Part 7

[Bela's narrative mode on]


Depois do sequestro eu fui bastante procurada pela imprensa e tudo mais, o que fez os dias passarem demasiadamente rápido.
Hoje era sexta e amanhã seria o casamento do Josh e da Becky. Eu já tinha comprado meu vestido que passou com êxito pelo veredicto dela. "Você está uma diva, esse vestido é perfeito!", foram suas palavras. Bom, perfeito pra ela. Pra mim era um pouco demais, mas fazer o que né?
Eu era madrinha então precisava ir de longo, mas as minhas amigas iriam todas com vestidos curtos. E maravilhosos, diga-se de passagem.

- Vamos, Bela, a gente vai se atrasar! - Tom reclamava do andar debaixo.
- Ai, calma, Fletcher! Para de ser rabugento!
- Se você não descer em trinta segundos vou aí e te puxo pelos cabelos. - Ele gritou um tanto quanto intimidador.
Ignorei seu comentário, terminando de passar o rímel com toda calma do mundo (implicante? Pois é, eu sei).
- Bela! - ele chegou na porta do banheiro resmungando.
- Veio me puxar pelos cabelos? - ergui uma sobrancelha e coloquei a mão na cintura.
- Vim! - ele disse e eu ri com desdém. Depois ele riu também.
- Bom, estou pronta, vamos. - guardei o rímel na gaveta e saí do banheiro reparando na roupa dele. - Ô Fletcher, posso saber porque você está tão lindo e cheiroso? Tá querendo conquistar quem? Eu sou ciumenta, hein! Se alguma sirigaita se engraçar pro teu lado, esmurro a fuça dos dois, sem piedade. - disse, empinando o nariz e ele gargalhou.
- Nossa, estamos tão agressivos ultimamente!
- Pode crer, é o amor. - entramos no carro. - Mas o papo da porrada na fuça dos dois é sério.
- Sei. - ele é tão sexy sendo irônico e manobrando o carro ao mesmo tempo, ai, que fofinho!
- Tá duvidando da minha fúria?
- Nunca! Só estou querendo dizer que não vai ter motivo pra você me agredir porque eu só tenho olhos pra você. - ele fez uma cara galanteadora e nós gargalhamos.
- Ai, seu pedreiro, sai daqui! - disse rindo.
- É sério! Minha beleza exuberante é parte do ritual de acasalamento que o macho, no caso eu, tenta seduzir a fêmea, no caso você, para que no fim do dia haja a cópula.
- Hum, entendi. Seu ritual tá funcionando, quem sabe não rola uma cópula no final do dia? -  Fiz minha cara maldosa e ele sorriu tentador.
- Quem sabe não rola uma cópula bem agora?
- Não era você que não queria se atrasar?

Timmy era um garoto bom, mas tem que aturar...


P.S.: eu amo meu toque.
- Alô?
- Onde você tá, sua vadia de quinta? - Soph atendeu com um tom amável (sério, foi amável mesmo! Me deu vontade de abraçar alguma coisa).
- A caminho.
- Mano, por que estão demorando tanto? Já tá todo mundo aqui!
- A gente tá chegando, pô!
- Vem rápido, a festa está chata sem você!
- Oooown!
- PFFF, MENTIRA! - ela gargalhou e eu também.
- Cachorra. - resmunguei.
- Manda seu homem dirigir mais rápido.
- O Tom tá querendo copular, ele não funciona bem quanto está nesse estágio, vou ver o que posso fazer.
- HAHAHAHAHHA, VOU CONTAR ISSO PRA TODO MUNDO, ADOREI. - e então ela desligou. Ok, né...
Tom estava rindo silenciosamente, com uma cara engraçada.
- Que foi?
- Eu não funciono quando estou nesse estágio? - perguntou rindo e eu sorri divertida, esticando o braço e fazendo carinho em sua nuca enquanto ele dirigia. Own, que romântico.

Ah! Nem contei. A gente tava indo pra festa sabe de quem? Da Lindsay Lohan. Pois é. Ela convidou a gente assim, do nada, anteontem e eu até que fiquei animada pra ir e aqui estou agora. Era num pub bem legal, no centro, que fechou apenas para esse evento. A entrada tava cheia de fotógrafos e paparazzis e eu quase fiquei cega, mas isso a gente oculta.

- Chegaram! Nossa, que demora... - Lia disse quando cruzamos a porta de entrada.
- Oi! Cadê todo mundo? - Perguntei alto pra ela escutar.
- Lá perto do bar, vamos. - Ela disse um pouco rude. Tinha alguma coisa errada, fato. O que me preocupava era o seguinte, siga o raciocínio: 
Festa da Lindsay Lohan (pessoa sem escrúpulos) - Presença da Lindsay Lohan (considerada muito gostosa) - Harry Judd (pegador) já teve um caso com Lindsay Lohan (pessoa sem escrúpulos e considerada muito gostosa) - Harry Judd (bonitão) está na festa - Harry Judd (pegador e bonitão) namora Thalia Hoppus - Thalia Hoppus está irritada - Harry Judd não está com ela - Harry Judd não está junto com todo mundo na mesa...
Tom me olhou com uma cara preocupada e provavelmente tinha pensado o mesmo que eu. Fiz uma careta tipo "fodeu" e ele respirou fundo antes de perguntar:
- E aí, gente?
Tudos murmuraram Oi's.
Ai, meu Deus. Isso não é bom. O normal seria "OI FLETCHER E JOHNSON!  ESTÃO BEM? ESTAVAM COPULANDO NO CARRO? HAHAHA" e não "oi."...
- Tudo bem com vocês? - arrisquei.
- É, tudo... - Soph sorriu sem jeito. 
- Vou ao banheiro. - Lancei o código.
- Vou também. - Sam disse.
- É, eu também. - Soph falou. Lia deu de ombros e foi junto.

- Tá legal, o que tá rolando, cadê o Harry? - fui direta.
- Ele está por aí. - Lia disse revirando os olhos. - Com a Lohan.
- Como assim com a Lohan? - questionei ficando nervosa.
- Ela chegou lá na mesa há uns minutos e o chamou pra mostrar não sei o que. - Sam respondeu. - E ele foi.
- Eu simplesmente odeio o fato de estar sentindo ciúmes. - Lia desabafou. - Porque eu confio nele... Mas eu não consigo me desapegar do passado... De quem ele foi, sabe? E por isso eu to meio puta. Com tudo.
- Eu já te falei pra ficar calma. Conhecemos o Harry... - Soph disse - A gente sabe que ele nunca namorou ninguém, nunca teve nada sério com ninguém, sempre tratou mulher igual chiclete: come e joga fora - eu ri dessa - todo cafetão, lá... Mas aí apareceu você e ele gamou. Cara, ele é doido por você, cê sabe disso. Se não fosse, já teria te largado há muito tempo.
- É, cara, relaxa aí. - Sam adicionou.
- Nem me esperaram pra reunião do banheiro, né. - Flor entrou no banheiro de repente - Cheguei lá na mesa e só tinha macho. Me mandaram vir pra cá e descobrir o que vocês estão falando. - ela riu.
- Ele beijava bem? - Sam a perguntou e eu presumi que For (já) estava ficando com um cara aleatório. Samuel tinha voltado lá pra suas terras e ela tava toda louca. 
- Não. - respondeu rindo. - Senão eu não estaria aqui. - rimos.
- ENFIM, relaxa, Lia. - Soph disse.
- É, concordo. - falei. 
- Eu vi o Harry e a Lindsay. Eles passaram por mim. - Flor disse e todas a olharam atônitas. - Mas fiquem tranquilas, eles só tavam conversando. - suspiramos aliviadas - E dançando. - olhamos atônitas de novo. - Mas nem estavam se encostando. - e, mais uma vez, suspiramos aliviadas. - Só que estavam bem próximos porque tava tudo apertadinho. - Olhamos atônitas pela terceira vez.
- PORRA, QUER PARAR COM ISSO?! - Sam se estressou.
- Só to passando a informação! - Flor se defendeu.
- PARA DE PASSAR A INFORMAÇÃO PAUSADAMENTE! - Reclamei e elas concordaram comigo.
- Foi mal, é que é engraçado ver a reação de vocês - deu uma risadinha, mas a gente não achou graça. - Ai, suas mal humoradas...
- VOU PROCURAR O HARRY. - Lia declarou de repente e saiu a passadas largas do banheiro. Todas saímos atrás como se fosse o rebanho dela pra ver o que a dita cuja iria fazer.
- Adoro ver um barraco... - Sam sussurrou no meu ouvido e olhei com aquela cara bem assim: ¬¬', mas ela apenas saiu correndo para andar do lado da Lia. 


Dougie's POV

- Eu nunca, nunca vou entender esse fetiche que as garotas tem por compartilhar segredos no banheiro. - Falei.
- Também não. - Tom concordou.
- Aposto trezentas e setenta e sete libras que elas foram falar do Judd. - Danny disse e eu concordei.
- Com certeza. Mas ele tá com a Lindsay mesmo? - Fletcher perguntou  meio preocupado.
- Está. Harry é muito comilão mesmo... - falei com cara de orgulho. Não que eu estivesse com orgulho...
- Cara, ele é maluco. Vai ser espancado pela Thalia. E pela mãe dele. - Tom advertiu e a gente riu.
- Ele não tá fazendo nada com a Lindsay não... Eu acho... - Danny disse pensativo. - Ele não faria...
- Também acho que não. - Concordei, bebericando a cerveja.
- Oi meninos! - uma ruiva (não natural, porque eu acho impossível alguém ter um cabelo daquele tom de vermelho) e muito, muito, muito, muito, muito, (...), muito gostosa chegou já sentando na nossa mesa. (like)
- Estão sozinhos por quê? - ela perguntou, enrolando provocantemente uma mecha do cabelo.
- Nossas namoradas estão no banheiro. - Fletcher, sempre tão certinho... Falou como se nem tivesse encarando com água na boca aquele belo par de peitos. 
- Ah, elas vieram, é? - ninguém respondeu. Cara, ela era realmente muito bonita.
- Como é seu nome? - Danny perguntou depois de alguns poucos segundos de silêncio. 
- Amanda. - ela sorriu. - Amanda Lohan. Sou prima da Lindsay e, sabe... - ela sorriu de novo, só que mais maliciosa. - Eu sei que os McGuys curtem muito as Lohans, não é?
Balançamos afirmativamente a cabeça como três babacas. Tom engoliu seco e pigarreou alto antes de falar: 
- Vou procurar a Bela, pessoal. Com licença. - o Fletcher é bem esperto. Mais esperto que eu. Só que a bela Amanda vai sobrar pro Jones, porque eu gosto do que é meu, e o que é meu me basta. 
- Também vou procurar minha namorada. - sorri e me levantei, indo pra qualquer lugar que não fosse perto daquela mulher. Não quero ser tentado. 
Alcancei o Tom em pouco tempo e caminhamos lado a lado.
- Jones vai se dar bem hoje... - Tom disse rindo.
- Eu também vou. Com a Soph. - sorri orgulhoso de mim mesmo.
- E eu também, com a Bela. - ele riu. - Vamos todos nos dar bem... Só não sei o Harry...


Bem nessa hora começou a tocar If it's Loving that you want, da Rihanna, e eu me lembrava muito bem que as meninas tinham alguma coisa com aquela música. Eu e Tom nos olhamos e em seguida apertamos o passo até a pista de dança. Não sei ele, mas eu tava louco pra vê-las dançando aquela música sóbrias. E isso não foi um comentário malicioso, só estou curioso.


Dougie's POV off


Tom's POV

Escutei alguns gritinhos finos quando a música começou a tocar. Olhei rapidamente na direção dos gritos e vi Sam, Soph, Flor e Lia rindo e começando a rebolar com fervor, atraindo vários olhares que deixaram o Dougie um pouco nervoso.
Não vi a Bela e isso me preocupou instantaneamente (eu tava meio neurótico com ela ultimamente, por razões óbvias). Olhei em volta, procurando minuciosamente por entre a multidão e não achei. Bufei alto, começando a ficar nervoso, e comecei a caminhar apressadamente naquela confusão de pessoas. 

