Part 2


Belas' POV

Acordei com uma dor de cabeça terrível. Com frio. Minhas mãos estavam gélidas e a claridade daquele local completamente branco que com certeza não era meu quarto incomodava muito. Mas que merda é essa? O que eu tô fazendo num...
- Hospital?! - falei alto levantando as costas da maca.
- Bela! - Tom exclamou e eu olhei pro lado, vendo-o sentado num sofazinho. Mas o que é que esse escroto, repugnante, metido e falso está fazendo aqui nesse hospital comigo?! Quem deu o direito dele ficar sozinho comigo?!  Quem deu o direito dele... Dele me chamar de BELA?! Ele quer uma porrada? É isso?!
- Finalmente! Pensei que nunca ia acordar. - Tom se levantou e veio em minha direção com um sorriso aliviado. - Tá melhor, meu...
- Fletcher, que merda é essa? - Fui direta. Ele ia me chamar de “meu...” o que?! Meu amor? Sério mesmo? HA-HA-HA-HA-HA.
- Ahn? - ele pareceu não entender.
- O que você acha que tá fazendo aqui? O que eu tô fazendo aqui? O que nós dois estamos fazendo aqui?! - perguntei indignada e ele me olhou ainda desentendido. Que cara de bunda é essa?! Falei em chechenês por algum acaso?
Thomas ficou demorando pra responder, apenas me olhando com o cenho franzido... Meio preocupado, eu diria. Abriu a boca diversas vezes, fazendo menção de falar, mas não o fez. Por fim, depois de longos segundos respirando aquela atmosfera confusa, cheia de dúvidas, ele decidiu (acho que seria mais apropriado dizer "conseguiu") se proferir.
- Você não...? - antes que ele continuasse a pergunta, um médico abriu a porta e nós olhamos rapidamente.
- Até que enfim alguém pra me dizer o que eu e esse... Esse... Essa coisa estamos fazendo aqui. - teci, impaciente (e infantil, eu sei), e o médico me olhou de forma estranha, antes de trocar alguns olhares com o Tom, que logo se afastou de mim, se aproximando do médico.
- É... Como eu previa. Ela não se lembra. - o médico pronunciou, olhando pra mim.
- Não me lembro do quê? - ok, eu tava começando a ficar preocupada.
- Senhorita Johnson, você sofreu acidente doméstico. Caiu da escada, teve uma leve torção no pé direito e... Bateu fortemente com a cabeça, na região do lobo temporal. Isso implicou na sua perda de memória. Mas creio que, como não houve nenhum dano grave da massa cefálica ou mesmo da parede óssea do crânio, não perdeu muita coisa. - o doutor falou e eu fiquei estática, boquiaberta, atônita, olhando pra ele.
Como assim, perdi a memória?! Era pra eu lembrar de que, exatamente? Ai, meu Deus.
- E... Por quanto t-tempo? - gaguejei e ele suspirou encolhendo os ombros em sinal de que não sabia.
- Bela, eu não posso te dizer com precisão. Depende muito de você.
- Como assim?
- Depende das coisas que você fará ao longo desses dias... Se suas ações estimularem sua memória, talvez você vá se lembrando aos poucos. Assim que seus pais chegarem, vou pedir a autorização pra fazermos um exame que me permitirá tirar conclusões mais precisas.
- Meus pais estão vindo pra Londres?
- Estão. - Tom respondeu. - Eles já devem estar chegando.
- Onde estão as meninas?
- Elas foram até a starbucks comprar o café da manhã. - respondeu novamente e eu assenti com a cabeça. 
Meu Deus. Eu perdi a memória. O quão bizarro isso pode ser?!
- Como se sente? - o médico perguntou, se aproximando.
- Cansada e com dor de cabeça.
- O cansaço é por conta do remédio e a dor... Bom, a dor é por causa da forte pancada. Eu imaginava que iria demorar a passar.
- Ela vai ficar bem? - Tom perguntou preocupado e o médico sorriu.
- Vai ficar ótima. Logo já vai poder voltar ao trabalho.
Por que o Fletcher está tão preocupado assim?! No mínimo deve ter sido ele quem me empurrou escada abaixo. Só pode ser. Essa preocupação toda deve ser culpa. Idiota.
- Erm... Fletcher, pode me deixar à sós com o médico um instantinho?
- Tudo bem... - ele disse, cabisbaixo, e saiu do quarto. 
Assassino...
- Erm... Doutor... Dylan, - falei, checando o bordado em seu jaleco - o que aquele cara tava fazendo no meu quarto?
- Ele não é seu namorado? - Se eu estivesse bebendo alguma coisa, com certeza cuspiria tudinho bem na cara dele agora, porque esse momento foi um daqueles em que alguém fala um absurdo e você até se engasga. E cospe.
- Meu o que?!
- Você não deve estar se lembrando...
- Não! Não preciso me lembrar de nada pra ter a certeza de que nunca, nem morta, nem dopada, eu teria alguma coisa com... Thomas Fletcher.
- Ah... Bom... Isso eu já não sei, senhorita Johnson.
- Pode me chamar de Bela mesmo. - sorri tentando ser simpática. Não deve ter dado muito certo já que eu ainda estava assustada com essa confusão toda de perda de memória, o Thomas no meu quarto, o Dr. Dylan falando que somos namorados (socorro, bate na madeira)... Não dá pra ser muito simpática num momento desses. - Eu tô com fome.  - informei depois de um longo suspiro e ele riu.
- Vou falar pra enfermeira trazer o seu remédio e a sua comida. Qualquer coisa, é só apertar aquele botãozinho ali.
- Tá bom, obrigada, Dr. Dylan. A propósito, sobrenome legal.
- Ah, obrigada! - ele disse, rindo e saindo da sala.

Fiquei ali sozinha por um tempo até as meninas entrarem junto com a enfermeira.
- Bela! - Sam gritou e veio correndo me abraçar!
- Não agarra ela, Sam! - Soph também gritou.
- Parem de berrar! - Lia reclamou, meio brava, e eu gargalhei. - Como você tá, Belinha?
- Melhor. Será que dá pra me explicar o que aconteceu?!
- Ué? Você não sabe?! - Sam perguntou, fazendo uma careta confusa.
- Não... Eu meio que perdi a memória... - vi o queixo delas cair - Bati meu lobo temporal direito... E, vocês sabem, né... Acabei deletando tudo dessas últimas horas.
- Últimas horas? - Soph indagou duvidosa, erguendo uma sobrancelha -  Qual é a última coisa que se lembra?
- Erm... Eu chegando em casa cansada depois da apresentação acústica no O'Brown's show.
- Ah, então você deletou tudo da última semana, e não das últimas horas, querida. - Lia disse e um certo pânico tomou conta do meu corpo.
- Última semana?! Que dia é hoje?!
- Domingo. O O'Brown's show foi na sexta-feira passada. - Lia informou e o pânico aumentou. Perdi uma semana e dois dias da minha vida. O QUE PODE SER PIOR QUE ISSO?
- MEU DEUS.
- Calma, Bela. Aposto que você lembra de tudo rapidinho. - Soph tentou me tranquilizar.
- Aconteceu alguma coisa importante nessa semana?!
- Nada demais na sua vida profissional... - Thalia informou, como se tivesse omitindo alguma outra informação.
- Só na sua vida sexual... - Sam completou sorrindo e me cutucando com cotovelo.
- COMOÉQUEÉ?! - eu perdi minha virgindade?!
- Pois é, Johnson, seu hímen já era. - Sam confirmou meus pensamentos, me cutucando de novo com o cotovelo.
- COMOÉQUEÉ?! - repeti.
- Para com isso, Sam. - Lia reprovou, bufando em seguida.
- Por quê?! Aposto que é verdade. Passou a noite com um cara gostoso e acordou vestindo a blusa dele... isso pra mim é sinônimo de sexo animal.
- Dá pra alguém me explicar o que está acontecendo? E como eu caí na escada? E quem é o dono da blusa que eu acordei vestindo? - disparei e elas se entreolharam.
- Certo. - Lia começou. - A gente não sabe direito o que aconteceu, porque só quem tava lá em cima era você, Dougie e Tom. O resto estava no andar debaixo tomando café da manhã. Aí, do nada, a gente começou a escutar uns barulhos. O Harry disse que era o Dougie andando de skate, mas aí nós deduzimos que você e Tom também estavam na brincadeira já que a gente ouviu as vozes dos três, rindo e tudo mais. Aí...
- Aí a gente escutou um estrondo e vimos o skate rolando escada abaixo e você desmaiada no meio dela.- Soph completou e eu arregalei os olhos.
- Eu caí de skate na escada?
- É, caiu. - Lia confirmou e eu comecei a rir. Sim, rir.
- Meu Deus! Que tipo de idiota cai de skate na escada? - ri mais.
- Você. - Soph comentou indiferente.
- Ei, pera aí. De quem era a blusa que eu vestia? E quem era o cara gostoso que dormiu comigo?
- A blusa era do Tom e o cara gostoso era... O Tom. - Sam falou e eu ri de novo, só que dessa vez foi sarcasticamente.
- Vocês querem que eu acredite nisso? Que dormi com ele, vesti a blusa dele e ainda brinquei de skate com ele? Mais fácil você falar que eu fui estuprada pelo Bin.
- Que Bin? - A Soph perguntou toda curiosa.
- Bin Laden! - respondi e ela gargalhou. - É sério, não tô brincando. - continuei séria.
- Bela, é verdade... Tudo bem que vocês foram trancados no quarto dele à força, e ninguém sabe o que aconteceu lá dentro, mas... Que vocês dormiram no mesmo recinto, é verdade.
- Aaaah. Isso muda um pouco as coisas. Então eu não queria estar com ele. Fomos obrigados... E aposto que esse negócio de andar de skate, foi ele quem se intrometeu na minha brincadeira com o Doug...
- Ok... Se você acha isso... - Lia disse, dando de ombros.
- Mas é claro que não é isso! Para de ser, burra, Bela! - Sam tentou contradizer, mas eu ignorei. É claro que era isso. Só pode ser isso...
- Será que eu tenho um tempinho com a minha filha doentinha?
- Mãe! - exclamei ao vê-la entrando no quarto. Logo depois, meu pai entrou eu tive a mesma reação. Abri os braços e eles vieram ao meu encontro na maca, me agarrando do mesmo jeito que a Sam fez a poucos minutos atrás.
- Como tá, filha?! - Meu pai perguntou, com um sorriso.
- Ótima. E vocês dois?
- Estamos...
- Menos preocupados. - minha mãe completou. - Como estão as coisas na escola? E eu não gostei do que você falou na entrevista de Sexta.
- Ai, mãe... Não sei porque você ainda reclama...
- Tia Sue, a Bela nunca vai parar de falar essas besteiras. Vai por mim. - Soph comentou e eu concordei com a cabeça.

Fiquei mais um pouco com meus pais e minhas amigas no quarto, até a hora em que a enfermeira chegou com um papel, uma caneta, um sorriso enorme, uma bandeja com comida e um medicamento.
- Bela Johnson? - a mulher perguntou.
- Oi, eu!
- Eu trouxe sua comida, e você tem que tomar esse comprimido.
- Ok. - ela colocou a bandeja no meu colo, eu tomei a medicação, e logo em seguida comecei a comer.
- Nossa... Como você tem estômago pra comer comida de hospital? - Sam comentou desdenhosa e eu ri.
- Tá uma delícia, se quer saber.
- Er... Bela... Posso te pedir uma coisa, se não for incômodo? - a enfermeira perguntou, sem jeito.
- Pode!
- Pode me dar um autógrafo?
- Wow. Er... Claro! - Fiquei surpresa com o pedido, mas tá né...
Autografei uma folha que já havia sido assinada pelos quatro meninos do McFLY. A mulher sorriu de uma orelha a outra, depois saiu do quarto feliz. 

O tempo passou rápido até chegar a hora do exame. O fiz e logo voltei pro quarto. Lá tinha um banheiro onde tomei banho e troquei de roupa. Passei a tarde fazendo nada. TV, jogo de tabuleiro, TV, sono, TV...
Quando vi já eram oito da noite.
- Com licença... - uma outra enfermeira entrou na sala. - Acabou o horário de visita. Só uma pessoa pode passar a noite aqui no quarto.
- Quem você quer que fique, Bela? - minha mãe perguntou, e parecia torcer pra não escolhê-la.
- Ah, tanto faz. Quem quer?
- Eu fico. - Sam se pronunciou e todos (todos mesmo) a olharam com os olhos arregalados. - Que é?
- Sei lá... - Soph comentou. - É só que... Você não é de fazer essas caridades.
- Temos um caso de emergência aqui, ok? - ela retrucou e nós rimos.
- Ok, então vamos indo, meninas. Thalia, está de carro? - meu pai perguntou e ela assentiu. - Quer carona, Soph?
- Não, valeu. Vou com a Lia!
- Então tá bom. Tchau, feias! - ele brincou antes de deixar o hospital junto com a minha progenitora.
Logo depois, Lia e Soph também foram e eu fiquei sozinha com a Sam. (medo)
- Bela.
- Oi.
- Nessa semana que você perdeu, eu fiquei com o Danny.
- SÉRIO?!
- É. E foi mais de uma vez. Na verdade, a gente quase... Quase transou.
- SÉRIO?!
- É! Mas eu desisti a tempo... Eu não quero me sentir como o passatempo dele, só porque ele tá carente. A verdade é que eu só não transei com ele por causa da Georgia...
- Sinceramente, acho que você não devia ligar pra Georgia. Ela que é a outra. Eles terminaram. Acabou. Danny já superou.
- Quem garante? Quem garante que ele não está me usando pra superar? - Essa é a nossa Sam, sempre fazendo uma novela por tudo...
- Até parece que você não conhece o Danny, Sam. O Danny não usa garotas, ele não é o Harry.
- Ele fica com elas sem compromisso que nem todos os outros homens. Quem pode garantir que eu não sou só mais uma?
- Eu garanto que se o Danny voltar a te procurar, você não é só mais uma. - eu disse e ela suspirou, como se quisesse acreditar naquilo.
- Amanhã tem aula... - murmurejou.
- Eu não vou.
- Eu sei. Mas eu vou ter que ir. Minha mãe vai me matar se eu faltar de novo.
Ficamos por um tempo em silêncio, até que ela decidiu se pronunciar.
- E você e Tom?
- Eu e Tom? Como assim eu e Tom?
- O que você sente em relação a ele?
- Nada que você não saiba. Raiva, nojo, antipatia, e tudo  mais...
- Credo, Bela. Que horror.
- Ué? Ele é nojento. Merece isso.
- Ele não merece isso. Ele não é nojento com ninguém, muito menos com você. Na verdade, você que é uma nojenta com ele.
- Por que isso agora?
- É que eu tinha a esperança de que dando com a cabeça no chão você se tocasse de que ele é um cara legal.
- Vai dormir, cabrita.

