Part 6

[Bela's narrative mode on]

Hoje era Sábado e amanhã eu estaria voltando para Londres.
Os dias foram difíceis. Muito difíceis. Chorei bastante, comi mais que o normal, ignorei o computador... Principalmente depois do episódio de terça...

Flashback on ( Terça-feira, quatro dias atrás)

Entrei no computador pra ver se dava uma relaxada. Eu não aguentava mais chorar. Tinha que me distrair de alguma maneira.
- NÃO ENTRA NO COMPUTADOR, BELA. - Sam gritou.
- Por que não?
- Porque... Porque...
- Porque tem coisas que você não vai gostar de ver. - Lia falou.
- Eu quero ver.
- Você não vai gostar, Bela... - Soph alertou.
Ignorei completamente e entrei. 
Pois é, elas tinham toda razão. Eu odiei ver aquilo. O choro voltou, óbvio.
Eram fotos minhas com o Tom. Fotos de ontem, o dia do trágico fim de nosso romance.
Fotos minhas andando ao lado dele, rindo juntos, dele colocando a bandeja de comida na minha frente e sentando ao meu lado... Muitas fotos.
"Bela Johnson e Tom Fletcher: juntos?"
Era o título da pequena matéria do mesmo blog que explanou pro mundo sobre minha correntinha. Moregossip.
"O casal foi visto em vários momentos de afeto - inclusive um beijo muito perto da boca foi fotografado por nossas câmeras - num passeio entre amigos ao Shopping Center de Southend-on-Sea. Não se sabe se os dois estão mesmo namorando, mas ambos usavam uma aliança no dedo anelar da mão direita. Seria um anel de compromisso ou apenas uma coincidência? 
Mas não é só isso. Bela Johnson e Tom Fletcher foram flagrados, no dia anterior, saindo de um PUB famoso na cidade (Greg McGueen), que foi fechado para a comemoração do aniversário de dezoito anos da cantora. Durante parte do curto trajeto do estabelecimento ao condomínio Rivers, o casal caminhou abraçado. As desconfianças de que os dois estão namorando não são de hoje, mas vêm sendo fortalecidas de uns tempo pra cá. 
Além de tudo isso, fontes seguras de pessoas que estiveram na festa informam que, durante a comemoração, Bela e Tom estavam sempre juntos e alguns disseram ainda que o casal trocou beijos depois de Fletcher ter cantado uma música feita exclusivamente para ela.
Será que temos um solteiro a menos no McFLY? Tudo indica que sim.
Fiquem atentos ao próximo post!
Beijinhos, Z."

Flashback off


Pra mim, as coisas estavam piores que nunca. Como agora sou mais madura que da última vez que essa tragédia grega aconteceu, eu não parei de viver e de falar com o mundo. Eu até que estou bem, na medida do possível.
Só tô me sentindo uma otária, idiota, completamente decepcionada, com um aperto estranho no coração e uma sensação de que estou sufocada, um pouco sem perspectivas e morrendo de medo porque minhas férias de trabalho estão acabando, mas fora isso, eu tô bem.


- Bela, o Danny ligou. Falou que seu presente de aniversário chegou, ele disse que você vai amar. - Sam entrou no meu quarto acompanhada por Soph.
- Vocês sabem o que é?
- Sabemos. E é bem capaz de eu roubar pra mim. - Soph disse.
- Com certeza, eu vou pegar emprestado toda hora.
- Ok, estou ficando curiosa. Onde está?
- Na casa do Fletcher. - Soph respondeu sem titubear, depois suspirou pesadamente.
- Ok, alguém vai trazer isso aqui pra mim, né?
- A Lia e a Flor foram buscar. - Sam respondeu. - O Danny vem junto.
- Que bom. - me aconcheguei na cama e virei a página do livro que eu lia. Então comecei a chorar. Eu sei, estranho e dramático, mas eu sinto essa vontade toda hora (literalmente. Eu tenho chorado de hora em hora, quase.)...


Tom's POV


Os dias foram difíceis. Muito difíceis. Eu não sabia mais o que fazer pra essa sensação esquisita passar. Nunca estive tão frustrado.
Sério.
Porque eu fui completamente injustiçado. Não foi culpa minha. Eu não fiz nada de errado. Pelo menos não dessa vez. Da primeira vez que isso aconteceu, eu também não sei exatamente qual foi minha culpa, mas parece que todo mundo sabe...


- E aí, cara? - Harry entrou no quarto junto com o Dougie - Melhor?
- Não.
- Tem como a gente conversar? - Harry perguntou. Dougie apenas sentou na poltrona e me olhou sério. - Numa boa.
Dei de ombros.
- A gente só queria entender porquê você fez isso com ela. 
- Fiz o que? - perguntei um pouco irritado.
- Por que você pediu pra ficar com a Maddie? Porque isso não entra na nossa cabeça. A gente sabe que você gosta muito da Bela, e isso não parece fazer sentido.
- NÃO FAZ SENTIDO. Eu não pedi pra ficar com aquela garota, puta que pariu, pra que eu iria pedir pra ficar com ela?! PRA QUE? Não fazia o menor sentido naquele contexto, E MESMO SE NÃO TIVESSE NAQUELE CONTEXTO, NÃO FARIA SENTIDO!
- Eu sei, cara, não precisa se exaltar...- Harry disse.
- A gente tá aqui só pra entender. - Dougie finalmente falou.
- Eu não acreditei quando a Lia me contou o que tinha acontecido. Não entrou na minha cabeça até hoje. O que aconteceu, cara? Me explica.
- A Bela tinha meio que ficado cercada por todas aquelas fãs, aí a Maddie me puxou e, porra, eu acho que foi tudo armado... Ela entrou numa esquina, perto da loja e ficou me enrolando, aí eu lembro que o celular dela vibrou e ela começou a falar alto: 'ah, eu não quero ficar com você, Tom, para de implorar, você sabe que eu gosto de você', aí ela me beijou só quando a Bela apareceu... Só que ela nem me beijou direito, já que eu a segurei antes, mas pareceu que eu impedi só porque a Bela tinha visto. Aí a Maddie ficou colocando lenha na fogueira, dizendo que eu era idiota e tinha feito isso porque a Bela apareceu... - controlei minha vontade de chorar e esmurrar tudo que estava ao meu redor.
- Que filha da puta... - Dougie comentou.
- Por que você não disse isso pra Bela?! - Harry perguntou indignado.
- E eu tive chance?
- Por que você não disse isso pra gente, que a gente falava pra ela?!
- Eu não queria falar com ninguém, porra!
- Tá bom, tá bom. - ele disse. - Agora a gente tem que contar isso pra ela.
- Tom... - Dougie chamou. - Eu tenho uma má notícia... Não sei se você já sabe, mas eu acho que não, porque você só ficou aí trancado nesse quarto... Mas... A Maddie... Ela tá hospedada aqui na sua casa.
- Ela que se foda.... - Dei de ombros. - Pior pra ela. E quando saírem, fechem a porta.
Os dois assentiram e se levantaram.
- A gente vai resolver isso, tá, Tom? Você não teve culpa. Vai ficar tudo bem. - Harry falou com uma leve cara de pesar e eu assenti friamente com a cabeça.


