[Bela's narrative mode on]
Hoje foi, com toda certeza, um dia cheio de surpresas.
Bom, só falei isso pra começar de uma forma mais filosófica, então, vamos direto ao ponto. Quando eu saí de onde tinha sido meu show, me despedi dos meninos e nos encaminhamos para a minha casa (eu e as meninas).
Não era longe, então eu só levei uns dez minutos.
Troquei de roupa, assim como elas, e nos sentamos no tapete fofinho da sala para conversar.
- Então, a gente não está aqui à toa. - Flor começou.
- É... - Sam concordou olhando pros próprios pés.
- A Sam também tem um segredo pra contar pra vocês, mas ela não podia falar na frente de todos, pelo menos por enquanto. - Flor continuou.
- AAAAH, ENTÃO DEIXA EU BUSCAR UMA COMIDA. NÃO FALA AINDA. - Levantei correndo, fui até a minha maravilhosa dispensa de biscoitos (ai, amo esse lugar), peguei umas coisas gostosas, não tão gostosas quanto eu (brincadeira, haha), e voltei pra sala. - Ok, Sam, pode falar.
- Tudo bem... Eu ainda não estou certa disso, ok? Nunca senti isso antes e não sei se é o que eu estou pensando que é, mas...
- VOCÊ ESTÁ AMANDO! - Soph a cortou com cara de mãe feliz.
- É, acho que é isso.
- OOOOOOOOOWN! - Thalia se jogou em cima dela e eu fiz o mesmo. Depois senti uma coisa sobre mim e vi que era Flor e Soph se juntando ao montinho.
- CÊS TÃO ME MANTANDOOOOOO! - Sam berrou numa tentativa de capturar oxigênio. Nós saímos de cima dela e eu não conseguia parar de sorrir. Cara, fala sério! Era a Sam! AMANDO!
- Pera aí, amando quem?
- Thalia, sua gênio, ligue os fatos. Sam tem medo de amor. Sam se afastou do Danny, mas mandou ele terminar com a Georgia... Apenas ligue os fatos na sua cabecinha. - Flor falou com uma cara de Sherlock Holmes e eu fingi que eu já tinha entendido isso há muito tempo, mas, na verdade, eu tava na mesma que a Lia. Ainda não tinha ligado os fatos. CARA, A SAM TAVA APAIXONADA PELO DANNY, CARACAAAAAAAA!
- CARA, A SAM TÁ APAIXONADA PELO DANNY, CARACAAAAAAAA! - sim, a Lia acabou de falar a mesma coisa que eu pensei.
- AHAM, E ISSO É UMA MERDA! - Sam bufou e jogou as costas pra trás, ficando deitada de uma forma estranha.
- Por que, bebê? - Lia perguntou, toda fofinha.
- Porque, cara, é o Danny! A gente já transou, e já ficou, e já andou de mãos dadas... Isso é coisa de namorados e ele nunca pediu pra namorar comigo. Agora vocês estão aí, todas com seus homens, até a Flor tem um homem pra ela, mesmo que mantenham uma relação mais virtual, e eu tô na merda.
- Tá na merda porque quer, convenhamos, né. - Soph comentou, roubando um biscoito. - Se você estalar o dedo, o Danny vai igual a um cachorrinho.
- Eu que o diga. - Completei, lembrando do Danny falando dela.
- Vocês não estão entendendo. - ela começou a chorar. Talvez a Sam seja um pouco dramática. Só um pouco. E só talvez. - Eu, euzinha, Sammy Bradley, nunca na minha vida, gostei de um cara. Eram ELES que sempre gostavam de mim. EU sempre era meio que a dominante, sabe? A que comandava qualquer tipo de relação que EU quisesse ter com o cara, e isso sempre me deixou segura e confiante... Mas agora... - ela fungou, coçando os olhos - Agora não mais. Agora eu me sinto submissa àquele macaco prego albino dos infernos. Sou eu quem tá gostando, e ele... Ele fazia tudo isso... Sempre andava segurando minha mão, me beijava com carinho, e ele é um Deus grego na cama. Agia como se fossemos namorados, só que ele nunca pediu pra namorar comigo, ou disse as três palavras. - fungou de novo. - Isso significa que eu gosto dele diferente do jeito que ele gosta de mim... Eu gosto dele de um jeito bem maior e mais forte. - ela começou a chorar mais abertamente, de uma forma manhosa, com as mãos no rosto.
- Oooown, Sam, vem cá. - Flor a puxou fazendo com que ela deitasse a cabeça em seu colo, e acariciou os cabelos dela.
- Não fica assim, Sam... - Lia foi consolá-la e eu pigarreei.
- Desculpa, Sam, mas você está redondamente errada. - Todas olharam pra mim ao mesmo tempo, meio espantadas. Foi até engraçado, e eu dei uma risadinha. - É sério. Olha, o Danny gosta sim de você. E muito, se quer saber. Ele só é meio tapado e precisa de um chute, como o que certamente será dado hoje nele, pra chegar logo em você.
- O que você quer dizer com "um chute, como o que certamente será dado hoje nele"? - ela perguntou dengosa.
- Eu quero dizer que, meu bem, eu conheço meus amigos e meu namorado e eu sei que eles vão encher o saco do Danny, porque eles sabem melhor do que ninguém o quanto o Danny está caidinho por você, e também sabem o quanto o Danny é lerdo. Ou seja, eles vão atazanar o coitado até ele falar logo com você, então seu problema será resolvido rapidamente.
- V-você tem certeza? - me perguntou chorosa.
- Tenho, anjinho da Bebela. - Falei, colocando um biscoito na boca em seguida.
Sam sorriu e se levantou. Sabíamos que ela iria ao banheiro lavar o rosto, e foi o que ela fez.
- Bela, você tem certeza do que você acabou de falar, né? - Soph perguntou, meio preocupada.
- Olha, vou te falar que, assim, certeza, certeza meeeesmo, eu não tenho não, mas... Vou ter daqui a cinco minutos. - Eu deu uma risadinha mais forçada que cocô de prisão de ventre e fui correndo até meu celular. Peguei e fui pro meu quarto, discando os números conhecidíssimos pelos meus dedos.
- Oi, amor! - Ele atendeu todo felizinho.
- Thomas, o que vocês estão fazendo? - eu estava meio apreensiva...
- Estamos implicando com o Danny, por quê?
- Implicando com que argumentos?
- Que ele é veado porque ainda não pediu pra namorar com a Sam. - respirei aliviada.
- IGUAL A UMA CERTA PESSOA QUE EU CONHEÇO QUE FICOU TREZE, T-R-E-Z-E, ANOS PRA SE DECLARAR PRA...
- Cala a boca, Danny! - Oooown, adoro quando eles ficam falando isso na minha frente, tenho vontade de agarrar o Tom...
Dei uma risadinha antes de continuar.
Dei uma risadinha antes de continuar.
- Bom, amor, tenho que desligar. Curta sua noite e não me traia com nenhum deles, tá?
- Tá, vou tentar. - rimos - Cê só ligou pra isso?
- Aham...
- Merda. - ele bufou.
- Que foi?
- Vou ter que me jogar na piscina. Eu apostei com o Harry que você estava ligando pra convidar a gente pra ir pra sua casa.
- HAHAHA, se fodeu! - eu ri.
- Engraçada, você. - Tom foi irônico e eu ri mais.
- Enfim, tenho que desligar, é sério.
- Tá, a gente se vê na escola.
- A gente não vai se ver amanhã?
- AH, É! A gente se vê amanhã.
- Beijo.
- Beijo.
Desligamos. Voltei correndo pra sala e elas estavam lá falando alguma coisa aleatória. Sam estava distraída quando as três olharam pra mim como se perguntassem 'e aí, já tem certeza?' e eu respondi com um joinha discreto.
Não demorou para que começássemos de novo com o assunto 'eles'. Na verdade, tudo começou porque a Flor suspirou do nada, dizendo 'aaai, o Samuel é tão lindo'. Aí começou aquela discussão mais que RIDÍCULA de qual namorado é melhor, e o engraçado é que a Sam defendia o Danny com unhas e dentes como se ele fosse propriedade dela. O assunto mudou um pouco de rumo, até que a Flor propôs:
- Ok, então vamos fazer uma coisa. Cada uma conta de sua melhor transa com os seus namorados ou quase-namorado, no seu caso, Sam. - (Flor e suas brincadeiras. É sempre ela que inventa).Todas concordaram prontamente e eu segurei minha perna de um modo contorcionista, levantando-a e apontei pra minha tornozeleira.
- Hello-o, eu sou virgeeeeem!
- Ih, é verdade. - Flor bufou.
- Ah, você conta do seu amasso mais intenso com o Fletcher. - Lia deu de ombros e todas apoiaram a ideia, inclusive eu. Na verdade, eu tinha um pouco de vergonha, mas como elas iriam falar coisas bem piores... I don't give a fuck. (literalmente, hahahaha - os fortes entendem)
- Tá rindo de que, Bela? - Soph perguntou com as sobrancelhas erguidas.
- Nada não, é que eu acabei de fazer uma piada aqui.
- Conta.
- Não, deixa pra lá.
- CONTA AGORA, CACETE. - Sam disse autoritária e Flor deu uma risada.
- Depois eu conto. Quem vai começar?
- Começa você, já que é a história mais leve. - Soph sugeriu e eu assenti.
- Foi num dia que eu tava na casa dele. Aí os meninos tinham acabado de ir embora, o Tom inventou mil desculpas pra eles não poderem ficar por lá, e eles foram embora meio desconfiados. A gente começou a se agarrar assim que eles botaram os pés fora da casa. Ficamos nos beijando por um século, até que eu pulei no colo dele, com as pernas na cintura, sabe? - gesticulei - E ele foi me levando pro quarto, me deitou na cama, tirou minha blusa e a gente começou a se beijar mais e mais, e ele começou a dar vários chupões no meu pescoço, e eu no dele, aí ele foi beijando minha barriga e tudo mais, então eu não me aguentei e tirei a blusa dele, fiquei por cima e fiz a mesma coisa. Depois disso, ele tirou minha saia, que ainda era a do uniforme, e eu tirei a calça dele, e... - eu comecei a rir. - Foi tão engraçado porque eu tava muito excitada e ele mais ainda, e eu ficava sentido a parte íntima dele encostando na minha e ficava mais louca! ... E eu meio que perdi a cabeça na hora que ele foi tirar meu sutiã. Eu tava pouco me fodendo pro mundo, eu só queria transar com ele. Só que, do nada, a gente escutou um barulho vindo do andar debaixo e uma voz de mulher gritou 'TOM, CHEGUEI! VOU TER QUE DORMIR AQUI HOJE!'
- MENTIRA! - Lia gritou.
- JURO! Era a Dulce, a governanta dele. Ela não costuma dormir lá, só que alguma coisa tinha acontecido, eu não lembro exatamente... Cara, a gente começou a gargalhar loucamente e ele se levantou e foi correndo pro banheiro. Eu me vesti na velocidade da luz e fingi que tava jogando videogame no outro quarto. A Dulce subiu, por causa do silêncio, me cumprimentou, e tal, mas eu não conseguia parar de rir. Depois eu tive que ir pra casa, mas... é. Essa foi a vez que chegamos mais longe.
- Nossa. - Soph comentou. - Acho que alguém não é tão santinha assiiiiiiiiiiim! - elas começaram a implicar comigo e eu senti minha bochecha corar. Sorte que elas pararam logo.
- Minha vez. - Flor levantou o dedo. - Ok, foi assim. Eu tava lá, naquele frio desgraçado do Alasca, aí o Sam me cha...
- Não chama o Samuel de Sam, eu me sinto confusa. - Bradley reclamou com uma careta e nós gargalhamos.
- Tudo bem, continuando... O Samuel me chamou pra ir pra casa dele. E eu fui. Só que tava muito frio, muito mesmo. Quando eu cheguei lá, ele me agarrou sem nem dizer oi, sabe? E me beijou muito intensamente. Quando eu vi, eu já estava de sutiã e calcinha, deitada no chão e ele, de boxer, em cima de mim. Aí, ele foi descendo os beijos até minha calcinha e a tirou com os dentes, - fizemos um corinho de "uuuuh" nessa hora - ... Depois fez o melhor sexo oral da história e eu tive um orgasmo muito rápido. Eu me senti na obrigação de fazer o mesmo, então eu fiz, e ele também não aguentou muito. Pegou a camisinha, vestiu muito rápido e nós transamos animalescamente, AAAAAAAAH, não sei porquê, mas foi a melhor de todas. E eu perdi completamente o frio. COM-PLE-TA-MEN-TE.
Estou com medo, quero a minha mãe.
Brincadeira. Mas... WOW, que amigas safadas eu tenho! E, QUE NOJO, como ela deixa um garoto colocar a boca na parte íntima dela? QUE COISA NOJENTA, CREDO! Deve ter gosto de... AI, CREDO.
- Você sentiu o gosto do esperma dele? - Sam perguntou como se fosse normal. MAS QUE PORRA É ESSA? GOSTO DO ESPERMA? QUE NOJO! COMO SE ELA FOSSE FAZER MESMO ISSO...
- Senti, é normal. Também não vou dizer que o esperma dele é gostoso, né. - ela riu
WHAAAAAAAAAAAAAAAAAT? MAS O QUE É ISSO?! Nunca vou fazer sexo na minha vida. É sério.
- Enfim, agora eu. - Soph disse. - Lá estava eu, terminando uns desenhos de umas bolsas, na minha casinha, quando a campainha toca. Antedi e era o Dougie. Detalhe: a gente ainda não namorava. Ele tava com uma caixa de bombom na mão e umas garrafas de ice. Nós comemos e bebemos tudo, mas nenhum de nós ficou bêbado, porque ele nem tinha essa intenção, e trouxe pouca bebida. Do nada a gente começou a se pegar, aí ele tirou minha roupa e eu tirei a dele, só que eu tava por cima. A gente nem fez muita coisa antes do ato em si. Só umas provocaçõezinhas da parte dele, mas eu acho que essa vez só foi tão boa porque ele ficou estimulando o meu... - ela corou e deu uma risada - centro de prazer - disse com uma cara engraçada - com o dedo, enquanto me penetrava e isso foi, URGH, NÃO POSSO NEM LEMBRAR.
- UUUUH! - as meninas riram.
Nossa senhora. Essas meninas são umas safadas.
- MAS NÃO ACABOU AÍ! - ela disse rindo - Depois disso, ainda teve um rodada deliciosa de... tãtãtãtããã, sexo oral e muito bem feito. Além do nosso maravilhoso banho depois. Preciso dizer, foram quatro orgasmos, gente. Definitivamente, a melhor noite da minha vida.
- CARA, O DOUGIE É BOM MESMO, HEIN! - Lia se empolgou e deu uma gargalhada junto com Sam e Flor.
E-eu... Eu acho que eu estou um pouco impressionada. Vou fugir para as colinas, juro. Como assim 'uma rodada deliciosa de sexo oral'? Que tipo de puta ela é? Sou terminantemente contra sexo oral, e é o que minhas amigas mais gostam! QUE MEDO, CARA!
- Bom, eu não tive muito tempo com o Harry. Tem muito pouco tempo que isso aconteceu, e, na verdade, foi nossa primeira vez juntos, mas entrou pra história. - Lia começou e eu já tava com um pouco de medo. - A gente fez sexo anal.
- O QUE?! - Flor berrou e por um momento, eu me vi levantando, gritando e correndo para longe dali.
- MENTIRA, GENTE, CALMA. - Ela gritou, vendo nossas caras. AI, UFA. SÉRIO, EU NÃO CONSEGUIRIA DIGERIR...
- Cara, quase que eu te bati agora. - Sam falou com a mão no peito, como se tivesse tomado um susto terrível, o que não deixa de ser verdade.
- Pra falar a verdade, eu estava só esperando minha vez para infromar: eu e Harry ainda não transamos.
- A-HA-HA-HA-HA. Conta outra. - Soph falou. Qual é o problema deles ainda não terem feito nada? Agora é obrigado a transar assim que vê o cara?
- Fala sério, Lia, é o Harry. O Tom, tudo bem, a gente até acredita. Mas o Harry.... O Harry não. - Vendo por esse ponto, eu até concordo, mas ainda não tenho dificuldade nenhuma em acreditar que os dois ainda não fizeram nada. Pra mim é até mais fácil acreditar nisso.
- Gente, o Harry é um galinha com quem ele não desenvolve nenhum tipo de sentimento. - Ela disse, toda se gabando.
- Ah, mas... Sei lá... - Sam balbuciou.
- Sei lá nada. Pra sua informação, ele quase que pediu permissão pra colocar a mão na minha bunda.
AAAAAAAAAAAH, AÍ TAMBÉM NÃO. NESSA, NEM EU ACREDITO.
- ATÉ PARECE, THALIA. - Flor retrucou.
- Eu sou mentirosa, por algum acaso?
- Não, mas...
- ENTÃO PRONTO, FLORENCE. Eu disse que ele QUASE pediu. Ele não chegou e falou: 'ei, posso colocar a mão na sua bunda?', mas ele foi devagarinho, e me lançou um olhar super pidão antes de colocar, e eu, como boa namorada, dei um beijo cinematográfico em resposta.
- Nossa, que fofo, o Harry. Aposto que nem o Tom fez isso. Já saiu colocando a mão em tudo logo. - Soph disse, me olhando com um sorriso engraçado.
- N-não... - eu grunhi. Confesso que eu tava meio assutada e não sabia o que dizer diante de tudo. Eu preferia continuar apenas pensando aqui com meus botões...
- Que foi? Por que você tá toda quietinha? - Flor perguntou docemente.
- Nada não, tava só distraída.
- Hum... - ela sorriu de leve. - É a vez da Sam agora.
- Preparem-se, amores, porque a noite de vocês não foi NADA perto da minha. - ela sorriu maliciosa, toda se achando.
EU-ESTAVA-COM-MEDO. Pronto. Assumi. Tava mesmo. Sério, eu tava bem assustada com tudo que ouvi. Eu sabia que minhas amigas já faziam sexo pelos cantos, mas pra mim, era sempre um sexo normal, sabe? No estilo 'papai e mamãe'... Sem todas aquelas... Aquelas... Pervertidísses...
Sam's POV
Muitas mulheres inventam sexos perfeitos, animalescos, selvagem, loucos e maravilhosos pra contarem pras outras. Ou aumentam mil vezes na hora de relatarem suas transas. Mas eu não preciso disso. Eu tive a melhor transa de todas. E foi com o Danny.
- Preparem-se, amores, porque a noite de vocês não foi NADA perto da minha. - sorri.
As meninas riram e se entreolharam e eu sorri mais uma vez, com a minha melhor cara de 'sou foda'.
- Ok, também não foram quatro orgasmos como o da Soph, mas foram os melhores três orgasmos da história. - Falei e elas riram descrentes.
[Aviso, só porque eu sou legal: essa próxima cena será forte. É tudo culpa da Isadora. Ela que pediu.]
Flashback on (primeira vez entre Sam e Danny)
- Danny, eu tô com fome.
- A gente acabou de comer.
- Eu devo estar grávida... - brinquei.
- Vou ser papai!
- Idiota, a gente nunca transou.
- Não seja por isso, a gente pode resolver esse problema agora.
O olhei supostamente brava. Na verdade, eu tava me divertindo com aquele comentário.
- Eu tava brincando, Sam.
- Mas quem disse que eu quero que seja brincadeira?
Ele sorriu e começou a me beijar. Já estávamos na minha cama depois de uma seção de amassos, e ele finalmente tirou minha blusa. Senti meu corpo esquentar brutalmente e minha excitação aumentar. Danny encarou meu sutiã preto rendado e deu um sorrisinho malicioso, voltando a beijar meu pescoço e massagear minha coxa. Levou uma das mãos ao meu seio e apertou sem muita força, de um jeito que me fez arfar. Gemi em seu ouvido, estimulando-o a continuar. Ele, então, pressionou sua pelves contra a minha. Senti sua excitação e fiquei completamente fora de mim. Quase arranquei sua blusa, fazendo-o rir.
Voltamos a nos beijar e eu mordi seu lábio inferior e a Bela tem toda razão quando diz que isso é a melhor forma de provocá-los durante um beijo.
Nessa hora, Danny abriu os olhos, me olhando profundamente. Encarei sua bela íris azul e me perdi ali por um momento. Voltei a terra quando senti senti sua mão desabotoando meu short. O ajudei a tirar, tirando minha calcinha junto, e logo depois fiquei brincando com o zíper de sua calça, já sentindo sua excitação bem presunçosa encostar nos meus dedos. Tirei a peça de roupa quase ao mesmo tempo que vi Danny desabotoar o fecho do meu sutiã.
Seus lábios, então, tomaram um novo rumo. Foram se divertir um pouco com meus seios, me fazendo quase explodir de excitação. Arranhei levemente seu abdômen, puxando-o para me beijar. Eu precisava disso.
Troquei as posições, ficando por cima. Beijei todo o peitoral dele, e desci meu lábio até o elástico de sua boxer. Dei uma lambidinha na região e vi sua pele se arrepiar.
Desci a peça de roupa lentamente e vi seu membro rígido. Envolvi a base com a mão e a glande com a boca, masturbando-o lentamente.
Danny colocou a mão sobre a minha cabeça, agarrando meus cabelos para guiar meus movimentos e eu quase sorri.
- Sam... Eu não vou mais aguentar. - Jones vociferou depois de um tempo, me olhando atentamente. Sua expressão era de sofrimento.
- Não tem problema. - Continuei meu trabalho até ele gozar, por fim. Sorri pra ele que puxou meu rosto, me beijando. Ficamos nos beijando por mais um tempão e minha excitação continuava lá. Até que, do nada, senti Danny me penetrar com dois dedos. Ele fazia movimentos rápidos que me causavam gemidos quase mudos e abafados por sua boca. Também não demorei para chegar ao orgasmo. Agora, tudo que eu queria era tê-lo, de fato, dentro de mim, mas eu sabia que ele precisava de mais alguns minutos até estar pronto pra outra. Homens...
Voltamos a nos beijar, mas logo Danny levou seus lábios aos meus seios, novamente. Depositava beijos languidos e quentes na região, e eu estava completamente arrepiada. E muito, muito excitada.
Ele foi descendo os beijos bela minha barriga, até chegar da minha coxa, onde ele massageou e beijou com intensidade. Até que seus beijos subiram um pouco até minha intimidade. NOSSA. Danny está tentando me matar.
Sua língua fazia movimentos circulares e precisos contra meu clitóris e eu estava morrendo aos poucos. Eu gemia e agarrava o lençol da cama descontroladamente. Mordia meu lábio inferior na tentativa de abafar os gemidos, mas era impossível. Ele era realmente muito bom naquilo. Tiro meu chapéu.
- D-danny... - Grunhi quando senti meu corpo ser tomado por uma onda de calor e prazer absurda. O que era aquilo? Um orgasmo ninja? Não sei, só sei que foi o melhor de todos. Ele sorriu orgulhoso, e eu acho que agora ele já estava pronto pro ato final.
Estiquei o braço alcançando minha mesinha de cabeceira e, obviamente, tinha camisinha ali.
Estiquei o braço alcançando minha mesinha de cabeceira e, obviamente, tinha camisinha ali.
Vesti o preservativo nele que me olhou divertido.
- Danny... - sussurrei no ouvido dele. - Eu preciso me virar.
Ele me olhou sem entender, e só então percebeu que eu queria virar de costas. Pra falar a verdade, eu fiquei de... er... de quatro. Danny arregalou um pouco os olhos mas não demorou para consumar o ato. Ele me penetrava com velocidade, segurava minha cintura e gemia meu nome algumas vezes, assim como eu gemia o dele. Rapidamente, Danny chegou em seu ponto máximo, mas aguentou firme até eu chegar no meu, uns segundos depois.
Caímos na cama completamente exaustos e ofegantes. Ele me deu mais um beijo carinhoso e sorriu.
- Sam você é... Você é muito boa. - ele respirou fundo e eu ri.
- Você é muito melhor do que eu pensava. E olha que eu tinha expectativas altas. - ele sorriu e me deu um selinho. Depois se levantou, foi ao banheiro e demorou um pouco lá. Voltou e se deitou comigo, me abraçando, e então dormimos. Eu não sonhei com ele, mas dane-se. Pela primeira vez na vida a realidade tinha sido melhor que a fantasia.
Flashback off
- Eu tô...
- Pasma. - Lia completou o que Flor ia dizendo.
- Meu Deus, vocês, hein... - Soph disse, mastigando uns biscoitos e eu ri.
- Somos foda. - me gabei e elas riram.
Menos a Bela. Acho que ela estava distraída com alguma coisa. Odeio quando ela não presta atenção no que eu digo...
Sam's POV off
Agora sim: Eu quero a minha mãe.
De quatro? Como assim de quatro? COMO ASSIM DE QUATRO? O QUE É ISSO? UM BORDEL?
Eu não conseguia nem olhar pra cara delas de tão... assustada? É, assustada. De tão assustada que eu tava. Eu só conseguia olhar para um ponto fixo no chão e mastigar meus cookies.
Elas acabaram de ME FAZER TEMER SEXO. SÉRIO. Eu tô aqui me achando super criança, porque eu sou a única que achava que só prostitutas faziam essas coisas, sou a única que achava que isso só existia em filme pornô, sou a única que achava sexo oral uma coisa feia, sou a única que acho que masturbar meninos é uma coisa super vulgar e auto-desvalorizante, EU SOU MESMO UMA SANTA, AQUI.
Caraca, WTF was that? Eu nem sei o que pensar. Não sei o que pensar. Quero minha mamãe. Dane-se seu eu faço dezoito daqui a uma semana.
CARACA, EU FAÇO DEZOITO ANOS DAQUI A UMA SEMANA!
- CARACA, EU FAÇO DEZOITO ANOS DAQUI A UMA SEMANA!
- Nossa, aloka. - Soph disse rindo.
Provavelmente, eu tinha mudado de assunto do nada.
- Eu já estava estranhando o fato de você não fazer a contagem regressiva. - Lia comentou.
- EU TAVA NO MUNDO DA LUA, NESSES ÚLTIMOS DIAS! NEM PERCEBI QUE MEU ANIVERSÁRIO TAVA CHEGANDO!
- Na verdade verdeira, seu aniversário é daqui a oito dias. Segunda-feira, honey. Sua sorte é que não vai ter aula em nenhum dia da semana.
- Vou dar uma festa. - decidi. - Lia, vê isso pra mim?
- Vejo, amoreco. - Ela disse. - Vai querer que tipo de festa?
- BAILE DE MÁSCARA DO SÉCULO XIX! - Gritei.
- Não, super manjado. - Soph opinou.
- Verdade. FESTA À FANTASIA! - gritei de novo.
- Nããão, mais manjado ainda. - Lia disse, abando o ar.
- Então... deixa eu pensar... FESTA DO SINAL!
- Pra todo mundo descobrir que você e Tom estão namorando? - Flor perguntou com uma sobrancelha erguida.
- Ai, é verdade.
- Pera aí. Como é festa do sinal? Boiei. - Sam falou e nós rimos.
- Festa do sinal é aquela com as três cores do sinal: verde, vermelho e amarelo. Quem vai de verde tá solteiro. Vermelho é comprometido e amarelo é enrolado. - Lia explicou e ela balançou a cabeça em sinal de que compreendeu.
- Faz uma festa normal, cara. - Soph disse.
- Ah, não, festa normal tá muito mais que manjado. - Falei.
- Então não faz festa, porra. - Sam se estressou e nós rimos.
- TIVE UM IDEIA MELHOR. - exclamei. - Vou viajar pra Essex com o Tom e aproveitar pra contar pros meus pais que eu to namorando com ele. Vocês podem vir junto. O Tom já tava querendo visitar a família, e os meninos também vão querer.
- OWN, EU AMEI. - Lia disse. - Tô com saudade da minha mãe, vou aproveitar pra visitá-la.
- Eu também! - Sam berrou nos nossos ouvidos.
- Minha mãe vai estar na Espanha, mas eu vou. - Soph deu de ombros.
- Contem comigo. - Flor disse por fim.
- Ok, então eu faço uma festa de família mesmo, lá na casa da minha mãe. Gente... posso compartilhar uma coisa que eu acabei de pensar e que me deu muito medo?
- Pode, nenenzinha. - Lia disse, me abraçando de lado.
- O Tom vai ter que contar pra mãe dele e eu tenho um pouco de medo da minha sogra. Ela nunca gostou muito de mim...
- Ah, Bela! Para de besteira! Medo da Debbie? Fala sério. - Sam riu.
- É mesmo, e o máximo que ela pode fazer é uma cara feia. Nada que possa ameaçar um fio de cabelo do seu relacionamento com o Linduxo Fletcher. - Flor brincou.
- Duas coisas. Um: pare de chamar ele de Linduxo Fletcher. Só eu tenho autorização para fazer isso, e ele não pode saber, porque esse apelido é horroroso. Dois: Agora meu relacionamento tem cabelo?
Elas gargalharam e eu ri junto. Depois, disso, foi bem engraçado: a gente dormiu. Mas foi do nada. Um segundo depois a gente tava lá jogadas no tapete fofinho da sala, dormindo feito pedras.
Eu estava lá há horas. Cansada de esperar. Já estava morrendo de vontade de ir embora, e morrendo de raiva dele por ter me feito ir até aquela merda de praça, com um quilo de paparazzis achando que eu não sabia que eles estavam atrás das moitas e alguns repórteres tomando sorvete.
Fala sério, quem não sabe que eles estavam lá pra me perseguir? Eu só não entendia o porquê, já que eu não tinha sido alvo de nenhum escândalo recentemente.
Enfim, eu estava prestes a ir pra casa quando vi uma carruagem se aproximar.
JURO.
Tinha uma carruagem guiada por um senhor bonitinho e barrigudinho, de cabelos grisalhos e um óculos charmoso, que sustentava um belo sorriso, muito apertável.
Todos começaram a se aproximar, alguns sacaram câmeras de suas bolsas pensando ser alguma passeata de entretenimento para as crianças, os paparazzis se revelaram e os repórteres tomaram seus postos. Decidi ficar apenas para ver o que ia acontecer. Curiosidade.
E então... QUEM É QUE SAI DE LÁ?
ELE.
THOMAS. MICHAEL. FLETCHER.
O meu namorado.
Lindo e maravilhoso, parecendo um príncipe. Sério, quase gritei. Então os flashes dispararam.
Ele estava com um sorriso galanteador e me olhou de uma forma que me fez tremer. Ai, Tom...
- Minha princesa. - ele disse, se aproximando. - Desculpa mas o Billy teve problemas no transito. - ele falou apontando para o Senhor na carruagem. Eu já tinha me esquecido da raiva e só conseguia o olhar de uma forma abobalhada, sentindo minhas bochechas corarem. - Eu chamei a imprensa aqui, e escolhi esse lugar bem público porque eu quero que o mundo saiba o quanto eu amo você, e quero que o mundo ouça o que eu tenho a te dizer.
Ele se ajoelhou e senti como se fosse desmaiar a qualquer momento.
- P-pode dizer... - minha voz saiu trêmula e embasbacada.
- Bela, o que eu... o que tenho a te dizer é... - ele tirou uma caixinha preta de veludo do bolso. - é... - ele parecia nervoso e eu respirava rapidamente, de uma forma bruta, e ansiava pelas sua palavras. Ele pigarreou e o silencio pareceu assustador. Senti um coisa confortável na minha cabeça, mas não entendi aquela sensação, então ignorei.
ANDA, TOM, DIZ LOGO!
Eu gritava mentalmente, sentindo que alguma coisa iria dar errado.
- Isabela Johnson, o que eu tenho a te dizer é... Timmy é um garoto bom, mas tem que aturar...
- Ahn? O que? - Não entendi nada. Só sei que pude sentir melhor ainda algo confortável sobre minha cabeça e identifiquei como sendo um travesseiro. Mas porque tinha um travesseiro na minha cara? Então tudo foi ficando longe, até que percebi que meu celular tocava sobre a cômoda.
- AI, PUTA QUE PARIU. NÃO PODIA ESPERAR EU NOIVAR? MAS QUE MERDA! - Bufei sem abrir os olhos e peguei o celular as cegas. - Quem é? - Respondi toda agressiva. A pessoa que estaria me ligando àquela hora, naquele exato segundo, tinha destruído meu sonho então merecia um resposta malcriada. Tô nem aí pra quem era.
- Iiiiih, te acordei do seu soninho de beleza, foi, amor da minha vida?
- ACORDOU. EU IA NOIVAR, SABIA? Você destruiu tudo. Não podia esperar só o 'quer casar comigo' ? Você me acordou bem nessa parte!
- Awn, desculpa, linda. Posso saber com quem? Eu mereço saber, né?
- Não vem ao caso. Você saberá logo... - dei uma risadinha e escutei uma risada do outro lado da linha. Cocei os olhos e rolei na cama, ficando de bruços.
- Ok, é bom mesmo. Bom, minha linda, liguei pra saber o que você vai fazer no seu 'niver'.
- Não fale assim, me envergonha. - resmunguei.
- HAHAHA, desculpa, amorzinho.
- Você só fala desse jeitinho fofo comigo, quando está longe, não é? Quando está perto, não tem essas palhaçadas.
- Ué, eu faço isso pela sua imagem. Não pega bem eu ficar falando assim perto dos outros, certo?
- Certo... - ri.
- Dá pra responder minha pergunta? Vai fazer o que no seu aniversário?
- Eu combinei com as meninas de viajar. Adivinha pra onde?
- Jamaica! Brincadeira. Não faço a menor ideia.
- PRA SUA CASA, ÊÊÊ!
- Sério?! Oh, adorei!
- Vou dar uma festa pros mais íntimos.
- Vai ficar quanto tempo aqui?
- Uns... OUTCH! PORRA, SAM! - Gritei ao levar uma travesseirada que quase doeu. Mas abri a boca quando vi quem foi. - FOI VOCÊ, SEU CRETINO! - Taquei o travesseiro de volta nele, que pegou com destreza, jogou na cama, se jogando em cima de mim em seguida, e beijando meu pescoço. - Para com isso, Tom! - eu disse rindo, e meio sufocada com o peso sobre mim.
- Tom? O Tom tá aí? - minha mãe perguntou, incrédula.
- Tá. Você sabe que a gente está se falando de novo, não sabe?
- A Sam me contou mas eu não acreditei! MEU DEUS, VOU DAR UMA FESTA AGORA!
- Para de bobeira, mãe. Enfim, respondendo à sua pergunta: Vou arrastar a galera toda pra Essex comigo - Tom ficou surpreso ao ouvir. - E vou ficar uma semana por aí.
- Isso é ótimo! Vou preparar as coisas. Te amo, e tô com muita saudade.
- Também. Amo você.
- AH, NÃO DESLIGA, DEIXA EU FALAR COM O TOM!
- Tom, minha mãe quer falar com você. Não conta nada da gente por enquanto. Quero conversar com ela depois, com calma.
- Tá. - ele disse rindo e pegou o celular da minha mão. - OI, SENHORA JOHNSON! ... Eu também!... Sim, pois é... Um pouco.... Sério?!... Não, não... Pra senhora também... - ele riu, todo lindo. - Manda um abraço pra ele e diz que eu tô com saudade... Pode deixar... Aham... Eu já tó fazendo isso... Aham... Muito... Eu também, um beijo... Até daqui a alguns dias! - ele desligou, rindo. - Minha sogra me ama.
- Percebeu isso só agora? - Eu ri, me levantando e indo pro banheiro. Fiz minha higiene matinal e prendi o cabelo num coque mal feito. - Quem te deu permissão pra invadir minha casa?
- Ahn, você mesma. Você dorme demais, sabia? Já tá todo mundo lá na sala há um século. - dei de ombros.
- Sabe, namorados normais acordariam as namoradas com um beijo ou um carinho, e não com uma travesseirada! - protestei e ele riu, pegando minha mão e me arrastando até a sala.
- Só que você já tava acordada!
- Mas eu duvido que você iria me acordar de uma forma diferente, seu troglodita. Nem parece o Tom dos meus sonhos... - Comentei vagamente e ele olhou sem entender. Dei de ombros e pulei no sofá entre Harry e Lia que começaram a me bater por isso.
- Ai, ai! Isso dói, vagabundos! - Reclamei me levantando.
- Então não destrói nosso ninho de amor! - Harry disse de um jeito engraçado e eu ri.
- Tom, me faz um favor? - pedi e ele me olhou como se solicitasse que eu prosseguisse. - Aumenta ali o aquecedor que eu tô congelando. - ele assentiu com a cabeça e caminhou até o aquecedor, aumentando-o.
- Cadê o controle? - Flor perguntou.
- Do aquecedor? - Sam se meteu. - Eu perdi. - ela deu de ombros e eu concordei com a cabeça.
- Invadem minha casa, usufruem dos meus bens, e ainda perdem meus objetos. - Resmunguei, me jogando novamente no sofá, dessa vez ao lado de Danny. Tom se sentou do meu lado e nós começamos a conversar sobre qualquer coisa.
- AH, GENTE, LEMBREI. - Soph gritou. - A gente vai viajar no aniversário da Bela.
- AH, É! Me explica essa história. - Tom pediu, se ajeitando no sofá.
- Oh, sim. - pigarrei. - Vamos todos passar a semana em Essex. As meninas vão rever a família...
- Na verdade só eu e Lia. - Sam me consertou e eu assenti.
- Isso. Elas vão rever a família, e eu também, né... Quero ver meus primos, tios, meus avós, contar que eu estou namorando, e tudo mais...
- PÁRA, PITUQUINHO! - Lia gritou do nada e todo mundo olhou pra ela. - Que é? ele tava me cutucando! - ela apontou pro Harry.
- PITUQUINHO?! - Gritei. - AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!! - Ri muito. Pituquinho? que merda de apelido é aquele? PITUQUINHO? HAHAHAHAHAH, só rindo mesmo.
Todos riram junto, óbvio. Lia ficou emburrada e Harry, envergonhado. Ele ria junto, mas estava claramente envergonhado. Nada se compara ao Danny. Ele se jogou no chão de tanto rir, e eu não sabia se ria dele, ou do PITUQUINHO.
- Que foi? - Lia disse, irritada. - Como se vocês não tivessem apelidinhos pros seus namorados também!
- Não temos nada tão escroto quanto "pituquinho"! - eu disse rindo e todas elas me olharam.
- Ah, não? - Lia perguntou sarcasticamente com uma cara má.
- E quem é Linduxo Fletcher? - Flor perguntou e eu quase fui lá bater nela. Na verdade, eu fui lá bater nela.
- EU FALEI QUE NÃO ERA PRA ELE SABER DISSO, SUAS VACAS!
- E o MÔZI, quem é? - Sam foi igualmente escrota e Sophia mandou o dedo pra ela.
- Môzi? - Harry perguntou.
- Terceira variação de 'amorzinho'. - Lia respondeu. - a segundo é 'mozinho' e a terceira é 'môzi'.
- Mas môzi é bem melhor que Linduxo Fletcher e pituquinho! - Soph se defendeu e eu me levantei, fazendo pose de barraqueira.
- Olha aqui. Eu não chamo o Tom de Linduxo Fletcher, ok? Aquilo só foi um deslize. Um pequeno deslize, porque, PORRA, ELE TAVA MUITO LINDO NAQUELA FOTO, TÁ? ME DEIXEM. - expliquei, voltando pro meu canto: agarrada ao escroto do Tom, que ria até a alma.
- E eu também não chamo o Harry de pituquinhho... Só às vezes, né, pituco?
- Ah, claro. Você alterna. Pituquinho e pituco. - Soph zoou e todo mundo voltou a rir.
- CALA BOCA, "MÔZI''. - Lia bufou e nós gargalhamos mais.
- E a Flor, que chama o Samuel de PRINCESO?! - Já informei que a Sam é muito escrota? - REPETINDO: PRIN-CE-SO. Olha essa merda! - A Sam é muito escrota. Deve ser por isso que é minha melhor amiga. Todos voltaram a rir e Flor afundou a cara numa almofada.
- Paaaara, gente! - ela pediu, dengosa.
- Só a Sam que ainda não me deu nenhu... - Danny parou quando viu a merda (mais fofa do mundo) que ia falar.
- O que você ia dizer, Danny? - Sam, a escrota.
- Nada.
- Eu sei o que você ia dizer. - Ela deu uma risada sarcástica. Todos já estava em silêncio vendo a cena. - Você ia dizer que eu ainda não te dei um apelido. Mas eu dei sim. Dei vários. Macaco albino, babuíno descerebrado, macaco prego, burro, lerdo, anta quadrática, gorila branquelo, neandertal, ameba estúpida, salsicha de frango...
- SALSICHA DE FRANGO? - Dougie disse, rindo.
Quem não estava rindo? Só o Danny mesmo. E a Sam, claro.
- É, salsicha de frango.
- Eu disse que o Danny era broxa. Agora a Sam só confirmou. - Harry comentou e nós, meninas, seguramos o riso. Quer dizer... Elas seguraram, porque eu senti só um desconforto ao lembrar de ontem...
- Pois é, ele é completamente broxa. Uma salsichinha de frango mesmo... Bem molenga. E murcha. - Ela disse, cruel.
Depois disso, Danny ficou quieto, na dele. Não sei porque ela tinha feito isso, e não sei porque ele tinha reagido daquela forma e não disse nada... Não sei porque ele ficou o resto do dia quieto... Só sei que, depois, todos foram embora e eu fui dormir.
Acordei, segunda feira, essa semana seria corrida. Era a semana do trabalho. Tom iria passar bastante tempo com a Katy, o que me irritava um pouco, mas eu não deixava transparecer.
O parceiro de trabalho do Danny era um amigo gay nosso: o Brian. Sam riu muito quando descobriu.
Harry trabalharia com uma das líderes de torcida gostosas. Ele já tinha ficado com ela. Lia não demonstrou ciúmes quando descobriu, mas eu sei que ela estava. Nós, mulheres, somos boas em esconder às vezes...
Soph era ciumenta, isso todo mundo sabia, sorte a dela que Sarah, a parceira do Dougie, era, tadinha, mais feia que a bunda da minha avó (que não é nada bonita).
Como eu disse: a semana passou voando. O que aconteceu de interessante? Bom. Eu e Sam ganhamos segundo lugar no trabalho. O primeiro lugar foi para um grupo de nerds e eu me senti O MÁXIMO por ter ganhado o segundo lugar. A outra coisa interessante é que, como o Tom não deu a mínima pra Katy e ela tomou um ódio absurdo de nós dois. Além disso, saíram mais fotos minhas com o Tom na internet. Mas nada que pudesse nos comprometer. Eram todas de nós dois conversando ou coisa do tipo. AH! ISSO ME LEMBROU DE UMA COISA: QUINTA FOI UM DIA LEGAL PRA SOPH!
Flashback on (ontem)
Eu estava voltando da escola a pé. Queria andar. Eu sei que várias pessoas iriam me parar pra tirar fotos e autógrafos, mas eu não estava nem aí. Ultimamente tenho feio muito isso, por isso tantas fotos minhas com o Tom pelas ruas.
Enfim, eu tava voltando pra casa quando pensei numa coisa: EU NUNCA VISITEI A SOPH NA DROGA DO STARBUCKS! E EU A PROMETI QUE IA!
Fui andando apressada até lá e passei por um jornaleiro quando uma foto chamou minha atenção: Soph e Dougie de mãos dadas na rua. Como um casal. E essa era a foto menor porque na capa da revista, a foto era de um selinho entre os dois. Mas o que mais me chamou atenção não foi aquilo...
A starbucks era logo na frente e eu atravessei a rua correndo. Entrei na loja e todo mundo me olhou.
- SOPH! - falei alto, mas ela não estava ali. - Oi, cade a Soph?! - perguntei exasperada a uma menina que estava no caixa.
- E-ela... Ela... - a menina tava meio gaga, e eu tava ficando impaciente.
- Bela? - Olhei pro lado, e ela estava saindo do banheiro. Fui correndo em sua direção. A gerente da loja estava me olhando com a boca entreaberta, meio pasma.
- Se importa se eu roubá-la um pouquinho? É só um minuto, eu juro! É urgente! - Pedi a gerente que apenas balançou a cabeça positivamente. - Vem!
A puxei pela mão e nós saímos da loja correndo.
- O que foi Bela?! COMO VOCÊ CONSEGUIU CONVENCER ÀQUELA BRUXA DE ME DEIXAR SAIR?!
- Cala a boca e olha... isso. - Apontei.
- "O astro Dougie Poynter está saindo com uma atendente da starbucks?" - Ela leu a manchete. - Não acredito.
- E agora?
- Não sei... E-eu... Eu tenho que voltar pro meu trabalho, eu...
- Calma, você quer que eu ligue pro Dougie?