Bela's POV off

Thalia e Soph retornavam param suas casas e, por mais incomum que fosse, o silêncio reinava no carro. Aquilo as incomodava de certa forma,e foi um tanto aliviador quando o celular da Thalia começou a vibrar.
- Seu celular tá vibrando.
- Pega aí. Deve ser mensagem. - Lia disse, sem tirar os olhos do trânsito.
- Tá. Erm... É uma mensagem da Sam.
"plano de fazer Bela e Tom ficarem juntos a todo vapor! Vai ser difícil, mas a gente consegue!"
- Vou responder "ok", tá bom? - Soph perguntou e Thalia deu de ombros. Obviamente a amiga percebeu que tinha alguma coisa errada e simplesmente teve de intervir. - Que foi? Tá chateada com o que?
- Nada... Eu não tô chateada, só tô... Pensativa.
- Por quê?
- É que o Harry pediu pra eu namorar de mentira com ele.
- WHAT?!
- Pois é. Isso é bem estranho...
- Como assim, de mentira?
- Parece que a mãe dele cortaria seu pinto se não conseguisse alguém a tempo, aí ele... Ele me escolheu pra que eu me apresentasse como sua namorada.
- Te escolheu? Na minha terra isso tem outro nome. - ela brincou e Lia gargalhou.
- É sério, Soph... Eu tô meio tensa com isso.
- Imagino... Sair com Harry Judd é realmente uma grande responsabilidade.
- Sair com Harry Judd é sinônimo de manchar minha imagem! Como eu vou ser vista como uma grande produtora e empresária quando eu me formar, se eu saio com um galinha que vai me largar em duas semanas?
- Ele vai te largar em duas semanas?
- Eu vou largar ele, segundo nosso acordo.
- Ah. Sabe... Eu acho que namorar com ele não tem nada a ver com sua imagem profissional.
- Como não? Claro que tem...
- Claro que não tem. Para de neurose. - Soph retrucou e Lia bufou. Logo chegaram até a casa da Sophia e depois, Thalia seguiu sozinha até sua casa. Estava pensativa e simplesmente não sabia como lidar com essa situação.

Os meninos passaram a tarde na casa do Tom que, ao chegar em casa, foi direto pro quarto sem dar notícias sobre a saúde de Bela pra nenhum deles, conforme tinham combinado.
- Tom? - Harry entrou no quarto do amigo com Danny e Doug em seu encalço.

- Ela não se lembra. - Ele bradou, com o olhar perdido em algum ponto do quarto e o coração apertado.

- A Bela? - Danny perguntou.
- Ela não se lembra de nada.
- De nada o que? Dá pra falar o que tá acontecendo? - Harry perguntou sem entender  enquanto sentava na ponta da cama.
- Cara, ontem... Ontem a gente ficou. Ela disse que gostava de mim, e eu finalmente achei que as coisas estivessem certas pra que eu pudesse falar sobre aquilo. Aí a gente ficou junto a noite inteira e planejávamos contar pra vocês quando acordássemos... Só que aconteceu essa merda e agora ela não lembra de porra nenhuma. Ela ainda me odeia e me despreza. Sabe-se lá quando eu vou ter outra chance dessas?!
- Puta merda. - Danny falou encarando o nada.
- Cara, se você conseguiu quase falar daquilo com ela uma vez, vai ser mais fácil tentar de novo. - Doug falou, dando de ombros.
- CLARO QUE NÃO. Eu tive muita sorte dela estar disposta a me ouvir naquele momento. Não sei se vou ter essa oportunidade de novo.
- Cara, vocês transaram? - Danny perguntou com uma cara de dúvida, e Dougie gargalhou. Tom esticou o braço e deu tapa em sua nuca, mantendo a cara emburrada.
- Não fala merda. - Ele disse, bufando alto.
- Qual é problema? Pra mim, isso era a primeira coisa que você ia fazer quando... - Harry ia dizendo mas foi interrompido.
- Cala a boca, cara. - Tom pediu, sem paciência. 
- Mas vai falar que você nem tentou?! - Danny perguntou duvidando da prudência do amigo.
- Não. Eu nem tentei.
- Porra cara! Você é uma gazela! Sempre desconfiei.
- Menos Danny. - Harry disse, tentando conter o riso.
- ENFIM, eu tô na maior merda da minha vida.
- Se eu fosse você eu ia lá e falava com ela de novo. - Harry sugeriu.
- Não sei... Não sei se vou conseguir.
- Tudo bem, cara... A gente só não quer que você passe mais dez anos da sua vida se remoendo com isso. - Danny comentou e eles concordaram.
- E ela é gostosa, rica, famosa e bonita. Se estalar o dedo arranja um namorado e aí... Adeus chances do Tom.
- Obrigada pelo estímulo, Poynter.

Os meninos ficaram mais algum tempo conversando e logo foram dormir. Todos decidiram ficar por lá e Danny quase foi espancado quando Tom descobriu da cama quebrada, mas nada que não fosse resolvido em alguns minutos. É claro que os meninos sempre achavam muito mais divertido passar a noite na casa do Tom do que em suas casas, com seus pais. 


- Bela. Ei, Bela... Acorda! Bela! BELA!
- Ai, que é?
- Porra, não escuta!
- Sam, não vou ficar te aguentando no meio da madrugada não, tá? - ela disse, de olhos fechados e Sam bufou.
- NÃO É MAIS MADRUGADA, BURRA! Só pra avisar, já tô indo pra escola. Tchau. - ela disse virando as costas e saindo do quarto do hospital. Não se atrasou, mas, em compensação, dormiu em todas as aulas. Acordou no intervalo e foi seguida por algumas meninas que sentaram com ela e conversaram o tempo todo sobre o quão mudado estava o Ashton Kutcher. Ela tava mais entediada do que qualquer coisa.
"Nossa. Como a Flor e a Bela fazem falta nessa escola."
Foi quando uma mão enorme e pesada tocou seu ombro e só então percebeu que as meninas que a acompanhavam estavam atônitas. Ela virou-se pra ver quem era e se deparou com Danny Jones e companhia.
- Ah, oi Danny. - Um frio lhe correu a espinha e seu coração acelerou. Obviamente ela tinha a esperança de que ele tocasse no assunto "nós dois".
- Oi, Sam e... Oi meninas. - ele cumprimentou com um sorriso fraco. - a gente veio saber como está a Bela.
- Ah... - um desapontamento momentâneo lhe invadiu, mas ela logo percebeu que aquele não era o melhor momento pra se falar daquele assunto. - Ela tá ótima. Acho que volta pra casa hoje.
- Mas ela vai ficar sozinha em casa? - Tom perguntou preocupado e ela riu.
- Não. Os pais dela estão lá.
- Ah...
- Mas tem como a gente ir lá visitar? - Dougie perguntou.
- Tem. Ela vai pra casa hoje, no final da tarde. Dá tempo se vocês forem depois da aula.
- Então a gente vai hoje. - Harry decidiu.
- Ah! Faz um favor pra mim? - ele assentiu com a cabeça. - Entrega o novo horário dela?
- A diretora mudou os nossos horários também... - Danny comentou.
- Alguém sabe o porquê disso? Eu achei super estranho... - Sam disse enquanto analisava o horário da menina.
- Também não sei não... Acho que a Sra. Paskin andou fumando as ervinhas do Dougie... - Tom zoou e eles riram.
- Será que a Bela ficou com algum de vocês? - Sam perguntou e Tom nunca torceu tanto pra que isso acontecesse. 
- Deixa eu ver. - Harry pegou o papel da mão da menina e comparou com o seu. - Er... Tudo diferente. Menos a aula de história. Estamos juntos.
- Deixa eu ver com o meu. - Dougie pegou. - Wow! Estamos em três! História, Artes e Álgebra. Vê você, Tom. - Ele entregou o papel para o Tom, que pegou sem muita esperança. Mas o inacreditável aconteceu. Depois de tantos anos sem fazer sequer uma aula juntos...
- Oito matérias. - ele disse com os olhos arregalados. Arregalados de felicidade. Todos riram contidamente, afinal, tinha uma dedo de... "missão Tom e Bela" naquilo. - Ela vai querer se matar.
- Pode crer que vai. - Sam disse, prendendo o máximo que podia, a vontade de gargalhar da cara dele.

Bela's POV

Os meninos passaram pra me visitar e acabou sendo na mesma hora em que Lia e Soph vieram. Todos entraram ao mesmo tempo eu ri.
- Wooow, party no meu quarto! - eu disse, dançando com os ombros, e obviamente, ignorando a presença (dele) que me incomodava.
- Uhuuul! Cadê a música?! - Soph disse, dançando e os meninos gargalharam.
- Música? Você coloca o DJ pra correr e agora quer música? - Dougie brincou e ela riu. Boiei.
- Ai, nem acredito que hoje vou sair daqui. É muito chato ficar num hospital sem fazer nada, sabia?
- Imagino... - Lia disse, se jogando no sofá.
- É, deve ser realmente cansativo. - Harry disse, sentando do lado dela e a abraçando pelo ombro. Ela franziu o cenho olhando pra ele de rabo de olho. - Que foi?
- O que você tá fazendo?
- Não somos namorados agora? - Ele disse e eu arregalei os olhos. NAMORADOS? LIA E HARRY?! O que eu perdi?! Ah, sim. A MEMÓRIA.
- Só na frente da sua mãe, Harry! Eu deixei isso bem claro.
- Ai, desculpa então. - ele tirou o braço de seus ombros, afetado, e os meninos riram. Boiei de novo.
- Ah! Bela! O seu novo horário! - Doug disse, me entregando um papel.
- Novo horário? - analisei o papel sem entender.
- É... Ninguém entendeu. Você vai pra aula amanhã? - Danny respondeu.
- Vou. Quer dizer... Se o médico deixar. - falei suspirando e um silêncio invadiu a sala - Mas então... Como foi essa semana?
- Não teve aula. - Tom disse. - Não teve nada demais, pra falar a verdade...
- Hum. - respondi com descaso.


Depois disso, a tarde passou rápido. Muito rápido mesmo. Logo meu pais já estavam lá pra me buscar. Assim que minha mãe chegou, agarrou o pescoço do Tom num abraço apertado e sufocante, cheio de saudade. 
Maluca. Mal sabe o quão escroto ele é... Enfim, eles ficaram lá  de conversinha até que ela se tocou que tinha que me levar pra casa.
Arrumei minhas coisas com a ajuda de todo mundo, e finalmente saí daquele hospital.
A paz foi boa enquanto durou. Na saída do hospital tinha muita gente. Imprensa, fãs, paparazzi... Foi só eu aparecer na porta junto com os meninos pro alvoroço e gritaria começarem.
- Jesus. E agora? - eu disse, meio... Apavorada. Com  a cabeça estava tudo certo. Nem parecia que alguma coisa tinha acontecido. O problema era não poder andar direito por causa do pé. Eu estava usando muletas e aquela botinha azul.
- Mãe, você não viu isso quando chegou?
- Não! Tinha muito menos gente!
- E esse mar de pessoas chegou em vinte minutos? - perguntei debochando e ela confirmou com a cabeça.
- Não tem como ir pelos fundos? - Harry sugeriu.
- Não, deixa. Eu vou lá.
- Tá louca?! - Sophia quase gritou.
- Soph, ela tá certa. - Provavelmente, Lia pensou no mesmo que eu. - É melhor ela falar com a imprensa senão amanhã vão publicar matérias cheias de achismos e especulações. Melhor ela contar logo o que aconteceu. - assenti com a cabeça e todos concordaram.
- Espertinhas. - Danny disse rindo.
- Mas Bela, não comenta nada sobre a perda de memória não... É muito pessoal. - meu pai sugeriu.
- É, também acho melhor ninguém saber disso. Fica só entre nós, tá bom? - eu disse e escutei múrmuros concordando. - Vou lá. Vem comigo, Lia.
Os seguranças me ajudaram a chegar até lá, e Lia veio em nosso encalço. As câmeras estavam ligadas e apontadas pra nós. As fãs gritavam e acenavam, e eu acenava de volta, com um sorriso largo.
- Bela, aqui! - a repórter do E! News me chamou e eu concordei em ir até lá. - Bela Johnson está aqui ao vivo com a E! News pra nos contar de primeira mão o que aconteceu. - ela apontou o microfone pra minha boca.
- Oi pessoal! Bom, primeiramente, quero avisar que tá tudo bem comigo, e que não aconteceu nada grave! - eu disse e a apresentadora riu. - Bom, eu estava andando de skate e acabei caindo e machucando o pé. Mas já tá tudo sobre controle.
- Caiu andando de skate? Onde, Bela? - ela perguntou sorrindo.
- Ah, na casa de um amigo...
- E já tá tudo bem?
- Tá tudo ótimo! - Eu disse sorrindo e fui em direção a uns outros repórteres, dando uma entrevista similar. Depois voltei pra dentro do hospital e todos nós saímos pela parte de trás. Os seguranças nos ajudaram novamente e eu consegui chegar em casa em paz. Descansei até o dia seguinte, quando fui abruptamente acordada por...
- KAIO?! - gritei num susto.
- Bela!
- Ai, que susto, Kaio! Quer me matar?
- Desculpa, maninha. É que eu queria saber se você ainda lembrava de mim.
- Ah, quem dera se eu tivesse esquecido. - eu disse e ele fez cara de afetado.
- Seu humor é maravilhoso quando você acorda.- ele foi sarcástico.
- Na verdade, só quando sou acordada com um puxão na perna. Doeu, tá?! - fiz biquinho e ele rolou os olhos.
- Não puxei sua perna machucada.
- Você acabou de machucar a outra... - Eu disse, dando a língua e me levantando da cama. - Pega ali a muleta, por favor, feioso. - pedi e ele o fez.
Fui até o banheiro, fazer minha higiene matinal. Coloquei o uniforme da escola, e depois fui à sala, me deparando com a Sam, jogada no sofá, tomando o meu Toddynho.
- SAM!
- Que é?! - ela disse assustada.
- É o meu Toddynho!
- Eu tava com fome!
- Poxa! Era o último...
- Vai logo, gente, senão não vou levar vocês pra lugar nenhum.
- Cala a boca, Kaio. Hoje você é motorista da Bela. - Sam disse e ele riu alto.
- Vai sonhando...
- Mas eu machuquei o pé, seu insensível!
- Nem se você quebrasse as duas pernas em nove pedaços eu virava seu chofer. - ele disse, mastigando alguma coisa.
- Idiota. - Sam resmungou, jogando a mochila nele. Peguei uma pêra e então, saímos. Kaio deixou a gente na escola e depois foi pro trabalho. Combinou de nos buscar na saída, já que teria um tempo no almoço. 