Tom's POV off


Harry's POV


Descemos as escadas e encontramos Danny, Lia e Flor no jardim, embrulhando o presente da Bela com cuidado.
- Cuidado, Danny! - Lia gritou. - Se quebrar alguma, vai ficar feio! 
- Elas são emborrachadas, Lia... - Flor falou, apertando uma das lâmpadas.
- São? - Lia perguntou, se aproximando pra checar.
- São, e acendem com pilha. - Danny disse.
- Isso eu já imaginava, né...
A abracei por trás beijando seu pescoço e ela se virou. Passou os braços ao redor do meu pescoço e me beijou decentemente até a Flor gritar:
- ECA, DA PRA VER A LÍNGUA DE VOCÊS MEXENDO. 
Rimos e eu dei mais um selinho nela.
- Preciso falar com vocês. - Eu disse. - É importante, sobre o Tom e a Bela. É a versão do Tom dos fatos, e garanto que é a versão verdadeira. Não faria sentido se não fosse.
- O Tom é um idiota. Bem capaz dele estar mentindo... - Lia comentou com acidez.
- Ele não é um idiota e ele não está mentindo. Pelo contrário, está sendo prejudicado injustamente.
- É verdade. - Dougie murmurou.
Ela rolou os olhos.
- Desembuxa. - pediu, toda mandona (isso me excita).
- Ok. 
 Respirei fundo e contei tudo. 


- Mas... - Lia pareceu pensar. - Mas porque ele 'nunca' - imitou minha intensidade ao falar tal palavra - ficaria com a Maddie? Ele já humilhou a Bela no passado pra ficar com ela... - Ela falou.
- Ahn? - eu, Danny e Dougie resmungamos ao mesmo tempo.
- De onde você tirou isso? - Danny perguntou tão incrédulo quanto eu e Doug.
- Ué, a Bela contou. - Flor falou. - Esse é o motivo dela ter se afastado dele... O telefonema da Sra. Fletcher, o e-mail...
- Ahn? - repetimos o som.
- Que telefonema da Sra. Fletcher? Que e-mail? - Dessa vez, eu perguntei.
- Vai falar que o não-tão-babaca-mas-ainda-sim-babaca do Thomas não contou isso pra vocês...? - Lia perguntou.
- Não, nós não sabemos dessa história... - Eu disse.
- E acho que nem ele sabe. - Dougie adicionou.
- Vocês não sabiam que a Sra. Fletcher ligou pra ela e depois ele mandou um e-mail? - Flor perguntou e nós balançamos a cabeça negativamente. - Vou contar. Um belo dia a Bela ligou pra casa dele aí a Sra. Fletcher atendeu e disse que o Tom não queria falar com ela porque ele tava cheio de amores lá com a Maddie e que ele já sabia da paixonite dela por ele e tal...
- E como se não bastasse - Lia continuou - Ele mandou um e-mail dizendo que ela era muito legal e tudo mais, mas ele tinha coisas mais importantes a se preocupar como a banda e o amor da vida dele que era a Maddie e blábláblá. A garota ficou arrasada, ela era doida por ele em todos os sentidos possíveis...
- Tá... - eu disse quase rindo. - Isso é a maior mentira da história.
- Não tem como isso ter acontecido. - Dougie disse. - Ele gostava dela, nunca iria fazer isso...
- o Tom era louco por ela, como todo mundo já disse duas mil vezes. E ele não gostava de namorar com a Maddie. Quando a gente se juntava pra zoá-la, ele era o pior de todos com a coitada. Coitada não, filha da puta. - me corrigi. - E o Tom só começou a namorar com a Maddie porque a mãe dele quase obrigou, e foi depois da Bela ter parado de falar com ele. Antes eles só tinham ficado, e a Bela sabia disso.
- Claro que não! Na ligação, a mãe dele disse que os dois já estavam namorando! - Flor retrucou.
- Mas o fato é que eles não estavam. - afirmei. - E ele NUNCA em sã consciência iria mandar um e-mail desses, porque seria totalmente mentira, além disso o Tom nunca usava o e-mail dele. Pra nada. Tanto que a gente mandava vários e-mails pra ele e ele nunca via nenhum. o Fletcher não devia nem saber a senha do e-mail, pelo amor de Deus...
- É verdade. Isso é verdade. - Danny afirmou com a cabeça, convicto.
- Gente, pera aí... - Lá vai a minha namorada Sherlock Holmes. - Acompanhem meu raciocínio: A mãe dele não gosta da Bela. A mãe dele foi quem ligou pra Bela dizendo que Maddie e ele namoravam. A mãe dele os forçou a namorar. A mãe dele é super amiga da Maddie... A mãe dele é no mínimo suspeita nessa história toda, não acham?
- Cara, a Sra. Fletcher é muito legal e tal, mas ela tem seus momentos loucos... - Danny filosofou. - Vocês acham que é tudo culpa dela?
- A Maddie também tem sua parcela de culpa, nesse caso, né? - falei.
- Não acredito que uma mãe é capaz de fazer isso com o filho... - Flor disse. - Mas gente, sejam espertos... - ela deu uma risadinha. - É óbvio que tudo que aconteceu foi culpa dela, né. É só ligar os fatos.
- Não gosto mais da Sra. Fletcher. - Falei.
- E o que a gente faz? - Dougie quastionou. 
- Primeiro: por mais que tudo indique que sim, é melhor a gente se certificar antes de sair dizendo que foi a senhora Fletcher quem bagunçou tudo. Pra isso a gente precisa do Tom. Ele vai ter que falar com ela. E eu quero pedir desculpas pra ele. - Lia disse.
- Certo, vamos lá falar com ele. - disse.