- Quero... - Voltamos para a loja e eu sentei numa mesinha do fundo.
- Dougie?
- Oi!
- Você já viu as revistas e a internet? O Fletch já te ligou?
- O que aconteceu?
- Tô vendo que não...
- DOUGIE, O FLETCH TÁ QUERENDO FALAR COM VOCÊ - A voz do Harry ecoou e eu ri.
- Pois é. Vá falar com o Fletch. Só espero que você esteja disposto a assumir pro mundo que você está namorando uma atendente da starbucks. - disse ironicamente.
- O que?!
- Vai falar com o Fletch, depois me liga. Soph não pode atender agora, está no trabalho, não adianta ligar. Eu vou estar com ela, então me liga. Beijo.
- Beijo...
Algum tempo depois...
- Alô!
- Oi, Bela...
- E aí?!
- Eu não tenho problema nenhum em assumir. E vou ter que fazer isso.
- Acho bom mesmo... Mas também, né, seus idiotas... Como vocês se beijam no meio da praça?!
- A gente já fez isso várias vezes e nunca fomos pegos... Não achei que...
- Vocês são idiotas, isso sim. Mas eu também não vejo nenhum problema em assumir tudo logo.
- É... Fala pra ela relaxar, aposto que ela tá pirando...
- É, ela tá.
- Acho que vou aí.
- Beleza. Vamos tomar um cafezinho como nos velhos tempos.
- É. - ele riu. - Até mais, beijos, gatchenha.
- Beijos, gatchenho.
Ele, e para a minha agradável surpresa, Tom, chegaram lá rapidamente e entraram. As atendentes ficaram ouriçadas e Sophia só faltou morrer.
- Oi, amor. - Ele disse pra ela, que estava no caixa, e todo mundo olhou muito mais que embasbacados. Eu e Tom nos entreolhamos e demos uma risada. - Quero um frapuccino de chocolate. - ele pediu sorrindo.
- Dois. - Tom disse.
- Ok... - ela ainda estava meio nervosa. Anotou os pedidos.
- Nossos nomes são Margareth e Margô. - Dougie disse e eu soltei uma gargalhada junto com a Soph.
Minutos depois estávamos os três bebendo nossos cafés e fazendo bagunça na mesa. Soph só ria da gente.
- Tchau, babe, desculpe atrapalhar. - eu disse, dando um beijo na bochecha dela.
- Ah, me esperem! Meu expediente acaba em cinco minutos. Hoje foi só meio. Não teve aula na faculdade e eu vim trabalhar só de manhã. - Ela pediu e nós decidimos esperar. No final, fomos embora todos juntos. Quando estávamos na porta da loja, Dougie deu o maior beijo de cinema na Soph bem na frente de todo mundo. Quase que eu aplaudi.
As outras meninas que trabalhavam lá só faltaram desmaiar. HAHAHA, EU RI.
O beijo já tava demorando demais e eu e Tom já estávamos com inveja, digo mesmo. Então, eu tomei a linda atitude de colocar a mão na testa dos dois e separá-los.
- Acho digno vocês continuarem isso depois. - Falei e eles riram. Soph pegou a mão do Dougie e depois pegou a minha. Eu ri e nós fomos andando, e Tom tava super excluído, coitado. Então eu soltei a mão da Soph e fui andar ao lado do Tom, sem que tivéssemos qualquer contato.
Nós quatro fomos andando até que um paparazzi maluco apareceu.
- Passeio em casal?! - Ele perguntou com uma cara engraçada, tirando fotos.
- Bom, eu estou passeando com a minha namorada. Os outros dois ali, eu não sei. - Dougie pilantra) soltou uma risadinha enquanto dava de ombros e Soph gargalhou. Continuamos andando, ignorando as fotos, até chegarmos no meu prédio. Os seguranças barraram o paparazzi e nós entramos tranquilamente.
- Dougie, você é louco. - Ela comentou, com uma voz aveludada.
- Louco p...
- Se você falar 'louco por você', te dou dois tiros de bazuca. - Ameacei e os três riram.
- Deixa ele ser romântico, coitado! - Tom me deu um tapinha no braço e eu mandei o dedo pra ele.
- Mas é sério, ignorem-nos ok? - Soph disse olhando pro Tom e pra mim, depois se virou pro Dougie, abraçando- o pelo pescoço. - Mas, hein, môzi, em comemoração a esse momento, a gente deveria ir pra minha casa e...
- É. - ele concordou maliciosamente, cortando-a, e eu escondi o rosto no peito do Tom, com um certo medo/vergonha/medo/constrangimento/medo daquilo. Ele só riu da minha cara.
- Seus nojentos. - resmunguei.
Flashback off
Adivinha o que aconteceu hoje, quando passamos nas bancas? Fotos e mais fotos do acontecimento. Na escola, só se falava disso. Na internet, idem. Algumas fãs ameaçaram cortar os peitos da Soph. Outras falaram que ela era bonita, então tudo bem. Foi legal.
Harry disse que assumiria em Essex. Que andaria com a Lia pelas ruas sem nem ligar e a beijaria bem na frente de todo mundo. Achei fofo. Tom disse que ia fazer isso também, mas eu cheguei e disse 'nananinanão'. Ele ficou reclamando no meu ouvido e eu nem liguei.
Onde estamos agora? Chegando em Essex. Mais precisamente, na rua da minha mãe.
Só os meninos foram de carro. Tom e eu no dele; Sam e Danny no do Danny; Flor, Lia e Harry no do Harry e Dougie e Soph no do Dougie.
Meu pais morava em Southend, assim como a tia Selly e o tio George (pais da Sam), tia Fern e tio Robert (pais da Lia), tia Rachel e tio Kurt (pais da Soph), e, por último mas não menos importante, Debbie e Bob (pais do Tom).
Os pais do resto - Danny, Doug, Harry e Flor - se mudaram com seus amados e lindos filhos para Londres.
Tom embicou o carro na entradinha e tocou o interfone.
- CHEGARAM? - A voz da minha mãe eccou afoita pelo aparelho e portão já foi se abrindo. Tom riu e respondeu:
- CHEGAMOOOOOS! - entramos todos com os carros. Ai, que saudades de Essex. Esse cheiro, essa vista... Que saudade!
A casa (#) dos meus pais continuava a mesma coisa. Nós entramos e deixamos a mala num canto. Fomos agarrados com vigor por todos que ali estavam (minha mãe, meu pai, pais da Sam e da Lia) e depois ficamos conversando durante um século lá na enorme sala.
A casa da minha mãe é meio exagerada pra ela e meu pai viverem sozinhos, mas eles gostam dessas coisas enormes, e principalmente de ter a casa cheia, por isso, era tudo aquilo. Eu nunca gostei de casas enormes, mas era incrível como eu amava aquele lugar.
A melhor parte da conversa foi quando a Thalia e a Soph contaram que estavam namorando, AHAHAHAHAHAH.
Flashback on (alguns minutos atrás)
- Gente, eu e Harry precisamos fazer um comunicado.
Todos nos entreolhamos. Harry suava frio. Deve ser porque ele não conhece bem o tio Robby. Se conhecesse...
- Nós dois estamos, er, juntos. Tipo, namorando. - Ela disse com um leve sorriso e Harry não parecia bem.
- Jura?! - Tia Fern exclamou boquiaberta e logo depois sorriu batendo palminhas, assim como a minha mãe e a mãe da Sam.
- Qual Harry? - O pai dela perguntou com cara de policial do mal e o Harry engoliu seco
- E-eu... - ele murmurou nervoso e sorriu (muito falsamente, diga-se de passagem).
- Você?
- Sim...
- Thalia, você está namorando com ele? - Tio Robert continuava com aquela cara de Darth Vader...
- Pai, quer parar com isso?
- Coitado do pituquinho, né? - ZOEI, HAHAHHAHAHAHAHAH
Todos riram. Todos que entenderam, né...
- Bom, rapaz, - ele continuou - se você conseguir aguentar uma garota como a Thalia, posso garantir que você terá um fã número um. Boa sorte. - Robert avisou bem humorado, depois riu.
Harry ficou tão aliviado, mas tão aliviado, que até fez xixi nas calças. Brincadeira, mas ele tinha ficado com medo, tenho certeza. Ele até fez aquela cara de cu dele de quando espera alguma coisa ruim, tipo uma cara meio séria... É engraçado. Ai, ai... Tadinho.
- Gente, eu e Dougie também precisamos fazer um comunicado. - Soph usou as mesmas palavras de Lia, e todo mundo na sala riu, já sabendo do que se tratava.
- A gente já sabia, tem na internet! - Tia Selly disse e Soph corou.
- Credo, meus pais sabem o que é computador. - Sam desdenhou com cara de nojo e agente riu mais.
Flashback off
A outra melhor parte foi a que acabou de acontecer: minha mãe nos chamou para lanchar... Ah, delícia.
Depois disso, os pais alheios foram embora e o combinado era que o povinho ia passar essa noite lá em casa. Foi só meus pais subirem que o Danny já foi correndo pegar as bebidas. Esse mundo está perdido...
- DO QUE VAMOS BRINCAR HOJE? - Flor perguntou toda serelepe.
- Por favor, gente, eu tenho uma imagem a zelar com meus pais. Nada de ficar bêbado até apagar. No máximo, alegrinho, ok?
- Ai, que chata. - Sam resmungou.
- Vamos brincar de desafio. - Flor sugeriu.
- Nunca escutei falar dessa. - disse Lia, se ajeitando na poltrona.
- Primeiramente, vamos todos fazer uma rodinha no chão, como sempre, por favor. - ela pediu e nós o fizemos. Os casais (inclusive Sam e Danny) ficaram lado a lado e Flor ficou entre o Tom e o Harry. - Isso, agora, peguem um garrafa vazia. - Danny esticou o braço e pegou. - O jogo é só girar a garrafa, a base indica quem vai desafiar e o bico, quem vai ser desafiado. Simples. - ela deu de ombros e todos pareceram aceitar.
- De onde você tira tanto jogo? - Dougie perguntou.
- Meu filho, lá no Alasca, você faz de tudo pra passar o tempo. Te juro.
- Imagino... - ele comentou vagamente e então, giramos a garrafa.
Soph desafia Sam.
- Eu te desafio a tomar um body shot de tequila no Danny. - ela disse com um sorriso maligno e a gente riu.
- Beleza, onde tem limão? - Sam perguntou indiferente.
- Vamos lá na cozinha. - a puxei pela mão e nós caminhamos até a cozinha. - Aposto que você tá se morrendo.
- Não to me morrendo nada. - ela negou com descaso, abrindo a geladeira e procurando um limão.
- Tá sim.
- Não tô, porra. Cadê a merda do limão? Ah, aqui. - ela pegou uns quatro limões e voltou pra sala, me ignorando. Vadia, ainda rouba todos os limões da mamãe! - Anda, vamos acabar logo com isso. Tira a camisa, Danny.
Ele o fez e deitou no sofá. Harry entornou o líquido no tronco do Danny, que já mordia sensualmente o limão.
- Pode falar, Sam, você me quer. - Danny falou meio embolado e rindo, enquanto Sam "o lambia".
- Vai se iludindo, fofo... - Ela sussurrou, chupando o limão e encostando minimamente seus lábios nos dele. - Vai se iludindo...
Sam fez cara de diva, saindo de perto e se sentando no chão novamente. Danny colocou a blusa rindo (não sei de que) e voltou para o seu lugar (ao lado dela), e então, continuamos o jogo.
Lia desafia Flor.
- Te desafio a seduzir o pai da Bela.
- EI! - Gritei.
- Brincadeirinhaaa - Lia cantarolou rindo - Bom, eu te desafio a ficar com, no mínimo, seis caras durante essa viagem.
- Amorzinho, tô comprometida.
- Dane-se. Relacionamentos a distância são sempre abertos.
- Tá bom, desafio aceito.
- Ai, que cachorragem, vocês duas... - Desaprovei.
- É mesmo, bando de piranhas... - Soph se juntou a mim e os meninos riram. Dougie girou a garrafa novamente.
- E agora? - Sam perguntou. - Desafio o Tom ou a Bela?
O bico tinha apontando exatamente para o meio de nós dois.
- Desafia os dois! - Flor sugeriu e nós aceitamos.
Só que eu fiquei com um pouco de medo quando Sam sorriu maliciosamente e cochichou alguma coisa com a Lia. Depois ela nos olhou sorrindo de novo. Coisa boa não podia ser. Ai, Jesus...
- Nossa, que medo de vocês. - Tom falou e elas riram.
- Bom, meu desafio é o seguinte. Sabe o que é chupetinha? - Sam perguntou olhando pra mim.
- NÃO VOU FAZER CHUPETINHA NÃO ADIANTA. É a coisa mais nojenta da Terra! - reclamei. - Ou uma das... - me consertei lembrando das outras coisas que se passaram na minha cabeça.
- Não pode recusar um desafio! - Flor se intrometeu e eu quase quebrei a cara dela.
- Eu não vou fazer chupetinha na frente de todo mundo! E NEM SEM SER NA FRENTE DE TODO MUNDO, FALA SÉRIO!
- Ah, Bela! Para de ser criança! - Soph resmungou.
- Você vai chupar coisas muito mais nojentas na sua vida. - Danny disse, todo profético, e eu arregalei os olhos.
- Vai mesmo. - Lia concordou e Sam riu.
- Isso se já não tiver chupado, né... - Dougie adicionou, olhando pro Danny que concordou gargalhando.
- Aí, Tom, vai deixar? - Harry perguntou também rindo.
- Eu sei que ela não chupou, né, amor? - ele falou olhando, e visivelmente prendendo o riso, pra mim e eu assenti freneticamente.
- E nem nunca vou chupar! NUNCA! Nem língua, e nem qualquer outra parte do corpo de algum ser humano. - eu disse de nariz empinado e todo mundo riu da minha cara. ATÉ A PORRA DO TOM.
- Aham, veremos... - Flor disse, com a mão na barriga de tanto rir.
- Para gente! - pedi, sendo ignorada.
- Se não fizer a chupetinha, o próximo desafio vai ser pior. - Sam ameaçou.
- Anda, Bela, para de bobeira! - Lia incentivou,
- Eu tenho nojo... - choraminguei.
- Bom saber que você tem nojo da minha língua. - Tom falou num tom ressentido.
- Own, amor, não tenho nojo da sua língua, você sabe que não. Eu só tenho...
- PORRA, FAZ LOGO BELA. - Sam gritou e eu fechei os olhos com força.
Ok. Não pode ser tão nojento.
É só uma língua... MAS LÍNGUAS SÃO NOJENTAS!
Ok, se concentra.
É a língua do Tom.
É o Tom, o Linduxo!
Eu não tenho nojo dele!
É a língua dele! Ah, isso não vai ser ruim!
- Ok, eu faço. - disse por fim e todos comemoraram.
- Isso que eu chamo de cu doce. - Harry falou e eu mandei o dedo pra ele. Me posicionei de frente pro Tom e respirei fundo.
- Mas pera aí. - Lia interrompeu. - Quem vai fazer em quem?
- Primeiro o Tom faz nela, depois ela faz no Tom. - Sam informou e eu assenti, ainda insegura.
Comecei a rir antes de colocar a língua pra fora da boca nervosamente. Fechei os olhos e senti os lábios do Tom envolverem minha língua e começarem a chupá-la lentamente. ECAAAAAAA.
Mas...
Eca não...
Pera aí...
Isso é...
É gosto!
Hum! Que delícia! Ele bom nisso, wow.
Hmmm, caramba, que gostoso!
Senti Tom aumentando lentamente a velocidade e levei minhas mão ao seu ombro. Isso é bom mesmo, é sério. Não é nojento. Quer dizer... Na teoria, é bem nojento, mas na prática, pode crer que não. É uma delícia. Nooooossa.
- Ok, ok, já chega. Agora faz nele, Bela. - Sam falou e assim foi feito.
Comecei a chupar a língua do Tom, tentando ter a mesma eficiência que ele. Depois de um tempinho, senti suas mãos na minha cintura, e continuei meu trabalho. Eu já tava achando aquilo longe de ser nojento. Na verdade, tava achando muito bom. Bom demais. Chupetinha é uma coisa deliciosa. Não é nojento e muito menos sem graça.
Pensei ter escutado alguns cochichos, mas mantive minha concentração na deliciosa língua do Tom, até que eu realmente escutei:
- Deixa eles, eles estão concentrados! - com certeza, aquilo tinha sido uma tentativa de sussurro da Sam, mas eu escutei e comecei a rir.
- Chega né... - comentei ainda rindo um pouco e Tom também riu.
- Depois cês continuam lá em cima. - Danny disse com um sorriso engraçado e bebendo um gole de não sei o que. Eu apenas ri, e então demos continuidade a brincadeira.
Coisas como... o Dougie fazendo a dança do acasalamento de forma sensual, Harry pulando (sem tirar nenhuma peça de roupa) na piscina, Lia fazendo pole dance no poste de iluminação do jardim, Flor bebendo vodca de cabeça pra baixo, Danny colocando uma cigarra na cueca, Soph comendo um ovo cru (e vomitando depois), eu tendo que trocar de roupa com o Dougie, Tom tendo que pegar um daqueles sprays rosa-fluorescente e pintar algumas mexas de cabelo, Sam dando doze chupões no Danny... aconteceram antes do último desafio da noite. 'Último' porque todo mundo já havia feito várias coisas loucas e nós estávamos com sono.
Rodamos a garrafa:
Dougie me desafia. Legal.
- Você vai ter que passar um trote, gemendo como se estivesse transando e ficar enrolando o máximo de tempo possível pra pessoa não deligar. - todo mundo gargalhou.
- Mas e se descobrirem que sou eu?
- Você diz que não é, ora. - Ele falou naturalmente.
- Tá bom - dei de ombros. Peguei meu celular e programei como número privado antes de escolher uma sequencia de números qualquer e ligar.
Não deu certo de primeira, então escolhi outra sequencia e esperei chamar.
- Alô? - Um cara atendeu e eu comecei a rir colocando no viva-voz.
- Oi? Com quem eu falo? AAAWN... awn... - comecei a gemer e suspirar, HAHAHAHAHAH.
- C-com... Ector Monroe... Quem é? - Eu ficava gemendo igual a uma avestruz no cio enquanto ele falava e todo mundo ria compulsivamente.
- M-mais rápido, mais rápido, aaawn... Er, desculpe senhor Monroe... Eu tô te ligando porque... aawn, awn... P-porque... eu sou uma profissional do.. awn, assim, continua!... - pigarrei - Do sexo e eu faço programas por telefone. Eu queria saber se o senhor não... awn, vai, vai!... Se o senhor não está interessado...
Tive que parar pra rir. Comecei a gargalhara compulsivamente e quase explodi meus orgãos por tentar fazer isso sem emitir sons. Sam já estava longe, se tacando no chão de tanto rir. Danny e Dougie estavam agarrados que nem duas maricas, rindo mais que uma hiena convulsiva, e o resto estava sentado ao meu redor, rindo mais que o necessário. Eles se mexiam de uma forma engraçada por estarem rindo muito, o que me fazia querer rir ainda mais.
- E-eu não... Não estou interessado...
- Ah, não?... aaaw, que gostoso... isso, vai!... Tem certeza, senhor Monroe?
- Quanto você cobra?
Foi aí que a vaca foi pro brejo. Danny soltou uma gargalhada tão alta, mas tão alta que até os vizinhos, que são dois velhinhos semi-surdos, escutaram. Ninguém mais se controlou. Todo mundo explodiu em gargalhadas, inclusive eu.
- Desculpa, lindo, orgasmo coletivo, sabe como é, né... Depois te ligo. Beijo! - desliguei ainda rindo muito e permanecemos assim durante alguns minutos.
- Ai, não acredito que eu vi isso! - Lia disse com uma voz fina, ainda rindo.
- Não acredito que eu FIZ isso! - falei, limpando minhas lágrimas.
- Tom, quer ir ao banheiro aliviar as tensões? - Harry perguntou e a gente voltou a rir.
- E-ele perguntou quanto ela cobrava! - Sam relembrou meio sem ar, ainda rindo muito.
- Fala sério, se eu transasse com uma mulher que geme assim, eu ia mandar ela se juntar a um rebanho de cabra, cruz credo, Bela... - Soph disse, matando o último gole de Heineken.
- Desculpa se eu ainda não sei como se geme durante o sexo, ok? E pode crer que eu não vou gemer assim. Acho a pior coisa do mundo gemer com essa voz de cabra. Parece que eu to amputando a perna e não transando.
- Concordo. Eu gemo decentemente, sabe? Sem essa voz de Barbie e o lago dos cisnes. - Sam disse, ajeitando os cabelos, se recompondo.
- Também planejo gemer assim. - concordei, terminado de limpar minhas lágrimas.
- Vamos parar com esse papo de 'como eu gemo'? - Flor sugeriu e a gente riu.
- Que tal dormirmos? - Lia disse bocejando.
- Sinto muito gente, essa casa é grande mas só tem seis suítes disponíveis, e aí, como vai ser?
- Só tem seis suítes disponíveis. Só isso. - Soph ironizou, nos fazendo rir.
- Eu quis dizer que nós somos nove e não tem quartos o suficiente.
- Isso nunca será um problema. - Lia disse dando de ombros. - Nem nunca foi.
- Verdade. Bom: Lia dorme com o Harry. - eu disse. - Dougie com a Soph, Flor com a Sam, Danny com o Tom e eu durmo no conforto do meu quarto.
- Fechado. - Harry concordou sorridente.
- Fechado é o teu cu. - Sam discordou.
- Que foi, quer dormir com o Danny? - Flor provocou e a gente riu.
- Claro que não. É só que... eu aposto que o Fletcher quer dormir com a Bela... - sei. Como se ela se importasse com a vida alheia.
- Você ganhou a aposta. - Tom disse com uma cara de intelectual e eu ri. Own, lindo.
- Eu sei, eu também quero, mas acontece que vai ser estranho se minha mãe acordar e me ver junto com você lá...
- Ok, não quero saber. Meu caso já está resolvido, tô subindo pra dormir. Vem, pituquinho. - Eu, Danny e Tom rimos. Esperarei pacientemente o dia que eu me acostumar com esse apelido escroto e não rir dele.
- O meu caso também está resolvidíssimo. Vamos subir junto com a Lia e o pituquinho.- Soph disse puxando Dougie pela mão e os quatro subiram.
- Eu também vou subir, vocês que se mordam, estarei dormindo tranquilamente no meu quarto. - Declarei e subi.
Entrei no meu quarto, tirando as roupas do Dougie que eu vestia. Tomei um banho rápido, escovei os dentes e olhei pro secador. Um dilema: dormir com o cabelo molhado e morrer de pneumonia ou secar o cabelo e morrer de cansaço?
Melhor eu secar o cabelo.
Liguei o secador e fiquei jogando ventos quentinhos no meu cabelo. Sentei na privada e quase cochilei. Depois de um tempo, cansei. Meu cabelo ainda não estava seco, mas foda-se a pneumonia, eu tava com sono.
Quando abri a porta do banheiro, vi o Tom jogado na minha cama, com os cabelos molhado e sem mexas rosas. Ele estava cheiroso. Sorri e caminhei até o closet, onde jazia minha mala. Estava frio, então coloquei uma roupa de moletom bem grosso, e peguei o meu cobertor mais quente de todos.
Me deitei ao lado do Tom, que também vestia um super moletom e nós nos cobrimos, ficando lindamente agarrados na cama.
- Eu tinha certeza que você vinha... - comentei, achando graça.
- Eu Tinha certeza que você sabia. - ele retrucou rindo e me fazendo rir junto.
Thalia's POV
Se eu sabia que seria hoje a primeira vez que transaríamos? Claro que sabia.
Assim que eu e Harry entramos no quarto, começamos o trabalho.
Ele se apressou em tirar sua camisa, e eu já suava. E olha que tava frio!
A casa dos Johnson tinha vários aquecedores, mas não sei se estavam ligados ou desliados, porque, antes eu tava com um frio absurdo, agora eu tô com calor. Tipo, muito calor.
Também, né, com o Judd beijando meu pescoço desse jeito...
Eu estava sendo prensada contra a parede pelo corpo maravilhoso do Harry, que segurava minhas pernas na altura de seu quadril. Meus braços estavam ao redor de seu pescoço e nós nos beijávamos apaixonadamente. Já comentei do calor?
Ele me desgrudou das paredes e me levou até a cama, se deitando sobre mim. Senti sua excitação já demasiada, o que aumentou a minha.
Foi quando algum infeliz bateu na porta.
- Lia...? - escutei um gemido choroso da Sam. - Lia... posso falar com você um minuto?
- Puta. Que. Pariu. - murmurei e Harry soltou o ar pesadamente, murmurando um "tudo bem..." e saindo de cima de mim para ir ao banheiro. Caminhei até a porta e a abri. - Fala Sam.
- D-desculpa - ela fungou - se eu estiver interrompendo alguma coisa, mas... - Começou a chorar abertamente e se jogou pra cima de mim num abraço apertado.
- O que houve?
- E-eu briguei com o Danny! - ela chorava como um bebê, não no sentido fofo, mas no sentido de gritar feito um.
- Quando? Agora?
- Aham!
- Por que vocês brigaram?
- Porque ele é um animal! - ela soluçava e mal conseguia falar.
- Sam... Todo mundo sempre é um animal quando você tá irritada.
- Eu sei... MAS ELE É UM ANIMAL!
- O que ele fez?
- Ele... ele... ele fica lerdando e... Ele não sabe o-o que di-diz, fala merda e acaba m-me magoando!
- Ok, não entendi nada. Melhor você se acalmar, depois a gente conversa. - Suspirei pesadamente ao ver sua carinha de cachorrinho sem dono. - Quer dormir aqui comigo? - me dei por vencida. Isso, Thalia, sua fraca, estrague seus planos com seu namorado pela sua amiga chorona, faça isso mesmo! Depois aproveita pra comprar um broche escrito 'eu sou uma banana', que vai combinar direitinho com a sua personalidade...
- Quero. - ela disse fungando e adentrando o quarto.
Sabe, pessoas normais diriam 'não, é claro que não! Não quero atrapalhar vocês dois!', ou pelo menos 'ah, não sei... só se não for incomodar...', mas a Sam não. Ela nunca tá nem aí pra essas coisas. Eu até riria se não estivesse com um pouco de raiva.
Harry estava sem camisa, jogado na cama quando a olhou entrando.
- O que houve? Cê tá chorando? - ele perguntou por curiosidade.
- Tô... Vai perguntar pro imbecil do Danny o que houve. - Ela respondeu emburrada DEITANDO NA CAMA AO LADO DO HARRY E SE COBRINDO. Dá pra acreditar? Se não fosse a Sam, eu até sentiria ciúmes, mas, cara, ela é assim. Não tem como sentir ciúmes quando já se conhece a peça... - Deita aqui no meio, Lia. - ela disse batendo a mão no espaço entre ela e Harry.
- Tá, vou ao banheiro rapidinho e já deito. - disse. Queria fazer xixi.
- Você vai dormir aqui mesmo? - ouvi Harry perguntar e comecei a rir.
- Vou.
- Parabéns, ganhou o troféu de melhor empata-foda do universo.
- Empada-foda é o cacete, estou com problemas, sua máquina de sexo ambulante.
Ri mais.
- Você não podia esperar pra ter problemas amanhã? Ou ter problemas e ir pro quarto da Soph e do Dougie, ou da Bela e do Tom, ou, porra, por que você não vai falar com a Flor?
- Olha aqui, Judd. A Soph e o Dougie já estão 'na ação' há muito, mas muito tempo. Só ouvi os gemidos quando passei pela porta. A Bela e Tom precisam de um tempo à sós porque ela é virgem e eu não quero atrapalhar esse momento. A linda da Flor está dormindo no décimo sono e não quis nem olhar pra minha cara, então só me restou vocês dois!
- Ah, sim. E quanto ao 'esperar até amanhã'?
- Por que você não vai se foder?
- Já fiz isso no banheiro há alguns segundos atrás.
- EEEEEEEEEEEEEECCCCCAAAAAAAAA, SEU TARADO! - ok, até eu fiquei sem graça depois dessa. Saí do banheiro e observei Harry rindo e sendo estapeado por Sam.
- Outch, outch, amor! Olha ela aqui! - Harry reclamou apontando pra Sam e eu dei uma risada.
- Solta o pituquinho, Sam! Só eu posso agredi-lo.
- Só a Thalia e mais ninguém. - Harry frisou e eu sorri, me jogando em cima dele e lhe dando vários selinhos.
- Nossa, saiu mel de todas as minhas cavidades depois de tanta doçura. - Sam resmungou, se virando pro outro lado e afofando a cabeça no travesseiro. - Vê se respeita a minha presença melancólica aqui, tá, casal?
Eu ri.
- É muito folgada mesmo. - comentei fazendo os dois rirem enquanto eu me ajeitava do lado de Harry, abraçando-o. - Durmam bem, amores da minha vida.
- Vou tentar. - Sam respondeu. - Boa noite, gente.
Depois disso, mano, apaguei.
Thalia's POV off
Foi uma noite difícil. Sim foi.
Flashback on (alguns minutos atrás)
- Tom? - quebrei o silêncio que estava calmamente estabelecido.
- Hm.
- Você tá com sono?
- Não muito.
- Vai dormir aqui?
- Planejo. Mas não se preocupa, vou embora antes de todo mundo acordar.
- Vou contar pros meus pais amanhã.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Então eu falo com os meus depois de amanhã.
- Sua mãe não vai gostar...
- Problema dela. - demos risada, e então me aconcheguei ao lado dele, abraçando-o.
- Tom...? Eu me sinto... Estupidamente apaixonada... - Confessei baixo e ele ficou em silêncio por alguns segundos. Senti sua mão tocar meu queixo e levantar meu rosto; em seguida, ele me beijou calmamente.
Ficamos nos beijando por um certo tempo, e os arrepios e correntes elétricas simplesmente não paravam. Sabe um friozinho absurdo na barriga como se você fosse descer a parte mais ingrime da Sheikra? Então. Eu sentia isso a cada movimento que ele fazia, o que resultou no fim da minha calmaria.
Passei uma das pernas sobre seu corpo e fiquei em cima dele, de forma que seu quadril ficasse entre minhas pernas. Continuamos nos beijando, dessa vez, mais vorazmente e Tom apertava minha cintura numa intensidade que, se eu não tivesse tão excitada, me faria reclamar de dor.
Mas eu não estava mais ligando. Não estava mais raciocinando bem. Eu apenas queria o Tom e ponto final. Não estava pensando em nada (nada mesmo) além dele.
O calor já tomava conta do meu corpo, juntamente com a excitação, que não era aparente como a dele, mas era tão intensa quanto. Tom passou a acaricia minha cintura por dentro do moletom que eu vestia, levantando-o um pouco. Me irritei com a sua lerdeza e tirei logo aquele treco que estava me sufocando. Tom pareceu surpreso e deu um sorrisinho malicioso quando encarou meu sutiã preto rendado (não tinha nada demais, só era preto com uma rendinha normal. Não precisava daquela cara de lobo mau), me puxando para selar nossos lábios com urgência.
Ele mesmo tirou sua blusa depois de alguns segundos e eu sorri do mesmo jeito. Cara, vou te dizer um coisa: o Tom é gosto para cacete. Aquele maldito abdômen milimetricamente definido, e aquele estrela no peito... Não ajudaram em nada a manter meu autocontrole.
Passei a beijar languidamente seu pescoço enquanto sentia suas mãos pesadas passearem pela minha cintura, barriga e costas. Mordisquei seu lóbulo e suguei um pouquinho. Distribuí chupões, mordidinhas e mais beijos por toda a região até voltar para a boca.
Tom inverteu as posições, fazendo o mesmo com o meu pescoço, enquanto eu arranhava suas costas e bagunçava seu cabelo. Ele trabalhou tanto no meu pescoço que, com certeza, amanhã necessitaria de maquiagem para disfarçar as manchas. Alguém liga? Porque eu não ligo não.
Tom me provocou, empurrando sua pelve contra a minha, me fazendo sentir o quão animado ele estava. Minha pele ficou toda arrepiada e eu fiquei com vontade de arrancar toda a nossa roupa. E o que me impedia? Nada! Então deixei que Tom tirasse minha calça de moletom, em seguida fiz a mesma coisa com a sua, encarando sua boxer super excitante da Hello Kitty. Juro.
- Hello Kitty? - perguntei com um sorriso incrédulo.
- Ganhei de aniversário ano passado.
- Eu adorei! - disse rindo e ele riu junto, voltando a me beijar.
Senti a mão do Tom deslizar para as minhas costas e sabia que ele queria abrir meu sutiã. Então, levei minha boca até seu ouvido e sussurrei:
- Fecho frontal.
O escutei rir e tirar suas mãos das minhas costas. Ele depositou um beijo na curva do meu pescoço antes de abrir meu sutiã apenas com uma das mãos. Um frio percorreu todo meu corpo quando vi que Tom parou tudo que estava fazendo para me avaliar. Corei imediatamente. Sério, fiquei morrendo de vergonha.
O puxei pela nuca voltando a beijá-lo pra ver se ele parava com aquilo. Funcionou. Senti sua mão deslizar da minha cintura ao meu seio esquerdo, massageando-o e, bom, aquilo era... enlouquecedor.
Sua outra mão estava no elástico da minha calcinha e tudo parou quando o senti abaixá-la um pouco.
A merda da minha consciência resolveu me assombrar, me lembrando de todas as experiências das minhas amigas e do quanto aquilo me assustava. Eu tava praticamente nua com meu namorado, na cama, quase fazendo tudo aquilo... E eu me senti tão, tão despreparada que me deu vontade de chorar.
Tom deve ter percebido alguma coisa de diferente. Deve ter sido porque eu parei de apertá-lo, e porque não retribuí mais o beijo. Afastou seu rosto para me olhar e franziu o cenho.
- Aconteceu alguma coisa? Diz que não, pelo amor de Deus. - se eu estivesse bem, daria uma gargalhada.
- Aconteceu... - miei, chorosa e não consegui evitar uma lágrima teimosa, que desceu pelo cantinho do meu olho. Ele limpou carinhosamente com o polegar, sem desfazer o contato visual - Desculpa, Tom... - eu sussurrei e o puxei para um abraço.
- O que houve?
- E-eu... Eu não estou preparada. - falei sem titubear muito. - Me desculpa, por favor, eu não devia ter feito isso com você. Ter provocado e ter chegado até aqui, mas é que você é tão... - deixei a frase morrer e ele deu uma risada. - Desculpa.
- Tudo bem. - me deu um beijo na bochecha e um selinho.
- Você tá triste?
- Um pouco frustrado. - ele confessou e eu suspirei pesadamente. Não queria tê-lo magoado nem nada. - Mas eu te entendo.
- Desculpa, Tom, desculpa mesmo. Você sabe que essa hora vai chegar, eu só não sei se estou preparada hoje. Você pode ter um pouco de paciência? - supliquei com a minha melhor cara de cachorrinho abandonado e ele assentiu com a cabeça, sorrindo.
- Eu só vou precisar ir ao banheiro rapidinho. - avisou, tentando conter um sorriso maroto - Não fique aí pensando besteiras, vou só conferir se os azulejos são de porcelana. Isso pode demorar um pouco, mas eu já volto. - concluiu, entrando no banheiro e eu gargalhei alto.
Eu não queria ter feito isso com ele, e nem comigo mesma. Eu sou uma idiota. Uma criança. Sou mais infantil que qualquer garota que eu tenha conhecido. Eu sou... Eu me odeio.
Comecei a chorar de arrependimento, raiva, por estar confusa, por não ter feito logo, por não querer fazer, por ter feito Tom de idiota...
Não chorei muito, só umas poucas lágrimas... Mas eu tinha vontade de quebrar tudo. Eu tava morrendo de raiva.
Tom saiu do banheiro depois de um tempo, se deitou ao meu lado e me abraçou. Eu já tinha me vestido - assim como ele - e parado de chorar, mas ainda sentia todo aquele desconforto. Então, nós voltamos a ficar em silêncio, apenas abraçados na cama.
Flashback off
O silêncio se estendeu até agora e eu estava me sentindo realmente mal.
- Bela, para com isso, não fica com essa cara, é sério, tá tudo bem. Eu não ligo. Quer dizer, eu ligo, mas eu não conseguiria fazer nada se você estivesse desconfortável. Não daria certo. Se você não tava preparada, fez certo em interromper tudo. Tá tudo bem, juro.
- Você é... Maravilhoso.
- Eu sei, eu sei. - se gabou enquanto ria, e eu lhe dei um tapa.
- Nunca mais te elogio.
- Você não conseguiria, sou irresistível.
- Cala a boca, Fletcher. Vai dormir, vai.
- Vou ter sonhos eróticos com você.
- Vou ter sonhos eróticos com o avô da Thalia. Sério, eu já tive um vez.
- Porra, depois dessa vou lá dormir no meu quarto. - ele fez menção de se levantar e o puxei, rindo. Ele me deu dois selinhos e me abraçou de conchinha.
- Boa noite, linda.
- Boa noite, Linduxo. - ele riu e eu também. - Obrigada por ser... assim.
- Por nada. Obrigada por ser assim também. - sorri, e então dormimos.
A noite foi tensa, mas nada que o bom senso do Tom não consiga contornar. Que bom que eu não namoro o Dougie. Senão eu seria uma escrava sexual. Brincadeira, coitado.
Acordamos não tão tarde, já que todos tinham que ir para suas casas. Sam estava estranha, Lia estava meio irritada, Flor e Soph estavam alegrinhas. Danny parecia um morto vivo, sem expressão no olhar, Dougie estava normal, cheio de gracinhas, Harry e Tom também estavam normais. Os meninos todos foram pra casa do Tom e as meninas, pra casa dos pais da Lia, que era a maior depois da casa da minha mãe.
Eu fiquei lá jogada no meu quarto até que decidi contar pra minha mãe. Meu plano era não contar diretamente, tipo uma bomba. Era fazer em etapas.
Chamei a mommy, que mandou eu ir até o quarto dela alegando estar ocupada, então eu fui. Me sentei em sua cama e ela sentou na ponta da mesma, usando apenas um roupão, para que nós conversássemos.
- Então, mãe... - eu tava nervosa. Bem nervosa mesmo. Dava pra ver. Claro que dava pra ver. Estava refletido na cara da minha mãe. Ela estava com aquela típica cara de desconfiança de quando o filho fala 'mãe, temos que conversar'. - eu... Bom, eu... Antes, prometa que sua reação vai ser a menos idiota possível. Sem me deixar sem graça e irritada, ok? - perguntei receosa e ela soltou uma risada nasalada, assentindo com a cabeça.
- Desembucha logo, Bela. - Ela reclamou depois que eu respirei fundo duas vezes.
Of course não é medo. Claro que não. É só que, como não tive muitas experiências com namorado (Na verdade só tive uma pseudo-experiência, e olhe lá), e como eu sei como minha mãe é irritantemente chata com essas coisas, eu estou com uma grande vergonha de contar pra ela.
- Ok... Eu... Eu meio que estou...
- Cheguei! - meu pai avisou, gritando da sala, e eu bufei.
- Oh, querida, tem problema a gente conversar depois? - minha mãe me perguntou, como se pensasse que meu pai atrapalharia.
- Tem! Mãe, você não tá entendendo, é agora ou nunca. E chame o papai, é bom ele escutar também. - ela franziu o cenho, ainda mais desconfiada, e pigarreou antes gritar, mas nem precisou. Chegou a puxar o ar, mas assim que ia soltar a voz, meu pai abriu a porta do quarto.
- Oi, princesas! - ele disse docemente, entrando em seu quarto. Largou sua maleta na poltrona e caminhou até mamãe, lhe dando um selinho e depois beijou o topo da minha cabeça. - Estou interrompendo alguma coisa? - ele perguntou ao ver minha cara aflita. Com certeza, eu tava parecendo uma vaca parindo pra ele ter perguntado com aquela cara.
- Não, não! Na verdade, pai, você chegou bem na hora. Senta aí que eu tenho que contar uma coisa muito importante pra vocês.
Os horários do meu pai eram meio loucos, sabe, coisa de médico. Eram dez da manhã e ele tinha acabado de chegar em casa... Estranho. Ok, esse comentário foi desnecessário. É só porque eu to nervosa.
- Ok. - ele sentou e me olhou como se dissesse "vai, minha filha, tá esperando o que?! Quero comer sua mãe logo!" Ai, CREDO. NÃO ACREDITO QUE EU PENSEI NISSO.
- Que foi? - minha mãe perguntou fazendo uma careta. Ela deve ter reparado na minha cara de nojo absurda.
- Nada... Deixa. Vou direto ao ponto. - respirei fundo e pigarreei. - Eu... Tô meio que namorando.
- Meio que namorando? - meu pai repetiu.
- I-isso...
- "Meio que"? Esses jovens de hoje usam umas expressões, né? - ele falou olhando pra minha mãe com aquela cara de "minha filha é uma dessas jovens de hoje. Que cruel!"
- É! "Meio que"... Vê se pode?! Pra ela é tudo "meio que". Eu to meio que com sono, eu to meio que atrasada, eu to meio que dançando... Tudo "meio que"! Parece que até que ela não faz nada por completo!
- Pois é! Essas gírias são tão ...
- GENTE?! - gritei, incrédula. Nesse pequeno diálogo entre eles eu fiquei encarando tudo com aquela boa cara bem no estilo "WHAT?!"
Cara, eu tava falando que eu, EU, estava namorando, NAMORANDO, e eles só escutam o "meio que"?! Fala sério!
- Pelo amor de Deus, né?! Eu a acabei de dizer que eu to NAMORANDO!
- Oh! Sim! Ai, meu Deus! - Pareceu cair a fixa pra minha mãe e ela começou com a reação que eu tanto temia: levantou e deu pulinhos, bateu palminhas com um sorriso ridículo e emitindo um som estranho que se assemelha a "ÊÊÊÊ". Nessas horas eu queria poder saber fazer essa expressão: ¬¬'.
- Mãe. - murmurei tentando fazer aquela cara. - Você prometeu.
- Ai, desculpa. É que eu fico tão feliz...
- É, é, eu sei. - respondi sem paciência e ela voltou a sentar. Meu pai só sorria e eu tinha escutado ele soltar um "até que enfim!".
- Bom, e quem é o - aposto que ele vai falar sortudo: - sortudo? - pais são clichês.
- Er... Ele vem aqui hoje. Aí vocês vão ver quem é.
- Ele vem jantar aqui?! - minha mãe perguntou animada.
- Vem. Sei lá, deve vir. - falei, dando de ombros.
- Ai, cruz credo, Isabela. Nem quer fazer o melhor pro seu namorado... Olha, homens gostam de mulheres que se...
- Mãe, é sério, não quero ouvir. Assunto encerrado, beleza? - Propus, aí mamãe fez cara feia e o papai riu.
- Ele vem jantar, né? - minha mãe voltou a perguntar, cinco segundos depois. Bufei e assenti com a cabeça. - Ótimo! Estava doida pra usar minha louça nova, e cozinhar o ganço que eu compr...
- Mãe, é sério, não gaste o ganço com o Fle... Meu namorado - corrigi a tempo e ela nem percebeu. Lerdinha que dá dó. - Ele não liga. Melhor você fazer macarrão com aquele molhinho de presunto e queijo de sempre ou pedir uma pizza, sei lá, só sei que acho desnecessário você fazer tudo isso pra ele.
- Voto na pizza. - meu pai opinou e demos um high five.
- Claro que não! Tem que causar uma ótima primeira impressão no primeiro jantar, sabia?! Aliás, você que deveria cozinhar!
- Tá doida que eu vou ficar cozinhando pro T... Meu namorado?! - corrigi de novo. - E... Acredite, não é o primeiro jan... Esquece. - Ops, bem acho que falei merda.
- Ué, ele já jantou aqui? - meu pai pescou.
- Não, não... - menti. Mas pra que mentir se eles iam descobri dentro de algumas horas? Idiota, eu, né? - Ah, seus curiosos! Parem de ficar me fazendo quase falar! Daqui a pouco vocês vão saber quem é! Agora dá licença que eu tenho mais o que fazer. - pulei da cama e corri até meu antigo quarto que continuava lindo e maravilhoso. Melhor do que quando eu morava aqui, eu garanto.
O dia passou rápido. É sério, voando. Quando eu vi, já eram sete e meia, e o Tom chegaria oito horas. Bom, ele era pontual.
Levantei e, como havia tomado banho a algumas poucas horas, apenas tirei aquele pijama horrivel e velho, coloquei um jeans meio que rasgado, um casaco de moletom gigante (que era dele), e minha pantufinha quentinha. Fui no banheiro e joguei o cabelo pro lado só pra sensualizar. Mentira, foi reflexo. Aí eu desci pra tomar um suco ou qualquer coisa ingerível.
