Soph falou que eles começam assim que colocarmos os pés em Londres e a minha aposta foi duas semanas.
- Hm... Minha aposta é que eles começam no dia seguinte do Natal.
- Seria legal se vocês não falassem sobre isso enquanto eu e Dan estivermos do lado, sabe?
- Ah, relaxa aí. - Flor deu de ombros. Tive vontade de rir do comportamento tão 'zen' dela, mas o sono era tanto que, pra mim, eu já tava até cochilando nos braços da minha futura namorada. Sim, porque meu pedido de namoro já estava sendo meticulosamente articulado... Muahahahaha!

Danny's POV off

- Hey... Posso entrar? - perguntei baixo, abrindo somente uma fresta da porta do quarto.
- Pode... - Lia respondeu sem muita atenção. - Estava aqui dando uma olhada nas notícias sobre, hm, nós. Todos nós. – sorri, achando graça na sua preocupação em demonstrar que não era somente ela e Harry.
- E o que dizem?
- Parece que eles estão na nossa cola. Tem muita foto, muitos vídeos, muita coisa... - suspirou. - Não vou mentir, isso está me estressando demais!
- Por quê? Que eu saiba... Isso sempre aconteceu e você nunca ligou. - Creio que ela já estava notando minha real intenção ao comentar esse tipo de coisa...
- Bela, tenha bom senso... Qualquer um perceberia que está muito pior agora.
- Lia, tenha bom senso. - a imitei - Qualquer perceberia que é porque estão falando sobre nossas vidas amorosas e esse assunto te incomoda horrores, já que você ainda morre de amores pelo Tigrão! - Falei e depois sorri vitoriosa vendo-a bufar alto e afundar a mão no rosto.
Eu pensava que aquilo era uma rendição, e acima disso, uma aceitação. Pensava que ela tinha realmente admitido que ainda gostava do Harry. Doce ilusão...
- Não aguento mais as pessoas insistindo nessa ideia idiota! EU NÃO SINTO MAIS NADA PELO HARRY, ENTENDEU? NA-DA!
- Tem certeza disso, Lia?
- Tenho.
- Ok. - suspirei. Não, ela ainda não tinha me convencido.
Soph adentrou o quarto com um toalha enrolada no corpo e uma outra na cabeça. Parecia bem.
- Vim aqui pegar seu hidratante. - Ela informou à Lia, que deu de ombros. 
- Tudo bem, eu tenho algo a dizer e é bom você escutar também. - Falei pra Soph que me fitou um pouco curiosa, mas sentou-se na cama olhando, em seguida, pra mim como aval para que eu prosseguisse. - Sou uma pessoa traumatizada. Vocês sabem disso. Quero dizer, o meu melhor amigo, uma das pessoas que eu mais amava no mundo inteiro, o cara por quem eu era loucamente apaixonada... Ele supostamente me jogou um balde de água fria, e não foi só a água, foi o balde junto, porque doeu muito. - elas se entreolharam e soltaram uma risadinha - E como se não bastasse, mais tarde eu descubro que ele não fez nada disso e foi atacado do mesmo jeito que eu! Então meu trauma só aumenta e eu sinto vontade de me jogar debaixo de um cortador de grama porque eu poderia muito bem ter aceitado suas tentativas de conversa e ter ouvido tudo que ele tinha a dizer... Eu poderia ter perdido muito menos tempo. E esse é o meu trauma. Quando eu vejo como sou feliz com ele hoje, eu penso que isso poderia ter começado há muito tempo, se eu não fosse tão idiota... E as coisas poderiam ter sido bem menos dolorosas. - suspirei - Lia, lembra quando você me disse, logo depois que eu me ajeitei com o Tom, que você invejava nossa rapidez em reatar, e depois riu feito uma maritaca? 
- Lembro... 
- Eu fiquei com vontade de te bater naquela hora! Quero dizer... Ficou tão claro pra mim que você queria voltar com o Harry... E eu fico me perguntando porquê você está desperdiçando tanto tempo. Pra que fazer tanta novela? Se vocês se gostam, vocês deveriam lutar pra ficarem juntos e não se repelirem desse jeito. Eu digo isso porque aprendi com os meus erros... Ter repelido o Tom foi sinônimo de repelir a solução pra todo aquele sofrimento em que eu estava presa... - dessa vez, ela quem suspirou. - Eu sei que o Harry errou por ter deixado a Lindsay o beijar. Mas ele não queria esse beijo e não tem coisa mais obvia no mundo que isso. E, pensa bem, se fosse você quem tivesse pisado na bola, não gostaria de ser perdoada? Ele te pediu desculpas, não pediu? Ele mostrou que se arrependeu... Por que não perdoar? - olhei pra Soph para continuar meu monólogo - Sempre vai ter alguém no caminho, principalmente no nosso caso. Fala sério, é o McFLY! Quem não quer?! Tem coisa mais gostosa que o Harry? Er, ok, tem o Tom, mas... 
- AHAM, ATÉ PARECE! - Soph me interrompeu - Desde quando o Tom é mais gostoso que o Harry E QUE O DOUGIE? 
- DESDE SEMPRE, TÁ? Pra mim ele é o mais gostoso de todos. - Falei com o nariz empinado. 
- Coitada, iludida... - Lia murmurou e eu pigarreei alto antes de continuar. 
- Enfim, sempre terão urubus querendo nossas carniças, não tem remédio contra isso. Mais uma vez, não veem meu caso? Aquelas sirigaitas ficaram atacando meu homem e o melhor que eu pude fazer foi confiar nele, confiar no amor que ele sentia por mim e acreditar na palavra dele. Com tantas garotas melhores no mundo eles nos escolheram. Sentir ciúme é completamente normal, eu acho. Mas também deixar que o ciúme atrapalhe o relacionamento é um erro que pode tomar proporções irreparáveis... Então, VOCÊS DUAS, tratem de confiar em seus homens! Pelo amor de Deus, cara, quem não sabe que eles estão de quatro comendo pasto na mão de vocês?! Não há motivos pra ciúme, e muito menos pra negar perdão. Então, Lia, volte com o Harry logo e Soph, pare de brigar com o Dougster. 
- Hm... Tudo bem, talvez você tenha razão. - Soph falou pensativa. - Agora eu vou lá me vestir, já estou me sentindo mal com esses olhares de vocês duas sobre minhas pernas... Sei que vocês me querem, mas eu já tenho dono, ok? - Tagarelou enquanto ia saindo do quarto. – E obrigada, Bela. – sorriu e eu retribuí como uma forma muda de dizer “por nada”. Olhei, então, um tanto apreensiva pra Lia, esperando seu veredicto. 
- Sabe Bela... Não acho que eu preciso de ninguém pra me dar lições de moral. - sua voz rude fez meu coração acelerar. Não esperava esse tipo de reação. - Eu sempre soube muito bem o que eu faço, sempre tive noção das minhas decisões e sempre pensei que a única pessoa com moral pra ter esse tipo de conversa comigo fosse minha mãe e mais ninguém. E mais, acho absurdamente mal educada a intromissão das pessoas no relacionamento dos outros. 
- Então quer dizer que você tem todo o direito de conversar dessa forma comigo e se intrometer na minha vida, e quando eu quero fazer o mesmo, você acha errado e mal educado?! Por quê?! Você, por algum acaso, acha que tem autoridade sobre mim? - pude sentir meu sangue borbulhar. Eu estava irritada e, de fato, decepcionada com a reação dela. - Não entendi o porquê de eu ter que aceitar suas lições de moral e você não poder aceitar as minhas! 
- Eu não disse nada disso! E por que você está irritada desse jeito?! Eu nem ao menos terminei de falar! 
- Desculpa, mas eu tive a melhor das intenções, me preocupei com você e com o Harry e você foi... Foi... Mal agradecida! 
- Já falei que ainda não terminei, quer parar com esse escândalo? - ela falava com a voz firme e dura, mas estava perfeitamente calma. 
- Tudo bem, continue. 
- Eu sempre soube o que estava fazendo e nunca precisei de ninguém pra preencher esse papel por mim... Mas parece que nesses últimos dias estive cega. Meu orgulho foi machucado, entende? Eu... Eu... Me desculpe, Bela, você tem toda razão. Você está certa, me desculpe. - sorri ternamente e a abracei. 
- Está tudo bem... 
- Não, desculpe por nunca te ouvir e por...  Por ser tão cabeça dura com o Harry. Coloquei meu orgulho na frente de tudo... Eu não fui sensata. Me desculpe. 
- Ei, você não tem que me pedir desculpas por nada! Não a mim... - sorri. - É outra pessoa que merece escutar essas desculpas todas aí. 
- É... - observei seus olhos marejados e sorriso tímido. 
- Faça isso antes do Natal, ok? Não quero nenhum clima ruim na noite mais linda do mundo. - Farei. - ela sorriu. - Mas... Que gritaria é essa? Corremos para a janela e arregalamos os olhos ao ver uma fumaça preta.
- QUE PORRA É ESSA?!

Harry's POV

Não tinha se passado muito tempo desde que Bela saíra daqui da rede. Eu e Dougie ainda conversávamos coisas sem a menor importância e dividíamos um cigarro.
- Cara, não gosto mais de fumar. - Ele declarou.
- Nem eu. - o observei jogar a bituca longe sem prestar atenção no lugar onde ela caiu.
- Sabe, essa coisa de namorada é muito estressante. Ser solteiro era bem mais fácil.
- Com certeza, desde que você não esteja apaixonado.
- É. – ele suspirou - Eu gosto de peitos.
Gargalhei. Dougie sabe ser aleatório. E tarado.
- Isso é bom porque essa qualidade não falta na sua namorada.
- Não falta mesmo... Eles são macios e... Quentes! Eles são quentinhos!
- Eles são enormes.
- Pode apostar.
- Soph tem bons dotes.
- Você não imagina o quanto.
- A Thalia também tem.
- Eu sei... Percebi quando a vi de biquíni.
- Ei! Quem você pensa que é pra ficar olhando pra minha namorada?
- Ela não é mais sua namorada, cara...
Ops. Realidade cruel...
- Isso é uma merd...
- DOUGIE, HARRY, O QUE É ISSO?! QUE PORRA VOCÊS FIZERAM?! - escutamos a voz de Tom gritar e olhamos pra trás. Tinha um arbusto... PEGANDO FOGO!
- Mas o que... - Dougie ia dizendo quando Danny começou a correr em círculos com os braços pro alto gritando 'incêndio, incêndio!'
- CARALHO, VOCÊS SÃO MALUCOS?! - Tom gritou novamente e Sam começou a bater no Danny pra ele se aquietar.
- MEU DEUS, MEU DEUS, PEGA ÁGUA! - Flor gritou e logo depois Soph, Bela e Lia apareceram e estavam tão assustadas quanto os outros.
- Como vocês conseguiram isso?! - Bela perguntou sem tirar os olhos do arbusto em chamas.
- O Dougie jogou o cigarro em algum canto e a gente não prestou atenç...
- PUTA QUE PARIU, VOCÊS TÊM MERDA NA CABEÇA?! - Sam berrou - VOCÊS VÃO INCENDIAR ESSA PORRA TODA!
- ALGUÉM FAZ ALGUMA COISA! FICAR SÓ OLHANDO NÃO VAI AJUDAR! - Lia gesticulou pegando o celular. Só uma coisa: FO-DEU!


Harry's POV off


Já estávamos nos desesperando quando ouvimos a sirene do corpo de bombeiros soar. Alguns vizinhos se aproximavam por conta da fumaça, o que nos deixava completamente encabulados, sem contar o fato de que estávamos preocupados com a possível aparição indesejada da imprensa. Não seria nada legal...
- MAS O QUE.... - Todos olhamos pra trás no exato instante em que a avó do Danny caia desmaiada nos braços do filho.
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! - A Sra. Jones berrou, aproximando-se de nós - SEUS PESTES, O QUE VOCÊS FIZERAM COM A CASA DA STELLA?!
- Mãe não fui eu! Eu juro!
- DANIEL, VAI BUSCAR ÁGUA PRA MAMÃE AGORA! - o pai dele gritou. - O que vocês fizeram?! Como arrumaram esse incêndio?!
- Foi o puto do Dougie que jogou o cigarro aceso no arbusto! - Tom dedurou ao mesmo tempo em que Dougie se encolhia e sorria sem graça.
- Foi mal gente, foi sem querer...
- JURA DOUGIE? PENSEI QUE VOCÊ QUISESSE MATAR TODO MUNDO DE PROPÓSITO, QUE BOM QUE VOCÊ NAO É UM PSICOPATA. - Soph debochou depois de dar um tapa no ombro dele.
- Calma gente, os bombeiros já estão chegando, vai dar tudo certo, relaxem.
-  RELAXAR, FLORENCE? A PORRA DO JARDIM DA AVÓ DO DANNY TÁ PEGANDO FOGO E VOCÊ MANDA A GENTE RELAXAR?! - Sam (cuspiu mais do que) falou (ou seria "gritou"?), e dessa vez, eu concordei com ela.
- Eu to com medo. - Murmurei meio sem graça.
- MEDO?! EU TO APAVORADA, MEDO É DEBOCHE! - De novo, Sam cuspiu meio litro de baba em cima de mim, o que me fez esquecer o medo durante alguns segundos por causa do nojo.
Senti Tom abraçar minha cintura por trás e dar um beijinho no meu pescoço, então, achando aquilo peculiarmente fofo, retribui o abraço, virando de frente pra ele.
- Com licença, vim pedir pra que deixassem a casa enquanto eliminamos o fogo no jardim... - um bombeiro nos abordou com um olhar curioso, antes de sairmos da casa.

Do lado de fora, Lia e Harry conversavam num canto. Ninguém havia percebido quando os dois se afastaram de nós pra que morrêssemos queimados e eles vivessem seu amor proibido.
Eu e Soph trocamos olhares cúmplices ao ver que a conversa dos dois parecia fluir tranquilamente.
- Que cheiro horrível de mato queimado... - Dougie reclamou e todos o olhamos com aquelas caras que você já pode imaginar.

- Tipo maconha. - comentei vagamente, lembrando de quando minha mãe dizia: "quando você sentir cheiro de mato queimado, fuja! É maconha!". Bons tempos...
- Poynter, fica quieto se você não quiser tomar um murro. - Sam ladrou e nós apoiamos.
- Olha a merda que você foi arrumar... - Tom deu um tapa em sua nuca reprovando a molecagem do pequeno Poynter.
- Ei! Não tirem a culpa do Harry, ele foi tão cabeça de pinto quanto eu. Estou levando toda a culpa só porque ele saiu sorrateiramente pra desenrolar a Lia...
- Exato, por isso mesmo é melhor você ficar quieto. - opinei.
- Viu? Quem manda fumar?
- Môzi, eu pensei que pelo menos você fosse me acolher nesse momento sensível em que eu sou julgado e linchado por todos. - Dougie lamentou e a Soph rolou os olhos.
- Pensou errado, seu recalcado.
- Estou de castigo. - Danny chegou de repente, sentando-se ao meu lado.
- Mas por quê?! - Flor perguntou desentendida.
- Porque eu quase destruí a casa da minha avó. - ele deu de ombros.
- Ué, mas foram o Dougie e o Harry! - argumentei.
- Ah, cara, são os castigos do Danny... Não é como se fosse algo sério. - Tom explicou abanando o ar com descaso.
- Pois é, minha mãe me põe de castigo todo dia e esquece dois minutos depois.
- Ah, a Sra. Jones continua assim? - ri, me lembrando desse fato. Os Jones são todos loucos...
- Quem dera que minha mãe fosse assim... - Flor suspirou enquanto cutucava seu short. - Ela estaria reclamado até agora desse cheiro de maconha, falando que todos nós ficaríamos drogados...

Algumas horas depois, tudo estava resolvido (eu acho e espero com fervor), então voltamos pra dentro de casa e esperamos o resto dos familiares que faltavam. Eles não tardaram a chegar. Logo a casa já estava cheia.
Eu achava que já estavam todos aqui - os pais da Sam, do Danny, do Dougie, do Harry, da Lia, da Flor, da Soph, os meus, e os do Tom (Carrie também veio, obviamente) - quando a campainha tocou.
- Atende lá pra mim, Bela? - A Sra. Jones pediu e eu não hesitei, já que estava do lado da porta.
- KAIO?! - exclamei, já praticamente pulando em cima dele.
- Nossa, mas que recepção calorosa! - ele riu, retribuindo meu abraço.
- Que saudade! Não sabia que você vinha!
- NÃO CONSIGO RESPIRAR, SEU CABELO ESTÁ ENTRANDO NAS MINHAS NARINAS, SAI DE CIMA DE MIM!
- Ok, me desculpe. - me recompus, ainda meio elétrica. Eu tava morrendo de saudade dele!
- Ah, essa é minha namorada. Suzie. - Só então reparei que tinha uma menina atrás dele. Outra namorada? Mas já?
- Oh, muito prazer! Bela. - acenei.
- É, eu sei... O prazer é todo meu! - ela sorriu tímida e se aproximou pra me cumprimentar.
- E então, vai nos deixar entrar ou não? - Kaio me cutucou.
- Ah, é! - gargalhei - Entrem, entrem!

- OI KAIO!
- OI KAIO!
- OI KAIO!
- OI KAIO!
- OI KAIO!
- OI KAIO!
- OI KAIO!
- OI KAIO!
Soph berrou e todo mundo imitou. Foi engraçado, eu ri.
- Nossa, que ensaiados! - Carrie comentou achando graça, terminando de organizar todos os presente sob a árvore de Natal.

As coisas estavam tensas entre mim e minha linda e amada sogra. Ela nem me olhava. Eu não queria passar o Natal brigada com ninguém, gostaria muito de ter coragem pra ir até ela e resolver nossas diferenças, mas eu morro de medo dela me jogar no calaboço com 47 índios canibais famintos.
Fui até a cozinha ver se minha mãe queria alguma ajuda com o jantar, mas me surpreendi assim que entrei e vi que a Sra. Fletcher conversava animadamente com ela sobre algum assunto desconhecido.
-...Vieram quatro de uma vez só! - Debbie ria e picava alguma coisa verde sobre uma tábua.
- Quatro?! Wow!
- Sim! Qua... Oi, Bela! - ela me cumprimentou amigavelmente (ok, estranho) e sorriu, voltando a cortar seu treco verde (ok, MUITO estranho)
- Er... Oi, Sra. Fletcher...
- Pode me chamar de Debbie, Bela. - sorriu docemente, terminando seu oficio. Depois de lavar rapidamente a mão, ela veio até mim e descansou seu braço em meus ombros. QUE-MEDO. - E... Se não se importa, posso fala com você à sós um instante?
- C-claro... - Agora fodeu. Tchau, gente, to indo morrer. Quem encontrar meu corpo não chega perto da calcinha, porque deve estar toda cagada, adeus.

Entramos em um dos quarto e ela fechou a porta cuidadosamente. Minha respiração ruidosa contrastava com a sua, calma e comedida.
- Não fique tão tensa... - sorriu. Tentei sorrir de volta, mas meus músculos faciais estavam tão rígidos que não fui bem sucedida.
- Sobre o que vamos conversar?
- Sobre... Nós. Eu, você e Thomas.
- Olha, sra. Fletcher, eu sei que a senhora não aprova...
- Esquece isso, Bela. - Debbie me interrompeu sem rudeza. Ela estava tão doce quanto costumava ser com todas as pessoa (exceto a mim, claro). - Eu quero me desculpar. Quero pedir perdão pela minha... Crueldade. Eu... Deixei o ciúme me cegar de uma forma que não consegui mais enxergar o quão mal era o que eu estava fazendo contra aqueles que me rodeavam e principalmente contra mim mesma. E o pior foi que eu afastei quem eu mais amava: meus filhos. Eu não causei bem nenhum a eles e... E muito menos à você. Me desculpe, Bela, me desculpe, eu estou muito arrependida e eu sei, sempre soube, que você é uma menina ótima! E faz muito bem ao Thomas, então não tenho motivos pra te querer longe dele.
- Não tem mesmo, Debbie, eu o amo, pode ter certeza. - sorri minimamente, confortada com suas palavras.
- Você me perdoa? Me perdoa e promete esquecer tudo que fiz? - seus olhos, marejados desde o inicio da conversa, finalmente derramaram duas lágrimas em sincronia.
- Perdoo, claro que perdoo, Debbie. - sorri antes de sentir seu abraço pela primeira vez na vida. Um abraço confortável e cheio de sentimentos. Eu sabia que suas palavras eram sinceras, assim como o meu perdão. Deixei de lado qualquer magoa que sentia por ela e me prontifiquei a construir uma nova relação com a minha sogra. Um relação nascida sob a magia do Natal, existe coisa melhor?