Primeira aula do dia. Química orgânica. Subi a rampinha da escola, com a ajuda de algumas pessoas, e então cheguei até minha sala. Sentei nas carteiras do fundo e fiquei conversando com um pessoal até a aula começar.
- Já viu que você e o McFLY estão na primeira página da revista hoje?! - Brian, o gay, disse, mostrando a revista pra mim.
- Nossa, que rápidos. - comentei antes de começar a ler.
Bela Johnson (17) é vista saindo do hospital nessa segunda feira, dia quatro, acompanhada por sua mãe, Sue Johnson (46), seu pai, Edward Johnson (48), e amigos, entre eles os gatos do McFLY! A cantora sofreu uma torção no pé direito ao cair andando de skate com os amigos. Ela afirma já estar bem e não ter sofrido nada grave, o que ratifica as palavras do clínico geral, Billy Dylan, médico que lhe acompanhou durante o tempo que ela passou no hospital central de Londres.
- Legal! - eu disse, rindo sem muita vontade.
- Mas como está seu pé? - Rachel perguntou, atenciosa.
- Dói um pouquinho, mas eu tô muito bem.
- E como você caiu? - ela manteve a preocupação (lê-se: curiosidade).
- Ah, Sei lá... - eu não sabia mesmo, e tive que pensar rápido - Foi um tombo normal desses de skate... Aí me machuquei toda. - eu disse indiferente e eles riram.
- O que foi isso na sua mão? - Brian perguntou, apontando para um corte com pontos na palma da minha mão.
- Ah, isso?! - Ai meu Deus! Nem tinha visto esse negócio! Como eu arrumei isso? - Isso foi um... Er...
- Ela derrubou um vaso. - Tom se intrometeu e todo mundo olhou pra ele. 

Ele tinha acabado de chegar, e de uma forma ninja, porque eu nem tinha visto. Ainda segurava a mochila num dos ombros, o cabelo estava organizadamente bagunçado e o rosto, impecável. Nem vou falar nada sobre aquele jeans propositalmente surrado e o all star preto, gasto e mais sujo que cu de mendigo - isso se chama personalidade, meus caros. Tom pode ser um merda, mas, céus, ele tem estilo.
Se eu pudesse escolher meu marido, eu escolheria um cara IGUALZINHO a ele, mas sem essa personalidade grotesca. Ok, ignorem esse comentário.
- Pois é, eu... Eu derrubei um vaso... - confirmei e ele sorriu.
- Tom! Nossa! Sempre quis ver vocês dois juntos, mas nunca dava! Os intervalos e as aulas eram sempre em tempos diferentes! Agora ninguém mais desgruda os dois, né?! - Leah comentou, entusiasmada e eu sorri sem graça.
- Claro... - resmunguei, encarando o nada. Eu juro que não sei de que inferno tiraram essa coisa de que eu e Fletcher andamos juntos pra lá e pra cá. Sério mesmo, DE ONDE TIRARAM ISSO? Só porque tem trocentas fotos de nós dois juntos quando éramos pirralhos? GRADE COISA! Isso não quer dizer nada! N-A-D-A.
- Vamos começar, pessoal? - Sr. Wrickler chegou bem na hora e iniciou a aula... Que foi sofridamente longa.
Nunca gostei tanto assim de um sinal de intervalo. Pra falar a verdade, eu queria mesmo é distância do Fletcher. Com certa dificuldade, me levantei da cadeira e na mesma hora, várias pessoas se prontificaram a me ajudar (ser famosa é legal nessas horas, hehehehe).
- Er... Obrigada, gente.
- Bela! - escutei a voz da Sam e olhei pra porta da sala. Ela estava lá, parada, me olhando com cara de 'quero rir'. - Vim te buscar, jumenta prenha. Só pra você não cair e quebrar mais duas costelas.
- Ah, valeu! - eu disse, depois ri. Sam me ajudou até o caminho do refeitório, e eu tive sorte de não ter que descer nenhuma escada.

Preciso compartilhar uma coisa que me incomodou: O Tom parecia nos seguir. Andava, a certa distancia, no nosso encalço e eu me sentia observada. Não que eu não fosse uma pessoa observada ali. Eu era. Mas nem ligava. O problema é que eu me sentia observada por ele. Não curto isso, ok?
- Vai querer comer o quê? - Sam perguntou enquanto eu sentava na mesa que costumávamos sentar.
- Sei lá. - dei de ombros, mas fiquei ligeiramente feliz e surpresa pela Sam tomar uma iniciativa desse tipo... Pegar o lanche dos outros não é exatamente o tipo de favor que ela faz pelas pessoas (na verdade ela não faz favor nenhum...) - Um sanduíche com carne, queijo, ovo, salada... Essas coisas. E um suco.
- Ah, tá. - ela disse se sentando também.
- Ué? Cê não vai lá comprar pra mim?
- Não. Tenho cara de empregada, por acaso? - ela disse, erguendo a sobrancelha e eu ri.
- Eu pego, Bela! O que você quer? - Rachel disse, levantando-se imediatamente.
- Rachel, não precisa. Eu posso ir até lá! Tenho muletas pra isso! - apontei pras minhas muletas e sorri.
- Não! Eu faço questão, Bela. Melhor você não ficar andando por aí.
- Rachel, é sério, eu...
- Ovos, queijo, carne e salada, certo? - me interrompeu, e eu sorri de novo. Ela retribuiu o sorriso de forma graciosa, logo em seguida se virando e indo em direção à cantina.
- Hey pessoal! - Danny cumprimentou, sentando-se do meu lado. Harry, Doug e o Fletcher fizeram o mesmo, lotando a mesa.
- Er... Fletcher, a Rachel tá sentada aí. - alfinetei.
- Eu não vi nenhuma Rachel aqui. - ele disse e todo mundo riu. Todo mundo menos eu.
- Ela foi gentilmente comprar meu lanche por conta da minha debilidade, e num minuto estará de volta.
- Hum... Harry chega pra lá. - ele pediu, apontando pro final do banco já que Harry estava na ponta. Assim que o amigo o fez, Dougie, Fletcher e Breena fizeram o mesmo, fazendo com que sobrasse um espacinho na outra ponta. - Pronto. A Rachel cabe aqui. - rolei os olhos e Sam gargalhou.
- A Bela está muito temperamental esses dias. - Ela comentou divertida, e todos começaram um papo animado sobre como garotas ficam muito temperamentais do nada. Assim que Rachel chegou com meu lanche, comi muda e talvez um pouco irritada com aquilo tudo.
- Vamos Bela. O intervalo acabou. - Sam disse se levantando e me tirante do transe. Percebi que não havia mais ninguém sentado na nossa mesa.
- Já?!
- Aham. Tem aula de que, agora?
- Erm... Acho que é Geografia.
- Bom, a minha é álgebra. É do outro lado da escola, mas eu te ajudo até sua sala. Vem.
- Não... Eu... - suspirei - Me deixa um pouquinho sozinha?
- Mas Bela, quem vai te ajudar depois? A sala do Sr. Parkins é no segundo andar. Tem escada pra você subir... E já tá todo mundo indo embora do refeitório.
- Cara, eu não tô de cadeira de rodas não, eu só torci o pé. E eu me dou muito bem com as muletas. Alem do mais preciso treinar como andar sem a ajuda das pessoas senão vou depender de todo mundo pra tudo. Eu me viro, é sério.
- Tem certeza?
- Tenho. Brigada Sam. - sorri agradecida e ela sorriu de volta. Ouvi as pessoas perguntando porquê eu tava ali ainda e também pude ouvi-la respondendo que eu queria ficar sozinha. A agradeci mentalmente por isso.


Eu preciso pensar. Sei lá. Respirar. Nem que seja por três minutos, pra eu não me atrasar pra aula.
Tinha uma coisa que assombrava minhas ideias. Foram faladas mais de uma vez, enquanto eu tava lá no hospital, coisas sobre mim e Fletcher. É coincidência demais pro meu gosto. Além disso, quando eu acordei, era ele quem estava comigo. A blusa que eu vestia naquele mesmo dia também era dele... Mas eu me conheço. Eu sei que eu nunca teria nada com o Tom a não ser que ele me convencesse que uma pessoa como ele vale a pena depois de tudo que aprontou. 
E daí que foi há muito tempo? O que importa é que o que ele fez me marcou até hoje... E eu realmente o odeio por isso.
- Vai se atrasar pra aula. - Ah, não. Isso só pode ser assombração. É uma voz na minha cabeça. É só porque eu tô pensando nele.
Olhei pro lado na esperança de não vê-lo ali, mas lá estava ele, de pé, com as mãos no bolso, olhando pra mim.
- Não vou me atrasar, Fletcher. Eu já tava me levantando. - respondi, me levantando do banco, o que era mais difícil do que eu imaginava. O fato é que eu tava me esforçando para que aquilo parecesse fácil, só pra ele não me oferecer nenhuma ajuda.
- Quer ajuda?
ÓTIMO.
- Não. - eu disse, tirando os olhos da muleta para olhá-lo. 
Acabei me desconcentrando, e... Foi tudo culpa dele. Não foi pelo fato de eu ser um pouquinho... Estabanada. Não foi. Foi ele quem me desconcentrou. Argh!
- Tem certeza? - Tom foi sarcástico enquanto me segurava pelos braços, evitando que eu me estabacasse lindamente no chão. Que bom que ninguém viu aquilo. Que bom que o refeitório estava vazio. Que bom.
- Tenho. E isso foi culpa sua! - Se eu me importo de parecer uma criancinha de nove anos? Não, não me importo não.
- Culpa minha?
- Claro! Você vem e me desconcentra enquanto eu tô aqui, na maior dificuldade do mundo, tentando me livrar desse banco! Claro que eu ia cair!
- Ah, então, bom... Eu já me redimi te salvando, né?
- Talvez. Obrigada por isso. Agora, com licença que eu tenho aula.
- Eu também tenho. - ele disse, andando ao meu lado.
- Ok. Boa aula p
ra você.
- Tenho aula de Geografia agora, Bela. É junto com você. - Merda.
- Como você sabe meu horário?
- Sei lá. - ele deu de ombros.
E então... Eu encarei a magnífica escada do corredor. A enorme construção emblemática que eu teria de enfrentar. Ok isso não vai ser tão difícil. Não vai.
Subi o primeiro degrau sem muita dificuldade. O problema era a dor que aumentou de caótica para insuportável. Não, isso não é uma hipérbole. Quem dera que fosse.
Subi o segundo degrau e já comecei a suar por causa da dor demasiada. O terceiro foi o pior de todos. Urgh, como aquilo doeu. Precisava parar pra respirar e ver se aquilo melhorava. Olhei pra trás e... CARA, EU SÓ SUBI TRÊS DEGRAUS! 
Meu Deus... Isso vai ser complicado. Fechei os olhos  e respirei fundo antes de recomeçar. Até que senti uma mão nas minhas costas e uma outra na na parte de trás dos joelhos e quando vi, estava no colo do Fletcher.
- O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO? - se eu não tivesse sentindo tanta dor, eu teria esperneado. Quem deu liberdade pra esse moleque me pegar no colo?
- Te ajudando.
Ele me levou no colo até o último degrau. Dispensar sua "carona" não era exatamente uma opção, mas eu realmente não a queria. Pigarreei antes de falar.
- Obrigada. A pesar de eu ter falado que eu não queria e que não precisava de ajuda, obrigada, Fletcher.
- Foi um honra te ajudar, Johnson. - ele disse, fazendo uma reverencia e eu rolei os olhos. Caminhamos juntos até a sala e quando entramos o professor nos olhou de cara feia.
- Er... Sr. Parkins, eu e Tom estávamos, Er... - escutei risinhos como se as pessoas dissessem "Huuuuuuum, você e Tom juntinhos, né?!". Credo. Pessoas sem noção. - É que eu tive uns probleminhas com o pé e ele me ajudou.
- Tudo bem, Srta. Johnson. Agora, os dois, sentem-se por favor.

Bela's POV off

Thalia's POV

AULA CHATA. AULA CHATA. AULA CHATA. Que saco, eu normalmente gosto daqui, mas hoje todas as aulas estão insuportáveis. A faculdade nunca me pareceu tão... CHATA! Quando o sinal da aula tocou, eu fui a primeira a sair correndo da sala. Andei apressada pelos corredores e desci até a biblioteca. Sentei na cadeira e tirei meu tablet da bolsa. Internet. Isso sim vai me acalmar. Preciso ver como estão as noticias da Bela.
Fiquei lendo tudo sobre ela em todos os sites que eu achei. As fontes confiáveis deram a noticia impecavelmente correta. Já os sites de fofoca...
"A cantora Bela Johson é vista saindo do hospital com seus pais, amigos, e com os meninos do McFLY. A suspeita é de que a cantora esteja grávida...
- AAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHA! - ri alto e a gordinha da monitoria me olhou de cara feia. - Foi mal... - eu disse sem som, pra que ela praticasse um pouco de leitura labial.
Grávida? A menina sai do hospital com a perna imobilizada e dizem que ela está grávida? Essa foi boa...
Li mais algumas coisas e a hora foi passando lentamente. Faltavam apenas alguns poucos minutos para minha próxima aula, até que senti meu celular vibrar. Mensagem. Olhei no visor, que dizia "uma nova mensagem de Judd", em seguida abri a mensagem.
"Lia, hoje minha mãe marcou uma almoço lá em casa, e meus avós vão. Eu sei, almoço no meio da semana é muito estranho... Mas tem como você ir comigo? Prometo que não vamos demorar por lá."
Revirei os olhos depois de ler. Argh. Harry, você ainda me mata...
"Ok, Judd. Eu vou com você. Mas eu realmente não posso demorar. Tenho que estudar pra algumas coisas e reorganizar a agenda da Bela... xx"
Não esperava que ele respondesse, então me levantei e fui andando para a sala, até sentir meu celular vibrar de novo.
"tudo bem, namorada (hahaha, desculpa). Não vamos demorar por lá. Posso te buscar às duas na sua casa?"
Mas uma vez, revirei os olhos. Muito engraçadinho, ele. Muito.
"Pode, piadista. Não se atrase."
Sentei na cadeira desconfortável da sala e o professor já estava lá. Deu aula como se fosse uma tartaruga competindo com uma lesma pra ver quem era o mais lento. E eu não estou exagerando. Ele ficou dez minutos a mais do que o tempo dele, e o pior é que não deu pra sair correndo dali porque era matéria nova e teria uma prova sobre isso na semana seguinte. Que raiva.
Dirigi até minha casa e graças a Deus, o transito não estava conspirando contra mim. Tomei um banho rápido, já que já era uma e meia. Coloquei uma roupa apresentável, uma maquiagem leve, um sapato alto pra não ficar tããão menor que o Harry, e pronto. Uma e cinquenta e oito. Amo minha pontualidade. Já a do Harry...