Cruzei com Danny que se agarrava com aquela prima da Lindsay, cruzei com um casal de gays muito louco que me deu uma súbita náusea e, de repente, cruzei com quem eu menos queria ver naquela festa: Jason Cooper, aquele filho de uma puta-mal-comida, que já quase fez COISAS INDEVIDAS com ela num quarto. 
Porra, já não chega disso na minha vida não? Já não chega disso na vida dela?! Puta merda.
Eu tava muito nervoso. Olhei desnorteado ao meu redor, procurando a Bela, ainda mais desesperado depois do sorriso sarcástico e vitorioso que aquele merda me lançou. Tinha um nó bizarro na minha garganta e eu tava quase borrando as calças quando tomei um susto da porra com duas mãos que pousaram brutalmente no meu ombro, por trás. Me virei rápido, quase pulando que nem uma gazela acuada (eu disse quase), e eu devo ter feito uma cara de cu muito vergonhosa.
- Te assustei, Fletcher? - ela riu e eu a agarrei de qualquer jeito.
- Onde você tava? - perguntei nervoso, mas obviamente aliviado.
- Eu tinha esquecido minha bolsa no banheiro... - ela disse com uma cara de riso. Segurou carinhosamente meu rosto com as mãos, olhando nos meus olhos e me deu um selinho - Não precisa ficar paranóico, amor. - riu.
- Eu vi o Jason...
- Ele não vai fazer nada comigo. - disse tranquila. Me pergunto como ela consegue ser tão... Assim.
- PAREM DE SE AGARRR! TÃO MALUCOS?! - Uma coisa completamente louca (Sam) chegou gritando e arrancando a Bela de mim. - É A NOSSA MÚSICA TOCANDO, PORRA! VEM DANÇAR!
As duas foram correndo até as outras e começaram a dançar loucamente. Foi engraçado. Não foi tão sexy quanto da primeira vez, quando elas estavam bêbadas e em cima da mesa... Eu e Dougie ficamos gargalhando até que senti alguém cutucar fortemente meu ombro.
- Cara, fodeu! Fodeu, eu to fodido! FODEU! - o Harry falava rápido, passando a mão pelo cabelo. Parecia um cheirado, desses que inventam que tem alguém o perseguindo.
- O que houve? - Dougie perguntou, tirando as palavras da minha boca.
- Vamos achar o Danny! - ele saiu puxando a gente até a mesa, onde o Danny tava quase engolindo a Amanda. - Foi mal aí, mas o Danny vai ter que vir aqui... - Harry disse pra menina e puxou o Danny. Quando dei por mim, a gente tava num canto obscuro do PUB. Não gosto de cantos obscuros.

- Que porra você cheirou, Judd?! - Danny perguntou meio puto. Eu comecei a rir porque, HAHAHAHAHAHAHA, ele tava com a cara toda suja de batom vermelho, tava vergonhoso.
- Fodeu, cara...
- Você já disse isso quinhentas e oitenta e sete vezes. - Reclamei.
- É pra enfatizar. Porque fodeu mesmo. Fodeu tudo.
- Dá pra dizer o que houve, cabeça de pinto? - Dougie perguntou sem paciência e o Harry respirou fundo umas três vezes.
- A Lindsay. Mano, ela me agarrou. Eu juro, não foi intencional, eu nem beijei ela, nem correspondi ao beijo, mas ela me agarrou muito sério e eu fiquei sem reação, foi um susto sabe?...
- Harry. - Danny interrompeu. - Por que você tá tão desesperado com isso? É só ninguém ficar sabendo, porra. Precisava me tirar de lá só pra falar isso?
- MAS E SE A LIA SOUBER?! ELA VAI CORTAR MINHAS BOLAS!
- Se ela eventualmente souber, você diz isso que você disse pra gente, oras. - Falei dando de ombros.
- E você realmente acha que a Lia, A LIA, não vai achar que isso é uma desculpinha pra eu ter pulado a cerca?!
- É verdade. - Dougie disse daquele jeito estranho dele. - Ela já tá puta por você ter sumido com a Lindsay. Se ela souber que vocês se pegaram...
- A GENTE NÃO SE PEGOU!
- Ah, sim. Se ela souber que você foi "atacado", - fez aspas com os dedos - ela vai ficar muuuuuuuuuuito, mas muuuuuuuuui...
- TÁ DOUGIE, JÁ ENTENDI.
- Vocês são uns filhos da puta. - Danny disse de repente. Todo mundo olhou pra ele esperando ele continuar (o que demorou alguns segundos, fazendo ele parecer bastante idiota) - Eu tava  pegando a Amanda, que beija bem pra cacete, e vocês me tiraram de lá de propósito, seus invejosos.
- Danny. - Harry disse pacientemente (ou não) - Vá se lavar.
Eu gargalhei alto e nós viramos de costas, saindo do canto obscuro, mas...


FUUUUUUUUUUUUUU...


Quando chegamos de volta na parte povoada e iluminada, demos de cara com a Thalia, com o rosto enrubescido, as mãos na cintura e um olhar de vingador do futuro na direção do Judd. Nada bom.
Detalhe: todas as outras estavam ao lado dela, meio que formando uma fila ombro a ombro, e com olhares quase tão malignos quanto. Estavam visivelmente bravas.
- Harry Mark Christopher Judd.
- Eu juro, foi ela que me agarrou! Eu não retribuí o beijo em nenhum momento! Eu nunca quis beijá-la! Quer dizer, eu já quis, afinal ela é a Lindsay Lohan, mas isso foi antes de te conhecer, eu... eu... 


Agora sim: fodeu. A cara dela mudou de raivosa pra... Sei lá... Ela fez uma cara que era um misto sinistro de surpresa, frustração, ódio, decepção e repulsa... Antes dava medo, agora dava pena. (E eu nunca ousaria dizer isso a ela, porque se eu dissesse que eu fiquei com pena, ela me jogaria dentro daquele triturador de lixo).


- Eu... Não acredito. - Ela disse, e seus olhos começaram a marejar. Ela não choraria na nossa frente, choraria? E então ela riu. Sério, eu já tava me cagando de medo. Imagina o Harry? - Na verdade, eu sou muito burra! - riu mais. - Isso é a única coisa que se espera de um adolescentezinho - vale ressaltar o desprezo - feito você.

Lia deu as costas teatralmente e caminhou a passadas largas até a mesa. Pegou sua bolsa e foi se encaminhando à saída.
Estávamos todos estáticos, até que a Sam - tinha que ser - andou até Danny e deu uma tapa na cara dele, bem estalado.
- Isso - ela disse se referindo ao tapa - foi porque eu tenho certeza que esse batom escroto todo borrado na tua cara não é meu. - então ela virou mais teatralmente ainda e tomou o mesmo rumo que a Thalia. Foi engraçado, mas ninguém riu. Só a Bela, que é sem noção, mas ela soube disfarçar bem.

- Er... Acho melhor eu ir atrás das duas, antes que elas façam alguma besteira. - Flor se pronunciou. Todos assentiram e ela saiu.
- Alguém entendeu esse tapa?! - Danny perguntou indignado.
- Cara, vai se lavar, na moral... Não dá pra te levar a sério com essa cara suja de batom. - Dougie disse e Danny rolou os olhos, indo até o banheiro.
- Nossa, que clima tenso. - Soph falou, se aproximando de Dougie.
- Harry, desculpe por isso, mas eu to com muita vontade de te socar. - Bela comentou desconfortável.
- Mas eu...
- Não se explique! Não pra mim. - ela bufou - Caramba! Isso é tão idiota! Por que vocês, homens, não conseguem simplesmente nos respeitar?! Precisa dessa humilhação? Você é algum tipo de idiota que não consegue suportar provocações de uma garota qualquer? - apesar de tudo, sua voz era calma, nem parecia um sermão - Porque não é como se a Lindsay fosse tão linda assim... Inclusive eu, você, e todo mundo que tem olho sabe que a Thalia é mais bonita. Muito mais, sejamos realistas. Eu juro que não entendo. Eu esperava bem mais de você, Harry.
- Bela, você não entende, ela...
- Judd. - Dessa vez, Soph quem o interrompeu - Apenas pense sobre o que ela falou. Não tenta se justificar, porque não existe nada no mundo que explique sua atitude, até porque quando um não quer dois não fazem. - ela suspirou - E boa sorte na sua tentativa de pedido de perdão, você vai precisar. - Terminou de falar, deixando tudo mais tenso ainda.
Harry parecia bastante atordoado. Eu sabia como ele estava se sentindo. É beeeeeem desesperador.
- Vamos embora? - Sugeri e todos concordaram.
- É melhor mesmo. Não podemos ir tarde, tem o casamento da Becky e eu tenho que estar lá cedo... - Bela disse como se estivesse cansada.
- Vamos esperar o Danny voltar do banheiro. - Soph falou.
- Ele não deve saber como tirar manchas de batom da pele. Aposto que ele tá tentando com água. - Bela disse com um sorrisinho.
- Vai ficar lá até amanhã. - Soph adicionou rindo.
- E como se tira? - Dougie perguntou curioso ao mesmo tempo em que Danny chegava, um pouco menos sujo.
- Desisto. Isso não sai por nada!
- Ok, cuzão, vamos embora. - Bela disse.

- Tchau, Lindsay, sua festa estava maravilhosa! - Bela a abraçou sorrindo.
- Obrigada! Que bom que gostaram. - de repente, Lindsay foi puxada por alguém meio bêbado e apenas lançou um tchauzinho.
Eu gostava dela. Era meio atirada, mas era simpática.
- Vamos pra onde? - perguntei pra Bela que me olhou pensativa.
- Minha casa. - decidiu.

Não demoramos nem quinze minutos.
- Sabe... Eu ainda lembro da história da cópula... - eu ri malicioso, empurrando ela pra dentro do elevador e beijando seu pescoço.
- Pois é, também lembro... - ela disse rindo quase tão maliciosa, explorando com os dedos o meu couro cabeludo. Adoro o fato dela saber exatamente o que fazer e dizer...

Fomos tropeçando em tudo, às cegas e aos beijos até seu apartamento. Não sei que manobra ninja ela fez pra abrir a porta, mas ela o fez com uma facilidade bizarra.
Então ela parou de me beijar e me olhou meio assustada.
- A porta... - disse, com uma cara estranha.
- O que tem? - perguntei, já imaginando (e temendo) a resposta.
- Tava aberta...
Assim que ela falou, escutamos um barulho vindo do andar de cima. Passos descendo calmamente a escada, e eu já tava quase me borrando quando a Sam apareceu sonolenta, com um pijama engraçado e com cara de choro. MANO, QUE ALÍVIO.

- Foi mal. Eu vim pra cá. - informou, amuada.
- Ai, puta que pariu, Sam! - resmunguei choramingando - A gente tem coisas interessantes a fazer... Não vai me dizer que você precisa de uma amiga...
- Eu preciso de uma amiga! - ela começou a chorar, estendendo os braços na direção da Bela, como se tivesse pedindo um abraço.

Bela revirou os olhos e caminhou até ela, abraçando-a.
- Que houve, Sam? - perguntou carinhosa, mas um pouco entediada.
- Adivinha?! TUDO CULPA DAQUELE MONGOL ACÉFALO DO DANNY!
- O que ele fez dessa vez? - seu tom ainda era entediado. Detalhe: elas ainda estavam abraçadas.
Detalhe 2: eu ainda estava parado perto da porta observando a cena. Por um momento isso me pareceu bastante idiota, então eu fui tratar de me desexcitar já que eu sabia que não ia mais rolar nada essa noite.

- Tom, se importa da Bela dormir comigo? - Sam perguntou fungando, um tempo depois dela chorar toda água do corpo dela e xingar o Jones até a Bela gritar "PARA, VOCÊ TÁ ME DANDO MEDO, BRADLEY!".
- Na verdade, eu me importo sim, mas não acho que isso vai fazer diferença.
Ela deu de ombros.
- É, não vai mesmo. Boa noite. O sofá da Bela é fofinho.
- AH, NÃO, SAM. Vou dormir com o Tom. - Bela cruzou os braços indignada.
- Tudo bem, deixamos um espaço pra ele na cama. - Ela deu de ombros de novo e eu ri. Cara, a Sam é inacreditável.
- Um dia, eu vou trazer todos os velhinhos do asilo lá da Oxford Street pra uma festa do bingo na sua casa, no seu quarto, no dia que você quiser muuuuito transar com o Danny. E vou me encarregar da festa começar exatamente na hora que os dois já tiverem quase pelados. Aguarde esse dia, Sam, aguarde... - Bela disse séria, mas depois riu.
- Sua vadia de terceiro mundo. Eu aqui precisando de uma amiga e você pensando em vingança. - ela revirou os olhos e foi marchando pro quarto. Nos olhamos e rimos um pouco antes de seguir o mesmo caminho.
Pois é. Nós três dormimos na mesma cama. Broxante.