Saímos do quarto abraçadas, ambas sorridentes, sobre o olhar curioso de todos. Bob sorriu orgulhoso, ele provavelmente sabia das pretensões de sua esposa para esse Natal.

- O que houve naquele quarto? - Tom perguntou assim que sentei ao seu lado, no chão.
- Ela basicamente pediu desculpas, falou que estava muito arrependida e até me abraçou! Da pra acreditar?!
- É a magia do Natal! - ele riu.
- Pensei a mesma coisa.
- Viu? Por isso que eu amo o Natal. - Tom me puxou pra mais perto.

- PARA PAI! - escutei Sam gritar algum tempo depois.
- Mas eu só to falando a verdade!
- AHAHAHAHHAHAHAHAHAHA - Danny ria escandalosamente (novidade) enquanto eu me aproximava pra ver o que estava acontecendo (não sou fofoqueira, sou apenas curiosa). Adentrei o cômodo que me parecia ser o quarto da avó do Jones, onde estavam o próprio Danny, Sam, os pais dela, Lia, Harry e Soph.
-... E nessa foto aqui, ela estava prestes a tirar o aparelho. - Sr. Bradley explicava, enquanto segurava um monte de fotos.
- PAI!
- EU QUERO VER ESSAS FOTOS! - gritei, pulando na cama, no meio de todo mundo e sendo imitada por Tom.
- A Sam era muro feia, cara, Deus me livre!
- Deixa de ser escroto, Fletcher. - ela reclamou, socando o braço dele. - Pelo menos eu era feliz com meu aparelho externo... E fiquei muito mais linda que qualquer mulher que você já enfiou esse seu...
- SEM BAIXARIAS, SAMMY. - a mãe dela a repreendeu enquanto eu e Tom gargalhávamos.
- Mas filha... Você era muito, mas muito feia... - Sr. Bradley voltou a comentar. Coitadinha... Eu nem a achava tão feia assim quando éramos crianças. Ela era só um pouco estranha com aquele aparelho bizarro que fedia a baba.
- Em compensação, hoje em dia ela é absurdamente linda. - Danny comentou sem muita malícia, o que afofou uns 90% o comentário, que já era fofo por si só. Concluímos, então, que foi 100% de pura fofura.
- Oooooooown! - resmungamos em coro, a assistindo dar um selinho nele.
- Quando foi que vocês ficaram tão explícitos com esse amor?! - o pai dela perguntou, mas é bem óbvio que nem a própria Sam sabia. Ela simplesmente deu de ombros e continuou a insistir que ele guardasse as fotografias.
- Pai, por que você trouxe essas merdas?
- Pra dar uma alegria no Natal...
- Boa, sr. Bradley! - Harry ergueu os braços pra dar um high-five alegremente correspondido.
- Gente, vamos parar de cometer bullying contra a menina, anda, o Peru ta na mesa! - Carrie invadiu o quarto, batendo palma como se ela fosse alguém, pffff, coitada.
Brincadeira.
- Viu, Danny? Elas acharam teu instrumento, ta lá na mesa! Parabéns, cara... Depois de tantos anos só com a metade dele...- Tom deu dois tapinhas camaradas nas costas do Jones ao som das risadas do sr. Bradley e do Harry.
- Sem graça. - Danny murmurou e foi andando, detalhe importante: Sam estava pendurada nas costas dele.

- CADÊ O VINHO NATALINO?
- Sam, hoje não é dia de ficar bêbada, amor. - a mãe dela repreendeu e eu gargalhei.
- Essa menina ainda é assim? - Sra. Judd se remexeu desconfortável, comentando um pouco alto demais.
- AINDA SOU ASSIM SIM. ALGUM PROBLEMA? Teu filho é muito pior.
- Que isso, Sam! - Flor estapeou seu braço e eu não sabia se ria ou se ficava com vergonha.
- Sem brigas no Natal, gente, pelo amor de Deus, né. - a mãe do Dougie interferiu gesticulando exageradamente.
- É, vocês estão muito exaltados. - dessa vez, meu pai interveio.
- Que tal pularmos logo pra parte dos presentes? Já saciei minha fome e não to vendo mais ninguém comer. - Soph propôs - Então a gente já podia tirar a mesa e trocar os presentes!
- Eu não terminei de comer ainda. - Tom retrucou meio indiferente e eu ri.
- Nem eu. - Carrie se serviu apressada.
- Aonde estão os modos de vocês, enfiaram no...?
- BOB! - Debbie repreendeu. - E os SEUS modos?! Você não está em casa, ok? - Todo mundo gargalhou. Exceto a mãe do Harry, claro.
-  Desculpem por isso, gente, meu pai é um pouco desbocado. - Carrie explicou enquanto Danny cumprimentava o Bob, aprovando totalmente seu comentário.
- Enfim, eu ainda não terminei de comer também. Meu nível de fome, de zero à Tom Fletcher, está Tom Fletcher, então me deixem comer. - Harry zombou fazendo com que ríssemos um pouco demais.

- FINALMENTE CHEGOU A HORA DOS PRESENTES! - Soph berrou. Sentamos em circulo, alguns no chão, outros nas cadeiras, outros no sofá, outros no colo do Tom (eu).
- Ok, vamos organizar isso. - Sra. Jones suscitou.
- Vamos começar por nós, pais, porque eu tive um trabalho desgraçado pra arrumar um presente pra Thalia, ela já tem tudo... Foi uma tarefa árdua... - Fern remexeu os presentes debaixo da árvore até encontrar uma caixa devidamente embrulhada. 

- O que é, mãe?
- Ah, uma besteira, você já é rica, querida, não espere que eu fique te mimando não. - rimos. 
- Tudo bem, mãe, eu já esperava. - ela resmungou resignada enquanto abria a caixa. Era uma bolsa linda da Chanel.
Besteira? Tá tia Fern... Tá.

- PORRA! ISSO É BESTEIRA? Puta que pariu, coitada de mim.
- Menos, Sam! - Tia Selly repreendeu e eu ri.
- AWN, MÃE, AMEI, BRIGADA!
- Eu que escolhi.- o pai dela falou, mas, pois é, ninguém acreditou não.
- AGORA EU! - a mãe da Sam berrou, pegando uma caixa enorme. Quase a maior dali. Quase. 
- Sam, tome muito cuidado com o que vai fazer com esse presente... Vê se não mata ninguém e... Bom, agradeça ao seu irmão também, ele ajudou a comprar. - Sr. Bradley discursou enquanto sua esposa entregava a caixa à filha.
- O QUE É?! AI MEU DEUS, AI MEU DEUS! - Sam arrancou um pouco canibalescamente (ela usou os dentes) a fita que rodeava a caixa e quando abriu... bom havia apenas uma pequena... - CHAVE? VOCÊS ME DERAM UM CARRO? UM CARRO? MEU DEUS! SOCORRO, MÃE, BRIGADA, MEU DEUS, AI, VOU CHORAR. - ela não havia percebido, mas já estava chorando. - GENTE, CÊS SÃO LINDOS, BRIGADA, SÉRIO, CARACA, BRIGADA!
- Bom, quando a gente voltar pra Londres, ele já vai estar na sua garagem. - Kaio sorriu. - Aqui uma foto, para o seu consolo. - lhe estendeu seu celular, e quando Sam olhou, deu um grito que eu jurava que até Jesus Cristo tomou um susto lá no céu. 
- NÃO, NÃO, NÃO. EU AMO VOCÊS! MEU DEUS! 
O carro era um New Beetle azul bebê (#). Amei, vou roubar, não contem pra ela. 
Bom, depois disso, os outros também ganharam presentes dos seus respectivos pais - nada muito relevante além do fato da Soph ter ganhado um MacBook air totalmente cobiçável pela minha pessoa - e enfim, chegou minha vez.
- Filha, toma. - meu pai me jogou uma caixa. Sério, doeu. Era pesada!
Abri sem muita pressa, não tinha nada que eu quisesse tant... 
RETIRO TOTALMENTE O QUE EU ESTAVA PRESTES A DIZER.
- MENTIRA, MÃE. 
- Seu BlackBerry tava muito ultrapassado. - ela sorriu sagaz. 
- QUE LINDOOOOOOOOOOOO! AI, SOU A MAIS MODERNA DESSA CASA, GENTE. - comecei a babar no meu lindo e novo IPhone 5 (#). Ai, sou chique demais. - Brigada, sério! - sorri pra eles, que retribuíram. - Ah, deixa eu entregar os meus agora, porque são muitos! E eu sei que a gente combinou de ninguém dar presente pra ninguém, mas eu passei na porta da Jimmy Choo lá em Paris e, bom, comprei pra vocês. - Entreguei as quatro bolsas de sapato pras minhas amigas que estavam me olhando um pouco surpresas e bravas.
- BELA! Isso é injusto! Por que não me avisou? - Lia reclamou enquanto abria a sua sacola.
- SUA VADIAAAAAAAAAA! - Sam gritou assim que olhou seu novo par de sapatos (#). - VADIA, VADIA, VADIA!
- Vadia e rica, porque nossa... - Flor também analisava seus sapatos. (#) - EU... SIMPLESMENTE... AMEI, ISABELA JOHNSON, AMEI!
Sorri largamente. Soph estava atônita diante dos seus novos saltos (#), e depois começou a beijá-los de uma forma engraçada.
- Isabela, isso aqui é tudo! - Lia exclamou com os seus (#) na mão.
Sorri novamente e um segundo depois senti algo pesado se tacar em mim. Era a Sam. Eu desabei no chão, e logo depois senti mais pesos. É, minhas amigas estavam fazendo um montinho sobre mim.
- ESTOU MORRENDO, SOCORRO!
- BRIGADA, BELINHA, TE AMO! - Escutei Flor agradecer.
- SE VOCÊS NÃO SAÍREM DE CIMA DE MIM, VOU MORRER E AÍ MEU ESPÍRITO VAI VIR PRA PEGAR OS SAPATOS DE VOLTA, JURO.  
A ameaça funcionou já que uns segundos depois, consegui respirar. Suspirei e me recompus.
- Bom, depois desse momento recalcado, vou continuar. Meninos, como eu não amo vocês e gastei toda minha fortuna pro resto da vida com presentes pra elas... Não comprei nada pra vocês. Então dane-se, vou pular pro Fletcher. - Sorri e ouvi vaias do Harry, Dougie e Danny. - Aqui está. - peguei a maior caixa dali, que não estava exatamente debaixo da árvore por não caber, e o entreguei.
- Wow, eu estava torcendo pra que esse presente grande fosse o meu! - ele confessou e eu ri.
- Então espero que você goste, porque custou o olho da cara. E bom, tem um outro que eu te dou mais tarde. - sorri. 
- Uuuuuh, que mistério! - Soph zoou.
- É o que? Sexo com chocolate e morangos? Porque eu pedi isso pra Sophia. - Dougie disse, sempre sem a menor noção, e levou um tapa da mãe. Eu gargalhei.
- Claro que não, Poynter! Pfff... - abanei o ar. - Abre logo isso, Thomas!
- Calma, você embrulhou isso com o que? Cera quente?
Eu tava realmente ansiosa pra saber se ele iria gostar. Bom, na verdade eu tinha quase certeza que sim.
- Bela, mas o que... O-o que... Não acredito, você... Meu Deus... Bela! Meu Deus! Eu não... Caralho, eu... Nossa...
- Calma, Tom, respira, cara... - Harry bateu nas suas costas prendendo o riso, coisa que eu deveria fazer ao invés de gargalhar feito uma maritaca prenha.
- Não, cara, olha isso, meu Deus! Não acredito, é uma porra de uma Gibson autografada pela porra do Tom DeLonge, puta que pariu! Vem cá! - ele me agarrou assim, todo eufórico e me girou no ar. 
- Awn, ela tão bonitinha! É customizada! - Flor falou sorrindo, observando a nova guitarra (#) do Tom. 
- Foi. O. Melhor. Presente. Da. Minha. Vida. - Ele falou pausadamente. - Brigado, amor! Agora não sei se amo mais você ou ela!
- Tudo bem, qualquer coisa eu posso vendê-la. - dei de ombros.
- Ok, amo mais você. - ele sorriu e me abraçou de novo, me dando vários selinhos em seguida.
- Soph, seu presente. - Doug se levantou pra pegar uma caixinha bem pequena. - Bom, você não quis me falar o que gostaria de ganhar e eu sou péssimo com presentes. Então, eu... Meio que tive essa ideia...
- Me dá logo isso, Poynter. - Ela, toda delicada, tomou a caixinha da mão dele. 
- Então a Bela não é a única que fala "meio que"... - Pude escutar meu pai comentar e rolei os olhos.
- AWN, DOUGSTER, AMEI! - Soph pulou nele e beijou toda sua cara. Eca, beijos alheios...- Mas quem vai usar o 'I love you' e quem vai usar o 'I know'? (#) 
- Eu fiz o 'I love you' pra você, como se eu estivesse te dizendo isso. E o 'I know', eu uso, como se fosse sua resposta. - ele sorriu com aqueles olhinhos comprimidos. 
- Own, meu melzinho, amei demais! Você é muito lindo, môzi, muito! - Soph o beijou de novo antes de Danny pigarrear.
- EU SEI QUE A SAM AINDA NÃO É MINHA NAMORADA, mas eu comprei um presente pra ela. Não é nada demais, mas eu quis comprar isso porque eu vi na rua e achei a cara dela. É um babuíno. 
- AAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAAHHAHAHAHAHAHAHAHA - Eu e mais alguns gargalhamos e Sam fez uma cara de ódio que me deu medo.
- BRINCADEIRA, SAM, você não parece um babuíno, e não foi isso que eu comprei. Toma. - Lhe entregou uma bolsa cuja marca era desconhecida por mim. 
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHHAHAHAHAHAH - Gargalhei de novo, assim que vi o presente, a cara dela, e a cara dos pais dela. Na verdade, eu não gargalhei sozinha, só quem não gargalhou foram os adultos.
- ISSO É COISA QUE SE DÊ PARA UMA MOÇA, DANIEL? - a vó dele quase infartou. Melhor foi a mãe do Harry: essa deve ter morrido de desgosto.
Dentro da bolsa que Danny dera à Sam, estava uma fantasia completa de policial sexy (#)
- AH, GENTE, RELAXA! Eu até que gostei! - Ela disse. - Valeu Danny, talvez um dia eu use com você.
- SAMMY! - Tia Selly reprovou, um pouco constrangida.
- Er... Eu... - Tom tentava falava ao mesmo tempo que tentava parar de rir. - Eu vou buscar o meu presente pra Bela lá nos fundos porque não deu pra colocar aqui... Já volto. 
- Bom, então alguém tem mais algum presente pra entregar? - Carrie perguntou.
- E-eu... - Harry falou. - Bom, eu comprei enquanto ainda estava namorando com... você. - olhou pra Lia. - Então é seu. - lhe estendeu uma caixinha, a qual ela abriu receosa. Era um colar. Uma colar de ouro branco lindo (#). - Atrás tá escrito "let' start with forever", mas se não quiser usar, não tem problema...
- Pode colocar no meu pescoço, por favor? - Ela ignorou seu comentário final, nos surpreendendo.
- C-claro... - Harry o fez, um pouco nervoso e inseguro, o que era engraçado. Ele era sempre tão machão... 
- Eu adorei, Harry, obrigada. - Lia sorriu docemente antes de abraçá-lo, para o espanto de todos nós.
- AÊ HAROLD, MANDOU BEM! - Sam aplaudiu e ele rolou os olhos.

- E então, o que perdi? - Tom chegou, segurando uma caixa grande.

- Harry e Lia se amando. - respondi.
- Ah, tudo bem, nada que eu já não esperasse. - ele deu de ombros.
- Alguém segura a Bela por favor? Tom vai dar o presente. - Sam comentou com descaso, olhando as unhas e minha mãe riu.
- Pera aí, que conspiração é essa? Só eu que não sei do meu presente?
- É. - Doug respondeu dando de ombros. Mas que afronta!
- Me dá logo isso! - Peguei a caixa da mão dele abri sem muito cuidado.
...
...
...
(momento de silêncio onde eu morro lentamente)
...
...
...
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! - gritei tão fino, que até eu me espantei com a minha capacidade de conseguir gritar tão agudamente. Parecia aquelas menininhas de doze anos que veem um inseto. - AAAAAAAAAH, TOM, TOM, AAAAAAAAAAAAAH! MEU DEUS, MEU DEUS, AAAAAAH! - pulei em cima dele beijando tudo que eu encontrasse de pele - VOCÊ É A COISA MAIS PERFEITA DO MUNDO, AAAAAAAAAAAH! - Todos gargalhavam, mas eu não tava nem aí. Quis continuar pulando como se o chão tivesse quente, e gritando que nem uma criancinha. - EU GANHEI UM PORCO! EU GANHEI O GARRY! AI, MEU DEUS! TOM, NÓS TEMOS UM BEBÊ! EU SOU MÃE, EU SOU MÃE! JÁ POSSO ATÉ SENTIR O LEITE NOS MEUS SEIOS! OH, VEM CÁ GARRY! - peguei o micro porquinho recém-nascido, enroladinho na manta rosa (#) e comecei a cantar: - O CICLO SEM FIM, QUE NOS GUIARÁ! A DOR E A EMOÇÃO, PELA FÉ E O AMOR! ATÉ ENCONTRAR O NOSSO CAMINHO NESSE CICLO, NESSE CICLO SEM FIM! 
Depois eu mesma comecei a gargalhar junto com todo mundo. EU TAVA TÃO FELIZ! 
Beijei meu porquinho, que fez um som estranho, me fazendo rir mais. Ai, que lindinho!
- Eu também comprei uma casinha, a ração, os brinquedinhos, o shampoo, a escova macia para pelos suínos, e a manta não pôde ser azul porque tava em falta, só tinha a rosa, mas prometo comprar a azul assim que chegar. - Tom informou com sua cara intelectual e eu quase joguei meu porquinho longe para agarrá-lo. Mas ao invés disso, o agarrei junto com o porquinho, que ficou um pouco esmagado, mas tudo bem.
- VOCÊ É PERFEITO, FLETCHER! 
- Eu sei, eu sei... - ele riu.
- E quantos anos o Garry tem?
- Quase dois meses, e só poderá viver no apartamento por três anos. - suspirou. - Ele faz aniversário dia primeiro de novembro.
- Certo... Awn, ele é tão lindo!
- EU SOU A MADRINHA! - Flor levantou o braço, caminhando até mim.
- NEM VEM, QUERIDA, SOU EU. - Sam a empurrou. - Eu que ajudei o Fletcher a escolher qual porco iria ser. 
- Mentira, Sam, só tinha um disponível pra venda. - Tom retrucou me fazendo rir.
- Gente, todas são tias do meu filho... Mas a madrinha vai ser a... - suspense pra acabar com elas -... Carrie.
- Eu? 
- Aham!
- Oh, obrigada! Viu, Garry? Sua mamãe me ama! - ela acariciou o focinho dele.
- COMO ASSIM? EU QUE SOU SUA MELHOR AMIGA, JOHNSON.
- Sam, o combinado era de você ser madrinha do meu filho humano. 
- Ok, me vingarei disso, pode esperar. 

- OMFG, NÃO ACREDITO QUE TO REALIZANDO MEU SONHO DE INFÂNCIA, NÃO ACREDITO QUE AGORA EU TENHO UM PORCO! - gritei do nada, depois que todo mundo já tinha organizado as camas na sala (que era bem grande, havia muitas camas...).
- Bela, você tá falando isso de cinco em cinco minutos, já entendemos que você ganhou o porco. 
- Deixa de ser sem coração, Lia, eu to feliz, ok? E, SAM, QUER LARGAR MEU PORCO?
- Deixa o Garry comigo! Ele gostou do meu cheiro!
- Tudo bem, crianças - não somos crianças, Sra. Jones - Como vai ser a organização dos quartos e das camas? Estou cansada demais para organizar qualquer coisa, então apenas me digam. 
- Eu e Tom precisamos de um quarto. - me apressei em dizer e me arrependi no segundo seguinte.
- Posso saber porquê? - Meu pai ergueu uma sobrancelha.
- É, Isabela, posso saber porquê? - minha mãe e essa mania de imitar o que meu pai diz.
- Er... P-porque... Porque... ué, porque... Bom, nós... precisamos conversar...
- Conversem aqui embaixo. - Minha mãe decretou. 
- Olha, vou ser bem sincero. Querem fazer sexo? Façam. Mas desde que eu nem suspeite. E tem mais: eu e sua mãe também precisamos fazer sexo. - ECA, PAI, NÃO DIGA ISSO EM VOZ ALTA.
- EDWARD! Menos, ok?
- Que seja. - bufei irritada e Sam gargalhou.
- Tá mal, hein, Fletcher! Tem que tirar esse atraso aí!
- Cala a boca, Sam! - Murmurei, e ela gargalhou de novo. 
- Então vamos fazer o seguinte. - Selly propôs - Os adultos nos quartos e vocês, jovens, aqui.
- Eu vou pra um hotel aqui perto com a minha namorada. - Kaio informou -  Já to de saída. Tchau, galera! 
- Tchau, Kaio... - alguns resmungaram.
- Bom, os pais da Soph, do Tom, do Doug e do Harry também foram dormir em não-sei-onde, então sobram quartos suficientes para nós e um para a mamãe. - o Pai do Danny disse. Vocês ficam aqui embaixo mesmo. Boa noite.