Harry's POV off


Tom's POV


Bateram a porta e eu hesitei antes de murmurar 'entra'. Não sabia se queria falar com alguém...
- Tom? - A voz da Flor invadiu o quarto e eu olhei curioso. Além dela, estavam o resto dos meninos e a Lia. Todos com caras alarmadas. - A gente tem uma coisa importante pra te falar.
- Acho que a gente acabou de entender porquê que a Bela parou de falar com você naquela época. - Danny disse.
Meu coração acelerou e eu me ajeitei na cama, completamente interessado.
- Tom, a gente acha que foi sua mãe. - Lia proclamou.
- O QUE?!
Elas me contaram a versão da Bela dos fatos e eu arregalava os olhos com cada palavra proferida.
- Eu não mandei e-mail nenhum e eu não sabia da existência desse telefonema. - Falei, meio em choque.
- Eu sei. - Ela disse.
- Eu vou falar com a minha mãe. - Me levantei irritado e caminhei a passos largos até a cozinha. 


Lá estava ela, conversando com a Maddie. As duas riam.
- MÃE. - Falei firme e alto.
- Tom! Finalmente saiu da toca! 
- COMO VOCÊ PÔDE? - Ela engoliu seco.
- Filho, eu...
- NÃO TEM NENHUMA EXPLICAÇÃO PRA O QUE VOCÊ FEZ. SABIA QUE VOCÊ DESTRUIU A PORRA DA MINHA VIDA?
- Não seja tão melodramá...
- Não estou sendo. - a interrompi - Estou sendo completamente sincero. - sorri ironicamente. - Eu não consigo acreditar que você fez isso comigo, mãe. Você sabia que a Bela gostava de mim e não me falou nada, E ERA BEM CAPAZ DE SABER QUE EU TAMBÉM GOSTAVA DELA. POR QUE VOCÊ FEZ ISSO, O QUE VOCÊ IRIA GANHAR EM TROCA?!
- VOCÊ! EU IRIA GANHAR VOCÊ EM TROCA- Ela gritou.
- O que?! Mãe, qual é o seu problema?!
- ELA, THOMAS. A ISABELA É MEU PROBLEMA. Desde pequeno você sempre foi agarrado comigo até ela chegar! Aí acabou. Eu era segundo plano pra você. Tudo ela, tudo ela, Isabela aqui, Isabela lá... Não morava mais em casa, passava o dia todo na rua com ela, na casa dela, só vinha pra dormir. Mal falava comigo... A melhor época da minha vida foi quando vocês brigaram que eu pude te ter de volta, filho... Aí você me vem com a notícia de que está namorando-a, E AINDA ME DIZ QUE A AMA MAIS QUE TUDO. QUE A AMA MAIS QUE A MIM! - Gritou chorando. 
Eu estava horrorizado. Maddie, calada no canto. Tudo em completo silêncio. Não conseguia acreditar que esse era o motivo de toda a desgraça da minha vida. Ciúmes de mãe. Um ciúme doentio.
- Você foi completamente cruel, mãe. Você foi... Louca. Você não se importou comigo, apenas com seu ciúme idiota de uma pessoa que não tinha como competir com você. Até parece que você nunca foi filha. Não sabe o que um filho sente por uma mãe? É óbvio que eu te amo mãe, mas são amores completamente diferentes. Você ama meu pai do mesmo jeito que me ama, por algum acaso? Não, não responda, porque eu não sei mais se você me ama... Depois de ter feito o que fez, não acredito que você sinta amor por mim. A Bela sofreu sem ter culpa de nada, eu sofri sem ter culpa de nada... Apenas pra você se sentir... confortável. Eu não acredito no que você foi capaz de fazer, mãe. E nunca mais vou conseguir te perdoar ou confiar em você. Parabéns, você conseguiu o que sempre temeu: ser repelida por mim. E a culpa é toda sua. - me virei escutando seu choro e quando estava prestes a sair da cozinha, a olhei novamente. - Só pra saber... Você tem alguma coisa a ver com o acontecimento no shopping?
Ela chorou mais e balançou a cabeça indicando que sim.
- Mandei a Maddie ir pra lá... - Ela disse chorando e tremendo. 
- Você é... - apesar de se passarem as PIORES palavras na minha mente, eu ainda tinha que respeitá-la. Ela ainda era minha mãe. Não queria dizer nada pra me arrepender depois... - Digna de pena. - Disse e deixei a cozinha dando de cara com meus amigos de olhos arregalados e a Carrie chorando.
- Tom... - ela disse, limpando as lágrimas. - Eu que descobri a senha do seu e-mail pra mamãe naquela época! Me desculpa, por favor! Me desculpa, eu não sabia o que estava fazendo! Se soubesse, juro que não teria feito nada! Eu gosto da Bela e...
- Tudo bem. - a abracei. - Você não tem culpa, ninguém tem.
Senti alguém me abraçando por trás e era a Lia. Depois a Flor se juntou ao abraço.
- Tom, desculpa mesmo... Desculpa por tudo que eu disse... Foi um grande mal entendido e você é tudo, menos babaca. Eu sempre soube que aquele Tom que eu pensei ser você não combinava com a sua aura e com o Tom super fofo, meigo, engraçado e meio nerd que eu conheci. - Flor disse.
- Me desculpa também. Eu sempre desconfiei que alguém como você não fosse capaz de fazer essas coisas. Você é o cara mais fofo do planeta, Fletcher! No fundo, eu sabia que tinha algo errado...
- GENTE. - Harry falou. - Vamos, por favor, pra casa da Bela? O Danny tem um presente a entregar e nós temos que terminar de resolver esse problema.
- É! - Danny concordou.