Tom's POV off


Thalia's POV

Tava tudo uma droga. Incrível como o final feliz é tão efêmero. E só aí a gente percebe que ainda não é o final.
Sabe, há algumas horas atrás, o mundo era lindo, colorido, a vida era perfeita. Soph estava aqui, viva, bem, e a Bela também. Sam e Danny pareciam estar prestes a se entender. Meu (ex)namorado estava simplesmente maravilhoso e nossa relação era invejável. 

O nosso excelente e vigoroso desempenho sexual, nossa cumplicidade, nossa amizade, nossa compreensão, o companheirismo, tudo, tudo entre nós era invejável. Até as brigas, que eram sempre estressantes, mas acima de tudo, eram (no fundo) divertidas, e as reconciliações que recompensavam tudo. Todo o desgaste era sempre recompensado com palavras de carinho, com beijos ternos, com sexo animal... Ou até conversas compreensivas.
E agora eu estou aqui. Jogada na cama. Chorando igual a uma babaca. Me sentindo traída, frustrada, humilhada, decepcionada, triste, destruída. Solteira.
Eu sou uma mulher solteira. Eu não quero ser uma mulher solteira. Eu quero meu namorado aqui comigo pra me consolar.


Então eu comecei a soluçar alto, sentindo meu coração pesar tanto, apertar tanto que dava até dor. Eu chorava tão alto que comecei a sentir vergonha dos vizinhos. Mas não parei. Não consegui parar.
Pensei, então, no quão forte era a raiva que eu sentia do Harry. Eu tinha ido brigar com ele por te me deixado sozinha pra sassaricar com aquela... Aquela... Com a Lindsay Lohan... E ele já foi se justificando como quem tem culpa no cartório... E ele tinha. O pior é que ele tinha.
Eles se beijaram. Ele me traiu. Harry teve a coragem, a capacidade de beijar outra mulher numa festa onde eu estava presente.
Isso me doeu tanto, tanto... Me fez ver o quão sem caráter ele era. E ele iria inventar o quê? Que ele havia ficado bêbado com meio copo de cerveja? Que ele foi dopado? Colocaram um imã na língua dele e na dela? Que ela ameaçou a mãe dele de morte? 

Não tinha o que inventar. 
Eles se beijaram. Os dois quiseram isso. Ele quis outra mulher além de mim, então eu o daria toda a liberdade de ter quem ele quisesse. Não serei um pedra no caminho dele. Se ele quer ser cafajeste, quem sou eu pra atrapalhar?! Harry que vá se foder. E foder quem ele quiser.

Eu meio que dormi pensando nisso e nunca acordei tão inchada. Nunca mesmo. Minha cara parecia uma lua cheia. Eram dez horas da manhã e eu tinha hora marcada no salão às onze. Tomei um banho longo, vesti qualquer coisa, coloquei meu óculos mais escuro, peguei uma pêra e fui.

Thalia's POV off

Soph's POV

- Ei, como você tá? - Perguntei um pouco aflita.
- Bem. Muito bem. - ela sorriu. Thalia e sua mania de ser a fortona. Não que ela realmente não seja, mas eu sabia que ela não tava nada bem.
- Quer se arrumar lá em casa? - ofereci, querendo passar a maior quantidade de tempo possível com ela, para distraí-la um pouco.
- Não precisa - sorriu - Marquei hora com o Pablo lá em casa. Se você quiser, pode ir e tirar uma lasquinha dele.
- Ele vai fazer maquiagem também?
- Vai!
- Opa, demorou então!

O tempo passou estranhamente rápido. Quando vi eu já estava "pronta". Só faltava colocar a roupa, porque a parte difícil (cabelo e maquiagem) já estavam impecavelmente prontas.




- Eu comprei dois vestidos novos. Vou com esse ou esse? - Thalia erguei as duas peças e eu pensei bastante. Pensei em falar pra ela vestir o bege, que era maravilhoso, mas como ela estava brigada com o Judd, era bom provocar, então...
- Vai com o roxo (#). - Ela sorriu, provavelmente entendendo meus pensamentos. A gente tinha muito disso.


- Pronta? - Lia me perguntou. Cara, ela tava muito gata. Eu pegaria, se o Dougie não fosse mais gato que ela. HAHAHA, brincadeira.
- Nasci pronta. - falei com voz de mulher de comercial de perfume francês, daquelas bem sensualizantes, e Lia riu.
- Você vai me emprestar muito esse vestido (#), não vai? - me perguntou numa tentativa completamente frustrada de fazer cara daquele gatinho bonitinho do Shrek.
- Vou, Lia, vou. - Ironia mode on. 
- Vadia... - ela suspirou. - Liga pro Dougie, vê se ele ainda vai demorar muito. Porque já são oito e meia e o casamento começa às nove. 
- Pera aí, só um minuto. - peguei o celular e liguei.


Shop's POV off


- Porraaaaaaaaa... Eu não posso ter engordado nesse meio tempinho. - Reclamei indignada. - Eu sofro pra engordar a minha vida inteira, e aí, em meia semana eu vou lá e fico tão obesa que o vestido não quer fechar!
- Relaxa, Bela, vai fechar! - uma das moças contratadas pra arrumar as madrinhas falou calmamente.
- EU NUNCA PASSEI POR ISSO ANTES, ESTOU ESTRESSADA.


Deixa eu explicar. Faltava meia hora pro casamento. Todas as madrinhas estavam lindas e prontas, menos eu. Sendo que eu tinha sido uma das primeiras a chegar lá. Eu tava em crise. E o pior de tudo é que eu NÃO GOSTAVA NEM UM POUCO do meu vestido. Parecia uma árvore de natal. E ainda queriam me enfiar uma maquiagem brilhante com Glitter, como se não bastasse o vestido! Consegui convencer a maquiadora de fazer minha maquiagem preta do jeito que eu gostava, e o cabelo ficou super legal, uma trança embutida meio despenteada, super Femme Fatale, só que, ainda assim, eu não tava bem com aquele vestido. Tá certo que ele era bonito, mas eu não curto brilho. Não mesmo.
(O lado bom dele é que ele era sexy. Gosto de ser sexy. Grrr)



- FECHOU! - A mulher gritou e eu quase me ajoelhei pra rezar. 
- GRAÇAS A DEUS! - vibrei e abracei a moça, que ficou sem jeito.
- Vou avisar à senhorita Rebecca que estão todas prontas. - A moça anunciou. - Com licença.
- Vai lá - disse sorrindo. Ela fechou a porta e eu suspirei. - Hoje vai ser um dia difícil... - disse comigo mesma, me encarando no enorme espelho do quarto reservado para mim do hotel. 
Eu apenas conseguia pensar em como nada estava realmente bem. Thalia e Harry, Sam e Danny... Essas coisas são tão complexas que me dão uma fadiga mental absurda. 


Sam's POV 


- Eu sou linda, absoluta, eu sou Sammy Bradley... - cantarolei num ritmozinho que achei legal, enquanto me perfumava. - E vou matar o Poynter por se atrasar tanto!
- Falando sozinha, pequena? - Kaio entrou no meu quarto todo arrumado e eu ergui uma sobrancelha.
- Vai aonde?
- Sair com uns amigos. 
- Use camisinha. - falei e ele riu.
- Usarei... Vê se usa também.
- Ei, o que meu irmão anda pensando de mim?! Eu não sou uma depravada, ok?! - pffffff...
- Mas com esse vestido aí (#), tenho certeza que os homens não vão resistir. - ele riu.
- É - dei de ombros. - Tem razão. - rimos juntos e ele acenou antes de sair. - Ai, ai, Danny que me aguarde... - terminei de passar o gloss e o telefone tocou. - Fala, Poynter, já tá aqui?
- Tô, desce!
- To indo, beijo, gato! Não baba quando eu aparecer!


- Ué, Lia? - tomei um susto quando a vi no carro. - Você não ia com o Judd? AH, LEMBREI. Foi mal. - quis me matar. 
- Tudo bem, gente, eu to bem com isso... - ela disse com uma cara convincente.
- Sei. - todos (eu, Dougie e Soph) falamos ao mesmo tempo.
Ela deu de ombros e a viagem prosseguiu tranquila. 
Chegamos em cima da hora. O hotel tava todo lindo. O noivo - muito gato, eu pegava -, Josh, já estava no altar e visivelmente nervoso. Tom acenou de leve pra que nós fossemos até o banco em que ele estava. Tom também estava bem gato - eu pegava 2 -, Danny estava horrível - não pegava total -, Flor estava maravilhosa com aquele vestido lindo (#) e aquela sandália azul muito diva (#) - não pegava porque é mulher - e Harry estava sem comentários - merecia umas porradas.


Sentamo-nos, todos meio desconfortáveis com a situação da Lia com o Harry, e eu querendo aniquilar a espécie do Danny, mas tudo ocorreu bem até a hora que os padrinhos começaram a entrar.


Sam's POV off

- Senhorita Johnson? - uma voz fininha e doce soou do outro lado  da porta e eu abri com pressa. - Vamos?
- Claro! - sorri. - Esse vestido é quente. - me abanei enquanto me encaminhava ao elevador. Desci e me caminhei pra onde todos os padrinhos e madrinhas estavam. 
- Olá, Bela. - A voz galanteadora de Jason me assustou e eu perdi o equilíbrio. Só não caí por que ele me segurou rápido. 
- Jason, se não se importa, quero que encoste em mim somente quando necessário. - disse ríspida e ele riu.
- Sinto muito pelo que aconteceu com você...
- Ah, sente? - ri irônica - Engraçado que você quase fez a mesm...
- Isso é um assunto passado. - ele pareceu desconfortável, me cortando - Eu estava fora de mim, nervoso, me desculpe.
Rolei os olhos. 
- Você está maravilhosa, é difícil manter o controle.
- Mas eu acho melhor você manter. - Sorri bem sarcástica e me afastei dele. Maldita hora em que a música de entrada dos padrinhos fora tocar...
Ele sorriu vitorioso segurando meu braço e nós tomamos nosso lugar na fila. As portas do salão se abriram revelando milhões de cabeças com olhinhos brilhantes olhando em nossa direção.


Podemos pular a parte do casamento, certo? Certo. Foi lindo, emocionante, Sam chorou, Tom babou no meu decote (#) (heheheh), Soph riu da velhinha que tropeçou e caiu quando foi ao banheiro e eu tive que aturar Jason Cooper ao meu lado no altar durante longos minutos. Ou horas, sei lá.


Enfim, vamos à parte boa. PARTY!


O DJ era sinistro, se chamava Roger e tinha cara de uns trinta e poucos anos. Ele era feio, mas simpático. Aparentemente, Danny o conhecia e ficou enchendo sua bola o tempo todo. 
- Seja discreta, mas Ashton Kutcher está do seu lado. - Soph sussurrou no meu ouvido. 
- O QUE? CADÊ? - dei de cara com ele, ai que tensão - Ah, er, oi...
- Oi, Bela! 
- E aí, Ash...ton. Ashton... - ri sem graça. Eu tinha pensado em chamá-lo de Ash, mas soaria muito Pokemon, sabe? Sei lá, não tínhamos tanta intimidade assim. Não que eu não quisesse ter... BRINCADEIRA! TOM TE AMO s2 s2 s2 - Como vai?
- Vou bem... Bem melhor agora! - ele disse com uma cara sexy e depois riu indicando que aquilo fora (infelizmente) só uma piadinha.
Soph pigarreou atrás de mim e eu, na falta do que dizer, a puxei para o meu lado imediatamente.
- Essa é Sophia, uma amiga minha! - eu disse sorridente. - Soph, esse é Ashton Kutcher. - como se ela nem imaginasse.
- Muito prazer em te conhecer, Sophia! - ele disse pegando sua mão e beijando-a.
- O prazer é todo meu. - ela riu, corando. Ai, ele é tão... ele. 
- Oi, Ash! - Sam chegou chegando dando dois tapinhas no seu ombro e sorrindo feito uma atrasada mental.
- Er... Oi... er...
- Sam! Não lembra de mim?
Essa é a nossa Sam, sempre tão conveniente!
- Ah, pois é, é... É tanta gente que... - deu uma risada - Enfim, meninas, estão me chamando ali - ele apontou. Olhei e era verdade. Um grupo de homens de meia-idade malditos estavam prestes a roubá-lo de mim - A gente se esbarra! - disse sorridente e me deixou. Foi como se tivessem arrancado meus órgãos. Doeu tanto...
Brincadeira.