- Psiu... Bela... - Danny sussurrou um tempo depois de todos já estarmos acomodados em nossos colchonetes. 

- Hm...
- Sam me contou do segundo presente pro Fletcher...
PORRA SAM, VAI ROLAR PORRADA.
- Urgh, Danny... Não me enche a paciência. 
- Sua ingrata, eu ia te ajudar!
- E como você me ajudaria? - me interessei subitamente.
- Bom... Tem um lugar... - ele sorriu malicioso. - Eu sempre levava as meninas pra lá. 
- Que lugar?!
- La embaixo, no porão. É tipo um salão de jogos... Mas não tem muita coisa além de uma mesa de sinuca, uma mesa redonda pra jogar carta e um aparelho de karaokê velho. Acho que serve pro seu plano...
- Tá perfeito! Valeu, Dan! - sussurrei um pouco mais alto.
- Tudo bem... Mas lembre-se: tranque a porta! Vai que...
- Ok, já entendi! - dei uma risadinha. - Fique com o celular na mão e mande-o descer assim que eu te enviar uma mensagem. 
- Tá, vai lá, safadona!

Corri até minha mala, que estava no quarto da avó do Danny. Não foi tão difícil entrar lá sem que ela percebesse. Peguei meus... utensílios e desci. 

O porão era um tanto mal iluminado, mas estava bem limpo e quetinho. O ambiente estava bem propício. Melhor do que eu imaginava. 
Depois de trocar de roupa, desorganizar meu cabelo, conectar meu itouch no amplificador e colocar minha playlist especial pra tocar, mandei a seguinte mensagem pro Danny: "tudo pronto, manda o Fletcher descer! xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Sim, eu coloquei todos esses "x". 

Danny's POV

- Tom... - cutuquei seu ombro. - Tom, tá dormindo?
- PORRA, QUEREM PARAR DE COCHICHAR? QUERO DORMIR! - Soph reclamou, mas eu ignorei.
- Toooom! - cutuquei mais forte e ele resmungou qualquer coisa. - Cara, a Bela tá te esperando lá no porão pra te dar o seu segundo presente... Se eu fosse você acordava logo.
- Er... No porão? - ele abriu os olhos interessado, perguntando com uma cara maliciosa. 
- É... - respondi com a mesma cara. - No porão.
- Sendo assim, até mais tarde, Jones. - ele riu, se levantando e indo apressadamente da direção das escadas.

- Danny, bem que a gente também podia... sei lá, seguir os passos da Bela e do Fletcher lá na cozinha, né? 
- Com certeza. - sorri.
Assim que Sam entrou na cozinha, a puxei pra junto de mim começando a beijá-la com todo o tesão existente em mim.

Danny's POV off



Thalia's POV


Já era tarde quando fui tomar ar no quintal. Observei o arbusto todo queimado e senti vontade de rir. 

Eu precisava pensar na vida. Precisa pensar no Harry.
Era estranho me permitir pensar nisso depois de tanto tempo vetando qualquer tipo de ligação com ele, dentro e fora de mim. 
Mas era preciso. 
Eu queria pensar nele.

A noite estava quente, mas o vento era gelado. Um clima muito gostoso. Olhei para a piscina, que parecia tão convidativa, e cogitei a possibilidade de entrar... Mas... Não. Com certeza não seria legal. Depois eu ia ficar com frio, e teria que trocar de roupa... Definitivamente não.

- Hahahahaha - escutei uma risada engraçada, e então olhei pra trás. Lá estava Dougie, rindo da minha cara.
- Que foi?
- Você está falando alto, sabia? - ele caminhou até sentar do meu lado.
- Estou, é?
- Pode crer que sim.
Ficamos em silêncio por alguns instantes até que ele respirou fundo.
- Eu adoro esse seu perfume. 
- Hum... É, eu elogiaria o seu, se estivesse sentindo.
- HAHAHAHAH, ok, obrigado. Soph usa um igual ao seu... Eu realmente adoro.
- Ela usa? Que horrível, odeio estar com o mesmo cheiro que outra pessoa.
- Tudo bem, nela é mais cheiroso mesmo... - ele deu de ombros.
- EI! - dei um tapa em seu ombro e ele fingiu chorar. Depois rimos.
- Sabe, Lia... Você deveria falar com o Harry. 
- Falar exatamente o que?
- Que você o perdoa, o ama e quer voltar.
Rolei os olhos.
- E quem foi que te contou essa mentira?
- Ah, não é como se eu não soubesse. Ele te ama. Ele fica me falando isso várias horas por dia como se eu fosse você... É tão estranho... Às vezes eu realmente acho que o Harry tem um paixão homossexual por mim... Ou eu me pareço muito com você.
- Acho que é a primeira alternativa mesmo.
- Eu também... Mas a questão é: ele fica me enchendo o saco dizendo "eu a amo, eu a amo", e eu já não estou mais aguentando a fossa do meu amigo. Ele não merece, sei que ele errou mas... Ele te ama, e o amor passa por cima de tudo, não é?
- Sabe, Doug... Mesmo que no amemos... A confiança não é mais a mesma. É como se um cristal caísse e quebrasse. Nós podemos colar os pedaços e reconstruir o cristal, mas ele continuará rachado, arranhado. 
- Mas você pode virar a parte rachada pra trás e seguir em frente. Uma hora você vai esquecer de que essas rachaduras existem... A não ser que insista em virar o cristal pra olhá-las. Não é tão complicado Lia... Eu já disse, se existe amor, dá pra superar.
- Mas...
- Sabe qual é o seu problema? - ele me interrompeu. - Acho que é orgulho... Acho que você não tem coragem de ir lá e perdoá-lo, esquecer de tudo, assumir que o ama.
- E sabe o que eu acho? Que você está sabendo demais, sr. Poynter! - ri baixo - Onde foi que aprendeu a dar conselhos e ter conversas sérias?
- Sei lá, eu tava aqui pensando nisso agora mesmo! Nem eu sei se entendi tudo que te falei! Então não me faça repetir, não vou saber!
- Hahahahaha, tudo bem! Obrigada, Dougie... Sério.
- Por nada! Promete que vai falar com ele?
Ok, Lia, hora de ser crescidinha e passar por cima desse orgulho todo. Gosto tanto de me achar madura, mas no momento, todos aqueles que eu achava infantis estão me dando um banho de maturidade. Então tá. Vamos lá.
- Prometo, Poynter. Prometo. - suspirei e o senti me abraçar ladino.

Thalia's POV off


Sam's POV

Eu tava louca. Muito louca. Muito excitada. Bem naquele estado "preciso dar", eu sei que você me entende. Danny segurava minha bunda como se fosse a última coisa que ele pudesse apertar no mundo e, como se não bastasse, a puxava pra que nossas pelves ficassem pressionadas uma contra a outra e eu sentisse toda a sua... Virilidade.
Isso, Danny, cutuque minha onça com sua vara curta (desculpe, Jones, mas sua vara é curta mesmo. Sou sincera). Aquele toque das nossas regiões baixas estava tão enlouquecedor que eu me empolguei, o virando com brutalidade contra o balcão, onde ele se escorou e apoiou os braços, um tanto surpreso.
Interrompi o beijo com um sorriso ardiloso, bem malicioso, o qual ele retribuiu instantaneamente.
Nem me preocupei com a blusa. Apenas desamarrei o cadarço da sua calça de moletom, a vendo descer por suas pernas no segundo seguinte. Encarei o volume coberto pela boxer vinho e não hesitei em descobri-lo... Ok, o Danny Jr. nem é tão pequeno assim... Juro. Tudo bem, que eu já vi maiores - bem maiores - mas o dele era o mais gostoso, com toda certeza.
- Boa noite, pequeno Dannyzinho! Estava sentindo minha falta? - perguntei um tanto devassa para o instrumento do Jones, e minha visão periférica permitiu que eu visse o Danny morder seu lábio inferior.
- Ele sentiu MUITO a sua falta, Bradley.
- Eu também senti falta dele. - foi a última coisa que eu disse antes de, bom, você sabe...
Usei uma de minhas mãos e a boca em sincronia - eu tinha plena noção do quão boa eu era naquilo - enquanto com a outra mão eu acariciava ora sua coxa, ora seu abdômen. Mantive os movimentos por um tempo, apenas aumentando e diminuindo a velocidade conforme eu achava necessário, e curtindo as carícias do Danny sobre meus cabelos e ombros.
- Sam, vem cá. - ele chamou baixo, me puxando pra cima e capturando meus lábios com a mesma urgência que arriava meu pijama e minha calcinha.
O senti inverter as posições, e quem passou a ficar escorada no balcão fui eu. Apoiei uma das minhas pernas na cadeira pra que houvesse mais espaço ao consumarmos o ato... Então, sem cerimônias ou aviso prévio, o senti me invadir com um fervor invejável. Ele era tão... Vívido e ágil... Era tão habilidoso...
Ao percebermos que ambos ainda estávamos com as blusas, tratamos de tirá-las em meio aos movimentos ritmados, às arfadas e aos sobressaltos. Não pensei que fosse dar certo e temi que tivéssemos de interromper tais movimentos tão deliciosos apenas pra tirar as blusas. Mas deu certo. Foi mais difícil que o normal, mas deu realmente certo e nossos corpos puderam finalmente entrar em contato pleno.
Suas mãos enormes tomaram meus seios e os massagearam com devoção. Era tão bom vê-lo se deliciando com meu corpo tanto quanto eu me deliciava com o dele...
A partir de um certo momento, os gemidos ficaram altos e descontrolados. Danny tentava me silenciar com beijos, mas nem ele mesmo era capaz de manter-se calado. Era tão entorpecente, tão... Tão gostoso!
Não demorou pra que a onda de calafrios e espasmos tomasse meu corpo e o calor se tornasse insuportável. Era mais um orgasmo perfeito com o qual Jones me presenteava. Apenas mais um entre os muitos, mas tão singular que me parecia ser o melhor de todos. Eu sempre achava que era o melhor até sentir o próximo.
Danny era mesmo um deus do sexo.
Enquanto ele dava as últimas estocadas, sentindo provavelmente o mesmo que eu, eu via meu corpo reagir com uma tremedeira involuntária, estendendo a duração daquela sensação indescritível.
- Sam... Isso foi... Isso foi foda. - ele vociferava resfolegando e me abraçava com carinho.
- Foi muito foda, Jones. Você tá cada vez melhor. – ele sorriu e me deu um selinho.
- Só um segundo. Vou me livrar na camisi... Puta que pariu, não usamos caminha!
- Relaxa, Danny, eu faço sexo desde os catorze anos e tomo pílula desde os treze, já transei sem camisinha umas duzentas vezes e não vai ser dessa vez que vou ficar grávida. - tagarelei com descaso enquanto colocava de volta a calcinha e o pijama.
- Hm... Certo. - ele deu de ombros. - Que bom, porque eu não gostaria de...
MAS SENHORA JONES, A SENHORA NÃO PODE ENTRAR NA COZINHA AGORA! - escutamos Soph gritar do lado de fora e eu olhei pro Danny, que estava estático.
POR QUÊ?
- P-porque... Porque... Eu preciso tomar um remédio e é em xarope, mas eu odeio remédio em xarope, então eu fico vomitando e babando tudo, é muito vergonhoso. Aí eu não gosto que as pessoas vejam, preciso fazer isso sozinha, depois a senhora entra, ok? - Sophia falou tão rápido que eu mal pude entender, só sei que no momento seguinte ela se enfiava dentro da cozinha e fechava a porta atrás de si, se escorando na mesma. - Tem noção de que a senhora Jones desceu pra beber água no meio de um momento íntimo meu e do Dougie lá na sala, e eu tive que voar na frente dela porque vocês dois estavam trepando aqui na cozinha?! E Danny, quer tapar esse seu pinto? Eu não sou obrigada a ver esse tipo de coisa. - fechou os olhos por alguns instantes.
- Er... Desculpa. E obrigado. Seria péssimo se a minha mãe me visse transando com a Sam...
- Seria engraçado...- comentei um pouco distraída.
- Não! Não seria! Só quero ver como vocês dois vão sair daqui!
- A gente se esconde na dispensa! - Dei a ideia, me achando a própria James Bond fêmea.
- Boa. - Danny exclamou, já se virando e correndo pelado até lá.
- DANNY! - sussurrei um pouco alto. - Leva a porra da sua cueca!
- Ah, é! Esqueci!
Rolei os olhos e caminhei um tanto exausta até a dispensa. O Jones me cansa...

Sam's POV off

Tom's POV


Minha ansiedade estava no auge enquanto eu descia apressado as escadas apertadas que levavam ao subsolo. Já perdi as contas de quantas garotas nós já comemos nesse porão... Eram tão épicas as nossas viagens para Barbados!
A única diferença era que, bom, hoje a garota em questão era simplesmente Bela Johnson. O grande amor da minha vida. Eu ainda não acreditava que teríamos uma noite no porão!
Quando eu tava perto de abrir a porta, escutei uma música baixa. You can leave your hat on. (#)
Gargalhei alto antes de entrar no porão e ver a visão do paraíso. Do meu paraíso particular.
Bela Johnson estava de costas para a porta, apoiada na mesa redonda com uma roupa (#) - se é que pode-se chamar assim - que superava todos os meus melhores sonhos eróticos com ela. A assisti, atônito, se virar lentamente com a cara mais depravada possível. Minha boca entreaberta expulsava o ar dos meus pulmões ruidosamente conforme eu sentia meu sangue borbulhar, concentrando-se, cada vez mais, em apenas uma região especifica do meu corpo.
Bela indicou com a cabeça uma cadeira um pouco afastada dela. Sentei-me hesitante, porque havia algum tipo de magnetismo entre nós que me fazia querer juntar meu corpo ao dela o mais rápido possível.
- Olá, Fletcher. - ela sorriu ladino, antes de morder o próprio lábio inferior.
- Olá, Johnson.
- Espero que goste do seu segundo presente de Natal, porque eu farei tudo com muita dedicação e empenho.
- Pode ficar tranquila, o seu empenho será retribuído à altura. - sorri, sabendo que a malícia transparecia mais que qualquer outra coisa, e a excitação apenas aumentou quando recebi de volta seu sorriso tão devasso quanto o meu.


E então, ela começou a dançar. Rebolava lentamente, vezes de costas, vezes de frente... O modo como ela tocava o próprio corpo, como ela sabia coordenar seus movimentos de acordo com o ritmo da música... O modo como ela me olhava, como ela empinava a bunda ao se apoiar na mesa, como descia vagarosamente até o chão e volta... Eu estava embevecido. Hipnotizado. Nunca estive tão entorpecido de prazer em toda minha vida. Eu mal conseguia manter minha boca fechada.

Ao observa-lá se aproximar com toda aquela lentidão sôfrega, senti meu corpo todo se arrepiar em êxtase e o ambiente, de repente, ficou quente demais.Tudo acontecia em câmera lenta. Os movimentos circulares e sensuais de seu quadril próximo ao meu rosto, a leve flexão de seus joelhos, a compressão do lábio inferior entre seus dentes frontais... Tudo muito lento, muito erótico e lascivo.
Eu a queria mais que tudo. Queria acabar logo com toda aquela provocação, a agarrar de uma vez e gritar em alto e bom som o quanto ela era gostosa, o quanto era linda e o quanto eu queria pular para a melhor parte, mas eu estava achando muito divertido esse joguinho lúbrico e tinha plena noção de que ela sabia exatamente o que fazer e como fazer.

Bela, então, interrompeu a seção de rebolados para o meu alívio, e caminhou mais alguns poucos passos até estar atrás de mim. Antes que eu pudesse pensar em virar minha cabeça para vê-la, ela segurou-me pelos ombros e levou seus lábios quentes, cálidos, ao meu pescoço mais quente ainda. Retiro o que disse sobre o alívio. Eu devia estar completamente febril ao passo que pude senti-la lambendo da base da minha nunca até o lóbulo da minha orelha. Suas mãos, em seguida, escorregaram até a barra da minha blusa, e quando pisquei novamente - sim, eu estavam piscando em intervalos longos...- já estava sem a peça. Ela arranhou fracamente os músculos rígidos do meu abdômen enquanto beijava meu pescoço, e o caminho que seus dedos trilhavam simplesmente destinou-se à minha ereção voluptuosa sob a calça. Ao sentir sua carícia despudorada pensei que já poderia gozar ali mesmo. Tudo bem que pode parecer um pouco (muito) exagerado, mas você não tem noção do meu estado... Tava começando a doer. Sério.
- Wow, Fletcher... - ela sussurrou aprovando o "tamanho da minha animação" e todos os pelos do meu corpo se eriçaram. - Que bom que está gostando... – incrível como tudo nela era erótico. Até a voz!
- Você não imagina o quanto eu to gostando disso, Johnson...
- Ah, eu imagino sim...  - Bela caminhou, parando, dessa vez, na minha frente e sentando em meu colo.Vou morrer. Sério.
Essa garota é um Viagra.
A senti tocar meu ombro e começar a rebolar. Ela estava rebolando em cima de mim. Rebolando-em-cima-de-mim.
Fodeu, Fletcher, fodeu.
Suas pequenas mãos deslizaram por sua própria cintura até chegarem ao laço branco que segurava o corpete. Ela levou a ponta da fita até a minha boca, e eu a segurei com os dentes. Então, Bela se levantou, fazendo com que o laço se desfizesse e o corpete abrisse, caindo no chão.
Puta que me pariu.
Desculpa, mãe.
Mas puta que me pariu!
Agora chupa essa manga, Fletcher. Fica aí que nem um virgem punheteiro que tem orgasmos múltiplos vendo uma mulher de biquíni no videogame!

Ela estava, agora, apenas de calcinha. Uma calcinha mínima, só pra deixar claro. Como se não bastasse, Bela voltou a dançar e acariciar seu corpo - eu nem sabia mais qual era a música que tocava – mantendo-se um pouco distante de mim. Eu já estava suado e mal tinha tocado nela. Alguém avisa a ela que pessoas com tal nível de beleza não podem fazer esse tipo de coisa com caras tipo eu?
Quando uma de suas mãos chegou à sua intimidade, enquanto a outra massageava os seios, eu percebi que não dava mais. Eu não seria capaz de assistir mais um segundo sequer daquilo sem atacá-la como um animal selvagem feroz em pós greve de cópula.
Engoli seco antes de proferir com a voz trêmula um "Bela" que soou quase tão desesperado quanto eu estava.
- Você me quer, Tom?
- Você tem alguma dúvida? - me levantei, sentindo dor nas regiões erógenas, que pulsavam ansiando por ela.
- O quanto você me quer? - ela vociferava, escorando-se cada vez mais na mesa de sinuca.