- Filha, vai se arrumar! Já são dez pras oito! Daqui a pouco ele tá aqui! - minha mãe gritou, me apressando. Eu quase ri. Ela tava maquiada, com uma saia de cintura alta daquelas formais, de sutiã, e com bobes no cabelo. É sério, eu só não ri porque eu tinha que manter minha cara de tédio pra ela. Sabe? Aquela cara de (#).
- Mãe. - falei firmemente - Você vai sair pra algum lugar?
- Não! Hoje tem o seu jantar, minha filha! - ela retrucou como se fosse óbvio.
- Cara, mãe, não precisa de nada disso! Olha como eu estou vestida!
- Tá maluca que você vai aparecer assim na frente do seu namorado no PRIMEIRO JANTAR?! Ele termina com você na hora! - dei uma risadinha descrente.
- Acredite, duvido muito disso. Ah, pega o suco de maracujá aí, por favor?
- Filha! Homens gostam de...
- MÃE! Já falamos sobre os conselhos sobre homens, não já?! E, cara, fica tranquila. Ele não liga pra nada disso, você vai ver. E quando eu falo "isso", quero dizer tudo "isso". A comida, a louça, as roupas... Tudo. E, a propósito, pode passar o suco, por favor? - ela bufou e rolou os olhos, entregando o suco.
- Maracujá porque tá nervosa?
- Maracujá porque eu gosto. Mãe, eu não to nem um pouco nervosa.
- Como não? Não tá nervosa com o que vamos pensar ao conhecê-lo, nas perguntas que vamos fazer...? - dei mais uma risadinha, dando uma golada no suco.
- Acredite, não há motivos. - falei antes de terminar o suco e voltar para o meu quarto. Poucos minutos depois, a campaínha tocou.
Soph's POV on
- Ai meu Deus, deve ser o namorado! - Sue sussurrou pra sim mesma, terminando de abotoar sua blusa e descendo correndo as escadas. Achou estranho o porteiro não ter interfonado, mas não ligou. - Bela! Desce logo! Seu namorado deve ter chegado! - gritou da sala, já se aproximando da porta para abri-la. Bela acabou não escutando, pois ouvia música alta no seu quarto, jogada desleixadamente, igual a uma mocoronga, no meio da cama.
Tom esperava ansioso, do outro lado da porta, quando ouviu a maçaneta girando e sorriu, ao encontrar uma Sra. Johnson toda produzida. "ela deve sair...", pensou.
- Ah, oi Tom. É você. Pode subir, a Bela tá lá no quarto. Mas vê se vai rápido hein. Hoje é uma noite especial. - ela informou sorrindo, achando que ele já devia saber sobre o novo namorado de Bela, e que hoje seria a noite em que o tal namorado se tornaria ciência dos pais.
Ele achou estranho o jeito como a Sue falou, mas apenas deu de ombros e entrou. Cumprimentou Sr. Johnson que lia qualquer coisa numa revista dessas que só tem política e subiu. Bateu na porta do quarto da Bela, que ignorou completamente pois não ouviu, e entrou.
- Bela? - ela sorriu e tirou os fones do ouvido, depois estendeu os braços em sua direção como se tivesse pedindo um abraço.
Ele imediatamente retribuiu o sorriso, indo até ela com uma cara infantil. Se jogou em cima da cama, agarrando a menina logo em seguida que gargalhou com os beijos no pescoço.
- E aí, qual é a boa, Fletcher? - ela perguntou, pegando o iTouch e olhando as músicas.
- Preciso mesmo dizer? - ele deu um sorrisinho malicioso e ela gargalhou.
- Você está a cada dia mais brega. Ah, me conta! Qual foi a reação da minha mãe quando te viu?
- Ué, você ainda não contou pra ela, cont... - Tom foi interrompido por um barulho de porta sendo aberta.
- Filha, que horas o seu nam... - Sue os olhou com agarrados, na cama, e então deixou seu queixo cair e seus olhos esbugalharem. - O T-Tom... O Tom é o s-seu... Ele que é o... Meu Deus.
Tom alternava seu olhar entre Bela e Sra. Johnson com receio. Não sabia o que pensar daquela situação. Aquela reação teria sido boa ou ruim?
Bela apenas franziu o cenho achando sua mãe meio lenta demais.
- Mãe?! Você não percebeu quando ele chegou bem na hora que eu falei que meu namorado ia chegar? E você não ligou as coisas de quando eu disse que não precisava se arrumar toda, e cozinhar ganso, e usar a louça nova... E aí aparece o Tom na sala...? Não ligou as informações?
- N-não... Ai, meu Deus, eu acho que estou chocada.
- Chocada pelo que, mãe? Pelo amor de Deus, você sabe disso desde que eu me entendo por garota com sentimentos. - ela disse, depois riu de si mesma.
- Eu sei, mas é chocante mesmo assim... Quer dizer, depois de tudo... Eu não achei que... Bom, eu pensei que vocês só tinham voltado a ser como antes, sabe? Melhores amigos... Como irmãos... Quer dizer, não irmãos, porque agora vocês estão juntos e seria estranho dizer isso, mas... Não sei, é... Chocante! - Sue tagarelou - mas... Caramba, vocês dois! Ai, que coisa mais linda! Vou buscar uma câmera! - Bela rolou os olhos com leve-quase-sorriso no canto da boca, e Tom riu. Em partes, foi pelo alívio, mas mesmo assim tinha sido um cena engraçada. Pela primeira vez ele sentira algo-que-se-aproximava-do-medo pela senhora Johnson. Foi tipo um leve cagasso. Nada demais.
- é sério que ela se arrumou toda só pra isso?
- Aham... Tinha que ver a cara dela quando eu disse que tava namorando. Só faltou tatuar seu nome na bunda. Se ela soubesse que era você, né... - ele gargalhou e tomou o iTouch da mão dela, vendo as musicas.
- Voltei! - Sue adentrou o quarto ofegando, com a câmera na mão.
- Nossa, rápida. - Bela comentou enquanto sua mãe apontava a câmera para os dois. Tom sorriu, mas foi mais uma careta do que um sorriso, Bela deu a língua ficando vesga (ela amava fazer isso), e Sra. Johnson tirou a foto.
- Agora outra dando beijinho. - ela pediu com um sorriso coruja.
- Ah, não mãe, só uma tá bom.
- Ah, não, Isabela. Eu quero uma foto dos dois se beijando! - ela fez pirraça. - Foto dos dois fazendo careta eu já tenho! Agora eu quero uma de vocês beijando! Vai, só uma bitoquinha!
- Bitoquinha?! - Bela e Tom gargalharam. - Que tipo de pessoa fala bitoquinha?! - ela completou, levando suas duas mãos até o rosto de Tom, segurando com carinho e firmeza, e logo depois beijando-o.
- Pronto! Obrigada! - Sue falou depois de bater duas fotos do beijo.
- ok, mãe, você já pode...
- Ai, sabe, eu to feliz por vocês dois, é claro, mas é que agora bateu um desânimo porque não vai ter toda aquela coisa de conversa entre os pais e o namorado, e toda aquela coisa de intimidar o garoto...
- Ah, Sra. Johnson, não se preocupe pode ter uma entrevista comigo, eu não me importo. Pode deixar que eu finjo ficar com medo e tudo. Sou um ótimo ator, você sabe. - Tom disse e Sue gargalhou.
- Tudo bem então. Mas, bom, vai ter que ser agora, porque eu tinha subido mesmo só pra avisar que o jantar tava pronto, e claro, pra perguntar do namorado sumido que acabou sendo você. Então, venham, crianças.
Os três descêramos rindo e Bela estava de mãos dadas a Tom. Obviamente, Edward reparou.
- Ué?! Seu namorado é o Fletcher?!
- Pois é, pai.
- Sabia que esses dois iam acabar juntos. - ele comentou sorrindo e voltando a ler sua revista.
Jantaram, e eles comentaram como tudo começou, omitindo 75% da história.
Aí, começou a parte do interrogatório fatal dos pais. O que seria apenas um momento fajuto para que Sue não ficasse frustrada.
- Ok, rapaz. Qual são suas intenções com a minha filha? - Sr. Johnson perguntou e Tom soltou uma risada rápida.
- Bom, minhas intenções com ela são... Ah, você sabe, Er... - Tudo bem que aquilo não era sério, mas, pra falar a verdade, Tom não fazia a menor ideia do que dizer, o que o deixava meio... Nervoso, talvez.
- Como você não sabe suas intenções com ela, Fletcher? - Edward perguntou num tom sério. - Como vou confiá-lá a você desse jeito?
- Er... Bom, pra falar a verdade, Sr. Johnson, minhas intenções com a Bela são as mais nobres possíveis. Planejo casar com ela, comprar um chácara e ter relações sexuais só depois do casamento, nessa chácara, onde vamos criar nossos filhos e ter uns cavalos sem pulgas e carrapatos. E também dois cachorros. E uma piscina. Grande. - Falou a primeira bosta que lhe veio a cabeça, que fez Bela segurar um risada. Sem muito sucesso, por que ela fez aquele som esquisito com o nariz, sabe? Aquele de quando uma pessoa tenta segurar a risada, mas não consegue.
- Oh, bom saber. - Sr. Johnson falou se aconchegando no sofá. - E quando vocês pretendem casar?
- Assim que a Bela comprar a chácara com o próprio dinheiro. - Ele respondeu com um sorriso cordial.
- Ai, que pilantra! - Bela não se conteve e Sue riu.
- É que eu quero ensiná-la a ser independente fazer seus próprios negócios, entendem? - Fletcher explicou.
- ah, sim. E qual faculdade planeja cursar? - Sr. Johnson perguntou mantendo a pose séria.
- Planejo cursar direito em Oxford. - Ele disse (lê-se "mentiu") com naturalidade e Bela soltou uma gargalhada.
- Hum, ótimo. Acho que você é um bom partido. Pode ficar com a minha filha, eu deixo. - Ed afirmou ainda com sua seriedade fajuta, e Tom sorriu agradecido.
- Êêê! Tá feliz, mãe?
- Nunca escutei tanta mentira na minha vida, mas, sim, estou!
- Ótimo, agora, vem Fletcher, vamos subir. - Bela pulou do sofá - carregando Tom pela mão, que ria contidamente. Assim que os dois sumiram pelas escadas, Sr. e Sra. Johnson se olharam.
- Não acredito que a Bela tá namorando o Tom. - Sue abraçou a cintura do marido, enquanto se aconchegava no sofá.
- De um jeito bom ou ruim?
- De um jeito ótimo. Quer dizer... Não podia imaginar alguém melhor pra estar com ela.
- Estou feliz que tenha sido ele. Me sinto mais seguro.
- Será que eles já transaram?
- o que?!
- É, Ed, não se faça de bobo. Não espere que a Bela seja virgem até o casamento... Não com essa realidade em que ela vive. Bom, seres humanos tem suas fraquezas. E, você sabe, a Bela tem os valores dela, mas é o Tom... E ele é sonho dela desde menina. Além de ser lindo.
- Acho que ela é virgem. Mas, com esse namoro, não espero que dure muito tempo.
- eu acho eu eles já...
- Outch! Merda! - escutaram um sussurro, vindo da escada.
Narrator's POV off
Tom's POV on
Sim, a gente estava mesmo escutando todas as merdas que eles estavam falando, escondidos no topo da escada. Mas eu já devia saber com quem eu estava. Porque que eu esperava que Bela conseguisse ficar quieta mesmo?
O que me assustou foi que, cara, nós estávamos ali, parados. Não tinha como fazer barulho. Era só parar e escutar. Simples. Mas não, ela tinha que fazer alguma coisa.
Bela foi querer inventar de olhar as expressões que eles faziam e se dobrou toda para espreitar sem ser vista. É claro que ela se desequilibrou e caiu. Óbvio. Que bom que não saiu rolando escada abaixo (e isso só não aconteceu porque eu a segurei) mas, pois é, fez um barulhão.
- Filha, você está aí? - Escutamos a voz da Sra. Johnson ecoar da sala.
Bela me olhou com aquele desespero, e mexeu os lábios sem emitir som: "o que que eu faço? O que que eu faço?!"
"sei lá!" - respondi do mesmo modo.
- Filha?
- Er... O q-que, mãe? - ela respondeu em voz alta, se levantando do chão.
- Você tava aí escutando a gente, é?
- Não! Pfff! Claro que não mãe! Faça me o favor! Pra que eu iria ficar escutando suas resenhas bobas com o papai se eu tenho um Tom pra aproveitar?! - gargalhei tentando não emitir muito som e ela colocou a mão na minha boca apressadamente - Agora.. - ela pigarreou - me dá licença que eu vou continuar o que estava fazendo.
- Tudo bem. - a mãe dela respondeu calmamente.
- Sue. - escutamos o Sr. Johnson falar. - Fico feliz por ela perder a virgindade com o Tom. Pelo menos é com ele. Já me sinto mais tranquilo.
- Eu também. Você acha que eles se casam? - Sue perguntou e eu ri um pouco. Bela também.
- Sim, acho. Você mesma disse que ela gosta dele desde pequena. Acho que sim, a Bela tem essas coisas de casar com o príncipe encantado. Aposto que ela sonha que ele vai chegar de carruagem, se ajoelhar e pedir pra casar com ela. - O pai dela disse rindo e Sue gargalhou. Eu também. Bela não.
- Eu vou bater no meu pai. - ela sussurrou. - Ele fica explanando meus segredos por aí só porque ele me conhece, que escroto!
- Que segredos? - sussurrei também.
- Nada não, vamos parar de escutar a conversa dos dois, estou ficando constrangida. - ela disse, engatinhando até o quarto dela e eu, como sou uma pessoa normal, me levantei e caminhei até lá.
- Agora vem a pior parte. - Ela disse, já de pé, fechando a porta do quarto. - Contar para sua mãe.
- Não acho essa seja a pior parte. - dei de ombros. - Não vai mudar em nada.
- Tomara, eu tenho medo dela.
- Para de ser boba. - eu disse, enquanto ela me escalava. - O que é isso? - perguntei, me referindo ao fato dela estar em cima de mim, com as pernas amarradas na minha cintura e os braços envoltos em meu pescoço.
- é um abraço de coala.
- Porque coala?
- Thomas, não seja burro. É só você pensar em como um coala fica agarrado no bambu que você entende. - ela disse e eu ri.
A abracei pela cintura e a gente ficou se pegando um pouco. Depois nos dois deitamos na cama e começamos a conversar sobre coisas aleatórias tipo:
- Mas que bicho você gostaria de ganhar?
- Tipo o que, pra ter? - ela perguntou.
- Não, não, pra mutilar com o dente. - falei rindo e ela me deu um tapa (que doeu um pouco), mas depois começou a rir.
- Enfim, de verdade, eu sempre sonhei em ganhar um porquinho. Um daqueles rosinhas bonitinhos que não crescem muito, aí eu criaria como um neném, e ele seria cheiroso e paparicado. Depois, certamente quando ele ficasse adulto, eu daria a alguma fazenda para ele procriar e viver com sua família de porquinhos.
- Que maldosa, você iria abandonar seu animal sem ter dó?
- Claro que não. Eu iria visitar o Garry sempre, e garantir que a vida dele continuasse sendo um luxo. - ela disse com o nariz empinado e eu ri.
- Garry? Ele já tem nome?
- Já. - ela deu de ombros.
- Sério que você quer ter um porco?
- Sério, Tom. Eu sempre quis. Desde pequena, mas você era um péssimo melhor amigo, e nem lembra.
- Desculpa, amor.
- Não desculpo não.
- O que eu devo fazer para merecer suas desculpas? - perguntei. Lá vem ela com suas propostas absurdas, quer ver?
- Você tem que comprar um porco com pedigree e com um coleira azul e um pingente de patinhas de cachorro metálico gravado 'Garry' na frente, e atrás escrito: 'esse lindo porquinho pomposo pertence à Bela Johnson', e também tem que comprar todos os acessórios dele, isso inclui a caminha, uma casinha com feno dentro, e na porta da casinha tem que ter escrito 'Garry', coisinhas para ele morder, escovinha para pentear seu pelos grossos e um shampoo cheiroso, perfume, gravatinhas e tudo mais. Faça isso que eu te desculpo. - ela disse como se tivesse contando uma história. Eu gargalhei.
- Acho que a gente vai ficar brigado mesmo.
- ótimo. - ela fingiu estar aborrecida e cruzou os braços.
Depois disso a gente se pegou mais uma pouco e eu fui embora. Eram umas onze da noite. Quando cheguei em casa me deitei na espreguiçadeira da piscina pra pensar um pouco. Dizem que pensar faz bem, às vezes. Eu adorava pensar enquanto analisava aquela casa de praia (#). Ela já tinha mudado tanto desde a minha infância... Aposto que a Bela não vai nem reconhecer...
Tom's POV off
Tom's POV
- Ei, Bela!
- Oi! - me virei meio surpresa. Não sabia quem era esse menino.
- Você tá sozinha?
- Er... Com os meus amigos...- respondi, estranhando a pergunta. Ele deu uma risadinha.
- Não, eu quero dizer... Sozinha, tipo, solteira. - sorriu galanteador e eu imitei o ato.
- Bom, na verdade...
- Alô, alô, patota! Cadê a Bela? - A voz da Sam veio da caixa de som que ficava sobre um palco não muito grande, onde ela, Flor, Lia e Soph estavam. Elas estavam bêbedas, eu acho. Riam como uma hiena maluca e ainda estavam meio avoadas e animadas.
Levantei a mão dando um tchauzinho pra mostrar onde eu estava e elas conseguiram me encontrar.
- Vem aqui na frente, Bela! - Dessa vez foi Lia quem falou no seu microfone e eu obedeci.
Cheguei na frente do palco e fiquei olhando curiosa.
- Querida aniversariante, temos duas surpresinhas pra você. A primeira é nossa e a outra é do Tom. - o povo gritou nessa hora. - QUER DIZER...- Sam se corrigiu depois de levar um tapa de Soph - Do McFLY, não só do Tom. - Disse, revirando os olhos e eu ri.
- Vamos começar logo essa palhaçada! - Lia gritou em seu microfone e elas se organizaram. Todo mundo gritou loucamente quando os meninos entraram no palco e se posicionaram mais ao fundo com seus instrumentos. A bateria ficava lá atrás, deixando o Harry meio escondido, mas, com as cinco lado a lado, na frente, acho que os quatro ficaram escondidinhos. Eles provavelmente iriam apenas tocar. Sorri. O que essas loucas estavam planejando?
- one, two, three, four... - escutei a voz do Tom baixinho vindo de trás delas e eles começaram a tocar I've got you. Achei fofo.
Elas começaram a cantar e eu ria descontroladamente, porque elas definitivamente não nasceram pra isso. Juro que não ficou ruim, mas ficou engraçado porque, com toda a certeza do universo, as cinco estavam bêbadas.
Teve uma hora que a Sam se empolgou e foi querer fazer o agudo junto com a Flor e estragou o negocio todo. Me caguei de rir.
No final, eu já estava lacrimejando de tanto rir. Lia soltou uma gargalhada no microfone e olhou pra trás. Os meninos também estavam com aquela cara de riso, mas tentando se controlar.
- Eu sei que somos boas, podem parara de aplaudir. - Soph disse ainda no microfone e o pessoal realmente parou de aplaudir (sim, eles aplaudiram assim que acabou) e voltou a encará-las.
- Essa ideia foi minha, e a gente tá fazendo isso porque a gente te ama. E também porque se tiver um produtor perdido por aí, ele pode gamar na minha voz e me fazer virar uma super cantora. Tem algum? - todo mundo riu e ela também.
- Cala essa boca, Sam. - Lia pediu educadamente. - Agora é a surpresa do McFLY que, apenas para cortar todo nosso barato, vai ser muito melhor que a nossa, e eles vão esfregar na nossa cara que somos um bando de fracassadas que não merecem estar nesse palco. - Lia se abriu como se fosse uma sessão de ajuda dos alcoólicos anônimos. Ok, cada um com seu cada qual.
- Nossa, que amargura... - Flor resmungou. - E com vocêêês... McFLY! - elas saíram do palco e vieram me abraçar. Enquanto isso, Tom ligava o teclado e cochichava alguma coisa com Danny.
- GOSTOU?! - Soph me perguntou sorrindo.
- EU AMEI! - respondi, agarrando-as. - Vocês são as melhores, cara!
- Eu canto muito, fala aê. - Sam se gabou e eu gargalhei.
- Canta sim. - Fui bem irônica e ela me bateu. Com força. Vadia. - Vou ter que dizer que a única que salvou foi a Lia.
- salvei nada, eu tô bêbada, não consigo nem cantar 'atirei o pau no Harry'.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAH
AHAHAHAHAHA - Quase vomitei meus órgãos de tanto rir dessa. Thalia fica engraçada quando bebe, adoro esses momentos.Eu estava lá há horas. Cansada de esperar. Já estava morrendo de vontade de ir embora, e morrendo de raiva dele por ter me feito ir até aquela merda de praça, com um quilo de paparazzis achando que eu não sabia que eles estavam atrás das moitas e alguns repórteres tomando sorvete.
Fala sério, quem não sabe que eles estavam lá pra me perseguir? Eu só não entendia o porquê, já que eu não tinha sido alvo de nenhum escândalo recentemente.
Enfim, eu estava prestes a ir pra casa quando vi uma carruagem se aproximar.
JURO.
Tinha uma carruagem guiada por um senhor bonitinho e barrigudinho, de cabelos grisalhos e um óculos charmoso, que sustentava um belo sorriso, muito apertável.
Todos começaram a se aproximar, alguns sacaram câmeras de suas bolsas pensando ser alguma passeata de entretenimento para as crianças, os paparazzis se revelaram e os repórteres tomaram seus postos. Decidi ficar apenas para ver o que ia acontecer. Curiosidade.
E então... QUEM É QUE SAI DE LÁ?
ELE.
THOMAS. MICHAEL. FLETCHER.
O meu namorado.
Lindo e maravilhoso, parecendo um príncipe. Sério, quase gritei. Então os flashes dispararam.
Ele estava com um sorriso galanteador e me olhou de uma forma que me fez tremer. Ai, Tom...
- Minha princesa. - ele disse, se aproximando. - Desculpa mas o Billy teve problemas no transito. - ele falou apontando para o Senhor na carruagem. Eu já tinha me esquecido da raiva e só conseguia o olhar de uma forma abobalhada, sentindo minhas bochechas corarem. - Eu chamei a imprensa aqui, e escolhi esse lugar bem público porque eu quero que o mundo saiba o quanto eu amo você, e quero que o mundo ouça o que eu tenho a te dizer.
Ele se ajoelhou e senti como se fosse desmaiar a qualquer momento.
- P-pode dizer... - minha voz saiu trêmula e embasbacada.
- Bela, o que eu... o que tenho a te dizer é... - ele tirou uma caixinha preta de veludo do bolso. - é... - ele parecia nervoso e eu respirava rapidamente, de uma forma bruta, e ansiava pelas sua palavras. Ele pigarreou e o silencio pareceu assustador. Senti um coisa confortável na minha cabeça, mas não entendi aquela sensação, então ignorei.
ANDA, TOM, DIZ LOGO!
Eu gritava mentalmente, sentindo que alguma coisa iria dar errado.
- Isabela Johnson, o que eu tenho a te dizer é... Timmy é um garoto bom, mas tem que aturar...
- Ahn? O que? - Não entendi nada. Só sei que pude sentir melhor ainda algo confortável sobre minha cabeça e identifiquei como sendo um travesseiro. Mas porque tinha um travesseiro na minha cara? Então tudo foi ficando longe, até que percebi que meu celular tocava sobre a cômoda.
- AI, PUTA QUE PARIU. NÃO PODIA ESPERAR EU NOIVAR? MAS QUE MERDA! - Bufei sem abrir os olhos e peguei o celular as cegas. - Quem é? - Respondi toda agressiva. A pessoa que estaria me ligando àquela hora, naquele exato segundo, tinha destruído meu sonho então merecia um resposta malcriada. Tô nem aí pra quem era.
- Iiiiih, te acordei do seu soninho de beleza, foi, amor da minha vida?
- ACORDOU. EU IA NOIVAR, SABIA? Você destruiu tudo. Não podia esperar só o 'quer casar comigo' ? Você me acordou bem nessa parte!
- Awn, desculpa, linda. Posso saber com quem? Eu mereço saber, né?
- Não vem ao caso. Você saberá logo... - dei uma risadinha e escutei uma risada do outro lado da linha. Cocei os olhos e rolei na cama, ficando de bruços.
- Ok, é bom mesmo. Bom, minha linda, liguei pra saber o que você vai fazer no seu 'niver'.
- Não fale assim, me envergonha. - resmunguei.
- HAHAHA, desculpa, amorzinho.
- Você só fala desse jeitinho fofo comigo, quando está longe, não é? Quando está perto, não tem essas palhaçadas.
- Ué, eu faço isso pela sua imagem. Não pega bem eu ficar falando assim perto dos outros, certo?
- Certo... - ri.
- Dá pra responder minha pergunta? Vai fazer o que no seu aniversário?
- Eu combinei com as meninas de viajar. Adivinha pra onde?
- Jamaica! Brincadeira. Não faço a menor ideia.
- PRA SUA CASA, ÊÊÊ!
- Sério?! Oh, adorei!
- Vou dar uma festa pros mais íntimos.
- Vai ficar quanto tempo aqui?
- Uns... OUTCH! PORRA, SAM! - Gritei ao levar uma travesseirada que quase doeu. Mas abri a boca quando vi quem foi. - FOI VOCÊ, SEU CRETINO! - Taquei o travesseiro de volta nele, que pegou com destreza, jogou na cama, se jogando em cima de mim em seguida, e beijando meu pescoço. - Para com isso, Tom! - eu disse rindo, e meio sufocada com o peso sobre mim.
- Tom? O Tom tá aí? - minha mãe perguntou, incrédula.
- Tá. Você sabe que a gente está se falando de novo, não sabe?
- A Sam me contou mas eu não acreditei! MEU DEUS, VOU DAR UMA FESTA AGORA!
- Para de bobeira, mãe. Enfim, respondendo à sua pergunta: Vou arrastar a galera toda pra Essex comigo - Tom ficou surpreso ao ouvir. - E vou ficar uma semana por aí.
- Isso é ótimo! Vou preparar as coisas. Te amo, e tô com muita saudade.
- Também. Amo você.
- AH, NÃO DESLIGA, DEIXA EU FALAR COM O TOM!
- Tom, minha mãe quer falar com você. Não conta nada da gente por enquanto. Quero conversar com ela depois, com calma.
- Tá. - ele disse rindo e pegou o celular da minha mão. - OI, SENHORA JOHNSON! ... Eu também!... Sim, pois é... Um pouco.... Sério?!... Não, não... Pra senhora também... - ele riu, todo lindo. - Manda um abraço pra ele e diz que eu tô com saudade... Pode deixar... Aham... Eu já tó fazendo isso... Aham... Muito... Eu também, um beijo... Até daqui a alguns dias! - ele desligou, rindo. - Minha sogra me ama.
- Percebeu isso só agora? - Eu ri, me levantando e indo pro banheiro. Fiz minha higiene matinal e prendi o cabelo num coque mal feito. - Quem te deu permissão pra invadir minha casa?
- Ahn, você mesma. Você dorme demais, sabia? Já tá todo mundo lá na sala há um século. - dei de ombros.
- Sabe, namorados normais acordariam as namoradas com um beijo ou um carinho, e não com uma travesseirada! - protestei e ele riu, pegando minha mão e me arrastando até a sala.
- Só que você já tava acordada!
- Mas eu duvido que você iria me acordar de uma forma diferente, seu troglodita. Nem parece o Tom dos meus sonhos... - Comentei vagamente e ele olhou sem entender. Dei de ombros e pulei no sofá entre Harry e Lia que começaram a me bater por isso.
- Ai, ai! Isso dói, vagabundos! - Reclamei me levantando.
- Então não destrói nosso ninho de amor! - Harry disse de um jeito engraçado e eu ri.
- Tom, me faz um favor? - pedi e ele me olhou como se solicitasse que eu prosseguisse. - Aumenta ali o aquecedor que eu tô congelando. - ele assentiu com a cabeça e caminhou até o aquecedor, aumentando-o.
- Cadê o controle? - Flor perguntou.
- Do aquecedor? - Sam se meteu. - Eu perdi. - ela deu de ombros e eu concordei com a cabeça.
- Invadem minha casa, usufruem dos meus bens, e ainda perdem meus objetos. - Resmunguei, me jogando novamente no sofá, dessa vez ao lado de Danny. Tom se sentou do meu lado e nós começamos a conversar sobre qualquer coisa.
- AH, GENTE, LEMBREI. - Soph gritou. - A gente vai viajar no aniversário da Bela.
- AH, É! Me explica essa história. - Tom pediu, se ajeitando no sofá.
- Oh, sim. - pigarrei. - Vamos todos passar a semana em Essex. As meninas vão rever a família...
- Na verdade só eu e Lia. - Sam me consertou e eu assenti.
- Isso. Elas vão rever a família, e eu também, né... Quero ver meus primos, tios, meus avós, contar que eu estou namorando, e tudo mais...
- PÁRA, PITUQUINHO! - Lia gritou do nada e todo mundo olhou pra ela. - Que é? ele tava me cutucando! - ela apontou pro Harry.
- PITUQUINHO?! - Gritei. - AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!! - Ri muito. Pituquinho? que merda de apelido é aquele? PITUQUINHO? HAHAHAHAHAH, só rindo mesmo.
Todos riram junto, óbvio. Lia ficou emburrada e Harry, envergonhado. Ele ria junto, mas estava claramente envergonhado. Nada se compara ao Danny. Ele se jogou no chão de tanto rir, e eu não sabia se ria dele, ou do PITUQUINHO.
- Que foi? - Lia disse, irritada. - Como se vocês não tivessem apelidinhos pros seus namorados também!
- Não temos nada tão escroto quanto "pituquinho"! - eu disse rindo e todas elas me olharam.
- Ah, não? - Lia perguntou sarcasticamente com uma cara má.
- E quem é Linduxo Fletcher? - Flor perguntou e eu quase fui lá bater nela. Na verdade, eu fui lá bater nela.
- EU FALEI QUE NÃO ERA PRA ELE SABER DISSO, SUAS VACAS!
- E o MÔZI, quem é? - Sam foi igualmente escrota e Sophia mandou o dedo pra ela.
- Môzi? - Harry perguntou.
- Terceira variação de 'amorzinho'. - Lia respondeu. - a segundo é 'mozinho' e a terceira é 'môzi'.
- Mas môzi é bem melhor que Linduxo Fletcher e pituquinho! - Soph se defendeu e eu me levantei, fazendo pose de barraqueira.
- Olha aqui. Eu não chamo o Tom de Linduxo Fletcher, ok? Aquilo só foi um deslize. Um pequeno deslize, porque, PORRA, ELE TAVA MUITO LINDO NAQUELA FOTO, TÁ? ME DEIXEM. - expliquei, voltando pro meu canto: agarrada ao escroto do Tom, que ria até a alma.
- E eu também não chamo o Harry de pituquinhho... Só às vezes, né, pituco?
- Ah, claro. Você alterna. Pituquinho e pituco. - Soph zoou e todo mundo voltou a rir.
- CALA BOCA, "MÔZI''. - Lia bufou e nós gargalhamos mais.
- E a Flor, que chama o Samuel de PRINCESO?! - Já informei que a Sam é muito escrota? - REPETINDO: PRIN-CE-SO. Olha essa merda! - A Sam é muito escrota. Deve ser por isso que é minha melhor amiga. Todos voltaram a rir e Flor afundou a cara numa almofada.
- Paaaara, gente! - ela pediu, dengosa.
- Só a Sam que ainda não me deu nenhu... - Danny parou quando viu a merda (mais fofa do mundo) que ia falar.
- O que você ia dizer, Danny? - Sam, a escrota.
- Nada.
- Eu sei o que você ia dizer. - Ela deu uma risada sarcástica. Todos já estava em silêncio vendo a cena. - Você ia dizer que eu ainda não te dei um apelido. Mas eu dei sim. Dei vários. Macaco albino, babuíno descerebrado, macaco prego, burro, lerdo, anta quadrática, gorila branquelo, neandertal, ameba estúpida, salsicha de frango...
- SALSICHA DE FRANGO? - Dougie disse, rindo.
Quem não estava rindo? Só o Danny mesmo. E a Sam, claro.
- É, salsicha de frango.
- Eu disse que o Danny era broxa. Agora a Sam só confirmou. - Harry comentou e nós, meninas, seguramos o riso. Quer dizer... Elas seguraram, porque eu senti só um desconforto ao lembrar de ontem...
- Pois é, ele é completamente broxa. Uma salsichinha de frango mesmo... Bem molenga. E murcha. - Ela disse, cruel.
Depois disso, Danny ficou quieto, na dele. Não sei porque ela tinha feito isso, e não sei porque ele tinha reagido daquela forma e não disse nada... Não sei porque ele ficou o resto do dia quieto... Só sei que, depois, todos foram embora e eu fui dormir.
Acordei, segunda feira, essa semana seria corrida. Era a semana do trabalho. Tom iria passar bastante tempo com a Katy, o que me irritava um pouco, mas eu não deixava transparecer.
O parceiro de trabalho do Danny era um amigo gay nosso: o Brian. Sam riu muito quando descobriu.
Harry trabalharia com uma das líderes de torcida gostosas. Ele já tinha ficado com ela. Lia não demonstrou ciúmes quando descobriu, mas eu sei que ela estava. Nós, mulheres, somos boas em esconder às vezes...
Soph era ciumenta, isso todo mundo sabia, sorte a dela que Sarah, a parceira do Dougie, era, tadinha, mais feia que a bunda da minha avó (que não é nada bonita).
Como eu disse: a semana passou voando. O que aconteceu de interessante? Bom. Eu e Sam ganhamos segundo lugar no trabalho. O primeiro lugar foi para um grupo de nerds e eu me senti O MÁXIMO por ter ganhado o segundo lugar. A outra coisa interessante é que, como o Tom não deu a mínima pra Katy e ela tomou um ódio absurdo de nós dois. Além disso, saíram mais fotos minhas com o Tom na internet. Mas nada que pudesse nos comprometer. Eram todas de nós dois conversando ou coisa do tipo. AH! ISSO ME LEMBROU DE UMA COISA: QUINTA FOI UM DIA LEGAL PRA SOPH!
Flashback on (ontem)
Eu estava voltando da escola a pé. Queria andar. Eu sei que várias pessoas iriam me parar pra tirar fotos e autógrafos, mas eu não estava nem aí. Ultimamente tenho feio muito isso, por isso tantas fotos minhas com o Tom pelas ruas.
Enfim, eu tava voltando pra casa quando pensei numa coisa: EU NUNCA VISITEI A SOPH NA DROGA DO STARBUCKS! E EU A PROMETI QUE IA!
Fui andando apressada até lá e passei por um jornaleiro quando uma foto chamou minha atenção: Soph e Dougie de mãos dadas na rua. Como um casal. E essa era a foto menor porque na capa da revista, a foto era de um selinho entre os dois. Mas o que mais me chamou atenção não foi aquilo...
A starbucks era logo na frente e eu atravessei a rua correndo. Entrei na loja e todo mundo me olhou.
- SOPH! - falei alto, mas ela não estava ali. - Oi, cade a Soph?! - perguntei exasperada a uma menina que estava no caixa.
- E-ela... Ela... - a menina tava meio gaga, e eu tava ficando impaciente.
- Bela? - Olhei pro lado, e ela estava saindo do banheiro. Fui correndo em sua direção. A gerente da loja estava me olhando com a boca entreaberta, meio pasma.
- Se importa se eu roubá-la um pouquinho? É só um minuto, eu juro! É urgente! - Pedi a gerente que apenas balançou a cabeça positivamente. - Vem!
A puxei pela mão e nós saímos da loja correndo.
- O que foi Bela?! COMO VOCÊ CONSEGUIU CONVENCER ÀQUELA BRUXA DE ME DEIXAR SAIR?!
- Cala a boca e olha... isso. - Apontei.
- "O astro Dougie Poynter está saindo com uma atendente da starbucks?" - Ela leu a manchete. - Não acredito.
- E agora?
- Não sei... E-eu... Eu tenho que voltar pro meu trabalho, eu...
- Calma, você quer que eu ligue pro Dougie?
- Quero... - Voltamos para a loja e eu sentei numa mesinha do fundo.
- Dougie?
- Oi!
- Você já viu as revistas e a internet? O Fletch já te ligou?
- O que aconteceu?
- Tô vendo que não...
- DOUGIE, O FLETCH TÁ QUERENDO FALAR COM VOCÊ - A voz do Harry ecoou e eu ri.
- Pois é. Vá falar com o Fletch. Só espero que você esteja disposto a assumir pro mundo que você está namorando uma atendente da starbucks. - disse ironicamente.
- O que?!
- Vai falar com o Fletch, depois me liga. Soph não pode atender agora, está no trabalho, não adianta ligar. Eu vou estar com ela, então me liga. Beijo.
- Beijo...
Algum tempo depois...
- Alô!
- Oi, Bela...
- E aí?!
- Eu não tenho problema nenhum em assumir. E vou ter que fazer isso.
- Acho bom mesmo... Mas também, né, seus idiotas... Como vocês se beijam no meio da praça?!
- A gente já fez isso várias vezes e nunca fomos pegos... Não achei que...
- Vocês são idiotas, isso sim. Mas eu também não vejo nenhum problema em assumir tudo logo.
- É... Fala pra ela relaxar, aposto que ela tá pirando...
- É, ela tá.
- Acho que vou aí.
- Beleza. Vamos tomar um cafezinho como nos velhos tempos.
- É. - ele riu. - Até mais, beijos, gatchenha.
- Beijos, gatchenho.
Ele, e para a minha agradável surpresa, Tom, chegaram lá rapidamente e entraram. As atendentes ficaram ouriçadas e Sophia só faltou morrer.
- Oi, amor. - Ele disse pra ela, que estava no caixa, e todo mundo olhou muito mais que embasbacados. Eu e Tom nos entreolhamos e demos uma risada. - Quero um frapuccino de chocolate. - ele pediu sorrindo.
- Dois. - Tom disse.
- Ok... - ela ainda estava meio nervosa. Anotou os pedidos.
- Nossos nomes são Margareth e Margô. - Dougie disse e eu soltei uma gargalhada junto com a Soph.
Minutos depois estávamos os três bebendo nossos cafés e fazendo bagunça na mesa. Soph só ria da gente.
- Tchau, babe, desculpe atrapalhar. - eu disse, dando um beijo na bochecha dela.
- Ah, me esperem! Meu expediente acaba em cinco minutos. Hoje foi só meio. Não teve aula na faculdade e eu vim trabalhar só de manhã. - Ela pediu e nós decidimos esperar. No final, fomos embora todos juntos. Quando estávamos na porta da loja, Dougie deu o maior beijo de cinema na Soph bem na frente de todo mundo. Quase que eu aplaudi.
As outras meninas que trabalhavam lá só faltaram desmaiar. HAHAHA, EU RI.
O beijo já tava demorando demais e eu e Tom já estávamos com inveja, digo mesmo. Então, eu tomei a linda atitude de colocar a mão na testa dos dois e separá-los.
- Acho digno vocês continuarem isso depois. - Falei e eles riram. Soph pegou a mão do Dougie e depois pegou a minha. Eu ri e nós fomos andando, e Tom tava super excluído, coitado. Então eu soltei a mão da Soph e fui andar ao lado do Tom, sem que tivéssemos qualquer contato.
Nós quatro fomos andando até que um paparazzi maluco apareceu.
- Passeio em casal?! - Ele perguntou com uma cara engraçada, tirando fotos.
- Bom, eu estou passeando com a minha namorada. Os outros dois ali, eu não sei. - Dougie pilantra) soltou uma risadinha enquanto dava de ombros e Soph gargalhou. Continuamos andando, ignorando as fotos, até chegarmos no meu prédio. Os seguranças barraram o paparazzi e nós entramos tranquilamente.
- Dougie, você é louco. - Ela comentou, com uma voz aveludada.
- Louco p...
- Se você falar 'louco por você', te dou dois tiros de bazuca. - Ameacei e os três riram.
- Deixa ele ser romântico, coitado! - Tom me deu um tapinha no braço e eu mandei o dedo pra ele.
- Mas é sério, ignorem-nos ok? - Soph disse olhando pro Tom e pra mim, depois se virou pro Dougie, abraçando- o pelo pescoço. - Mas, hein, môzi, em comemoração a esse momento, a gente deveria ir pra minha casa e...
- É. - ele concordou maliciosamente, cortando-a, e eu escondi o rosto no peito do Tom, com um certo medo/vergonha/medo/constrangimento/medo daquilo. Ele só riu da minha cara.
- Seus nojentos. - resmunguei.
Flashback off
Adivinha o que aconteceu hoje, quando passamos nas bancas? Fotos e mais fotos do acontecimento. Na escola, só se falava disso. Na internet, idem. Algumas fãs ameaçaram cortar os peitos da Soph. Outras falaram que ela era bonita, então tudo bem. Foi legal.
Harry disse que assumiria em Essex. Que andaria com a Lia pelas ruas sem nem ligar e a beijaria bem na frente de todo mundo. Achei fofo. Tom disse que ia fazer isso também, mas eu cheguei e disse 'nananinanão'. Ele ficou reclamando no meu ouvido e eu nem liguei.
Onde estamos agora? Chegando em Essex. Mais precisamente, na rua da minha mãe.
Só os meninos foram de carro. Tom e eu no dele; Sam e Danny no do Danny; Flor, Lia e Harry no do Harry e Dougie e Soph no do Dougie.
Meu pais morava em Southend, assim como a tia Selly e o tio George (pais da Sam), tia Fern e tio Robert (pais da Lia), tia Rachel e tio Kurt (pais da Soph), e, por último mas não menos importante, Debbie e Bob (pais do Tom).
Os pais do resto - Danny, Doug, Harry e Flor - se mudaram com seus amados e lindos filhos para Londres.
Tom embicou o carro na entradinha e tocou o interfone.
- CHEGARAM? - A voz da minha mãe eccou afoita pelo aparelho e portão já foi se abrindo. Tom riu e respondeu:
- CHEGAMOOOOOS! - entramos todos com os carros. Ai, que saudades de Essex. Esse cheiro, essa vista... Que saudade!
A casa (#) dos meus pais continuava a mesma coisa. Nós entramos e deixamos a mala num canto. Fomos agarrados com vigor por todos que ali estavam (minha mãe, meu pai, pais da Sam e da Lia) e depois ficamos conversando durante um século lá na enorme sala.
A casa da minha mãe é meio exagerada pra ela e meu pai viverem sozinhos, mas eles gostam dessas coisas enormes, e principalmente de ter a casa cheia, por isso, era tudo aquilo. Eu nunca gostei de casas enormes, mas era incrível como eu amava aquele lugar.
A melhor parte da conversa foi quando a Thalia e a Soph contaram que estavam namorando, AHAHAHAHAHAH.
Flashback on (alguns minutos atrás)
- Gente, eu e Harry precisamos fazer um comunicado.
Todos nos entreolhamos. Harry suava frio. Deve ser porque ele não conhece bem o tio Robby. Se conhecesse...
- Nós dois estamos, er, juntos. Tipo, namorando. - Ela disse com um leve sorriso e Harry não parecia bem.
- Jura?! - Tia Fern exclamou boquiaberta e logo depois sorriu batendo palminhas, assim como a minha mãe e a mãe da Sam.
- Qual Harry? - O pai dela perguntou com cara de policial do mal e o Harry engoliu seco
- E-eu... - ele murmurou nervoso e sorriu (muito falsamente, diga-se de passagem).
- Você?
- Sim...
- Thalia, você está namorando com ele? - Tio Robert continuava com aquela cara de Darth Vader...
- Pai, quer parar com isso?
- Coitado do pituquinho, né? - ZOEI, HAHAHHAHAHAHAHAH
Todos riram. Todos que entenderam, né...
- Bom, rapaz, - ele continuou - se você conseguir aguentar uma garota como a Thalia, posso garantir que você terá um fã número um. Boa sorte. - Robert avisou bem humorado, depois riu.
Harry ficou tão aliviado, mas tão aliviado, que até fez xixi nas calças. Brincadeira, mas ele tinha ficado com medo, tenho certeza. Ele até fez aquela cara de cu dele de quando espera alguma coisa ruim, tipo uma cara meio séria... É engraçado. Ai, ai... Tadinho.
- Gente, eu e Dougie também precisamos fazer um comunicado. - Soph usou as mesmas palavras de Lia, e todo mundo na sala riu, já sabendo do que se tratava.