- Ai, esse Ashton... - Sam suspirou - Um dia eu cato.
- Cata nada, Sam, foque no Danny. - Soph disse e eu concordei.
- Eu odeio o Danny. - ela murmurejou cruzando os braços e empinando o nariz.
- Você sabe bem em que esse ódio todo vai dar... - Soph falou meio que rindo e Sam fez uma cara maligna.
- Sei. Morte.
- Vou te ignorar e repetir a frase do dia: foque no Danny.
- Isso mesmo, Ashton Kutcher é só meu. - disse, também empinando meu nariz e me preparando para cair na risada quando...
- Bom saber. - Tom disse e sua voz soou meio brava. Eu nem tinha visto ele chegando, qual é, esse homens estão virando ninjas e estão esquecendo de me contar, né?
- Fuuuuuuu... - Soph cantarolou e eu quis mandar o dedo pra ela, mas não rolou.
- Own, neném, to brincando! - apertei suas bochechas e ele continuou com aquela cara de enfezado, mas suspirei aliviada quando senti seus braços abraçarem minha cintura.
- Não gosto dessas suas brincadeiras - ele me deu um selinho. Lembrando que ele, ainda sim, parecia irritado.
- Desculpa... - murmurei e lhe dei outro selinho. 
- Eca. Amor. Que nojo. - Sam disse e saiu andando pelo salão.
- Falando em amor, onde se enfiou meu amor? - Soph quis saber, colocando as mãos na cintura e olhando pelo salão.


Dougie's POV


Tava eu, Danny, Tom e Harry conversando ali perto da mesa de chocolates e de repente o Tom sumiu. Deve ter ido atrás da Bela. Eu iria atrás da Soph se não tivesse que dar um apoio moral aqui pro Judd.
- Calma, cara, sei lá, tenta falar com ela... - Danny sugeriu, dando de ombros. 
- Não chora, Harry... - bati em seu ombro com pesar. 
- Não tô chorando, animal. - Ele foi meio agressivo. 
- Estou vendo seu coração chorar. - falei sinceramente e ele me olhou com cara de 'wtf?'. 
- Quantas ervas alucinógenas você cheirou hoje, cara? - perguntou meio puto e eu suspirei.
- Só estou tentando te apoiar, mano, sei que deve ser difícil.
- Eu tava aqui pensando... - Danny de repente falou. - Quantos metros mais ou menos deve ter aquele gigante do filme de Golias que a professora de Filosofia passou mês retrasado?
Boa pergunta...
- Ah, cara, não sei não... - tentei pensar - Uns quatro, talvez.
- Quatro? Eu chutaria seis.
- Acho que seis é muito, Danny... - falei, colocando a mão no queixo. Aquilo me ajudava a pensar.
- Vocês são um bando de merda mesmo. - Harry bufou e saiu boladão.
- O cara tá mal mesmo... - Falei.
- Pode crer... - Danny concordou, deu de ombros e pegou um bombom verde.


Dougie's POV off

Florence's POV

- Ah, qual é, Lia, desamarra essa cara, curte a festa, a vibe tá tão legal!
- Não dá. - ela sorriu duramente. Seus olhos transbordavam tristeza, mas tinha certeza que ela não iria demonstrar nada assim que pisássemos fora daquele banheiro. - Eu tô tão ferrada! - ela socou a pia de mármore. 
Suspirei e me aproximei dela, a abraçando pelos ombros.
- Eu entendo, Lia. Sei que deve ser uma coisa horrível mas acho válido você dar à ele a oportunidade de se explicar, entende?
- Não.
- Veja bem. Tenho certeza que já te falei coisas parecidas antes, mas vou falar de novo. Eu conheço Harry Judd há um tempão. Já tive altas conversas com ele nas quais ele foi completamente sincero e o clima foi bem legal entre nós, sabe? Aquele clima verdadeiro no qual eu senti que podia abrir o coração assim como ele. Não foi só uma vez que isso aconteceu. Em várias dessas conversas o Harry falou o que ele achava das meninas: "Mulheres são que nem chiclete. Você come e depois joga fora" ou "Mulher é que nem camisinha. Só da pra usar uma noite.", e, acredite, ele disse coisas piores também.  Judd realmente não valorizava as mulheres, principalmente por ter quem ele quisesse na hora que ele quisesse. - suspirei - Mas então você chegou e mudou completamente aquele ser lastimável. Tem noção do que é pra Harry Judd dizer 'eu te amo'?! Sabe o que eu acho disso tudo? Acho que deve ter alguma coisa aí nessa história que está errada. Ele te ama sim, Lia... Eu tenho certeza. Ele me disse isso. - afirmei com autoridade. Eu estava sendo sincera e esperava realmente que aquela conversa ajudasse...
- Eu... - Thalia respirou fundo e fechou os olhos nervosa - Não consigo! Não consigo entender! Não consigo acreditar que exista um motivo! Nem bêbado ele estava! Eu simplesmente não suporto traição, Florence. - ela disse com ódio e se permitiu derramar um lágrima. Uma. Que foi limpada imediatamente - Não suporto a ideia de estar sendo enganada, feita de idiota. Traição, pra mim, é 1% de chance de perdão, se quer saber. 
- Então existe uma chance. - disse sorrindo de leve. - Uma chance minúscula, mas existe, não é?
- Não acho que isso tenha algum futuro. Não mais.
- Bom, não custa nada deixar ele tentar. Deixa ele se explicar, e então você vê se é perdoável ou não, mas... Lia... Não deixe o cara que você gosta escapar por entre seus dedos... - acariciei seu rosto e ela me olhou ponderando. Respirou pesadamente, ajeitou os cabelos e andou devagar para fora do banheiro, comigo em seu encalço.

Florence's POV off

- A Sam nem olha na minha cara... - Danny resmungou desconfortável e bebeu um gole de champanhe. - Mas eu não entendo porquê toda essa confusão! Eu não consigo entender o que ela quer. Ela é sempre tão explícita com todos os caras, mas comigo fica nessa de me odiar, me mal tratar, me agredir, depois querem que eu entenda que ela faz isso porque me ama.
- Mas ela faz. - falei.
- É só você raciocinar, Danny: por que ela não faz cu doce pra ninguém além de você? - Tom perguntou tentando incentivar Danny a chegar na resposta óbvia. Difícil essa missão.
- Porque ela me odeia e sabe que eu gosto dela...?
- Porque ela gosta de você e acha que você não liga tanto pra ela assim, afinal, você tá sempre ficando com alguma menina... - o corrigi, bebericando meu martini.
- Que mentira! - Danny cortou minhas palavras. - Pode perguntar pro Tom, eu tava um tempão na seca.
- Deixa de ser mentiroso, Danny. - eu disse.
- Tom! Manda sua mulher parar de falar calúnias!
- Mulher, para de falar calúnias!
- Ai, gente, vocês cansam minha beleza. - resmunguei fazendo pose.
- E aí pessoal, qual é a boa? - Soph chegou segurando uma Piña Colada.
- Estamos falando sobre Sam e Danny. - Tom disse.
- Não, eu perguntei qual é a boa. - ela disse e eu gargalhei alto. Achei engraçado.
- Obrigado pela parte que me toca. - Danny reclamou meio enfezado e eu ri antes de gritar:
- Ãããããããããããn, parte que te toca, néééé - eu acho essa brincadeirinha de falar "ããããn" pra tudo muito engraçada, sempre faço nas horas vagas.
Tom gargalhou (eu achei lindo) e Danny rolou os olhos.
- Muito engraçado mesmo, Bela. - Disse com tédio.
- Eu achei engraçado, algum problema? - Tom falou quase rosnando e eu ri mais.
- Nossa, como estão engraçadinhos, vocês! - Soph comentou com cara de desdém, se escorando no balcão do bar.
- Oi gente, achei vocês. - Lia chegou sorrindo. - Qual é o assunto?
- Danny e Sam. - Soph informou, dessa vez.
- Ah, sim, o caso mais imbecil do universo. - ela disse.
- Novamente, obrigado pela parte que me toca. E NÃO FAÇA ESSA BRINCADEIRINHA DE NOVO. - ele falou rápido, olhando pra mim com uma cara engraçada, antes que eu raciocinasse.
- Eu não ia fazer mesmo. - dei de ombros. Mentira, eu ia sim.
- Mas é verdade, Danny. - Lia falou. - Nunca vi dois idiotas tão idiotas que nem vocês. Os dois sabem que se gostam e ficam nessa lenga lenga, sempre brigando, sempre discutindo... Isso cansa minha beleza.
- Hehehehehehehe - Fiz uma risada assim mesmo - Eu disse isso há alguns minutos atrás.
Todo mundo me olhou com desprezo. Nossa, que chatos.
- Mas eu não sei se ela gosta de mim.
- Puta que pariu, vou me estressar aqui. - Disse. - Danny, lindo, você tem bosta no lugar do cérebro? Porque, né...
- Nossa, se eu não tivesse aqui vendo que é você, juraria que era a Sam falando. Foi igualzinho! - Soph disse com os olhos arregalados.
- É a convivência. - ri. - Voltando ao assunto, querido Danny, o que te levaria a pensar que a Sam não gosta de você, se ela sempre fica boladíssima quando você tem seus lances? Tipo ontem. É tão óbvio que os dois se querem que me dá vontade de bater em vocês. - declarei.
- Vou te dar um conselho. Chega lá e pede pra ficar com ela. - Tom disse, mas logo se corrigiu - Não, não, beija ela sem nem desenrolar.
- Isso, faça isso. Ela vai gostar. Aí depois vocês se ajeitam. - Soph apoiou e Danny sorriu radiante.
- Vou lá, me desejem sorte.
- Boa sorte, neneeem! - Lia apertou suas bochechas e ele riu.
- MAS DANNY! - O chamei antes que ele fosse. - Não pede pra namorar com ela aqui, odeio que me copiem. - Falei com o nariz empinado e todo mundo arregalou os olhos. Não de um jeito ruim, de um jeito engraçado, tipo que rindo.
- Vocês começaram a namorar aqui?! - Lia perguntou surpresa.
Eu e ele balançamos a cabeça indicando que sim.
- Ai, que fofo, tchau. - Danny saiu apressado e eu ri.
- Homens são tão insensíveis... - Soph murmurou - Mas me conta tudo!
- Ah, foi assim: a gente tava ficando há um tempo, né. Tipo, desde a festa da Ivy... Aí eu tive uns problemas com o Cooper... - ele torceu o nariz nessa hora - e o Fletcher disse  pra ele que nós estávamos juntos, aí eu fiquei tipo "ei, tá doido?! É segredo, e a gente nem tá juntos pra valer", aí ele mandou uma assim: "não seja por isso. Quer namorar comigo?"
- Foi bem mais romântico. - ele retrucou.
- Não foi não. Foi bem assim mesmo.
- Fala aí, vadiagem! - Sam chegou. Pera aí... Sam chegou? Não era pra ela estar com o Danny? - estavam falando de que?
- Nossa todo mundo pergunta isso. - Tom comentou baixo.

- Sobre como o Tom pediu pra namorar com a Bela. Vai continua, ele mandou esse papo muito escroto e o que você fez?! - Soph estava empolgada.
- Bom eu surtei e fui correndo pro banheiro vomitar, hehehehe! - eu tava com uma mania horrenda de rir assim.
- Vomitar?! - Tom perguntou. - Você nunca me contou essa parte que sentiu tanta repulsa de mim assim... - fez draminha e eu lhe dei um selinho.
- COMO NÃO? Eu te contei, retardado! - Sam ralhou e Tom deu de ombros.

- Ah, é que a Sam é sempre tão exagerada que eu pensei que fosse só uma metáfora pra explicar que ela tava muito mal.