- MEU DEUS, COMO VOCÊ DEMOROU, HEIN, FILHO. - eu disse, assim que entrei no carro dele.
- Ah, Lia! São duas e doze. Você fala como seu eu tivesse três horas atrasado. - ele reclamou. - E você está linda. - Harry completou e eu corei.
- Obrigada. - agradeci quase inaudivelmente. Vergonha? Com certeza.
- E então, como foi a aula?
- Foi... Uma maravilha. -  ironia mode on. - E como foi lá na escola? Ai credo... Estou "saindo" - fiz aspas com as mãos - com um garoto que ainda está na escola...
- Olha aqui, Lia. Tem muitas pessoas de dezenove anos na minha sala. Desculpa se minha mãe não quis que eu pulasse as séries do pré, e fosse pra faculdade antes da hora. Aposto que você é a mais novinha da faculdade, então nem vem com essa.
- Nhe nhe nhe. - debochei só porque ele tava certo. Eu era uma das mais novas de lá porque eu terminei a escola mais nova que o normal. Quando eu era pequena minha mãe me fez pular as séries do pré, aí eu acabei terminando a escola mais cedo.
Coincidentemente, com a Soph foi praticamente a mesma coisa, só que ela pulou as séries do pré porque ela era mutante. Na verdade só digo pra implicar mesmo... É que ela era uma daquelas criancinhas superdotadas que já sabem tudo com sete anos, aí a escola dela  a fez pular as séries. Não que hoje em dia ela seja um primor de inteligência. Não é. Mas na época ela era. Bom... é o que a mãe dela diz, né.

Thalia's POV off

Emma estava terminando os preparativos do almoço, com a ajuda de sua mãe que havia chegado há alguns minutos, quando a campainha tocou.
- Vou lá atender, mamãe. - ela disse dando uma última olhada na mesa, e ajeitando a toalha que estava um pouco torta. Abriu a porta da sala se deparando com seu filho de mãos dadas a uma menina.
- Oi mãe! Essa daqui é a Thalia. Minha... - ele pigarreou, nervoso - Namorada. - disse, e Lia sorriu, completamente apavorada.
- Namorada? - Emma repetiu, sem acreditar. "meu-filho-tem-uma-namorada?!", Pensou.
- Aham... A gente tá namorando há um mês e duas semanas. - Ele disse sorrindo e e olhando pra ela.
- Um mês, duas semanas, três dias, sete horas e... - ela olhou no relógio - quarenta e três minutos. - Completou com um "sorriso apaixonado", olhando pra Harry, que segurou o riso. "nossa, eu sou uma idiota."
- Er... Entrem. Fiquem à vontade. - Emma disse, ainda muito surpresa.
- Prazer, Sra. Judd. - Lia cumprimentou sorrindo antes de entrar na bela casa de Harry. O "casal" foi até o sofá e sentaram lado a lado, na sala de estar que estava vazia.
- Ok, não precisa exagerar, tá? - Harry disse, rindo.
- Ué, se for pra fingir, é pra fingir direito. - Lia retrucou, erguendo as sobrancelhas.
- Isso envolve beijos e...
- NÃO. - ela o interrompeu. - Idiota... - depois murmurou, o que o fez gargalhar.
- Eu só estava brincando, estressadinha...
- Eu não gosto dessas brincadeiras, queridinho, e eu... sou completamente apaixonada por você, esse namoro é o namoro mais sério que eu tive na minha vida! - ela disse jogando os braços ao redor do pescoço de Harry que não entendeu nada, até que olhou pra trás e viu que sua mãe havia acabado de adentrar a sala. "wow, que susto! Lia é rápida!"
- Erm... Desculpem interromper... - Emma retorquiu desconcertada - Mas o almoço está na mesa. - informou e os dois se levantaram seguindo até a sala de jantar. A mesa estava impecável e a beleza de cada centímetro cúbico da sala impressionava Lia. Emma realmente tinha um um ótimo gosto, e Harry tinha o dinheiro. 
Todos sentaram-se à mesa. Harry e Lia, os avós de Harry, sua irmã e seus pais.
- Essa é sua namorada, filho? - Sr. Judd perguntou, sorrindo.
- Aham.
- Prazer, Sr. Judd. - ela disse, também sorrindo.
- O prazer é todo meu.
- Erm... Essa é a minha avó e esse, o vovô. - Harry apresentou e eles sorriram de forma simpática recebendo a reciprocidade de Lia.
- Ela é uma graça! 
- Eu sei, vovó! - Harry disse divertido e todo riram, exceto Emma. Não que ela estivesse odiando a menina ou o fato de Harry estar namorando. Mas é que pra aceitar namorar com Harry, ela era no mínimo uma biscate. É claro que nenhuma menina direita aceitaria namorar com um galinha como seu filho... 
- Thalia - Emma chamou e a menina olhou, percebendo que sua "sogra" não simpatizou com ela. - Da onde você é?
- Bom, eu... Eu sou de Essex, mas já moro em Londres há um bom tempo.
- Oh, sim... E você trabalha?
- Erm... Trabalho com a minha mãe. Nós somos empresárias da Bela. Como minha mãe ainda mora em Essex, eu meio que faço seu trabalho de perto enquanto não me formo.
- Empresária da... da Bela Johnson?  - Certo. Thalia havia ganhado alguns pontos a mais com a Sra. Judd. Ela amava a Bela.
- Isso.
- E o que mais você faz?
- Eu estudo administração na Kingston University. - "ok, o que é isso? Questionário sobre minha vida?"
- Oh, já está na universidade?
- Estou sim.
- Que bom... E como conheceu meu Harry?
- Eu e Harry nos conhecemos há muito tempo, Sra Judd. Eles sempre foram amigos da Bela, então nós sempre nos víamos mas nunca realmente conversávamos...
- Até que eu descobri que gostava muito dela e a pedi em namoro. - Harry interrompeu.
- Isso. - Lia confirmou e Emma finalmente sorriu. Essa menina era a melhor coisa que Harry podia arrumar, em sua concepção.
- Bem vinda a família, Thalia! - Emma disse animada e Harry soltou um grande suspiro aliviado. Lia sorriu abertamente, assim como todos da mesa. A aprovação de Emma era a principal. Na verdade, era a única e mais difícil de ser conseguida.
- Pode me chamar de Lia, senhora Judd.
- Só se você me chamar de Emma. - barganhou, ainda sorrindo.
o resto do almoço foi bem agradável e cada segundo que passava, Emma ficava mais fã de Lia. Agradecia aos céus por seu filho ter arrumado um bom alguém e já estar há um mês mantendo uma relação séria. Lia foi deixada em casa às quatro e meia e foi resolver suas responsabilidades pendentes. Estava alegre, apesar de tudo. A família Judd era bem agradável.

Pode-se dizer que o dia de Thalia foi o contrário do de Soph, que começou maravilhoso e terminou nebuloso. Na verdade, o dia ainda não tinha terminado, mas se terminasse naquela hora, ela agradeceria.
- SOPHIA. 
- O QUE, SENHORA STUART?
- EU JÁ DISSE PRA VOCÊ QUE NÃO É PRA ATENDER O TELEFONE NO EXPEDIENTE.
- EU NÃO ATENDI O TELEFONE, SENHORA STUART.
- ATENDEU SIM, EU VI! - a gerente insistia em dizer que havia visto Soph atendendo ao telefone, o que deixava a garota completamente irritada. Além disso, ela tinha perdido sua pasta com todos os desenhos que tinha feito das roupas de inverno para entregar à sua professora no dia seguinte, e não teria tempo de fazer tudo tão bem quanto antes. Suas colegas de trabalho ficavam rindo das broncas que ela tomava e cochichando uma no ouvido da outra piadinhas super engraçadas a seu respeito. Nada legal.
- Boa tarde, eu gostaria de um chocolate quente com chantili. - Uma cliente pediu.
- Seu nome por favor. - ela disse, sem olhar pra cara da tal cliente, como costumava fazer quando estava irritada.
- Pode colocar Poynter.
- POYNTER? - Ela olhou, curiosa, e encontrou uma garotinha com uma blusa do McFLY e suas amigas vestindo a mesma roupa. Sorriu com a visão.
- Isso! É meu nome, eu juro!
- Aham... Sei bem como é... - ela disse, prendendo o riso. - Poynter, certo?
- Certo.
- Poynter como o de Dougie?
- Erm... É. - a menina disse, ficando com as bochechas avermelhadas de vergonha.
- Ok, senhorita Poynter, é só aguardar ao lado. Próximo.

Soph's POV

Ok. Sophia, levante agora essa sua bunda gorda do sofá e vá fazer aquela penca de desenhos pra amanhã! Pare de molengar, sua lerda! Vá fazer seus trabalhos!
Argh! Por que, céus?! Por que isso foi acontecer comigo?! Por quêêêê?!
Ok. Não posso me desconcentrar. Foco. Primeiro look: casaco de zebra e calça skinny.
Incrível como eu não consigo fazer coisas sobre pressão. Eu desenhei trinta vezes esse conjunto e foram trinta papeis pro lixo. Merda. Eu vou virar a noite fazendo isso... Por que foi tão fácil da primeira vez que eu fiz?! Droga!
E então, a coisa que eu menos queria no planeta terra aconteceu: algum imbecil veio me perturbar. Levantei da minha escrivaninha e fui atender a porta e dispensar logo aquele ser.
- Oi - eu disse sem paciência até olhar pra cara da pessoa que estava ali, diante de mim, na porta da minha casa. Ok, retiro o que eu disse sobre a pessoa ser imbecil...
- Estou incomodando?
- Não! Não! Eu tava só... Er... Vegetando aqui.
- Ah, sim... Bom, eu não posso ficar, mas eu realmente precisava falar com você, Soph. - meu coração disparou de curiosidade e, de repente, senti meu corpo todo esquentar.
- Pode falar! - eu disse, dando espaço pra que ele, e quando eu digo 'ele', eu quero dizer 'o Dougie Lee Poynter'. Sim, ele entrou no meu humilde apartamento de trabalhadora do starbucks e sorriu pra mim.
- Sua casa é legal! Eu queria morar sozinho num lugar assim. - Dougie disse, analisando o local.
- Wow, largaria sua mansão por um  moquifo desse?
- Pra falar a verdade eu não moro numa mansão, e sim, eu largaria minha casa pra morar num apartamento assim. Acho demais!
- Você é fofo. - eu disse sem pensar e ele riu.
- Não gosto quando você fala assim... Fico me sentindo muito mais novo que você...
- Então pare de ser fofo que eu paro de te chamar de fofo. - eu disse dando de ombros e ele riu de novo. Viu? Ele é fofo! Fofo até demais... - Mas, enfim, o que veio dizer?
- Na verdade, hoje eu só queria... Sei lá, te ver. Aí fui até a sua faculdade mas você não estava mais lá... Você precisa me informar seus horários!
- Desculpa, Poynter, mas eu não fazia a menor ideia de que você iria querer me ver. Nunca cogitei essa possibilidade.
- Então comece a cogitar. - ele disse me olhando nos olhos e depois sorriu. Eu já devia estar parecendo um tomate maduro de tão vermelha... - Enfim, quando eu tava saindo de lá, um menina nos chamou...
- Como assim nos chamou? Você foi com quem? - perguntei por perguntar.
- Eu fui com o Danny e com o Tom.
- Imagino como aquele lugar deve ter ficado...
- É... Mas aí, essa menina, acho que o nome dela era Celly, nos chamou pra entregar uma pasta sua... Parece que você tinha esquecido com ela, aí, como tínhamos perguntado de você, ela falou pra gente te entregar. E, bom, aqui está. - ele falou, estendendo a pasta pra mim. A minha pasta. Com todos os desenhos pra amanhã. Dougie Poynter veio até a minha casa pra salvar minha vida. Ok, se eu não abraçar ele agora, vou me mutilar durante a noite.
Num "impulso pensado", me joguei contra ele e envolvi seu pescoço com os braços,dando-lhe um abraço caloroso e apertado. O fato do abraço dele ser completamente perfeito era uma grande injustiça. Só porque eu tava carente e precisava de um macho na minha vida, ele vem e me dá um abraço desses? Injusto. Completamente injusto.
- Nossa! Quanta alegria! - ele disse, ainda me abraçado e eu ri.
- É que você acabou de salvar minha raça.
- Por quê?
- Porque nessa pasta está todo o trabalho que eu tenho que entregar amanhã pra professora e isso envolve dezessete desenhos de looks de inverno completamente elaborados que deu o maior trabalho pra fazer... Eu iria passar a noite refazendo tudo... Mas você veio aqui pra salvar a minha vida! - Finalmente larguei seu pescoço, encarando seu rosto sedutor e sorridente. Acho o sorriso do Dougie muito lindo. Os olhinhos dele, que já são pequenos, se comprimem e ficam quase fechados. É completamente singular e... fofo.
- Faculdade me dá medo.
- Por quê?
- Sei lá... Na escola já é um saco, imagina só na faculdade...
- Ah, eu acho bem mais tranquilo. Na verdade, hoje a única parte feliz do meu dia foi a faculdade.
- Sério? trabalhar na starbucks não te faz ter orgasmos? - ele disse como se aquilo fosse algum tipo de comentário normal e eu fiz uma careta assustada. Ele riu. Ai, lindo. (Que foi? Eu sempre gostei de McFLY e especialmente do Dougie, ok? Me deixem.)
- Trabalhar na starbucks está sendo muito desgastante. As meninas de lá são... Insuportáveis.
- Sério?
- Aham... - eu disse, num suspiro.
- Mas por quê?
- Desde que eu falei sobre conhecer a Bela e conhecer vocês do McFLY elas me enchem a paciência por não acreditarem em mim... O problema é que a Bela tinha prometido passar lá num dia, aí eu contei pra todo mundo que ela ia, mas aconteceu o acidente e aí... Bom, já sabe... Elas só me criticaram mais. E são cinco contra uma... Além disso, nunca posso usar o telefone no expediente, pra mostrar qualquer coisa que seja pra elas...Enfim, tá sendo complicado. Mas mesmo assim. Não preciso provar nada a ninguém. Eu sei que eu conheço vocês, então pronto. - posso jurar que vi Dougie sorrir por um instante, mas assim que o olhei direito, ele ainda estava sério. E... convenhamos que o Dougie não é tão bom ator assim pra disfarçar um sorriso. Foi só uma estranha impressão minha.
- Não liga pra elas. Como você disse, você não tem que provar nada pra ninguém. - ele disse e eu sorri. - Eu realmente tenho que ir agora, Soph. 
- Tudo bem. A gente se vê... - abri a porta da sala e recebi um ultimo sorriso dele. Fui recíproca.
- Até algum dia desses. 
- Até.