- Eu te quero pra caralho. - respondi, ouvindo sua gargalhada em seguida, finalmente chegando até ela e agarrando sua cintura com tanta vontade que temi tê-la machucado. Beijar sua boca foi como beber água depois de um mês inteiro de sede no deserto. Eu não menti quando dimensionei o quanto eu a queria.
Nosso beijo foi tão apaixonado que eu me esforcei o máximo que pude para que ele fosse interrupto. Minhas mãos não se decidiam entre suas nádegas, sua cintura, seios, rosto ou cabelo. Elas ficaram um pouco perdidas pelo corpo de Bela, mas o simples fato de poder sentir sua pele macia contra a aspereza das minhas palmas valeu a pena.
Bela tomou a iniciativa de deitar sobre a mesa e afastar suas pernas o máximo possível. Eu também poderia ter um orgasmo com aquela visão.
Acho que nunca tirei minha calça e boxer tão rápido em toda minha vida. Não havia mais tempo pra brincadeiras, pra preliminares ou qualquer coisa do tipo. Meu corpo não podia esperar mais nenhum segundo.
Arranquei a calcinha dela (foi sem querer, minha intenção era apenas afastá-la e abrir caminho) e penetrei com toda avidez e força existente em mim, como se minha vida dependesse daquilo. O ritmo era quase tão acelerado quanto nossas respirações e os gemidos de Bela eram música para meus ouvidos.
Estar dentro dela não era somente gostoso... Era confortável. Era como colocar o pé num sapato ortopédico moldado perfeitamente para você. Bela era moldada pra mim. Cada parte do nosso corpo se encaixada com uma perfeição inquestionável. Ela é meu número. Meu número quando damos as mãos. Meu número quando deitamos de conchinha. Meu número quando nos beijamos. Meu número quando nos abraçamos. Meu número quando transamos... Por isso momentos assim são tão utópicos pra mim. Nada poderia ser mais perfeito, justamente pelo fato do nosso amor ser tão perfeito.


- Tom... - ela ofegou - vai mais rápido, por... Por Favor! - sorri ao vê-la tão deleitada quanto eu. Tão em êxtase quanto eu.
- Eu queria ter forças pra me vingar das suas brincadeiras, - mantive o ritmo vagaroso e torturante - mas eu não tenho. - sorri antes de fazer conforme nossos corpos exigiam. E não demorou dois minutos pra que o ápice do prazer tomasse conta de nós dois.
Bela levantou subitamente seu troco, agarrando meu pescoço e me fazendo sentir seu coração acelerado e o corpo trêmulo. Eu não estava muito diferente.
- Eu amo tanto você... - ela suspirou. - É um pouco doentio, sabe?
- Sei exatamente como é. - ri junto com ela.
- Nunca achei que fosse dizer tanto "eu te amo" pra um cara.
- Esse é o efeito de Thomas Fletcher sobre as garotas... – pude vê-la jogar a cabeça pra trás, soltando uma gargalhada gostosa.
- Você rasgou minha calcinha, seu troglodita! – disse ela, quando voltou a me abraçar, sem antes me dar um tapa (bem ardido).
- Foi mal... É que eu tava um pouco desesperado. - afrouxei o abraço para dar-lhe um selinho. - Obrigado. Eu acho que não consigo dizer mais nada além disso. Mesmo se eu não casar com você, o que é improvável, - ela riu - eu nunca vou ter com nenhuma outra mulher o que nós tivemos aqui. Você é perfeita, Johnson. - beijei seu ombro.  - Você é linda e completamente feita sobre medida pra mim.
- Tem escrito "propriedade de Tom Fletcher" no meu canal vaginal, sabia? - gargalhei alto depois dessa.
- Tem escrito "eu sou escrota pra caralho" no seu pâncreas também.
- Estou falando sério, Thomas!
- Eu sei que está. - ela gargalhou.
- Mas não fique aí achando que você também não é propriedade minha. Está escrito na sua próstata!
- Ok, podemos acabar com esse assunto, tá ficando nojento.
- Um dia, quando algum médico estiver com o dedo enfiado no seu orifício, apalpando sua próstata, ele vai confirmar minha tese.
- Tudo bem. Eu disse que já podemos mudar de assunto... - ela gargalhou mais uma vez.
- Tom...
- Hm?
- O que nós estamos esperando pra transar de novo? - Boa pergunta! (cuja resposta foge do meu discernimento).
- Sei lá! - respondi um pouco indignado. O que nós estamos esperando?!
Bela gargalhou uma última vez antes de nos beijarmos.
- Agora é minha vez de ser mal... - sorri maliciosamente.
- Estou ansiosa pra ver até onde essa sua maldade vai.
E depois disso, a noite ficou muito, muito mais quente...


Tom's POV off

Soph's POV

- BOM DIAAAA! - Flor gritou no meu ouvido.
- Dia. - respondi um pouco emburrada.
- Iiiiiih.... Que bicho que te mordeu?
- Nenhum. Na verdade, o Dougie, que não deixa de ser um bicho, até mordeu. Mas ficou só nas mordidinhas mesmo, graças à maldita água noturna da senhora Jones.
- Sério, amiga?
- Sério.
- Poxa, que vibe tensa...
- É...
- Bom dia, crianças! - os pais da Bela cumprimentaram assim que chegaram na sala de estar, onde estavam nossas camas. - Ué? Tá faltando criança...
Não, na verdade, os outros que foram fazer crianças!

- Pois é, Sra. Johnson... É que... Bom... O Danny e a Sam acordaram cedo e foram... dar uma volta na praia, e a Bela e o Tom foram... err...
- VER TARTARUGAS NINJAS LÁ NO PORÃO! - Dougie gritou empolgado.
- HAHAHAHAHA, DOUGIE! - Curso de risadas falsas comigo, é só ligar e marcar um horário, beijos. - Fazendo piadas logo de manhã! Que sacana!
- O Tom e a Bela não estão no porão! Pffff - Flor abanou o ar. - eles estão apenas... Er...
- CONHECENDO O RISORT. Isso. Conhecendo o risort.
- Oh, certo. Entendi... - Sue concordou desconfiada e Edward deu de ombros, indo para a sala de jantar tomar seu café da manhã com o resto dos adultos.
- Ok, agora temos que dar um jeito de acordar esses putos... - Dougie raciocinou com a mão no queixo. - Pensem aí e, qualquer coisa, me avisem. - Deu de ombros e voltou a jogar Where's my Perry no celular.
- Melzinho, você e uma ameba paralítica são a mesma coisa...


- Tudo bem, então Lia e Harry vão acordar a Bela e Tom, eu e Dougie procuramos a Sam e o Jones, e a Flor fica aqui pra garantir que os velhos não vejam nada indevido.
- Certo. - escutei todos concordarem.
- Mas, pelo amor de Jesus Cristo, sejam discretos.
- Tá! Vamos, môzi! - Doug me puxou até a cozinha e não foi difícil chegar lá. Nenhum perigo por perto. Os velhos não estavam nem prestando atenção.
- Eles ainda devem estar na dispensa. - palpitei, já caminhando até lá.
Abri a portinha emadeirada sem cerimônias e Sam caiu pra fora do pequeno cômodo, que nem uma morta.
- Puta merda! Que susto! - Dougie gritou.
- Sam! - chutei suas costelas cobertas pelo fino pijama de marinheiro. Sou má. Rhaw.
- Vocês podiam abrir essa porra com menos brutalidade, não acham? - ela falou bem embolado, igual bêbado. Mas... Pera aí...
- Sam, que cheiro é esse?
- Eu e Ben... Não, Jen... NÃO! Dan! Er... Droga. - ela se levantava, apoiando em tudo (inclusive em mim) - Eu e... Dan... Achamos umas garrafinhas de Jack Daniel’s ali na dispensa e ficamos meio que bebendo até uns minutos atrás... - gargalhou.
Arregalei os olhos e estiquei meu pescoço pra ver se encontrava Danny na dispensa... E lá estava ele com a maior cara de drogado da night, segurando uma garrafa pela metade de Jack Daniel’s. E havia umas três outras vazias pelo chão.
- SAM, VOCÊ SE ENCHEU DE UÍSQUE? Você é louca ou o quê?!
- Ah... Só pra curtir... - ela ia cair de novo, mas Dougie a segurou.
- Certo, Dougster... Vai ter que chamar reforço pra cá...
- Percebi. - o retardado soltou a Sam no chão, que se estabacou que nem uma jaca graúda, e foi correndo para fora da cozinha. - Foi mal aí, Sam! - ele berrou segundos antes de sair.

Soph's POV off



Harry's POV

Eu e Lia descemos as escadinhas que davam no porão e hesitamos um pouco em abrir a porta. Vai que tava todo mundo pelado?
- Ok, seja o que Deus quiser... - sussurrei antes de girar a maçaneta. Mas tava trancado. Óbvio. Por que porras eles deixariam a porta aberta?
- Como não pensamos nisso antes?! - Lia bufou socando a portinha. E então ela simplesmente... Abriu.
- Nossa. Eles estavam protegidos mesmo com essa porta eficiente! - disse, e ela concordou, entrando primeiro.
- Certo, eles estão mais ou menos vestidos, pelo menos. - ela concluiu, enquanto eu observava Bela dormir agarrada com o Fletcher, ele apenas de calça e ela, com um short minúsculo e a blusa dele.

- Acorda, veado! Tom! Seu marica, acorda logo! – estapeei a cabeça dele.
- Vai tomar no seu cu, Harry. – Ele resmungou ainda dormindo e cagou solenemente pra minha solicitação. Lia riu antes de rolar os olhos.
- jdiejmekdndnxmdkkskdjdkd dormindo! - Bela murmurou e eu juro que só entendi o "dormindo".
- OLHA AQUI CASAL MARAVILHOSO, foda-se se vocês querem continuar com esse soninho de beleza, o fato é que daqui a pouco sua mãe, Johnson, vai procurar por você e do jeito que ela tá desconfiada, o primeiro lugar que vai querer conferir será o porão, graças ao Poynter, então é melhor vocês acordarem!
- Porra... O Dougie vai se ver comigo.... - Tom reclamou, finalmente levantando e coçando os olhos.
- E, graças à Soph, vocês também terão que dar uma passada na praia antes de chegar em casa. - adicionei.
- Ahn? - Bela ficou sem entender e eu crispei os lábios antes de começar a explicar.
- É que ela explicou pra sua mãe que vocês dois acordaram cedo pra irem à praia.
- E nós não podemos simplesmente chegar e dizer que estávamos na praia? - Tom argumentou e Lia interveio.
- Creio que seria bom que pelo menos os pés estivessem sujos de areia, sabe? Vocês não estão com nenhuma cara de quem estava na praia.
- E parem de ser preguiçosos! - adicionei - Não é como se a praia fosse longe, ou algo assim...
- AH! Já que eu sou uma boa amiga, eu trouxe vestimentas pra você, Bela, porque eu realmente achava que você estava só com aquela roupa... Er... Sensual.
- Não, eu desci pra cá ainda de pijama... – ela informou, um pouco indiferente.
- Tudo bem, mas mesmo assim seria sensato você colocar esse biquíni e esse short que eu trouxe. E eu também trouxe um short pra você, Tom - ela sorriu, ciente de como tinha sido eficiente.
- Hm, obrigado.
- Então se troquem e saiam pelo basculante do banheirinho, ali no canto. - apontei.
- Tá... - os dois resmungaram.

- EU NÃO VOU PASSAR ALI! - Bela gritou - JÁ DISSE MIL VEZES!
- QUER PARAR DE GRITAR, RETARDADA? - Lia gritou de volta.
- Meninas, calma... A gente vai dar um jeitinh... -
- Jeitinho?! Não tem jeitinho! Eu não vou passar nessa janela minúscula, Judd! - Bela me interrompeu gesticulando. Estávamos todos naquele banheiro ridiculamente pequeno, discutindo sobre isso a, pelo menos, uns cinco minutos.
- Amor, pelo menos tenta...
- Não, Fletcher! Não vou passar!
- BELA, VOCÊ É MAGRA IGUAL A UM GIRINO DA ETIÓPIA, É LÓGICO QUE VOCÊ VAI PASSAR!
- AH, CLARO, VALEU, SENHORA-COXAS-GROSSAS, REALMENTE MUITO LEGAL JOGAR ISSO NA MINHA CARA DESSE JEITO!
- Ah, Bela, pelo amor de Deus, né... - Lia abanou o ar com um falso descaso. Ela tava um tanto aflita, talvez por ter exagerado um pouco sobre a magreza da Bela. Todos sabíamos o quanto ela era meio neurótica com isso.
- VOCÊS QUEREM PARAR DE DISCUTIR?! - Tom interferiu antes que tudo piorasse. - Bela, pelo menos tenta! Eles estão aqui pra ajudar a gente e você não tá contribuindo.
- Mas...
- Escuta. - ele a interrompeu calmo - Eu tento primeiro. Se eu não passar é porque não dá, mas se eu conseguir, você vem também, tá?
- Ok...
Suspirei aliviado quando Bela resignou-se, e passei a ajudar na fuga dramática do Fletcher. Mas, ao contrario do que eu achava, ele passou pela janelinha com toda facilidade.
- Sua vez, Bela. - ela sorriu agradecida pra mim (sempre soube que ela tinha tendências bipolares...) e foi.

- Er... Olá, gente, bom dia! - cumprimentei ao passar por onde os adultos tomavam café da manha.
- Eu e Harry estamos indo na praia, vamos tentar encontrar a Bela e o Tom pra que eles venham comer... Acho que não comeram nada.
- Oh, então vá mesmo! - Sra. Johnson replicou - Não gosto que aquela maluca fique sem comer! - rimos.
- Certo, até mais! - acenamos e saímos, encontrando os dois no jardim de fora.
- Vamos? - Lia perguntou e eles assentiram. Ainda estavam um pouco lentos de sono.
- Só uma pergunta... Vocês foram dormir que horas? - questionei e Bela riu.
- Bem tarde! - Tom respondeu com um sorriso bastante tarado.
- Bem cedo, na verdade! Umas cinco e pouca da manhã, não é, Fletcher?
- Pode crer. - ele deu uma risada e a abraçou de lado, pelo ombro.

Harry's POV off

Dougie's POV


- Flor, pode vir aqui na cozinha um instante?
- To comendo aqui com eles, Doug. - ela me respondeu e eu tentei laçar um olhar significativo.
- Er... Mas é urgente.
- O que houve? - Sra. Jones perguntou.
- Hm... AH, bom, eu... - merda, pensa, Dougie, pensa! Florence deveria saber que esse não era meu forte, sabe? Pensar em desculpas... Eu era realmente ruim com isso.
- AH, JÁ SEI! Entendi! Coisa nossa, né, Doug? - Flor sorriu pra todos enquanto eu assentia com a minha melhor cara de glamour. Isso soou um pouco homossexual... - É segredo! Já volto, com licença.

Corremos até a cozinha e ela arregalou os olhos ao se deparar com Sam e Danny jogados no chão.
- O QUE HOUVE AQUI?!
- ELES SE ENTUPIRAM DE UÍSQUE!
- Não acredito! - Flor bateu na própria testa. Reparei que os seios dela estavam estranhos naquela blusa. Ela provavelmente tava sem sutiã...
- O que a gente faz com esses dois, além de dar muita porrada? - a Môzi perguntou e eu dei de ombros, desconhecendo qualquer resposta.
- Vamos ter que dar um banho neles. - Florence constatou e eu ergui uma sobrancelha, achando aquela ideia um tanto inviável.
- Mas como?! - quis saber.
- Vamos levá-los pra praia! - ela explicou e eu sorri consentindo.
- Boa, Flor! Os outros vão poder ajudar a gente, aliás. - adicionei.
- Verdade, eles estão lá. - Soph concordou. - Então me ajuda aqui com o Danny, melzinho. A Flor leva a Sam.
- Ok!

Bom, o Jones tava realmente pesado. Eu devo ter peidado umas 64 vezes só na hora de levar aquele corpo fedorento, de tanto esforço que fiz.
Fomos arrastando aqueles dois - eles estavam realmente desacordados - até a praia, que, sorte a nossa, não era longe. Só Deus sabe o quanto eu liberei gases...

- Ali! A Bela tá ali! - Flor apontou, largando a Sam na areia (justamente como fizemos com o Danny no mesmo instante).
- EI, GENTE! - Soph gritou e eles olharam antes de se aproximarem.
- Nossa! O que houve com aqueles dois?! - Tom perguntou um tanto assustado.
- Passaram a noite bebendo Jack Daniel's. - respondi.
- Eles são loucos ou o quê?! - Lia comentou fazendo uma careta de indignação que lembrou minha tia Perl. Eu deveria visitá-la com mais frequência.
- Harry e Tom, façam com que todos esses anos de academia e esses bracinhos definidos sejam úteis para alguma coisa e levem esses dois corpos pro mar. - Flor disse, apontando pros semi-mortos.
- Sem afogamentos, por favor. - Soph complementou as exigências e eles deram uma risadinha.

- Bela, como foi sua noite de núpcias com o Fletcherzão? - perguntei, me sentando ao lado dela na areia. Ela olhava pro horizonte (talvez para o Tom), um pouco distraída.
- Hm... Foi ótima. Ele mandou bem. - ela sorriu, voltando a olhar pro mar.
- Eu tinha quase certeza que você responderia algo mais empolgante, e começaria a contar os detalhes sórdidos como se eu realmente quisesse saber... - ri - Tem algo errado, né?
- Não.
- Isso soou exatamente como um "sim".
- Quer mesmo saber? - ela me olhou.
- Quero.
- Você é muito fofoqueiro, Poynter! - ela gargalhou alto e eu ri junto.
- Sou mesmo, gosto de estar por dentro.
- Gay.
- Minha namorada não acha...
- Com certeza ela sabe que você é gay.
- É... Talvez. Eu tenho essa coisa com o Harry... Ele é realmente bom na cama, sabe?
- Eeeeeew, Dougie! Isso é nojento!
- Mas não conte a ninguém, shhhh!
- Cala a boca! Quer saber ou não das minhas mazelas? - Bela riu de si mesma.
- Quero, conta aí.
- Bom, sei que isso vai ser meio bobo... Mas eu, de repente, fiquei de mau humor porque imaginei outra coisa completamente diferente de como está sendo essa manhã. - ela suspirou. - Sabe, a noite foi perfeita. O Tom é maravilhoso, ele é realmente habilidoso com tudo! Com os lábios, com a língua, com as mãos, com os dedos, com o...
- BELA. Tudo bem, entendi que ele é bom. - a cortei antes que ela falasse coisas não tão legais de se ouvir. Mesmo pra mim, que sou um pouco maníaco quando a questão é sexo.
- Ah, desculpe, cê sabe, eu me empolgo nos detalhes... Enfim. Eu fiquei de mau humor depois de ter tido uma noite de rainha e ter acordado feito um porco sujo e gordo na sarjeta.
- Só por isso?
- É. – ela deu de ombros.
- Sei uma solução.
- Não, Poynter, sexo não. Já fiz demais ontem.
- Como sabe que eu ia dizer sexo?
- É só isso que tem na sua cabeça, quando se trata de resolução de problemas.
- GOSTOSÃÃÃÃÃO! – escutei Soph me chamar e Bela gargalhou muito alto (me assustou um pouco) – Vem cá, mel!
- Vai lá, Doug, seu chiclete tá te chamando! – ela disse rindo.
- Ela é tão bonitinha, não é? – eu ri, realmente admirando minha namorada – Estou sendo extremamente injusto chamando-a de bonitinha, na verdade. Olha só aquelas pernas! – fiquei, por um instante, hipnotizado, e quando olhei novamente para Bela, ela tinha uma expressão estranha. – Certo, melhor eu ir.
Não costumo tentar entender as garotas... Elas são todas meio estranhas e cheias de coisinhas. Tudo bem, eu também sou cheio de coisinhas, mas não sou uma garota. Garotas têm mais coisinhas que eu. E Bela era uma garota realmente estranha.

Dougie’s POV off

- CHEGARAM? – ouvi minha mãe gritar assim que passamos pela porta de entrada.
- É o que parece, não é? – Sam respondeu um pouco grosseira, mas todos estavam acostumados. – Vou dormir, tchau.
- Tenho uma coisa pra dizer pra você, Danny. Na verdade, para todos vocês! - Sra. Jones sorriu animada e nós prestamos atenção, mas sem tanto interesse. 
- É sobre aquela minha prima? - Danny palpitou e ela assentiu com alegria.
- Qual prima? - escutei Harry perguntar. - Aquela que era apaixonada pelo Tom? 
Eu não conhecia essa prima do Danny.
- Isso era um segredo, cara. - Jones resmungou um pouco entediado e Harry deu de ombros. Estávamos todos realmente muito entediados. 
- Bom, a April estará aqui em dois dias... Ficará até o reveillon com vocês, sejam todos simpáticos com ela, tudo bem? - O pai do Danny completou a informação suspirando em seguida. Qual é a dessa onda de indiferença sobre todo mundo?
- Nós voltaremos a deixar a casa livre pra vocês. Hoje mesmo estamos todos indo embora... - Sra. Jones voltou a falar - Mas não destruam mais nada, por favor... A sua avó ficou realmente abalada, filho. 
- Certo, vamos cuidar de tudo, mãe. - Danny sorriu forçadamente.
- Thomas? - Sr. Jones chamou. - Cuide de tudo, você é o menos cabeça de pinto daqui.
- Tudo bem. - Tom riu. - Vou cuidar. 