- Hum, compreensível. - Soph julgou e eu continuei.
- Enfim... Eu vomitei porque eu tava chorando muito, aí depois o Tom entrou lá no banheiro, e eu disse que aceitava. Fim! - sorri.
- Você contou da pior forma possível! - ele reclamou. - Tirou todo romance da coisa!
- Foi lindo! Super original, a história! - Soph tava toda alegre, super fofa, ela, own.
- Não achei nada demais. - Sam deu de ombros bem naquele estilo 'foda-se se eu to sendo chata e cortando seu barato'. Revirei os olhos e decidi focar em coisas importantes:
- Sam, viu o Danny?
- Não, graças a Deus. - sorriu sem humor.
Todos nos entreolhamos meio preocupados e ela percebeu.
- Que foi? Qual é a das caras de ânus?
- Nada não... - Soph riu disfarçando, bem no estilo "rs". - Er... Sam, por acaso você ficou com algum menino por aí?
- Aham, eu acabei de pegar o irmão do noivo! Nossa, ele tem pegada viu? Nada como um homem de vinte e oito anos.
- VINTE E OITO? - Quase gritei.
- Ih, a merda fedeu. - Tom resmungou.
- Sam, você pegou um cara que é ONZE anos mais velho que você?!
- Ah, Bela, relaxa aí. Nem minha mãe liga, pra que você vai ligar? E, além do mais, eu pegaria o Roger, que é o DJ, e ele é beeeem mais que onze anos mais velho que eu. - Ela riu. - Só não peguei porque ele não quis. - Deu de ombros.
E, mais uma vez, rolei os olhos. Isso estava ficando constante entre nós.
Então, de repente. A ficha caiu e eu percebi que provavelmente Danny tinha visto Sam ficando com o cara, e ficou puto da vida, E O CICLO SE REPETE.
- AI, CHEGA! - gritei, do nada. - Não aguento mais vocês dois! Desculpa mais vou ter que interferir. - Puxei Sam pela mão e a arrastei por todo o salão até acharmos o Danny, que pra variar, estava se agarrando com uma moça que parecia uma barbie, só que com mais peitos.
- Porra, Bela! Você me trouxe aqui pra ver isso?! - Sam berrou agressiva, fazendo Danny olhar pra trás.
- Você pode e eu não, né?! - Ele alfinetou, olhando raivosamente pra ela.
- Eu te trouxe aqui pra resolver essa bosta logo. - disse, tentando manter o controle. - Porque ontem você o viu ficando com alguém e se vingou ficando com outro, aí ele viu e se vingou ficando com outra, aí você vai ver e vai querer pegar outro... PORRA! Assim vocês nunca vão ficar juntos! Pelo amor de Cristo, né gente!
- Quem disse que eu quero alguma coisa com ele? - Sam colocou as mãos na cintura e ergueu uma sobrancelha. Eu ri.
- Você! - exclamei com a voz um oitavo acima do normal - Assim como ele disse que quer também. E, gente, fala sério, né, os dois já sabem disso de cor e salteado.
- Se a Bradley gostasse de mim mesmo, ela não ia me tratar do jeito que me trata, não ia me agredir, me desprezar nem nada disso. - Danny declarou rancoroso.
Nessa hora, Sam ficou meio retraía, encarando o chão e pude ver as lágrimas se formando em seus olhos. Claro, as coisas com a Sam não podem ser sem litros de lágrimas, PFFF.
- Eu odeio me meter na vida dos outros, mas tava difícil vocês dois, hein?
- Danny - ela fungou já começando a chorar - Eu não sabia que isso te machucava.
- Não é que machuque, Sam... É só que eu não consigo entender o que você sente por mim... Parece mais desprezo que qualquer coi...
- Não! Não é! - ela se apressou em dizer, e eu comecei a me sentir um incomodo ali. A moça com quem o Danny estava atracado já tinha saído e eu percebi que seria inconveniente se eu continuasse lá. Então saí.

Sam's POV

Eu tava me sentindo muito mal... Eu não sentia nem um pouco de desprezo pelo Danny! Ele tava me entendendo mal! Na verdade ele não estava conseguindo perceber que toda aquela implicância era amor. Na verdade, é amor.
Talvez eu devesse parar de tratá-lo tão mal e resolver isso tudo logo.
- Eu gosto de você, Danny. - minha voz saiu tremida e esganiçada. Ai, que péssimo.
- Eu também gosto de você, Sam... Muito. E eu queria muito que a gente pudesse... Voltar a ficar juntos. Quero dizer, não sei se é o que você quer, mas eu acho que podia ser legal e... E se você não quiser nenhum compromisso, tudo bem, eu não me importo - ele falava atrapalhado, coçando a nunca sem jeito e eu achei bonitinho - Sabe, a gente não precisa ter nada sério agora...
- Danny. - o interrompi e ele me olhou aflito - Eu também quero ficar com você. - Sorri assistindo seu sorriso se formar junto com o meu e ele me abraçou forte, como se sentisse muita falta disso. Bom, não sei ele, mas eu sentia.
- Eu am... - o beijei. O beijei o mais intensamente que pude. Não queria que ele falasse as três palavras agora, assim, no calor do momento. Ele provavelmente não me amava, e eu valorizava muito essa coisa de dizer 'eu te amo'.
Nosso beijo foi intenso, afoito, rápido, mas aos poucos foi tomado por lentidão e cumplicidade. O beijo dele era o melhor de todos, não tinha comparação. Senti tanta falta daquela boca!
Quebramos o beijos depois de um tempo e nos encaramos.
- Então estamos juntos? - ele perguntou todo lindinho. Só quero ver se ele vai ser fofinho assim mais tarde, na cama. (sim, já estou pensando nisso, algum problema?).

- É, acho que sim. - sorri e ele me deu um selinho. Devolvi e ficamos nessa troca imbecil de selinhos até ele tomar vergonha na cara e enfiar a língua na minha boca logo.
Ai, o amor...


Sam's POV off

Thalia's POV

Meu corpo jazia sobre a cadeira desleixadamente. Eu já tinha perdido toda a pose firme e inabalável por conta do excesso de álcool que circulava no meu corpo e alterava a integridade do meu fígado. Pobre fígado...

- Liazinha... Você está verde. - Soph murmurou.
- Não vou vomitar, relaxa.
- Não, eu não quis dizer isso, é só que tem uma luz verde no seu rosto! HAHAHAHAHAHA! Está parecendo um lagarto! - parece que eu não sou a única bêbada.
E então eu comecei a chorar.
- AIMEUDEUS. O que foi? - Soph saltou de seu acento e veio me abraçar enquanto eu soluçava. Eu não conseguia parar! Apenas lembrava do quanto minha vida era um grande merda e eu merecia me tacar na linha de trem e esperar que meus músculos fossem dilacerados.
- Eu quero morrer! Não! Eu quero que aquele filho de um puta gorda e fedida morra bem lenta e dolorosamente! PELAS MINHA PRÓPRIAS MÃOS!
- Credo, Lia! Não seja tão má! Fica calma, vai ficar tudo bem! Você vai achar um cara gostoso, bem mais gostoso que ele, e vocês vão viver felizes para sempre e esfregar seus filhos marombados na cara dele, que vai envelhecer sozinho, sem ninguém e com tuberculose.
- Eu não quero ter filhos marombados! - chorei mais. Essa ideia me assustou... Mas não tanto quanto a voz que eu ouvi logo em seguida.
- Thalia. - Olhei pra trás encontrando um Harry completamente sério e apreensivo. - Podemos conversar?
Suspirei. Eu tava bêbada, mas sabia o que estava fazendo e certamente iria me lembrar no dia seguinte. Mas qualquer coisa, é usar a boa e velha desculpa de "oh, meu Deus! Eu disse isso mesmo?! Eu devia estar mamadassa!"
- Ok. - respondi simplesmente, dando de ombros e levantando em seguida. - Fale. - Grunhi assim que chegamos num lugar mais reservado.
- Lia, eu... Olha, pra ser sincero, eu nem sei muito bem o que te dizer. - suspirou - Eu errei, eu sei. Eu não devia ter deixado ela me beijar, mas eu quero que você saiba que eu nunca quis aquilo, eu não sinto nada por ela, nem nunca senti, e muito provavelmente eu não vou sentir mais nada por ninguém além de você e, acredite, isso está sendo muito difícil pra mim...
- Harry...
- Me deixa terminar. Eu sei que você está decepcionada, irritada, com vontade de me matar e jogar minha carne pros cachorros, e não tem nada que eu possa fazer além de rastejar aos seus pés implorando por desculpas porque você é a mulher da minha vida e eu simplesmente não posso te perder, entende? Não dá! Outra que nem você, eu não acho em lugar nenhum porque alma gêmea, que eu saiba, só tem uma pra cada pessoa, e se eu te perder, fodeu tudo! - ele tinha um tom desesperado, e falava rápido, gesticulando nervosamente. Er... Quem é esse e o que ele fez com meu Harry? Digo... O que ele fez com o Harry?
- Harry...
- Já to terminando, Thalia. Enfim, o que eu quero deixar claro é que aquela maluca me agarrou e eu fiquei meio em choque e acabei demorando pra ter alguma reação, mas eu juro que em momento nenhum eu retribuí... E assim que eu caí na real, eu a afastei... Desculpe por... Por não ter agido corretamente e... Porra, eu to nervoso... - resmungou, engolindo seco - Me perdoa Lia, eu não sou merda nenhuma sem você. Você sabe que me transformou num cara melhor... Eu preciso de você, por favor, me perdoa... - finalmente me olhou nos olhos respirando fundo.
- Já terminou? - perguntei meio sem emoção e ele balançou freneticamente a cabeça indicando que sim. Eu suspirei, ponderando um pouco. Já não tinha mais tanta certeza se o que eu faria seria correto... Mas eu simplesmente fiz. - Harry, desculpa, mas não dá mais pra mim. Eu nunca aceitei nenhum tipo de traição na vida. Nem as mais bobas, nem as piores. Isso que a gente tem... Na verdade, tinha... Bom... Acabou. - suspirei mais uma vez e, sem nenhuma coragem de olhar nos seus olhos, saí.


Thalia's POV off

- Lia! Onde você estava? - Perguntei meio tonta e sentindo que aquele salto estava se tornando uma ameaça à minha integridade.

- Terminando oficialmente com o Harry.
- Chutou a macumba, amiga? - Sam perguntou rindo. Percebi que a Lia não tava muito bem, então era melhor mudar de assunto.
- ADIVINHA QUEM PEGOU O BUQUÊ?! - perguntei animada.
- EU MESMA! - Sam respondeu quicando e Lia sorriu.
- Será que você vai ser a primeira a casar?
- Thalia, você realmente acha que eu vou me casar antes da Soph e do Doug? Olha só aqueles dois! - Sam apontou pra eles, que estavam sentados um de frente pro outro da seguinte forma: Soph agarrava o pescoço do menino igual a um filhote macaco na mãe macaca, e ele segurava sua cintura. Seus rostos estavam a milímetros um do outro e eles pareciam trocar elogios fofinhos, rindo como gazelas e dando beijinhos no maior estilo 'esquimó'.
- Vou ficar diabética. - resmunguei.
- Olha só quem fala. - Sam desdenhou. - Cadê seu linduxo?
- Deve ter encontrado Nárnia no banheiro, porque né...
- Desde que ele não esteja te traindo com uma vadia... - Lia sibilou meio alienada e eu arregalei os olhos. Nossa, a coisa ta feia.

- FLORENCE! - Sam chamou e ela se aproximou saltitante.
- Ouvi meu nome.
- Pode chamar a Soph? Vamos embora.
- Aaaah, Sam! Por quê?
- Lia não está em seu melhor estado, a Bela tá mamada, eu até to sóbria, mas é melhor ir antes que fique bêbada. E a Soph também deve estar bêbada.
- E desde quando esses são motivos pra deixar uma festa?
- A LIA TA NA FOSSA, PORRA, É MELHOR A GENTE IR EMBORA.
- Ah, sim. Entendi. Vou chamar a Soph.


Tom's POV


Eu já estava em casa. Os caras vieram comigo. Danny resolveu não reproduzir a espécie com a Sam hoje porque o Harry tava mal. Viu? Isso que eu chamo de amizade.

- E foi isso. Ela pegou meu coração, tacou numa privada cagada e deu descarga.