AAAAAAi, Poynter. Pare de me seduzir assim. To falando sério. Desse jeito vou acabar me apaixo... No way! Ele é uma criancinha, ainda! Fala sério, eu tenho 19 anos na cara. Não vou ficar com um menininho que ainda está terminando o colegial. Ele ainda tem 18. Opa. Ele  tem 18! ... Mesmo assim. É muito novo.

Soph's POV off

Dougie's POV 

- Que é, Dougie? fala logo que eu tô ocupada.
- Noooooossa, que amor.
- Desculpa, tchutchuquinho. Mas é sério, tô meio ocupada. Fala logo.
- Tá, me escuta e promete pela sua dispensa de biscoito que você não vai rir. 
- Poynter, você sabe que eu não posso prometer nada pela minha dispensa de biscoito. Ainda mais se for relacionado a rir ou a você. Eu sempre rio de você, cê sabe.
- Tá, já sei que você vai rir, ou me sacanear e tudo mais, então, foda-se. Me fala todos os horários da Soph.
- PORRA DOUGIE. Porque você não pergunta isso pra ela?! ... PERA-AÍ. Você tá afim da Soph?! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAH! - eu devia saber que ela ia rir. Afinal, com que eu estou falando mesmo? Ah, claro. Bela.
- Bela, dá pra você me falar logo?
- Ok, ok. Foi mal. Bom, eu não tenho certeza, mas de manhã ela estuda, e à tarde ela anda procurando uns empregos. Ela tinha dito que fez entrevista pra starbucks, mas...
- MERDA.
- Que é?
- Esqueci que você perdeu a memória.
- Ahn?
- É que a Soph já tá trabalhando na starbucks, Bela. 
- SÉRIO? 
- É. E agora? Pra quem eu ligo? Quem mais vai saber os horários dela?
- Você não tem o telefone da Sam ou da Lia ou da Flor...? Ai, Doug... Falando em Flor, eu queria compartilhar uma coisa com você. Eu acho que a Flor está com alguma coisa... Acho que ela tá triste comigo. Ela foi a única que não veio me visitar e não atende o celular...
- Flor está no Alasca.
- COMOÉQUEÉ? Como esquecem de me contar esses PEQUENOS detalhes?!
- Tá, Bela, é sério, se concentra. Pra quem eu ligo?
- Liga pra Lia.
- Me dá o telefone dela.
- Eu não sei de cabeça. Nunca sei o telefone de ninguém de cabeça. Te mando por mensagem, tá bom? E eu tenho que desligar. Pode deixar que eu mando o da Sam também, caso a Lia não possa te ajudar. Beijinhos, Dougster.
- Valeu, Bela. Cê sabe que eu te amo né?
- Sei, sei. Também te amo. Tchau! - ela disse, rindo e por fim desligando. Segundos depois chegou a mensagem com os números de telefone.

Ok, vamos para o segundo telefonema.

Dougie's POV off 

Thalia se surpreendeu ao ver que Dougie ligava pra ela, já que não lembrava de ter dado seu número a nenhum deles além do Harry, mas não se importou, afinal, já estava mais que na hora deles trocarem telefones. Já se conhecem há muito tempo.

Deu todas as informações que Dougie precisava, o que animou o garoto. Sua cabeça estava a mil, e ele estava cada vez mais ansioso pra chegar o dia seguinte.

Bela estava em casa, e bem pensativa, o que intrigava seus pais. Ela não era de ficar calada pelos cantos, desanimada. Mas ela estava. Tinha alguma coisa errada... E tinha mesmo. Ela mesma sabia que tinha algo muito errado. Hoje, pela manhã, dispensou a carona do Kaio e decidiu ficar na escola. 

Bela's POV

Flashback on (depois da aula)

Eu sei que sempre disse que esses psicólogos de escola são inúteis e que eles devem ser caras que não conseguiram esposas, e ficam jogando baralho em suas salas até chegar a hora de irem pra suas casas (bueiros) e tudo mais. Mas o Paul era o meu maior conselheiro do mundo...

Bati na porta, depois de analisar se não tinha ninguém me olhando no corredor. Escutei um 'entra' vindo de dentro da sala, e por isso girei a maçaneta, me deparando, ao abrir a porta, com um homem negro, com cara de inteligente e simpático, atrás de uma bela mesa de madeira, com uma barba cheia de micro-fios brancos e um óculos de grau estiloso.

- Bela!
- Oi, Paul.
- A que devo a honra? 
- Preciso conversar com você. 
- Estou a sua disposição. 
- Ótimo. Vou começar do começo. Você sabe que eu odeio o Tom, não sabe?
- Você me contou.
- E você sabe o porquê, não sabe?
- Er... Na verdade, sei que é uma coisa de infância e que...
- Pré-adolescência. - eu o interrompi, corrigindo-o.
- Oh, sim. Mas eu não sei o motivo. 
- Pois é. Paul, eu nunca contei isso pra ninguém. Ninguém sabe de onde veio o meu ódio pelo Tom... Nem o próprio Tom. Ele acha que é por uma coisa, mas não é por essa coisa que ele acha. Sabe?
- Hum...
- Enfim, só sei que... Bom, eu perdi a memória num acidente de skate.
- Você o que?!
- É! Mas obviamente isso é um mega segredo... Eu não machuquei só o pé. Eu bati a cabeça e perdi a memória. Mas algo me diz que eu perdi uma semana muito importante...
- Por quê?
- Quando eu acordei... adivinha só quem estava do meu lado?! Ele! O Tom! A última pessoa que eu esperava estar comigo num hospital! Isso é muito estranho, Paul. Muito. E eu estava usando a blusa dele... Tipo, só a blusa. Ah, claro, e a calcinha... E quando eu acordei, ele pareceu ver um pote de ouro, sabe? Todo feliz... Depois ficou frustrado quando o médico falou que eu perdi a memória.
- E o que tem nisso? Todo mundo que conhece os dois sabe que ele não tem absolutamente nada contra você.
- ELE ME ODEIA!
- Não sei da onde você tirou isso.
- Ah, jura? Pois eu sei. Vocês não sabem o que aconteceu, por isso falam isso.
- E por que ninguém sabe?
- Porque é humilhante. Na verdade, eu fui a humilhada da história. Humilhada por ele. E ele finge que não fez nada. Acha que engoli aquilo daquele jeito. Ele acha que... Cara, ELE É UM BABACA. Por isso eu acho muito estranho o que aconteceu...
- E o que aconteceu? - Paul cruzou os braços sobre a mesa.
- O médico perguntou se ele não era meu namorado.
- Hum... - ele resmungou e meu celular tocou. Era minha mãe.
- Só um minutinho Paul. Vou atender. - coloquei o telefone no ouvido - Fala, mãe.
- Oi, Bela, cadê você? 
- Ainda to aqui na escola.
- O Kaio ainda não chegou não?
- Ele já foi, eu não vou com ele não, fica tranquila que eu pego um táxi.
- ISABELA! Volta AGORA pra casa, você tem uma consulta no médico daqui a onze minutos!
- Ai, esqueci totalmente! Tô indo, mãe. Tchau! - desliguei, meio desesperada. - Tenho que ir Paul! Amanhã passo aqui!
- Tudo bem. Até amanhã!

Flashback off

Conto ou não conto? Conto ou não conto? Conto ou não conto? Conto ou não conto? Conto ou não conto?! 
Cara, o Paul é de confiança... Ele nunca contou pra ninguém as merdas que eu falava pra ele... Ele deve ser o cara que mais sabe coisas da minha vida pessoal. As vezes eu penso que ele sabe mais até que minhas amigas... 

OK. Eu tenho sim um preconceito com analistas de escola, mas eu sempre to lá no Paul. E sempre penso a mesma coisa antes de entrar: "Olha eu aqui, prestes a falar com um cara que deve morar num bueiro..." Mas é que eu acho que eles não servem pra nada. O Paul só serve pra me escutar como ninguém e me dar conselhos sábios, e me ajudar a resolver meus problemas, e me entender, e me... Ok, o Paul tem alguma serventia. E eu gosto dele.
Acho que eu sou uma das únicas alunas que converso com ele. A Sam fala que eu sou retardada, mas é que ninguém, n-i-n-g-u-é-m, me entende como o Paul.
Resolvido. Vou contar pro Paul o meu desastre vital provocado por Thomas Fletcher.

Bela's POV off

Danny's POV

- FILHO! - escutei minha mãe me chamar. Merda. Eu tava aqui, no meu canto, deitado na minha cama, jogando meu XBox, e vem a minha mãe me pentelhar.
- QUE? - Gritei, sem mover um músculo.
- A GEORGIA ESTÁ AQUI NA PORTA. - Puta. Que. Pariu.
Voei da minha cama, rolei pela escada até chegar lá na sala batendo o recorde do 'Bolt, o super cão', ou 'Usain Bolt, o cara mais rápido do mundo'. (É que antes de eu descobrir que quando falavam que o Bolt era mais rápido do mundo, se referiam ao Usain Bolt, eu pensava que era por causa do Bolt, o super cão...) Enfim, cheguei lá embaixo muito rápido.
- Oi... Dan. - Ela disse, meio sem graça.
- Daniel, eu tô indo lá lavar a louça. - MINHA MÃE NÃO SABE MENTIR MESMO. Ela nunca mais lavou uma louça, desde que eu tinha uns... Sei lá, desde que eu era pequeno. E ao invés dela ir pra cozinha, ela subiu as escadas e foi pro andar dos quartos. Meu Deus, essa é um gênio... Depois eu que sou o burro.
Georgia riu da cena e eu também.
- Tudo bem? - perguntei pra puxar assunto.
- Tudo sim... Eu vim porque quero conversar com você. - ela falou sorrindo. A olhei indicando que ela continuasse, sentando ao seu lado no sofá. - Bom, Dan, eu... Eu gosto muito de você. Sempre gostei, você sabe. - Ela disse. Olha, que simpática! Garotas não dizem isso pra seu ex-namorados. Georgia está sendo mesmo muito simpática!
- Eu também gosto muito de você Georgia. - fui simpático também.
- Mas... Er, Dan... Você ainda gosta de mim?
- Claro! Ainda gosto de você!
- Sério?!
- Ué, porque eu não gostaria?
- Argh. Danny, acho que não estamos falando da mesma coisa.
- Do que você tá falando? - perguntei confuso e ela fez cara de mais confusa ainda.
- Ahn? Danny, espera. Deixa eu concluir meu raciocínio, ok? - assenti com a cabeça e ela pigarreou antes de prosseguir - Eu gosto de você. Quero dizer... Eu sou apaixonada por você. Quando terminamos, eu... Eu tava nervosa, talvez até meio bêbada... Acho que não fiz o certo em te pedir um tempo e nem em concordar com nosso término.
- E aonde você quer chegar?
- Eu quero voltar. - engoli à seco quando ela falou essas quatro palavras. Espera aí, foram três. É, engoli à seco quando ela disse essas três palavras.
- Q-quer voltar? - gaguejei involuntariamente... Eu estava assustado e... Muito surpreso.

Danny's POV off

Sam's POV 

Vou me abrir, posso? Ok. Estou me achando A FODALHONA MOR depois nesses últimos dias. É sério. Eu-sou-foda. Desculpe pelo palavreado, mas... SOU FODA MESMO. Sabe por quê? Só porque eu consegui me aliar às pessoas mais importantes de todas para o plano de juntar a Bela e o Tom. 
Isso mesmo. Fui EU quem falou com a diretora e pediu para ela deixar o horário do Tom e da Bela parecidos. Eu pedi pra eles terem aulas no mesmo prédio. EU. E mais a ajuda - não muito útil - de três quartos do McFLY, o que não vem ao caso no meu monólogo.
Talvez o fato de eu ter contado pra diretora que... Bela e Tom foram feitos um para o outro mas não percebem isso e precisam de um empurrãozão pra se agarrarem logo seja meio constrangedor pros dois, ou seja uma atitude muito... boca-grande da minha parte, mas e daí? O que importa é que um dia o mundo me agradecerá por isso.
E-eu-sou-foda.

Agora vou me abrir de novo, tá? Eu-sou-uma-burra.
Sim, sou. EU FICO ESPERANDO O DANNY VIR FALAR COMIGO, ME LIGAR OU MANDAR UM MENSAGEM QUE NÃO SEJA "Oi, Sam, compro cereal de milho ou de banana? É que o de milho é meu preferido, só que o Tom sempre come tudo, mas eu também gosto do de banana, e esse o Tom odeia, aí sobra pra mim." - SIIIIIIIIM, ELE ME MANDOU ESSA MENSAGEM! Dá pra acreditar? Qualquer uma teria vontade de chutar a cara dele, mas não eu. Eu tenho vontade de agarrá-lo, jogar na minha cama e ficar lambendo como se ele fosse leite (só porque eu sou uma gatinha, HAHAHAHAHA). - MAS NÃO, ELE NUNCA LIGA, NUNCA VEM CONVERSAR DIREITO COMIGO... NUN-CA
Não entendo. Sério mesmo. Na verdade, eu não me entendo. Por que eu tenho que esperar uma atitude normal do Danny? Afinal, é o Danny. Ele é lerdo. E burro. Nunca vai se tocar de que eu dei um pé na bunda dele, mas muito mal dado, porque eu to completamente arrependida. 
- Ai, Sam, é claro que você é só mais uma pra ele. Mas uma na listinha. - Sam falou pra Sam. (Isso porque eu tava me olhando no espelho, aí eu falei pra mim mesma)
- Como é que é, sua vadia?! - Sam se estressou - Como você pode falar isso da minha relação com o Dan?
- Que relação? Não existe nenhuma, Bradley. Ele-não-te-quer. - Sam foi cruel e fez Sam ficar com os olhos cheios d'água. Sam costumava ser má com Sam, que tinha alguma esperança do relacionamento com Danny dar certo... Diferente de Sam que achava Sam uma boba por pensar nisso. 
- CALE-SE, SAM. PRA MIM JÁ CHEGA. VOU SEGUIR MEU CORAÇÃO E EU MESMA VOU FALAR COM O DANNY! E ISSO SERÁ AMANHÃ MESMO. - Sam deu as costas pra Sam, que, por sua vez, sumiu da cabeça da Sam.