- Não sei se gostei dessa menina nova. - comentei um tempo depois, enquanto tomava sol na piscina com Carrie, Lia e Soph e Doug. - Ela gosta do Tom.
- Juro que me mato se for mais uma historinha dessas em que uma menininha qualquer tenta atrapalhar o amor de vocês. Isso tá uma novela! - Soph opinou, virando-se de costas para pegar um pouco de sol naquela área.
- Me mato junto com você. - falei.
- Ela não gosta do Tom. Gostava do Tom quando eramos mais novos. - Dougie explicou. - Além do mais, ela era uma bola, tinha banha pra todos os lados... Era realmente feia e o Tom era um pouco maldoso com ela... Ficava zoando e tal. 
- Hm... - resmunguei pra mostrar que tava ouvindo. 
- Meu irmão seria drogado se trocasse Bela por alguém. - sempre soube que Carrie puxava meu saco... E, bom, eu gostava disso, hehehehe. Pena que ela iria embora dali a algumas horas e eu ia perder minha bajuladora oficial.


Esses dois dias foram ótimos. Fomos à praia até o cu fazer bico (gosto dessa expressão), Flor começou a pegar um surfistinha latino bem gostoso, Sam sofreu os efeitos colaterais de seu bronzeador  - não que isso seja ótimo... Mas foi engraçado vê-la chorando pra fazer qualquer tipo de atividade que envolva objetos ou pessoas encostando nela -, Lia e Harry ficaram amiguinhos, Doug, Danny e Soph ficaram na mesma, e eu e Tom estávamos realmente fofinhos. Ele era tããããããããããããaããããããããããããããããããããã irritantemente perfeito!
Havia apenas uma única coisa que estava me incomodando de um modo chato. Algo que não deveria crescer dentro de mim, mas estava crescendo e eu tava desgostando bastante...

Hoje receberíamos a prima do Danny. Os meninos disseram que não tinham nenhum tipo de contato com elas há anos. Nem mesmo Danny sabia da prima, que morava no país de Gales. A qualquer momento ela estaria chegan...

- LÁ ESTÁ ELA! - pude ouvir Danny gritar, interrompendo meu cochilo. - Espera... Não é ela. Mas então por que essa garota tá entrando no nosso jardim?! - ele espiava da janela, e Harry foi olhar pra ver se o pobre Jones não estava ficando louco.
- Caralho... Aquela não é ela mesmo.
Não gostei desse tom do Harry.
- De quem estão fal... - Flor perdeu as falas, também olhando pela janela. 
E então a campainha tocou e Danny foi abrir a porta meio atônito. Juro que não estou gostando. Me mexi desconfortável no sofá, tentando descobrir o motivo de tanta admiração e entendi tudo quando olhei a garota.
- PRIMO! - sua voz aveludada gritou ao mesmo tempo em que ela agarrava o pescoço de Danny. - COMO VOCÊ ESTÁ LINDO! Muito mais lindo que na TV!
- E vo...você... voc-cê também está... wow...
- Essa é a prima feia do Danny? - Sam cochichou no meu ouvido um tanto incrédula.
- Tô esperando pra ver a parte feia dela... - respondi no mesmo tom e voltei a fitar a garota.
Ela era simplesmente... Linda. Muito bonita, muito mesmo. Seus cabelos loiros eram exageradamente sedosos, cumpridos e perfeitos. A cor de seus olhos oscilava entre o verde e o mel e a forma como eles brilhavam parecia típica de princesas de contos de fada. Seu sorriso dócil exibia dentes impecáveis e seu nariz encaixava-se perfeitamente ao rosto. O tom de pele pálido não a deixava menos bonita, da mesma forma que a sobrancelha quase nula - pelo fato da menina ser extremamente loira - não tornava suas feições estranhas. Tudo nela parecia utópico. Seu corpo era algo que deixaria metade das garotas da face da terra com uma inveja exorbitante. Tinha seios fartos, cintura fina e quadris largos. Sua perna era... Grossa. Bem grossa. Mas de um jeito torneado e... perfeito. Pude ver, quando ela virou de lado, que sua bunda também era enorme! O que nela era errado, pode me dizer?
- Ela deve ter chulé ou mal hálito... Não pode ser tão perfeita. - Sam sussurrou.
- Eu não duvido que ela cheire bem, tenha hálito de menta e seja amável com todos. Ela parece... sei lá, uma fada. - retruquei.
- Vou encontrar defeitos nela, sou boa pra isso. - Sam disse e eu gargalhei.
- Oh, olá Bela ! - acenou simpática, andando até mim. - Gosto muito das suas músicas! Você é muito boa, minhas amigas são suas fãs... Eu não sou porque não costumo ser fã de nada, mas te admiro bastante.
- Tagarela... - Sam cochichou de forma que só eu ouvisse. Quis rir, mas não pude.
- Hm, obrigada! - sorri. - Você é... Adorável. - ela sorriu de volta.
- E você é Sam Bradley, não é? - Sam balançou a cabeça sorrindo falsamente. - Bom, prazer em conhecê-la.
- Você tem um sotaque um pouco chato. De onde veio? - sabia que Sam não seria legal com ela.
- País de Gales.
- Não gosto de lá.
- É um lugar maravilhoso.
- Isso não muda o fato de eu não gostar de lá, fofa. - Sam riu no maior estilo "rs" e começou a folhear uma revista.
Tive que segurar todas as minhas entranhas para não morrer de rir.
- Bela! - escutei a voz do Tom vindo do andar de cima e logo pude ouvir o barulho de seus passos descendo as escadas. - Você viu meu... April?!  
- Tooooooom! - ela deu pulinhos, odiei esses pulinhos.
- M-mas... Nossa! Você cresceu! 
- E você também! - eles se abraçaram. Odiei esse abraço. 
- Que prazer vê-la de novo! - Tom foi adorável como sempre. Odiei.
- Estou tão feliz, Tom! Estava morrendo de saudade! - ela apertou suas bochechas. Ei! QUEM DEIXOU?
- Já vi tudo. - Sam cochichou de novo. - Mais uma no teu caminho, Bela.
- Urgh! - urrei, apertando uma almofada contra o rosto. 
Senti vontade de chorar. Chorar porque eu tava me sentindo ameaçada. Chorar porque, talvez, contra ela, eu não tivesse a menor chance


Thalia's POV


Tom havia acabado de sair do quarto, onde eu, Doug e Soph também estávamos, para procurar não sei o quê.

- Acho que aquela prima do Danny chegou. To escutando uma voz diferente... - Soph comentou, levantando do colo do Doug.
- Vamos descer pra recebê-la, temos que ser simpáticos já que andamos com gente famosa. - falei, rolando os olhos - Senão qualquer coisa vira motivo pra nos chamarem de metidos.
- Verdade. - Soph concordou, já caminhando até a porta. Dougie fez um barulho estranho com a boca antes de segui-la e eu fui a última a deixar o quarto.

FEIA? Isso que o Dougie chama de FEIA?! POOOOOORRA! Então a Soph tava muito bem mesmo! A tal da April estava muito longe de ser feia e gorda. Ela parecia uma modelo! Alta, magra, loira... Parecia aquele tipo de menina que toda garota sonha em ser.
Enquanto Doug e Soph a cumprimentavam, passei os olhos pela sala e pude ver Bela com uma almofada na cara. Sam estava ao seu lado lendo alguma revista, mas sua cara era a típica de quando tava mal humorada. Parece que a bonitona nova só trouxe discórdia.
- Olá, sou Thalia. - sorri.
- April. - ela me abraçou, simpática. - Eu simplesmente amei seu cabelo!
- Hm, obrigada. O seu também é lindo. - sorri de novo.
- Ai, que bom que todos aqui são legais! Estava com medo de vir e ninguém gostar de mim. - o modo como ela falava era tão doce que parecia que a menina iria babar mel a qualquer momento.
- Você também é muito legal, April! - Flor acariciou timidamente seu ombro.
- GENTE, TO COM FOME! - Sam gritou. - Parem de bajular a garota e se arrumem pra gente sair pra comer.
- Seja mais educada, Sam! - me senti na obrigação de sinalizar.
- To sendo sincera, só isso. - ela deu de ombros e se levantou do sofá, caminhando até nós. - Aposto que April não se incomodou comigo, não é, querida?
- Oh, não! Claro que não! - April repousou os braços nos ombros de Sam numa tentativa de abraço amigável, mas...
- AAAAAAAAH, FILHA DA PUTA! CARALHO! OUTCH! OOOOOOOUTCH! FILHA DE UMA PUTA GORDA MAL COMIDA DO INFERNO!!!! - pois é, Sam estava um pouco... Queimada. E isso foi um eufemismo absurdo.
April se assustou ao ponto de dar um pulinho e se pendurar no pescoço de Tom, que estava ao seu lado.
- Não ligue para a Sam, April, ela é assim mesmo. - Tom falou carinhosamente e Soph me olhou com aquela típica cara de peixe.
- E então, vamos sair ou não? - Harry perguntou.
- Mil desculpas, Sam... - April miou, compadecida. - Eu não quis...
- TUDO BEM, tudo bem. - Sam respirou fundo. - Apenas cale boca... Se você falar comigo agora, talvez eu voe no seu pescoço. - a menina arregalou ainda mais os olhos.
- Não se preocupa, April... - Harry olhou feio para Sam - Ela sempre diz que vai voar no pescoço das pessoas, mas nunca realmente voa. É só um tipo de brincadeira boba. Quer sair com a gente?
- E-eu adoraria...
- Então... Bom, vamos. - Danny se pronunciou.  - Ei, Bela! Acorda, estamos saindo!
- Não quero ir, valeu! - Ela gritou com a voz abafada pela almofada.
Tom franziu o cenho, estranhando.
- Não quer ir comer? Tem certeza? - Ele quis se certificar.
- Pensando bem... - ela levantou-se (ainda com a almofada na cara. Sim, muito estranho) - Me esperem, eu vou dar uma passadinha no banheiro e já venho. - foi andando as cegas e... Aquilo não iria dar certo.
- BELA, A PAREDE! - Doug tentou gritar, só que não foi a tempo...
- OUTCH! - É obvio que ela bateu de cara.
Todo mundo gargalhou, mas ela ignorou e continuou seu caminho.
Eu tinha quase certeza que ela estava chorando e sentiu vergonha de demonstrar. O porquê eu não sei, já que nem havia dado tempo de sentir algum ciúme do Fletcher. Ele mal tinha falado com a tal April... E Bela nem é tão ciumenta assim.

Algum tempo depois, ela saiu de lá e parecia totalmente bem. Fomos andando até a Pizzaria que ficava próxima à praia. A vista da mesa em que ficamos era sensacional.
Sentei ao lado da Bela, então aproveitei a oportunidade para perguntar:
- Está tudo bem?
- Sim! - ela sorriu e parecia sincera.
- O que foi aquela coisa com a almofada?
- Ah, bobeira minha. - ela abanou o ar e olhou para o outro  lado. Interpretei como um corte para o assunto, então também virei para o lado oposto e passei a conversar com o Harry.

Thalia's POV off

Tom's POV


- Vai querer pizza de quê? - perguntei pra Bela, que parecia meio perdida com o cardápio.
- Hm... Por que não pedimos o rodízio? Assim cada um come quanto quiser e o sabor que preferir.
- Me parece bom. - Dougie concordou.
- É a melhor opção mesmo. - Soph deu de ombros. - Garçom! - ela acenou.
- Pois não?
- Vai ser rodízio. - Danny informou.
- Ei, Bela... - a chamei mais baixo, pra que somente ela escutasse. - Tá tudo bem?
- Tá. Por que todo mundo me pergunta isso? - deu uma risadinha entediada.
- Porque não parece que está tudo bem, e eu sei que não está. Você tá estranha todos esses dias...
- Estou é? Deve ser sem querer. - ela deu de ombros. - Está tudo bem. - reafirmou e me deu um selinho. - Juro.
- Espero que sim... - lhe dei outro selinho e ela sorriu. Mas eu tinha certeza que havia algo errado.

- Bela! - Lia falou, dessa vez mais firme e séria. - Para, é sério! Está exagerando.
- Me deixa comer! - Ela protestou. - Vocês sabem que eu como muito, e eu tava com fome hoje!
- Mas você esta realmente exagerando! - Soph foi quem disse, dessa vez. - E você também já comeu muito no almoço, não pode estar com tanta fome agora!
- Bela, dá pra ver que você não quer mais comer essas pizzas... - eu disse. - Não to entendendo. Por que está fazendo isso?!
- Eu... Eu quero comer sim!
- Daqui a pouco, se você continuar assim, vai vomitar tudo isso. - Flor falou. - Você comeu mais de trinta pedaços, Bela, isso não é normal!
Ok, não sei se foram trinta, mas eu nunca havia visto ninguém comer aquela quantidade de pizzas em toda a minha vida... Ela comeu mais que o dobro do que eu comi, e olha que eu comi bastante!
- Nossa, como você consegue comer tanto e ser tão magrinha?! - April perguntou rindo.
Bela apenas suspirou e disse com a voz um tanto vacilante:
- Vou ao banheiro.
- Vou com ela. - Sam anunciou. - E NÃO, esse NÃO é o código, gente. Não precisa vir mais ninguém.

Definitivamente havia algo bem errado. E eu tava preocupado.

Tom's POV off

Sam's POV

- Ok, o que está havendo, Johnson?
- Nada! Não está acontecendo nada! Já disse! - ela respondeu exasperada. - Quer, por favor, me deixar sozinha um instante?!
- NÃO! Não saio daqui sem antes saber o que tem de errado contigo! Todo mundo já percebeu que você toda hora fica estranha, de uns dias pra cá... Me fala! O que houve?
- Sam. - ela respirou fundo - Está tudo bem comigo, é sério. É só essa menina nova, a April. Ela está mexendo comigo. Não gostei dela... Só isso.
- Você está estranha desde antes dela chegar. - contrapus.
- Mas é que eu tava preocupada com ela desde que falaram disso pela primeira vez. Ela é tão bonita e...
- Mas você também é bonita. Nós todas somos bonitas. - argumentei. - Não ligue tanto assim pra isso.
- Tudo bem. - ela sorriu brevemente.
- Vem, vamos voltar pra lá.
- Er... Ok.

- E então, vamos embora? - Harry perguntou retoricamente. Já estávamos todos praticamente nos levantando depois que Dan pagou a conta.
Eu tava muito carente dele, esses dias. Não estávamos podendo nos abraçar ou transar... Tudo por conta desse maldito bronzeador! Vou atear fogo naquela empresa, juro!

Assim que chegamos em casa, um silêncio bizarro se fez ao vermos Bela correr que nem uma maratonista até o banheiro, com a mão na boca.
- Porra... - Tom sussurrou, nervoso. - Eu tinha certeza absoluta de que ela iria passar mal...
- Ela comeu realmente muito. - April piou - Fiquei um pouco assustada, até... - Foda-se, linda. Ninguém quer saber.
- Bela é perturbada. - dei de ombros - Ela faz umas maluquices que ninguém entende.
- Outro dia eu tava pensando no quanto ela é maluca. - Dougie confessou.
- Bela é tão desequilibrada que o nome dela deveria ser Caio. - Soph disse, e então tudo ficou silencioso de novo.
...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH AHHAHAHAHAHAHA - gargalhamos igual à loucos quando entendemos a piada.
- CAIO? HAHAHAHAHHAHAHAHA - Danny riu alto. - Mas por que "Caio"?! É nome de menino! HAHAHHA.
Mais outro silêncio. Dessa vez foi porque todo mundo parou de rir apenas para olhar pro Danny, desejante que ele se enterrasse vivo
- Danny. - murmurei - Morre.
- Jones... - Flor respirou fundo, absorvendo um pouco da paciência que Jesus Cristo nos dá antes de começar a explicar ao jumento a piada.

Depois de longos minutos, Bela saiu do banheiro com um rosto choroso. Ela parecia transtornada.
Não falou com ninguém. Apenas passou por nós sem dizer uma palavra e subiu as escadas.
Tom suspirou.
- Também vou subir.  Boa noite, gente. - ele anunciou e a seguiu.
- Tem algo errado com ela? - April perguntou, sonsa.
- Se tiver, você não ficará sabendo. - respondi rapidamente, ignorando todas as explicações de Harry e Flor para o meu comportamento ríspido. Foda-se se eu tava sendo grossa com ela. Foda-se mesmo!

Sam's POV off

Tom's POV

A noite foi um pouco complicada. Bela simplesmente não quis falar nada quando entrou no quarto. Ficou muda até dormirmos.
Mas no meio da madrugada, senti a cama mexer um pouco, então abri brevemente os olhos e pude vê-la já de pé, caminhar até o banheiro.
Bela nunca acordava no meio da noite.
Escutei alguns barulhos que pareciam ser provenientes de algo de vidro. Fui descobrir o que ela estava fazendo e me surpreendi ao vê-la sobre uma balança.
- Bela, o que está fazendo?
Ela se assustou, saindo rapidamente de cima da balança e me olhando nervosa.
- Nada. Por que veio me bisbilhotar, Fletcher?
- Vim ver o que está acontecendo, porque você esta realmente estranha. - respirei pesadamente - O que está fazendo? - repeti a pergunta, cruzando os braços e me escorando no batente da porta.
- Me pesando, oras. - ela deu de ombros. - Qualquer pessoa normal faz isso.
- Nenhuma pessoa normal se pesa às três da manhã!
- É que eu... Fiquei curiosa pra saber meu peso e vim ver. Não tem nada demais nisso. Pode voltar a dormir, eu não quis te acordar. Desculpe.
- Vem comigo, Bela. Vem dormir. - a estendi o braço e ela suspirou antes de segurar minha mão e voltar comigo para a cama.
- Tom...?
- Sim?
- O quanto você me acha bonita?
- Ahn? - que tipo de pergunta era aquela?
- Você não ouviu ou não quer responder? - sua voz soou como a de um bebê. Realmente inocente e frágil. Muito frágil.
- Eu... Por que está perguntando isso?
- Esquece. - ela se virou para o outro lado parecendo exausta. - Boa noite, eu te amo.
Eu estava confuso demais com aquele comportamento esquisito dela. Nada estava normal. Como assim me perguntar o quanto eu a acho bonita? Isso não é meio lógico? Não é meio lógico o fato de eu achar que não há ninguém mais bonita que ela? Por que ela tava agindo assim?

Tom's POV off


Soph's POV

Não acreditei quando percebi que April dormiria no mesmo quarto que Dougie e eu! Ela não podia dormir na sala? Ou... Sei lá, com a Flor?

Fui dormir super irritada e acordei pior ainda. E eu já não era uma coisa muito feliz de manhã...
- Bom dia, Dougie! - escutei April dizer. Eu ainda tava de olhos fechados, não queria acordar, mas acho que era um pouco tarde demais...
- Bom dia, April! - ele respondeu bem humorado. - Como passou a noite?
- Passei muito bem! Sonhei com você. - É O QUÊ?! COMO ASSIM, AMIGA?
- Mesmo? Hm... Legal. - Acho que Doug ficou um pouco desconfortável.
- Foi um sonho muito fofo... Queria poder sonhar assim toda noite! - Ela só pode estar de brincadeira...
- Hm... Er... Vou ao banheiro.

- Bom dia, April! - fingi acordar segundos depois.
- Bom dia, Sophia! - ela sorriu. - Estou com um pouco de fome, será que pode me acompanhar até a cozinha?
- Mas eu acabei de acordar... Posso pelo menos ir ao banheiro? - falei com um bocado de humor, mas eu estava mesmo querendo arrancar aqueles cílios dela.
- Oh, sim, desculpe. - sorriu tímida. - Vou descendo... Nos vemos lá embaixo. - sorriu de novo.
- Nos vemos lá embaixo... - esperei ela sair e imitei sua voz de um jeito meio infantil. É, eu faço esse tipo de coisa quando to com raiva. E faço caretas também. Sou muito má.