- Harry, ela só está fazendo um doce... - Dougie tentou consolar, dando tapinhas nas costas dele.
- PORRA, NÃO ESTAMOS FALANDO DA BELA, NEM DA SAM, NEM DA FLOR E NEM DA SOPH. Estamos falando da THALIA. T-H-A-L-I-A.
- É, cara, fodeu pra você. - Danny constatou, se ajeitando na cama (na minha cama. E ele estava usando sapato. Aquilo tava me deixando nervoso).
- Eu já sei disso, Danny. - Respondeu mal humorado.
- Harry, talvez você devesse esperar a poeira abaixar... Ela deve estar puta e ainda tava bêbada... Espera um pouco mais. Fala com ela na formatura.
- Não, também não quero ficar me humilhando, Fletcher. Tem noção do que foi, pra mim, falar tudo aquilo à ela? Justo ELA. Ela deve ficar se achando A SUPERIOR agora. Eu to muito fodido, vocês não têm noção.
- Eu sei o que é ficar sem namorada. - Dougie começou a filosofar, olhando pro teto pensativo - Bom, não foi exatamente porque eu fiz uma merda, foi tudo culpa do Fletcher, mas eu sei como é ruim.
- Culpa do Fletcher?! - ralhei, incrédulo. Como assim minha culpa?!
- Você e seu ciuminho bobo, como se a Bela fosse realmente capaz de te trair...
Fiquei com vontade de gritar e dar mil explicações que comprovassem que eu não tinha nenhuma culpa, além de socar a cara do Poynter, mas eu apenas bufei, revirando os olhos, e acabei com o assunto.
- Isso realmente não vem ao caso. - meu tom de voz não foi dos mais simpáticos - Mas Harry, se você acha que vai ficar pior sem ela, é melhor você correr atrás antes que fique tarde.
- Eu não sei, cara... É difícil. Sou orgulhoso demais pra ir atrás dela de novo. Eu já disse tudo o que tinha pra dizer e ela não quis me dar mais uma chance, então não quero me desgastar mais com isso. Agora é bola pra frente.
Danny começou a rir e todo mundo olhou pra ele.
- Essa expressão é tão pornográfica...
Ele e Dougie ficaram rindo disso e eu fiquei rindo deles, aí o Harry se levantou, todo puto e foi pro quarto dormir.

Tom's POV off


Dia da formatura. Eu sei, pulei alguns dias, mas é que esse dia é um dia importante e eu queria contar logo dele. Nossa, falei muitos dias.


Eu estava me arrumando, toda feliz, ao som de McFLY (é que eu curto muito a música deles, não sei se isso ficou claro) enquanto Soph fazia o cabelo de Thalia. Sim, dispensamos maquiadores e cabeleireiros hoje. Não que eu quisesse isso. Na verdade, ninguém queria isso, só a Flor.


Eu, escrava Isaura, tive que maquiar todas elas mas em compensação meu cabelo sensual foi a Flor quem fez. A Lia pintou a unha de quase todas - as minhas e as dela já estavam feitas - e a Sam não fez merda nenhuma. Segundo a própria, ela não tinha jeito pra nada, mas eu tinha CERTEZA que era preguiça. Aquela vadia...


Enfim, prontas. Todas de roupa nova, lindas e maravilhosas (Sam: (#) / Lia: (#) / Soph: (#) / Flor: (#) e eu: (#)), esperando nossos meninos virem nos buscar. Quando eu digo isso, óbvio que não me refiro à Lia e a Flor. As duas foram na frente antes deles chegarem.


- Woooow, hoje tem! - Dougie comentou, todo malicioso, olhando pra nós.

- Cala a boca, formando, vamos logo! - Soph disse animada.
- Cara, eu ainda não acredito que acabou a escola. - Danny declarou maravilhado e eu concordei antes de perguntar:
- Vai fazer faculdade de que?
- Sei lá. Não vou fazer faculdade. - respondeu rindo como se fosse a piada do ano.
- Nem eu. - Dougie disse. - Já tenho meu ganha-pão.
- Eu também já tenho e vou fazer mesmo assim. - disse com o nariz empinado.
- Você é estranha. - Sam resmungou.
- CRIANÇAS, VOCÊS VÃO SE ATRASAR PRA FORMATURA! DÁ PRA SER OU TÁ DIFÍCIL? - Soph começou a gritar no meio da sala e nós decidimos ir logo.

Eu não falei de como eles estavam lindos, né? Desculpe por isso. Só preciso registrar que eles estavam MUITO lindos naqueles terninhos. Gamei.


A formatura foi rapidíssima, depois teve o baile. Ah, o baile... Grandes emoções...

- Gente, eu queria apresentar uma pessoa a vocês. - Harry disse, chegando na nossa mesa de mãos dadas com uma garota. Lia quase cuspiu todo o ponche. Internamente. Quero dizer, tenho certeza que por dentro ela surtou, mas por fora, nem se deu ao trabalho de olhar pra menina. 
- Essa é a Jessie.
- Oi, Jessie! - Os meninos cumprimentaram sorridentes. Nós, meninas, apenas sorrimos.
- Oi, prazer gente! - ela acenou. Era mais ou menos bonita. Tinha um rosto sem graça, mas um corpanzil daqueles bem no estilo 'sou puta e vivo na academia dando pros meus professores'.
- Pode sentar aqui com eles, Jess, vou só buscar uma bebida pra gente. - Harry comunicou antes de sair.
- Ai, preciso dizer uma coisa! Sou muito fã de vocês, meninos, sempre fui! Desde de quando eu era garota! - Ah, porque agora você é garoto? HAHAHAH, SOU HILÁRIA. -  Lembra uma vez que você autografou meus peitos, Danny?!
- Lembro!
Sam olhou incrédula pra ele, que ignorou completamente seu momento Darth Vader.
- Foi muito engraçada sua cara quando me viu tirar a blusa! E o momento mais inesquecível da minha vida inteira foi quando o Tom me deu um selinho! - DISLIKE TOTAL! COMO ASSIM, PRODUÇÃO? - Tom, você beija muito bem, sinto seu gosto até hoje e repetiria a dose até minha boca cair! - ela disse gargalhando. COMO-ASSIM-PRODUÇÃO-WTF-ALGUÉM-TIRA-ESSA-MALUCA-DAQUI?!
Tom deu uma risadinha sem graça e me olhou como se tivesse se certificando de que eu estava bem. E eu não estava, não gostei nada dessa indigente. Eu, hein. Como ela chega aqui e começa a falar dos nossos homens assim?
Sam pigarreou antes de falar:
- Preciso ir ao banheiro. - eu sei que esse era nosso código, e era pra todas nós irmos, mas, sei lá, não sou ciumenta, é só que eu meio que tô com medo dessa louca agarrar meu namorado aqui... 
Soph, Flor e Lia falaram que iam também, aí eu acabei indo junto pra não ficar excluída do papo. 

- MAS O QUE É ESSA GAROTA? - Sam já chegou fazendo quizumba.
- Como ela tem a pachorra de dar em cima dos nossos machos na nossa fuça? - disse.
- Meninas, relaxem, respirem fundo, contem até dez... Ela não vai fazer nada, está com o Harry. - Flor disse, calma. É porque não é homem dela, hun. 
- ELA MOSTROU OS PEITOS PRO DANNY! COMO QUER QUE EU FIQUE CALMA?
- Sam, eu acho, sinceramente, que não foi uma boa ideia você ter feito uma reunião de banheiro agora. Vai que ela mostra os peitos pro Danny de novo enquanto você não está lá?! - Soph alertou e Sam nem pensou duas vezes antes de sair correndo de volta pra mesa. 

Danny's POV

Ela é gostosinha. Não, gostosinha é eufemismo. Ela é gostosa pra cacete, mas eu não me interessei não. E a achei meio louca, sabe? Não louca no sentido bom. Louca no sentido de estranha. E eu não me lembro de ter visto os peitos dela, se quer saber. Só não quis deixar a menina sem graça. 
- Aposto que vocês sempre se perguntam o que as meninas vão fazer nos banheiros... - A tal da Jessie desembestou a falar. - Nada mais que fofocar sobre a vida alheia. Nós mulheres somos más. Mas eu não sou fofoqueira, sabe? 
- Aham... - Dougie resmungou como se tivesse prestando muita atenção. 
- Dougie, você é um fofo. Eu lembro daquela vez que você disse que minha bunda é grande. HAHAHAHA, tão bebezinho...
- Pois é... - Dougie riu sem graça.
- Oi, gente, voltei. - Harry chegou com as bebidas e sentou do lado da menina, dando um selinho nela. - Cadê as meninas?
- Banheiro. - Tom respondeu um pouco entediado.
- Já voltamos! - Ouvi a voz de Sam esbaforida ao meu lado. Ela se sentou rapidamente e logo atrás dela vinham as outras cochichando alguma coisa. - E então? Qual era o assunto?
- Jessie falava sobre a vez em que o Dougie disse que a bunda dela era grande. - falei e senti uma cotovelada na minha costela (doeu). O que foi que eu fiz dessa vez? Fletcher tem essa mania de achar que é fraco e ficar batendo nos outros do nada... Eu hein.
- É O QUE? - Soph não reagiu bem à informação. Jogou com força o guardanapo na mesa e arreganhou as narinas - Olha aqui, querida - HAHAHAH, BARRACO! - Já chega de ficar dando em cima deles, né? Dá pra você respeitar as namoradas? Ou você é cega?
- Linda, eu não posso fazer nada se eles me querem! 
- Ninguém te quer, fofa. - Sam disse com um sorriso irônico - Nem mesmo o Harry. Se você não sabe, o Harry quer a Thalia. Ele mesmo disse! Com você, ele só quer uma rapidinha qualquer. Isso, até eu posso dar pra ele que não vai fazer a menor diferença, então quer calar a boca? - AAAAAAAAHAHAHAH, ADORO VER UM BARRACO. Eu tava me segurando muito pra não gargalhar!

Danny's POV off

Florence's POV

Essa é a grande diferença entre minhas duas amigas barraqueiras.
Olha, até tudo bem se você quer armar um barraco. Soph é mestre nisso, mas o perigo da Sam estar no meio é que ela não tem papas na língua e sai falando altas merdas que deixa todo mundo constrangido...

- Enfia essa sua arrogância no teu orifício anal, garota! - Jessie falou um pouco mais alto que o recomendável. Isso porque, até então, a discussão estava dentro dos padrões normais de volume.
- Olha como você fala comigo, sua filha de uma vadia mal chupada do demônio! 
- NÃO PÕE MINHA MÃE NO MEIO DISSO, PIRANHA!
- NÃO ME CHAMA DE PIRANHA, SUA PUTA GORDA! 
- GENTE, PELO AMOR DE DEUS, SEM DESCER O NÍVEL, ESTAMOS NUMA FESTA DE FORMATURA ESCOLAR, NÉ! - Lia tentou botar ordem mas não achei que fosse dar resultado. 
- Cala a boca aí, ex, porque defunto não fala! - Jessie esbravejou e Lia fez uma cara de 'ela não disse isso, disse?'. Bela estava com a boca aberta e a mão sobre a mesma, enquanto seus olhos arregalados e incrédulos não despregavam da cena. Danny e Dougie  estavam vermelhos de tentar segurar o riso e Tom já gargalhava comedidamente. Harry ainda tentava assimilar aquilo tudo. 
- Não fala assim com ela, garota, ela não te fez nada! - Soph exclamou enquanto a menina a olhava com cara de desprezo.
- Gente, para, as pessoas estão começando a olhar. - Bela disse discretamente.
- Não se mete, Johnson. - Jessie rosnou e dessa vez, eu arqueei as sobrancelhas. 
- Sério, vamos resolver isso civilizadamente. - Bela disse calma. - Vamos mudar de assunto! Aonde você vai passar as férias?
Alguém me dá um pau pra eu bater na Isabela? Ela tem algum tipo de retardo? Todo mundo aqui na tensão e ela nessa vibe de férias? Que isso, mano!
- Já disse pra calar a boca, Bela! - Jessie voltou a esbravejar enquanto gesticulava fervorosamente. 
- Estou sendo educada com você e o mínimo que você pode fazer é ser educada comigo! Você me conheceu agora! - Bela começou a se irritar também.
- Exatamente. - Lia reverberou. - Você acabou de conhecer todo mundo aqui e tudo que fez foi desrespeitar a todos. Não tem nenhuma intimidade pra falar do jeito que está falando e não merece que ninguém gaste paciência com briguinhas inúteis, então faz o favor de se comportar se quiser continuar na mesa com a gente, ou sai, porque esse comportamento ridículo não vai ser aturado. 
Ui. Essa é a nossa Lia. Botando moral. 
- Não precisa ser grossa com a minha... Minha... n-namorda, Thalia. Vocês estão sendo umas idiotas com ela! - Harry disse depois de alguns segundos de silêncio. 
- Vai à merda, Judd!
- Vai à merda e leva essa mocreia junto! - Sam complementou a linda frase da Thalia e o barraco começou de novo... Santa paciência...