Não fique aí me achando idiota, mas... Quem não tem essas conversas consigo mesma? Fala sério, todo mundo tem. Eu só dramatizo um pouco mais... Agora chega de babaquices e vamos nos concentrar numa coisa séria: TUMBLR.

Sam's POV off

- Hey, molengooooooo! Acorda! - ela disse tentando fazer com que ele não dormisse.
- Fala, chatice suprema.
- Chatice suprema é a tua cara. - ela disse falsamente irritada e ele riu alto. A puxou pela cintura fazendo com que seus corpos se chocassem e deu um beijo em sua bochecha, deixando a menina completamente corada.
- Fica quieta que eu to com sono.
- Tá com soninho, chubby? - ela disse num tom de provocação, erguendo a sobrancelha.
- Muito. - respondeu com descaso.
- Pior que eu também estou... Mas essa é a primeira vez que eu durmo no mesmo local que você, então não queria que fosse chato.
- Não será. - ele disse, ainda sem abrir os olhos.
- Como você pode ter tanta certeza, hein, cara de gosma?
- Para de roubar minhas falas! - o garoto reclamou.
- Não. Eu gosto de falar 'cara de gosma' e vou continuar falando 'cara de gosma' até você parar de ter 'cara de gosma'!
- Wow, valeu!
- Mas, hein, fala logo! 
- O que?
- Por que você acha que essa noite vai ser legal se você está aí, caindo de sono? - ela repetiu a pergunta. Realmente estava curiosa pra ouvir a resposta.
- Por que vai ser a primeira vez que eu vou dormir de conchinha com alguém... E esse alguém é você. - Ele disse finalmente abrindo os olhos carregados de sono e encarando a menina, que não fez nenhuma questão de disfarçar a cara surpresa. Mas a quem ela podia enganar? Ela queria dormir agarrada com ele. Queria, e muito. Não porque ela era uma garotinha safada. Longe disso! É só porque era... Era ele.
Logo depois sorriu abobalhada e acariciou seu rosto, tão lindo. 
- Amo você, Tom. - ela disse olhando em seus profundos olhos cor-de-mel, muito claros e, por incrível que pareça, inocentes. 
- Amo você, Maddie.
- MADDIE? TOM, EU SOU A BELA! - a menina gritava, mas ele continuava sorrindo e olhando pra ela, a chamando de Maddie. Tom ia se afastando da cama, indo pra longe... Cada vez mais longe, até que Bela quase não podia mais ver. Sua visão, por pior que estivesse ficando, pôde constatar, no entanto, que ele abraçava e beijava Maddie com muito carinho e vontade. - TOOOOOOOOOOOM! TOM, ME ESCUTA! TOOOM! - Ela gritava, mas ele não ouvia.

Bela's POV

- JESUS. - levantei assustada e ofegante. Encarei o teto do meu quarto e então percebi o que aconteceu. Pesadelo. MERDA. 
Num impulso, peguei a almofada que estava do meu lado e arremessei raivosa contra a parede, engolindo um grito de ódio, preso em minhas pregas vocais. 
Escutei passos apressados vindos de fora do quarto e do nada minha porta foi aberta abruptamente por minha mãe e meu pai.
- FILHA, O QUE HOUVE?!
- Tá tudo bem?! - meu pai disse quase atropelando as palavras de minha mãe, e os dois me olhavam preocupados.
- Tá, eu só...
- Pesadelo? - minha mãe me perguntou, se aproximando e sentando-se na ponta da cama. Assenti com a cabeça.
- Ouvimos você gritando de lá do quarto... 
- Edward... Posso falar com ela um instante? - minha mãe pediu, calmamente e ele apenas consentiu, me dando um beijo na testa e saindo em seguida.
- Filha... Estava sonhando com o Tom, não é?
- Eu falei o nome dele?
- Falou. Gritou, na verdade.
- Er... É.
- O que foi? Alguma lembrança da semana que perdeu?
- Na verdade, foi uma lembrança. Tipo um flashback, mas aí do nada... Do nada virou um pesadelo. 
- Sei... Tenta voltar a descansar filha... Daqui a pouco você tem que acordar pra escola.

É claro que não dormi. Fiquei rolando na cama até chegar a hora de acordar. Eu estava morrendo de raiva do Tom por ter me feito passar momentos como aquele e depois simplesmente ter destruído tudo! Ele é um babaca. Não merece minha amizade e nem meu respeito. IDIOTA.

Bela's POV off

Harry's POV

- ACORDAAAAA! - gritei no ouvido dela.
- Porra, Harry! Que merda!  Vai se %%$@#$, na sua @&**  @, e enfia bem no meio do teu !$# e @%*$*! PÔ, TÁ ACHANDO QUE EU SOU O QUE? &%@%¨, SEU %$&¨#@# DE !@"!%¨& ! - comecei a gargalhar histericamente, enquanto Sam limpava a babinha acumulada no canto da sua boca e me xingava até a alma, e de palavras que eu nem sabia que existiam. - Eu, hein! Volta pro mar, oferenda!
- Nossa...isso...t-tudo...porque eu te... acordei?! - Eu tentava falar, mais ria demais pra isso.
- Que merda, Harry! Enfia essa sua @#$¨*#% bem no meio do teu #@! - aí ela partiu pra agressão física. Me estapeou até minha pele sair.
- OUTCH, TÁ, TÁ, TÁ! PAREI! OUTCH! Credo, que mau humor! Eu só queria avisar que já tá na hora do intervalo!
- MALDITA AULA QUE EU TENHO QUE COMPARTILHAR COM HAROLD JUDD. - Outch, essa doeu mais que os tapas.
- Ei, para.
- Para com o que, Harold?
- Para de me chamar de Harold.
- Por quê? Não gosta, Harold?
- PORQUE NÃO É MEU NOME, CACETE.
- Ah, não? Pensei que fosse. - pausa - Harold. - bufei e ela gargalhou.
- Chata.
- Nhe nhe nhe nhe nhe, eu sou o Harold e eu sou gay. - ela disse, fazendo voz de travesti, e ficou com os olhos vesgos.
- Que bom que você não está me imitando, já que chamo Harry e não Harold.
- GENTE! - Bela apareceu do nada no meio do corredor.
- Sua besta! Comeu merda? - Sam esbravejou e Bela a olhou sem entender - Por que você andou até aqui sozinha?
- Porque eu tava na sala ali do lado, ora. Mas isso não vem ao caso. Preciso de ajuda.
- Só falar o problema que eu resolvo. - eu disse e ela me olhou com cara de tédio.
- Enfim, PJ está atrás de mim.
- Quem é PJ? - eu e Sam perguntamos ao mesmo tempo.
- PJ é um garoto que acha que gosto dele só porque sentei com ele nas últimas aulas. Agora ele disse que queria conversar comigo no intervalo e... Ai, cara, me ajuda! Não tô preparada pra dar um toco. - ela disse, se lamentando e Sam gargalhou.
- Por acaso PJ é um cara de óculos de grau, com o cabelo penteado pro lado e que usa a blusa do uniforme pra dentro da calça jeans?
- Ai, meu Deus. Ele é assim mesmo! Por quê? Tá vendo ele por aí? - ela falou olhando para os lados.
- Não olha pra trás... Mas... Acho que ele vem vindo com uma flor. - Informei e Sam começou a rir da cara de desespero da Bela.
- Er, Bela! - O menino a chamou e ela fez uma careta desesperada antes de virar.
- PJ! Que bom t-te ver aqui!
- Bela, vou ser direto. Quero saber se não quer ir à festa da Taylor comigo.
- Festa da Taylor? - ela perguntou. Provavelmente Taylor ainda não tinha falado com a Bela. Mas nossa... Até o PJ já sabia...
- É! Sem ser esse Sábado, o outro!
- Ah, não fui convidada. - Ela disse.
- Foi sim! Taylor falou com você na semana passada, no início da semana! Eu estava perto!
- AAAAAAAAAAAAAAH! - ela fingiu se lembrar. Com certeza não sabia do que ele tava falando. - Ué... semana passada teve aula?
- Só segunda, né, Bela! Até parece que você não se lembra! PFF! - Sam disse, e Bela concordou. Segurei o riso.
- Ah! É! Que cabeça, a minha. - ela ria pelo nariz - Mas, então... É que eu já prometi ir com o Harry. 
-  Nem vem, eu já sou da Thalia. - eu disse sem pensar, e recebi um olhar fuzilante, medonho, aniquilador, exterminador, assassino e cruel de Bela, que semicerrava os olhos e contraía os lábios. - Mas o que você não sabe é que eu vou com a Bela também. Tipo poligamia, sabe? - tentei consertar, mas ela me olhou daquele jeito de novo. Sério, fiquei com medo.
- Enfim, PJ... Eu adoraria, sério mesmo, adoraria poder ir com você. Mas não dá... Me desculpe.
- Tudo bem, Bela. - ele disse com a cabeça baixa. - Mas e você, Sam? - virou espontaneamente, com alguma esperança de conseguir a companhia da Sam.
- Eu tô nesse lance de poligamia. Vou com o Harold. - ela disse, com descaso.
- Não conheço esse cara, ele estuda aqui?. - retruquei e ela rolou os olhos.
- Er... Tudo bem. - O menino se deu por vencido e saiu. Bela suspirou aliviada. Sam riu. Sentamos na mesa e percebi que a Sam me olhava de um jeito engraçado.
- Que foi? - perguntei, curioso.
- Que papo foi aquele de 'eu sou da Thalia'? 
Er... Foi brincadeira. - falei, depois dei de ombros, supostamente indiferente. Mas eu não estava indiferente. Não mesmo. Quem dera que eu estivesse.
- Sei... - ela foi irônica e trocou olhares com a Bela, que só assistia a cena, rindo.
- Mas, mudando de assunto, Bela, então quer dizer que eu vou junto com você na festa?
- Eu não vou, Harry. - ela disse, comendo um sanduíche enorme.
- Então porque você inventou que ia comigo? Era só dizer pra ele que você não ia e pronto! - e, de novo, ela e Sam trocaram olhares e depois, Bela bateu sua testa na mesa.
- Merda. - Bela bufou. - Por que eu simplesmente não disse isso?
- Porque tú é burra. - Sam disse e eu gargalhei. - Ei, Harold, cadê seus namorados?
- Você vai mesmo me chamar assim o dia inteiro? - questionei e ela deu de ombros - Não sei. Dougie deve estar na detenção, Danny deve estar perdido porque ele não sabe andar nesse prédio e...
- Pera aí. Como assim não sabe andar nesse prédio? - Sammy perguntou me interrompendo.
- É que desde que ele entrou nessa escola, sempre estudou no prédio B. Na verdade, todos nós nunca estudamos no prédio A. Vocês sabem disso.
- É, eu sei, mas qual é a dificuldade de andar por aqui?
- Sam, até parece que você não conhece o Danny. Ele torna tudo mais difícil. - Bela disse e eu concordei.
- Bom, por isso eu acho que ele está perdido... E o Tom deve estar chegando.
- Falando em Tom, tenho que ir vomitar. - Bela disse e Sam rolou os olhos. Eu fiquei normal. Já tava acostumado com as criancices dela. - Brincadeirinhaaaaaa. Mas, sério, falando em Tom, eu tenho que ir lá conversar com o Paul. Não que eu vá falar do Tom! Mas é que... Er... Eu... Eu lembrei, sei lá. Eu só lembrei.
- Aham. Sei bem como é. - Sam comentou se levantando da mesa. - Eu tenho que ir pra aula. Até mais, vadia inútil e até mais, Harold.
- Até. - disse, decidido a ignorar a parte do 'Harold' - Quer ajuda até lá, Bela?
- Não, não precisa. - ela respondeu lançando um sorriso fraco. - Valeu, Hazz, te vejo por aí.
Nos despedimos e cada um foi andando pra seus destinos. Esse intervalo tinha sido bom. Um dos melhores desde que nosso horário mudou. É que normalmente a gente fica rodeado de gente... Mas dessa vez foi só nós três. Relaxante.

Harry's POV off

Tom's POV

Não acredito que essa merda de professora me fez ficar copiando o dever de casa durante o intervalo. Onde ela acha que eu tô? No jardim de infância?! Porra!
Mas foda-se. Agora tenho tempo livre e a Bela também tem. Isso significa que a gente vai se cruzar e...
Ah, ela tá ali.
- Bela! - Chamei e ela virou o rosto pra trás, fazendo com que nossos olhos se encontrassem. Ela havia parado de andar e esperava enquanto eu me aproximava dela.
- Fala. - Porra, legal, e agora? O que que eu falo?
- Sabe, eu acho que você não deveria ficar andando por aí sozinha. - Noooossa, muito criativo, Thomas, parabéns.
- Er... Olha, Fletcher, não me leve a mal, mas... Você não tem nada com isso. E se eu fosse você, me concentraria em encher o saco de outro, porque eu tô completamente cheia desse seu jeitinho escroto, implicante, cínico, dissimulado, FALSO, PREPOTENTE  E COMPLETAMENTE RIDÍCULO! EU NÃO QUERO QUE VOCÊ SE APROXIME DE MIM, DIRIJA A PALAVRA A MIM OU NEM MESMO PENSE EM MIM, POR QUE SE VOCÊ ACHA QUE EU SOU BABACA E VOU FICAR IGNORANDO TUDO QUE VOCÊ FAZ E PRINCIPALMENTE O QUE VOCÊ FEZ, VOCÊ ESTÁ REDONDAMENTE ERRADO! - Ela praticamente gritava, com os olhos marejados e apontando o dedo na minha cara.
QUE MERDA FOI ESSA?! Essa grota é maluca!
Virou as costas e foi andando o mais rápido que podia pelo corredor e eu fiquei lá, estático, com os olhos arregalados, a vendo se afastar. O que deu nela? Meu Deus.