Tom's POV off


Sam's POV 


Esses últimos dias não foram difíceis só pra Bela e pro idiota-imbecil-cachorro do Tom. Foi difícil para todos nós, especialmente para mim.


Eu e Danny não estávamos nada bem. Eu ainda me sentia uma burra por ter feito o que fiz e tudo mais, e as coisas só pioravam quando via que o Danny estava meio... indiferente. Quero dizer, aparentemente, ele havia me perdoado e até falava comigo, mas sua distância me incomodava tanto...
Parecia que ele não gostava mais de mim, e isso assustava bastante. Pior do que sua raiva, nesse caso, é seu descaso.
Por isso, eu andava meio deprimida. 


A campainha da casa dos Johnson tocou e a empregada foi atender. A gente sabia quem era pois minutos antes a Lia mandou uma mensagem meio esquisita, exatamente assim:
" estamos chegando aí. aviso logo que vamos dar uma sacudida no planeta terra. me aguardeeeem! Xx "


Eu e Bela estávamos jogando dama e eu tava perdendo enquanto Soph estava pintando a unha do pé dela de verde-catarro. Tava ficando bem estranho, mas essa era intenção.
Bateram na porta e Bela gritou 'entra'.
- OI, FLOWER DO MEU JARDIM. - Lia entrou sorridente, abraçando-a. - OI, OUTRA FLOWER DO MEU JARDIM. - Me abraçou.- Oi, esquisita. - disse com cara de nojo para a Soph, que fez a mesma cara e elas deram uma abraço engraçado. - Vamos lá embaixo ver seu presente que você vai amar. - ela disse pra Bela, que levantou num pulo.


Desceu correndo as escadas (não caiu, é importante dizer) e foi para a parte da frente da casa, vendo uma caixa ENORME (sem exageros). Eu sorri. Já sabia o que era.
- Deus, o que é isso?! - ela andou, receosa, até a caixa. 
- Vou te ajudar a abrir porque senão você pode abrir do jeito errado. - Danny falou tirando o laçarote vermelho de cima da caixa, e logo depois abrindo-a. Na verdade, ele desmontou a caixa que virou só um pedaço enorme de papelão no chão e Bela levou as mãos a boca.
- NÃO ACREDITO, JONES. NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ME DEU ISSO (#). NÃO ACREDITOOOOO! - ela pulou no colo dele, dando-lhe um abraço de coala. - ONDE VOCÊ ACHOU ESSA BODEGA?
- Internet! 
- Meu Deus, mas...
- Vou te explicar. Uma vez escutei você dizer: 'ah, eu não ando de bicicleta há muito tempo e sinto tanta saudade de andar... só não ando porque não tenho uma e sempre esqueço de comprar'. Aí, eu também sabia que você gosta de pisca-pisca, luzes e essas coisas, então, quando vi isso na internet, eu simplesmente pensei que seria um bom presente.
- UM ÓTIMO PRESENTE! - Ela o corrigiu. - EU AMEI! A-MEI! MEU DEUS!


Enquanto ela tinha um momento de amor com a bicicleta dela e com o Danny, olhei para o lado e vi que Lia, Flor e Soph coxixavam alguma coisa. Me aproximei.
- O que vocês estão conversando aí?
- Ah, não vou falar tudo de novo não... - Lia reclamou e eu rolei os olhos. QUE SACO, odeio isso. 
- Tá bom, então. - disse, impaciente.
- Calma, Sam, não fica bravinha. Você vai saber daqui a dez segundos. - Soph disse.
- Saber o que?
- Tudo. - as três falaram juntas.
E então, olhei pro lado e vi Tom saindo do carro. MAS O QUE AQUELE MERDA ESTAVA FAZENDO AQUI?