Florence's POV Off


- SUAS ESTÚPIDAS, MOCREIA É A MÃE!
- Cala a boca, garota! A sua mãe é tão gorda que o pescoço dela parece dois cachorros-quente! - Soph soltou e eu não aguentei.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHHAHAHAHAHAHA! - Tom, Flor, Lia, Danny, Dougie, Sam e eu rimos loucamente depois dessa, e Jessie ficou com cara de cu.
- AH É? E A SUA MÃE É TÃO GORDA QUE NEM O BILL GATES PODE PAGAR UMA LIPO PRA ELA!
- A SUA MÃE É TÃO BURRA QUE ROUBOU UMA AMOSTRA GRÁTIS! - Soph continuou e eu não conseguia nem respirar.
- TUA MÃE É TÃO BURRA QUE TOMA NOTAS ASSISTINDO 3 PATETAS!
- Sua mãe, queridinha, é tão feia que quando ela entrou no concurso de feiura, eles disseram “Desculpe, não aceitamos profissionais”!
- E a sua mãe é tão feia que ao invés de colocar a corda do Bungee Jump nos tornozelos, eles colocam no pescoço dela!
- Pelo menos minha mãe não foi presa, quando olhou pela janela, por molestar a paz pública! - A SOPH É MUITO BOA, CARA, QUE ISSO! 
A sua mãe é tão feia que faz uma cebola chorar!
- Ha-ha. A sua mãe é tão feia que o seu pai leva ela junto pro trabalho para não ter que dar um beijo de despedida!
- POIS A SUA MÃE É TÃO POBRE QUE COME CEREAL COM GARFO PRA ECONOMIZAR LEITE!
- Sua mãe é tão pobre que quando eu vi ela chutando uma lata no meio da rua, eu perguntei o que ela estava fazendo, e ela disse: “Me mudando.”!
- A sua mãe é tão piranha que quando ela vai ao cabeleireiro, ela fala ao estilista para cortar o seu cabelo e levanta a saia!
- A sua mãe é tão nojenta que a merda dela fica feliz em escapar! - VOU MORRER ASFIXIADA, SOPHIA!
- SUA MÃE É TÃO GRUDENTA QUE USA BACON COMO BAN-AID!
- A sua mãe é tão vadia que até eu poderia ter sido o seu pai, mas o cara que estava atrás de mim na fila tinha o troco certinho e passou na frente!
- Sua mãe tem os dentes tão amarelos que o tráfego para quando ela sorri!
- A sua mãe é tão reta que ela chega a ter ciúmes de um muro!
- PAREM VOCÊS DUAS, TEM JOVENS MORRENDO SEM AR AQUI! - Flor gritou depois de se recuperar um pouco dos risos.
- O QUE QUE EU POSSO FAZER SE A MÃE DELA É TÃO CARECA QUE FOI TOMAR BANHO E FEZ LAVAGEM CEREBRAL?
- PARA, SOPH, JÁ DISSE!
- ESSA FOI A DISCUSSÃO MAIS ENGRAÇADA QUE EU JÁ VI NA VIDA! - Declarei ainda gargalhando. Jessie tava vermelha de raiva e sua cara estava hilariante!
- Foda-se a minha mãe! Foda-se a sua mãe! Só sei que seu namorado disse que eu sou gostosa! - apontou pra Soph - O seu viu meus peitos e quase babou! - Apontou pra Sam - O seu eu já peguei - apontou pra mim - O seu te largou pra ficar comigo - dessa vez, foi pra Thalia, depois olhou pra Flor e deu uma risada sarcástica - E você é tão loser que não pegou nenhum deles. 
QUE-VA-DI-A!
- JÁ CHEGA! - Me descontrolei. - Cala a boca, Jessie! Porra! Legal se o Danny já viu seus peitos, legal se o Dougie falou da sua bunda, legal se você já deu um mísero selinho no Tom, parabéns, ÊÊÊ! Quer um broche? Porque já to cansada de barraco, eu hein, fica provocando... Parece até que eu tô no gueto! Cruz credo! Já que você não sabe se comportar, vaza daqui. Vai lá se agarrar com seu namoradinho escroto - eu tava muito bolada com o Harry, diga-se de passagem - porque aqui você não é bem vinda
- Você está me expulsando dessa mesa? É isso mesmo, Bela? - Harry perguntou incrédulo.
- Olha, Harry, se essa decisão fosse só minha, seria exatamente isso que eu faria. - dei de ombros - Mas desde que não esteja com essa daí, eu posso tentar ignorar sua presença.
- Por que esse ódio todo contra mim? - ele parecia ofendido.
- PORQUE NA HORA DE DEFENDER SEUS AMIGOS VOCÊ QUIS DEFENDER ESSA PUTA QUE VOCÊ CONHECEU AGORA. SÓ PORQUE ESTÁ BRIGADO COM A LIA. BABACA. - Sam respondeu raivosa e eu concordei.
Jessie ia começar a reclamar pelo elogio que ganhou, mas Soph cortou logo.
- Não começa, garota.
- Vamos sair daqui, Jessie, vem. - Harry a puxou, bravo e os dois saíram marchando.
- Nossa. - Tom murmurou.
- QUE É? - Sam esbravejou com uma cara de exterminador do futuro que deu muito medo.
- Nada, cara, calma... 
- NÃO VEM COMEÇAR A DEFENDER SEU AMIGUINHO.
- Eu não ia falar nada, Sam, eu hein, só foi um simples 'nossa'.
- AH, BEM! PORQUE EU NÃO VOU MAIS ATURAR VOCÊ COM ESSA MANIA ESCROTA DE DEFENDER SEUS AMIGUINHOS ATÉ QUANDO ELES ESTÃO ERRADOS!
- Eu não fiz nada, porra!
- MAS EU SEI QUE...
- PARA DE FALAR ASSIM COMO ELE, SAM! - Aquilo já estava me irritando.
- NÃO SE METE NA NOSSA DISCUSSÃO, ISABELA.
- ME METO SIM! 
- PAAAAAAAAAREM VOCÊ TODOS, MEU DEUS DO CÉU! CHEGA DE BRIGA POR HOJE! - Flor reclamou e eu achei que ela estava certa. - SAM, VOCÊ ESTÁ ARRANJANDO CONFUSÃO POR UM 'NOSSA'?! RELAXA, MULHER!
- Porra, Flor, você também vai se meter?
- Para Sam!
- Você também, Dougie?! Logo você? 
- CALA A BOCA, SAM, JÁ ACABOU! - Soph tentou, mas a menina só ficou mais bolada.
- VOCÊS TODOS VÃO À MERDA! - ela se levantou irritada e foi correndo pro banheiro. 
- Eu é que não vou atrás dela. - Declarei. - Não tô com paciência.
- O Danny devia ir. - Tom sugeriu.
- EU NÃO!
- Por quê? - Dougie perguntou curioso.
- Tenho medo dela nessas horas.
Lia bufou e revirou os olhos antes de dizer:
- Eu vou.

Bom, um tempo de paz e calmaria se estabeleceu durante alguns bons minutos - ou horas, talvez. Deu tempo de dançar, comer, falar com a pessoas... Nenhuma confusão além dessas. Pelo menos até agora.


A diretora subiu no palco do salão de festas onde estava sendo o baile, pegou o microfone e pediu atenção.

- Sei que já fiz um discurso na cerimonia de entrega dos diplomas, mas... Eu gostaria de dizer algumas coisas agora... Bom, conheço muitos de vocês desde pequenos e agora estão aqui, formados, no baile... É um sensação maravilhosa de realização, de dever cumprido e de tristeza porque sei que não os verei mais com a frequência de antes. Eu sei que tive muitos problemas com alguns de vocês, mas gosto imensamente de cada um e queria dizer que estou muito satisfeita com nosso trabalho ao longo desses anos de colegial, sentirei muito a falta de vocês e lhes desejo toda sorte do mundo! - todos aplaudiram - Agora eu queria chamar aqui quatro dos meu ex alunos... - ela riu - Eles estão conosco há um bom tempo, são muito talentosos, merecem toda a fama que têm e sabem que têm o meu orgulho e admiração... E eles foram escolhidos por votação pra fazer um discurso! Venha cá, McFLY! - ela bradou toda feliz e os meninos foram lá no palco, em seus terninhos, ao som dos aplausos e gritos.
- Oi, gente! - Danny quem começou. - Vou ser breve. Bom, eu queria dizer que esse ano foi o melhor de todos, cheio de emoções e, cara, eu to formado! - todo mundo riu - Inacreditável! Obrigado a todos do prédio A e B que foram muito parceiros, obrigado a todos os professores e a todo mundo, obrigada aos meus amigos e amigas, à minha diretora... Enfim, estou muito agradecido, esse ano foi incrível por causa de vocês! - E mais, uma vez, todo mundo aplaudiu. Danny passou o microfone pro Harry que não estava tão sorridente quanto os outros.
- E aí! - Cumprimentou - Assim como o Danny, vou tentar ser bem breve. Também queria agradecer aos meus amigos verdadeiros - não sei se a ênfase em 'verdadeiros' foi boa ou ruim - porque estiveram sempre comigo, e a todos que me ajudaram durante essa trajetória... Não vou esquecer ninguém. Nem o pessoal do prédio B, muito menos o do A. Todos vocês me marcaram e eu realmente espero que isso fique pra sempre na memória. - Os aplausos acompanharam o sorriso extremamente forçado e curto que se formou no rosto dele e Dougie se apressou em pegar o microfone.
- Odeio fazer discurso. - ele murmurou antes de começar -  Então... - coçou a cabeça pensando no que dizer. O Dougie é tão bonitinho, sinto vontade de apertá-lo de vez em quando... - Vou ter que ser repetitivo. Obrigado por serem legais comigo, eu sei que sou um cara estranho, mas pelo menos nunca sofri bullying por isso... - como se alguém realmente fosse fazer bulliyng com Dougie Lee Poynter. Até parece. - E, não que isso tenha alguma coisa a ver com ela, mas quero agradecer à minha namorada por me amar. Te amo, mozinho! - ele sorriu que nem um bebezinho acenando pra ela que fez aquela cara de 'Poynter, não faça isso em público, quer morrer?'
- Isso foi muito gay, cara. - Deu pra ouvir Tom comentar.
- Quero agradeceu também à Sr. McDuell por aquela vez em que ela me deu pontos pra passar em geometria. Eu não teria conseguido sem ela. Ah, vou sentir muita falta dessa escola... - ele suspirou. - Adeus, Kings...
Todo mundo riu e aplaudiu. O Dougie tinha esse jeito meio alienadinho, vivia num mundinho particular muito louco, e isso era engraçado. Não tem como não rir das coisas que ele diz.
- Vou passar o microfone pro Tom. Podem se sentar porque ele adora discursos.
Tom pegou o microfone rindo e rolando os olhos. Mas nada se compara à risada sem noção do Danny. Nem sei onde ele viu tanta graça pra rir alto daquele jeito (provavelmente do mesmo lugar que eu, já que eu fui a outra pessoa que riu alto, envergonhando minhas amigas).
- Isso que o Dougie disse é uma calúnia. Eu nem tenho o que dizer... Na verdade, eles já disseram tudo, somos muito gratos mesmo, porque vocês foram pessoas legais e sempre respeitaram muito a gente com toda essa coisa de sermos... Er... Famosos. - Awn, que lindo ele desconcertado por medo de soar arrogante... Vou casar com esse homem. - Sem qualquer tipo de tratamento especial... Bom, isso é realmente legal. E, com certeza, na minha opinião, esse ano foi o melhor ano de todos porque com a mudança de prédios, eu conheci pessoas novas e comecei a namorar a Bela... - fiquei vermelha - E talvez isso tenha sido a melhor coisa que pudesse ter acontecido desde os meus... - parou pra pensar - Treze...
- Mentiroso, desde os cinco! - Danny gritou.
- Eu nem conhecia ela com cinco anos.
- MAS VOCÊ COMEÇOU A GOSTAR DELA COM BEM MENOS DE TREZE.
- Tanto faz, Danny, não preciso compartilhar com escola inteira que eu era um retardado de nove anos apaix...
- Você está falando isso no microfone, retardado de dezoito anos apaixonado. - Harry falou e eu não sei se todo mundo escutou, mas eu, que estava bem na frente, escutei e gargalhei que nem uma gralha.
- Ah, sim. Continuando... Namorar com ela foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos e esse fator fez desse ano o melhor de todos, mas eu não deveria ficar falando disso. Como eles já disseram, obrigado a todos e podem crer que a gente vai se esforçar pra manter contato com o máximo de gente que pudermos. - Tom sorriu sem mostrar os dentes, exibindo a covinha (que pertence a mim) e eu não soube fazer nada além de sorrir junto.
- Awn, meus alunos queridos! - A diretora rechonchuda os agarrou e ficou cochichando coisas que os fazia sorrirem. - Podem descer. - ela informou e os quatro desceram, se juntando novamente a nós. -  Agora vamos anunciar a rainha e o rei do Baile! - ela vibrou com seus cabelos platinados reluzindo toda a iluminação do salão.
- Aposto cem libras que é você. - Flor cochichou no meu ouvido e não soube exatamente o que dizer a respeito desse comentário.
- Er... Ah - ri sem graça abanando o ar no maio estilo 'que nada!' - Aposto que não!
- Claro que sim. - Soph se meteu. - Não que você seja a mais bonita do baile, PFFF, é só porque todo mundo sabe que o povo dessa escola pela seu saco pelo fato de você ser famosa. 
Essa são as minhas amigas me botando pra cima! 
- Ah, Belinha, não liga pra ela. Você é linda, ok? - Flor sorriu gentilmente pra mim que rolei os olhos rindo.
- Claro, se eu fosse rica e famosa eu também seria linda. - Soph retrucou com descaso.
- Môzi, você já é linda. Não precisa ser rica e famosa pra isso. - Dougie falou com sotaque de neném eu eu gargalhei. Aquela cena foi tão escrota...
- NOSSA, QUANTA GLICOSE EMANA DE VOCÊS DOIS. - Sam reclamou e eu concordei prontamente.
- E o nosso rei do baile é... - Ouvimos a diretora proferir - hm, previsível. Thomas Fletcher! 
- Quê?! Como assim?! O Danny é bem mais lindo que o Tom, gente, pára tudo! - Sam se indignou enquanto eu gargalhava e agarrava meu namorado-lindo-rei-do-baile.
- Sam, isso era tão óbvio! Todo mundo que ia lá na urna votar, votava no casal, pra ficar bonitinho, entende? - Lia explicou e Sam apenas rolou os olhos, ainda indignada. Eu tenho péssimos amigos, eu sei.
- LINDO! LINDO! LINDO! LINDO! - Dougie, Harry e Danny gritavam enquanto o Tom subia pra pegar sua coroa. Ele sorria lindamente, completamente envergonhado. 
- Er... Obrigado. - Foi a única coisa que ele disse. A diretora logo posicionou-se ao seu lado para anunciar a rainha, que até eu mesma já sabia que seria eu.
- E a nossa linda rainha é... - Ela me olhou significativamente. - Bela Johnson. - que previsível.
Fui gargalhando até lá em cima, recebi a coroa e suspirei antes de falar.
- Obrigada pela gentileza de votar em nós dois como rei e rainha do baile, gente. Me sinto muito honrada. - Sorri mais uma vez e então me juntei a Tom para a foto. Ele me presenteou com um selinho demorado e então descemos. Ê, acabou a fofura.