Soph's POV off

Harry's POV

Eu havia acabado de chegar na cozinha e só quem tava lá era Danny e Lia, mas no minuto seguinte, April apareceu. Conversamos sobre varias coisas, até que ela começou a contar sobre seus ex-namorados e... Bom, não sei exatamente se só eu percebi, mas ela estava um pouco... Atirada.
- Estou meio carente, sabe? E eu ficaria com qualquer um de vocês. - ela gargalhou. - Até mesmo com você, primo!
- Hm, obrigado. Eu acho.
- E você está solteiro, não é, Harry?
- Pra você, é claro que sim! - Brinquei e ela riu. Lia também riu. Riu alto demais... Não sei se gostei disso.
- Esse é o grande Judd! - Danny cantarolou.
- Oh! - April exclamou, colocando as mãos sobre a boca. Não pude deixar de reparar em como seus seios se juntaram quando ela fez isso. - Deixei cair manteiga na minha coxa! Que nojo! - ela fez uma careta e Lia lhe estendeu um guardanapo.
- É só limpar, linda. - senti um toque de sarcasmo nessa frase...
- Não consigo fazer isso! Tenho muito nojo de manteiga! Limpa pra mim, Hazz?
Tudo bem, isso foi infantil. Como assim não consegue limpar porque tem nojo de manteiga? ... Mas é claro que eu limpo! Ela é gostosa!
A cara da Lia foi impagável. Tudo bem que seria bem mais legal se fosse uma cara de ciúme, mas a expressão de "nossa, que patética!", cheia de desprezo, também foi digna.
- Obrigada, Hazz! Você é um amor.
- Sou? - perguntei rindo.
- É, com certeza!
- Você não tem noção do quando! - Lia adicionou fatidicamente antes de sair da cozinha com sua pose de superior.
- Ela é sempre assim, inflada? - April perguntou baixo.
- Como assim inflada? - Danny quis saber, tirando as palavras da minha boca. O que ela quis dizer com "inflada"?
- Estou falando com relação ao ego dela. Me parece muito inflado.
- Hm, não acho que ela tenha o ego inflado... - respondi pensativo. - Lia sempre foi meio assim... Mas não acho que seja uma questão de superego.
- Entendo. - ela jogou a franja para o lado e continuamos nosso café da manhã normalmente.

Aos poucos, as pessoas foram descendo. Os últimos a chegar foram Tom e Bela. Eles estavam andando abraçados e tropeçando em tudo, foi um pouco engraçado.
- Cuidado pra não machucá-la, Tom! - April gritou em meio às gargalhadas. - Ela é muito pequenininha!
E então a expressão de Bela mudou. Ela se desprendeu do Tom e andou até a mesa com a mesma cara esquisita que ela vivia fazendo.
Troquei olhares com Tom e percebi que ele também estava desconfortável.

- Bela. Está comendo muito de novo. - Sam foi a primeira a reparar.
- O quê?! Vocês estão exagerando com isso... - Ela reclamou.
- Já é seu quinto pão. Você não come tanto assim.
- Sam, eu só tô com fome! O que há de estranho nisso?!
- Você tá grávida, Bela? - Danny perguntou, e todos estavam atentos na conversa. - Tem comido muito, seu humor tá diferente, ontem você vomitou... OH MEU DEUS, VOCÊ TÁ GRÁVIDA! SIM, GRÁVIDA! VOU SER TITIO! SOU O HOMEM MAIS FELIZ DO MUNDO!
- Não seja tonto, Jones! Não to grávida! - ela respondeu risonha. - Não se preocupem com isso, não serei mãe tão cedo...
- É bom mesmo! - Lia exclamou. - Não está numa hora adequada, você sabe. Um filho envolve muitas responsabilidades, Bela, não dá pra....
- AH! SOCORRO, TEM UM PORCO ALI! UM PORCO! SOCORRO! - April começou a gritar, interrompendo o discurso (desnecessário) de Lia (porque era obvio que Bela nem cogitava a possibilidade de ter filho agora), e pulou no colo do Danny.
- É meu porco. - Bela respondeu com uma cara apertável (isso foi um pouco afeminado, mas a cara dela foi bem apertável mesmo). - Ele não é lindo? Own, Garry, vou te encher de beijos!
- Você tem um porco? Que tipo de pessoa tem um porco?
- O meu tipo. - Ela deu de ombros de novo, indo mexer com Garry. - Eu acho legal. - Sam se intrometeu. - Todos nós achamos, não é? - concordamos. - Mas sabe o que eu NÃO acho legal? - sua voz ficou rude de repente. - VOCÊ no colo do MEU namorado. RALA DAÍ antes que tenhamos que ligar pra funerária.
- Oh, Sam, me desculpe! Eu não sabia que meu primo era seu namorado... Desculpe!
- Ah, ele não é. - Sam deu de ombros e a gente riu. - Mas será daqui a pouco. E não quero ninguém atrapalhando isso. - rimos mais.
- Sabe, April... - Soph se remexeu ao lado de Doug. - É comum as pessoas lá do seu país falarem "Oh"? Porque você está sempre falado isso, é engraçado.
- Oh, - ela respondeu e em seguida riu, percebendo que havia falado involuntariamente - Na verdade não. É que uma vez me disseram que era fofo e eu passei a falar. Mas depois peguei a mania e agora eu falo por costume mesmo.
- Hm... Entendi.
- Eu não acho fofo. - Sam opinou. - Parece que você tá drogada.
- Sam, seja menos sincera! - Flor reprovou e Danny riu.
- O quê? Não vou ficar dando bola pra ela só porque ela acha que tem pernas maravilhosas. Novidade pra você, querida: eu também tenho pernas maravilhosas! - Sam cantarolou, apontando pras suas pernas e eu gargalhei. Estava me divertindo com aquilo.
De repente vi Bela mudar de expressão novamente. 
- Tom, posso falar uma coisa com você? - eu disse. - Vamos lá fora um instante. - ele assentiu e me acompanhou.

Harry's POV off

"BELA, VOCÊ É MAGRA IGUAL A UM GIRINO DA ETIÓPIA, É LÓGICO QUE VOCÊ VAI PASSAR!"
Por que eu tenho que ser tão magra?

"Estou sendo extremamente injusto chamando-a de bonitinha, na verdade. Olha só aquelas pernas!"
Por que minhas pernas não são como as dela?

" Nossa, como você consegue comer tanto e ser tão magrinha?!"

Por que eu não tenho um corpo lindo como o de April?! POR QUÊ?! Por que não sou perfeita como April?

"Cuidado pra não machucá-la, Tom! Ela é muito pequenininha!"
Pequenininha. Isso que eu sou. Assim que me enxergam. Muito pequenininha. Magra. Fraca.

"Não vou ficar dando bola pra ela só porque ela acha que tem pernas maravilhosas. Novidade pra você, querida: eu também tenho pernas maravilhosas!"
Elas têm. Eu não. Elas têm pernas maravilhosas e eu... EU SOU MESMO RIDÍCULA, SOU HORRÍVEL, EU SOU HORRÍVEL.
Eu sou horrível. Como pode o Tom sequer olhar pra mim com uma garota como April estando perto? Como podem encontrar algo bom em mim se existe uma menina perfeita convivendo ao meu lado? Por que eu não sou perfeita? Por que eu não sou April?
Por que eu sou tão... Horrível?


Harry's POV

- O que está acontecendo, cara?!
- Eu não sei exatamente... Tenho uma ideia, apesar de parecer uma hipótese absurda...
- Do que está falando?
Ele bufou e parecia realmente preocupado.
- Bela já está assim há algum tempo... Essa noite, no meio da madrugada ela foi ao banheiro pra... Se pesar. - Ele me olhou um pouco tenso. E eu já estava entendendo tudo. - Depois ela me perguntou o quão bonita eu a achava... Eu mal consegui responder. Ela foi dormir, então eu comecei a pensar em tudo e lembrei que ela está assim desde que...
- Desde que a Lia a chamou de magra no banheiro, depois do Natal. - completei e ele assentiu.
- E então ela começou a comer muito e...
- Eu não acredito. Ela come merda ou algo assim? - perguntei gesticulando. Fiquei meio puto, sinceramente. - Tom... Cara, você precisa conversar com ela. Sério, essas paradas são sérias... Daqui a pouco ela começa a ficar realmente doente...
- Não quero nem pensar nisso!
- Você tem que falar com ela, não quero vê-la mal com isso. De verdade. Aquela não é a Bela que eu conheço. Já estou começando a sentir falta das gargalhadas dela e das piadinhas...
- Eu to sentindo muito a falta dela! Sabe, dela de verdade. - ele bufou. - A última vez que transamos foi justamente aquele dia! Depois ela ficou sempre inventando desculpas e fugindo de mim...
- Então converse logo com ela.
- Vou fazer isso.
- Faça mesmo. Você é a pessoa que ela mais escuta.
E ficou por isso mesmo. Dei dois tapinhas nas costas dele e voltamos para a sala de jantar. Não pude evitar olhar pra Bela, que estava sentada num canto, no chão, brincando com o porquinho. Observei que ela, toda hora, olhava para April com uma expressão sôfrega...
Suspirei.
Me sentia realmente preocupado.

Espero que isso acabe logo...

Harry's POV off

Soph's POV

Aquele dia estava um pouco chuvoso, então decidimos ficar em casa mesmo. Sem praia.
Preciso comentar o quanto estava desgostando de April?! Cada hora ela dava em cima de um! E nesse segundo, estava pedindo para Dougie lhe ensinar a tocar baixo... EU VOU É TACAR O BAIXO NA CARA DELA!

- GENTE! Vamos lá no porão usar o karaokê?! - Flor, de repente, deu a ideia. A maioria (excluindo somente eu, Tom e Bela - que ultimamente não parecia animada para nada...) se animou.
- VAMOS! - Sam pulou do sofá e saiu correndo para o porão.

- Tem um CD com músicas legais aqui. - April disse. - Oh, adoro essa! Like a Virgin!
- Por que não canta? - Flor sorriu amigavelmente pra ela. Espera só ela dar em cima do seu surfista também, Florence...
- Tudo bem! Mas preparem seus ouvidos! Eu canto muito mal! - ela gargalhou.

- Porra... Enfim um defeito! Ela falou sério quando disse que cantava muito mal... - Lia sussurrou perto de todas nós, enquanto escutávamos April cantar (aquilo que ela tava fazendo não merecia ser chamado de "cantar") e Sam riu meio alto demais.
- Ela não tem defeito nenhum... - Bela comentou um pouco alienada e nós estranhamos - Parece perfeita.
- Você tá surda ou o quê? - Sam perguntou com a maior cara de "WTF".
- Ela parece uma vaca parindo doze bebês aliens ao mesmo tempo, enquanto um sanguessuga chupa seus olhos! - descrevi exatamente como a voz dela soava.
- Ela deve estar fazendo essa voz de propósito. Só pra tentar ser menos perfeita... April é perfeita.
- Para com isso, Bela! - Flor exclamou meio assustada.
- O defeito dela já começa pelo nome... Que tipo de pessoa tem nome de mês?! - Sam argumentou e eu achei muito pertinente. - Ela tem os pés um pouco grandes...
- É muito branca. - Lia adicionou.
- Fala que nem uma drogada e dá em cima de namorados alheios... - completei.
- E canta MUITO mal! - Flor foi quem finalizou.
- Tudo bem, ela pode ter todos esses defeitos... - Bela começou - Mas eu tenho m...
- BELA! - April gritou a interrompendo. - Por que não canta uma música?
- Não quero, obrigada. - respondeu amuada.
- Ah, vai lá curar nossos ouvidos, Bela! - Sam a empurrou e eu gargalhei.
- Coitada da minha priminha... - Danny bagunçou as madeixas louras da menina com nome de mês.
- Eu não quero. - Bela repetiu.
- Ah, vai logo, Bela! - insisti impaciente e ela olhou para o chão, parecendo realmente desconfortável.
- Não vou curar os ouvidos de ninguém. Eu não canto tão bem assim...  - ela recolheu as pernas e abraçou os joelhos. Sua voz foi seguida de um silêncio tenso. Todos nós nos olhamos um pouco surpresos e incomodados - Eu nem mesmo canto bem... - ela concluiu e o silêncio continuou por alguns segundos. Estávamos meio incrédulos.
Até que Harry riu nervosamente.
- Mas que absurdo, Bela... Sua voz é incrível e não sou só eu quem concorda com isso... A revista Times falou que sua voz é uma das mais... Adoradas e reconhecidas do momento. - Judd falou, ainda nervoso. Ele trocava olhares com Tom e o silêncio pesado continuava a assombrar o porão.
- Você é muito gentil, Harry. Obrigada. - a voz de Bela pareceu tão frágil que meu coração apertou. O que está acontecendo?!
- Para de agir assim, Bela! Tá me dando medo! - Danny reclamou e April se achou no direito de rir.
Mas não era hora de rir.
- Sua voz é boa sim, Bela... Minhas amigas vivem dizendo isso. - April disse, acho que pra se consertar.
- Suas amigas? - Bela sorriu brevemente. - Você não acha minha voz boa, não é? - suspirou parecendo resignada e humilde.  - A sua voz é mesmo... Melhor.
O QUÊ?!
- Já chega, Bela. Vem aqui. - Tom a puxou pela mão e eles deixaram o porão.
- Eu acho que acabei de entender tudo. - Lia disse um pouco atônita. - Eu... Eu tô me sentindo péssima... E-eu não acredito! - ela parecia muito abalada.
- O que houve, gente? - perguntei.
- Acho que eu tô preocupado... - Dougie murmurou me olhando. - E um pouco perdido.
- Alguém explica, por favor?! - Flor se exaltou.
- Lia, vem aqui. Preciso conversar com você. - a voz do Harry soou serena, mas ele estava claramente nervoso.
Por que todos estão tão nervosos? O que há de tão sério acontecendo?

Soph's POV off

Thalia's POV


- Harry, ela está assim por culpa minha não é?! - eu estava pirando!
- Não, não é culpa sua...
- Claro que é! Se eu não tivesse a chamado de magra ela não teria começado com essa loucura toda! - eu me sentia péssima... Realmente péssima.
- Calma Lia, você não sabia que o problema dera era tão grave assim... Ninguém sabia. Na verdade, isso nunca passou pela nossa cabeça. Você apenas fez uma brincadeira sem intenções...
- Meu Deus, e se ela ficar realmente doente?! - o cortei sem querer. - E se... E se ela ficar realmente mal?! E se tudo for mais grave do que estamos pensando?! Meu Deus, Harry! - não percebi que estava chorando até sentir o gosto salgado das lagrimas na minha boca. - Eu sou uma idiota! Eu sou mesmo uma idio...
E então o próximo gosto que senti foi o dos lábios dele capturando os meus, como um carinho terno no meu coração apertado.

Thalia's POV off


Tom's POV

Eu estava completamente transtornado com que acabara de ouvir. Aquilo já estava tomando proporções muito maiores do que deveria. Eu não podia mais deixar que perdurasse por mais um segundo sequer.
Só parei de puxá-la pela mão quando chegamos no quarto. Fechei a porta com força e pude ver de esguelha que ela havia se assustado.
Eu tava com raiva. Muita raiva. E eu tava com raiva dela!
- Já chega, Bela! Me entendeu bem?! JÁ CHEGA! - ela maneou a cabeça pra baixo, abraçando o próprio corpo, recolhida. Vi uma lágrima solitária se desprender dos olhos dela e meu coração se apertou. Chegava a doer. - Você não tá vendo o quão ridícula é essa situação toda?!
- Mas eu estou norm...
- Não diga que você está normal, porque não tem nada em você que esteja normal! NADA! - eu não queria gritar, mas estava difícil.
- Está falando do meu corpo? - perguntou baixo e eu não pude ficar mais incrédulo.
- O quê?!
- Você me acha feia, não acha? Eu te entendo, Tom... Pode falar. Eu vou te amar do mesmo jeito - sua voz continuava tímida e fraca. - Eu sei que sou magra... Mas eu vou engordar... Eu juro. Vou ser tão bonita quanto Sam ou April...
- PARA! Para de falar essas coisas, Bela, para! Você não está vendo o quanto isso é doentio?! Você não é feia! Você é... Você pode muito bem achar que só vou falar isso porque sou seu namorado e sou cegamente apaixonado por você, mas, Bela... - suspirei e segurei o rosto dela com as duas mãos - Você é tão linda que eu simplesmente perco as palavras. Você é muito bonita, Bela. Você é a mulher mais linda que já vi... E beleza não é somente algo físico... O conjunto que compõe Isabela Johnson é perfeito. Não sou só eu quem acha isso... Muitas pessoas ao redor do mundo concordam, sabe? Você é uma pessoa linda. Linda em todos os aspectos. April pode ser bonita, mas ela não é você. Nunca se compare a ela. E quanto a Sam, bom... - Eu ri - Metade da beleza estonteante dela é só o ego. Ela se acha tão linda que as pessoas começam a achar também - falei e Bela gargalhou.
- Claro que não, Fletcher, olhe bem pra cara dela.
- Você é muito mais bonita. Não importa se o resto das pessoas desse mundo discorda. Pra mim, você é a mais bonita de todos, por favor, pare com isso. Para de querer engordar, Bela, seu corpo é perfeito desse jeito, como você não consegue ver?! Você não é tão magra assim, de onde tirou isso?
- Todos ficam falando... - ela fungou, limpando as lágrimas. - Lia disse que eu era magra como um girino da Etiópia, depois Dougie falou das pernas de Soph, e Danny vive falando de como Sam é gostosa... E a April não para de dizer que sou magra - ela soluçou - Todos me acham muito magra! Ninguém vê o quanto isso machuca?! Eu ODEIO que falem que eu sou magra, ODEIO!
- Você está dizendo como se fosse realmente muito magra! Lembra daquela outra Isabela da nossa escola? Aquela que usava óculos e tinha um cabelo esquisito...
- Lembro.
- Ela era magra! Aquilo que é uma pessoa magra. Você não é tão magra assim, Bela. Sua perna é... Do tamanho exato pra que todos os caras te chamem de gostosa e eu fique um pouco puto. - ela deu uma risadinha. - E da mesma forma que Harry, Dougie e Danny falam pros outros o quanto as meninas deles são gostosas, eu falo pra todo mundo simplesmente: "desculpe, mas eu namoro a Bela Johnson", e isso resume qualquer outro tipo de qualidade que alguém queira dar a uma mulher.
- Você é tão bonitinho tentando me agradar com esses exageros... - ela suspirou e eu lhe dei um selinho.
- Me promete que você nunca mais vai dar esse tipo de crise. Me promete, Bela, que você nunca mais vai se achar feia... Aliás, me prometa que, de agora em diante, você vai se olhar no espelho e ver a Bela de verdade. A Bela que você é, e não um girino da Etiópia.
- E se eu não conseguir?
- Vem cá. - a puxei pela mão até o banheiro e a virei de frente pro espelho. A abracei por trás. - Está vendo isso? Está vendo como você é linda?
- Eu sou... Bonita. - ela falou como se quisesse convencer-se disso. - Eu sou bonita. - suspirou e fechou os olhos com força. - Não sou feia, sou bonita.
- Linda. - A corrigi - Você é linda. "Bonita" é um nível abaixo do seu.
Ela gargalhou.
- Prometo. - disse de repente, e eu soube do que se tratava. Então ela se virou pra mim e me beijou com força. Senti as lágrimas dela contra meu rosto enquanto correspondia o beijo com a mesma intensidade, com o coração bem mais aliviado.