- A gente já sabia, tem na internet! - Tia Selly disse e Soph corou.
- Credo, meus pais sabem o que é computador. - Sam desdenhou com cara de nojo e agente riu mais.
Flashback off
A outra melhor parte foi a que acabou de acontecer: minha mãe nos chamou para lanchar... Ah, delícia.
Depois disso, os pais alheios foram embora e o combinado era que o povinho ia passar essa noite lá em casa. Foi só meus pais subirem que o Danny já foi correndo pegar as bebidas. Esse mundo está perdido...
- DO QUE VAMOS BRINCAR HOJE? - Flor perguntou toda serelepe.
- Por favor, gente, eu tenho uma imagem a zelar com meus pais. Nada de ficar bêbado até apagar. No máximo, alegrinho, ok?
- Ai, que chata. - Sam resmungou.
- Vamos brincar de desafio. - Flor sugeriu.
- Nunca escutei falar dessa. - disse Lia, se ajeitando na poltrona.
- Primeiramente, vamos todos fazer uma rodinha no chão, como sempre, por favor. - ela pediu e nós o fizemos. Os casais (inclusive Sam e Danny) ficaram lado a lado e Flor ficou entre o Tom e o Harry. - Isso, agora, peguem um garrafa vazia. - Danny esticou o braço e pegou. - O jogo é só girar a garrafa, a base indica quem vai desafiar e o bico, quem vai ser desafiado. Simples. - ela deu de ombros e todos pareceram aceitar.
- De onde você tira tanto jogo? - Dougie perguntou.
- Meu filho, lá no Alasca, você faz de tudo pra passar o tempo. Te juro.
- Imagino... - ele comentou vagamente e então, giramos a garrafa.
Soph desafia Sam.
- Eu te desafio a tomar um body shot de tequila no Danny. - ela disse com um sorriso maligno e a gente riu.
- Beleza, onde tem limão? - Sam perguntou indiferente.
- Vamos lá na cozinha. - a puxei pela mão e nós caminhamos até a cozinha. - Aposto que você tá se morrendo.
- Não to me morrendo nada. - ela negou com descaso, abrindo a geladeira e procurando um limão.
- Tá sim.
- Não tô, porra. Cadê a merda do limão? Ah, aqui. - ela pegou uns quatro limões e voltou pra sala, me ignorando. Vadia, ainda rouba todos os limões da mamãe! - Anda, vamos acabar logo com isso. Tira a camisa, Danny.
Ele o fez e deitou no sofá. Harry entornou o líquido no tronco do Danny, que já mordia sensualmente o limão.
- Pode falar, Sam, você me quer. - Danny falou meio embolado e rindo, enquanto Sam "o lambia".
- Vai se iludindo, fofo... - Ela sussurrou, chupando o limão e encostando minimamente seus lábios nos dele. - Vai se iludindo...
Sam fez cara de diva, saindo de perto e se sentando no chão novamente. Danny colocou a blusa rindo (não sei de que) e voltou para o seu lugar (ao lado dela), e então, continuamos o jogo.
Lia desafia Flor.
- Te desafio a seduzir o pai da Bela.
- EI! - Gritei.
- Brincadeirinhaaa - Lia cantarolou rindo - Bom, eu te desafio a ficar com, no mínimo, seis caras durante essa viagem.
- Amorzinho, tô comprometida.
- Dane-se. Relacionamentos a distância são sempre abertos.
- Tá bom, desafio aceito.
- Ai, que cachorragem, vocês duas... - Desaprovei.
- É mesmo, bando de piranhas... - Soph se juntou a mim e os meninos riram. Dougie girou a garrafa novamente.
- E agora? - Sam perguntou. - Desafio o Tom ou a Bela?
O bico tinha apontando exatamente para o meio de nós dois.
- Desafia os dois! - Flor sugeriu e nós aceitamos.
Só que eu fiquei com um pouco de medo quando Sam sorriu maliciosamente e cochichou alguma coisa com a Lia. Depois ela nos olhou sorrindo de novo. Coisa boa não podia ser. Ai, Jesus...
- Nossa, que medo de vocês. - Tom falou e elas riram.
- Bom, meu desafio é o seguinte. Sabe o que é chupetinha? - Sam perguntou olhando pra mim.
- NÃO VOU FAZER CHUPETINHA NÃO ADIANTA. É a coisa mais nojenta da Terra! - reclamei. - Ou uma das... - me consertei lembrando das outras coisas que se passaram na minha cabeça.
- Não pode recusar um desafio! - Flor se intrometeu e eu quase quebrei a cara dela.
- Eu não vou fazer chupetinha na frente de todo mundo! E NEM SEM SER NA FRENTE DE TODO MUNDO, FALA SÉRIO!
- Ah, Bela! Para de ser criança! - Soph resmungou.
- Você vai chupar coisas muito mais nojentas na sua vida. - Danny disse, todo profético, e eu arregalei os olhos.
- Vai mesmo. - Lia concordou e Sam riu.
- Isso se já não tiver chupado, né... - Dougie adicionou, olhando pro Danny que concordou gargalhando.
- Aí, Tom, vai deixar? - Harry perguntou também rindo.
- Eu sei que ela não chupou, né, amor? - ele falou olhando, e visivelmente prendendo o riso, pra mim e eu assenti freneticamente.
- E nem nunca vou chupar! NUNCA! Nem língua, e nem qualquer outra parte do corpo de algum ser humano. - eu disse de nariz empinado e todo mundo riu da minha cara. ATÉ A PORRA DO TOM.
- Aham, veremos... - Flor disse, com a mão na barriga de tanto rir.
- Para gente! - pedi, sendo ignorada.
- Se não fizer a chupetinha, o próximo desafio vai ser pior. - Sam ameaçou.
- Anda, Bela, para de bobeira! - Lia incentivou,
- Eu tenho nojo... - choraminguei.
- Bom saber que você tem nojo da minha língua. - Tom falou num tom ressentido.
- Own, amor, não tenho nojo da sua língua, você sabe que não. Eu só tenho...
- PORRA, FAZ LOGO BELA. - Sam gritou e eu fechei os olhos com força.
Ok. Não pode ser tão nojento.
É só uma língua... MAS LÍNGUAS SÃO NOJENTAS!
Ok, se concentra.
É a língua do Tom.
É o Tom, o Linduxo!
Eu não tenho nojo dele!
É a língua dele! Ah, isso não vai ser ruim!
- Ok, eu faço. - disse por fim e todos comemoraram.
- Isso que eu chamo de cu doce. - Harry falou e eu mandei o dedo pra ele. Me posicionei de frente pro Tom e respirei fundo.
- Mas pera aí. - Lia interrompeu. - Quem vai fazer em quem?
- Primeiro o Tom faz nela, depois ela faz no Tom. - Sam informou e eu assenti, ainda insegura.
Comecei a rir antes de colocar a língua pra fora da boca nervosamente. Fechei os olhos e senti os lábios do Tom envolverem minha língua e começarem a chupá-la lentamente. ECAAAAAAA.
Mas...
Eca não...
Pera aí...
Isso é...
É gosto!
Hum! Que delícia! Ele bom nisso, wow.
Hmmm, caramba, que gostoso!
Senti Tom aumentando lentamente a velocidade e levei minhas mão ao seu ombro. Isso é bom mesmo, é sério. Não é nojento. Quer dizer... Na teoria, é bem nojento, mas na prática, pode crer que não. É uma delícia. Nooooossa.
- Ok, ok, já chega. Agora faz nele, Bela. - Sam falou e assim foi feito.
Comecei a chupar a língua do Tom, tentando ter a mesma eficiência que ele. Depois de um tempinho, senti suas mãos na minha cintura, e continuei meu trabalho. Eu já tava achando aquilo longe de ser nojento. Na verdade, tava achando muito bom. Bom demais. Chupetinha é uma coisa deliciosa. Não é nojento e muito menos sem graça.
Pensei ter escutado alguns cochichos, mas mantive minha concentração na deliciosa língua do Tom, até que eu realmente escutei:
- Deixa eles, eles estão concentrados! - com certeza, aquilo tinha sido uma tentativa de sussurro da Sam, mas eu escutei e comecei a rir.
- Chega né... - comentei ainda rindo um pouco e Tom também riu.
- Depois cês continuam lá em cima. - Danny disse com um sorriso engraçado e bebendo um gole de não sei o que. Eu apenas ri, e então demos continuidade a brincadeira.
Coisas como... o Dougie fazendo a dança do acasalamento de forma sensual, Harry pulando (sem tirar nenhuma peça de roupa) na piscina, Lia fazendo pole dance no poste de iluminação do jardim, Flor bebendo vodca de cabeça pra baixo, Danny colocando uma cigarra na cueca, Soph comendo um ovo cru (e vomitando depois), eu tendo que trocar de roupa com o Dougie, Tom tendo que pegar um daqueles sprays rosa-fluorescente e pintar algumas mexas de cabelo, Sam dando doze chupões no Danny... aconteceram antes do último desafio da noite. 'Último' porque todo mundo já havia feito várias coisas loucas e nós estávamos com sono.
Rodamos a garrafa:
Dougie me desafia. Legal.
- Você vai ter que passar um trote, gemendo como se estivesse transando e ficar enrolando o máximo de tempo possível pra pessoa não deligar. - todo mundo gargalhou.
- Mas e se descobrirem que sou eu?
- Você diz que não é, ora. - Ele falou naturalmente.
- Tá bom - dei de ombros. Peguei meu celular e programei como número privado antes de escolher uma sequencia de números qualquer e ligar.
Não deu certo de primeira, então escolhi outra sequencia e esperei chamar.
- Alô? - Um cara atendeu e eu comecei a rir colocando no viva-voz.
- Oi? Com quem eu falo? AAAWN... awn... - comecei a gemer e suspirar, HAHAHAHAHAH.
- C-com... Ector Monroe... Quem é? - Eu ficava gemendo igual a uma avestruz no cio enquanto ele falava e todo mundo ria compulsivamente.
- M-mais rápido, mais rápido, aaawn... Er, desculpe senhor Monroe... Eu tô te ligando porque... aawn, awn... P-porque... eu sou uma profissional do.. awn, assim, continua!... - pigarrei - Do sexo e eu faço programas por telefone. Eu queria saber se o senhor não... awn, vai, vai!... Se o senhor não está interessado...
Tive que parar pra rir. Comecei a gargalhara compulsivamente e quase explodi meus orgãos por tentar fazer isso sem emitir sons. Sam já estava longe, se tacando no chão de tanto rir. Danny e Dougie estavam agarrados que nem duas maricas, rindo mais que uma hiena convulsiva, e o resto estava sentado ao meu redor, rindo mais que o necessário. Eles se mexiam de uma forma engraçada por estarem rindo muito, o que me fazia querer rir ainda mais.
- E-eu não... Não estou interessado...
- Ah, não?... aaaw, que gostoso... isso, vai!... Tem certeza, senhor Monroe?
- Quanto você cobra?
Foi aí que a vaca foi pro brejo. Danny soltou uma gargalhada tão alta, mas tão alta que até os vizinhos, que são dois velhinhos semi-surdos, escutaram. Ninguém mais se controlou. Todo mundo explodiu em gargalhadas, inclusive eu.
- Desculpa, lindo, orgasmo coletivo, sabe como é, né... Depois te ligo. Beijo! - desliguei ainda rindo muito e permanecemos assim durante alguns minutos.
- Ai, não acredito que eu vi isso! - Lia disse com uma voz fina, ainda rindo.
- Não acredito que eu FIZ isso! - falei, limpando minhas lágrimas.
- Tom, quer ir ao banheiro aliviar as tensões? - Harry perguntou e a gente voltou a rir.
- E-ele perguntou quanto ela cobrava! - Sam relembrou meio sem ar, ainda rindo muito.
- Fala sério, se eu transasse com uma mulher que geme assim, eu ia mandar ela se juntar a um rebanho de cabra, cruz credo, Bela... - Soph disse, matando o último gole de Heineken.
- Desculpa se eu ainda não sei como se geme durante o sexo, ok? E pode crer que eu não vou gemer assim. Acho a pior coisa do mundo gemer com essa voz de cabra. Parece que eu to amputando a perna e não transando.
- Concordo. Eu gemo decentemente, sabe? Sem essa voz de Barbie e o lago dos cisnes. - Sam disse, ajeitando os cabelos, se recompondo.
- Também planejo gemer assim. - concordei, terminado de limpar minhas lágrimas.
- Vamos parar com esse papo de 'como eu gemo'? - Flor sugeriu e a gente riu.
- Que tal dormirmos? - Lia disse bocejando.
- Sinto muito gente, essa casa é grande mas só tem seis suítes disponíveis, e aí, como vai ser?
- Só tem seis suítes disponíveis. Só isso. - Soph ironizou, nos fazendo rir.
- Eu quis dizer que nós somos nove e não tem quartos o suficiente.
- Isso nunca será um problema. - Lia disse dando de ombros. - Nem nunca foi.
- Verdade. Bom: Lia dorme com o Harry. - eu disse. - Dougie com a Soph, Flor com a Sam, Danny com o Tom e eu durmo no conforto do meu quarto.
- Fechado. - Harry concordou sorridente.
- Fechado é o teu cu. - Sam discordou.
- Que foi, quer dormir com o Danny? - Flor provocou e a gente riu.
- Claro que não. É só que... eu aposto que o Fletcher quer dormir com a Bela... - sei. Como se ela se importasse com a vida alheia.
- Você ganhou a aposta. - Tom disse com uma cara de intelectual e eu ri. Own, lindo.
- Eu sei, eu também quero, mas acontece que vai ser estranho se minha mãe acordar e me ver junto com você lá...
- Ok, não quero saber. Meu caso já está resolvido, tô subindo pra dormir. Vem, pituquinho. - Eu, Danny e Tom rimos. Esperarei pacientemente o dia que eu me acostumar com esse apelido escroto e não rir dele.
- O meu caso também está resolvidíssimo. Vamos subir junto com a Lia e o pituquinho.- Soph disse puxando Dougie pela mão e os quatro subiram.
- Eu também vou subir, vocês que se mordam, estarei dormindo tranquilamente no meu quarto. - Declarei e subi.
Entrei no meu quarto, tirando as roupas do Dougie que eu vestia. Tomei um banho rápido, escovei os dentes e olhei pro secador. Um dilema: dormir com o cabelo molhado e morrer de pneumonia ou secar o cabelo e morrer de cansaço?
Melhor eu secar o cabelo.
Liguei o secador e fiquei jogando ventos quentinhos no meu cabelo. Sentei na privada e quase cochilei. Depois de um tempo, cansei. Meu cabelo ainda não estava seco, mas foda-se a pneumonia, eu tava com sono.
Quando abri a porta do banheiro, vi o Tom jogado na minha cama, com os cabelos molhado e sem mexas rosas. Ele estava cheiroso. Sorri e caminhei até o closet, onde jazia minha mala. Estava frio, então coloquei uma roupa de moletom bem grosso, e peguei o meu cobertor mais quente de todos.
Me deitei ao lado do Tom, que também vestia um super moletom e nós nos cobrimos, ficando lindamente agarrados na cama.
- Eu tinha certeza que você vinha... - comentei, achando graça.
- Eu Tinha certeza que você sabia. - ele retrucou rindo e me fazendo rir junto.
Thalia's POV
Se eu sabia que seria hoje a primeira vez que transaríamos? Claro que sabia.
Assim que eu e Harry entramos no quarto, começamos o trabalho.
Ele se apressou em tirar sua camisa, e eu já suava. E olha que tava frio!
A casa dos Johnson tinha vários aquecedores, mas não sei se estavam ligados ou desliados, porque, antes eu tava com um frio absurdo, agora eu tô com calor. Tipo, muito calor.
Também, né, com o Judd beijando meu pescoço desse jeito...
Eu estava sendo prensada contra a parede pelo corpo maravilhoso do Harry, que segurava minhas pernas na altura de seu quadril. Meus braços estavam ao redor de seu pescoço e nós nos beijávamos apaixonadamente. Já comentei do calor?
Ele me desgrudou das paredes e me levou até a cama, se deitando sobre mim. Senti sua excitação já demasiada, o que aumentou a minha.
Foi quando algum infeliz bateu na porta.
- Lia...? - escutei um gemido choroso da Sam. - Lia... posso falar com você um minuto?
- Puta. Que. Pariu. - murmurei e Harry soltou o ar pesadamente, murmurando um "tudo bem..." e saindo de cima de mim para ir ao banheiro. Caminhei até a porta e a abri. - Fala Sam.
- D-desculpa - ela fungou - se eu estiver interrompendo alguma coisa, mas... - Começou a chorar abertamente e se jogou pra cima de mim num abraço apertado.
- O que houve?
- E-eu briguei com o Danny! - ela chorava como um bebê, não no sentido fofo, mas no sentido de gritar feito um.
- Quando? Agora?
- Aham!
- Por que vocês brigaram?
- Porque ele é um animal! - ela soluçava e mal conseguia falar.
- Sam... Todo mundo sempre é um animal quando você tá irritada.
- Eu sei... MAS ELE É UM ANIMAL!
- O que ele fez?
- Ele... ele... ele fica lerdando e... Ele não sabe o-o que di-diz, fala merda e acaba m-me magoando!
- Ok, não entendi nada. Melhor você se acalmar, depois a gente conversa. - Suspirei pesadamente ao ver sua carinha de cachorrinho sem dono. - Quer dormir aqui comigo? - me dei por vencida. Isso, Thalia, sua fraca, estrague seus planos com seu namorado pela sua amiga chorona, faça isso mesmo! Depois aproveita pra comprar um broche escrito 'eu sou uma banana', que vai combinar direitinho com a sua personalidade...
- Quero. - ela disse fungando e adentrando o quarto.
Sabe, pessoas normais diriam 'não, é claro que não! Não quero atrapalhar vocês dois!', ou pelo menos 'ah, não sei... só se não for incomodar...', mas a Sam não. Ela nunca tá nem aí pra essas coisas. Eu até riria se não estivesse com um pouco de raiva.
Harry estava sem camisa, jogado na cama quando a olhou entrando.
- O que houve? Cê tá chorando? - ele perguntou por curiosidade.
- Tô... Vai perguntar pro imbecil do Danny o que houve. - Ela respondeu emburrada DEITANDO NA CAMA AO LADO DO HARRY E SE COBRINDO. Dá pra acreditar? Se não fosse a Sam, eu até sentiria ciúmes, mas, cara, ela é assim. Não tem como sentir ciúmes quando já se conhece a peça... - Deita aqui no meio, Lia. - ela disse batendo a mão no espaço entre ela e Harry.
- Tá, vou ao banheiro rapidinho e já deito. - disse. Queria fazer xixi.
- Você vai dormir aqui mesmo? - ouvi Harry perguntar e comecei a rir.
- Vou.
- Parabéns, ganhou o troféu de melhor empata-foda do universo.
- Empada-foda é o cacete, estou com problemas, sua máquina de sexo ambulante.
Ri mais.
- Você não podia esperar pra ter problemas amanhã? Ou ter problemas e ir pro quarto da Soph e do Dougie, ou da Bela e do Tom, ou, porra, por que você não vai falar com a Flor?
- Olha aqui, Judd. A Soph e o Dougie já estão 'na ação' há muito, mas muito tempo. Só ouvi os gemidos quando passei pela porta. A Bela e Tom precisam de um tempo à sós porque ela é virgem e eu não quero atrapalhar esse momento. A linda da Flor está dormindo no décimo sono e não quis nem olhar pra minha cara, então só me restou vocês dois!
- Ah, sim. E quanto ao 'esperar até amanhã'?
- Por que você não vai se foder?
- Já fiz isso no banheiro há alguns segundos atrás.
- EEEEEEEEEEEEEECCCCCAAAAAAAAA, SEU TARADO! - ok, até eu fiquei sem graça depois dessa. Saí do banheiro e observei Harry rindo e sendo estapeado por Sam.
- Outch, outch, amor! Olha ela aqui! - Harry reclamou apontando pra Sam e eu dei uma risada.
- Solta o pituquinho, Sam! Só eu posso agredi-lo.
- Só a Thalia e mais ninguém. - Harry frisou e eu sorri, me jogando em cima dele e lhe dando vários selinhos.
- Nossa, saiu mel de todas as minhas cavidades depois de tanta doçura. - Sam resmungou, se virando pro outro lado e afofando a cabeça no travesseiro. - Vê se respeita a minha presença melancólica aqui, tá, casal?
Eu ri.
- É muito folgada mesmo. - comentei fazendo os dois rirem enquanto eu me ajeitava do lado de Harry, abraçando-o. - Durmam bem, amores da minha vida.
- Vou tentar. - Sam respondeu. - Boa noite, gente.
Depois disso, mano, apaguei.
Thalia's POV off
Foi uma noite difícil. Sim foi.
Flashback on (alguns minutos atrás)
- Tom? - quebrei o silêncio que estava calmamente estabelecido.
- Hm.
- Você tá com sono?
- Não muito.
- Vai dormir aqui?
- Planejo. Mas não se preocupa, vou embora antes de todo mundo acordar.
- Vou contar pros meus pais amanhã.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Então eu falo com os meus depois de amanhã.
- Sua mãe não vai gostar...
- Problema dela. - demos risada, e então me aconcheguei ao lado dele, abraçando-o.
- Tom...? Eu me sinto... Estupidamente apaixonada... - Confessei baixo e ele ficou em silêncio por alguns segundos. Senti sua mão tocar meu queixo e levantar meu rosto; em seguida, ele me beijou calmamente.
Ficamos nos beijando por um certo tempo, e os arrepios e correntes elétricas simplesmente não paravam. Sabe um friozinho absurdo na barriga como se você fosse descer a parte mais ingrime da Sheikra? Então. Eu sentia isso a cada movimento que ele fazia, o que resultou no fim da minha calmaria.
Passei uma das pernas sobre seu corpo e fiquei em cima dele, de forma que seu quadril ficasse entre minhas pernas. Continuamos nos beijando, dessa vez, mais vorazmente e Tom apertava minha cintura numa intensidade que, se eu não tivesse tão excitada, me faria reclamar de dor.
Mas eu não estava mais ligando. Não estava mais raciocinando bem. Eu apenas queria o Tom e ponto final. Não estava pensando em nada (nada mesmo) além dele.
O calor já tomava conta do meu corpo, juntamente com a excitação, que não era aparente como a dele, mas era tão intensa quanto. Tom passou a acaricia minha cintura por dentro do moletom que eu vestia, levantando-o um pouco. Me irritei com a sua lerdeza e tirei logo aquele treco que estava me sufocando. Tom pareceu surpreso e deu um sorrisinho malicioso quando encarou meu sutiã preto rendado (não tinha nada demais, só era preto com uma rendinha normal. Não precisava daquela cara de lobo mau), me puxando para selar nossos lábios com urgência.
Ele mesmo tirou sua blusa depois de alguns segundos e eu sorri do mesmo jeito. Cara, vou te dizer um coisa: o Tom é gosto para cacete. Aquele maldito abdômen milimetricamente definido, e aquele estrela no peito... Não ajudaram em nada a manter meu autocontrole.
Passei a beijar languidamente seu pescoço enquanto sentia suas mãos pesadas passearem pela minha cintura, barriga e costas. Mordisquei seu lóbulo e suguei um pouquinho. Distribuí chupões, mordidinhas e mais beijos por toda a região até voltar para a boca.
Tom inverteu as posições, fazendo o mesmo com o meu pescoço, enquanto eu arranhava suas costas e bagunçava seu cabelo. Ele trabalhou tanto no meu pescoço que, com certeza, amanhã necessitaria de maquiagem para disfarçar as manchas. Alguém liga? Porque eu não ligo não.
Tom me provocou, empurrando sua pelve contra a minha, me fazendo sentir o quão animado ele estava. Minha pele ficou toda arrepiada e eu fiquei com vontade de arrancar toda a nossa roupa. E o que me impedia? Nada! Então deixei que Tom tirasse minha calça de moletom, em seguida fiz a mesma coisa com a sua, encarando sua boxer super excitante da Hello Kitty. Juro.
- Hello Kitty? - perguntei com um sorriso incrédulo.
- Ganhei de aniversário ano passado.
- Eu adorei! - disse rindo e ele riu junto, voltando a me beijar.
Senti a mão do Tom deslizar para as minhas costas e sabia que ele queria abrir meu sutiã. Então, levei minha boca até seu ouvido e sussurrei:
- Fecho frontal.
O escutei rir e tirar suas mãos das minhas costas. Ele depositou um beijo na curva do meu pescoço antes de abrir meu sutiã apenas com uma das mãos. Um frio percorreu todo meu corpo quando vi que Tom parou tudo que estava fazendo para me avaliar. Corei imediatamente. Sério, fiquei morrendo de vergonha.
O puxei pela nuca voltando a beijá-lo pra ver se ele parava com aquilo. Funcionou. Senti sua mão deslizar da minha cintura ao meu seio esquerdo, massageando-o e, bom, aquilo era... enlouquecedor.
Sua outra mão estava no elástico da minha calcinha e tudo parou quando o senti abaixá-la um pouco.
A merda da minha consciência resolveu me assombrar, me lembrando de todas as experiências das minhas amigas e do quanto aquilo me assustava. Eu tava praticamente nua com meu namorado, na cama, quase fazendo tudo aquilo... E eu me senti tão, tão despreparada que me deu vontade de chorar.
Tom deve ter percebido alguma coisa de diferente. Deve ter sido porque eu parei de apertá-lo, e porque não retribuí mais o beijo. Afastou seu rosto para me olhar e franziu o cenho.
- Aconteceu alguma coisa? Diz que não, pelo amor de Deus. - se eu estivesse bem, daria uma gargalhada.
- Aconteceu... - miei, chorosa e não consegui evitar uma lágrima teimosa, que desceu pelo cantinho do meu olho. Ele limpou carinhosamente com o polegar, sem desfazer o contato visual - Desculpa, Tom... - eu sussurrei e o puxei para um abraço.
- O que houve?
- E-eu... Eu não estou preparada. - falei sem titubear muito. - Me desculpa, por favor, eu não devia ter feito isso com você. Ter provocado e ter chegado até aqui, mas é que você é tão... - deixei a frase morrer e ele deu uma risada. - Desculpa.
- Tudo bem. - me deu um beijo na bochecha e um selinho.
- Você tá triste?
- Um pouco frustrado. - ele confessou e eu suspirei pesadamente. Não queria tê-lo magoado nem nada. - Mas eu te entendo.
- Desculpa, Tom, desculpa mesmo. Você sabe que essa hora vai chegar, eu só não sei se estou preparada hoje. Você pode ter um pouco de paciência? - supliquei com a minha melhor cara de cachorrinho abandonado e ele assentiu com a cabeça, sorrindo.
- Eu só vou precisar ir ao banheiro rapidinho. - avisou, tentando conter um sorriso maroto - Não fique aí pensando besteiras, vou só conferir se os azulejos são de porcelana. Isso pode demorar um pouco, mas eu já volto. - concluiu, entrando no banheiro e eu gargalhei alto.
Eu não queria ter feito isso com ele, e nem comigo mesma. Eu sou uma idiota. Uma criança. Sou mais infantil que qualquer garota que eu tenha conhecido. Eu sou... Eu me odeio.
Comecei a chorar de arrependimento, raiva, por estar confusa, por não ter feito logo, por não querer fazer, por ter feito Tom de idiota...
Não chorei muito, só umas poucas lágrimas... Mas eu tinha vontade de quebrar tudo. Eu tava morrendo de raiva.
Tom saiu do banheiro depois de um tempo, se deitou ao meu lado e me abraçou. Eu já tinha me vestido - assim como ele - e parado de chorar, mas ainda sentia todo aquele desconforto. Então, nós voltamos a ficar em silêncio, apenas abraçados na cama.
Flashback off
O silêncio se estendeu até agora e eu estava me sentindo realmente mal.
- Bela, para com isso, não fica com essa cara, é sério, tá tudo bem. Eu não ligo. Quer dizer, eu ligo, mas eu não conseguiria fazer nada se você estivesse desconfortável. Não daria certo. Se você não tava preparada, fez certo em interromper tudo. Tá tudo bem, juro.
- Você é... Maravilhoso.
- Eu sei, eu sei. - se gabou enquanto ria, e eu lhe dei um tapa.
- Nunca mais te elogio.
- Você não conseguiria, sou irresistível.
- Cala a boca, Fletcher. Vai dormir, vai.
- Vou ter sonhos eróticos com você.
- Vou ter sonhos eróticos com o avô da Thalia. Sério, eu já tive um vez.
- Porra, depois dessa vou lá dormir no meu quarto. - ele fez menção de se levantar e o puxei, rindo. Ele me deu dois selinhos e me abraçou de conchinha.
- Boa noite, linda.
- Boa noite, Linduxo. - ele riu e eu também. - Obrigada por ser... assim.
- Por nada. Obrigada por ser assim também. - sorri, e então dormimos.
A noite foi tensa, mas nada que o bom senso do Tom não consiga contornar. Que bom que eu não namoro o Dougie. Senão eu seria uma escrava sexual. Brincadeira, coitado.
Acordamos não tão tarde, já que todos tinham que ir para suas casas. Sam estava estranha, Lia estava meio irritada, Flor e Soph estavam alegrinhas. Danny parecia um morto vivo, sem expressão no olhar, Dougie estava normal, cheio de gracinhas, Harry e Tom também estavam normais. Os meninos todos foram pra casa do Tom e as meninas, pra casa dos pais da Lia, que era a maior depois da casa da minha mãe.
Eu fiquei lá jogada no meu quarto até que decidi contar pra minha mãe. Meu plano era não contar diretamente, tipo uma bomba. Era fazer em etapas.
Chamei a mommy, que mandou eu ir até o quarto dela alegando estar ocupada, então eu fui. Me sentei em sua cama e ela sentou na ponta da mesma, usando apenas um roupão, para que nós conversássemos.
- Então, mãe... - eu tava nervosa. Bem nervosa mesmo. Dava pra ver. Claro que dava pra ver. Estava refletido na cara da minha mãe. Ela estava com aquela típica cara de desconfiança de quando o filho fala 'mãe, temos que conversar'. - eu... Bom, eu... Antes, prometa que sua reação vai ser a menos idiota possível. Sem me deixar sem graça e irritada, ok? - perguntei receosa e ela soltou uma risada nasalada, assentindo com a cabeça.
- Desembucha logo, Bela. - Ela reclamou depois que eu respirei fundo duas vezes.
Of course não é medo. Claro que não. É só que, como não tive muitas experiências com namorado (Na verdade só tive uma pseudo-experiência, e olhe lá), e como eu sei como minha mãe é irritantemente chata com essas coisas, eu estou com uma grande vergonha de contar pra ela.
- Ok... Eu... Eu meio que estou...
- Cheguei! - meu pai avisou, gritando da sala, e eu bufei.
- Oh, querida, tem problema a gente conversar depois? - minha mãe me perguntou, como se pensasse que meu pai atrapalharia.
- Tem! Mãe, você não tá entendendo, é agora ou nunca. E chame o papai, é bom ele escutar também. - ela franziu o cenho, ainda mais desconfiada, e pigarreou antes gritar, mas nem precisou. Chegou a puxar o ar, mas assim que ia soltar a voz, meu pai abriu a porta do quarto.
- Oi, princesas! - ele disse docemente, entrando em seu quarto. Largou sua maleta na poltrona e caminhou até mamãe, lhe dando um selinho e depois beijou o topo da minha cabeça. - Estou interrompendo alguma coisa? - ele perguntou ao ver minha cara aflita. Com certeza, eu tava parecendo uma vaca parindo pra ele ter perguntado com aquela cara.
- Não, não! Na verdade, pai, você chegou bem na hora. Senta aí que eu tenho que contar uma coisa muito importante pra vocês.
Os horários do meu pai eram meio loucos, sabe, coisa de médico. Eram dez da manhã e ele tinha acabado de chegar em casa... Estranho. Ok, esse comentário foi desnecessário. É só porque eu to nervosa.
- Ok. - ele sentou e me olhou como se dissesse "vai, minha filha, tá esperando o que?! Quero comer sua mãe logo!" Ai, CREDO. NÃO ACREDITO QUE EU PENSEI NISSO.
- Que foi? - minha mãe perguntou fazendo uma careta. Ela deve ter reparado na minha cara de nojo absurda.
- Nada... Deixa. Vou direto ao ponto. - respirei fundo e pigarreei. - Eu... Tô meio que namorando.
- Meio que namorando? - meu pai repetiu.
- I-isso...
- "Meio que"? Esses jovens de hoje usam umas expressões, né? - ele falou olhando pra minha mãe com aquela cara de "minha filha é uma dessas jovens de hoje. Que cruel!"
- É! "Meio que"... Vê se pode?! Pra ela é tudo "meio que". Eu to meio que com sono, eu to meio que atrasada, eu to meio que dançando... Tudo "meio que"! Parece que até que ela não faz nada por completo!
- Pois é! Essas gírias são tão ...
- GENTE?! - gritei, incrédula. Nesse pequeno diálogo entre eles eu fiquei encarando tudo com aquela boa cara bem no estilo "WHAT?!"
Cara, eu tava falando que eu, EU, estava namorando, NAMORANDO, e eles só escutam o "meio que"?! Fala sério!
- Pelo amor de Deus, né?! Eu a acabei de dizer que eu to NAMORANDO!
- Oh! Sim! Ai, meu Deus! - Pareceu cair a fixa pra minha mãe e ela começou com a reação que eu tanto temia: levantou e deu pulinhos, bateu palminhas com um sorriso ridículo e emitindo um som estranho que se assemelha a "ÊÊÊÊ". Nessas horas eu queria poder saber fazer essa expressão: ¬¬'.
- Mãe. - murmurei tentando fazer aquela cara. - Você prometeu.
- Ai, desculpa. É que eu fico tão feliz...
- É, é, eu sei. - respondi sem paciência e ela voltou a sentar. Meu pai só sorria e eu tinha escutado ele soltar um "até que enfim!".
- Bom, e quem é o - aposto que ele vai falar sortudo: - sortudo? - pais são clichês.
- Er... Ele vem aqui hoje. Aí vocês vão ver quem é.
- Ele vem jantar aqui?! - minha mãe perguntou animada.
- Vem. Sei lá, deve vir. - falei, dando de ombros.
- Ai, cruz credo, Isabela. Nem quer fazer o melhor pro seu namorado... Olha, homens gostam de mulheres que se...
- Mãe, é sério, não quero ouvir. Assunto encerrado, beleza? - Propus, aí mamãe fez cara feia e o papai riu.
- Ele vem jantar, né? - minha mãe voltou a perguntar, cinco segundos depois. Bufei e assenti com a cabeça. - Ótimo! Estava doida pra usar minha louça nova, e cozinhar o ganço que eu compr...
- Mãe, é sério, não gaste o ganço com o Fle... Meu namorado - corrigi a tempo e ela nem percebeu. Lerdinha que dá dó. - Ele não liga. Melhor você fazer macarrão com aquele molhinho de presunto e queijo de sempre ou pedir uma pizza, sei lá, só sei que acho desnecessário você fazer tudo isso pra ele.
- Voto na pizza. - meu pai opinou e demos um high five.
- Claro que não! Tem que causar uma ótima primeira impressão no primeiro jantar, sabia?! Aliás, você que deveria cozinhar!
- Tá doida que eu vou ficar cozinhando pro T... Meu namorado?! - corrigi de novo. - E... Acredite, não é o primeiro jan... Esquece. - Ops, bem acho que falei merda.
- Ué, ele já jantou aqui? - meu pai pescou.
- Não, não... - menti. Mas pra que mentir se eles iam descobri dentro de algumas horas? Idiota, eu, né? - Ah, seus curiosos! Parem de ficar me fazendo quase falar! Daqui a pouco vocês vão saber quem é! Agora dá licença que eu tenho mais o que fazer. - pulei da cama e corri até meu antigo quarto que continuava lindo e maravilhoso. Melhor do que quando eu morava aqui, eu garanto.
O dia passou rápido. É sério, voando. Quando eu vi, já eram sete e meia, e o Tom chegaria oito horas. Bom, ele era pontual.
Levantei e, como havia tomado banho a algumas poucas horas, apenas tirei aquele pijama horrivel e velho, coloquei um jeans meio que rasgado, um casaco de moletom gigante (que era dele), e minha pantufinha quentinha. Fui no banheiro e joguei o cabelo pro lado só pra sensualizar. Mentira, foi reflexo. Aí eu desci pra tomar um suco ou qualquer coisa ingerível.
- Filha, vai se arrumar! Já são dez pras oito! Daqui a pouco ele tá aqui! - minha mãe gritou, me apressando. Eu quase ri. Ela tava maquiada, com uma saia de cintura alta daquelas formais, de sutiã, e com bobes no cabelo. É sério, eu só não ri porque eu tinha que manter minha cara de tédio pra ela. Sabe? Aquela cara de (#).
- Mãe. - falei firmemente - Você vai sair pra algum lugar?
- Não! Hoje tem o seu jantar, minha filha! - ela retrucou como se fosse óbvio.
- Cara, mãe, não precisa de nada disso! Olha como eu estou vestida!
- Tá maluca que você vai aparecer assim na frente do seu namorado no PRIMEIRO JANTAR?! Ele termina com você na hora! - dei uma risadinha descrente.
- Acredite, duvido muito disso. Ah, pega o suco de maracujá aí, por favor?
- Filha! Homens gostam de...
- MÃE! Já falamos sobre os conselhos sobre homens, não já?! E, cara, fica tranquila. Ele não liga pra nada disso, você vai ver. E quando eu falo "isso", quero dizer tudo "isso". A comida, a louça, as roupas... Tudo. E, a propósito, pode passar o suco, por favor? - ela bufou e rolou os olhos, entregando o suco.
- Maracujá porque tá nervosa?
- Maracujá porque eu gosto. Mãe, eu não to nem um pouco nervosa.
- Como não? Não tá nervosa com o que vamos pensar ao conhecê-lo, nas perguntas que vamos fazer...? - dei mais uma risadinha, dando uma golada no suco.
- Acredite, não há motivos. - falei antes de terminar o suco e voltar para o meu quarto. Poucos minutos depois, a campaínha tocou.
Soph's POV on
Eu estava na casa da Lia há um tempão. Sam tinha ido pra casa dela, e só quem estava aqui era a Flor. E a Lia, é claro, né.
Nós três passamos o dia conversando sobre a festa da Bela. Sim, porque o propósito dessa viagem é ela, e se ela pensa mesmo que vamos deixar ela fazer dezoito anos e comemorar com uma festinha de família, ha-ha-ha-ha-ha. Ela está enganada.
- Ok, então o que nós já temos? - Lia perguntou com seu tablet na mão.
- Nada. - Flor resmungou impaciente e eu ri.
- Não, não é possível! Estamos aqui a tarde toda e não resolvemos nada?! Nó já temos o... o... PORRA, NÓS NÃO TEMOS NADA! - Lia gritou jogando o tablet na cama (ela fez isso com todo o cuidado).
- A gente não tem nem mesmo uma ideia. - Falei.
- Ok, com dezoito anos, o que você gostaria de fazer? - Lia tentou pensar. Ela andava de um lado pro outro.
- Beber todas. - Flor disse.
- Mas isso ela nem gosta, e já faz. - Disse, e elas concordaram.
- Se ela fosse uma pessoa normal, facilitaria muito! - Lia falou se jogando na cama e bufando.
- Ah, porque agora ela é um aliem! - brinquei fazendo a Flor gargalhar.
- Não, idiota. Você entendeu. É difícil fazer uma surpresa pra ela.
- Claro que não, você tá sendo uma égua. - Flor disse, mas de um jeito que não pareceu rude. Pelo contrário, ela foi toda fofa. Se fosse eu, todo mundo iria achar que eu era uma troglodita grosseira. Mas a Flor sempre consegue falar as coisas de um jeito fofo. Acho que ela é ninja.
- Tá mesmo. - concordei. - Você sabe que a Bela é mais estranha que sei lá. É capaz de, se você der uma amoeba pra ela, ela ficar mais feliz que se ganhasse o Ashton Kutcher como pingente de um colar de diamantes. - Elas riram.
- Tudo bem, então... o que a gente pode fazer? - Lia perguntou.
- TIVE UMA IDEIA! - Lia gritou!
- AI, MEU DEUS, CONTA! - Me empolguei.
- VAMOS LIGAR PRA SAM E PERGUNTAR - ela falou a ideia e eu quase dei um soco na cara dela.
Sam's POV on
- Alô. - atendi sem muita animação. Nem tinha visto quem era.
- Oi, pessoa linda! - Ouvi a voz da Flor do outro lado da linha.
- Oi, ornitorrinca. - ela riu.
- Ainda tá tristinha?
- Não muito.
- Hum, que bom. Desencana, Sam. Sério, o Danny é um bobão, ele nem deve ter feito por mal. - Flor disse eu sorri, mesmo sem ela ver. As palavras das minhas amigas normalmente me faziam bem.
- VAI LOGO AO ASSUNTO, GAROTA. - uma voz que eu acho que era da Lia gritou ao fundo.
- Ok, ok, Sam, dá uma ideia de surpresa pra fazer pra Bela!
- Podemos ir a um PUB qualquer depois da festa. A gente manda fechar e faz uma festa com todo pessoal jovem que a gente conhece por aqui. - falei indiferente.
- BOA! CARACA, TE AMO SAM. - a voz da Lia surgiu novamente, do nada.
- Sério que essa ideia foi boa? Nunca acho que eu tenho criatividade suficiente.
- Deixa de ser boba, sua boba. - Flor disse e eu ri.
- Mas Sam - dessa vez, a voz da Soph invadiu a linha - Fala aí alguma coisa pra gente fazer pra ela, tipo, um presente legal, sabe?
- Sei... Sabe o que ela ia adorar? Se a gente cantasse pra ela, tipo, ela sempre é a que tá lá no palco, cantando pra gente e tal, então seria legal e engraçado se a gente cantasse pra ela!
- CARA, SAM, JÁ DISSE O QUANTO EU TE AMO? - a voz da Lia ecoou pela terceira vez, ao fundo. - Você salvou nossa vida e o aniversário ex-fail da Bela! Obrigada, gataaa! Temos que desligar!
- Ok, boa sorte aí. O que precisar, me liga.
- Tá bom, pode deixar. - Lia disse. - Beijo! - todas elas disseram em conjunto.
- Beijos! - disse e então desligamos.
Legal, sou a menina das ideias. Agora to me sentindo o máximo.
Soph's and Sam's POV off
Narrator's POV on
Tom esperava ansioso, do outro lado da porta, quando ouviu a maçaneta girando e sorriu, ao encontrar uma Sra. Johnson toda produzida. "ela deve sair...", pensou.
- Ah, oi Tom. É você. Pode subir, a Bela tá lá no quarto. Mas vê se vai rápido hein. Hoje é uma noite especial. - ela informou sorrindo, achando que ele já devia saber sobre o novo namorado de Bela, e que hoje seria a noite em que o tal namorado se tornaria ciência dos pais.
Ele achou estranho o jeito como a Sue falou, mas apenas deu de ombros e entrou. Cumprimentou Sr. Johnson que lia qualquer coisa numa revista dessas que só tem política e subiu. Bateu na porta do quarto da Bela, que ignorou completamente pois não ouviu, e entrou.
- Bela? - ela sorriu e tirou os fones do ouvido, depois estendeu os braços em sua direção como se tivesse pedindo um abraço.
Ele imediatamente retribuiu o sorriso, indo até ela com uma cara infantil. Se jogou em cima da cama, agarrando a menina logo em seguida que gargalhou com os beijos no pescoço.
- E aí, qual é a boa, Fletcher? - ela perguntou, pegando o iTouch e olhando as músicas.
- Preciso mesmo dizer? - ele deu um sorrisinho malicioso e ela gargalhou.
- Você está a cada dia mais brega. Ah, me conta! Qual foi a reação da minha mãe quando te viu?
- Ué, você ainda não contou pra ela, cont... - Tom foi interrompido por um barulho de porta sendo aberta.
- Filha, que horas o seu nam... - Sue os olhou com agarrados, na cama, e então deixou seu queixo cair e seus olhos esbugalharem. - O T-Tom... O Tom é o s-seu... Ele que é o... Meu Deus.
Tom alternava seu olhar entre Bela e Sra. Johnson com receio. Não sabia o que pensar daquela situação. Aquela reação teria sido boa ou ruim?
Bela apenas franziu o cenho achando sua mãe meio lenta demais.
- Mãe?! Você não percebeu quando ele chegou bem na hora que eu falei que meu namorado ia chegar? E você não ligou as coisas de quando eu disse que não precisava se arrumar toda, e cozinhar ganso, e usar a louça nova... E aí aparece o Tom na sala...? Não ligou as informações?