A vi entrar no corredor que interliga os dois prédios: o que eu estudava antes, prédio B, e esse que eu estudo agora, o A. Achei estranho porque... O que ela faria ali? Lá não tem nada a não ser banheiros, a sala da diretora, a sala da detenção e a sala do Paul... Mas eu sei muito bem que ela não gosta de psicólogos de escola... Então ela deve estar indo na sala da diretora. Provavelmente pra mudar o horário dela e não fazer mais nenhuma aula comigo. 

Merda, eu sou um babaca mesmo. Mas a culpa não é minha se ela me odeia tanto... Pelo menos eu acho que nunca fiz nada tão ruim, a não ser pelo fato de... Ah, ela não me odiaria por tanto tempo por causa de uma coisa dessas.
Decidi ir pra cantina e comer logo, antes que o tempo livre acabasse. Eu só iria encontrá-la de novo na aula de Educação Física, depois da aula de Física. E eu estou realmente com medo desse reencontro.

Tom's POV off


Thalia's POV


Minha cabeça latejava, minha garganta ardia e meu corpo inteiro doía de um modo estranho. Eu tava mal. Alguma coisa estava errada. É óbvio que estava. Eu estava muito doente. Não fui pra faculdade, afinal, estava completamente prostrada na cama, mal conseguia abrir os olhos porque a claridade matinal de Londres incomodava demasiadamente, e meus neurônios não queriam funcionar direito, já que... SÓ AGORA EU LEMBREI QUE A BELA TEM UMA APRESENTAÇÃO ACÚSTICA E UMA ENTREVISTA NO CELEBRITY JUICE! Puta merda! O que eu faço?!
Me arrastei, sentindo TUDO doer, até a minha escrivaninha pra pegar meu celular e ligar pra mãe dela.
- Alô? - Sue respondeu depois de um milhão de chamadas.
- Alô... - forcei minha voz a sair, mas o que realmente saiu foi murmuro rouco e falhado, completamente arrastado.
- Lia? Querida, está tudo bem?
- Er... Mais ou menos.
- O que você tem?
- Ah, nada demais, acho que é uma virose ou algo assim. Mas eu estou me sentindo realmente mal. Eu queria saber se você não pode ir com a Bela hoje no Celebrity juice studio, mais tarde. Eu já combinei tudo com o motorista. É só pra você acompanhá-la mesmo... Eu tô realmente mal.
- Claro, Thalia! Eu vou sim. Mas... Que horas?

- Manda ela almoçar, tomar um banho e descansar até as cinco e meia. Depois liga pro motorista. Vocês devem estar lá por volta das seis. O programa começa às oito e meia.
- Tudo bem. Olha, se você precisar de alguma coisa, qualquer coisa que for, é só ligar, tá bom?
- Eu sei, tia Sue. Obrigada. - a escutei rir.
- Melhoras, querida.
- Valeu, um beijo, tia.
- Beijo, amor. - Desligamos. Acho que dormi em dois minutos ou menos.

Thalia's POV off

Bela's POV

- Oi, Paul. - sentei bufando na cadeira de frente pra sua mesa.
- O que houve?
- O que houve? Adivinha o que houve! Thomas Michael Fletcher!
- E o que ele fez de errado agora?
- Aquele cabeça de pinto veio falar comigo no corredor, aí eu me descontrolei! Descontrolei mesmo! Joguei tudo na cara dele! Falei que ele era cínico, falso, dissimulado e que eu não era babaca pra ficar aguentando as merdas dele.
- Isso só porquê ele foi falar com você?
- Isso só porquê ele foi se meter na minha vida como se fosse meu amigo ou qualquer coisa do tipo.
- E você já imaginou que ele está tentando ser?
- Dane-se o que ele queira. O que eu quero é distância dele depois de tudo que ele teve coragem de fazer, Paul... - parei pra pensar e respirar - Eu sonhei com ele. Foi como um flashback de um dos nossos momentos. Eu tinha uns doze anos e ele tinha treze. Se não me falha a memória, foi no dia que fomos dormir na casa de praia da avó dele, mas não tinha quartos o suficiente. Eu não lembro o que aconteceu, mas a gente teve que dormir juntos numa cama de casal. Aí dormimos abraçados. Só que nesse meu sonho, do nada ele começou a sumir com aquela filha de uma vaca da Maddie.
- Maddie?
- É uma garota aí. Se é que pode-se chamar aquele projeto de bezerra de garota. Ela é desalmada, fria, calculista e idiota. Como uma pessoa pode ser isso tudo aos treze anos?! Imagina só o que ela é hoje. Que bom que eu nunca mais falei com ela. - bufei.
- Tá, eu preciso me situar. O que foi que aconteceu? O que essa Maddie fez?
- Paul, acho que tá na hora de eu te contar logo tudo. Mas você é a primeira e única pessoa, além dos envolvidos, que vai conhecer essa história... Eu nunca tive coragem de falar pra ninguém.
- Bela, não se sinta pressionadas a falar.
- Eu vou falar porque eu preciso. Não aguento mais ficar com isso entalado na garganta.
- Então prossiga.
Pigarrei antes de começar.
- Conheci o Tom no primeiro dia de aula da nova escola em Londres. Nós éramos criancinhas e eu não conhecia ninguém além da Sam. Desde aí começamos a ser muito amigos mesmo. Tipo melhores amigos. Só que eu... Eu comecei a gostar demais dele. Quando fiz onze anos contei isso pra minha mãe e tudo que eu sentia quando estávamos juntos, e o que ela disse ficou gravado na minha mente até hoje: "Bela. Você é muito pequena pra namorar. Mas você está apaixonada. Espera vocês crescerem um pouquinho mais e aí vocês começam a namorar, tá bom? Enquanto isso, cativa ele e nunca deixa ele se afastar de você, senão você vai acabar ficando muito muito muito triste". Nesse mesmo dia, mais tarde, a gente foi brincar no quintal da minha casa, na famosa casa de árvore, e aí... A gente se beijou. - quando eu disse, um aperto veio no meu coração e eu revivi a cena.


Flashback on (seis anos atrás)

- Tom, você ainda tá aí embaixo?! - gritei da janela da casa de árvore, mas não vi ninguém, até que senti uma mão na minha cintura e virei abruptamente.
- Já estou aqui! - ele disse e eu o empurrei.
- Seu mongol. Do que vamos brincar hoje?
- Sei lá.
- Podíamos continuar aquela brincadeira de que a gente era pirata e aí tínhamos que encontrar uma caverna...
- Eu não quero mais brincar disso. Estava pensando em outra coisa.
- Em que?
- Em... - ele disse e se aproximou de mim. - Bela, eu posso fazer uma coisa? - meu coração não parecia normal com toda aquela proximidade. Estava batendo tão rápido e forte que eu pensei estar passando mal.
- P-pode... - respondi sem forçar e no segundo seguinte senti seus lábios serem pressionados contra os meus. Era o meu primeiro beijo. E o melhor do mundo. Não soubemos exatamente o que fazer durante o tempo em que nossos lábios permaneceram encostados, mas senti como se faltasse um pedaço de mim quando nos afastamos. 

Ficamos nos encarando com os olhos arregalados até que ele decidiu falar. 
- Hm, você já tinha beijado alguém antes?
- Eu teria te contado. 
- Eu também teria te contado se eu tivesse beijado alguma menina, mas eu queria beijar você. - Tom encarava os pés e suas bochechas estavam bastante ruborizadas. 
- Eu... Também queria beijar você.
- Você gostou? - perguntou e eu balancei a cabeça indicando que sim. - Eu também. Posso... te beijar de novo? 
Sorri e eu mesma me aproximei para dar-lhe um beijo. Hm, a partir daí, deixei de ser "BVL" também...

Flashback off

- Depois nunca mais nos beijamos de novo. Nada tinha mudado. Continuamos muito amigos, e eu cada vez mais apaixonada. E ele me mandava vários sinais de que também gostava de mim. 


Flashback on 

- BELA, CHEGUEI! - o escutei gritar do andar de baixo. Segundos depois ele já estava entrando no meu quarto com o sorriso de sempre.
- E aí! - cumprimentei sem tirar os olhos do computador. 
- Tá fazendo o que? 
- Falando com, hm... o Max. 
- Max? Max Fielding, do sétimo B?
- É. - Confirmei e ele rolou os olhos.
- Odeio aquele cara. - Tom disse, se jogando na minha cama. - Pode parar de falar com ele pra me dar atenção, por favor?
- Tom... Tem uma coisa que eu preciso te contar...
- Fala.
- Eu... Bom, eu fiquei com o Max. - disparei.
- O QUE? COMO ASSIM?
- Não é pra tanto, Thomas. 
- Não é pra tanto?! Como não é pra tanto? Que droga, Bela!
- Por que está falando desse jeito?!
- Já é a segunda vez que você fica com um menino sem me avisar!
- Não é como se você fosse meu dono! Eu, hein! Até parece ciúme!
- E se for?
- O que? - pensei não ter ouvido direito...
- E se for ciúme?
- Eu, er... Eu...
- Vou pra casa. - Ele bufou, se levantando da cama e foi embora. Fiquei estática olhando para o lugar onde ele estava a segundos atrás. Como assim ciúme...?

Flashback off

- Isso foi acontecendo ao longo dos anos, até que eu fiz catorze. Nessa época eu já conhecia os meninos e eles já tinham a banda. Eu era completamente e cegamente apaixonada pelo Tom. Aí eu finalmente tomei a coragem de falar com ele. Poucas pessoas sabiam. Só uma prima minha, a minha mãe e a idiota da Maddie. A gente era amiga e um dia acabei falando sem querer. Enfim, eu liguei pra casa dele e a mãe dele atendeu.

Flashback on
- Alô.
- Oi... Sra. Fletcher?
- Sim.
- Posso falar com o Tom? É a Bela.
- Er... Isabela? Tom, vem falar com a Isabela! - escutei ela gritar -  Desculpe mas o Tom está ocupado disse que não quer te atender.

- N-não quer? Aconteceu alguma coisa?
- Não. Ele só está tentando ter um pouco de paz com a namorada. A Maddie. - Quase caí no chão de tão trêmula que minhas pernas ficaram. - Ele mandou avisar que já sabe da sua paixonite e disse que é melhor você superar, porque é muito idiota da sua parte gostar dele. Ele é só um colega e não quer ser mais que isso, então é melhor você sair desse seu mundinho da lua e voltar pra realidade, meu anjo. Ah, ele mandou um beijo pra sua mãe também.


Flashback off

- Eu me senti destruída. Cheguei a ficar doente naquela semana, aí não fui a aula. Depois de certo tempo, olhei meus e-mails, e isso foi o que me deixou pior. Ele havia mandado um texto bem escroto, dizendo o quanto ele me achava legal, mas que eu não passava de uma colega pra ele, e que ele tinha coisas mais importantes pra se preocupar, como a banda e a menina que ele gostava que era a Maddie, o que eu achei bem estranho porque eu nunca tinha escutado ele falar nada sobre a Meddie. Nesse mês, tive até que fazer algumas seções em um psicólogo porque eu me fechei completamente e não falava com mais ninguém no mundo, nem mesmo com a Sam, ou Lia ou ninguém na face da Terra. Não cheguei a ficar depressiva por isso, mas confesso que eu fiquei bem mal. Só que em um mês eu melhorei. Quer dizer... Voltei a falar com as pessoas. Tudo aconteceu muito rápido. Do nada, num desses Karaokês de bar que meu pai sempre me levava, eu fui descoberta por um cara que trabalhava numa gravadora, e aí, todo mundo gostou de mim e depois a tia Fern virou minha empresária e... Foi tão rápido que eu acho que foi o que me ajudou a superar todo o trauma que o Fletcher tinha causado na minha vida. Ninguém sabia. E nem ele parecia saber. Eu me afastei e ele simplesmente fingiu
não entender, acho que pela reputaçãozinha sagrada dele. Ficava me ligando mas eu ignorei tudo que vinha dele. Cartas, e-mails, recados e... Palavras. Eu o ignorei completamente naquele ano. Depois voltei a dirigir a palavra a ele, mas, meu Deus, ele me irrita muito se fazendo de desentendido! Muito! Como se ele não tivesse feito nada! Nesse último ano eu tava quase conseguindo suportar ele. As vezes eu até me esquecia do que ele tinha feito, sabe por quê? Porque um dia eu amei aquele garoto. Mas não o Fletcher nojento que ele se tornou. E sim o garoto doce, gentil, engraçado e educado que ele era. Por esse menininho fofo eu tinha vontade perdoar o Tom, só que sempre tinha um nó na minha garganta. Mas assim que eu acordei com aquele idiota me olhando com cara de bunda no hospital, uma raiva enorme voltou a tomar conta de mim, e assim que acordei hoje, depois daquele sonho ridículo, essa raiva só aumentou! Ele me fez passar momentos tão fofos... Me fez acreditar que ele sentia o mesmo por mim, pra depois me chutar de volta pra uma realidade nojenta... Eu não entendo Paul. Não entendo porque que ele finge que não sabe. Se ele quer minha amizade, por que não pediu desculpas?! Por que não me explica o que houve?! - eu finalmente terminei de falar, e senti uma lágrima teimosa escapar do meu olho. Não de raiva, mas de decepção. Eu nem tava com tanta vontade de chorar. Eu só me sentia... Traída. - Ele foi meu primeiro amor e jogou isso no lixo. Jogou meus sentimentos no lixo.
- Feelings were thrown away. - Paul falou com um quase-sorriso. Era o nome de uma música minha. Uma das primeiras, mas eu sempre tocava, porque fez bastante sucesso. Sim. Esse era o motivo da música. A minha história com o Tom. - Bela... Tudo muda. Tudo. O Tom não é mais o mesmo de quando ele tinha quatorze ou quinze anos. Ele mudou, e talvez agora queria sua amizade de volta.
- Ele não merece.
-Talvez uma reaproximação seja essencial pra você finalmente entender o que aconteceu, se é isso que você busca.
- Mas eu não sei se consigo.
- Consegue. Você consegue. Fará isso pelo menino doce que ele já foi, pra tentar trazê-lo de volta. Eu sei que você sente falta de uma amizade como a dele.
- Sinto. Sinto mesmo.
- Eu sei. E é por isso que você vai à luta. Não sofra, Bela, pelo que já foi. E o que já foi é o que nos dá forças para querer mudar, e transformar, e agir, e lutar por um futuro melhor. - Suas palavras adentraram o meu coração e chacoalharam minha mente. Suspirei profundamente e o olhei firme.
- Obrigada, Paul. - Eu disse sorrindo.