Tom's POV off

Sam's POV

Eu estava chorando toda a água do meu corpo, deitada no chão, com o ouvido grudado na porta do quarto onde Tom e Bela-burra-retardada-problemática-sem-noção-Johnson estavam.
- Sai daí, Sam... - Danny pediu com pena. - Você só vai ficar pior se continuar escutando a conversa dos dois.
- Eu não queria que - funguei - ela achasse que - funguei de novo - é pior que eu em algum aspecto! - chorei alto. - Eu sei que sou linda, mas ela também é! Eu tava brincando quando a chamava de feia ou qualquer coisa do tipo!
- Tudo bem, Sam, não é culpa sua... - Danny continuava com sua voz mansa, sentado ao meu lado no chão, acariciando meu cabelo.
- Claro que é! Você ouviu o que ela disse?!
- Ouvi, mas...
- Então pronto, Jones! É culpa minha e ponto final! Agora minha melhor amiga está com problemas de autoestima e a culpa é inteiramente minha!
- Não diga isso, amor...
- Mas eu est... Do que você me chamou? - parei de chorar na hora e meu coração acelerou tanto que eu pensei que fosse sair pela boca andando, dizer um "Oi, Danny, como vai?" e dar um rolé pelas praias do Caribe, depois voltar pra dentro de mim pra eu reviver.
- Te chamei de Sam.
- Não. Você me chamou de amor.
- O quê?! Eu?! Claro que não! Você está ouvindo coisas.
- Não estou não, Danny. - comecei a me estressar. Qual o problema de admitir?! - Você me chamou de amor, eu ouvi!
- Eu nunca te chamaria de amor!
Ah, então é assim?!
- VAI SE FODER, DANIEL! VOCÊ E ESSE SEU AMOR! - me levantei da sarjeta e fui andando completamente furiosa até o hall perto da escada.
E adivinha?! Cruzei com a cachorra (Isso teve um duplo sentido tosco, mas todos entenderam o que eu quis dizer).
- O que houve, Sam?!
- NADA!
- Não quer me contar?
- ISSO ESTÁ TÃO OBVIO ASSIM?! OH, ME DESCULPA. - oi, sarcasmo. - PENSEI QUE VOCÊ FOSSE BURRA E NÃO TIVESSE NOTADO.
- PARE DE ME XINGAR! - ela gritou? Gritou comigo? Hm, ela não devia ter feito isso.
- SAI DA MINHA FRENTE, SUA FILHA DA PUTA, ANTES QUE EU ACABE COM SUA ESPÉCIE RECALCADA DE PIRANHA!
- SUA...SUA... BRUXA!
-HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAAHHAHAHAHAHAHAHA - gargalhei bem alto mesmo. - BRUXA? HHAHAHAHAHHAHAAHHAHAHAHA! Uhhhh, cuidado comigo! Eu posso enfiar minha vassoura no seu cu!
- PARE DE FALAR ESSAS COISAS BAIXAS, SUA IDIOTA! - e então ela me deu um tapa! ELA-ME-DEU-UM-TAPA. UM TAPA! UMA PORRA DE UM TAPA! UM TAPA COMPLETAMENTE GAY NO OMBRO, MAS FOI UM TAPA E DOEU MUI-TO, MUITO, PORQUE EU ESTOU QUEI-MA-DA PA-RA CA-RA-LHO!!!!
- Ah, não. Você não fez isso. VOCÊ-NÃO-FEZ-ISSO! - agarrei os cabelos loiros dela e comecei a sacudir que nem uma maluca. Ela, obviamente, segurou meus braços, fincando aquela unha de cachorro na minha pobre pele queimada. Doeu mais do que deveria.
- AAAAAAAAAH - seu gritinho fino e estridente incomodou meus ouvidos - ME SOLTA SUA MALUCA! ME SOLTAAAAAAAAAA, AAAAAH!
- SUA PUTA! PIRANHA! TIRA SUA PATA DE MIM, CACHORRA!
- ESSA GAROTA É MALUCA, ALGUÉM ME AJUDAAAA!

Sam's POV off


Soph's POV

Eu estava escutando os gritos. 
Eu sabia que Sam estava batendo na April. 
Eu sabia que não ia acabar bem...
Mas não, eu não fiz nada. Deixei que April tomasse umas porradas, porque, sabe, ela tem merecido. Ela teve a cara de pau de dar em cima de todos os NOSSOS homens, não teve? Então... Pois é
, vou me fingir de surda.
- A gente não deveria ir lá ajudar? - Dougie perguntou, levantando da cama do nosso quarto.
- Não, amor, fica aqui... Não vamos nos meter na briga dos outros.
- Mas balinha de morango, a Sam vai matar a April.
- Apenas fique aqui, môzi. - Decidi cortar o assunto logo. Ele deu de ombros ignorando minha maldade e voltou a se deitar ao meu lado.

Soph's POV off

Sam's POV

Eu queria ACABAR com aquela garota. Descontei toda a minha ira nela. Primeiro porque ela é uma vadia. LITERALMENTE. Como assim dar em cima do que é MEU (o perigo já começa aí) e do que é das MINHAS AMIGAS (aí realmente complica)?!
E ela é TÃO SONSA, TÃO FALSA, TÃO METIDINHA que, pra mim, essa garota se tornou INTRAGÁVEL.
Por isso, ignorei toda a minha dor e... BATI MUITO NELA. Soquei seu rosto umas seis vezes, chutei suas pernas, estapeei, puxei o cabelo, arranhei... Tudo que ela fazia era gritar e chorar. Às vezes pude sentir alguns tapinhas e umas unhadas, mas nada que me abalasse. Continuei com os socos até sentir alguém me segurar.

- SAM, VOCÊ ENLOUQUECEU?! - Danny gritou, e April nem conseguia mais chorar. Ela apenas respirou fundo, piscou umas duas vezes e simplesmente desmaiou. Eu estava tão esbaforida, tão exausta, com tanto ódio no coração, que não consegui conter um grito que ecoou por todos os cantos da casa.
Danny me soltou imediatamente e foi acudir a prima. Ajoelhei, chorando copiosamente, no chão e tapei meu rosto involuntariamente.
- CARALHO, SAM, QUE PORRA VOCÊ FEZ?! - Dan gritou meio desesperado, o que me fez chorar ainda mais.
- O que está acontecendo aqui?! - ouvi a voz de Bela vindo de trás de mim, e senti sua mão em meu ombro. Eu não queria olhar ninguém, então apenas continuei escondendo meu rosto entre as mãos. - O que houve, Sam?
- Eu te ajudo com ela, cara. - pude ouvir Tom dizer, provavelmente para o Danny, e depois percebi que só estávamos eu e Bela ali.
- Por que fez aquilo com ela? - Ela parecia assustada, mas seu tom foi carinhoso.
- Eu... Senti tanto ódio... - finalmente olhei pra Bela, que esticou as mãos pra limpar minhas lágrimas - Tanta raiva dela... Não consegui me conter, eu juro que... - funguei. - eu... Eu não... - mal sabia o que dizer.
Bela me abraçou e eu chorei mais.
- Tudo bem, Sam... Mas não faça isso de novo, ok? Acho que exagerou dessa vez.
- Desculpa, Bela. - a abracei mais forte - Desculpa por tudo! Por tudo! Eu te amo... Me desculpa, estou me sentindo tão mal com isso...
- Não foi culpa sua, Sam, não precisa ficar assim! - ela sabia do que eu estava falando - Foi culpa minha, eu que estou errada. Mas eu já to melhor, prometo que não vou pensar esse tipo de coisa de novo. E, é sério, ninguém tem culpa. Relaxa quanto a isso. - Me olhou e sorriu brevemente. Ela ainda estava com cara de choro. - Agora vamos lá ver o estrago que você fez e pode se preparar pra pedir desculpas!
- O quê?! Não!
- Sam! - usou seu tom repressivo, mas parecia querer rir - Você praticamente espancou a menina!
- Depois de tudo, ainda vai querer defendê-la?!
- Mas ela não fez nada de errado.
- Ela deu em cima dos nossos namorados!
- Você podia ter resolvido com uma conversa, e não com um knockout...
- Não vou pedir desculpas. - cruzei os braços.
- Ok, faça o que achar melhor. - e então ela virou as costas e foi atrás da April.
URGH! Odeio esse "faça o que achar melhor"! Me faz ficar com a consciência pesada!

Sam's POV off

Thalia's POV 

- Er.. Me desculpe, eu não devia ter feito isso... Foi um pouco...
- Inesperado. - completei.
- É. 
- Foi bastante inesperado, mas... Não precisa pedir desculpas, Harry. - ajeitei uma mexa do meu cabelo atrás da orelha, o olhando hesitante.
- Não? E... Por quê?
- Porque eu... Eu... - Bem na hora que eu ia falar algumas... verdades, Danny apareceu na sala, acompanhado de Tom, com April desmaiada em seus braços. Corri pra ver o que havia ocorrido (e só então vi que Flor estava nos espionando o tempo todo! Que safadinha!). - Meu Deus, o que aconteceu?!
- NOSSA! Ela tá muito machucada! - Flor exclamou e eu reparei que ela realmente estava ferida. Seu rosto estava cheio de manchas vermelhas (MUITO vermelhas) e arranhões, assim como seus braços e pernas. 
- A retardada da Sam bateu nela! - Danny contou com raiva, deixando-a no sofá. A menina parecia mesmo desmaiada. Eu sei que ela é fresca, mas aquele desmaio tava muito real pra ser frescura. 
- Como assim?! A Sam bebeu? Cheirou orégano podre? - Harry perguntou encolerizado e eu riria se não estivesse com os nervos tão à flor da pele. 
- Ela me parece um pouco... mal. - Fletcher falou. - A gente deveria fazer alguma coisa.
- Leva ela pra enfermaria do resort... - Danny sugeriu. - Pra pelo menos darem algum remédio contra dor e tal... Ela pode ter quebrado algum osso...
- Nem tanto, Jones. - a voz de Bela ecoou e nós todos a olhamos. Senti um frio percorrer minha espinha na hora, mas ela parecia perfeitamente bem. Johnson e suas bipolaridades... - Mas acho que é melhor levar ela pra enfermaria mesmo... - a olhou com as sobrancelhas arcadas.

Algum tempo depois, estávamos nos encaminhando à tal enfermaria. Como não tinha carro, fomos a pé mesmo. Pobre Harry... Sempre sobra pra ele, só porque ele é forte, musculoso e... Ok, controle-se, Thalia.

Thalia's POV off

Eu estava totalmente aos beijos com o Tom quando escutei a gritaria da briga de Sam com April. Eu poderia muito bem ignorar e continuar ali com o Fletcher, mas não me sentiria bem com isso, então fui prestar alguma ajuda.

Enquanto esperávamos a enfermeira atender April, sentei num dos sofazinhos da recepção (aquela enfermaria era tão grande que quase parecia um hospital). 
- Bela, como está? - Tom sentou a meu lado, me abraçando.
- Bem. - respondi vagamente. Eu não estava exatamente bem. Não é como se meia dúzia de palavras legais do Tom fosse acabar com todos os meus problemas... Eu ainda me sentia frágil e, sim, ainda me sentia feia. Mas eu prometi a mim, e principalmente a ele, que eu pararia com isso e estava realmente decidida a parar. Eu não queria me achar feia e começar a ficar problemática. Tudo bem que estive um pouco cega há algumas horas atrás, mas é que tudo aquilo estava tão quente dentro de mim que não consegui enxergar mais nada além dos meus enormes defeitos, comprimidos no meio das qualidades dos outros. Ou melhor: outras. 
Mas as palavras de Thomas verdadeiramente me fizeram bem. Me fizeram abrir meus olhos. Foi um passo para eu sair dessa neurose. Um grande passo. 
O senti deitar a cabeça no meu ombro e depositar alguns beijinhos ali.
- Eu te amo. - ele sussurrou e eu sorri, me virando para beijá-lo.
Só que não deu, né:
- Bela. - Lia me chamou.
- Hm?
- Eu sei que vocês iam se beijar bem agora, mas, só de vingança, preciso falar com você rapidinho.
- Vingança? Vingança de quê? - perguntei sem entender.
- Ah, nada, coisa minha. - ela deu de ombros. Fiquei curiosa. - Mas enfim, - sentou-se ao meu lado e Tom passou o braço pela minha cintura. Eu e ele ficamos numa posição realmente confortável, enquanto Lia pigarreava antes de falar. - Eu quero me... Desculpar pelo insulto que fiz naquele maldito banheiro e me certificar de que você NUNCA MAIS vai ter esse tipo de problema. 
Sorri e escutei Tom rir.
- Bom, desculpas aceitas, mas eu sinceramente não precisava delas. Não culpo vocês por nada, é sério. E pode se despreocupar porque eu vou ficar bem.
- Ela já está quase bem. - Tom falou sorrindo. - Não é, Bee? - gargalhei quando ele me chamou assim. Bee era um apelido que eu odiava, e só ele sabia. Significa "abelhinha", mas também servia como um diminutivo fofo para o meu nome. SÓ QUE EU NÃO GOSTO DE COISAS FOFAS ASSIM. 
- Own, Bee é tão fofinho! Vou te chamar assim agora.
- NÃO! - gritei rindo e a mulher da recepção me olhou feio. - Por que diabos se lembrou disso, Fletcher? 
- Não sei, lembrei do nada.
- Não me chamem assim. - pedi fazendo biquinho, mas foi super fail. 
- Vamos chamar, já era. 
- Não, Lia, tadinha, não a chame assim. - Tom interveio e eu o olhei satisfeita. - Deixa que só eu chamo, quero exclusividade. 
MUITO ENGRAÇADO MESMO, FLETCHER, MUITO ENGRAÇADO.
- Do que estão falando? - Flor se juntou à conversa e assim ficamos até a enfermeira avisar que April havia acordado. 

- Como se sente? - Danny perguntou acariciando o cabelo desgrenhado da prima, assim que ela se deitou na cama do quarto da avó deles.
- Me sinto... Machucada. - ela disse. - Será que posso falar com a Sam um instante?
Nos entreolhamos, como se perguntássemos mentalmente uns aos outros se aquilo era bom ou não.
- Não prefere esperar a poeira abaixar? - Harry perguntou carinhosamente. Juro que vi Lia torcendo o nariz e rolando os olhos nessa hora.
- Não precisa, eu posso falar com ela sim. - Sam disse, entrando no quarto acompanhada de muita tensão. 
- Tudo bem, mas vamos ficar aqui. - Jones impôs e ela deu de ombros. 
- Pode falar, April.
- Eu quero entender, Sam, porquê você me odeia tanto... O que te fiz? 
- Não seja sínica, April! Você deu em cima de todos os garotos daqui só porque se acha A LINDA, e todos eles já estão envolvidos conosco!
- Harry está solteiro, que eu saiba.
- Ele está envolvido até o pescoço com a Lia, você sabe muito bem! 
- Não eu não sabia! Pra mim eles não se gostavam mais! 
- Como você pode ser tão tapada?!
- Desculpa, ok?! Desculpa! 
Estávamos todos assistindo, super interessados, como se aquilo fosse o Tom tirando a roupa sensualmente. Ou o Harry. Ou o Dougie. Ou o Danny. Mas principalmente o Tom.
 - Me desculpa, Lia... Eu não sabia que gostava do Harry. - April continuou, olhando, dessa vez, para Thalia, e depois seu olhar seguiu para Soph (sim ela tava no quarto também) -  Me desculpe, Sophia, se dei em cima do Dougie... Me desculpe por favor. - então ela olhou pra mim. - Me desculpe também pelo Tom, Bela. - e, novamente, seus olhos avermelhados pelo choro chegaram na Sam. - Desculpa por te irritar tanto, e por dar em cima do Dan. Desculpa, ok? Eu realmente sinto muito. - April parecia sincera e arrependida de verdade.
Apesar de tudo, ela era uma pessoa legal. Eu acho.
Sam não disse nada. Apenas deu as costas e saiu do quarto, inexpressiva. 
- Escuta, April... - Soph murmurou - Sam vai te desculpar. Ela é uma pessoa difícil, mas tem um coração grande. E quanto a nós, tenho certeza que ninguém tem ressentimento, não é?
Eu tenho.
Mas shhh...
- É! - concordei sorrindo. - Pra te falar a verdade, eu nem vi você dando em cima do meu namorado, para a sua sorte. - falei com humor e o pessoal deu risada. - Então estou de boa com você. 
- Pode relaxar, tudo vai ficar bem. - Lia sorriu ternamente.
- Desde que continue não dando em cima do Tom. - completei, escutando as risadas novamente.
- E nem do jujubinha de cereja. - Soph adicionou e todo mundo gargalhou alto.
Jujubinha de cereja? HAHAHAHAHAHAHA!
- E nem do Harry ou do Danny. - Flor falou. - Resumindo, apenas não dê em cima deles que tá tudo certo, tudo lindo, cheio de paz, com cheiro de grama verdinha. 
- Ok. - ela concordou sorrindo. 

Bom, então espero que tudo fique assim, mais ou menos bem (se puder ficar melhor, por favor, fique!!!!), pelo menos por enquanto...



Era, exatamente, o último dia do ano. Eu, particularmente, amava aquela data (não tanto quanto amava o Natal, obviamente).
Me deitei na areia, depois de sair do mar, ao lado de Tom, que parecia dormir.
- Tom?... Amor, não dorme debaixo do sol senão vai acordar todo queimado.
- Hm... É. - ele resmungou em resposta (ignorando completamente meu alerta) e me puxou contra ele.
- Ei, gente, esse aqui é o Lorenzo... - Flor se aproximou de onde estávamos (ela havia sumido pela praia desde que chagamos) - O surfista com quem tenho saído.
- Hola! - ele riu. - Falo pouco Inglês... - seu sotaque era engraçado. - Desculpa por isso.
- Já disse que não tem problema, Lonrenzo... - Flor revirou os olhos e beijou sua bochecha. - Ele é daqui mesmo, fala espanhol e português, mas tem aprendido Inglês há alguns anos.
- É difícil... - Lorenzo comentou, um pouco tímido. - Legal conhecer Bela Johnson e McFLY! Eu escutava muito McFLY antigamente... - seu discurso foi um pouco lento e engraçado, mas completamente compreensível.
- Legal, cara! - Danny sorriu, dando dois tapinhas nas costas dele.
- Você fala português?! - me senti subitamente animada. - Se importa de praticar um pouco comigo?
- Quer que eu fale português com você? - ele questionou incerto e eu sorri assentindo. - Er... Oi!
- Oi! - não sabia se ainda conseguiria falar direito. Não praticava há anos...
- Hm... Desculpe, mas não sei puxar assunto. Por que você não fala alguma coisa? – Ahn... Tudo bem, português não costumava aparecer tão difícil assim.
- Hm... Eu... Droga! Esqueci tudo!
- Mas você consegue entender se eu falar português com você?
- Sim! Eu consigo! Oh, isso é tão legal! HAHAHAHAHAHA!
- Er... Português é um pouco bizarro... - escutei Sam falar. - Como se diz “bizarro” em português?
E então começamos essa conversa interminável sobre traduções e diferenças entre as linguagens... Só fomos sair da praia quando estava anoitecendo.

- Merda, a culpa é toda sua, Lia! – Sam berrava, correndo pra lá e pra cá.
- Minha? Bebeu?
- Claro que não, você que é a menina responsável do grupo, então você deveria avisar que era pra gente sair da praia antes pra dar tempo de ir à porcaria da festa!
- Ah, Sam, vai ver se eu tô na esquina!
- A culpa não foi dela, Bradley. – Soph se meteu. – A gente não lembrou que aqui escurece mais tarde. Ninguém se deu conta da hora...
- AH, MAS EU PRECISO COLOCAR A CULPA EM ALGUÉM, DÁ LICENÇA?
- Coloca na April... – sussurrei e elas gargalharam, mas quase morri quando, no segundo seguinte, a própria adentrava o quarto com sua roupinha (#) de festa...
- Estão prontas, meninas? – ela perguntou.
- Não. – Flor respondeu por todas enquanto tentava fechar seu vestido (#).
- Oh, sim... Er... Será que alguma de vocês pode me ajudar com a maquiagem? Não sei fazer direito...
- A Bela sabe e ela já tá quase pronta (#) . Vai lá, Bela. – Sam me empurrou, e eu também quis empurrar a cara dela, mas não rolou.

Danny’s POV

- E então, cara? Vai ser hoje mesmo? – Dougie perguntou pela octogésima vez.
- Puta que te pariu, já disse que vai.
- Calma, Danny, relaxa aí... – Harry passou por mim segurando uma xícara de café.
- Por que está bebendo café? Daqui a vinte minutos estaremos numa festa foda, cheia de bebida pra encher a fuça, e você aí que nem uma gazela com essa xícara. – questionei curioso.
- Fiquei com vontade de beber café, algum problema?
- Eu quero uma banana. – Dougie resmungou. – Tom! – Gritou pra ele, que entrava agora na cozinha. – Pega uma banana pra mim?!
- Não vou encostar numa banana, Poynter, que nojo!
- Tom, você não costumava ser tão gay. – Harry comentou e eu concordei.
- Por favoooooor! – Doug insistiu e, em resposta, escutamos Tom murmurar alguma coisa incompreensível. Segundos depois, lá estava ele aproximando-se do sofá com a banana entre a ponta dos dedos indicador e polegar, enquanto fazia a cara de nojo mais hilária que eu já vi em toda a minha existência no Planeta Terra.
- Toma sua banana... Que porra nojenta. – Ele murmurou ao entregar a fruta ao Dougie, antes de sentar do meu lado. – Danny, quer parar de balançar essa perna?
- Tô nervosos, cara, vou fazer o quê?
- É só um pedido de namoro, Jones, nada tão sério assim. Não é como se você fosse casar nem nada.
- Mas e se ela disser não e me humilhar na frente de todo mundo, me chamando de macaco albino e tudo mais?
- Bom, eu vou te amar do mesmo jeito! – Fletcher sorriu, acariciando meu rosto e Harry gargalhou.
- Ah, claro, agora estou bem. – ironizei, afastando as mãos de Tom com brutalidade.