- N-não... Ai, meu Deus, eu acho que estou chocada.
- Chocada pelo que, mãe? Pelo amor de Deus, você sabe disso desde que eu me entendo por garota com sentimentos. - ela disse, depois riu de si mesma.
- Eu sei, mas é chocante mesmo assim... Quer dizer, depois de tudo... Eu não achei que... Bom, eu pensei que vocês só tinham voltado a ser como antes, sabe? Melhores amigos... Como irmãos... Quer dizer, não irmãos, porque agora vocês estão juntos e seria estranho dizer isso, mas... Não sei, é... Chocante! - Sue tagarelou - mas... Caramba, vocês dois! Ai, que coisa mais linda! Vou buscar uma câmera! - Bela rolou os olhos com leve-quase-sorriso no canto da boca, e Tom riu. Em partes, foi pelo alívio, mas mesmo assim tinha sido um cena engraçada. Pela primeira vez ele sentira algo-que-se-aproximava-do-medo pela senhora Johnson. Foi tipo um leve cagasso. Nada demais.
- é sério que ela se arrumou toda só pra isso?
- Aham... Tinha que ver a cara dela quando eu disse que tava namorando. Só faltou tatuar seu nome na bunda. Se ela soubesse que era você, né... - ele gargalhou e tomou o iTouch da mão dela, vendo as musicas.
- Voltei! - Sue adentrou o quarto ofegando, com a câmera na mão.
- Nossa, rápida. - Bela comentou enquanto sua mãe apontava a câmera para os dois. Tom sorriu, mas foi mais uma careta do que um sorriso, Bela deu a língua ficando vesga (ela amava fazer isso), e Sra. Johnson tirou a foto.
- Agora outra dando beijinho. - ela pediu com um sorriso coruja.
- Ah, não mãe, só uma tá bom.
- Ah, não, Isabela. Eu quero uma foto dos dois se beijando! - ela fez pirraça. - Foto dos dois fazendo careta eu já tenho! Agora eu quero uma de vocês beijando! Vai, só uma bitoquinha!
- Bitoquinha?! - Bela e Tom gargalharam. - Que tipo de pessoa fala bitoquinha?! - ela completou, levando suas duas mãos até o rosto de Tom, segurando com carinho e firmeza, e logo depois beijando-o.
- Pronto! Obrigada! - Sue falou depois de bater duas fotos do beijo.
- ok, mãe, você já pode...
- Ai, sabe, eu to feliz por vocês dois, é claro, mas é que agora bateu um desânimo porque não vai ter toda aquela coisa de conversa entre os pais e o namorado, e toda aquela coisa de intimidar o garoto...
- Ah, Sra. Johnson, não se preocupe pode ter uma entrevista comigo, eu não me importo. Pode deixar que eu finjo ficar com medo e tudo. Sou um ótimo ator, você sabe. - Tom disse e Sue gargalhou.
- Tudo bem então. Mas, bom, vai ter que ser agora, porque eu tinha subido mesmo só pra avisar que o jantar tava pronto, e claro, pra perguntar do namorado sumido que acabou sendo você. Então, venham, crianças.
Os três descêramos rindo e Bela estava de mãos dadas a Tom. Obviamente, Edward reparou.
- Ué?! Seu namorado é o Fletcher?!
- Pois é, pai.
- Sabia que esses dois iam acabar juntos. - ele comentou sorrindo e voltando a ler sua revista.
Jantaram, e eles comentaram como tudo começou, omitindo 75% da história.
Aí, começou a parte do interrogatório fatal dos pais. O que seria apenas um momento fajuto para que Sue não ficasse frustrada.
- Ok, rapaz. Qual são suas intenções com a minha filha? - Sr. Johnson perguntou e Tom soltou uma risada rápida.
- Bom, minhas intenções com ela são... Ah, você sabe, Er... - Tudo bem que aquilo não era sério, mas, pra falar a verdade, Tom não fazia a menor ideia do que dizer, o que o deixava meio... Nervoso, talvez.
- Como você não sabe suas intenções com ela, Fletcher? - Edward perguntou num tom sério. - Como vou confiá-lá a você desse jeito?
- Er... Bom, pra falar a verdade, Sr. Johnson, minhas intenções com a Bela são as mais nobres possíveis. Planejo casar com ela, comprar um chácara e ter relações sexuais só depois do casamento, nessa chácara, onde vamos criar nossos filhos e ter uns cavalos sem pulgas e carrapatos. E também dois cachorros. E uma piscina. Grande. - Falou a primeira bosta que lhe veio a cabeça, que fez Bela segurar um risada. Sem muito sucesso, por que ela fez aquele som esquisito com o nariz, sabe? Aquele de quando uma pessoa tenta segurar a risada, mas não consegue.
- Oh, bom saber. - Sr. Johnson falou se aconchegando no sofá. - E quando vocês pretendem casar?
- Assim que a Bela comprar a chácara com o próprio dinheiro. - Ele respondeu com um sorriso cordial.
- Ai, que pilantra! - Bela não se conteve e Sue riu.
- É que eu quero ensiná-la a ser independente fazer seus próprios negócios, entendem? - Fletcher explicou.
- ah, sim. E qual faculdade planeja cursar? - Sr. Johnson perguntou mantendo a pose séria.
- Planejo cursar direito em Oxford. - Ele disse (lê-se "mentiu") com naturalidade e Bela soltou uma gargalhada.
- Hum, ótimo. Acho que você é um bom partido. Pode ficar com a minha filha, eu deixo. - Ed afirmou ainda com sua seriedade fajuta, e Tom sorriu agradecido.
- Êêê! Tá feliz, mãe?
- Nunca escutei tanta mentira na minha vida, mas, sim, estou!
- Ótimo, agora, vem Fletcher, vamos subir. - Bela pulou do sofá - carregando Tom pela mão, que ria contidamente. Assim que os dois sumiram pelas escadas, Sr. e Sra. Johnson se olharam.
- Não acredito que a Bela tá namorando o Tom. - Sue abraçou a cintura do marido, enquanto se aconchegava no sofá.
- De um jeito bom ou ruim?
- De um jeito ótimo. Quer dizer... Não podia imaginar alguém melhor pra estar com ela.
- Estou feliz que tenha sido ele. Me sinto mais seguro.
- Será que eles já transaram?
- o que?!
- É, Ed, não se faça de bobo. Não espere que a Bela seja virgem até o casamento... Não com essa realidade em que ela vive. Bom, seres humanos tem suas fraquezas. E, você sabe, a Bela tem os valores dela, mas é o Tom... E ele é sonho dela desde menina. Além de ser lindo.
- Acho que ela é virgem. Mas, com esse namoro, não espero que dure muito tempo.
- eu acho eu eles já...
- Outch! Merda! - escutaram um sussurro, vindo da escada.
Narrator's POV off
Tom's POV on
Sim, a gente estava mesmo escutando todas as merdas que eles estavam falando, escondidos no topo da escada. Mas eu já devia saber com quem eu estava. Porque que eu esperava que Bela conseguisse ficar quieta mesmo?
O que me assustou foi que, cara, nós estávamos ali, parados. Não tinha como fazer barulho. Era só parar e escutar. Simples. Mas não, ela tinha que fazer alguma coisa.
Bela foi querer inventar de olhar as expressões que eles faziam e se dobrou toda para espreitar sem ser vista. É claro que ela se desequilibrou e caiu. Óbvio. Que bom que não saiu rolando escada abaixo (e isso só não aconteceu porque eu a segurei) mas, pois é, fez um barulhão.
- Filha, você está aí? - Escutamos a voz da Sra. Johnson ecoar da sala.
Bela me olhou com aquele desespero, e mexeu os lábios sem emitir som: "o que que eu faço? O que que eu faço?!"
"sei lá!" - respondi do mesmo modo.
- Filha?
- Er... O q-que, mãe? - ela respondeu em voz alta, se levantando do chão.
- Você tava aí escutando a gente, é?
- Não! Pfff! Claro que não mãe! Faça me o favor! Pra que eu iria ficar escutando suas resenhas bobas com o papai se eu tenho um Tom pra aproveitar?! - gargalhei tentando não emitir muito som e ela colocou a mão na minha boca apressadamente - Agora.. - ela pigarreou - me dá licença que eu vou continuar o que estava fazendo.
- Tudo bem. - a mãe dela respondeu calmamente.
- Sue. - escutamos o Sr. Johnson falar. - Fico feliz por ela perder a virgindade com o Tom. Pelo menos é com ele. Já me sinto mais tranquilo.
- Eu também. Você acha que eles se casam? - Sue perguntou e eu ri um pouco. Bela também.
- Sim, acho. Você mesma disse que ela gosta dele desde pequena. Acho que sim, a Bela tem essas coisas de casar com o príncipe encantado. Aposto que ela sonha que ele vai chegar de carruagem, se ajoelhar e pedir pra casar com ela. - O pai dela disse rindo e Sue gargalhou. Eu também. Bela não.
- Eu vou bater no meu pai. - ela sussurrou. - Ele fica explanando meus segredos por aí só porque ele me conhece, que escroto!
- Que segredos? - sussurrei também.
- Nada não, vamos parar de escutar a conversa dos dois, estou ficando constrangida. - ela disse, engatinhando até o quarto dela e eu, como sou uma pessoa normal, me levantei e caminhei até lá.
- Agora vem a pior parte. - Ela disse, já de pé, fechando a porta do quarto. - Contar para sua mãe.
- Não acho essa seja a pior parte. - dei de ombros. - Não vai mudar em nada.
- Tomara, eu tenho medo dela.
- Para de ser boba. - eu disse, enquanto ela me escalava. - O que é isso? - perguntei, me referindo ao fato dela estar em cima de mim, com as pernas amarradas na minha cintura e os braços envoltos em meu pescoço.
- é um abraço de coala.
- Porque coala?
- Thomas, não seja burro. É só você pensar em como um coala fica agarrado no bambu que você entende. - ela disse e eu ri.
A abracei pela cintura e a gente ficou se pegando um pouco. Depois nos dois deitamos na cama e começamos a conversar sobre coisas aleatórias tipo:
- Mas que bicho você gostaria de ganhar?
- Tipo o que, pra ter? - ela perguntou.
- Não, não, pra mutilar com o dente. - falei rindo e ela me deu um tapa (que doeu um pouco), mas depois começou a rir.
- Enfim, de verdade, eu sempre sonhei em ganhar um porquinho. Um daqueles rosinhas bonitinhos que não crescem muito, aí eu criaria como um neném, e ele seria cheiroso e paparicado. Depois, certamente quando ele ficasse adulto, eu daria a alguma fazenda para ele procriar e viver com sua família de porquinhos.
- Que maldosa, você iria abandonar seu animal sem ter dó?
- Claro que não. Eu iria visitar o Garry sempre, e garantir que a vida dele continuasse sendo um luxo. - ela disse com o nariz empinado e eu ri.
- Garry? Ele já tem nome?
- Já. - ela deu de ombros.
- Sério que você quer ter um porco?
- Sério, Tom. Eu sempre quis. Desde pequena, mas você era um péssimo melhor amigo, e nem lembra.
- Desculpa, amor.
- Não desculpo não.
- O que eu devo fazer para merecer suas desculpas? - perguntei. Lá vem ela com suas propostas absurdas, quer ver?
- Você tem que comprar um porco com pedigree e com um coleira azul e um pingente de patinhas de cachorro metálico gravado 'Garry' na frente, e atrás escrito: 'esse lindo porquinho pomposo pertence à Bela Johnson', e também tem que comprar todos os acessórios dele, isso inclui a caminha, uma casinha com feno dentro, e na porta da casinha tem que ter escrito 'Garry', coisinhas para ele morder, escovinha para pentear seu pelos grossos e um shampoo cheiroso, perfume, gravatinhas e tudo mais. Faça isso que eu te desculpo. - ela disse como se tivesse contando uma história. Eu gargalhei.
- Acho que a gente vai ficar brigado mesmo.
- ótimo. - ela fingiu estar aborrecida e cruzou os braços.
Depois disso a gente se pegou mais uma pouco e eu fui embora. Eram umas onze da noite. Quando cheguei em casa me deitei na espreguiçadeira da piscina pra pensar um pouco. Dizem que pensar faz bem, às vezes. Eu adorava pensar enquanto analisava aquela casa de praia (#). Ela já tinha mudado tanto desde a minha infância... Aposto que a Bela não vai nem reconhecer...
Tom's POV off
- HAPPY BIRTHDAY TO YOU, HAPPY BIRTHDAY TO YOU, HAPPY BIRTHDAY DEAR BELA, HAPPY BIRTHDAY TO YOU! - acordei com seis pessoas cantando a adorável musiquinha de aniversário, me dando várias travesseiradas e fazendo cócegas. Se não fosse meu aniversário, aquilo poderia me irritar.
Sam, Lia, Soph, Flor, meu pai e minha mãe estavam lá, fazendo quizumba no meu quarto.
- BOM DIA, SUA VELHA! - Sam pulou em cima de mim, me abraçando e eu ri. - PARABÉNS, EU AMO VOCÊ! VOCÊ É CHATA, FEDIDA, INSUPORTÁVEL, HORROROSA, ESTÚPIDA, MAL CARÁTER, INESCRUPULOSA, DESONESTA, ANTIÉTICA, FEIA, ANIMALESCA, BOBA, INFANTIL, IGNORANTE, MÁ, METIDA, GROSSA, ASQUEROSA E FALSA, MAS EU AMO VOCÊ. FELIZ ANIVERSÁRIO, AMIGA!
- Own, brigada, Sam! - a abracei rindo e ela apertou minhas bochechas. - espero que esteja sendo bem, bem, bem, bem, bem irônica nesse seu discurso porque saiba que eu sei onde minha mãe guarda a cerra-elétrica, e saiba que eu sei onde é localizado o seu sistema reprodutor.
- Estou sendo bem irônica, não se preocupe. - ela gargalhou - Você tá até com umas rugas de tão velha. - Ela comentou, saindo de cima de mim e eu ri. Antes que ela conseguisse sair totalmente de cima de mim vieram as outras e se jogaram, fazendo um montinho sobre a minha pessoa. Elas ficavam resmungando votos de alegria, paz, saúde, sucesso, amor, amizade e tal, e eu sabia que eram sinceros, por isso, achei bonitinho e deixei elas ficarem sobre mim até a hora que não consegui mais captar oxigênio.
Depois disso vieram meus pais com todos aqueles apelos e palavras carinhosas de sempre. Ouvi tudo com um sorriso, agradeci e fui para o banheiro. Ai, ai. Dezoito... Falta pouco para vinte e um. Muito pouco, muito pouco.
Sorri.
Eu estava feliz. Com bons pressentimentos.
Tom's POV
Eu tava em casa, meio inquieto, e os caras estavam conversando com as minhas primas e com a minha irmã. Minhas tias estavam todas aqui, como sempre. Eu tava com saudade deles mas naquele momento, me sentia meio nervoso. Bela viria aqui pra casa daqui a muito pouco com as meninas. Só esperaria ela chegar para contar tudo pra minha mãe.
- E aí, cara? - Danny sentou do meu lado com uma garrafa de cerveja na mão. - pensando na morte da bezerra?
- Só se eu for a bezerra. - ele riu.
- Ah! - ele pareceu lembrar de alguma coisa e eu o olhei curioso - Como foi sua noite com a Bela? Ainda não tive oportunidade de perguntar.
- Que noite?
- A primeira... Que vocês dormiram juntos. - ele deu um sorriso malicioso e eu ri.
- A gente nã...
- Fala aê, Fletcher. - Harry chegou e sentou do meu outro lado, sendo acompanhado por Dougie que sentou no banquinho à nossa frente.
- Calem as bocas que o Fletcherzão aqui vai contar como foi a noite dele com a Bela. - Danny falou com uma voz afeminada que me fez rir.
- Ela é boa? Porque todo mundo imagina que sim, né, mas, sabe como é... Iniciante nunca se sabe... - Dougie comentou e Harry concordou.
- E também porque o Tom é cheio de não me toques na cama... Vai saber. Onde já se viu homem que não gosta de ser arranhado?! Puta que pariu, é muita veadisse.
- Querem calar a boca? - pedi, meio impaciente, mas não irritado. - E eu não gosto porque arde, ora! E depois fica até machucado... - eu falei pensativo. - Mas... Quando a Bela fez isso... Eu não sei como ela é capaz, mas quando ela fez, foi... Bom. Quero dizer, foi delicioso. Eu senti prazer. Sei lá. Ela tem esses efeitos sobre mim.
- Que apaixonadinho! - Danny zoou.
- E ela é mesmo boa de cama? - Harry perguntou entusiasmado.
- Ah, é. Tem isso. Acontece que a gente ainda não transou nem nada.
- COMO É?! - Danny e Harry perguntaram ao mesmo tempo e Dougie arregalou os olhos.
- Tá brincando né, truta? - Danny perguntou meio incrédulo e eu ri, negando.
- Foi foda, cara. A gente tava quase lá e ela quis parar. A Bela é meio assim, ela é muita santinha nessas horas. Mas o pior foi que a gente chegou muito perto mesmo. Só faltava a calcinha e a minha boxer. E, porra... Nem me faça lembrar.
- Caralho. - Dougie resmungou. - Mas você pelo menos viu os peitos... Essa que é a melhor parte. Eles são bons?
Nós rimos. Dougie é um tarado.
- De quem estamos falando? - Harry perguntou como se fosse óbvio. - É claro que são bons!
- Eles não são bons, são... Perfeitos. Ela é gostosa pra caralho. - Tive que dizer.
- Com todo respeito, mas... É mesmo. - Danny concordou e a gente riu mais.
- Sabe o que eu fico imaginando? Como deve ser o Dougie com aqueles peitos da Soph. - Harry comentou e Dougie riu de uma forma muito, muito safada.
- Aquilo sim são peitos. Meu Deus. - Ele falou passando a mão no rosto como se tivesse sofrendo.
- E a Sam? Porra... - Falei e Danny balançou as sobrancelhas com uma expressão que, segundo a minha linguagem corporal, é traduzida como "peguei".
- Ela tem peito pra cacete mesmo. - Harry concordou. - Mas só tenho olhos pra bunda e pras pernas da minha garota.
- Esse é o bom Harry. - Danny disse rindo. - Gosta de exageros.
Gargalhamos.
- Tom, as vezes fico com inveja de você porque a minha namorada não tem clipes rebolando com pouca roupa na televisão pra eu poder sonhar. - Dougie comentou vagamente provavelmente pensando num dos clipes da Bela.
- Você ficaria com ciúmes da sua propriedade se estivesse no meu lugar. Porque isso tem dois lados né.
- Verdade. - Harry concordou bebendo um gole da cerveja do Danny.
- Tom? - Dougie chamou de repente.
- Hm.
- Acha que a Bela geme igual ela faz naquela música, red bed?
Danny soltou uma gargalhada escandalosa que fez todo mundo olhar pra gente e meu priminho de sete anos rir dele.
- Acho que... Sei lá, espero que sim porque deve ser muito excitante.
- O que deve ser excitante? - A voz dela ecoou atrás de mim e eu me virei para olhá-la. Ela tava linda. Usava uma roupa (#) bem no estilo 'sou sexy e sei disso', que me fez alargar o sorriso e pensar em algumas obscenidades particulares que não vem ao caso.
- Seu gemido em red bed. - Danny falou sem pensar e ela gargalhou, me dando um abraço apertado que fez minha mãe olhar torto. Muito torto mesmo.
- Amor, feliz aniversário. - Sussurrei em seu ouvido e sorri quando vi que ela se arrepiou. - Eu amo você. Muito.
Ela apertou o abraço e deu um beijo no meu pescoço.
Os meninos atacaram a coitada sem nenhum piedade ou delicadeza e ela não parava de rir de tudo que eles faziam. Cumprimentei as outras meninas e escutei um grito:
- BELAAA! - eu conhecia esse grito. Carrie. Minha irmã.
- Carrie! - Elas se abraçaram e ficaram duas horas nessa melação, se agarrando como se a Bela fosse embora e nunca mais fosse voltar.
- Oi, Isabela, oi meninas. - minha mãe passou e acenou, forçando um sorriso que fez Carrie revirar os olhos.
Eu até fiquei feliz por ela ter cumprimentado.
Ficamos conversando por um tempinho e eu lembrei que tinha que falar com a minha mãe sobre meu namoro. Fui até ela e Bela percebeu o que eu iria fazer então começou a ficar completamente desconfortável. Sorri pra ela de longe e ela retribuiu fracamente, demonstra do sua insegurança.
- Mãe, eu tenho que falar com você.
- Eu também tenho que falar com você, Thomas. E é bem sério.
- o que houve?- perguntei confuso.
- Vem, vamos lá no meu quarto. - minha mãe me puxou pela mão até seu quarto e eu sentei na cama. - Fala você primeiro. - ela sugeriu com uma expressão angustiada.
- Não, pode falar.
- Ok, tanto faz. Só escute bem o que eu tenho pra te dizer, filho, porque eu te amo e só quero o seu melhor. - ela respirou fundo, assim como eu - Thomas, eu quero que você se afaste da Isabela de novo. - Nessa hora eu arregalei os olhos não acreditando no que escutei. Que merda ela tem na cabeça? Com todo respeito, claro. - Não faz essa cara, filho. É que a Isabela é uma pessoa que costuma apenas se importar com ela mesma, e está sempre julgando os outros. Ela acha que o mundo gira em torno dela, Tom, e isso pode te machucar e te prejudicar. Eu sei que você gosta dela, ma...
- Não. - a interrompi. - Eu não gosto dela, mãe. - disse calmo, mas completamente irritado. - eu amo ela. É diferente. Eu sou completamente apaixonado, viciado, obcecado por ela e se você prestasse mais atenção em mim e e no quanto eu sofri quando ela passou a me ignorar, você saberia disso.
- V-você é apaixonado pela Isab...
- Sou. Há muito tempo. Muito mesmo, e acredito que continuarei sendo por muito tempo. Talvez pra sempre.
- Não diz isso Tom! Como você pode gostar de uma pessoa que te jogou no lixo do nada, sabendo que vocês dois eram amigos?! Como?! Ela não gosta de você de verdade, filho...
- Mãe, desculpa, eu realmente sinto muito por você não simpatizar com a Bela, por você não se dar bem com ela... Eu realmente espero que, com o tempo você consiga mudar, mas, por enquanto, você vai ter que nos aceitar, porque a gente tá namorando.
- COMO VOCÊ PODE SER TÃO IDIOTA, THOMAS?! Como?! Como você pode fazer isso comigo?! Tom eu estou mandando você terminar com ela agora! AGORA!
- Mãe, - continuei calmo. - nós dois sabemos que me proibir não vai adiantar muito. Você sabe que eu não sou desobediente nem nada, mas a Bela é o amor da minha vida, mãe. Ela é tudo que eu sempre quis desde pequeno e só agora eu fui conseguir. O que você ganharia destruindo minha vida? Por que, sabe, me fazendo terminar com a Bela depois de tudo que eu passei, e sentindo tudo o que eu sinto, é a mesma coisa que destruir minha vida. Talvez até destruir a minha carreira, não sei. Mas seria o pior que poderiam fazer contra mim. Você vai mesmo fazer isso comigo, mãe? - perguntei ainda calmamente, com um pequeno ar de indiferença.
- Vocês... Vocês... Eu não queria... Tom... Eu não sabia que você... Filho, quando a Bela te deixou, ela... Ela te explicou alguma coisa?
- Ela não gosta de falar disso, e ainda não me disse o porquê. Eu realmente não entendo essa história, mas... Sabe mãe, o passado não importa mais. O que importa é que agora nós finalmente ficamos juntos e eu não acho que exista alguma coisa forte o suficiente pra nos separar de novo, porque eu nunca amei nada como eu amo a Bela. - dei de ombros e minha mãe parecia incrédula e chocada. Seus olhos lacrimejavam e o nariz ficou vermelho. Não e entendi muito bem, mas avisei que eu ia descer. Virei as costas e saí do quarto. Desci as escadas encontrando a Bela e meu primo de sete anos conversando no maior papo dez. Sentei do lado dela, que sorriu apreensiva. Retribuí o sorriso de forma calma pra mostrar que estava tudo bem e pude vê-la relaxar.
- Bela, você quer ser minha namorada? - meu primo perguntou de repente e Bela gargalhou.
- Olha, Mike, você é muito bonito, mas...
- Ela já tem namorado, Mike. - Completei e Bela concordou com a cabeça.
- Mas eu não vi você beijando ninguém!
Bela de de ombros, segurou meu rosto e me deu um selinho. Mike ficou boquiaberto.
- O TOM É O SEU NAMORADO! - Ele falou como se tivesse descoberto que homens não ficam grávidos.
- É! - Bela respondeu sorrindo - Mas não se preocupe, quando você ficar mais velho, eu largo o Tom pra ficar com você, fechado?
- Fechado! - Ele respondeu sorridente e saiu correndo.
- Tom! - Ela reclamou provavelmente vendo minha cara de desgosto. - Não acredito que você vai ligar pra isso. Ele tem cinco anos!
- Ele não tinha sete?
- Ele tem cinco! E, porra, que diferença faz? Só estava brincando.
Continuei por mais alguns segundos de cara feia até que não me aguentei e ri.
- Eu sei, amor, só tô brincando. - a puxei pela cintura bem na hora que minha mãe passou por nós com uma cara má.
- Ela me odeia... - Bela sussurrou e eu apenas sorri.
- Mas eu não te odeio, isso que importa.
- Obrigada por não me odiar, eu também não te odeio. - Ela riu. - Tom, o que eu fiz pra sua mãe? Porque ela não gosta de mim?
- Não sei... Juro. Também queria entender. - suspirei. - Esquece isso. Agora já tá tudo certo e oficializado. - sorri e ela também. Demos um selinho demorado e não tínhamos a intenção de parar por ali, mas...
- Não acredito! - escutamos uma voz grossa e meio rouca, que eu conhecia bem. Olhamos para aquele bigode grisalho e aquela cara sorridente e rimos. - EU CHEGO EM CASA E O QUE VEJO? A menina mais bonita desse mundo, - pra ele, todas as meninas são as mais bonitas do mundo - que nunca mais deu o ar da graça, beijando o meu filho!
- Pai - disse sorrindo. - eu tô namorando com a Bela, para a sua alegria. - informei e ele alargou o sorriso.
- Sr. Fletcher! Eu tava com saudades! - Bela pulou do sofá e agarrou meu pai, que gargalhou.
- Também estava, querida! E feliz aniversário! Cria juízo, menina! Espero que agora você nunca mais me abandone! O que deu em você para sumir da minha casa e deixar o Tom chupando o dedo? - Bela apenas riu sem graça - Filho, essa foi a coisa mais inteligente que você fez. - Ela comentou sorridente e finalmente largou a Bela, lhe dando um beijo na testa. Depois veio até mim, me abraçando e desejando felicidades.
Fomos pra onde todos estavam, e aos poucos toda a minha família foi percebendo que eu e ela estávamos juntos. Minhas primas, que são as maiores baba-ovo dela, encheram bastante nosso saco, mas até que a tarde foi boa.
Tom's POV off
Tirando o fato que a Sam ficava trocando farpa com o Danny de dois em dois minutos, minha tarde de aniversário foi super agradável. A família do Tom é maravilhosa, todo mundo é super gente boa. Até a mãe dele. Ela é uma amor, super boazinha e engraçada. Se ela não me odiasse com certeza seríamos grandes amigas.
Enfim, tava tudo bem até o momento em que virei as costas e me deparei com ela.
Não.
Não pode ser.
Não hoje. Não aqui. Não, por favor, diz que isso é só uma alucinação, por favor. Ela não pode estar aqui... Não no meu aniversário! Não quando eu estou bem com o Tom!
- não! - soltei um sussurro pesado deixando duas lágrimas e meu copo caírem. Uma pontada forte atingiu meu coração e as lágrimas vieram como uma cachoeira. Todo mundo olhou por causa do barulho do copo estourando no chão e senti uma dor aguda e ardida na perna.
Olhei pra baixo e vi que um caco de vidro bem grossinho estava cravado na região lateral da minha batata mas aquela dor não me incomodou naquela hora e nem a imagem do sangue escorrendo em abundância.
E então corri. Corri o mais rápido que pude pra longe dali. Corri até uma praça que tinha perto da casa do Tom. Minha sorte é que Tom não estava perto quando tudo aconteceu. Senão ele viria atrás de mim. Só quem estava eram as primas dele, Flor, Sam, Danny e Dougie.
Fiquei chorando na praça apenas por medo daquela garota. Eu tinha pânico dela. Ela era meu pior pesadelo. Eu morria de medo da Maddie. Morria.
- Bela, pelo amor de Deus, vamos correr para o pronto socorro! Você vai morrer! - Sam gritou atrás de mim e eu percebi que ela e Danny estavam ali.
- Deixa de ser exagerada, Sam! É só um corte horroroso que deve estar doendo pra cacete e sangrando mais que bufala menstruada! - Danny retrucou e eu quase consegui rir.
Olhei pra minha perna e estava horrível mesmo. Tirei com toda a minha bravura o vidro dali e comprimi pra estancar o sangue.
- Meu Deus, Bela, você precisa de um hospital, urgente!
- Sam, não exagera. - Resmunguei chorando.
- É, Sam! - Danny concordou.
- MAS ENTÃO PORQUE VOCÊ TÁ CHORANDO?! VOCÊ NÃO CHORA COM ESSAS COISAS!
- E-eu não tô chorando por isso. Só preciso ficar um pouco sozinha, sério.
- Bela, daqui a pouco é a sua festa... Não vai dar tempo.
- Porque você tá desse jeito? - Danny perguntou docemente e eu o olhei.
- Cala boca seu imbecil. Sai daqui e vai acalmar o pessoal lá. Fala pro Tom que ela tá bem, fala que eu tô conversando com ela antes que ele mande a policia se espalhar e procurá-lá por aí. - Ela disse autoritária e ele rolou os olhos, voltando para lá. - Dá pra você explicar o que aconteceu? - Sam perguntou, sentando-se ao meu lado e me olhando preocupada. Desabei a chorar em sua ombro e ela ficou calada, apenas afagando minha cabeça.
Funguei.
- Sam. - Funguei de novo. - e-eu acho que está na hora de eu contar isso pra alguém. Pelo menos a você. Eu preciso. - Confessei, ainda chorando.
- Estou aqui. - ela foi doce. - Pode falar.
- Sam, o que eu vou te contar agora vai te fazer entender tudo. O porquê de eu me afastar do Tom, o porquê de eu estar assim, tudo...
Ela pareceu ficar meio apreensiva, mas apenas assentiu levemente com a cabeça e apurou os ouvidos pra me escutar.
Contei tudo. Expliquei detalhe por detalhe de toda a minha história. Ela quase me bateu por eu nunca ter dito a ela que eu sempre gostei do Tom, mas acho que a raiva dela acabou indo pra outras pessoas.
-... E então, depois que ele não teve nem a coragem de dizer isso na minha cara e usou a mãe dele e um e-mail humilhante, eu não quis mais vê-lo nem pintado de ouro. E o pior era que ele se fazia de vítima na frente dos outros, fingido que não sabia o porquê de eu estar estranha com ele e fingindo que estava sofrendo com isso.
- Filho da Puta! Vou dar uma coça nele!
- Sam, eu já perdoei, é sério. Ele já pediu desculpas e isso passou.
- Não interessa! Ninguém pode fazer isso com você!
- Para com isso, Sam. Ele gosta de mim. Sempre gostou, todo mundo diz... Esquece essa fase dele. Deixa eu continuar.
Continuei contando a ela sobre Maddie e seu olho só se arregalava.
- Pera aí, pera aí. - Ela me interrompeu, incrédula. - Então, aquela piranha-mal-comida, filha de uma puta-velha sabia que você gostava do Tom e mesmo assim ficou com e esfregou isso na sua cara?
- Mais ou menos isso. Ela ficava me dizendo o quanto ele era perfeito e o quanto ele estava bem depois que quis se afastar de mim. E ela sabia o quanto eu amava ele.
- EU VOU MATAR ESSA VAGABUNDA! MA-TAR! NINGUÉM FAZ ISSO COM VOCÊ! - Ela levantou e saiu correndo de volta pra casa. Eu bufei alto e fui correndo atrás dela pra impedi-la de fazer alguma besteira.
- Sam, espera! Se controla! - eu tentava gritar mas ela estava irada.
A única coisa que pensei quando vi Maddie do lado de fora da casa, junto com todos os outros, foi: 'Fodeu'.
- VADIA! VAGABUNDA! EU VOU TE JOGAR NO ESGOTO PRA VOCÊ SE JUNTAR A SUA ESPÉCIE, SUA BOSTA! - Sam começou a brigar e avançou pra cima da menina. Eu estava morrendo de dor e desesperada e então comecei a chorar ali mesmo, antes de chegar lá, e Tom correu até mim.
- Que foi?! O que que houve? - Ele perguntou preocupado e não consegui responder. Eu estava com um estranho sentimento nostálgico de raiva do Tom... E meio que recusei seu abraço, voltando a correr até Sam e Maddie.
O grande problema é que Sam não é dessas que arranham e puxam o cabelo. Ela bate mesmo. É perigoso.
Tom ficou meio perdido com toda a confusão e foi ajudar a apartar a briga.
Harry segurava, com toda facilidade, a Maddie e Danny segurava a Sam.
- Para, Para! - eu gritei.
- Eu não paro enquanto não arrancar cabelo o suficiente dessa vadia pra fazer uma peruca pra minha avó! E dentes pra uma dentadura! - Sam gritou, meio canibalesca.
- Você é maluca, garota! - Maddie gritou. - Me solta, Harry!
- Claro que eu não vou soltar. - Ele respondeu quase rindo e Dougie gargalhou.
- Mas que porra tá acontecendo?! - Tom perguntou nervoso.
- Porra é o que você tem na cabeça, SEU MAL CARÁTER! - Sam cuspiu as palavras e Tom arregalou os olhos.
- Não fala assim do Tom! - Maddie o defendeu e aí, galera, meu sangue já começou borbulhar.
- CALA A BOCA, MADDIE! - Gritei e ela me olhou com um sorriso sarcástico.
- ME SOLTA QUE EU VOU ATACAR ESSA PIRANHA! - Sam se debateu tentando se soltar, sem sucesso.
- Para, Sam! Tá parecendo uma maluca! - Danny gritou, se esforçando para segurá-la e ela abriu a boca incrédula.
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ME SEGURANDO? VOCÊ NÃO TEM PERMISSÃO PRA ME ENCOSTAR, SEU TARADO, PARA DE SE APROVEITAR DE MIM! PORQUE VOCÊ E TOM NÃO VÃO SE FODER?
- O que que eu fiz? - Tom perguntou meio assustado.
- MAS É UM CANALHA, MESMO! - Ela continuou gritando. - UM CANALHA, SONSO, MAL CARÁTER, SEM CORAÇÃO, FALSO! VOCÊ VAI PAGAR PELOS SEUS ERROS, SEU IMBECIL!
- Já falei pra não falar com o Tom assim! - Maddie o defendeu de novo e eu senti meus olhos queimarem. Pensei que fosse soltar um raio laser na cara dela.
- Que foi, Bela? Eu e Tom nos gostamos, temos que nos defender.
98º. Meu sangue estava a 98º graus.
- Já mandei calar a porra da boca. - Falei baixo e firmemente, e tinha noção do quanto minha cara devia estra demoníaca.
- Agora eu acho que fodeu. - Dougie comentou.
- Meu Deus, realmente fodeu. - Lia falou assustada. - A Bela se irritou de verdade.
- Alguém pega a filmadora, isso é um momento inédito na história. - Soph falou e Flor deu uma risada contida.
- Que foi, hein, Bela? Tá pensando nos velhos tempos? - Maddie perguntou sarcástica.
Agora, eu realmente digo: Fo-deu.
- FILHA DA PUTA! - Sam gritou quase ao mesmo tempo em que eu avancei na Maddie.
Não deu tempo de tocar nela. Tom me segurou antes. Voltei a chorar compulsivamente e senti Lia e Soph me abraçando junto com Tom e me levando pra dentro de casa.
Thalia's POV
- BELA, O QUE VOCÊ ACABOU DE FAZER? VOCÊ IA MESMO BATER NUMA PESSOA?! - perguntei nervosa e ela apenas continuou chorando.
Sabe, ver a Bela fazer aquilo foi inacreditável.
Ok, ela é um ser humano e se irrita muitas vezes, óbvio. Mas raramente ela fica naquele estado. Quer dizer, Bela sempre se irrita, mas nunca se irrita. Naquela hora que ela fez aquela cara e aquele olhar, todo mundo que a conhece percebeu que ela realmente se irritou e quando isso acontece é porque tem alguma coisa muito errada. E nós percebemos isso naquela hora. Algo estava MUITO errado pra aquilo ter acontecido, por isso o 'fodeu'.
- Eu... Eu me descontrolei.
- Eu vi! Mas se acalma agora, tá? - Falei, sabendo que a coisa era séria.
- Outch... - ela resmungou baixinho olhando pra sua perna toda ensanguentada.
- Vou pegar a caixa de curativos - Tom saiu do quarto e fechou a porta.
- Bela, o que foi aquilo? Porque a Sam tava naquele estado?! - Soph perguntou com os olhos arregalados e eu olhei pra Bela, esperando uma resposta.
- Gente, é uma longa história. - ela fungou limpando as lágrimas - Mas a Maddie não é uma boa pessoa. E tem a ver com o porquê de eu ter parado de falar com o Fletcher.
- Você está o chamando de Fletcher... - Comentei e ela fez uma cara triste, limpando uma outra lágrima que caiu.
- Bela, a gente precisa entender pra te ajudar. - Soph falou num tom doce e eu concordei.
- Olha... podem me deixar um pouco sozinha quando o Tom voltar? Procurem a Sam, ela pode explicar mais ou menos o que aconteceu. Depois a gente conver...
- Aqui. - Tom entrou com a caixinha na mão e eu e Soph nos levantamos.
- Depois a gente volta, e... Bela, cuidado pra não se atrasar pra sua festa. - Falei, antes de deixar o quarto.
- Sério, isso tá me assustando. - Soph falou enquanto descíamos as escadas.
- Amor? - Harry apareceu do nada com uma cara de confusão.
- Oi.
- Como a Bela tá e o que aconteceu com ela?
- Bela está estranha e eu ainda não sei o que houve, mas saberei logo. - demos um selinho.
- Você sabe de alguma coisa? - Soph perguntou a Harry.
- Eu sei que a Maddie é uma ex-quase-namorada do Tom, da época em que ele e Bela se afastaram. O que eu sei é que ele namorou com ela quase que forçado, porque ele gostava da Bela, e não dela...
Eu e Soph nos olhamos. Tinha coelho nesse mato. Com certeza.
- Vamos procurar a Sam. Cadê ela? - Soph perguntou.
- Está batendo no Danny até agora porque ele "se aproveitou dela enquanto a segurava durante a briga" - Ele usou os dedos para fazer as aspas.
- A Sam tem problemas mentais, cara. - Resmunguei e nós fomos ao encontro dela.
Eu tava ansiosa pra saber de tudo logo.
Thalia's POV off
- Pronto. - Tom falou assim que terminou de fazer meu curativo com band-aids do Batman.
- obrigada. - sorri. Eu tava com a consciência pesada por ter sentido raiva do Tom depois de já tê-lo perdoado e prometido esquecer desse assunto.
- Agora quer me explicar o que houve?
- Tô cansada de escutar essa pergunta hoje. - rimos fraco. - Tom, eu só quero esquecer. Só isso.
- Tudo bem. - ele suspirou e me abraçou de lado.
- O que ela tá fazendo aqui?
- A Maddie?
- É.
- Também não sei. Foi surpresa ela aparecer aqui do nada. Mas ela sempre foi muito amiga da minha mãe. Vai ver, minha mãe que convidou.
-Tom, me promete uma coisa? - ele me olhou com atenção. - Promete que você vai ficar longe dela?
- O que? Isso é ridículo, porque você tá falando isso?
- O que foi? Você não vai prometer porque não vai conseguir ficar longe dela?
- Eu já disse que isso é ridículo, não disse?
- Tom, porque você não pode simplesmente prometer?! - Perguntei um pouco mais alto.
- Existe necessidade?! - Ele retrucou, também elevando a voz.
- PRA MIM, EXISTE!
- QUAL É O PROBLEMA?! CIUMES?!
- E SE FOR?!
- E QUE PORRA DE MOTIVO EU DOU PRA VOCÊ SENTIR CIÚMES?!
- Não seja idiota, Fletcher. - Eu ri sarcasticamente. - Não finja que não aconteceu nada no passado pra me...
- Passado? Você tem sempre que pensar na porra do passado? Você mesma prometeu não falar mais nisso.
Ele tinha razão, eu prometi.
- FODA-SE, EU SINTO CIUMES DE VOCÊ PORQUE APESAR DE TUDO VOCÊ É MEU NAMORADO, E, QUERENDO OU NÃO, EU NÃO QUERO QUE O MEU NAMORADO FIQUE PERTO DE UMA GAROTA QUE DÁ EM CIMA DELE E PRONTO! - gritei e depois ofeguei angustiada e ele me olhou duramente. De repente suas mãos estavam na minha cintura e eu estava sendo puxada contra ele. Nossos lábios se chocaram fortemente e eu senti todo o meu corpo estremecer. O beijo se intensificou rapidamente e um calor preencheu meu corpo, me fazendo procurar por mais contato e abraçar seu pescoço. Sua língua determinava um ritmo lento, que fazia o beijo ficar mais delicioso e me fazer querer mais e mais.
Tom finalizou o beijo com alguns selinhos e me olhou, sem afrouxar seu braço ao redor da minha cintura. Nossos narizes ainda se tocavam e ele sorriu levemente.
- Não precisa sentir ciúmes de mim com alguém como a Maddie. Não precisa sentir ciúmes de mim com ninguém, Bela. Do mesmo jeito que eu sei que você é só minha, eu sou só seu. Só seu. E, se você realmente precisa que eu prometa ficar longe dela, tudo bem, eu prometo. Prometo ficar longe da Maddie. Não quero que a gente brigue. Muito menos hoje.
Sorri. Ele era tão... perfeito? É. Perfeito. Nos beijamos novamente, e depois decidimos que era melhor eu voltar pra logo, trocar a roupa por que já estava ficando em cima da hora.
Nos despedímos e eu fui com as meninas pra minha casa.
- Bela, que cara de choro é essa? - Minha mãe me perguntou com as mãos na cintura quando eu botei o pé em casa.
- Ela brigou com o Linduxo dela. - Flor disse rindo.
- Mas já? - Minha mãe perguntou, incrédula.
- Mas já nada, a gente nem brigou direito, só foi uma discussão rápida, e já tá tudo bem. Eu tô bem, vou tomar banho.
- Nossa, tô vendo que você tá bem. - Minha mãe disse, sarcástica e eu rolei os olhos. - Que história é essa de Linduxo? É sério que ela o chama assim mesmo? - Ela perguntou rindo.
- Chama! Porque você não ouviu a Lia! - A voz delas foi se afastando a medida que eu ia subindo a escada. Eu não planejava ficar deprimida hoje. No way! Durante o banho eu ia me revigorar, ficar MUITO linda e absoluta, e curtir minha família super dez.
Depois do banho, fui escolher uma roupa. Já que era uma festa de família não ia usar as minhas roupas no meu estilinho rebelde, por isso, vesti um vestido claro (#) que eu julgaria muito... Sophia, talvez. Mas eu gostei. Usei minha botinha preta (#) e me senti bonita. A maquiagem foi basicamente delineador, blush bronzeado, gloss cor-de-boca, rimel e deixei meu cabelo normal. Solto.
Confesso que eu acabei demorando no final das contas. Minhas amigas tinham ido pra casa se arrumar, e alguns dos meus parentes já haviam chegado em casa.
- OI, VOVÓ! - A abracei largamente quando a vi e ela sorriu.
- Mas que magrinha! Tá precisando comer, hein, menina! - eu ri. - Feliz aniversário, meu amor. Juízo, hein! E não fica fazendo aquelas danças na televisão! Muita pouca vergonha!
- Tudo bem, vovó, vou parar.
Essa era a minha avó Catherine, mãe da minha mãe, viúva, um pouco neurótica, mas um amor.
Fui abraçada pela minha outra avó, Joanna. Ela era mais próxima de mim, completamente maluquinha, divertida, engraçada, assim como meu avo, Bart, e os dois eram o casal ídolo de todas os meus amigos. E meu também.
- Vovó! Como está?
- Estou ótima! Só não estou tão ótima quanto você!
- Olha como ela tá crescida, Joanna! - Meu avô disse sorrindo. - Parece até uma mulher.