- Ai, eu achei lindo vocês dois de rei e rainha! - Flor nos abraçou.
- Seria bem mais lindo se fosse a Bela e o Danny. - Sam disse e eu discordei furtivamente.
- Seria lindo mesmo se fosse eu e o Dougie. - Soph falou e todo mundo olhou pra ela. 
- Mas você nem é aluna! - Dougie retrucou.
- Seria lindo mesmo assim. - Ela deu de ombros e a gente riu.

Pois é, teve sim aquela palhaçada de valsa do rei e rainha. Eu fiquei um pouco constrangida, mas pelo menos foi rápido. Aí sim a festa realmente voltou ao normal. 

MAS... Se você acha que o baile foi realmente só isso, está achando errado. Porque esse baile só foi inesquecível mesmo pelo número excessivo de confusões. 

Eu estava lá, singelamente abraçada com Tom, trocando selinhos e conversas curtas sem importância no meio da pista de dança. Ele abraçava minha cintura mantendo nossos corpos bem juntos enquanto meus braços descansavam ao redor de seu pescoço. 

Estavam todos ali.
Thalia dançava animadamente com Flor, Sam rebolava se esfregando no Danny que segurava desajeitadamente sua cintura, Soph e Dougie também estavam se pegando abraçados, e Harry comia sua namoradinha nova enquanto dançavam colados. Na verdade, aquilo estava tão cheio que mal dava pra dançar. Eu e Tom mal nos movíamos, se quer saber.
Enfim, estava tudo tranquilo quando alguém cutucou o ombro de Tom que se virou pra ver quem era. Essa alguém era Katy e ela simplesmente DEU UM TAPA NA MINHA CARA. Ela-bateu-no-meu-rosto. SUA MÃO ACERTOU MINHA BOCHECHA COM MUITA FORÇA, E AQUILO DOEU PRA CACETE.
Abri a boca incrédula, com a mão sobre a bochecha atingida. Eu não acreditava, simplesmente não acreditava.
- Desculpe, mas eu precisava fazer isso hoje. - Ela disse com um sorriso sarcástico que fez meu sangue borbulhar.
- QUAL É O SEU PROBLEMA, GAROTA? - Tom gritou quase ao mesmo tempo que Sam avançou nela. Puxou seus cabelos com tanta força que por um milésimo (um curto milésimo, bem curto mesmo) eu cheguei a sentir algo próximo de pena.
Bradley já estava começando, como de praxe, a inventar palavrões medonhos e Katy arranhava seus braços gritando que nem uma vaca prenha.
Aquilo me irritou muito. Eu me senti uma retardada por não ter nenhuma reação. Como se Sam fosse meu guarda-costas, ou minha mamãe que toma minhas dores enquanto eu assisto. Eu não sou do tipo que entra em confusões mas não admito que entrem numa no meu lugar. É humilhante. E o fato dela ter batido BEM NA MINHA FACE mudava muito as coisas.
- Não entra nessa confusão, Bela. - Thalia segurou firme meu braço. Provavelmente percebeu o ódio figurando minhas feições - Se a imprensa sequer sonhar com isso, vai ser horrível pra você.
Você sabe o que é se controlar quando sente raiva, muita raiva? Sabe como é difícil? Pois é, eu até tento ser boazinha e manter minha política de boa samaritana, mas dessa vez não deu.
Foda-se a imprensa.
Me soltei bruscamente de Lia e caminhei sem pressa até a Sam.
- Larga ela, Sammy.
- MAS ELA T...
- Larga. - falei autoritária e ela ergueu uma sobrancelha, meio que em desprezo, mas largou.
- Que foi, vai me bater agora, é? - Katy provocou, descabelada.
SIM, VOU TE ARREBENTAR, PALMITO AMBULANTE.
Era o que eu mais queria ter dito, mas eu apenas a ignorei e agarrei um de seus braços com a unha (fazendo de tudo para machucar bastante), e minha cara devia estar pior que a do Darth Vader. Bem pior.
- Você é problemática, ridícula, desprezível e maluca. - vociferei.
- Mas bem que o Tom gostava de me comer. - ela disse quase rindo. Apertei ainda mais seu braço, e meus dedos começaram a doer.
- Ele gosta muito mais de me comer. - escutei 'hmmm's das pessoas que nos cercavam como seu eu tivesse dado algum tipo de fora genial. - E você podia parar de ser escrota e achar que essas suas provocações doentias vão me abalar. Porque não vão, querida.
Então Katy me empurrou com força e Harry me segurou pra que eu não caísse. E eu fui tão rápida - tomada pelo ódio - que nem o próprio Judd conseguiu me prender direito e  ninguém chegou a tempo de nos apartar. A ataquei como um neandertal, fincando minhas unhas no pedaço de carde mais próximo que estivesse exposto do corpo de palmito dela.
Nem deu tempo de bater tanto nela quanto eu queria já que um segundo depois de unhá-la, senti braços me envolverem e me puxarem pra longe, assim como ela foi puxada pelo Tom.
- SOME DAQUI, SUA DOENTE. - Pude ouvir Tom dizer pra ela, e logo comecei a sentir as lágrimas quererem se desprender dos meus olhos. Era certo que eu ia chorar, mas não ali na frente de todo mundo. Saí correndo pra qualquer canto sabendo que uma das minhas amigas viria atrás, e isso era tudo que eu precisava.
Entrei numa espécie de salinha que tinha no fundo do salão, que parecia um daqueles camarins pra debutantes se arrumarem, me joguei no divã largo que havia ali e comecei a chorar copiosamente.
Eu nem tinha nenhum motivo pra chorar, é só aquele choro de raiva mesmo. Mas eu tenho esse grande problema, de chorar que nem um bebê quando sinto muita raiva. O bom é que é sempre rápido. Logo eu já estaria renovada.

Escutei duas batidinhas na porta.
- Bela?
- Oi, entra. - falei, com aquela voz nasalada e rouca.
- Ela te machucou ou falou alguma coisa...
- Não, Tom, tudo bem - eu ri ainda chorando - Só tô com muita raiva.
Ele se sentou ao meu lado e me abraçou. Chorei mais abertamente e comecei a xingar, baixinho, a Katy dos nomes mais feios possíveis.
Depois de alguns poucos minutos eu tava melhor. Na verdade, Tom começou a me dar beijinhos de consolo, só que a gente se empolgou e começamos a nos agarrar lá no divã, aí as meninas chegaram bem na hora que tava começando a ficar bom.
- Ops, gente, me enganei, ela tá muito bem. - Sam resmungou, enquanto entrava e colocava a bolsinha com maquiagem sobre uma mesa que tinha ali.
- Quer que a gente volte depois, Bela? - Flor perguntou receosa, e antes que eu respondesse, Sam o fez por mim:
- Claro que não, agora que já estamos aqui, não vamos voltar depois mesmo!
- Te odeio muito, Sam.
- Ah, Tom, odeia nada. - ela riu e depois fez uma expressão engraçada, como se tivesse lembrando de algo ruim. - Esqueci que estamos brigados!
- Mas eu te desculpo. - ele disse rindo, sabendo que ela não pediria desculpas a ele de volta tão fácil.
- Ok... - ela deu de ombros.- Viemos ajeitar você e dar um apoio moral, mas o Fletcher já te deu esse apoio, né, então vamos só te ajeitar. - Soph informou, caminhando até mim e bagunçando meu cabelo.
- NÃO FAZ ISSO! MEU CABELO TAVA LINDO HOJE!
- Agente faz de novo, deixa de ser chata.
- Tá vendo como elas me mal tratam, Tom? Interrompem nosso amor, me esculhambam e depois ainda me chamam de chata.
- Você devia fugir comigo pra uma ilha deserta.
- Devia mesmo. - concordei prontamente.
Se você realmente acha que as confusões acabaram por aqui, está redondamente errado.
Mentira! Te enganei. Acabaram sim. Pelo menos por hoje.
Esse dia foi memorável. Muitas loucuras, muitos barracos, mas foi um dia feliz apesar de tudo (sendo muito positiva).

Depois da formatura, meu trabalho começou de fato. Fiz muitas seções de fotos, entrevistas, ensaios (e mais ensaios e mais ensaios), aulas intensas de dança e voz, shows pelos arredores... Tudo muito corrido, muito puxado... Mas eu amava.

O McFLY estava no mesmo ritmo, mas até que estava dando pra nos encontrarmos bastante. Inclusive porque fazíamos muitas entrevistas e apresentações juntos, principalmente por conta do fatídico romance recente entre Bela Johnson e Tom Fletcher.
Pois é, quando dei por mim já era véspera da minha viagem à França. Eu iria estrelar o Kids & Choices desse ano e apenas Lia viria comigo... Eu tinha pressentimentos sobre isso. Não sei se eram bons ou ruins, mas eu tinha uns pressentimentos bem loucos...




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