Danny's POV off

Soph’s POV

Bela acabara de sair do quarto junto com April quando Flor anunciou estar pronta. Ainda faltava um pouco pra eu terminar, mas nada que demorasse mais de dez minutos... Eu acho.

- Ai, vou usar o sapato que a Bela me deu. – Sam falou, se olhando no espelho. – Vai ficar bom com essa roupa (#) ?
- Vai... – Lia respondeu sem realmente prestar atenção, ajeitando seu vestido (#).
- O que você acha, Soph?
- Tá ótimo, Sam, tá ótimo.
Obvio que estava ótimo, mas que burrice! Era uma “White Party”, ela estava de branco, qualquer cor combinaria...

- O que vocês acham de fazer uns cachos nas pontas do meu cabelo?
- Tá bom assim, Sam, vai demorar se for fazer cacho. Assim tá bonito. – Lia respondeu, se aproximando de mim. – Por que ela tá tão pilhada? – sussurrou e eu não soube responder.
- BELA, VEM ME AJUDAR COM A MAQUIAGEM!
- Ai, Sam, não grita! Tomei um susto! – Flor levou as mãos ao coração, depois de tirar os fones de ouvido.

Continuei me arrumando normalmente e pouco mais de dez minutos depois, estávamos todas realmente prontas. O relógio já marcava nove da noite, quando desci as escadas com as meninas.

- MINHA BALINHA DE FRAMBOEZA! – Dougie berrou. – Você tá linda! (#) – segurou meu rosto entre as mãos e me deu um selinho. Ele também tava lindo (e eu estava quase arrancando aquele vans dos pés dele, porque meu salto era alto demais).
- Você tá muito mais, meu oxigênio! – apertei suas bochechas.
- Duvido eu ser mais lindo que você. Impossível. – ele abraçou minha cintura e começou a distribuir beijinhos pelo meu pescoço.
- Olha aqui, seus sem-noção, até a porra do porco da Bela é menos nojento que vocês, puta merda! – Sam reclamou, separando nossas cabeças e eu gargalhei antes de dizer:
- Não liga pra ela, bombonzinho de licor de frutas vermelhas com um toque de menta, nosso amor é lindo!

Soph’s POV off

Entrei no salão de festas principal do resort, onde as pessoas pareciam se divertir ao som de músicas eletrônicas. Percebi o quanto Danny estava inquieto e tenso, por isso toquei seu ombro, fazendo com que ele se inclinasse até seu ouvido estar perto da minha boca.
- O que houve?
- Nada não. Eu só to nervoso.
- Nervoso com o quê?
- Segredo. - Finalizou a conversa com um sorriso breve, e se aproximou de Dougie pra cochichar algo.
- Urgh, odeio ficar curiosa... - murmurei pra mim mesma, mas Sam ouviu.
- Quê?
- Eu disse que não gosto de ficar curiosa. - Repeti. - O Danny está estranho, cheio de segredinhos.
- Ah, é? - Ela suspirou pesadamente. - Estou preocupada. Ele não tá falando comigo direito.
- Ele não está falando direito com ninguém, Sam, relaxa um pouco. Daqui a pouco é ano novo, dá pra acreditar?! - exclamei feliz, mudando de assunto, e ela sorriu, abraçando-me de lado.
- Mais um ano juntas!
- Ei, também quero abraço da amizade! - Flor reclamou logo depois da fala de Sam, nos abraçando fortemente. - Suas lindas, amo vocês.
- Abraço grupal! - Soph berrou e puxou Lia consigo, e as duas se juntaram a nós com courinhos de "êêêêê".
Senti mais algumas mãos e os "êêê's" encorparam, com vozes masculinas, me fazendo perceber que os meninos também estavam no agarramento.
- VIVA NÓS! - Dougie gritou sufocado.
- VAMOS BEBEEEEEER! - Sam sugeriu também aos berros e todos concordamos, desfazendo o abraço animadamente e indo buscar algum álcool.

- Soph, que cara é essa de quem comeu e não gostou? - Flor quis saber, analisando-a.
- É que eu comi um docinho e não gostei. - Explicou e eu gargalhei alto.
- Já estou bêbado. - Harry chegou ao canto que estávamos - E está quase na hora da virada... - concluiu, escorando-se na parede.
- JÁ?! - Danny exaltou-se com os olhos arregalados.
- Já são onze e quarenta! - Sorri animada.
- Oh, mal posso esperar... - April disse, aflita. - Amo o ano novo.
- Eu também, é lindo. - Soph opinou. - Vamos indo lá pra parte de fora pra pegarmos um bom lugar.
- Eu tenho medo de fogos. - Dougie confessou. - Mas já que eu to meio bêbado, não tem problemas.
- Cadê a Sam? - Danny perguntou, olhando para os lados.
- Sei lá. - Lia deu de ombros. - Tá por aí.
- Você não tá dando atenção pra ela, aí ela foi arranjar atenção com outras pessoas... - Provoquei com descaso. Eu sabia que ela não iria ficar com ninguém essa noite.
- O QUÊ?! - Jones quase enfartou. - COMO ASSIM? TÁ ME ZOANDO, NÉ?
- Não, oras. - balancei os ombros.
- Ah, ali ela. - Soph apontou pra saída do banheiro, de onde Sam saía, ajeitando a roupa, distraída.
- Certo, então chama logo ela pra gente sair. - Tom disse, pegando minha mão. - Aqui dentro tá muito quente.

- Eu já disse o quanto você tá linda? - Tom perguntou em meu ouvido, me abraçando por trás.
- Hm... Já. - respondi rindo, e ele me virou de frente, beijando-me rapidamente.
- Já disse o quanto você é linda?
- Hm... Também já! - abracei seu pescoço. - Mas pode falar de novo, eu deixo.
- Você é a mais linda do mundo.
- Você é o mais lindo do mundo ao quadrado vezes mil. - Falei, dando-lhe inúmeros selinhos. - Te amo.
- Te amo muito mais.
A gente ia se beijar, mas houve interrupções.
- QUAL É A DA MELAÇÃO? - Sam se enfiou no meio de nós dois com a mão na cintura.
- Dá licença, Bradley? Não posso dar amor à minha namorada nem no ano novo?
- Não! Dê amor a ela quando estiverem na cama, longe dos olhares alheios! - Ela reclamou, bravinha.
- Sam, cave um buraco no chão e se enterre nele, por favor. - Pedi, empurrando-a enquanto ela começava a rir.
- GENTE, CONTAGEM REGRESSIVA! - Alguém gritou - Dez...
Nove...
Toda a festa contava, em uníssono, ansiosa para os fogos.
Oito...
Sete...

Thomas segurou mais forte minhas mão e eu olhei brevemente pra ele, sorrindo. Ele fizeram meu ano mais feliz. Ele mudara completamente minha vida.
Seis...
Cinco...

Thalia's POV

- Thalia. - escutei a voz do Harry ao mesmo tempo em que ele segurou meu braço, puxando-me contra ele. - Eu preciso que, nos meus últimos segundos do ano, e nos primeiros do ano que vem, eu esteja com você. - meu coração afundou.
- Mas, bom, você está comig-
- Beijando você. - explicou, meio segundo antes de alcançar meus lábios com os seus. E eu, novamente, me senti completa.
Dois...
Um...

Thalia's POV off

Sam's POV

* ignorem a ordem cronológica das músicas do McFLY *

- FELIZ ANO NOVO!!! - Todos começaram a gritar, felicitando seus conhecidos, abraçando seus amigos e beijando seus amores.

Nesse momento, me senti extremamente deslocada. Tom engolia Bela, Dougie engolia Soph, Florence engolia seu peguete novo e ATÉ O HARRY ESTAVA ENGOLINDO A THALIA!
Por que Danny estava tão estranho comigo? Por que estava distante? Senti vontade de chorar.
Sozinha.
Meus primeiros segundos do novo ano, mesmo no meio de tanta gente, eu estava passando sozinha.
E então escutei os acordes de uma leve melodia desconhecida por meus ouvidos. Todos se viraram para a direção de onde vinha a tal música e simplesmente quis morrer com que meus olhos encontraram.

Sim.
É exatamente o que você está pensando. Lá estava Danny, sobre algo que eu não chamaria de palco (de tão minúsculo que era), segurando um violão e olhando pela multidão como se quisesse encontrar algo. E eu sabia que esse “algo”, na verdade, era alguém. Eu sabia que Danny me procurava.
Andei mais para próximo dele, pra que ele conseguisse me ver e, ao conectar meus olhos aos seus, pude observar o mesmo sorriso que surgira em meus lábios brotar nos dele.
Danny começou a cantar.
- The world would be a lonely place without the one that puts a smile on you face...
É, eu já estava chorando.
Adeus maquiagem, adeus beleza, adeus classe, adeus dignidade, adeus tudo.
Eu queria, sim, morrer! Morrer de vergonha por sua camisa RIDÍCULA - colocada sobre a que ele esteve usando antes, durante a festa - escrita "I LOVE SAM" com uma foto minha dentro de um coração. Queria morrer de orgulho por ele estar se declarando pra mim na frente de todas aquelas pessoas com celulares apontados pra ele, prontas pra postarem em todas as redes sociais a maluquice caribenha amorosa de Danny Jones. Queria morrer de alegria por estar escutando sua voz perfeita cantando PARA MIM uma música inédita e LINDA. Queria morrer de amores pelo cara que era o certo, o único para mim.
Eu queria morrer! E não reclamaria se isso acontecesse agora, pois eu partiria tão feliz quanto nunca estive antes em toda a minha vida.
P.S.: Não leve isso tão a sério, Deus, por favor, porque, cê sabe, seria um desperdício o menino fazer isso tudo por uma defunta e, convenhamos, ainda tenho muito o que viver, né? Acredito que sim. Tenho muito Daniel Jones para aproveitar. Ignore minha resignação a respeito da morte, beijos, amém.
- (...) Yeah! I've got you to make me feel better! When the nights are long will be easier together... I've got you, oh!

Jones terminou a música ao som dos aplausos calorosos das centenas de pessoas que o assistiam.
- Obrigado! - Sorriu agradecendo. - Oi, gente, vou falar algumas coisas. Primeiro lugar: essa música aqui é nova e eu compus há pouco tempo, com a ajuda do Tom e do Dougie - ele pausou e olhou pra Harry - Desculpa, Judd, mas você não ajudou em nada e ainda reclamou na hora de aprender a música - disse, ao som de risadas - Bom, eu fui quem escreveu a maior parte. Isso pode soar um pouco arrogante, mas a explicação é que eu sou um bom compositor quando estou apaixonado. Por isso as pessoas normalmente gostam das músicas que eu escrevo. Só que o que elas ainda não sabem é que eu sou um compositor melhor ainda quando estou amando. - suspirou, voltando seus olhos a mim. - E eu estou amando tão intensamente, mas tão intensamente que vocês podem esperar um CD fantástico. Eu estou amando. Eu te amo Sam. Eu te amo muito. Eu estive tão nervoso e inseguro, tive até vontade de não fazer nada disso hoje, mas algo superou minha vontade: a necessidade que eu tinha de passar meus primeiros momentos desse ano proclamando aos sete ventos o meu amor por você. Isso tudo não foi por pura vontade, foi por necessidade. Eu ainda estou nervoso e confesso que minhas axilas estão transpirando desde quando fui buscar essa camisa aqui, lá na lojinha de estampas. Gastei vinte e cinco e noventa numa blusa que, no momento, é a minha preferida dentre as tantas que tenho. É a mais bonita pra mim, porque tem a sua cara, e a mais especial, porque diz o que eu sinto por você. Eu te amo. Eu te amo muito. – repetiu - E eu sei que quando eu estiver pra baixo, sozinho, quando o mundo tiver caindo, eu terei você pra me fazer feliz e tornar minhas noites mais fáceis. - suspirou novamente. Eu já não me aguentava de tanto chorar. Eu mal conseguia me mexer! - Enfim, eu... Eu precisava que você soubesse de tudo isso. - pigarreou. - Segundo lugar: Quer namorar comigo?
E então todo mundo começou a gritar. Mas o mundo ficou quieto pra mim. Me senti surda. Tudo estava silencioso e eu só podia sentir meu coração bater num ritmo gostoso, que me fazia sentir viva.

Sim. É lógico que sim.
Eu também o amava. Eu o amava do mesmo jeito. Eu o amava com a mesma intensidade. Eu o queria junto comigo pra sempre. Sim, Danny. Eu aceito namorar com você. Eu aceito pular do Everest com você agora. Eu aceito o que você quiser.
Tudo.
Sim, tudo que ele quisesse eu aceitaria. Porque eu o amava. Eu o amava muito.
- Posso subir aí? - perguntei com a minha voz extremamente vergonhosa e deselegante, num tom alto o suficiente pra que ele escutasse.
Jones fez que sim com a cabeça, me amparando pelo braço enquanto eu subia no palco minúsculo.
Peguei o microfone, limpei as lagrimas e tentei não chorar mais, pra pelo menos conseguir falar.
- Danny. - comecei. - Que vergonha de você! Eu deveria dizer não só por causa dessa blusa horrorosa, nossa. Eu te pago o dobro pra você jogar ela num triturador de lixo ou doar pra um mendigo! - Fiz a crítica e ele riu lindamente. - Mas, tudo bem, seu pedido de namoro foi digno, vou aceitar. PORÉM, com uma condição: que você cante essa música pra mim, nu, quando a gente chegar em casa.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHHA - ele gargalhou alto, assim como a "plateia". - Condição aceita. Agora, somos oficialmente namorados. Até que enfim. - falou sem o microfone antes de me agarrar.
Ah, como é bom ser feliz.
E foi aí que quebrei a perna caindo do palco que nem uma rã, toda arreganhada.

Sam's POV off

Mentira, Sam não quebrou a perna. Ela só caiu mesmo.
Foi tão lindo quando eles se beijaram, o tio dos fogos soltou uns fogos vermelhos em forma de coração (Danny deve ter pago um fortuna por isso)...
Maravilhoso.
Pena que Sam, com aquele cérebro de mico, tomou um susto e cedeu aos caprichos da gravidade, promovendo o belíssimo (e digno de filmagens) encontro entre o chão e sua cara. Talvez tenha sido o momento mais agradável da noite, em minha sincera opinião.

- Ai, seus lindos, venham cá! - Flor começou a apertar a bochecha dos dois. - Que graciosa essa vibe de amor!
- Oh, primo! Você foi perfeito, parabéns aos pombinhos.
- Querida só quem há de pombo aqui é você, porque pombo é um animal grotesco, não venha comparar nosso amor lindo com esse bicho horroroso, cheio de doença, cheio de sujeira e maus odores. - Disparou Sam, nos envergonhando como de praxe. - Mas obrigada pelas felicitações, de qualquer forma. - sorriu.
- Agora conte a ela, Danny, por que você escolheu essa data. - Tom disse, querendo rir.
- Ué, pra ficar romântico! - Soph deu de ombros, respondendo por ele.
- Não foi não, meu açúcar. - Dougie também disse em tom de riso.
- Parem de querer esculhambar minha vida! - Jones esbravejou, envergonhado.
- Ah, agora quero saber por quê! - Reclamei.
- Eu também! Pode ir falando, Alan. - Sam ordenou com o nariz arrebitado.
- Não... - murmurou tímido.
- Fala logo, gente! - Lia os apressou, curiosa.
- Fala, Jones, senão eu falo! - Tom chantageou e Danny rolou os olhos, se mantendo calado. - Ok, vou falar. O Danny é tão burro que não ia saber contar o tempo de namoro com ela, aí escolheu dia primeiro de Janeiro porque é mais fácil de contar.
Gargalhamos. Danny era o melhor.
- Own, amor, sua burrice é a coisa mais linda! - Sam lhe apertou as bochechas. - Ainda te amo, tá bom? - beijaram-se rapidamente e eu sorri, achando fofo - Agora vai lá pegar um gelinho para a minha perna antes que ela gangrene e caia.
- Porra, o namoro mal começou e ela já me explora feito um escravo.
- Lindo, eu te exploro desde sempre. - ela piscou e ele riu ironicamente (diferente do resto de nós) indo pegar o gelo para a namorada.
Sim, já estávamos em casa, apesar de eu não ter dito. A festa ficou insuportável depois da declaração de Danny (e da queda hilária de Sam). As pessoas não queriam deixá-los em paz e não paravam de pedir autógrafos e fotos (não sei por que decidiram começar a pedir autógrafos só depois da proclamação amorosa, deve ter sido uma corrente de inspiração vinda de algum canto), além de que Sam dizia sentir dores na perna (HAHAHAHAHAHA a queda foi mesmo incrível, nunca vou esquecer).

- Olha que lindeza, todo mundo tem parceiro agora. - Florence comentou sorridente.
- Claro que não, eu não tenho. - Lia contrapôs.
- Ah, cala boca, te vi chupando aquela língua do Harry na hora da virada, que nem uma idiota apaixonada. Nem vem. - Sam é tão linda e sutil!
O melhor foi a cara dos dois, Lia e Judd.
- E também não é como se a gente já não tivesse reparado que vocês ficam se pegando pelos cantos. - falei.
- Todos já sabem. - Tom completou.
- Um dia eu vi, tirei foto clandestinamente e mostrei pra todo mundo. - Dougie assumiu, e eu gargalhei alto.
- Filho de uma puta! - Harry xingou, incrédulo.
- Dougie, que tipo de pessoa você é?! - Lia parecia indignada. - Seu escroto!
- HAHHAHAHAH BOA, AMOR! - Soph berrou rindo, e Lia indignou-se ainda mais.
- Acabou a amizade. - Harry disse. - Não quero mais saber de vocês, to fora da banda, vou me mudar pra Marrocos e caçar tatu-bola na mata.
- Ah, gente, todo mundo já sabia que vocês iam voltar. - Danny falou. - Até eu.
- Pode crer. - concordei, me ajeitando no colo de Tom. - Vocês são muito previsíveis, sabe?
- Amor é uma coisa previsível, no fim das contas. - Flor filosofou, bocejando em seguida. - Vou dormir, gente. Já são quase quatro horas e amanhã, ou hoje, tanto faz, quero aproveitar meu último dia de praia.
- Vamos também, amor? - perguntei ao Tom, que concordou imediatamente. - Tô com sono.
- É, acho que vamos todos. - Soph disse, levantando-se com Dougie.
- Danny, você tem uma música a cantar pra mim. Nu. Então vamos também. [CENA EXTRA EM CONSTRUÇÃO, RSRSRS] - ele gargalhou com o comentário da Sam. - Me leva no colo? Meu pé tá doendo. - fez manha e eu ri, subindo as escadas com Fletcher em meu encalço.

- Vamos mesmo dormir? - ele sussurrou em meu ouvido e eu ri maliciosamente.
- Não, é claro que não. - Respondi, fechando a porta do quarto e me aproximando vagarosamente dele - Temos que começar nossa primeira noite do ano com estilo. - Foi a última coisa que falei antes de ser silenciada por seus beijos vorazes.

A volta para casa foi animada, apesar de querermos mais férias. Passei o resto dos meus dias trabalhando arduamente. Talvez, a pessoa que eu mais visse fosse Lia. Até mesmo Tom perdeu espaço em minha agenda. Nos víamos apenas durante a noite e quando acordávamos. Mas eu gostava de trabalhar que nem uma corna. Eu amava, na verdade. Amava todas as entrevistas, eventos, sessões de foto, filmagens de videoclipe, horas e mais horas na gravadora, encontro com produtores, tempos dedicados à confecção de novas faixas, tarde de autógrafos, gravações dos singles, e amava até mesmo as aulas de dança e coreografia, e todo o sofrimento na academia, com o Pilates e a musculação. Era corrido. Mas era minha vida.
Lia estava sempre me ajudando e normalmente me acompanhava quase vinte e quatro horas por dia.
Sam começou a se engajar no mundo da fotografia profissional. Ainda fazia muitas fotos comigo, mas também passou a dedicar-se (ao Danny) à outras coisas.
Soph continuava na mesma. Fazendo pacatamente sua faculdade e fingindo trabalhar na Starbucks (sua carga horária agora era de meio turno POR SEMANA).
Flor estava estudando para as universidades para as quais poderia passar com bolsa.

Os meninos estavam na mesma que eu, trabalhando que nem condenados e vivendo às custas de Fletch, que se cansou da vida boa e resolveu voltar a trabalhar que nem gente (Soph não se encaixa nessa categoria).
Ficamos nessa por um tempo até que, finalmente, o dia da Tour do Ordinary Fantasy chegou e, bom, essa turnê foi memorável.


> take a shortcut up to
Part  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10

Nenhum comentário:

Postar um comentário