Sam's POV off


Escutei a porta do carro batendo e olhei. Não acreditei quando vi quem saía de lá. Tom, Dougie e Harry. Os três de óculos escuros tentando disfarçar, em vão, as feições tensas. Mas que porra era aquela? Tavam querendo brincar comigo? Porque isso não tem graça! Não mesmo.
Se só em falar nele, eu sentia vontade de chorar, imagina em vê-lo. Quando a primeira lágrima saiu, eu me dei conta do papel ridículo que ia fazer se começasse a chorar ali, então virei as costas e saí calmamente em direção a casa. Assim que cruzei a entrada senti uma mão me segurar e vi que era a Soph.
- Bela, não vai, a gente tem que conversar. Principalmente vocês dois.
- Eu. Não. Vou. Conversar. - Falei pausadamente e, com certeza, fiz a maior cara de exterminador do futuro.
- Ok, se não vai por bem, vai por mau. - Lia falou.
- Olha, que porra é essa? - o sangue subiu a minha cabeça. - O que deu em vocês? Até hoje de manhã vocês estavam sendo as melhores amigas do mundo.
- Até hoje de manhã a gente não sabia que o Tom não tem culpa de nada. - Flor falou.
- E quando ela diz 'nada', que dizer 'nada' mesmo, incluindo as mazelas passadas.
- Do que vocês estão falando? - Sam tirou as palavras da minha boca, quase tão confusa e incrédula quanto eu.
- Bela - Ele entrou na sala, tirando o óculos. Sua expressão era de aflição. - Por favor, você tem que me escutar.
Todos me olharam como se me mandassem consentir. Respirei fundo e meio relutante falei:
- Você tem dois minutos.
- Dois minutos?! - ele reclamou.
- Um e cinquenta e sete. - falei olhando pro relógio.
- Beleza. Tudo que aconteceu entre nós foi uma plano maligno da minha mãe e eu não beijei a Maddie, nem pedi pra ficar com ela, foi tudo uma armação muito escrota das duas pra que desse a entender exatamente o que você entendeu... E eu também não sabia daquela ligação e nem do e-mail. Minha mãe estava com ciúmes da minha obsessão por você, por isso inventou tudo aquilo. E todos estão aqui pra provar que eu não sabia de nada e nem fiz nada, eu fui vítima das merdas da minha mãe assim como você. - Ele falou rápido mas foi completamente claro.
- Ahn...? - foi só o que saiu da minha boca. Olhei pra todo mundo, não sabendo o que pensar. Quando meus olhos se encontraram com os da Flor ela meio que sorriu como se fosse pra me mostrar que aquilo era verdade.
- É sério Bela. - Tom assegurou.
- Fala alguma coisa! - Soph suplicou aflita.
- Eu... Eu... n-não s-e-ei... - Não consegui terminar o que eu queria falar. Apenas virei as costas e subi correndo até meu quarto. Escutei Tom soltar um suspiro e um 'puta merda' bem baixinho, mas nada que viesse dele escaparia dos meus ouvidos.
Assim que adentrei o quarto senti uma presença atras de min. Essa presença eram minhas amigas. Todas elas.
- Ah, qual é, Bela, até eu acreditei. - Sam disse. - E tô cheia de remorso por ter tratado o coitado tão mal.
- Bela, é verdade! Tudo que ele falou é verdade! - Flor afirmou com convicção e eu continuava andando de um lado pro outro do quarto, vasculhando minhas coisas, nervosa.
- Isabela Johnson, se você não descer agora e voltar com ele, eu faço isso por você, escutou?! - Lia advertiu, se colocando na minha frente. A olhei irritada.
- BELA! - Soph gritou, reprovando meu olhar. - Coitado do garoto! Ele não merece isso, sabia?! Se você ficou tão mal por tudo que passou, imagina ele, que não teve culpa e ainda sofreu as consequências?!
- E você não é desses dramas! Por que tá de cuzinho doce agora?! - Sam também se exaltou.
- Porra. - Falei por fim. - Quem disse que eu tô de cu doce e fazendo drama?! Eu tô aqui deseperada, procurando a droga da aliança que eu não sei onde eu enfiei e vocês estão que nem umas poias me atrapalhando! - esbravejei e elas sorriram abertamente e me agarraram.
Também sorri e comecei a chorar loucamente. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. Parecia que um peso ENORME, uma frustração que me acompanhou durante anos, estava simplesmente me deixando e a felicidade tomou conta de mim de um jeito tão completo e entorpecente que tive que derramar mais lágrimas.
- PARA DE CHORAR E PROCURA A ALIANÇA, CACETE! - Sam gritou e todo mundo se desfez do abraço pra me ajudar a procurar. Reviramos tudo, TUDO mesmo. E foi tão rápido, mas tão rápido que parecia que um bando de babuínos vândalos tinham atacado meu quarto. O foda - desculpe o vocabulário mas estou muito feliz e aí começo a falar vários palavrões - é que a gente não achou a alianç...
- JÁ SEI! - saí correndo do quarto igual a uma gazela assustada, desci as escadas com um puta-medo de rolar tudo, passei pelos meninos que estavam com cara de 'wtf?!' e continuei meu trajeto apressado até o escritório do meu pai. As vadias vieram atrás pra me ajudar, mas não foi necessário. Eu sabia exatamente onde ela estava.
- ACHEI! ACHEI! - vibrei, então elas começaram a pular envolta de mim, e eu pulei junto com elas, que nem uma manada de malucas.
- Gente, o Tom tá lá com uma cara de interrogação, achando que a gente tá brincando de pique-pega enquanto ele sofre pela namorada que supostamente não o quer, então, vamos fazer o favor de ir pra lá?! - Flor disse meio mandona e todas nós concordamos.
- Ai, acho que tô nervosa.
- Ih, relaxa aí, mano. - Soph deu dois tapinhas camaradas nas minhas costas e me mandou um sorriso truta.
- Vocês vão na frente pra preparar minha entrada de efeito. Eu vou daqui a alguns segundos, depois de treinar uma cara sofrida. Vai, vai! - Sussurrei e elas riram, indo na frente. - Faz cara de sofrida também, hein, gente! Só pra dar um clima! - elas sussurraram um 'ok' e foram pra sala.
Treinei minha cara (juro, eu fiz isso), respirei fundo e tomei meu caminho em direção a sala. Só que no finalzinho do corredor, eu me achei tão ridícula, e aquela cena toda tão engraçada que a vontade de rir me atacou e eu já tive que ficar prendendo. 