Deixei sua sala com o coração apertado e um friozinho na barriga. Agora era aula de Inglês e depois educação física, onde eu e ele nos encontraríamos. Ótimo.

Bela's POV off

Soph's POV

Confesso que agora eu tô com medo. Sim, medo, porque hoje o dia está sendo tão bom na faculdade que é impossível pensar que o dia no trabalho vai seguir esse 'caminho dos céus'.
Notas boas, elogios, aulas legais... Meu Deus. Pra compensar isso, a starbucks deve estar insuportável! Urgh!

Soph's POV off

A pesar de estar com o pé machucado, Bela nunca havia esperado tanto pela aula de educação física. Quando chegou no ginásio, sentou na arquibancada e seus olhos procuravam inquietos por ele.
- Procurando alguma coisa? - Breena interrompeu seus devaneios.
- Sim, o Fletcher. O viu em algum lugar?
- Ele está trocando de roupa no vestuário. - A menina respondeu prontamente e Bela franziu o cenho, "Nossa, como ela sabe disso?", depois deu um sorriso desengonçado.
- Er, brigada.
- E então, o que tem feito? - ela perguntou sorrindo, mas logo que viu Tom saindo do vestuário, a cutucou e apontou pro menino. - Quer que eu o chame aqui?
- Não! Não precisa, Breena! - Bela respondeu com um sorriso, já se levantando do banco com certa dificuldade. Caminhou devagar até o menino, que estava parado, encarando o nada com uma bola de basquete na mão, pensando exatamente nela.
- Er, oi. - ela disse e ele de assustou.
- Não me bate! - falou, se esquivando e ela gargalhou.
- Não, Fletcher, não vim te bater. Vim... Erm... Pedir desculpas. Eu não devia ter falado com você daquele jeito. Me desculpa.
- Hum. Isso é sério?
- É, ué.
- Desculpas aceitas. Mas posso entender da onde veio tanto ódio? - ele perguntou e Bela respirou fundo. "Meu Deus, isso é um teste de paciência e autocontrole?"
- Da onde? Não sei, provavelmente não veio do nada. Provavelmente não brotou da terra. Você devia saber. - falou, se policiando pra não parecer grosseira.
- Eu não te entendo, Bela. - Ele falou sincero.
- Também não te entendo, Fletcher. De verdade.
- Mas eu não entendo porque você não me entende. A gente parou de se falar por uma coisa, creio eu, tão boba e superficial...
- Boba? A gente parou de se falar por uma coisa boba? Definitivamente, você é um idiota. - ela lançou as palavras antes de virar as costas e sair marchando de volta para a arquibancada. Ele, por sua vez, assistiu a saída fatídica da menina sem entendê-la. "A Bela é bipolar. Só pode ser."

Soph's POV

De volta ao inferno. Acho que quando eu sair desse emprego, vou ter medo de entrar na starbucks de novo.
- SENHORITA HARRISON, JÁ FALEI QUE HOJE É O SEU DIA NO CAIXA, ENTÃO, VAI PRO CAIXA!
- Tá bom, já estou indo. - respondi com tédio. Tédio mesmo. Só tédio pra aguentar essa porcaria de trabalho.
- E aí, Sophia, encontrou a Bela Johnson hoje? - uma das atendentes implicou.
- Não.
- É claro que não! Ela nunca encontra, não é mesmo?! - A outra completou e eu rolei os olhos. Até que elas estavam pegando leve dessa vez. 

O dia estava sendo insuportavelmente normal. As meninas estavam me provocando e a chefe pegando no meu pé.
- Próximo. - eu disse, olhando pra baixo, como sempre. Percebi um silencio estranho, mas não quis levantar a cabeça e encarar o cliente. Eu estava com vontade de chorar. Não aguento mais essas provocaçõezinhas. Isso me faz sentir humilhada.
- Quero um Capuccino médio. - Não podia ser. Aquela voz não podia ser do...
- Dougie! - Exclamei olhando pra cima, encarando seu rosto. Ele sorria cordialmente e eu estava atônita, assim como todas as outras pessoas de lá. Dougie, Tom, Danny e Harry estavam lá, diante de mim!
- Oi, Soph! Tentei te ligar ontem só que você nem quis saber de mim. - ele disse, e era óbvio que estava fazendo para provoc
ar as meninas, que antes me provocavam.
- É, Soph! Não deixa a gente se não a gente fica com saudade! - Tom acrescentou e eu ainda não conseguia acreditar.
- Er... E-eu não pud-de atender, desculpa, meus bebês. - Falei e eles riram.
- Tá desculpada, chatinha. - Tom falou e Dougie puxou minha nuca, me dando um beijo na testa. - corei.
- Eu quero um chocolate quente. Pode anotar aí. - Danny disse apontando pra tela do computador e eu sorri, anotando seu pedido.
- Eu quero um cookie, e um café com leite. - Tom pediu e eu fiz o mesmo.

- Eu quero água. - O Harry disse e eu o olhei com uma careta.
- Porra, você vem na starbucks, a cafeteria sagrada, e pede água? - Tom falou indignado e eu gargalhei.
- Vou te obrigar a beber pelo menos um café. - Eu disse e ele riu.
- Tá, um café. Pode colocar meu nome de Britney.
- Britney? - perguntei rindo.
- Soph, como você ainda não percebeu que o Harry é travesti? Só você mesmo... - Danny falou e eu gargalhei de novo. Em seguida, vi o 'pedala' mais bem dado da história ser dado bem na nuca do coitado do Jones. Pelo Harry, é claro.
- Urgh! Essa doeu em mim! - resmunguei, confirmando os pedidos. Olhei sorrindo para as minhas tão queridas colegas de trabalho que não faziam questão de esconder aquela cara de bunda e espanto. 
Em dois segundos os pedidos dos meninos já estavam na mesa e eles se sentaram, conversaram e toda hora viravam pra falavam comigo, ou acenavam, ou me olhavam rindo. Mostravam a comida mastigada na boca, faziam careta... Enfim. De dois em dois minutos eu, felizmente, era perturbada por algum deles.
- Soph, a gente tem que ir. - Dougie disse, se aproximando do caixa. - Desculpa por não ter vindo antes. Falta de tempo.
- Tudo bem, Doug.
- Me liga quando sair daí? É que eu não sei que horas exatamente ligar. Você já me falou que sua chefe não gosta que você use o celular no expediente. 
- É. - sorri. O Doug é perfeito.
- Vamos logo, Don Juan! - Harry o apressou e ele deu um soco no seu ombro. - Nossa, Dougie. Tá precisando malhar. - rimos.
- Tchau, Soooooph! - Danny gritou, saindo da loja e todos acenaram sorridentes. Nossa, o ar ficou completamente rarefeito nessa hora. ELES SÃO PERFEITOS. MEU DEUS.
Lancei um super-mega-ultra-power-master-sorriso-vitorioso pra todas as filhas da puta (desculpem, mas é) das atendentes e elas engoliram a seco. 
- Então vo-você conhece mesmo os meninos do McFLY... - uma delas falou.
- E a Bela também. - Acrescentei.
- QUEM GARANTE? - Ela insistiu e eu soltei uma risada sarcástica.
- Para, Share. Melhor a gente acreditar na Sophia. Não vamos querer quebrar a cara de novo... - Molly falou e a idiota da Share calou a porra da boca. Posso falar? Eu to me sentindo demais!
- OLHA AQUI, NÃO QUERO VER BLABLABLÁ NÃO. TODO MUNDO TRABALHANDO. - A gerente disse e nós o fizemos. 
- Desculpa, Sophia. - Escutei Molly murmurar e sorri pra ela. As duas outras nem se pronunciaram, mas dane-se. Eu já estava me sentindo bem demais e nada podia abalar meu dia.

Soph's POV off

- EU SOU UMA IDIOTAAAAAAAAAA, EU SOU UMA IDIOTAAAAAA!
- Se acalma, Sam... - Bela afagava a cabeça da amiga em seu pescoço.
- SE ACALMA? SE ACALMA? NÃO É VOCÊ QUE É A OUTRA, A DEIXADA, A USADA! - Sam se esgoelava e chorava com um bebê.
- Você não foi usada, Sammy... Se acalma...
- EU SOU TÃO BURRA, EU SOU BURRA! UMA IDIOTA POR TER ACREDITADO NAQUELE IMBECIL! AQUELA PIRANHA, BISCATE DE QUINTA, FILHOTE DO DEMÔNIO, VACA MAGRELA DESPEITADA! EU ODEIO AQUELA MULHER! EU ODEIO A GEORGIA! O-DEI-O. TOMARA QUE ELA MORRA COM INFECÇÃO GENERALIZADA DEPOIS DE TER A PERNA COMIDA POR UMA CASCAVEL DA MESMA ESPÉCIE QUE ELA! - Bela não conseguiu segurar a gargalhada, e acabou levando um tapa na barriga. - NÃO RI NÃO, SUA VAGABUNDA.
- Sam, olha só, fica calma. Respira, conta até dez...
- NÃO ME MANDA CONTAR PORRA NENHUMA! EU TÔ ESTRESSADA ENTÃO ME DEIXA FALAR, QUE MERDA! É PRA VOCÊ CALAR A BOCA  E ME ESCUTAR ATÉ EU ME SENTIR BEM! SEJA UMA AMIGA DECENTE, PELO MENOS! QUE MERDA! PORQUE VOCÊ NÃO VAI TOMAR NO CÚ JUNTO COM A GEORGIA E COM O DANIEL, AÍ VOCÊS FAZEM UM MENAGE LÁ!
- Noooossa. Sam, pára com isso. Não to te reconhecendo. Até parece que você fica chorando pelos cantos por causa de homem. Você é muito melhor que isso, mulher! Vai à luta, eu hein! Rouba o Danny daquela vaca loira! Parte pra cima! - Sam fungou depois de ouvir tais palavras e limpou suas lágrimas.
- Quer saber? Você tem razão. Vou foder com a vida daquela ordinária. Daniel Jones será meu. Minha posse. Vai babar nos meus pés. - Bela sorriu, batendo palmas e quicando na cama, até que elas escutaram alguém bater na porta.
- EEEENTRA. - Bela falou e sua mãe entrou.
- Filha, já temos que ir. 
- Tá bom, mãe. Tô indo.
- Posso ir junto, Bela?
- Pode. 
- Então se arruma logo, Sam. Bela, empresta uma roupa pra ela. Melhor ela não ir de uniforme de escola, né. Mas vai rápido, hein. - Sue disse sorrindo e depois deixou o quarto.
- Ok, você vai me emprestar roupa e maquiagem por que eu não vou mesmo com essa cara de choro.
- Tá, você tem dois minutos, hein. Tô indo lá comer minha pêra.

Bela's POV

- E com vocês... BELA JOHNSON! - ouvi o apresentador chamar, e entrei com minha muleta super charmosa no palco. A platéia gritava realmente alto. 
Sabe, não sou do tipo que gosto de ficar sentadinha numa cadeira e cantar. Gosto de ficar correndo, dançando e pulando pelo palco, mas eu não tinha escolha com o pé daquele jeito.
Sentei na cadeirinha, no meio do palco e comecei a cantar versões acústicas das músicas. Foram quatro, depois uma entrevista.
- ...E foi por isso que vomitei quatro vezes em cima do Steve. - todos gargalhavam
- Ai, Bela... Só você. Mas, mudando de assunto, como vão os amigos íntimos? Todo mundo sabe o quanto você é ligada a eles.
- É, sou mesmo. Meus amigos são realmente muito especiais. Bom, eles vão muito bem.
- Bela, você é umas das poucas jovens estrelas, além do McFLY, que não abriram mão de estudar na escola. Porque isso? Como é lá?
- Eu realmente adoro a minha escola, e lá é muito tranquilo. As pessoas são legais e me tratam normalmente, por isso gosto tanto. Como nunca precisei me afastar daquelas pessoas, eu decidi simplesmente continuar lá, e me dou muito bem com essa decisão. 
- Isso deve ser realmente muito bom. E como é estudar com o McFLY?
- É... Er, ótimo. Danny, Doug, Harry e... Tom são demais. É realmente ótimo. Com certeza, é bem mais fácil com eles lá. - eu disse rindo.
- E a vida amorosa? Soubemos de rumores envolvendo Tom Fletcher e Jason Cooper!
- Oh, não! Continuo solteira! - ri - Eu e Jay somos só colegas de trabalho, e ele é um cara muito legal, mas somos só amigos mesmo! Eu sei que vazaram umas fotos de nós dois nos beijando, mas aquilo foi no set de filmagem! Era uma cena do filme que acabou sendo cortada. - informei bem humorada - E, bom, quanto ao Tom, ele também é só meu amigo!  - sorri e a plateia fez qualquer tipo de som que eu fiquei sem paciência pra decodificar.
(...)

EU-ESTOU-MORTA. Como é cansativo tudo isso. Eu quero dormir uma semana. Não sei se é porque tô muito tempo afastada, mas hoje foi bem cansativo. Parece que eu acabei de sair de um show.

A semana passou voando. Voando mesmo. Quando vi, já era sábado. Dia de tirar esse treco do meu pé, e voltar às atividades. Eu e Tom... Bom, não nos falamos muito, mas digamos que eu não tenho estado tão mal com ele.
Sophia está radiante; Thalia, doente; Sam, irritada; Flor, sumida; e eu, na mesma. Danny e Georgia estavam firmes e fortes, mas a imprensa ainda não tinha total conhecimento sobre a volta do casal. Harry dava super em cima da Lia, cheio de chamegos, presentinhos, visitinhas... Mas ela jurava que não tinha nada disso e que ele só estava sendo atencioso.
Sophia estava encantada com o Doug. Não apaixonada, mas encantada. Ele sempre ia lá na starbucks visitá-la e eu me sentia completamente culpada por não ter tido muito tempo pra passar lá na hora do expediente dela. Que tipo de amiga eu era? Cruzes. Pelo visto, acho que o sentimento dos dois era bem recíproco... Já até sei onde isso vai dar. 
Tô louca pra nossa reuniãozinha particular de hoje.. Huhuhuhu, vamos colocar os assuntos em dia. Finalmente. Ai, ai... Nada como uma noite com as minha melhores amigas. Só tava faltando a Flor, mas aquela vaca vai pro Alasca e não dá sinal de vida...

Bela's POV off




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