- Ela já é uma mulher, Bart. - minha avó disse, mexendo no meu cabelo. Nos agarramos de novo e eles me desejaram feliz aniversário.
Cumprimentei algumas tias e primas, alguns amigos dos meus pais e fui até a cozinha pegar algo pra beber. A campainha tocou minutos depois. Eram as meninas.
Soph estava linda. Muito linda mesmo. Ela tinha feito alguma coisa no cabelo. Alguns cachos grossos e sua maquiagem estava impecável. Um pouco colorida, mas aquilo combinava com ela e estava incrivelmente lindo. Sem contar que sua roupa (#) era muito fofa. E, como eu disse, minha roupa era muito Sophia, por isso, estava parecida com a dela. Ela me olhou e nós rimos.
- Sua imitona! - ela gritou. - Que vestido curto é esse? - nos abraçamos.
- Como se a Bela usasse alguma coisa que não fosse curta... - Lia comentou e eu a olhei. Ela também tava muito linda. Minhas amigas estavam querendo seduzir todos os meus primos (que chegariam daqui a pouco). Sua roupa era super bonita e curta (#)! O cabelo dela estava preso num rabo de cavalo alto, que deixou o rosto dela mais a mostra e estava realmente bonito.
Flor veio mais atrás, ajeitando o short, e jogando o cabelo pro lado, toda atrapalhada. Ela era muito... Florence. Estava com uma roupa (#) totalmente 'ela' e se eu usasse aquilo, eu iria ficar parecendo uma cabra parindo no mato. Sem contar que sua maquiagem tava perfeita. O olho esfumaçado, todo preto, e um batom avermelhado.
Todas nos cumprimentamos e eu senti falta de uma.
- Cade a Sam? - perguntei.
- Deve estar vendo se tem algum bordel por aí. - Soph disse e as meninas riram. Nem entendi.
- Ahn? - minhas dúvidas foram embora assim que olhei aquela mulher atravessando a porta da sala.
QUEM É ESSA E O QUE ELA FEZ COM A SAM? Brincadeira, eu sei que a Sam é meio putinha e tal, mas nunca pensei que fosse chegar a tanto né.
Ela tava bonita, confesso, mas... Aquele vestido (#) era meio... Sei lá, vulgar. Até pra mim que gosto de decotes e coisas curtas (pareci uma vadia agora, mas tudo bem).
Ela andou rebolando até mim, com seu scarpin vermelho (#) e sua bolsa também preta (que, pelo menos, não era pequena).
- What the fuck is this, garota? - Perguntei pausadamente e ela deu uma risada.
- Nem fala, minha mãe riu muito da minha cara quando eu disse que tava pronta. Ela tá chegando. Daqui a pouco ela tá aí. - Ela disse, puxando o vestido pra vê se ficava menos curto. Como se adiantasse, PFFF.
- Errou o caminho, o bordel não é aqui não, anjo. - Falei baixinho e ela me mandou o dedo.
- Eu disse isso pra ela, mas ela falou que queria seduzir o Jones. - Flor deu de ombros.
- Ah, então isso tudo é pra seduzir o Jones? - perguntei querendo rir.
- Como se ela já não seduzisse o Jones se tivesse de vestido de freira. - Thalia disse, mexendo em alguma coisa de sua bolsa. Tirou de lá um pacotinho e me entregou.
- O que é isso? - perguntei já sabendo que era um presente, hehehehe.
- Presente.
- Own, não precisaaaaaaaaava! - a abracei e ela riu.
- Já aviso que eu não comprei nada. - Flor disse.
- Nem eu. - Soph concordou.
- Pfff, aposto que ela sabe que eu nem sonhei em comprar alguma coisa. - Sam falou rindo e eu também ri.
Abri o pacotinho e era uma correntinha bem delicada com um pingente de cocô, de prata. QUASE QUE EU CHOREI. EU AMEI. AMEI, AMEEEEEEI, DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO.
- NÃO ACREDITO. ONDE VOCÊ ACHOU ISSO?!
- Internet.
- CARA, NÃO ACREDITO! É UM COCOZINHO! - fiquei olhando maravilhada para aquilo depois abracei novamente a Lia. - Eu amei, é sério. Amei, muito obrigada!
- Eu sabia que você ia amar.
Rimos.
Poucos minutos depois, meu primos chegaram e ficaram olhando pra bunda da Sam, HAHAHAH. E pros peitos também, claro.
- Cara, é impressão minha ou os peitos da Sam aumentaram ainda mais? - Joe perguntou com uma cara de safado. Ele era muito safado. Muito. Eu gargalhei.
- É o vestido. - eu disse rindo.
- Ela tá muito gostosa. - Ele voltou a sussurrar e eu ri mais.
- Pega ela. - sugeri e ele deu um sorriso maroto.
- Pode?
- Poder, pode, mas o problema é que eu não garanto nada que ela não vai te dar um belo toco. Coração dela tem dono.
- Aham, sei. -ele foi irônico. - Sam? PFFF, duvido. Conheço a peça.
- Eu conheço mais, pode acreditar.
- Foda-se, não custa nada tentar, quantos tocos eu já levei, não é? Espera! Nenhum, HAHAHAH!
- A-HA-HA. Morri de rir. - falei com cara de peixe. Ele foi andando para algum canto e eu fui andando na direção das minhas amigas. - Sam, o Joe quer te pegar.
- Qual Joe, seu priminho de doze anos?
- Ele tem dezesseis.
- Mas tem cara de doze. - Ela falou indiferente e eu dei de ombros. - Vai levar um toco.
- Eu sei.
- Mas você não quer fazer ciúme no Danny? - Lia perguntou erguendo uma sobrancelha e eu ri.
- Querer eu quero, mas eu gosto dele, cacete. Não quero ficar com outro gostando dele.
- Own, que fofa... - Flor resmungou apertando a bochecha dela e eu ri.
Era fato que, na festa, TODOS estavam prestando atenção na roupa da Sam. Todos cochichavam, todos comentavam, minha avó Catherine até ficou assustada.
- Hey, Little Joanna! - Meu tio chegou e me agarrou. O pessoal costumava me chamar de Little Joanna quando eu era menor porque eu não saía da cola da minha avó, e também porque eu tinha a personalidade muito parecida com a dela. Muito mesmo.
- Oi tio Leon! Que saudade!
- Nossa, você já está uma mulher!
- Er... Obrigada! Bom saber disso! - disse e ele riu.
- Seu primo está louco atrás você.
- Qual deles?
- Phillip.
- Oh! Jura? Onde ele está?
- Por aí.
- BELAAAAA! - Escutamos a voz dele gritar e rimos. Depois senti mãos me agarrando por trás.
- Phill! Que saudade, cara.
- Você some do mapa, também, né.
- Você que some! - o abracei agora de frente e escutei a campainha sendo tocada novamente.
Eram os meninos e eles estavam divamente lindos. TIPO, MUITO LINDOS MESMO.
A cara do Danny olhando pra Sam foi ótima. Ele nem tentou disfarçar. O queixo do menino despencou e os olhos ficaram grudados nela. A coitada até ficou coradinha, mas claro que esnobou. Rolou os olhos e foi rebolando falar com alguém que eu não vi direito.
- TOM! - me desagarrei do meu primo para abraçá-lo e vi todo mundo fazendo caretas estranhas. Nos beijamos ali mesmo e as caretas permaneceram. Ok, era mesmo um choque para a minha família nós estarmos juntos, mas... dane-se. Eles se acostumariam.
- Sentiu minha falta? - ele perguntou rindo.
- Não. - dei de ombros e ele fez cara feia. - Oi, meninos!
- Oi Little Joanna. - Danny disse rindo e eu fiquei sem entender muito, mas dei de ombros.
- Você não consegue mesmo calar a boca, né? - Harry comentou dando um tapa na nuca dele.
- Bela, seu presente está no carro. - Dougie informou. - Depois te dou.
- Beleza.
- O que eu comprei só vai chegar semana que vem... - Danny disse e eu sorri.
- Eu sou o único que vou dar o presente agora? - Harry perguntou olhando pra todos eles que assentiram com a cabeça. - Ok, então, aqui está.
Harry me deu um pacote meio grande e pesadinho. Caminhei até a mesa e apoiei lá, abrindo a embalagem. A primeira coisa que vi foram dois posters. Um do Tom com a maior cara de 'sou safadão', sem camisa, todo lindo, e outro do McFLY pelado. Gargalhei alto.
- ADOREI, AHAHAHHA! - Eles riram junto comigo, e eu me virei para olhar o que era o verdadeiro presente. - OH MY GOD. - foi só o que consegui soltar vendo a coletânea de DVDs de todos os episódios de padrinhos mágicos, meu desenho favorito do planeta. - NÃO CREIO, HARRY! VOCÊ É MUITO RATÃO! - Eu disse, pulando nos braços deles e ele riu sem entender.
- Sou muito ratão?
- É! Você me ouviu dizendo que eu queria poder ter todos episódios de Padrinhos Mágicos e comprou a coletânea! Seu ratão! - expliquei e eles todos gargalharam.
- Posso saber qual é o motivo da agarração com meu namorado? - Lia falou e eu o soltei, ainda rindo.
- Foi mal, Lia, mas eu não resisti. Seu namorado é muito atraente. - Fiz uma cara sensual e ela deu uma risadinha, abraçando-o. - Sério, Judd, eu amei. Obrigada!
- Por nada! Sou bom com presentes. - Ele se gabou e eu lhe dei um tapinha.
- Tô ansiosa pra saber o que você comprou! - disse pro Dougie e ele deu um sorriso maroto, com os olhinhos espremidos. Fiquei com vontade de apertá-lo.
- Ele comprou uma b... - Danny ia falando e Dougie tapou a boca dele às pressas.
- Porra, Danny! - Ele reclamou e Tom riu.
- Ah, Bela, meu presente eu entrego depois. - Tom disse eu sorri em resposta. Ele beijou minha bochecha e nós fomos entrando na "festa". Minhas avós agarraram o Tom até a morte e adoraram o fato de eu estar namorando com ele. Meus primos tiveram um super papo dez com o McFLY e minha prima tava meio estranha. Fui falar com ela.
- O Que houve, Helen?
- N-nada... Er... Bela, você e Tom estão...?
- Namorando? Sim. - respondi sorrindo e ela forçou um sorriso. Aquilo me preocupou.
- Ah... Ele... Gosta de você?
- Bom, acho que sim. Na verdade, os meninos dizem que ele gosta de mim desde a época que eu gosto dele. - ri. - A gente poderia ter começado muito antes.
- É...
- Tá tudo bem mesmo.
- Aham...
- Er, tá, é... Eu vou lá... Er... Fica à vontade, tá?
- Tá...
Eu hein. Essas pessoas esquisitas me assustam. Eu tinha visto todas as pessoas que me interessavam naquela festa subirem: Tom, Sam, Lia, Danny, Dougie, Harry, Soph e Flor; então o que eu fiz foi subir também, né. Eles estavam todos no meu quarto. Eu escutei os murmurinhos do corredor.
Mas pera aí...
- ENTÃO VOCÊ VAI SE FODER.
- MAS VOCÊ TÁ MALUCA! EU NEM SEI O QUE QUE EU TE FIZ!
- PARA DE SER FALSO, TOM!
- É TOM! VOCÊ FOI UM IDIOTA E SABE DISSO!
- QUAL É O PROBLEMA DE VOCÊS?!
Corri até meu quarto e fechei abri a porta.
- QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI?
- Bela, a gente já sabe de tudo. - Flor falou com uma cara meio nervosa e veio correndo me abraçar. Soph e Lia a seguiram e Tom olhava tudo sem entender.
- Sabem de que? - perguntei meio insegura.
- Do que o idiota do Tom fez com você. - Sam respondeu por elas e eu bufei.
- Gente, poxa, eu já disse que isso já passou, não quero que vocês fiquem brigando por uma coisa que ele fez há muito tempo...
- MAS, PUTA QUE PARIU, ALGUÉM ME DIZ O QUE FOI QUE EU FIZ?! - Ele gritou. Os meninos estavam no canto do quarto e olhavam tudo com os olhos arregalados. Eles também não pareciam entender.
Eu já disse o quanto aquilo me irrita? Ele não pode simplesmente parar de fingir que não sabe? Nem quando a gente tá bem?
- Olha, eu não quero voltar nesse assunto. - eu disse, exausta. - Não hoje, por favor.
- Tudo bem então. - Ele disse, mais calmo. - Não falamos disso hoje, você tá certa. Mas, por favor, me prometa que a gente vai conversar de uma vez por todas amanhã.
- Mas, Tom, eu...
- PROMETA, BELA.
- Tudo bem, se é o que você quer. Mas CHEGA desse assunto hoje, PELO AMOR DE DEUS. E você NÃO PRECISAM FICAR BRIGANDO COM O TOM POR CAUSA DISSO. - Disse pra elas que concordaram.
- Mas saiba, Tom, - Thalia disse calma - Que eu nunca pensei que logo você fosse capaz de fazer a merda que fez. Foi ridículo. Desnecessário. - Ela foi firme e, cara, a Lia mete muita moral, ela dá medo.
- Chega gente, vem. - Eu disse puxando Sam e Lia pela mão. Soph e Flor vieram atrás. Conseguimos escutar o Danny dizer alto antes de nos afastarmos o suficiente:
- Alguém entendeu alguma coisa?
- Nunca entendo nada nessa história. - Tom respondeu e eu fiquei com muita vontade de chorar. Muita.
Descemos e ficamos mais um pouco lá na festa.
- Bela? - Sam chegou atrás de mim sem que eu percebesse.
- Diga, bitch.
- Tá todo mundo falando do meu vestido...
- É, eu sei. - disse indiferente. - Que que tem?
- E-eu... Já tô ficando meio desconfortável. Pode me emprestar um vestido? - Ela pediu meio envergonhada e eu gargalhei. - Para de rir, vadia!
- Desculpa... - tentei me controlar e a puxei pela mão. Ofereci alguns vestidos a ela, e ela gostou de todos, mas eu sabia que tinha alguma coisa...
- Er... Bela...
- Que.
- É que eu quero continuar impressionando o Danny. Quero o mais sexy que você tiver aí.
Ri mais. O único dos meus vestidos sexys que coube nela foi um preto (#) muito bonito, que ficou melhor que o anterior, pelo menos. Ela amou. - Olha, você também deveria trocar a roupa.
- Deveria?
- Deveria, essa roupa tá muito 'não-Bela-Johnson'.
- Tá, é?
- Tá. Vou escolher uma roupa pra você.
Eu não entendi o porque de trocar a roupa no final da minha festa, mas tudo bem... Ela tava lá escolhendo quando minha mãe entrou no quarto.
- Filha?
- Oi, aqui no closet.
- Filha, vem cantar o parabéns!
- Ah, tá vendo, Sam, não preso trocar de roupa, já tá acabando a festa!
- Confia em mim, Bela, é melhor você trocar a roupa. Toma essa. - ela tacou uma roupa em cima de mim e minha mãe riu.
- Depois do parabéns ela troca, Sam.
- Ok... Vamos lá. - Eu disse achando aquilo muito estranho e desci.
Lá em baixo, estavam todos ao redor da mesa de jantar, decorada com cupcakes e outras coisas e um bolo muito legal no meio. Assim que desci a escada, fui puxada pelo Tom que me levou até um cantinho sem ninguém ver (eu acho), e esse cantinho eu reconheci como o corredor que levava ao jardim. Fomos ao jardim, e eu já não entendia nada e, então, sentamos debaixo de uma arvore.
- Tom, eu tenho que ir cantar o parabéns.
- Mas antes eu tenho que te dar meu presente. - ele disse e eu sorri.
- Então seja breve.
- Vou tentar! - ele riu. - Bom, tem duas partes e a primeira vou te dar agora.
- Tá. - eu ri. Tava nervosa.
- Eu... Você sabe o quanto eu amo você, não sabe?
- Sei.
- E sabe que esse namoro é tudo que eu sempre quis. Sempre. Sempre sonhei com isso. Pode até parecer meio gay, mas, é a verdade. E as vezes eu sinto com se amor fosse uma palavra fraca demais para definir tudo que eu sinto por você, Bela.
Sorri. Já disse o quanto meu namorado é perfeito?
- Eu comprei isso porque... Quero que sempre lembre que não importa onde eu estiver, ou quem, eu serei sempre o Tom da Bela. E a pessoa que mais te ama no mundo, e que sempre vai amar. - ele sorriu fraco e abriu uma caixinha preta de veludo. Tinha uma aliança de ouro branco, não muito fina. Dentro dela, estava gravado 'Danger's never near
when your here'. Meus olhos se encheram de lágrimas (eu estava muito sentimental ultimamente) e eu não consegui parar de sorrir.
Confesso que eu acabei demorando no final das contas. Minhas amigas tinham ido pra casa se arrumar, e alguns dos meus parentes já haviam chegado em casa.
- OI, VOVÓ! - A abracei largamente quando a vi e ela sorriu.
- Mas que magrinha! Tá precisando comer, hein, menina! - eu ri. - Feliz aniversário, meu amor. Juízo, hein! E não fica fazendo aquelas danças na televisão! Muita pouca vergonha!
- Tudo bem, vovó, vou parar.
Essa era a minha avó Catherine, mãe da minha mãe, viúva, um pouco neurótica, mas um amor.
Fui abraçada pela minha outra avó, Joanna. Ela era mais próxima de mim, completamente maluquinha, divertida, engraçada, assim como meu avo, Bart, e os dois eram o casal ídolo de todas os meus amigos. E meu também.
- Vovó! Como está?
- Estou ótima! Só não estou tão ótima quanto você!
- Olha como ela tá crescida, Joanna! - Meu avô disse sorrindo. - Parece até uma mulher.
- Ela já é uma mulher, Bart. - minha avó disse, mexendo no meu cabelo. Nos agarramos de novo e eles me desejaram feliz aniversário.
Cumprimentei algumas tias e primas, alguns amigos dos meus pais e fui até a cozinha pegar algo pra beber. A campainha tocou minutos depois. Eram as meninas.
Soph estava linda. Muito linda mesmo. Ela tinha feito alguma coisa no cabelo. Alguns cachos grossos e sua maquiagem estava impecável. Um pouco colorida, mas aquilo combinava com ela e estava incrivelmente lindo. Sem contar que sua roupa (#) era muito fofa. E, como eu disse, minha roupa era muito Sophia, por isso, estava parecida com a dela. Ela me olhou e nós rimos.
- Sua imitona! - ela gritou. - Que vestido curto é esse? - nos abraçamos.
- Como se a Bela usasse alguma coisa que não fosse curta... - Lia comentou e eu a olhei. Ela também tava muito linda. Minhas amigas estavam querendo seduzir todos os meus primos (que chegariam daqui a pouco). Sua roupa era super bonita e curta (#)! O cabelo dela estava preso num rabo de cavalo alto, que deixou o rosto dela mais a mostra e estava realmente bonito.
Flor veio mais atrás, ajeitando o short, e jogando o cabelo pro lado, toda atrapalhada. Ela era muito... Florence. Estava com uma roupa (#) totalmente 'ela' e se eu usasse aquilo, eu iria ficar parecendo uma cabra parindo no mato. Sem contar que sua maquiagem tava perfeita. O olho esfumaçado, todo preto, e um batom avermelhado.
Todas nos cumprimentamos e eu senti falta de uma.
- Cade a Sam? - perguntei.
- Deve estar vendo se tem algum bordel por aí. - Soph disse e as meninas riram. Nem entendi.
- Ahn? - minhas dúvidas foram embora assim que olhei aquela mulher atravessando a porta da sala.
QUEM É ESSA E O QUE ELA FEZ COM A SAM? Brincadeira, eu sei que a Sam é meio putinha e tal, mas nunca pensei que fosse chegar a tanto né.
Ela tava bonita, confesso, mas... Aquele vestido (#) era meio... Sei lá, vulgar. Até pra mim que gosto de decotes e coisas curtas (pareci uma vadia agora, mas tudo bem).
Ela andou rebolando até mim, com seu scarpin vermelho (#) e sua bolsa também preta (que, pelo menos, não era pequena).
- What the fuck is this, garota? - Perguntei pausadamente e ela deu uma risada.
- Nem fala, minha mãe riu muito da minha cara quando eu disse que tava pronta. Ela tá chegando. Daqui a pouco ela tá aí. - Ela disse, puxando o vestido pra vê se ficava menos curto. Como se adiantasse, PFFF.
- Errou o caminho, o bordel não é aqui não, anjo. - Falei baixinho e ela me mandou o dedo.
- Eu disse isso pra ela, mas ela falou que queria seduzir o Jones. - Flor deu de ombros.
- Ah, então isso tudo é pra seduzir o Jones? - perguntei querendo rir.
- Como se ela já não seduzisse o Jones se tivesse de vestido de freira. - Thalia disse, mexendo em alguma coisa de sua bolsa. Tirou de lá um pacotinho e me entregou.
- O que é isso? - perguntei já sabendo que era um presente, hehehehe.
- Presente.
- Own, não precisaaaaaaaaava! - a abracei e ela riu.
- Já aviso que eu não comprei nada. - Flor disse.
- Nem eu. - Soph concordou.
- Pfff, aposto que ela sabe que eu nem sonhei em comprar alguma coisa. - Sam falou rindo e eu também ri.
Abri o pacotinho e era uma correntinha bem delicada com um pingente de cocô, de prata. QUASE QUE EU CHOREI. EU AMEI. AMEI, AMEEEEEEI, DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO.
- NÃO ACREDITO. ONDE VOCÊ ACHOU ISSO?!
- Internet.
- CARA, NÃO ACREDITO! É UM COCOZINHO! - fiquei olhando maravilhada para aquilo depois abracei novamente a Lia. - Eu amei, é sério. Amei, muito obrigada!
- Eu sabia que você ia amar.
Rimos.
Poucos minutos depois, meu primos chegaram e ficaram olhando pra bunda da Sam, HAHAHAH. E pros peitos também, claro.
- Cara, é impressão minha ou os peitos da Sam aumentaram ainda mais? - Joe perguntou com uma cara de safado. Ele era muito safado. Muito. Eu gargalhei.
- É o vestido. - eu disse rindo.
- Ela tá muito gostosa. - Ele voltou a sussurrar e eu ri mais.
- Pega ela. - sugeri e ele deu um sorriso maroto.
- Pode?
- Poder, pode, mas o problema é que eu não garanto nada que ela não vai te dar um belo toco. Coração dela tem dono.
- Aham, sei. -ele foi irônico. - Sam? PFFF, duvido. Conheço a peça.
- Eu conheço mais, pode acreditar.
- Foda-se, não custa nada tentar, quantos tocos eu já levei, não é? Espera! Nenhum, HAHAHAH!
- A-HA-HA. Morri de rir. - falei com cara de peixe. Ele foi andando para algum canto e eu fui andando na direção das minhas amigas. - Sam, o Joe quer te pegar.
- Qual Joe, seu priminho de doze anos?
- Ele tem dezesseis.
- Mas tem cara de doze. - Ela falou indiferente e eu dei de ombros. - Vai levar um toco.
- Eu sei.
- Mas você não quer fazer ciúme no Danny? - Lia perguntou erguendo uma sobrancelha e eu ri.
- Querer eu quero, mas eu gosto dele, cacete. Não quero ficar com outro gostando dele.
- Own, que fofa... - Flor resmungou apertando a bochecha dela e eu ri.
Era fato que, na festa, TODOS estavam prestando atenção na roupa da Sam. Todos cochichavam, todos comentavam, minha avó Catherine até ficou assustada.
- Hey, Little Joanna! - Meu tio chegou e me agarrou. O pessoal costumava me chamar de Little Joanna quando eu era menor porque eu não saía da cola da minha avó, e também porque eu tinha a personalidade muito parecida com a dela. Muito mesmo.
- Oi tio Leon! Que saudade!
- Nossa, você já está uma mulher!
- Er... Obrigada! Bom saber disso! - disse e ele riu.
- Seu primo está louco atrás você.
- Qual deles?
- Phillip.
- Oh! Jura? Onde ele está?
- Por aí.
- BELAAAAA! - Escutamos a voz dele gritar e rimos. Depois senti mãos me agarrando por trás.
- Phill! Que saudade, cara.
- Você some do mapa, também, né.
- Você que some! - o abracei agora de frente e escutei a campainha sendo tocada novamente.
Eram os meninos e eles estavam divamente lindos. TIPO, MUITO LINDOS MESMO.
A cara do Danny olhando pra Sam foi ótima. Ele nem tentou disfarçar. O queixo do menino despencou e os olhos ficaram grudados nela. A coitada até ficou coradinha, mas claro que esnobou. Rolou os olhos e foi rebolando falar com alguém que eu não vi direito.
- TOM! - me desagarrei do meu primo para abraçá-lo e vi todo mundo fazendo caretas estranhas. Nos beijamos ali mesmo e as caretas permaneceram. Ok, era mesmo um choque para a minha família nós estarmos juntos, mas... dane-se. Eles se acostumariam.
- Sentiu minha falta? - ele perguntou rindo.
- Não. - dei de ombros e ele fez cara feia. - Oi, meninos!
- Oi Little Joanna. - Danny disse rindo e eu fiquei sem entender muito, mas dei de ombros.
- Você não consegue mesmo calar a boca, né? - Harry comentou dando um tapa na nuca dele.
- Bela, seu presente está no carro. - Dougie informou. - Depois te dou.
- Beleza.
- O que eu comprei só vai chegar semana que vem... - Danny disse e eu sorri.
- Eu sou o único que vou dar o presente agora? - Harry perguntou olhando pra todos eles que assentiram com a cabeça. - Ok, então, aqui está.
Harry me deu um pacote meio grande e pesadinho. Caminhei até a mesa e apoiei lá, abrindo a embalagem. A primeira coisa que vi foram dois posters. Um do Tom com a maior cara de 'sou safadão', sem camisa, todo lindo, e outro do McFLY pelado. Gargalhei alto.
- ADOREI, AHAHAHHA! - Eles riram junto comigo, e eu me virei para olhar o que era o verdadeiro presente. - OH MY GOD. - foi só o que consegui soltar vendo a coletânea de DVDs de todos os episódios de padrinhos mágicos, meu desenho favorito do planeta. - NÃO CREIO, HARRY! VOCÊ É MUITO RATÃO! - Eu disse, pulando nos braços deles e ele riu sem entender.
- Sou muito ratão?
- É! Você me ouviu dizendo que eu queria poder ter todos episódios de Padrinhos Mágicos e comprou a coletânea! Seu ratão! - expliquei e eles todos gargalharam.
- Posso saber qual é o motivo da agarração com meu namorado? - Lia falou e eu o soltei, ainda rindo.
- Foi mal, Lia, mas eu não resisti. Seu namorado é muito atraente. - Fiz uma cara sensual e ela deu uma risadinha, abraçando-o. - Sério, Judd, eu amei. Obrigada!
- Por nada! Sou bom com presentes. - Ele se gabou e eu lhe dei um tapinha.
- Tô ansiosa pra saber o que você comprou! - disse pro Dougie e ele deu um sorriso maroto, com os olhinhos espremidos. Fiquei com vontade de apertá-lo.
- Ele comprou uma b... - Danny ia falando e Dougie tapou a boca dele às pressas.
- Porra, Danny! - Ele reclamou e Tom riu.
- Ah, Bela, meu presente eu entrego depois. - Tom disse eu sorri em resposta. Ele beijou minha bochecha e nós fomos entrando na "festa". Minhas avós agarraram o Tom até a morte e adoraram o fato de eu estar namorando com ele. Meus primos tiveram um super papo dez com o McFLY e minha prima tava meio estranha. Fui falar com ela.
- O Que houve, Helen?
- N-nada... Er... Bela, você e Tom estão...?
- Namorando? Sim. - respondi sorrindo e ela forçou um sorriso. Aquilo me preocupou.
- Ah... Ele... Gosta de você?
- Bom, acho que sim. Na verdade, os meninos dizem que ele gosta de mim desde a época que eu gosto dele. - ri. - A gente poderia ter começado muito antes.
- É...
- Tá tudo bem mesmo.
- Aham...
- Er, tá, é... Eu vou lá... Er... Fica à vontade, tá?
- Tá...
Eu hein. Essas pessoas esquisitas me assustam. Eu tinha visto todas as pessoas que me interessavam naquela festa subirem: Tom, Sam, Lia, Danny, Dougie, Harry, Soph e Flor; então o que eu fiz foi subir também, né. Eles estavam todos no meu quarto. Eu escutei os murmurinhos do corredor.
Mas pera aí...
- ENTÃO VOCÊ VAI SE FODER.
- MAS VOCÊ TÁ MALUCA! EU NEM SEI O QUE QUE EU TE FIZ!
- PARA DE SER FALSO, TOM!
- É TOM! VOCÊ FOI UM IDIOTA E SABE DISSO!
- QUAL É O PROBLEMA DE VOCÊS?!
Corri até meu quarto e fechei abri a porta.
- QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI?
- Bela, a gente já sabe de tudo. - Flor falou com uma cara meio nervosa e veio correndo me abraçar. Soph e Lia a seguiram e Tom olhava tudo sem entender.
- Sabem de que? - perguntei meio insegura.
- Do que o idiota do Tom fez com você. - Sam respondeu por elas e eu bufei.
- Gente, poxa, eu já disse que isso já passou, não quero que vocês fiquem brigando por uma coisa que ele fez há muito tempo...
- MAS, PUTA QUE PARIU, ALGUÉM ME DIZ O QUE FOI QUE EU FIZ?! - Ele gritou. Os meninos estavam no canto do quarto e olhavam tudo com os olhos arregalados. Eles também não pareciam entender.
Eu já disse o quanto aquilo me irrita? Ele não pode simplesmente parar de fingir que não sabe? Nem quando a gente tá bem?
- Olha, eu não quero voltar nesse assunto. - eu disse, exausta. - Não hoje, por favor.
- Tudo bem então. - Ele disse, mais calmo. - Não falamos disso hoje, você tá certa. Mas, por favor, me prometa que a gente vai conversar de uma vez por todas amanhã.
- Mas, Tom, eu...
- PROMETA, BELA.
- Tudo bem, se é o que você quer. Mas CHEGA desse assunto hoje, PELO AMOR DE DEUS. E você NÃO PRECISAM FICAR BRIGANDO COM O TOM POR CAUSA DISSO. - Disse pra elas que concordaram.
- Mas saiba, Tom, - Thalia disse calma - Que eu nunca pensei que logo você fosse capaz de fazer a merda que fez. Foi ridículo. Desnecessário. - Ela foi firme e, cara, a Lia mete muita moral, ela dá medo.
- Chega gente, vem. - Eu disse puxando Sam e Lia pela mão. Soph e Flor vieram atrás. Conseguimos escutar o Danny dizer alto antes de nos afastarmos o suficiente:
- Alguém entendeu alguma coisa?
- Nunca entendo nada nessa história. - Tom respondeu e eu fiquei com muita vontade de chorar. Muita.
Descemos e ficamos mais um pouco lá na festa.
- Bela? - Sam chegou atrás de mim sem que eu percebesse.
- Diga, bitch.
- Tá todo mundo falando do meu vestido...
- É, eu sei. - disse indiferente. - Que que tem?
- E-eu... Já tô ficando meio desconfortável. Pode me emprestar um vestido? - Ela pediu meio envergonhada e eu gargalhei. - Para de rir, vadia!
- Desculpa... - tentei me controlar e a puxei pela mão. Ofereci alguns vestidos a ela, e ela gostou de todos, mas eu sabia que tinha alguma coisa...
- Er... Bela...
- Que.
- É que eu quero continuar impressionando o Danny. Quero o mais sexy que você tiver aí.
Ri mais. O único dos meus vestidos sexys que coube nela foi um preto (#) muito bonito, que ficou melhor que o anterior, pelo menos. Ela amou. - Olha, você também deveria trocar a roupa.
- Deveria?
- Deveria, essa roupa tá muito 'não-Bela-Johnson'.
- Tá, é?
- Tá. Vou escolher uma roupa pra você.
Eu não entendi o porque de trocar a roupa no final da minha festa, mas tudo bem... Ela tava lá escolhendo quando minha mãe entrou no quarto.
- Filha?
- Oi, aqui no closet.
- Filha, vem cantar o parabéns!
- Ah, tá vendo, Sam, não preso trocar de roupa, já tá acabando a festa!
- Confia em mim, Bela, é melhor você trocar a roupa. Toma essa. - ela tacou uma roupa em cima de mim e minha mãe riu.
- Depois do parabéns ela troca, Sam.
- Ok... Vamos lá. - Eu disse achando aquilo muito estranho e desci.
Lá em baixo, estavam todos ao redor da mesa de jantar, decorada com cupcakes e outras coisas e um bolo muito legal no meio. Assim que desci a escada, fui puxada pelo Tom que me levou até um cantinho sem ninguém ver (eu acho), e esse cantinho eu reconheci como o corredor que levava ao jardim. Fomos ao jardim, e eu já não entendia nada e, então, sentamos debaixo de uma arvore.
- Tom, eu tenho que ir cantar o parabéns.
- Mas antes eu tenho que te dar meu presente. - ele disse e eu sorri.
- Então seja breve.
- Vou tentar! - ele riu. - Bom, tem duas partes e a primeira vou te dar agora.
- Tá. - eu ri. Tava nervosa.
- Eu... Você sabe o quanto eu amo você, não sabe?
- Sei.
- E sabe que esse namoro é tudo que eu sempre quis. Sempre. Sempre sonhei com isso. Pode até parecer meio gay, mas, é a verdade. E as vezes eu sinto com se amor fosse uma palavra fraca demais para definir tudo que eu sinto por você, Bela.
Sorri. Já disse o quanto meu namorado é perfeito?
- Eu comprei isso porque... Quero que sempre lembre que não importa onde eu estiver, ou quem, eu serei sempre o Tom da Bela. E a pessoa que mais te ama no mundo, e que sempre vai amar. - ele sorriu fraco e abriu uma caixinha preta de veludo. Tinha uma aliança de ouro branco, não muito fina. Dentro dela, estava gravado 'Danger's never near
when your here'. Meus olhos se encheram de lágrimas (eu estava muito sentimental ultimamente) e eu não consegui parar de sorrir.
- É um... anel de compromisso? - perguntei sorrindo.
- É.
- E posso saber onde está o seu? - deu uma risada e ele também.
- Tá aqui. - ele tirou o seu do bolso, e dentro tinha sido. 'I feel young and reckless,
when you're here'. Tinha alguma coisa naquelas duas frases... Mas eu não conseguia lembrar. Com certeza, tinha. Era alguma coisa das nossas infâncias... Mas, que merda! Não lembro!
- Tom, eu... Eu amei. - Disse e o abracei. - Agora é mais que oficial, tem até anel! - exclamei durante o abraço e ele riu. Colocamos os anéis um no outro e a vontade de 'burn into tears' só aumentou.
Nos beijamos apaixonadamente e eu tive, então, que voltar correndo para o parabéns antes que eu começasse a chorar de novo.
- AH, AÍ ESTÁ ELA E O LINDUXO! - Meu pai exclamou e eu corei. Entramos na sala de mãos dadas e eu fui até a mesa. O parabéns começou animado, depois foi pro com-quem-será, e depois acabou.
Troquei a roupa conforme a Sam ordenou e, realmente, eu fiquei com um visual (#) bem mais Bela Johnson, mas eu achei aquilo tão desnecessário, e...
- AGORA VAMOS! - Lia gritou me puxando pela mão.
- Vamos pra onde?
- Pra sua festa de verdade, honey. - Ela respondeu com um sorriso malicioso.
WHAT?
- Fechamos um PUB pra você, chamamos um DJ boladão, chamamos todos os jovens legais de Essex e agora é a hora da curtição, UHUUUL - Soph fez uma dancinha engraçada e eu ri.
Troquei a roupa conforme a Sam ordenou e, realmente, eu fiquei com um visual (#) bem mais Bela Johnson, mas eu achei aquilo tão desnecessário, e...
- AGORA VAMOS! - Lia gritou me puxando pela mão.
- Vamos pra onde?
- Pra sua festa de verdade, honey. - Ela respondeu com um sorriso malicioso.
WHAT?
- Fechamos um PUB pra você, chamamos um DJ boladão, chamamos todos os jovens legais de Essex e agora é a hora da curtição, UHUUUL - Soph fez uma dancinha engraçada e eu ri.
- Não acredito! Você são loucas! São as melhoreeees!
- Ideia minha, ok? - Sam falou e eu a agarrei.
- Ué, vamos a pé? - Falei quando percebi que já estávamos na rua e ninguém foi pros carros.
- Vamos por dois motivos. Um: é perto. Dois: os garotos já foram de carro. - Flor informou e eu assenti.
Anamos alegre pelas ruas e tive que parar por causa de alguns fãs, mas nada demais.
Chegamos lá, e estava cheio. Várias pessoas que eu nem conhecia vieram falar comigo e me abraçar, alguns entregaram cartas e outros me deram presentes. Deixei tudo numa mesa, depois veria com calma, e fui dançar. A noite tava sendo bem divertida.
Soph e Dougie se comiam mais que dançavam. Harry e Thalia também, e várias pessoas ficaram reparando nisso. Sam dançou com milhões de caras, assim como Flor, que já tinha pego dois.
Era parte do desafio dela.
Danny ficou meio cabreiro com isso, mas continuou lá bebendo e dançando.
- Oi! - me virei meio surpresa. Não sabia quem era esse menino.
- Você tá sozinha?
- Er... Com os meus amigos...- respondi, estranhando a pergunta. Ele deu uma risadinha.
- Não, eu quero dizer... Sozinha, tipo, solteira. - sorriu galanteador e eu imitei o ato.
- Bom, na verdade...
- Alô, alô, patota! Cadê a Bela? - A voz da Sam veio da caixa de som que ficava sobre um palco não muito grande, onde ela, Flor, Lia e Soph estavam. Elas estavam bêbedas, eu acho. Riam como uma hiena maluca e ainda estavam meio avoadas e animadas.
Levantei a mão dando um tchauzinho pra mostrar onde eu estava e elas conseguiram me encontrar.
- Vem aqui na frente, Bela! - Dessa vez foi Lia quem falou no seu microfone e eu obedeci.
Cheguei na frente do palco e fiquei olhando curiosa.
- Querida aniversariante, temos duas surpresinhas pra você. A primeira é nossa e a outra é do Tom. - o povo gritou nessa hora. - QUER DIZER...- Sam se corrigiu depois de levar um tapa de Soph - Do McFLY, não só do Tom. - Disse, revirando os olhos e eu ri.
- Vamos começar logo essa palhaçada! - Lia gritou em seu microfone e elas se organizaram. Todo mundo gritou loucamente quando os meninos entraram no palco e se posicionaram mais ao fundo com seus instrumentos. A bateria ficava lá atrás, deixando o Harry meio escondido, mas, com as cinco lado a lado, na frente, acho que os quatro ficaram escondidinhos. Eles provavelmente iriam apenas tocar. Sorri. O que essas loucas estavam planejando?
- one, two, three, four... - escutei a voz do Tom baixinho vindo de trás delas e eles começaram a tocar I've got you. Achei fofo.
Elas começaram a cantar e eu ria descontroladamente, porque elas definitivamente não nasceram pra isso. Juro que não ficou ruim, mas ficou engraçado porque, com toda a certeza do universo, as cinco estavam bêbadas.
Teve uma hora que a Sam se empolgou e foi querer fazer o agudo junto com a Flor e estragou o negocio todo. Me caguei de rir.
No final, eu já estava lacrimejando de tanto rir. Lia soltou uma gargalhada no microfone e olhou pra trás. Os meninos também estavam com aquela cara de riso, mas tentando se controlar.
- Eu sei que somos boas, podem parara de aplaudir. - Soph disse ainda no microfone e o pessoal realmente parou de aplaudir (sim, eles aplaudiram assim que acabou) e voltou a encará-las.
- Essa ideia foi minha, e a gente tá fazendo isso porque a gente te ama. E também porque se tiver um produtor perdido por aí, ele pode gamar na minha voz e me fazer virar uma super cantora. Tem algum? - todo mundo riu e ela também.
- Cala essa boca, Sam. - Lia pediu educadamente. - Agora é a surpresa do McFLY que, apenas para cortar todo nosso barato, vai ser muito melhor que a nossa, e eles vão esfregar na nossa cara que somos um bando de fracassadas que não merecem estar nesse palco. - Lia se abriu como se fosse uma sessão de ajuda dos alcoólicos anônimos. Ok, cada um com seu cada qual.
- Nossa, que amargura... - Flor resmungou. - E com vocêêês... McFLY! - elas saíram do palco e vieram me abraçar. Enquanto isso, Tom ligava o teclado e cochichava alguma coisa com Danny.
- GOSTOU?! - Soph me perguntou sorrindo.
- EU AMEI! - respondi, agarrando-as. - Vocês são as melhores, cara!
- Eu canto muito, fala aê. - Sam se gabou e eu gargalhei.
- Canta sim. - Fui bem irônica e ela me bateu. Com força. Vadia. - Vou ter que dizer que a única que salvou foi a Lia.
- salvei nada, eu tô bêbada, não consigo nem cantar 'atirei o pau no Harry'.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAH
- AMEI! - Soph disse com aquela típica cara de sofrimento que ela faz quando está rindo muito.
- Nossa, Thalia, vou me tacar de um precipício depois dessa. - Sam comentou e Flor ainda tava tentando recuperar o fôlego assim como eu.
- Oi! - Danny falou no microfone e todo mundo parou pra olhar. Eles já estavam devidamente arrumados no palco. Tom não estava com a guitarra, estava sentado atrás de um teclado, todo bonitinho com aquele sorrisinho sem mostrar os dentes que me dá vontade de apertá-lo.
- Bela, essa é segunda parte você sabe do que. - sorrimos cúmplices e eu senti um friozinho na barriga.
E então ele começou a cantar.
- Little Joanna's got big blue eyes...
Flashback on (seis anos e onze meses atrás)
- Você é mesmo igualzinha sua avó. - Tom disse sorrindo. - Vou te chamar só de Little Joanna agora.
- Faz isso que eu esmago seus ovos!
- Porque? Você não gosta?
- Gosto. Eu amo, pra falar a verdade, mas você não pode me chamar assim.
- Porque?
- Não quero que me chame assim.
- Tá bom então... Você é estranha...
- Eu queria ter olhos azuis.
- Pra que?
- pra ter, oras. Acho bonito.
- Gosto dos seus olhos. - ele disse eu corei violentamente. Sempre corava quando ele me elogiava.
- Obrigada. - sorri brevemente - eu tenho uma boneca que se chama Little Joanna. Ela tem os olhos azuis. Minha avó disse que eu era ela mas eu não tenho olhos azuis. Ela é a minha boneca preferida. Depois eu te mostro. - suspirei. - Eu queria muito ser a Little Joanna e ter olhos azuis...
- Sua avó disse que você é ela, então você é ela, ora.
- Tem razão. Não quero nem saber. Qualquer coisa eu compro uma lente e fico com os olhos azuis. - rimos.
- Coconut cream and coffee coloured thigs...
Depois disso, fui lhe mostrar a tal Little Joanna. Mas, como todos sabem, Bela Johnson atrai desastres e num movimento brusco de braços esbarrei na xícara de café que minha avó bebia e entornei café na boneca toda. E ela era de pano. Quis me matar.
- MAS QUE DROGA! - Gritei e minha avó me olhou com um leve sorriso.
- Calma, agora ela está ainda mais bonita. - ela disse, tentando me acalmar. - Agora é pretinha da cor do café e tem olhos azuis!
- ELA ESTÁ HORROROSA! TODA MANCHADA E MOLHADA! E QUENTE! - choraminguei.
- Passa creme de cocô! - Tom falou como se tivesse descoberto a cura do câncer. Pior que eu até acreditei que ia funcionar, então pegamos todo o creme de cocô que tava sobre a mesa e jogamos no corpo dela.
Ela só ficou mais esquisita e nós acabamos com parte da sobremesa, o que me deu ainda mais raiva.
- Que bom, agora eu sou horrível... - falei pra mim mesma, tristonha, olhando a bonequinha.
- I could die lying in her arms where castles are made of sand...
Se você acha que eu passei a gostar menos da Little Joanna, está enganada. O Tom disse que estava começando a ficar com ciúmes dela, afinal, um dia, e eu, num comportamento completamente autista, fui pra praia sozinha (já que estávamos todos na nossa casa de praia nessa época) brincar com a Little Joana e fazer castelinhos de areia.
- Ela é uma princesa? - Tom perguntou meio debochado, me dando um susto.
- Como você sabia que eu tava aqui?
- Perguntei pra sua mãe. - ele deu de ombros.
- Ah. - Assenti. - E, respondendo sua pergunta: não. Ela não é uma princesa porque eu não sou um princesa e ela sou eu, e como eu vou ser rica, terei meu próprio castelo. Esse é o dela.