Entrei e vi minhas amigas em silêncio com cara de cu, os meninos nervosos e o Tom meio desesperado.
Quando meu olhar se encontrou com o da Lia, não me aguentei. Desculpa aí, mas tive que gargalhar. MAS A CULPA FOI DA LIA, QUE ME OLHOU PRENDENDO O RISO!
Todas nós caímos na gargalhada e ninguém entendeu nada. Danny começou a rir, eu e Soph tentamos falar alguma coisa, mas riamos demais.
- Você estragou tudo! - gritei, rindo, pra Lia.
- Você que me olhou rindo! - ela se defendeu.
- Eu não tava rindo, cacete!
- Você é podre, Bela, po-dre! - Sam falou, também rindo.
- Danny, você entendeu alguma coisa? - escutei Dougie perguntar.
- Não!
- Então por que tá rindo?! - Harry foi quem perguntou dessa vez.
- Porque todo mundo começou a rir. - ele deu de ombros, aí eu ri mais um pouco e me taquei no sofá.
Minutos depois...
- Bela, tô ficando com pena do Tom... - Flor falou rindo, mas com uma cara de dó.
- Ah, é! - que merda! Tinha esquecido! Tadinho, deve estar entendo bulhufas. Respirei fundo me recuperando da crise, levantei do sofá o olhei e sorri. Ele automaticamente riu junto.
- Eu amo você. - disse sorrindo. Ele alargou o sorriso e veio andando todo bobo em minha direção e eu fiz o mesmo. Pulei desajeitadamente nele, dando-lhe um abraço de coala.
- Desculpa por tudo... - sussurrei - Por não ter te escutado desde o início, a gente não precisava ter passado por isso.
- Me desculpa também, Bela, por tudo que teoricamente eu te fiz passar e pela louca da minha mãe e da Maddie.
- Mesmo você não tendo nenhuma culpa, eu te desculpo porque sou boazinha, tá?
- Tá bom, sorte a minha. - ele deu uma risadinha e nós escutamos uma fungada e um soluço. Olhamos pro sofá onde todos estavam amontoados e eu tive que rir.
Lia agarrada no Harry, com um sorriso quase maternal e apaixonado e com uma cara de idiota igual a do namorado. Soph, agarrada no Dougie com o cenho franzido e uma expressão que parecia ser de tristeza, mas eu sabia que era, na verdade, de 'oooown', enquanto ele apenas sorria. Flor tava no meio, abraçando o joelho com a mesma expressão que a da Soph, mas seus olhos estavam cheios d'água. Danny sorria homossexualmente e estava inacreditavelmente sendo agarrado pela Sam que chorava rios e rios, como se alguém tivesse morrido dilacerado por um serial killer canibalesco na frente dela.
Tom riu alto.
- O que é isso? - minha mãe perguntou, entrando em casa, com uma cara de riso. Também,  né, todo mundo amontoado em apenas um sofá, de frente pra mim e pro Tom, sendo que eu estava pendurada nele que nem uma mochila... - Já voltou com o Linduxo? - ela nos perguntou.
- Já! - eu respondi sorrindo e o apertando mais.
- Ah, que bom. Não aguentava mais aquela depressão.
- Mentira,  o que você não aguenta é a gente nessa casa todo dia. - Lia disse rindo.
- Na verdade mesmo, meu bolso é que não aguentava mais sorvete! - Minha mãe falou colocando o sobretudo no descanso ao lado da porta e indo até a escada. - Era UM POTE POR DIA! Acredita?!
- Não é difícil de acreditar... - Tom respondeu e eu dei um tapa nas suas costas.
- Um por dia nada. - me defendi.
- É sim. - Soph disse.
- Vocês são exageradas. Foi só um dia que eu comi um intero, porque foi o dia que a gente viu filme e filme me dá fome.
- Hum. -  minha mãe murmurou meio desconfiada e depois riu. - Fico feliz pelos dois. Tava muito cedo pra brigar. Esses adolescentes de hoje... - ela foi resmungando escada acima e a gente riu.
- Agora vocês já podem me explicar dessa história toda direito. - ordenei, me despendurando do Tom e eles sorriram, me explicando tudo desde os primórdios da humanidade.
Eu estava tão feliz, mas tão feliz... 

E aliviada. 
Tudo o que pesava sobre mim havia saído em segundos e minha vida estava completamente perfeita. Tudo perfeito, tudo lindo e maravilhoso.
Melhor eu parar de falar assim senão vai atrair coisas ruins. Mas, Deus, nunca estive tão bem... E, é claro... Nessa noite, a cama só faltou cair. Juro. Fiquei até com medo dos meus pais escutarem alguma coisa porque... Cristo, aquilo sim foi selvagem. E tem mais: a não ser que alguma das minhas amigas tenha batido os próprios recordes, eu bati o delas essa noite, MUAHAHAHAHAHAHAHA! Do que estou falando? Estou falando de SEIS, repito: S-E-I-S, orgasmos na mesma noite. 

Se acordei com fome? 
Não, porque tive que atacar a cozinha antes que eu morresse, ao final da sexta vez. Então eu acordei sem muita fome.


Viajamos tranquilamente pra casa. Ele falou que eu tinha que semi-me-mudar pra casa dele, então eu fiz essa semi-mudança nesse dia mesmo. Levei metade dos meus uniformes, algumas roupas, umas roupas intimas (as melhores, claro), alguns sapatos, escova de dente e algumas outras coisas - isso inclui meu hamster, o Marlon. Nem demoramos muito. Dormi lá. Claro que vocês sabem o quem nós fizemos. 
Três vezes. 
Mas eu tava muito cansada pra continuar.

Sam's POVA viagem foi tranquilona. Fui eu, Lia e Harry no mesmo carro. Não sei porque, mas eu adorava atazaná-los, HAHAHA.

É que eu não queria ir com a Bela e com o Tom porque eles estão numa fase delicada. Eu me recusei a ficar no mesmo ambiente que o Danny, não por motivos de raiva ou orgulho, mas porque eu não aguentaria o clima pesado daqui até lá. Flor foi com ele. Soph e Dougie provavelmente pararam pra transar no meio do caminho, e eu não me importaria, mas tava com pressa de chegar em casa.
Enfim, a viagem foi bem legal. Dormi um pouco, depois acordei e vi que Lia tava dormindo, aí eu conversei com o Harry sobre como ele achava que o mundo ia acabar, mas a conversa acabou fluindo para homens peludos que usam sunga cavadinha são repugnantes. E então eu dormi de novo e acordei apenas quando estava na porta do meu apê.
- Oi, sumida! - Kaio gritou e veio me abraçar.
- Oi sumido!
- E aí, como está? Já tá namorando o Danny?
- Não, mas a Soph tá namorando com o Dougie.
- Sério?!
- Aham. E a Lia com o Harry... E eles ainda não transaram! - disse rindo - POR CULPA MINHA! - ri mais.
- Sério?! - ele repetiu, mas agora rindo junto comigo.
- Sério, e a Bela e Tom também estão namorando.
- Ha-ha. Deixa só ela ouvir que você anda fazendo essas brincadeiras.
- Ih, meu filho, tu tá atrasado, hein? Eles já admitiriam que se amam e estão se pegando. Ela nem é mais virgem. - Falei dando de ombros e jogando minha mala enorme no meio da sala.
- É O QUÊ?! - ele ficou meio espantado.
- Quem manda esquecer das antigas amizades, e isso inclui a mim, pra se isolar com uma namoradinha qualquer?
- Nossa, nem sabe o nome da minha namorada...
- Sei sim. Tinna.
- É Sunny.
- Ah, sabia que era alguma coisa do tipo.
- E ela viajou pra Boston.
- Agora tu vai ficar no meu pé, né?
- Vou. Quero saber de todos os seus passos com o rockstarzinho.
- Rockstarzinho é teu cu. - Falei e ele riu. - Ah! Falando nisso, as férias da Bela estão acabando. Assim que as aulas acabarem ela volta pra aquela rotina de malhar, ensaio de dança, aula de canto, ensaio de show, entrevistas, sessões de foto, eventos grandes, shows, apresentações, turnês e blablablá, e a Sammyzinha aqui está em todas as paradas, tá ligado? Então tô logo avisando com antecedência que eu vou sumir de casa...
- Como sempre. - ele completou. - Tudo bem. O solitário já se acostumou.
- No drama, Kaio. - agora vou dormir que amanhã tenho aula e o Dougie vai me dar uma carona.
- Tá. Boa noite. Acho que hoje vou sair. Não me espere.
- Por que eu esperaria? - perguntei rindo e indo pro meu quarto.
Eu podia até estar aparentemente bem, mas a verdade é que eu queria seriamente estar como uma das minhas amigas: namorando. E com o Danny. Eu estava gostando demais dele, e ele estava nem aí pra mim. Tudo culpa minha. Me odeio.
(Mentira, me amo demais...)


Sam's POV off

Era madrugada e eu estava pelada na cama do Tom (uma cena muito comum na contemporaneidade). Nós dois ainda estávamos meio acordados.
- Tom?
- Hm...
- Tava dormindo?
- Mais ou menos. Você me cansa... - rimos.
- Ah, tudo bem. Podemos evitar isso então.
- Não, não, eu preciso de bastante endorfina, precisamos continuar. - ele falou e eu ri mais, me aconchegando ao seu lado.
- Tom, quando a gente vai contar pro planeta que a gente tá namorando?
- Hm, precisa ser de um jeito formal? Tipo, vamos ter que fazer uma coletiva só pra dizer isso? - ele perguntou, beirando a ironia...
- Não, não! Óbvio que não! - rimos.
- É, eles vão descobrir com o tempo. 

- Certo.
- Certo.
Rimos.
- Boa noite, amor. - eu disse.
- Boa noite. - deu um beijinho na minha cabeça, depois um na boca, e nós dormimos.

Soph's POV

- DOUGIE! Acorde, homem!
- QUE É?! - ele perguntou assustado, pulando da cama e eu gargalhei. - Caraca, cê me deu um susto, mozi! - amo quando ele me chama de mooooooooozi! Awn!
- Desculpa, bebezinho. - o abracei. - Mas você tem aula agora.
- E você também tem.
- É, mas você entra às oito e ainda tem que pegar a Sam. Eu entro às nove e meia e minha faculdade é perto.
- Não vai querer carona mesmo?
- Já disse que não, mozi.
- Tá, então eu vou tomar um banho... Puta merda, não vai dar tempo. - ele bufou, olhando pro relógio. - Soph, por que você mora tão longe da escola?
- Calma, amor, só falta um tiquinho pra você se livrar dela.
- Verdade. - ele me deu um selinho.
Trocou a roupa, escovou os dentes com a minha escova (nojinho), roubou uma barrinha de chocolate e foi-se. Eu também não demorei a sair. Queria passar no jornaleiro pra ver se eu estava nas news e conversar um pouco com a galera da faculdade. Faltei uma semana de aula com um atestado médico alegando que eu estava enferma, que o tio Ed deu pra mim e pra Lia, por isso tava com saudade do pessoal.

- E aí, Poynter? - Zoey, a garota do blog, me cumprimentou.
- Oi. - eu não gostava mais dela, não é necessário justificar o porquê.
- Curtindo muito seu namorado lindo, rico e famoso?
- Olha, vou confessar que eu tenho medo de conversar com você. Vai que amanha aprece tudo que eu disse nos tabloides? - retruquei um pouco sarcástica, me levantei e fui pra onde o povo legal tava. Todos lá passaram a me chamar de Poynter e eu gostava disso. Heheheh.


Soph's POV off

Lá estava eu, quase caindo de sono, na minha aula de Filosofia com a Sam, que havia tirado o tênis e cutucava a unha do pé.
- Senhorita Bradley, pode me responder qual foi o maior filosofo da Era Helenística, por gentileza? - A gorda velha que fedia perguntou.
- Eeeeer... Shakespeare? - ela respondeu e todo mundo riu.
- Não, Senhorita Bradley. Errado. - a velha rolou os olhos - Calce o tênis, por favor. - solicitou, antes de continuou a falar.
- Odeio essa gorda. - Ela murmurou. Pouco tempos depois o sinal bateu.
- Aula de que agora? - Perguntei pra ela.
- Física, e você?
- Biologia de laboratório.
- Beleza. E depois? Tempo livre?
- Não, educação física.
- Quer matar?
- No way! O Tom tá comigo nessa aula.
- Ah, vaca. Já tá me trocando pelo namorado...

O tempo passou rápido. Sentei com uma menina qualquer na aula de Biologia dois, e ela me perguntou sobre Tom. Não menti.
Já estava a caminho da quadra quando senti duas mãos ao redor da minha cintura e sorri previamente.
- Oi. - ele disse sorridente.
- Oi. - Respondi da mesma forma, lhe dando um selinho. Demos as mãos e fomos conversando até a quadra. A gente fingia que não percebia todo mundo olhando e cochichando. Ai, ai...
- Meninos vão pra arquibancada e meninas podem vir formar os times. Hoje vai ser handebol.
- Professora, posso escolher os times? - Katy (a própria) perguntou e a professora assentiu.
Já estávamos no meio do jogo e eu tava no banco. Handebol era o único esporte no mundo que eu sabia jogar, gostava e era boa. Meu time tava ganhando de um a zero contra o time da Katy.
- Johnson, entra. - a professora me tacou um dos coletes fedidos de uma garota que tinha saído e eu entrei. Fiz dois gols, aí meu time ganhou e de três a zero.
- Idiota. - uma Katy descabelada resmungou quando cruzou comigo no caminho do bebedouro.
- Quanto bom humor. - ironizei, bebendo água.
- Você é tão ridícula, Johnson...
Ignorei, apenas rolando os olhos sem me virar pra ela.
- Caralho, Bela! Joga muito! - Will, um cara lá da turma, veio me cumprimentar. Até que ele era maneiro mas muito puxa-saco. Se eu mijasse no corredor principal e depois escorregasse no meu próprio mijo enquanto xingava a rainha e toda a sua descendência, ele diria que eu era maneira e engraçada e que todo mundo tinha que fazer isso pra ser legal. E eu desconfio (lê-se: tenho certeza absoluta) que ele gosta da Flor e já ficou com a Sam durante quase um mês (o que é muito), por isso o Jones não curte muito ele.