- Ah, entendi. - ele disse rindo. - Tem que fazer um rio com jacarés envolta do castelo, senão fica desprotegido... - ele comentou se ajoelhando e começando a cavar a areia ao redor do castelo. Eu concordei prontamente, afinal, Little Joanna não podia estar desprotegida...
- We start to dance, but only the music is bleating when crickets replace the band...
Fomos pro meu quarto depois de um tempo, e ele sismou que tínhamos que escrever uma música pra ela, já que ela seria cantora.
Foi o que fizemos.
Começamos a escrever frases aleatórias sobre ela, com palavras que a gente tinha escutado falar em algum lugar, e também enfiamos uns outros vocábulos loucos só pra rimar.
No final, achei que ficou um cocô. Mas ele disse que adorou, e levou pra casa quando foi embora...
Flashback off
- She will always be my sun kissed trampoline
She goes up and down in my heart
Turned into jelly beans
And I'm starting to believe that dangers never near
When Joanna is here
Turned into jelly beans
And I'm starting to believe that dangers never near
When Joanna is here
Little Joanna's like a laser beam sky
Gluteous Maximus like a fire fly
And that's why I'm a kissaphobic
Where cellulite dreams were made
Like lemonade
But when the shivers are salty
And sea forms the colour of space
Gluteous Maximus like a fire fly
And that's why I'm a kissaphobic
Where cellulite dreams were made
Like lemonade
But when the shivers are salty
And sea forms the colour of space
She will always be my sun kissed trampoline
She goes up and down in my heart
Turned into jelly beans
And I'm starting to believe that danger's never near
When Joanna is here
She goes up and down in my heart
Turned into jelly beans
And I'm starting to believe that danger's never near
When Joanna is here
God, I love Joanna
But she don't understand much
I love it when our hands touch
Knowing that I'm near
But she don't understand much
I love it when our hands touch
Knowing that I'm near
Apple-flavoured lipgloss
Gillies wears a necklace
And feeling I got reckless
When Joanna's here
Gillies wears a necklace
And feeling I got reckless
When Joanna's here
Little Joanna's got big blue eyes
I could die lying in her arms
Where castles are made of sand
We start to dance but only the music is bleeding
When crickets replace the band
I could die lying in her arms
Where castles are made of sand
We start to dance but only the music is bleeding
When crickets replace the band
She will always be my sun kissed trampoline
She goes up and down in my heart
Turned into jelly beans
And I'm starting to believe that dangers never near
Oh, when Joanna is here
She goes up and down in my heart
Turned into jelly beans
And I'm starting to believe that dangers never near
Oh, when Joanna is here
(when Joanna's here) sun kissed trampoline
(when Joanna's here) up and down in my heart
(when Joanna's here) sun kissed trampoline
(when Joanna's here) up and down in my heart (2x)
(when Joanna's here) up and down in my heart
(when Joanna's here) sun kissed trampoline
(when Joanna's here) up and down in my heart (2x)
(when Joanna's here) sun, sun
(when Joanna's here) sun, sun
(when Joanna's here) sun, sun
(when Joanna's here) sun, sun...
(when Joanna's here) sun, sun
(when Joanna's here) sun, sun
(when Joanna's here) sun, sun...
Meu Deus! As frases da aliança fomos nós que escrevemos com doze anos! Sobre a Little Joanna!
Meu Deus! Essa música é a nossa música!
Claro que não está um cocô depois das mexidas e adaptações do Tom, mas ainda é a nossa música!
Adivinha? Lágrimas brotaram nos meus olhos enquanto eu escutava todas aquelas palavras. Foi, com toda certeza, a coisa mais fofa que já fizeram pra mim. E foi justo a pessoa mais fofa de todas quem fez. Eu posso dizer: eu amo o Tom. Eu o amo mais do que o saudável. Amo tanto que estar com ele se tornou uma droga pra mim. Fiquei viciada. Estou viciada nele.
Os últimos acordes da nossa música acabaram e eu não conseguia parar de sorrir. Não cheguei a chorar histericamente, porque eu sou uma pessoa controlada, mas essa foi minha vontade.
- Feliz aniversário, Little Joan... - Antes dele poder terminar de falar, eu já estava dando um dos meus abraços de coala nele. Foda-se se tava na frente de todo mundo. Ninguém precisa correlacionar o fato de estarmos juntos ao fato de eu ter o abraço daquele jeito... E se correlacionarem, dane-se também.
- você é tão perfeito... - sussurrei com a boca contra seu pescoço - As vezes eu acho que não te mereço. - ele soltou uma risada linda e eu beijei sua bochecha. - Tom...
- Oi. - ele respondeu sorrindo e me olhando nos olhos.
- Me levara pra um lugar onde a gente possa ficar sozinhos? Agora. - pedi com cara de cachorrinho (cachorrinho é bonitinho de todos os jeitos, não precisa ser necessariamente caído da mudança ou sem dono... ).
- Levo. Vamos pro carro.
- Tá. - Saí do colo dele, agarrei o Danny e agradeci, agarrei o Dougie, o enchi de beijos porque ele é muito fofo e lindinho e me deu uma vontade absurda de dar beijinhos nele, depois eu agarrei o Harry e também agradeci. Como eu amo aqueles bois.
Eu e Tom saímos na encolha e fomos até o carro dele. Deus abençoe o cara que inventou os vidros escuros.
Sam's POV
Eu tava dando um de puta e me esfregando em todos os garotos que passavam por mim. Vários (vários mesmo) deles tinha pedido pra ficar comigo, mas como eu não sou uma biscate sem coração, eu recusei.
Na verdade, estou revendo meus conceitos de ter um coração ou não porque, eu confesso que eu tava super feliz de ver o Danny com aquela cara de bunda. Eu tava bêbada, mas tava me divertindo.
- Oi gata.
- Tchau, gato. - ui, esse foi um belo toco. Desviei desse tal menino que estava tapando minha visão do Danny e ele pareceu não gostar.
- Ei, linda, tá pensando que você é quem? - o menino segurou meu braço com força.
- Olha aqui, meu filho, tira essa porra dessa mão de mim antes que faça um omelete com seus ovinhos e dê pra sua avó comer. - Falei com autoridade e ele arregalou os olhos, completamente surpreso, e abriu um sorriso debochado.
- Mais respeito, gracinha. - ele apertou mais meu braço. Machucou.
- VAI SOLTAR OU VAI PAGAR PRA VER? - Falei alto e firme.
- Derek, solta a garota... - uma voz fina, mas aveludada, e conhecida soou por trás de mim. Me virei pra olhar assim que o tal Derek me soltou, não acreditando no que vi.
- Porra, sua sem-noção dos infernos, o que você tá fazendo aqui? - perguntei, brava. Tem que aparecer alguém pra estragar nossa felicidade, né?! Puta que pariu.
- Fui convidada por um amigo. - Maddie deu de ombros e eu ergui uma sobrancelha, querendo rir da cara dela.
- Posso saber que foi o imbecil?
- O Tom. - ela disse com um sorriso prepotente e eu quis voar no pescoço dela. Não só no dela...
- QUE MERDA! QUEM VOCÊ PENSA QUE É? QUEM ELE PENSA QUE É?! - Virei as costas indo na direção do Danny. - DANNY! - chamei, soltando fogo pelas narinas, e ele me olhou com descaso.
- que é? - perguntou num tom quase tedioso e indiferente, mas ainda sim, rude.
- VAI ACHAR O TOM. - ordenei.
- Ele foi pro carro com a Bela e eu não sou empata-foda. Vai você que é sem-noção.
- Sem-noção é teu cú! - ralhei e fui correndo tentar achar um segurança. Achei um gigante, preto, de terno, com cara de mau que só podia ser segurança.
- Ei, moço! - ele me olhou. - Pode retirar uma pessoa da festa?
- Só com a autorização da senhorita Hoppus.
- Mas que porra a Thalia tem a ver com isso?
- Foi ela quem alugou o espaço, a festa está no nome dela.
- Mas eu sou Sammy Bradley!
- E eu sou Ron Mayer. Prazer.- Então ele voltou a olhar pra frente. Veado! Tirou uma com a minha cara!
Bufei alto, e ainda rosnei, e fui batendo o pé atras da Thalia. No meio do caminho passei pelo bar e peguei uma dose de absinto. Na pista de dança, começou a tocar uma musica muito maneira, aquela do Usher, OMG! ou algo assim. Tive que parar pra dançar, eu já tava doidona mesmo, então decidi curtir.
Sabe, o Danny tá mó gatinho com essa blusa listrada. Gamei. Que fique bem claro que eu tô bêbada! Senão não pensaria em nada disso!
Acho que vou lá seduzir ele.
Fui em sua direção e comecei a dançar olhando em seus olhos. Aposto que eu tava parecendo uma avestruz fazendo a dança do acasalamento, e a dança tava funcionando, segundo sua cara de avestruz-macho-seduzido.
Ele deu os sinais de que queria acasalar e eu continuei meus movimentos. Fui chegando mais perto e então ele não se aguentou e pegou firme na minha cintura, me puxou contra si, e tentou me beijar mas eu coloquei o indicador sobre seu lábio. Danny me olhou confuso e eu sorri. Continuei dançando sensualmente até a música acabar.
Vou te falar que eu nem sei porque fiz isso. Sério. Eu não sei. Era pra eu ter o agarrado logo! Ele que tomou a iniciativa! Não era isso que eu queria? Era porque eu tava bêbada, só podia ser.
- Vou pegar alguma coisa pra beber! - falei em seu ouvido. Ô coisa de bêbado! Já tô toda mamada e ainda vou beber mais! Fazer o que se dá vontade?
Dei de ombros mentalmente e segui meu caminho.
Fui dançando a musica da Shakira, a Loca Loca Loca, até o bar e pedi uma tequilazinha.
- Sam? - Uma voz masculina veio de algum ser ao meu lado e eu olhei. Ah, o Joe. Primo da Bela.
- Oi, Joe!
- Tudo bem?
- Tudo sim. Tô na boa. E você?
- Tô bem. Quer dizer, estaria melhor se você estivesse me beijando agora.
- Huuum, gostei da cantada! - sorri marotamente e ele também.
- Gostou? Quer outras? Falo quantas você quiser até você aceitar ficar comigo.
- Joezinho, me diga um bom motivo pra eu fazer isso, que eu aceito.
- Um bom motivo? Deixa eu ver... Bom, eu sou bonito, você é linda, eu tô afim de você e você não perderia nada se ficasse comigo.
- Você é escroto. - ri - Mas, tá. - dei de ombros e ele riu. Me levou pela mão até um canto mais escondidinho, me encostou na parede e me beijou.
O beijo começou MUITO lento, mas MUITO bom. Ele era bom nisso. Sério. Agilizou os movimentos aos poucos e a mão boba foi pra dentro do meu vestido, que já era bem curto, facilitando seu trabalho de colocar a mão na parte boa.
Nessa hora, a agarração ficou super intenção e os beijos foram para o pescoço. Recebi deliciosos chupões e mordidas, assim como fiz nele. Joe era ótimo, tenho que admitir.
Seus dedos começaram a se movimentar por baixo da calcinha e comecei a dar umas reboladas por causa da sensação maravilhosa que ele tava me proporcionando, o que o estimulou a continuar. O beijo tava cada vez melhor até que...
Acho que foi uma intuição, ou sei lá. Só sei que, do nada, eu abri o olho bem na hora que o Danny apareceu ali. Ele arregalou os olhos numa expressão incrédula e logo depois relaxou as feições dando lugar a uma expressão decepciona. Balançou a cabeça negativamente e virou as costas.
O choro veio muito rápido. Primeiro que eu sou chorona, segundo que eu tava bêbada. Terceiro que eu percebi que eu tinha feito uma merda muito grande. Comigo mesma e com o Danny.
Empurrei o Joe, que me olhou sem entender.
- Desculpa, Joe, tava delicioso, mas eu não posso mais continuar. - Disse chorando. - sabe, tem várias garotas muito gostosas por aí que vão querer dar pra você porque você é gato e tal, mas eu não posso. Foi mal. - limpei as lágrimas como seu eu não soubesse que mais um monte delas iria cair e molhar meu rosto todo de novo. Fui correndo atrás de alguém. Qualquer pessoa que eu pudesse abraçar e chorar. Aí eu encontrei o Harry e o Dougie conversando.
- o que houve?! - Harry me perguntou assim que eu cheguei chora do e me joguei em cima dele.
- Me abraaaacem! - pedi, chorando igual a um neném. Os dois o fizeram e eu fiquei lá chorando, sem conseguir falar.
Sam's POV OFF
Soph's POV
Eu, Flor e Lia estávamos pela festa, arrumando garotos para a Flor ficar. Só faltavam dois pra ela completar o desafio, mas nós três estávamos bêbadas e a coisa tava ficando difícil. A gente só ria e não conseguia arrumar ninguém.
- Ali! Ali! Aquele ali! Gatinho, gatinho! Eu pegaria! - Lia falou apontando pra um loirinho horroroso.
- Porra! Ele parece uma lacraia! - Comentei.
- Parece nada! Muito pegável! - ela insistiu e eu fiz cara de nojo.
- Qual? - Flor, e sua lerdeza alcoólica.
- Aquele! - apontei, toda mal educada.
- Gostei! - ela disse sorrindo.
- VIU?! - Lia se gabou, e eu fiz mais cara de nojo.
- ELE É HORRÍVEL! Eu conheço a história dele. - Falei.
- Conhece? - Flor perguntou.
- Conheço. Deus falou: quem quer ser feio pisca o olho, aí ele foi lá e dormiu!
- HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHHAHAHAHAAHA! - Nós todas rimos em conjunto.
- A-DO-REI! - Lia gritou. - Mas ele não é tão feio!
- É sim, gente, pelo amor de Deus!
- Para! Super pegável. - Flor comentou avaliando-o.
- Pega, então! - Estimulei ela sorriu maliciosamente.
- Vou lá! - Flor foi dançando nada discretamente até o menino e a gente ficou só rindo. Pior que ela pegou o moleque em dois segundos. Ela chegou e pegou. Ai, que nojo. Cruz-credo.
- Como ela consegue? Ele é horrível!
- Não é! Você que tá chata depois de conhecer o Dougie. Não tem mais nenhum outro garoto bonito no mundo, pra você.
- Nada a ver. Tem o Tom, o Danny, o Harry...
- Aham, mas aposto que você, coitada, toda iludida, acha que o Dougie é o mais bonito...
- MAS É!
- PFFFFFFFF! - ela zoou. - Coitada... Aquela linguicinha toda magrela...
- ELE TEM TANQUINHO, SE QUER SABER.
- Tem... - ela foi irônica. - Taquinho bem 'inho' mesmo.
- Ah, é, porque bonito é o Harry, com aquele tapete de pelo de castor grudado nos seios!
- HOMENS NÃO TÊM SEIOS!
- TANTO FAZ!
- E aquele tapete é MUITO sensual, tá?
- Claro. Vocês vão dormir abraçadinhos e vai parecer que você está deitando num cachorro.
- UM CACHORRO BEEEM MUSCULOSO! COM MÚSCULOS QUE APARECEM!
- OS DO DOUGIE APARECEM MUITO BEM!
- Aham... - mais ironia - Só se for naquelas horas em que todos os músculos ficam contraídos, sabe...? Aquelas horas mais...Quentes.
- Aquelas horas que você ainda não viveu com o Harry... - UI, ZOEI!
- DESCULPA SE EU NÃO DOU PRO MEU NAMORADO TODO DIA.
- MELHOR DAR TODO DIA DO QUE DAR NENHUM DIA!
- MAS A CULPA NÃO FOI NOSSA, FOI DA SAM!
- E daí? - comecei a rir.
- Tá rindo de que, sua louca? - perguntou ela, rindo junto.
- Tô rindo da Sam. Cara ela é tão sem noção... Chega a ser engraçado. - comentei e a Lia concordou. - Ela nem liga de segurar vela, morro de rir com isso. Tem aqueles momentos que a gente tá na maior pegação com algum cara e ela tá ali do lado, toda inconveniente e não tá nem aí!
- Pois é... Do mesmo modo que ela não tá nem aí de pegar alguém na cara de quem tiver olhos pra ver. - rimos. - Doidinha...
- Você acha que se fosse alguma de nós chorando, batendo na porta dela enquanto ela tivesse prestes a transar ela ia abrir e nos dar atenção? - rimos - PFFFF! ELA IRIA, NO MÍNIMO, DIZER: 'VOLTA MAIS TARDE QUE EU TENHO UM SEXO A CONCLUIR'.
- COM CERTEZA... - Lia concordou, rindo. - AI, AI... Me divirto com ela, cara...
- Mas, enfim, acho melhor você se resolver logo com o Harry senão daqui a pouco até a Bela e o Tom se resolvem antes...
- AAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAH! - Ela soltou uma gargalhada que me fez rir também - Essa foi boa... Quanto a isso, eu tenho todo tempo do mundo! Aqueles dois, só depois do casamento. - rimos.
Soph's POV off
Eu e Tom entramos no banco de trás, já sabemos que precisaríamos de algum espaço. Nos olhamos por alguns segundos e parecia até cena de filme. Os dois com um sorrisinho bobo, apaixonado, e com olhares intensos.
A conexão entre nosso olhos parecia tão sólida quanto um diamante bruto. Isso fazia cada parte de mim estremecer e me perder naquelas duas bolas castanhas que me admiravam da mesma forma por um tempo indefinido.
- Obrigada. - sussurrei, sem romper a conexão entre nossos olhares. Ele apenas alargou e sorrido e então, diminuímos a distancia de nós de uma forma quase brutal, selando nossos lábios e iniciando um beijo que tinha gosto de... perfeição? Acho que sim.
Com uma das mão um pouco acima da minha nuca, e a outra espalmada em minhas costas, Tom me puxava contra si, o que fez com que eu me ajeitasse em seu colo, com uma perna de cada lado do seu corpo.
Agora, eu segurava com força seus cabelos e ele aplicava a mesma força com a mão na minha cintura. Seus lábios quentes passaram a explorar o meu pescoço e estavam afoitos. Lá eram depositadas mordidas e chupões, beijos e carícias. Sim, eu sabia que ia ficar tudo roxo depois, mas quem liga? Eu queria mais. Precisava demais. Eu precisava do corpo do Tom colado no meu. Urgente.
Puxei seu rosto pra cima, pra que nossos lábios voltassem a se tocar e sua língua explorava cada centímetro cúbico da minha boca. Por mais que isso pareça clichê, é só com ele que eu sinto esse choque elétrico durante um beijo. Não importa se for um selinho ou um beijo tipo esse. É sempre essa corrente elétrica que preenche cada uma de minhas células. Algo inexplicável...
Deslizei minha mão pelo seu abdômen ainda coberto e aquilo me incomodou, então tirei sua blusa e ele lançou um sorriso malicioso. Me abraçou pela cintura, de forma que eu ficasse completamente pressionadas contra ele. Abracei seu pescoço só pra ter a certeza de que ele permaneceria ali. Comigo. Só comigo.
Nossas línguas faziam movimentos circulares uma contra a outra. Senti sua mão escorregar até a barra da minha blusa, subindo-a de forma que toda a extensão das minhas laterias fosse acariciada. A blusa foi jogada em algum canto do carro, assim como a do Tom.
Sim, eu estava excitada pra cacete, mas isso não era tão visível quanto era nele. De novo, desci minha mão até seu abdômen, dessa vez desnudo, e senti seus músculos deliciosamente definidos contraírem, reagindo ao meu toque. Coloquei minha mão sobre o zíper da sua calça e, sem fazer firula, o abri. Depois a desabotoei e saí do seu colo pra que ele tirasse com mais facilidade.
Tom, então, me olhou com aquela cara de lobo mal, e deu um segundo sorrisinho, dessa vez retribuído por mim. Antes que eu voltasse a sentar sobre dele, ele veio pra cima de mim, de forma que eu ficasse pressionada contra a porta. Tirou minha calça sem nenhuma dificuldade, se encachando entre minhas pernas e voltando a beijar meu pescoço e colo. Meus dedos se expandiam por seu coro cabeludo, fazendo carícias enquanto eu arfava e e gemia baixo, sem emitir muito som.
Então, minha primeira vez seria num carro?
Sim. Seria.
Danny's POV
Se eu falar uma coisa vocês podem não ficar me achando um gay?
Eu tô com vontade de chorar. De raiva. Muita raiva. Eu não costumo ficar com tanta raiva, mas a cena que eu vi me deu... Muita raiva.
Tudo bem que eu e a Sam já não estávamos muuuito bem, mas... sei lá, ela estava comigo, ela disse que foi pegar uma bebida e quando eu vejo, está quase dando pra um outro cara.
E A PORRA DO CARA ERA O JOE! LOGO O JOE! MEU PARCEIRA DA PURRINHA!
Não acredito, cara.
Depois de ter visto aquilo, eu não sabia muito bem o que fazer. Não queria ver ninguém, nem falar com ninguém... Na verdade, seria uma boa falar com alguém, mas eu não tava muito afim. Pelo menos não por enquanto.
Fui para um canto no PUB que tinha uns sofás. O fato daquele canto estar bem cheio ajudava um pouco porque eu não queria que ninguém me achasse. Sentei ali e bebi minha Heineken olhando para o nada.
- Dan? - olhei para o lado e vi uma menina muito bonita. Dyanna. Eu conhecia ela... Já tínhamos... Er... você sabe, a gente... Bom, ela era uma groupie e ela é realmente gostosa.
- Oi, Dyanna. - sorri.
- Tudo bem? Você parece entediado.
- É... eu tô entediado. - menti.
- Você quer... Fazer alguma coisa mais interessante?
- Tipo?
- Tipo... - Deu um sorrisinho malicioso e passou a mão no meu peitoral definido e musculoso, que as mulheres amam. - Você sabe...
- Er, na verdade, eu... Eu não sei não. - cocei a cabeça. Eu deveria saber?
- Danny! - ela deu uma risadinha. - Você sabe do que estou falando... - Disse no meu ouvido. - Relembrar os velhos tempos... - sussurrou, sustentando o mesmo sorrisinho.
- Ah, sim. - agora entendi. - Eu era um garotinho meio demoníaco. Mas nada se compara ao Dougie. - ri. - Ele era realmente demoníaco...
Dyanna bufou e rolou os olhos.
- Não, Danny. Estou falando da nossa experiencia. Não lembra? Nossa noite!
- AAAAAAAH! - Agoooora sim eu entendi. Mas ela podia ser mais direta, né? Eu, hein. Fica mandando códigos, eu não entendo códigos. Ninguém percebe isso? - Ah, eu acho uma boa... - sorri maliciosamente.
A puxei pela nuca e iniciamos um beijo bem quente que me fez ter vontade de arrancar nossas roupas. Ela sentou no meu colo e permanecemos nos beijando...
Danny's POV off
Eu não conseguia nem expressar o quão delicioso era aquilo. VOCÊ NÃO ESTÁ ENTENDENDO, ERA MUITO GOSTOSO.
Depois de um tempo, Tom continuou traçando um caminho de beijos pela minha barriga, que me deixavam completamente arrepiada. Ele segurou o elástico da minha calcinha e beijou, por fim, a minha intimidade ainda sobre o pano. Aquilo me deixou um pouco nervosa.
Então, me olhou como se pedisse permissão para tirar a peça e eu novamente apenas fechei os olhos com força e mordi o lábio inferior como aval para o que quer que ele fizesse comigo. Eu estava entregue e minha expressão mostrou exatamente isso.
Tom se apressou em tirar minha calcinha e eu abri os olhos apenas para observar sua reação ao ver o que eu tanto queria que ele visse.
- Gostou? - perguntei sorrindo quase tão maliciosamente quanto ele.
- É uma bela tatuagem. - alargou o sorriso e deixou de fitá-la pra me olhar. - Foi o Frank que fez?
- Foi.
- Sinto inveja dele. - passou o indicado contornando a tatuagem, o que me causou um arrepio entorpecedor.
- Não sinta. Você foi, teoricamente, o primeiro a ver.
- Ninguém viu?
- Ninguém viu.
- Me sinto honrado. - sorrimos e ele voltou 'para cima', me beijando de uma forma intensa, como se estivesse sedento por aquilo, mas o beijo foi curto. Ele logo repetiu o caminho de beijos languidos por meu corpo, se concentrando em cada parte, até chegar na tatuagem, onde foi depositado um beijinho rápido e então... Ele chegou... lá.
Meu Deus, ele ia fazer aquilo.
Ele ia mesmo fazer aquilo.
Tom levou os lábio a minha intimidade enquanto segurava e massageava a parte externa das minhas coxas com certa força. Seus movimentos eram precisos e sua língua trabalhava com uma destreza invejável.
Mas como aquilo podia ser tão...?
Como uma coisa tão nojenta podia ser...?
Aquilo era...
Era...
AQUILO ERA A MELHOR COISA QUE EU JÁ SENTI EM TODA A MINHA VIDA!
Sabe, nojento é a bunda da avó da Thalia, mas isso aqui pode ser TUDO, menos nojento! ISSO É SIMPLESMENTE COMPARÁVEL AO PA-RA-Í-SO.
Nunca senti algo tão gostoso, tão enlouquecedor, tão prazeroso, tão... incontrolável na minha vida. Meu coração acelerou de um jeito perigoso como se quisesse arrebentar minha caixa torácica e fugir. As gotículas de suor começaram a brotar na minha testa a medida que os gemidos iam escapando cada vez mais altos sem que eu pudesse controlar. Eu tinha medo de gemer que nem um cadela carente, mas vejo que isso talvez seja inevitável em horas como essas, em que a gente não consegue controlar nossa garganta.
Eu estava enlouquecendo. Tinha vontade de gritar, agarrar as coisas, me mexer... Tom era bom naquilo. Bom mesmo. Ótimo. Ótimo até demais.
A intensidade dos movimentos dele foi aumentando assim como aquilo que estava vibrando dentro de mim. Ele continuou até que...
Foi estranho.
Foi como uma bomba.
Uma bomba de serotonina, estrógeno, adrenalina, noradrenalina, prolactina e tudo mais que tivesse de bom dentro de mim explodiu, tomando conta de cada célula do meu corpo. Era melhor sensação da minha vida. Algo indescritível.
Meus músculos sofreram um espasmo involuntário assim como o gemido mais alto do que eu julguei necessário escapou da minha garganta, e Tom desacelerou os movimentos, passando da beijos que foram subindo lentamente pela minha barriga. Mas estava desesperada. Feroz.
Segurei seu rosto o puxando sem delicadeza até nossos lábios colidirem e eu o beijar como se aquilo fosse a fonte do líquido azul dos Smurfs.
Mas o que martelava na minha cabeça era que eu tinha que fazê-lo sentir tanto prazer quanto ele me fez. E eu ia.
Inverti habilidosamente as posições (não sei como não nos derrubei ou não destruí alguma coisa...), e comecei a trabalhar em seu pescoço, com chupões, beijos e mordidas. Fiz o mesmo que ele, beijando todo o comprimento de seu tronco até chegar no elástico de sua linda boxer preta, a qual eu tirei com agilidade.
Encarei sua ereção pulsante, assim como eu imaginava e depositei um beijinho em sua glande. Masturbei a base com a mão enquanto usava a boca na parte superior. Fiz isso até ele envolver carinhosamente meu rosto com a mão e me puxar pra um beijo.
- Não dá mais tempo pra isso. - foi o que ele disse, antes de pegar com toda a pressa do mundo uma camisinha, vestir e...
Eu senti um pouco de... Medo.
Engoli seco e por mais que aquilo fosse o que eu mais almejava naquela hora, eu ainda tinha aquele medo estúpido.
E ele reparou.
Me deu um beijo na bochecha e sussurrou no meu ouvido:
- Calma, eu não vou te machucar. Relaxa.
Engoli seco mais uma vez. Fechei os olhos e tomei coragem. Eu sabia que ele não ia me machucar. E eu tava tão excitada, mas tão excitada que não dava mais tempo pra esperar. Então eu abri os olhos, sorri e puxei para mais um beijo, enquanto ele me ajeitava, sentada contra a porta do carro, sobre ele, com uma perna de cada lado de seu quadril.
Foi então que eu senti uma dor. Era uma dor estranha, profunda, diferente das demais. Mas era... uma dor boa. Muito boa. Aquilo estava doendo, mas era delicioso e me fazia querer mais. Muito mais. Eu queria que ele fosse profundamente.
Podia sentir exatamente cada movimento, e a cada segundo que passava minha vontade de tê-lo 'mais dentro' de mim aumentava. Sexo é uma coisa estranha, eu sempre soube.
Num movimento desesperado, eu agarrei seu pescoço, o que fez nossos corpos colarem totalmente. Ele afagava alto, suspirava e se movimentava em sincronia comigo, como se fosse a coreografia mais perfeita de todos os tempos.
Meus gemidos eram irregulares e eu tentava abafá-los colocando a coba contra a pele do ombro do Tom.
Ficamos naquela por um tempo. Um tempo tipo... segundos. Mas eu já tava ficando nervosa, e engraçado porque sempre quando eu fico nervosa sinto um dorzinha, aí eu relaxo, e sinto mais prazer... Fica nessa oscilação entre dor e prazer conforme o nervosismo vem e vai.
Mas eu tava nervosa porque eu não sabia o que fazer...
O que que eu faço? Será que está sendo um cocô? Eu deveria estar me mexendo igual a uma gelatina no terremoto? Eu deveria estar rebolando em cima nele? Será que ele não vei ter um orgasmo? Ai, jesus... Eu sabia. Eu sou horrível. Ele vai terminar comigo depois dessa! EU SOU UMA ANTA, NÃO SIRVO NEM PRA SER COMIDA PELO MEU PRÓPRIO NAMORADO. EU DEVERIA ME MATAR.
Tom puxou meu cabelo de forma que meu rosto fosse pra trás e me beijou de um jeito que, eu diria, romântico. E foi um beijo delicioso. Que me deu MAIS prazer. Como se fosse possível. Voltei a enterrar minha cabeça em seu pescoço e sentir aquele mar de sensações perfeitas.
Eu tô aqui desfrutando da habilidade e experiencia do Tom, e ele? Coitado, não desfrutando de porra nenhuma! Eu tô aqui sentindo essa coisa maravilhosa, passando por um momento onde até a dor é boa, A DOR, D-O-R, É BOA! Como pode? Ele me dá essa maravilha e eu dou o que? INEXPERIÊNCIA, FALTA DE HABILIDADE, FALTA DE PRAZER, TÉDIO! EU ME ODEIO, O-D-E-I-O! NÃO É JUSTO! NÃO QUERO MAIS SENTIR PRAZER! EU DEVERIA ESTAR SENTINDO A MESMA COISA QUE ELE! NADA!
Não pense que, enquanto eu estava perdida nesses devaneios, eu não estava gemendo igual a uma louca, arfando, e escutando suas arfadas (que eu aposto que são falsas só pra me agradar)...
Oh, céus, o que é isso? Essa não. Platô. Estou na fase de platô. Isso quer dizer que eu estou tendo um segundo orgasmo em cinco...
Quatro..
AI MEU DEUS, TRÊSDOISUM! WOW.
- Caralho... - Tom soltou, fechando os olhos com força, e estocando numa velocidade frenética, com uma força exagerada. No segundo seguinte ele jogou a cabeça pra trás e soltou um suspiro exausto e alto.
Essa não. Ele está decepcionado. Essa não, o que eu faço? Eu devo fugir? JÁ SEI: ME TACAR DA TORRE EIFFEL! Tô com uma vontade horrível de chorar. Droga, acho que eu vou chorar.
Ele me abraçou com força e beijou mu pescoço depois foi subindo os beijos até chegar na minha boca. Deu vários selinhos, depois foi até meu ouvido e sussurrou:
- eu amo você.
- Eu... eu... Eu amo você, Tom. Muito. Obrigada. - o abracei com mais força. Eu não tinha muito o que dizer, não sabia se deveria pedir desculpas...
Nos beijamos por um tempo e, graças a Deus eu não comecei a chorar ali, seria ridículo.
Tom se separou de mim enquanto ia se livrar da camisinha que estava... Deplorável. Muito nojenta. Sério.
Me encolhi e abracei minhas pernas, meio envergonhada por tudo, pelo meu fracasso e tal, e então ele me olhou curioso.
- Que foi?
- Eu... Eu sei que... Quero dizer, não fui muito... Eu... - Tô com um vontade enorme de me matar porque você me deu a melhor noite da minha vida e eu fui um fracasso total. Reciprocidade zero. - Eu não sei como dizer isso, mas...
Tom estava com uma cara realmente curiosa. Ai, céus.
Peguei minha calcinha do chão, vestindo-a, e então vesti meu sutiã. Ele já tinha vestido a boxer e a calça. Eu estava claramente apreensiva.
Dougie's POV
Eu e Harry estávamos consolando a Sam, passando a mão no cabelo dela e dando tapinhas camaradas nas costas, enquanto ela chorava, pegava todas as bebidas que passavam, e resmungava as seguintes palavras: 'ele viu', 'eu sou uma ordinária', 'sou da raça da Maddie', 'vou bater na Maddie, isso tudo é culpa dela', 'tenho que falar com ele', 'me ajuda, me ajuda', 'eu não mereço ele'.
É, acho que são só essas.
AH, NÃO, ainda tem aquela: 'não acredito que eu ia dar pro Joe!', mas ela só falou isso duas vezes.
Na primeira, eu e Harry arregalamos os olhos, na segunda, a gente prendeu o riso.
Não estávamos entendendo muito bem o que aconteceu, porque ela tava bêbada e ficava repetindo literalmente só aquelas frases ditas anteriormente. Tanto que eu já tinha decorado.
Harry e eu até ficávamos brincando - silenciosamente, claro - de tentar adivinhar qual frase que ela falar. Tava divertido.
- Er... Harry... - eu chamei por cima da cabeça da Sam, que estava (ainda) agarrada nele. - Eu vou tentar achar a Soph ou a Lia, ou a Flor, ou qualquer uma que consiga entender o que aconteceu com ela.
- Beleza, só não chame Bela. Sabe-se lá o que ela e Tom estão fazendo no carro.
- Eu sei, cara, eu sei.
- A-a Bela tá no carro com o Tom? - Sam perguntou fungando e com cara de viúva que acabou de perder o marido - Eles est-tão transando?
- Todos rezamos pra que sim. - Harry respondeu e eu concordei.
- JURA? A GENTE PODE IR LÁ DAR UMA ESPIADA? - Ela sugeriu, abrindo um sorriso animado e limpando as lágrimas.
Eu e Harry fizemos um contato visual, meio receosos... Isso seria a maior sacanagem de todas, mas seria o único jeito de fazer a Sam melhorar.
- Claro, Sam! - Harry concordou sorrindo e Sam deu um pulinho animado.
- Estou tão feliz por ela! - ela foi saltitando na frente.
- Vamos enrolar ela até ela esquecer essa ideia. - Harry falou no meu ouvido e eu assenti, então tive que correr porque a Sam quase caiu.
- Woops. Eu acho que eu tô meio mole. - Ela disse, nos meus braços.
- Acha? - perguntei irônico. - Cê tá completamente chapada, Sam.
- Eu seeeeeeeeei. - rolou os olhos. - Ei, Dougie! Como está minha maquiagem? - ela perguntou olhando pra mim com uma cara meio maníaca.
- Acho que posso falar a verdade, você não vai lembrar de nada amanha mesmo. - dei de ombros e Harry concordou. - Tá um caos. Suas lágrimas estavam pretas e quando você limpou, esse treco preto se espalhou pelo seu rosto todo.
- Jura? - ela gargalhou. - Devo estar linda.
- Está parecendo aquelas mulheres sofredoras que choram com lágrimas pretas. - comentei.
- Wow, devo estar um arraso. - disse jogando os cabelos pra trás do ombro.
- Ih, aquela não é a Flor pegando o Alexander? - Harry apontou e eu concordei.
- Ela mesma! - falei.
- Meu Deus, deve ser a primeira mulher que o Alexander pega. Espero que ela esteja bem bêbada pra fazer isso... - Harry disse.
- Sempre achei o Alex um gato. - Sam disse com um sorriso malicioso.
- Tá brincando né? - perguntei.
- Um gato com lepra e sarna! - ela completou rindo. Eu e Harry apenas nos olhamos e demos de ombros, seguindo na direção do banheiro.
- Ei, a gente não ia ver a Bela?
- A Bela está na quarta cabine do banheiro o feminino. Ela e Tom estão praticando massagem tântrica lá. - falei.
- CARAMBA! VAMOS CORRENDO PRA LÁ!
Harry começou a rir.
- Mas Sam, tem várias fases. - Harry disse, e eu e ela o olhamos com cara de 'ã?'. - Pra chegar na quarta cabine você tem que, primeiro, passar pela primeira cabine, fazer xixi NO VASO. Depois passar na segunda e tentar vomitar, também NO VASO. Depois, vai pra pia e lava o rosto do melhor jeito que você puder. E depois de tudo isso você sai do banheiro pra eu e Dougie vermos como você tá. Aí, você tem o direito de checar a quarta cabine.
- Não quero esse jogo. Diz pra ele que eu não quero, Dougie.
- Mas, Sam - falei. - Não é um jogo. É a regra do banheiro.
- Verdade. - Harry concordou.
- Jura? Que banheiro metódico! Vou reclamar com o... Como era mesmo o nome dele, hein? Acho que era... Tom... Não! Von! Don! NÃO, NÃO! ERA RON! RON MAYER.
- Isso, isso. Depois você reclama com ele. Agora vai lá e passa pelas fases! - Harry falou.
- Tudo bem! Me desejem sorte! - ela se virou e entrou no banheiro.
- Nossa. - Harry disse, incrédulo - Não acredito que ela acreditou nisso. Que bom que ela fica burra quando bebe, cara.
- Que bom mesmo. Agora vou correndo tentar achar alguém. Fica aqui que eu já volto.
Dougie's POV off
- Você tá me deixando curioso. E preocupado.
- Não, não! Não fique! Sabe, isso tudo foi... Foi a melhor coisa que eu já senti na minha vida, e eu não tenho nenhuma palavra que defina por que foi tudo tão... acho que perfeito seria pouco. Você simplesmente me fez a pessoa mais feliz, satisfeita e sexualmente maníaca do mundo, porque agora eu vou querer fazer isso todos os dias e pensar nisso toda hora... - parei pra respirar e finalmente olhei pra sua cara que abrigava um sorriso lindo, orgulhoso e de quem tava achando aquilo tudo muito engraçado. Tive vontade de rir também.
- Que bom, porque me sinto da mesma forma. - ele disse sorrindo.
- Se s-sente?
- Óbvio. - ele disse como se aquilo fosse realmente óbvio. É CLARO QUE NÃO ERA ÓBVIO!
- Mas... mas...
- Mas o que? - ele juntou as sobrancelhas como se estivesse desconfiado. - Isabela, - essa não, ele me chamou de Isabela. - se estiver ousando pensar que você não foi a melhor pessoa com quem eu transei em toda a minha vida, e que eu eu estou pensando em cogitar a possibilidade de você não ser virgem porque é impossível alguma garota virgem ter tanta... destreza nessa arte - rimos - considere-se uma garota morta.
Comecei a gargalhar e ele também.
- Eu realmente estava pensando que eu fui uma fracasso e... EI! Como você pode duvidar da minha virgindade?! - exclamei com uma falsa indignação. - Que tipo de pessoa você acha que eu sou, Thomas Fletcher?
- Bom... - ele me olhou de sobrancelhas erguidas como se estivesse prestes a implicar comigo. Então, eu fui engatinhando até ele e sentei no seu colo de novo, esperando que ele continuasse o que ia falar. Mas ele não o fez, apenas me beijou.
Mas eu logo interrompi.
- Ei! você tinha uma coisa pra dizer!
- Ah, é mesmo. Eu acho que você é uma menina muito injusta, sabe?
- Devo perguntar o porquê?
- Deve.
- Por quê?
- Por que você está sentada desse jeito e com essa vestimenta e me olhando com essa cara...
Eu ri.
- Tom, sério, obrigada. Você foi o melhor de todos.
- Tiveram outros? - ele perguntou quase rindo e eu rolei os olhos.
- Tem razão. - disse, vencida.
- Mas eu posso dizer. Você foi a melhor de todas. - sorrimos e nos beijamos de novo.
- Eu ficaria aqui com você e repetiria o que fizemos cinquenta e seis vezes, - dei-lhe um selinho. - mas acho que eu devo voltar pra minha festa.
- É, também acho. - ele me deu outro beijo e então, saí de seu colo para vestir minha roupa.
- AAAAAAAAH! - gritei, quando despenquei no vão entre o banco do carona e o banco de passageiros. Começamos a rir descontroladamente enquanto eu tava lá atirada naquele micro-espaço desconfortável. - aaaai - resmunguei, tentando não rir.
Ele me puxou pelo braço, ajudando-me a levantar e acabou batendo a cabeça no teto, o que me fez rir e cair de novo.
Enfim, no final estávamos quebrados e doloridos. Especialmente eu, que sentia uma dor mais interna...
Saímos do carro e fomos voltando de mãos dadas até o PUB.
- Isso é tão estranho... - comentei baixo.
- O que?
- Essa sensação de não ser mais virgem. - ele riu. - Não, sério. Tem literalmente um sensação. Uma coisa estranha em mim. Tipo um desconforto como se ainda tivesse algo dentro de mim...
- É nessas horas que eu tenho que agradecer muito por eu não ser mulher... - ele comentou, me fazendo gargalhar, antes de entrarmos no PUB.
- BELA E TOM! - Uma pessoa aleatória pulou, bem afoita, talvez bêbada, na nossa frente. - POR FAVOR, ME DIZ, PRECISO SABER. VOCÊS ESTÃO TENDO UM AFFAIR? UM CASO? UM ROLO? NAMORO? AMIZADE COLORIDA? QUALQUER COISA QUE ENVOLVA SEXO E BEIJOS?
- Er... Porque? - perguntei com os olhos arrealados.
- SÓ PRA SABER. É QUE EU TE VI SAINDO COM O TOM, AGORA CHEGANDO COM O TOM, E VOCÊS ESTÃO DE MÃOS DADAS. - imediatamente soltamos as mãos e a pessoa (juro que eu não se era homem ou mulher) riu.- E ENTÃO, ESTÃO?
- Talvez. - Ele respondeu coçando a nuca. - GRADE! - Tom exclamou sorrindo como se conhecesse algum Grade, ou tivesse algum Grade ali perto, que fosse seu melhor amigo de infância, me puxando consigo.
- Boa tática. - sussurrei e ele conteve um riso.
- BELA! TOM! - Dessa vez era o Dougie correndo como um cordeiro fugindo da leoa. Adoro minhas comparações. - Ué? Já voltaram? - perguntou ofegante.
- Fomos tão rápidos assim? - Tom respondeu com outra pergunta.
- Eu também achei que a gente demorou... - Comentei e o Dougie riu malicioso. Retribuí o sorriso.
- Safadinhos. - ele disse cutucando o peito do Tom, que deu uma tapão no dedo dele, aí ele fingiu chorar. - desculpe, eu só vim porque eu preciso de uma garota, e a Bela cruzou meu caminho.
- Eu sou uma garota. - disse, levantando o dedo.
- Vem cá que eu preciso de você.
- Não me traia! - Tom pediu antes de sairmos.
- Não vou! - disse rindo.
- Vem também Tom, uma garota a mais será bom! - Dougie falou e Tom riu vindo junto.
Chegamos ao nosso destino: porta do banheiro feminino. O Harry tava lá, sozinho, olhando pra alguma coisa no tênis dele.
- PRONTO. - Dougie falou.
- IMBECIL, eu disse pra não atrapalhar a Bela e o Tom!
- MAS EU NÃO ATRAPALHEI! - Dougie se defendeu.
- Verdade, a gente já tinha acabado. - Falei dando de ombros e Harry deu o mesmo sorrisinho do Dougie.
- Que foi, a gente tava jogando dama! - Falei colocando a mão no peito como se tivesse ficado ofendida e Tom gargalhou.
- Dama erótica? - Doug perguntou. - Quem comer um bonequinho tem que comer o parceiro na vida real? Já joguei esse jogo.
- AAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH! - Gargalhei alto.
- Existe isso, Dougie? - Harry perguntou com a sobrancelha erguida.
- Não! - ele respondeu prontamente.
- Pra que mesmo a gente tá aqui? - Tom perguntou. - Porque a gente podia falar sobre nossa vida sexual sentados em algum sofá confortável, não é?
- HUUUUUM, TÁ CANSADO, NÉ, TOM? Bela te deu um trato? - Harry zoou e a gente riu. - Não, sério. Foi uma pergunta. Ela te deu um trato?
- Deu. - ele disse, me olhando com um sorriso safado e eu dei um tapa em seu ombro.
- Dei nada... - disse envergonhada.
- Deu sim. - ele retrucou com o mesmo sorriso.
- Paraaa! - resmunguei o empurrando de leve.
- Não, não... - Harry interrompeu, meio chocado. - É sério? Tipo, vocês progrediram mesmo?
- Para genteeee! - miei, tapando o rosto e Tom só ficou rindo.
- CARA, BELA, NO CARRO! QUE ISSO, HEIN! - Harry continuou e eu já devia estar mais vermelha que as notas do Danny.
- PARA! - Dei um tapa forte do ombro dele, que começou a rir.
- Tom, meus parabéns, cara. Pode deixar que a gente vai fazer um festa lá no seu quarto hoje pra comemorar sua maior conquista. - Ele disse, com a mão sobre o ombro do Tom.
- Pô, valeu, cara. Obrigado mesmo. - Eles se abraçaram e Dougie ficou rindo da nossa cara.
- PRA QUE FOI QUE A GENTE VEIO AQUI, HEIN? DÁ PRA EXPLICAR? - interrompi nervosa.
- Bela, doeu? - Dougie perguntou e EU QUIS MATAR ELE. Bufei alto e virei as costas, mas uma mão grande e quente me segurou.
- NÃO, NÃO, A GENTE PRECISA DE VOCÊ. - Era a mão do Harry.
- Ui, que mãozona, Harry! Pena que a Thalia ainda não desfrutou desse toque. - Revidei e os meninos riram alto.
- Quem te disse que não?
- Ela mesma. - Os meninos riram mais.
- Foi o Dougie que te zoou!
- VOCÊ TAMBÉM! - Dougie gritou.
- Olha, môzi e pituquinho, eu tenho mais o que fazer...
- Com o Tom? - Harry perguntou prendendo o riso.
- Porra, olha aqui. - Botei a mão na cintura e fiz pose de durona. - Se você é lerdo e ainda não comeu sua namorada, problema é seu, mas não fica dando uma de veado carente que precisa zoar os outros pra se sentir compensado porque isso é mais chato a Sra. Grampbell tentando ensinar como se recicla óleo pra fazer sabonete!
- UUUUI TOMOU NA FACE!
- CHAMOU O PAI DE CHOXINHA E A MÃE DE QUIBE!
- DEPOIS DESSA EU DORMIA DE MEIA!
- FALOU QUE VOCÊ É MAIS LERDO QUE O TOM!
Ficaram colocando pilha enquanto eu ria.
- Olha, não põe a Santa Sra. Grampbell no meio, tá? Ela é a melhor professora de artes do mundo. - Harry disse.
- Desculpa, eu restiro o que eu disse.
- Tá. - ele fingiu que limpou uma lágrima e nós nos abraçamos.
- Ah, e Dougie... - Falei, me virando pro Dougie.
- Ih, fodeu. - Tom falou baixo e Harry riu.
- Não, não, só queria dizer que eu concordo com você. Acho o Harry bem mais lerdo que o Tom.
- CALMA AÍ, QUEM FOI QUE DEMOROU NOVE ANOS PRA SE DECLARAR PARA A A AMADA MESMO? - Harry perguntou ironicamente.
- Ele teve os motivos dele, não é verdade, amor? - perguntei e ele balançou a cabeça como uma criancinha. - Nós não nos entendíamos muito bem...
- Mas ele demorou nove anos.
- E quem foi ainda não comeu a namorada mesmo? - Perguntei.
- Tá se sentindo só porque f...
- Não ouse terminar essa frase se não quebro tua cara, mano.
- Cara, até o Danny já comeu a Sam. Você tá meio atrasado mesmo... - Dougie o abraçou pelo ombro e Harry rolou os olhos.
- Sou um cara respeitador, dá licença?
- AH, É. - Zoei.
- Sou sim. Eu amo a Thalia e quero esperar o momento certo.
- Pose de bom moço agora... - Dougie comentou no cantinho.
- Eu sou o amor da vida do Tom, a Soph é o amor da vida do Dougie e a Sam é o amor da vida do Tom. - Falei. - E segundo a Thalia, quem está lerdando é v...
- TÁ BOM, TÁ BOM.
- Tudo bem, vamos parar com isso porque agora que bateu a vergonha de tudo que eu falei. - confessei, me sentindo mal por ter dito tanta merda. Eles riram.
- Eu tava aqui só vendo até onde você ia falar... - Tom disse rindo. - Daqui a pouco você já ia passar pros detalhes e eu ia ficar triste porque eu que queria contar isso pra eles, mas eu ia deixar...
Dougie gargalhou.
- Tom é o mais escroto. - ele comentou.
- Você que é! Ainda sai como santinho. - Eu disse rindo. - Mas acho que eu devo esclarecer que tudo que eu disse foi inventado e eu e Tom apenas jogamos dama NÃO ERÓTICA no carro. - rimos. - Brincadeira, mas eu tenho que esclarecer que eu não acho certo as pessoas saírem transando assim que começam a namorar, por isso, Harry você está certo em esperar, eu tava só brincando.
- QUE? CERTO? Claro que não! Vou resolver isso hoje! - rimos.
- Gente... Acabei de lembrar que a Sam tá lá no banheiro, e isso tá muito silencioso...
- A Sam tá no banheiro? - perguntei arregalando os olhos. - E teve uma discussão aqui fora que ela não veio se meter? - eles balançaram a cabeça.
- ela deve ter morrido. - Tom comentou e nós rimos.
- Estranho... - dei de ombros e entrei no banheiro. - Sam? - ninguém respondeu. - Sam? - de novo, sem resposta. - Sammy, cê tá aí? - abri a primeira cabine, ninguém.
- Ela tá aí? - ouvi a voz de Tom bem perto, e quando virei pra trás estavam os três no banheiro.
- Não na primeira. - disse apontando pra cabine. Abri a segundo e a encontrei no chão, com a cabeça apoiada na tampa no vaso, dormindo. - Ah, ela tá aqui.
- Er... Nossa intenção era chamar alguém para ajudá-la a vomitar, lavar o rosto e essas coisas, porque ela tava muito bêbada... - Dougie falou.
- Mas a gente acabou esquecendo de avisar... - Harry completou coçando a nuca e eu lancei um olhar de vingador do futuro.
- Animais. - Tom falou e foi me ajudar a levantar a Sam.
- Ela tava chorando? - perguntei.
- Tava. - Harry respondeu.
- Tá toda borrada... - comentei, tirando alguns fios do rosto dela - O que houve pra ela beber tanto e chorar?
- Não sabemos, mas tem a ver com ela ter quase dado pro Joe, bater na Maddie...
- Bater na Maddie? O que a Maddie tá fazendo aqui?
- Não sabemos se ela tá aqui. - Harry continuou.
- Ela deve estar... - Tom comentou. - Eu convidei ela, MAS NÃO ME MATA, foi antes de tudo acontecer, eu não sabia que vocês se odiavam! - ele se apressou em dizer e eu apenas bufei.
- O que a Maddie fez?
- Não sei, cara... Ela não falou. A gente não sabe o que aconteceu.
- Vamos levar ela pra casa... - Eu disse. - Cadê o Danny?
- Também sumiu há um tempão. - Dougie foi quem disse dessa vez.
- Isso não tá me cheirando bem... Alguém pega ela no colo e leva pro carro? - Harry o fez. - Harry, deixa ela na casa dela pra minha mãe não pirar e leva a Lia junto pra poder dar banho nela, dar água, remédio pra dor de cabeça e essas coisas... Poynter, vai achar o Danny que deve estar bêbado também e leva ele pra casa junto.
- Sim, major. - bateu continencia e saiu.
Thalia's POV
Eu tava indo pro banheiro com a Soph e com a Lia, quando vi o Dougie saindo de lá.
- IH, ASSUMIU! - falei rindo. Só uma coisa HAHAHAHAHAHAH eu tô bêêêêbada.
- Puta que pariu, Você tá bêbada. - Dougie falou estressado. Xiiii, não gostou que eu descobri que ele era gay, HAHAHAHAHAHAHAH.
- Elas duas estão muito bêbadas, môzi. - Sooph falou e eu ri.
- Vem aqui. - Dougie a puxou pela mão, e me puxou também. A Flor veio atrás.
Entramos no banheiro e tava geral lá. UHUL SURUBA!
- Bela, a Lia tá bêbada, temos que fazer uma mudança de planos. - Dougie disse.
- É temos. - ela concordou.
- AMOR! - Fui correndo pro Harry e o beijei. - A gente tem que transar, amor, daqui a pouco a até a Bela passa a gente. - GARGALHEI.
- Esse assunto de novo, não... - Harry fez voz de sofrido e eu não entendi. Principalmente porque a Bela, o Dougie e o Tom estão rindo.
- ENFIM. SUAS LOUCAS BÊBADAS. - Bela gritou. - AGORA VAI TODO MUNDO LÁ PRA CASA.
- A Sam morreu? - Flor perguntou rindo e eu ri também.
- Morreu. - Tom respondeu e fingiu começar a chorar. Por um segundo eu fiquei triste também, mas acho que ele tava brincando.
- Harry, você tá muito ou pouco bêbado? - Bela perguntou.
- Não tô bêbado, bebi pouco.
- ótimo, você dirige e leva os bêbados no carro. Os sóbrios vão a pé.
- Eu tô sóbria. - Soph disse levantando a mão.
- Tá nada, amor. - Dougie repreendeu, abaixando a mão da mulher dele.
- Dougie... - Flor chamou. - A Soph disse pra Thalia que disse pra mim que você tem seios! - rimos.
- VERDADE! - concordei gargalhando.
- Cara vocês estão muito doidas... - Tom falou rindo.
- Amor, dá a Sam pro Tom segurar! - sugeri ao Harry.
- Não, Lia, a gente vai levar ela pro carro.
- Eu acho que eu tô sóbria sim. - Soph disse do nada e eu ri. - Eu tô meio doida, mas to consciente. Pelo menos não peguei o Alex.
- Ele era gato. - Falei.
- Ele beijava mal.
- A FLOR PEGOU O ALEX? O ALEXANDER? AQUELE ALEXANDER? - Bela perguntou alto.
- PEGOU! EU SABIA QUE ERA UM MOLEQUE FEIO, FIQUEI COM MAIS NOJO DEPOIS QUE EU PERCEBI QUE ERA O ALEX! - Soph respondeu.
- O LOIRINHO NÃO ERA O ALEX! ELE ERA GATO! - me intrometi.
- Flor, que merda, você pegou o Alex, cara... - Tom comentou com cara de pesar.
- Gente, a Sam tá pesada aqui, vamos logo, é sério. - O pituco reclamou e todo mundo se apressou em sair.
Chegamos no carro e tudo ficou preto.
Thalia's POV off
As três loucas foram de carro com o Harry e com o Danny (a gente o achou com uma loira - que os meninos pareciam conhecer bem - no meio do caminho) que não tava tããão louco quanto eu pensava. Só sobrou eu Tom e Dougie.
Andamos pela rua escura, vagarosamente até a minha casa.
Chegando lá, minha mãe tava horrorizada na sala e meu pai deveria estar dormindo.
- Que horas são? - Foi a primeira coisa que perguntei. Nenhum dos meninos usavam relojo, então eu estava sem a menor noção.
- três e doze. - Minha mãe informou.
- Já? - Tom ficou surpreso.
- Pode me dizer o que foi que aconteceu? - ela tava meio brava.
- Bom, as meninas beberam muito. Só isso. - respondi.
- SÓ ISSO? LIA E SAM ESTAVAM DESMAIADAS!
- Não, mãe... Elas estão dormindo. - Informei. - E fica tranquila que isso não é a primeira e nem a última vez. E não, elas não estão sobre a sua responsabilidade, porque a tia Fern, a tia Selly, a tia Rachel e a tia Cleo estão a par dessa saída e sabem que isso pode muito bem acontecer, conhecendo as filhas que tem...
- Hum. - minha mãe fez um daqueles barulhinhos de mães que não tem mais argumentos, virou as costas e subiu as escadas.
Dei de ombros, segurei a mão do Tom e subi também.
- Como estão as coisas aí? - perguntei ao entrar no meu quarto e ver todo mundo lá. Tom deitou-se na cama como se fosse o dono dela e fechou os olhos, e Dougie sentou-se ao lado da Soph, também na cama.
- Danny se trancou num quarto e disse que tava bem e que não queria falar com ninguém, Lia e Sam estão tomando banho juntas no seu banheiro - Harry apontou pra porta fechada - e parecem estar se divertindo...
- Que nojo. - Soph soltou e Dougie riu.
- Não acho... - ele disse e Soph deu um tapa nele.
- Nem eu... - Harry também disse. - Eu só queria poder ver.
- Aposto que você tá indignado porque até a Sam é mais rápida que você. - Tom disse e todo mundo riu e então, a Flor deu um soco na perna dele.
- OUTCH! - Ele reclamou e sentou na cama, massageando a região afetada. - O que foi isso?
- Descontando minha raiva de você, só isso.
- Flor sentindo raiva? - Harry perguntou sem entender.
- Eu sou um ser humano. - Ela respondeu mal criada.
- Bom saber que eu sou seu BOB pra quando estiver com raiva. - Tom disse.
- Não é não, mas quando eu estiver com raiva de você, aí você vai ser mesmo.
- Você tá com raiva de mim? - ele perguntou arregalando os olhos.
Ai não... Já até imagino o que seja... Esse assunto de novo não. Droga
- CLARO, NÉ, THOMAS FLETCHER. - Soph que respondeu por ela - Já chega de se fazer de santo, Tom, porque todo mundo sabe o que você fez. Não fica com essa cara de desentendido não. Não precisa mais fingir. E se você realmente acha que a merda que você fez não foi motivo pra Bela querer distancia da sua pessoa, você é um completo idiota e eu vou ter que me juntar com a Sam pra te dar umas porradas!
- EU JÁ NÃO DISSE QUE ERA PRA ACABAR A PORRA DESSE ASSUNTO? - Me estressei. - Gente, vocês só podem estar malucas! Vocês mesmas estão me fazendo reviver os piores dias da minha vida com essa raiva atrasada de vocês! Não precisa disso, eu já não disse? NEM EU SINTO MAIS NADA, porque vocês tem que sentir? Já tá tudo bem e ele nunca mais vai fazer de novo...
- Qual é a da gritaria? - Sam saiu do banheiro toda molhada e Thalia veio atrás dela. Elas estavam de roupa, encharcadas, e enroladas em toalhas quentinhas e felpudas.
- Nada. Qual é a da roupa molhada? - tentei mudar de assunto rapidamente.
- Ah, é que eu e Lia fizemos uma guerra de água. - ela informou e Lia riu.
- Hum, pensei que os risinhos e os barulhos fossem outra coisa... - Harry comentou maliciosamente e elas arregalaram os olhos.
- Ai, crus-credo. - Sam forçou um calafrio e saio toda pingando pelo meu quarto.
- Bela, empresta um pijama pra gente? - Lia pediu, ainda dentro do banheiro.
- Tudo bem que vocês vão acabar com os pijamas que eu trouxe mas eu empresto. Tá ali no closet, na mala menor.
- Pega lá pra mim senão eu vou molhar tudo!
- A Sam já molhou tudo, pode ir lá. - eu disse, me jogando ao lado do Tom na cama e o abraçando. - E vocês chispem do meu quarto.
- Não vamos atrapalhar a segunda rodada, não é mesmo? - Harry falou rindo e eu taquei uma almofada nele. As meninas ignoraram o comentário. Bom, eu acho, né, porque elas não expressaram nenhuma reação. Pouco tempo depois, Sam e Lia saíram vestidas do closet.
- Bela, que camisola mais sexy é essa? - Sam segurava uma micro camisola (bem sensual mesmo) minha e eu quase dei um salto triplo mortal carpado ninja velocidade dezenove da cama e tomei a camisola da mão dela, embolando a peça toda e jogando em qualquer canto. Eu devia estar mais vermelha minha menstruação no terceiro dia.
- Some, Sam. - apontei pra porta.
- Bela vou denunciar que a Sam queria usar. Eu que não deixei. - Lia falou.
- Eu só não usei por que aquilo deve ser tão apertado que não passa nem na minha canela.
- Ela estica, tá? - defendi minha camisola bravamente.
- Ah, claro. Então você tem que me emprestar um dia desses. Vai que eu tô numa das minhas noites com um dos meus amigos legais...? Preciso dar uma incrementada...
- GENTE, O TOM TÁ BEM AQUI. - disse apontando - Vocês estão me deixando envergonhada.
- Opa, foi mal aí. - Sam desculpou-se como se realmente se importasse. - tô indo.
- É, estamos vazando. Boa noite, couple. E Tom, vê se morre. - Lia falou de uma forma engraçada, que não era pra agredi-lo nem nada, mas naquele momento específico, me incomodou.
Me deitei novamente na cama e o abracei de lado. De novo.
- Eu tô morrendo de sono.
- Eu gostei da camisola.
Rimos.
- Eu vou dormir agora, meu olho já tá até fechando... - resmunguei.
- Vou ter sonhos eróticos com uma certa micro-tatuagem de pimenta...
- Não é micro... - defendi minha tatuagem. - Eu só não quis fazer maiorzinha porque o Frank disse que doía.
- Tudo bem, eu gosto de micro, assim ninguém vê. Só eu. - ele disse e eu ri.
- Obrigada por hoje, sério, foi...
Fiquei tentando pensar em alguma palavra, mas acabei dormindo. O sono me consumia.
Acordei quando o Tom se movimentou bruscamente. Ele havia acabado de se levantar da cama e foi ao banheiro. Continuei atirada na cama até escutar a porta sendo aberta. Foi minha vez de me levanta e me arrastar até o banheiro. Me higienizei, fiz xixi, passei meu creminho matinal que eu sempre passo quando lembro, e prendi meu cabelo num rabo de cavalo muito alto.
- Buenos dias! - cantarolei, saindo do banheiro.
- Bom dia! - ele me agarrou pela cintura e me deu um selinho.
- Sabe se alguém já acordou?
- Não sei não...
- Ah, eu tenho uma coisa pra te dar. Me lembra de te entregar mais tarde, não esquece.
- Tá bom. - ele sorriu. - Vamos descer.
- OI BELA! Dormiu bem? - Harry perguntou.
- Muito bem, e você?
- Dormi muito bem também.
- Agarradinho com o Danny. - Lia falou sem muito humor e eu gargalhei. Sentei me na mesa com todo mundo depois dos milhões de 'bom-dias'. Ataquei as comidas e me empaturrei até meu estômago dizer 'tem que sobrar espaço para o iogurte!'.
- Sexo da fome, sabe? - Dougie comentou, olhando fixamente pra mim e pro Tom. Justo os dois que tinham comido como bois selvagens.
- Por isso que o Harry não comeu nada. - Soph zoou e eu gargalhei alto. De novo. Tom quase cuspiu todo pão mastigado de sua boca e Lia riu ironicamente.
- Gente, o que vamos fazer hoje? - Flor perguntou.
- Hoje é dia de ressaca. - Tom informou e todos concordaram.
- Falando em ressaca... Cadê o Danny? - me lembrei do coitado.
- IH, ESQUECEMOS DE ACORDAR O DANNY! - Soph colocou as mãos na cabeça, preocupada.
- Vou lá. - falei.
- Vou junto. - Lia disse.
- Também. - Soph.
- Contem comigo. - Flor.
Olhamos pra Sam esperando que ela se juntasse a nós, mas ela apenas se levantou pra se jogar no sofá e pegar o controle da TV. Demos de ombros e subimos.
- Dannyzinho? - abrimos a porta com cuidado (vai que ele tá pelado...) e entramos receosas.
- Oi, to aqui. - ele respondeu. Estava sentado no canto da cama, mexendo no celular.
- Já acordou? - Perguntei.
- Não, Bela, é um holograma. - Soph falou como se eu fosse uma loser.
- Ai, sua agressiva. - miei.
- Danny, por que você não desceu pra tomar café-da-manhã? - Lia ignorou totalmente nossa cena e voltou a se preocupar com o que devia. Essa é nossa Lia!
- Não tava afim... - explicou.
- Danny... O que está acontecendo? - Flor perguntou cuidadosa, sentando ao lado dele. Ele manteve a expressão carrancuda (que eu nunca havia visto habitar seu rosto antes) e continuou a olhar seu celular, interessado.
- Jones, a gente sabe que tem alguma coisa errada e só queremos te ajudar. Tudo bem se você não quiser falar. Só acho que seria melhor pra você. - Lia disse.
- É que... Bom, eu gosto da Sam, vocês sabem disso, né?
- A gente até imaginava, mas o fato de você simplesmente não chegar nela e viver arrumando briga nos deixou com algumas dúvidas. - Falei.
- Pois é. Eu tô tendo a síndrome do Tom e não consigo falar com ela de jeito nenhum. - Ele disse suspirando.
- O Tom é um babaca. - Declarei e todos riram fraco. - Olha quanto tempo ele perdeu! Você não pode ficar nessa moleza toda porque a Sam também não é como eu. Num estalo ela arruma alguém.
Assim que terminei de dizer, a expressão do Danny voltou a ficar emburrada, um pouco frustrada e triste. Ninguém entendeu.
- Mas até onde a gente sabe... - Soph falou receosa, trocando olhares conosco - Você sempre soube disso e nunca se incomodou tanto...
- Tá na cara que tem algo errado, Dan.
- Tem. - ele disse simplesmente, depois soltou um longo suspiro, coçando os olhos como se tomasse coragem para falar. - Na festa, ela começou a dançar comigo e tal... Ela tava com aquela roupa, com aquele cabelo, com aquela maquiagem e... com aquele sapato... - (palmas pra mim, o look proveio da minha mente brilhante e, em partes, do meu armário) -... e dançando daquele jeito provocante... Cara, eu sou homem. Ela é mulher. E não é qualquer mulher. E só pra dificultar, eu ainda sou apaixonado por ela. Então a gente quase ficou, mas ela impediu e disse que ia pegar uma coisa pra beber. Estranhei a demora, então fui atrás dela e o barman disse que a tinha visto com um cara, aí eu fiquei puto, não acreditei. Fui pro canto que o cara indicou e lá estava ela, quase dando pra ele. E esse 'ele' tem nome, sobrenome e seu sangue - disse, apontando pra mim que arregalei os olhos. - Joe Johnson.
- CARAMBA. - quase gritei. - Sam vacilou.
- Sam vacilou feio. - Soph acrescentou.
- Sam vacilou feio mesmo. - Lia completou e Flor fez uma cara de pesar, pousando a mão no ombro do Danny.
- Fica tranquilo Dan. Nós quatro, em nome da sua integridade amorosa, vamos fazer uma promessa. Você vai se acertar com a Sam. Claro, se você autorizar nossa interferência. - ela disse.
- Eu autorizo, mas não acho que isso possa acontecer. - ele disse.
- Claro que isso vai acontecer. - eu disse. - é tão simples. É só você chegar e dizer as seguintes palavras pra ela: "Sam, eu gosto de você. Vamos nos comer agora até a gente cansar e depois começarmos o namoro mais quente da história?", que quando você piscar ela já vai estar pelada na cama repetindo sem parar 'sim, sim, sim, sim, sim'.
- E chorando. - Soph completou e todos concordaram.
- Mas eu to decepcionado com ela. Eu to realmente decepcionado.
- Você tem toda razão em estar. - Lia disse. - Mas veja o exemplo da Bela: ela se decepcionou com o Tom, mas já perdoou. Bom, com os dois tudo é meio lento e atrasado, mas no seu caso, você pode fazer isso um pouco mais rápido.
- Verdade... - Soph murmurejou.
- Enfim, eu acho que você deveria sair da toca e curtir a viagem. - Flor opinou - Sabe? Curtir a vida e tudo mais.
Rimos.
- É. Vem, Jones, desentoca. - Lia o puxou pela mão e nós fomos descendo as escadas.
- Nossa, Danny é um menino de sorte, rodeado de meninas bonitas! - Meu pai comentou ao nos ver descer as escadas.
- Ou um homem de azar, que vai levar porrada por estar de mãos dadas com a minha namorada. - Harry falou e nos fez rir.
- Cuidado Judd, o Jones é rápido... - Tom comentou e todos riram de novo.
- Hun, olha só quem fala. - Sam rolou os olhos.
- Sou mais rápido que o Judd. - Tom se defendeu e eu corei. Já sabia do que estavam falando...
Meu pai pigarreou alto como se quisesse lembrar que ele estava ali.
- Até parece. Que eu saiba, a Bela ainda usa a tornozeleira. - Sam ignorou completamente meu pai e eu tive vontade de arrebentar aquele nariz dela.
- Se eu fosse você, não falava as coisas sem saber. - Tom respondeu contendo um risada, assim como Dougie e Harry.
Papai pigarreou de novo.
- Eu não estou falando sem saber, idiota, estou olhando pra tornozeleira dela agora.
- Aham... Ok, então.
- Eu não tô gostando muito desse assunto não. - Meu pai finalmente se pronunciou sem tirar a atenção do jornal.
Tom arregalou os olhos como se só agora tivesse o visto ali. Tive vontade rir. Ele engoliu seco e se ajeitou no sofá.
- Mas então, o que houve com você, Danny? - Tom perguntou.
- Obrigado por mudar de assunto, genro. - Meu pai agradeceu meio que rindo.
- De nada. - Tom riu.
- Ele tava chateado. - Flor disse, olhando significativamente pra Sam. - MUITO chateado.
- QUE É? - Ela se estressou com o olhar.
- Nada, só tava olhando, ora...
- VAMOS AO SHOPPING? - Lia sugeriu tentando mudar o clima. - Muito tempo que eu não vou ao shopping de southend.
- Vamos! - Soph concordou prontamente.
- Fazer o que lá? - Dougie perguntou.
- Quem disse que os meninos vão? - ela retrucou
- Quem disse que eu quero ir? - ele respondeu com outra pergunta, fazendo voz de descaso.
- Claro que os meninos vão. - Lia decretou.
- Beleza, então geral no shopping hoje. - Flor se levantou animada.
- Vamos agora cedo e a gente almoça por lá! - falei e eles concordaram. - Vou tomar banho. - subi correndo e quase que saí rolando escada abaixo, mas meu pai, que vinha subindo bem atrás de mim, me salvou.
- Eu senti que isso ia acontecer vendo a sua pressa. - ele falou enquanto todo mundo ria da minha cara.
Normal.
Tom's POV
Liguei pra minha mãe pra informá-la sobre minha vida. A pesar de estar um pouco puto com, ela ainda era minha mãe.
- Oi, Thomas...
- Oi, mãe. Liguei pra avisar que eu tô na casa dos Johnson. Eu dormi aqui.
- Ah, que ótimo. - Ela ironizou e eu revirei os olhos.
- Eu tô indo pro shopping com todo mundo agora, tá? Vou almoçar por lá.
- Shopping? Er, tudo bem. Que horas você volta?
- Não sei, mãe...
- "Não sei", não, Thomas, tem que saber. Me diz a hora em que você vai estar em casa.
- Mãe, vamos fazer o seguinte. Quando eu estiver saindo do shopping eu informo o meu paradeiro.
- Eu quero você em casa quando sair do shopping, não tem paradeiro nenhum! E se você não me disser a hora, eu vou ter que escolher uma. E se não cumprir, já sabe.
- Tá mãe, estarei em casa às oito.
- OITO? Mas ainda é meio-dia! O que você vai fazer até oito da noite no shopping?
- Você pediu uma hora e eu dei.
- Quero você aqui às sete em ponto. Sete no máximo! - PRA QUE ELA PEDE PRA EU DIZER UMA HORA, ENTÃO, PORRA? - Se passar disso, já sabe que eu sou boa pra bolar castigos.
- Tá, mãe. Tchau.
PUTA QUE PARIU. QUE MERDA. O QUE DEU NELA, AGORA?
AH, JÁ LEMBREI.
Tom's POV off
Estavam todas no meu quarto, terminando de se arrumar.
Tava frio. Eu, Soph e Sam estávamos respectivamente assim: (#); enquanto Lia vestia essa roupa: (#), mas sem o chapéu; e Flor vestia isso: (#).
- Gente, antes de sair, eu tenho que conversar uma coisa com vocês. - Me sentia nervosa e envergonhada.
- Diga, babe. - Sam falou, pulando na minha cama.
- Mas diz logo que a gente já demorou demais. - Lia me apressou e Soph concordou.
- Ok. É bem importante.... Digo, pra mim. Talvez seja a coisa mais import...
- Qual parte do 'diz logo que a gente já demorou demais' você não entendeu? - Lia me interrompeu e eu engoli seco, crispando os lábios.
- Tudo bem. Certo. - respirei fundo. - Aconteceu uma coisa importante entre mim e Tom ontem...
- AI. MEU. DEUS. - Sam falou pausadamente, com os olhos arregalados. - VOCÊ TÁ NOIVA.
- O qu...
- Bela, eu acho cedo demais! - Soph me cortou bem quando eu ia mandar o maior 'WHAT?!' da história. - Quer dizer, vocês se gostam e tal, mas casar? Muito cedo, cara!
- Verdade Bela... - Flor concordou.
- O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? - Lia surtou. - Sabia que isso pode influenciar sua carreira?! Você tem dezessete anos, se orienta, mulher!
- Dezoito. - Flor a corrigiu.
- É, DEZOITO. - Ela se consertou e eu tava 'I'm shocked' demais pra conseguir proferir algo.
...
...
(momentos de silêncio)
...
...
- Vocês são um bando de malucas! - Falei alto. - Eu nem terminei de falar ainda!
- Desculpa, Bela, mas o que pode ser mais importante entre vocês dois do que casar? - Sam perguntou, realmente encucada.
- É. - Soph concordou - Porque, que eu saiba, não há nada que seja tão importante quanto isso. Pelo menos pra vocês dois...
- Tem certeza? - perguntei, tentando instigá-las a concluir o óbvio.
- Temos. - Flor disse dando de ombros.
- A não ser que... - Lia pensou por um instante e todas a olharam. - Nããão, PFFF! - ela abanou o ar, descartando sua proposição (que eu aposto que era correta). - Viajei agora.
Balancei a cabeça, indignada.
- Não acredito que você pensou nisso. - Soph disse rindo. - Tá paranoica demais! Só porque o Harry é um lerdo que cê tá pensando nessas coisas para a Bela! HAHAHAHAHAHAH!
- Ela estaria tomando banho até agora, com água Benta, se isso tivesse acontecido! - Sam zoou e todas riram.
- Gente. - Falei, enquanto abria o zíper da minha botinha. Puxei minha calça um pouco pra cima de modo que minha correntinha de ouro branco aparecesse. Abri o fecho que eu nunca havia aberto antes e aquilo me deu um calafrio, mas foi um sentimento bom. Tomei a correntinha em minhas mão e a apertei. Voltei a olhá-las, e elas estavam atônitas, me avaliando. - Sabe, eu não posso mais usar isso. - sorri fraco. - Eu não sou mais virgem. Eu e Tom transamos ontem.
...
...
...
(mais um silêncio constrangedor)
...
...
- C-como é...? - Sam vociferou.
- Ah, para gente. Ninguém teve essa reação quando vocês contaram as suas primeiras experiências.
- Mas a gente é a gente, você é você! - Lia se pronunciou.
- Isso é ridículo! - rolei os olhos.
- MENINAAAAAS! - Algum ser (que eu acho que era o Doug) gritou lá de baixo.
- Bom, eu já falei o que tinha que falar, agora vamos! - me levantei como se nada tivesse acontecido e saí do quarto.
- Cadê elas? - Dougie perguntou quando cheguei na sala.
- Devem estar morrendo no quarto. - dei de ombros. - MAS SE ELAS DEMORAREM A GENTE PODE IR SEM ELAS, SEM PROBLEMA! - dessa vez gritei pra que elas escutassem.
- DEIXA A GENTE CURTIR NOSSO SURTO EM PAZ! DAQUI A POUCO A GENTE DESCE! - Sam gritou de volta.
- O que houve lá em cima? - Danny perguntou curioso.
- Eu contei pra elas. - Disse. Parte deles entendeu. A parte que não inclui o Danny.
- Contou o que?
- Que eu... Meio que perdi minha virgindade ontem - sorri fofamente (eu acho).
- VOCÊ O QUE? CARACA, BELA, NÃO ACREDITO. COMO VOCÊ PÔDE? COMO VOCÊ TEVE CORAGEM? ISSO FOI DESUMANO! TOM VOCÊ SABE DISSO? MEU DEUS! TOM, CARA, COMO VOCÊ TÁ?
Tom começou a gargalhar, assim como eu, e Harry levou a mão à testa, incrédulo. Dougie ria com o rosto escondido pela mão e Danny ficou olhando pra todos os lados, confuso.
- AAAAH! - ele exclamou, segundos depois. - FOI COM O TOOOM! - Finalmente entendeu, e suspirou aliviado.
- Bom saber que você pensa essas coisas de mim, Jones. - Falei fingindo estar sentida.
- Eu não penso isso de vocês, é que você deu a entender que não tinha sido com ele.
- Não deu não! - Harry falou como se fosse óbvio (e era).
- Ah, ela não especificou.
- E precisava? - Harry voltou a questionar e Tom não parava de rir, o que fazia Dougie rir mais.
- Pronto, terminamos nosso surto. - Lia disse, descendo as escadas acompanhada das outras.
- Agora você é uma de nóóóóós! - Sam veio correndo me agarrar e dar pulinhos. Logo todas as outras estavam ao meu redor (e o Danny também. Sério.) dando pulinhos e fazendo um coro de 'êêêêêêê', animadamente.
- EU AMO ESSA LOJA! - Lia gritou, empacando na frente da vitrine. - QUE SAUDADE DESSA LOJA, CARA, QUE SAUDADE!
- Eu odeio essa loja, a vendedora me chamou de brega! - Flor falou ressentida.
Nós já estávamos passeando há alguns minutos pelo shopping e milagrosamente ninguém veio nos pedir foto ou autógrafo.
- Oi, me dá um autógrafo? - uma menina de uns treze ou quatorze anos pediu, tocando levemente no meu braço. Ela estava com uma cara de maníaca e com lágrimas nos olhos. Típico.
Nota mental: lembrar de segurar minha língua mentalmente.
- Oh, claro! Qual seu nome?
- Marissa. - peguei o papel e a caneta da mão dela e escrevi: 'Marissa, você é uma fofa! Obrigada pelo carinho. xx Bela'. - Pode autografar também? - ela pediu ao Dougie que fez o mesmo que eu, depois ao Tom, depois ao Harry e depois ao Danny. - Eu amo vocês! E Soph, eu amo você!
- Er... ama? - ela ficou surpresa.
- Pode me dar um autógrafo também? - Pediu.
- Posso... - fiquei com vontade de rir da cara que ela fez. Meio assustada, meio relutante e meio feliz. Assinou sem muita rapidez o papel e sorriu.
- Obrigada! - a menina saiu saltitante.
- Por que ela não disse que me ama também? Eu vivo com a Bela! Ela deve saber que eu sou! - Sam bufou, indignada.
- Você não é uma 'namorada' do McFLY pra ser amada pelas fãs deles. - Argumentei. - Ou odiada e sofrer algumas ameaças de morte...
- Mas eu sou! - Lia rebateu.
- Como se alguém soubesse. - Harry disse, pegando a mão dela. - Vamos, pituca.
Fui andando de braço dado com a Soph e com a Sam enquanto Dougie conversava com Tom e Danny mais à frente, dando umas risadinhas e fazendo umas caras surpresas às vezes. Andamos assim até chegar na praça de alimentação. Sentamo-nos em frente a um restaurante que eu nem vi qual era e os meninos que foram pegar nossa comida.
Ri muito quando o Danny voltou só com a comida dele. Porque o Harry pegou a da Lia, o Dougie a da Soph, o Tom pegou a minha, a Flor foi com eles, e o Danny supostamente pegaria a da Sam. Mas não, ele só trouxe a dele, HAHAHAHAHAH.
Ela levantou toda bravinha para pegar seu alimento.
Já estávamos terminando de comer quando...
- OI GENTE! - Maddie chegou animada, puxando uma cadeira e sentando com a gente. Todos fizeram silêncio.
- Oi Maddie! - apenas Danny respondeu.
- Oi! - Harry pareceu despertar de um transe, Dougie apenas acenou porque tava de boca cheia e Tom engoliu seco e olhou pra mim antes de dizer seu 'oi'.
Nós meninas apenas ficamos caladas a olhando.
- O que fazem aqui? - ela perguntou.
- Você é tão burra, mas tão burra que olha pra todo mundo enfiando comida na boa e não percebe que estamos comendo. - Sam ralhou.
- Você é tão ignorante, mas tão ignorante que não sabe que eu estou me referindo ao passeio de uma forma generalizada.
Só um comentário pra vocês saberem: ela sentou bem ao lado do Tom, ficando entre mim e ele.
- Vou quebrar sua cara, garota. - ouvi Bradley rosnar e respirei fundo.
- Sem porradaria no shopping. - Danny falou. - Não vai pegar bem.
- Er... Eu vou naquela loja de artigos antigos. Alguém me acompanha? - anunciei. TOM, DIZ 'EU', DIZ 'EU', DIZ 'EU'...
- Eu! - ele disse sorrindo. ISSO, MOLEQUE!
- Ah, também tenho que passar lá! - Maddie falou.
- EU VOU ACABAR COM A TUA RAÇA, VADIA.
Falei mentalmente.
Em seguida, apenas me virei de costas e fui andando. Tom veio comigo e logo Maddie foi junto. Ah, eu mato. Eu mato.
- E aí, como vocês dois estão?
- Eu tô ótima. - sorri mais forçado que cocô de prisão de ventre.
- Também. - Tom disse, também sorrindo um pouco mais sincero que eu.
- Own, que bom. Eu também estou bem. Estou feliz por revê-los. Tanto tempo sem nenhum contato, né?
- É... - eu e Tom falamos em coro, bem vagamente, meio que ignorando-a.
- Mas se bem que eu tenho boas lembranças da última vez que nos vimos, não é Tom? - Ela recobrou.
Respirei fundo tentando não me importar com tais provocações. Ela não ia me tirar do sério, não ia mesmo.
- A loja é aqui. - eu disse antes do Tom responder qualquer coisa. Entramos.
- MEU DEUS! TOM FLETCHER! - uma garota gritou! - E BELA JOHNSON! - e então, várias pessoas começaram a correr na nossa direção e um bolo de gente me rodeou. Fiquei dando autógrafos e tirando algumas fotos até toda aquela muvuca acabar com a ajuda do segurança da loja, e então, Tom não estava mais ali.
Tom's POV
- Vem Tom! - fui bruscamente puxado pela Maddie. Ela fez um contato visual com o segurança que andou em direção a muvuca em que a Bela estava.
- Melhor eu ficar. - Disse, voltando pra loja.
- Não! Tom! Eu preciso te mostrar uma coisa.
- Sério, Maddie, melhor eu esperar a Bela.
- Deixa disso, vem aqui Tom! - ela me puxou de novo, e eu caminhei olhando pra trás pra ver se a Bela saia da loja e me encontrava. - entra aqui.
Entramos num dos corredores do shopping.
- O que você quer mostrar?
- Er... É uma coisa... é... o que eu queria mostrar...- ela olhava ao redor como se procurasse alguma coisa. Que tipo de brincadeira ela tava tentando fazer?
- Olha Maddie, não me leve a mal, mas eu vou voltar.
O celular dela vibrou e então ela olhou pra mim, talvez um pouco tensa.
- Mas eu não quero ficar com você Thomas, pare de insistir, você está com a Bela! Você sabe que eu gosto de você, então não insista senão vou acabar cedendo!
Tom's POV off
- Mas eu não quero ficar com você Tom, pare de insistir, você está com a Bela! Você sabe que eu gosto de você, então não insista senão vou acabar cedendo! - escutei Maddie dizer. Meu coração começou a bater mais forte.
- O que?! - Ele bradou parecendo indignado.
- Não fica irritado, Tom! Eu não quero ficar com você, pare de insistir.
- Mas do que você tá... - Ele tentou falar.
Foi bem na hora que eu entrei no corredor. Ele meio que me viu no mesmo segundo em que Maddie grudou seus lábios no dele. Ele a afastou rapidamente, vendo que eu estava ali.
- Que foi, Tom, você não tava pedindo isso agora?!
- Não! - ele respondeu quase gritando. IDIOTA. - Bela!
- Ah, é por causa da Bela?! - Maddie perguntou e deu uma risada. - Você é um idiota, Tom!
- VOCÊ É MALUCA! - Ele gritou e veio correndo até mim. Eu tava estática. Não conseguia mexer nenhum músculo. Nem os olhos. Nem nada. - Bela - ele tocou nos meus ombros e por reflexo, me esquivei.
- Não toca em mim... - pedi com uma voz falhada. - Eu nunca mais quero olhar pra sua cara. - falei antes de me virar lentamente e andar na direção contrária.
- Bela, para com isso, é sério. Me escuta antes de fazer qualquer coisa, por favor. - ele me alcançou, passando a andar do meu lado.
- Não quero. Sai, por favor? - pedi, já sentindo meus olhos arderem.
- Bela...
- Fletcher, por favor... Sai.
- Mas...
- POR FAVOR! - e então ele parou de andar e eu continuei. Uma lágrima caiu e eu tratei de limpá-la rápido.
Não reparei, mas meus amigos vinham na minha direção.
- Bela, o que houve? Viu a Samara? - Sam perguntou.
- Não.
- Virou a Samara? Porque essa expressão sombria tá me assustando.
- Não, sério, Bela, você tá bem? Tá pálida...
- Acho que eu tô passando mal...
- O QUE VOCÊ TEM? - Sam perguntou preocupada.
- Bela, você tá meio... Você não tá bem. - Harry constatou.
- Gente, leva ela pra enfermaria do Shopping, pelo amor de Deus. - Sam miou.
- Não, tudo bem... Eu só acho que vou... - não deu tempo de terminar a frase.
Saí correndo até a lixeira, que graças a Deus não tava longe, e vomitei.
Lia segurava meus cabelos enquanto eu vomitava e então comecei a chorar.
Chorar muito.
Talvez, até demais...
- O Tom tá vindo, ali! Chama ele! - Danny apontou.
- NÃO, NÃO! LIA, ME TIRA DAQUI... - a abracei.
- Calma, vem. - ela me levou até o banheiro feminino.
- Garota, o que houve? Você já tá me assustando! Para de chorar! - Sam pediu no banheiro.
- E se alguém entrar? - Flor lembrou, preocupada.
- Os meninos estão na porta, eu pedi para eles tentarem não deixar ninguém entrar. - Soph falou.
- Que competente! - Flor sorriu.
- Explica o que aconteceu, meu amor, foi a Maddie? - Lia perguntou com carinho.
- Foi o Tom... - disse aos prantos. - O Tom com a Maddie...
- O QUE ESSE BABACA FEZ?
- Calma, Sam. - Soph a segurou.
- E-ele pediu pra ficar com a Maddie... - solucei e funguei. - Depois ela aceitou bem na hora que eu cheguei - solucei de novo - Aí ele fingiu que não fez nada! Como ele pode ser tão cínico? Eu confiava nele! Como ele pode ser tão mau-caráter?
- Calma, Bela... - Lia me abraçou. Depois Sam se juntou ao abraço, assim como Flor e Soph.
- Bela?! - a voz dele adentrou o banheiro e todas olharam ao mesmo tempo.
- Sai daqui, Fletcher! Eu não já pedi pra você sair?! - Me exaltei um pouco.
- Eu não vou sair, eu tenho que falar com você.
- VOCÊ VAI SAIR OU EU TE DOU PORRADA, SEU CACHORRO. - Sam gritou.
- Bela. - ele a ignorou totalmente.
- Fletcher, eu não quero mais falar com você. Nunca mais. Quer dizer, pelo menos não por enquanto, porque talvez, daqui a alguns anos, eu vire Buda e consiga suportar sua presença e até falar com você. Mas saiba que repetir o erro de te dar uma chance eu NÃO VOU MAIS. Porque eu não sou idiota. - Limpei minhas lágrimas. - E eu tenho uma coisa pra você. - Abri minha bolsa, vasculhando tudo dentro dela.
Achei o que eu procurava com um pouco de dificuldade por conta das lágrimas. Minha correntinha estava dentro de uma capinha de veludo, a qual eu abri na frente de todos. Peguei a tornozeleira e arremessei contra ele. A mesma bateu em seu ombro e caiu no chão.
- Seu novo trofeuzinho, pra você guardar de recordação. - sorri ironicamente. - Não acredito que eu desperdicei o momento mais importante da minha vida com você. E caso ainda exista alguma duvida, nós terminamos.
[Bela's narrative mode off]
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