- Valeu! - Sorri, limpando a boca com as costas da mão.
- Joga mesmo. - Tom apareceu sorrindo e me agarrou me fazendo gargalhar, tipo ceninha de filme mesmo, e então ele me tascou um beijão sedutor que eu fiquei com vontade de retribuir, mas senti um pouco de nojo de mim mesma porque eu tava suada e fedida.
- Sai, Fletcher, eu tô suada!
- Nhe nhe nhe! - ele debochou e eu dei mais um beijinho nele porque ele tava fofo, então voltamos de mãos dadas para a quadra. Me senti observada (pela Katy) e não gostei muito não. Mas tá, né.

Final da aula, intervalo, comida, amigos, namorado, conversa.
- E aí, galera! - Flor sentou sobre a mesa, com os pés no banco. - Novas? Eu tenho uma: o baile já foi marcado, ueba!
- Como você sabe? - Sam perguntou.
- Estou por dentro de todas.
- Bela, quer ir ao baile comigo? - Tom perguntou com um alface do sanduíche da Sam na mão (na intenção de fosse o equivalente a uma flor). Eu peguei o alface fingido me emocionar.

- Quero sim, você é tão romântico!
- God, preciso de um par! - Flor gritou.
- Danny, vai chamar quem? - perguntou Doug, e eu vi todo mundo trocar olhares tensos.
- Não sei. Estive pensando na Brook, na Jane, na Alison...
- Na Sam... - Harry zoou e recebeu olhares feios.
- Acho que vou com o Will. - Sam disse, acho que de propósito.
- Ei! Roubou meu pretendente!
- Encalhadas... - resmunguei e Sam me tacou uma bolinha de papel. Fiquei com nojo porque tava suja de maionese.

O resto da manhã foi normal. À tarde, fui andar com a minha mais nova bicicleta, linda, junto com o Tom no Hyde Park e foi bem legal. Teve uma hora que eu caí e me ralei, mas, de resto, foi legal.

Bom, a semana voou. Nada demais aconteceu, a não ser a entrevista agendada com o McFLY e eu mesma nos meus velhos amigos do TMI. Assunto? Provavelmente, (meu suposto namoro com o Tom) o novo single do McFLY, a tour e uma brincadeira na qual uma fã tinha que acertar perguntas sobre mim para ganhar um ingresso VIP para meu próximo show. Isso me fazia lembrar que minhas férias estavam quase no fim, que o casamento da Becky tava chegando, assim como o baile, assim como o Kids and Choices, assim como o natal e assim como a tour pela América! Que friozinho na barriga!

Estávamos todos na casa da Lia, vendo filme de terror, já era noite e estava nevando. Eu tava com medo. O braço do Tom já devia estar necrosando.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! - gritei, derramando toda a pipoca quando a mulher abriu a porta. Nunca é bom quando mulheres abrem portas.
- PORRA, VAI DAR SUSTO ASSIM NA PUTA QUE PARIU! - Sam reclamou com a mão no coração.
- Desculpa, é que eu achei que ia aparecer alguma coisa... - choraminguei. - Gente, tira esse filme, eu já devo estar toda cagada, se vocês sentirem um cheiro ruim, sou eu.
- Eu tô sentindo um cheiro ruim... - Flor disse.
- Também tô! - Lia concordou, farejando.
- É, tem um cheiro estranho... - Harry disse enquanto Soph também farejava com uma careta.
- AI MEU DEUS, É O CHEIRO DA MORTE! - Gritei e eles riram da minha cara.
- Só se suas calças tiverem mudado de nome pra 'morte'. - Soph zoou.
- Ei, não sou eu tá?!
- Você que disse que estava cagada! - Danny falou.
- Mas eu não tô cagada, eu tava brincando!
- Hmmm, tem um cheiro ruim mesmo... - Tom falou, rescendendo.
- Não tô sentindo não... - tentei captar algo, mas meu olfato reconhecia apenas um cheiro normal.
- Claro, quem caga não sente o fedor do próprio cocô. - Danny proclamou sua teoria com convicção, me fazendo rir.
- Gente, não ponham a culpa na garota. - Sam se pronunciou. - É que eu estou assustada e com um pouco de gases... Mas quem tá peidando é o Dougie, ele tá quietinho ali!
- Mentira! - Soph o defendeu. - Ele tá cheirosinho, né, mozi?
- Vou te contar que ele não toma banho a três dias... - Harry falou e a gente riu.
- Amor, tira aí o filme que ninguém tá mais vendo, por favor? - Lia pediu carinhosamente enquanto catava algumas pipocas do sofá. - Belinha, não tô te expulsando não, mas amanhã tem TMI, então é melhor você descansar. Só você não, todos vocês! - ela apontou pros meninos.
- É, já estou indo. - Danny disse.
- Também. - Tom falou se levantando.
- Bela, vou pra tua casa que eu tô com um medo desgraçado. - Sam informou, pegando suas coisas.
- O Tom vai dormir lá. - Avisei.
- E? - ela perguntou como se aquilo não fizesse a menor diferença. E pra ela não devia fazer mesmo não.
- Eu não sabia dessa. - Tom falou.
- Dessa qual? - perguntei.
- Que eu vou dormir na sua casa.
- Mas é claro que vai! Senão eu não durmo!
- Valeu pelo valor! Tô aqui me oferecendo pra dormir contigo e você diz que não vai conseguir dormir sem ele. - Sam fez um draminha e eu ri.
- Eu preciso de um macho pra matar as assombrações.
- Eu também preciso! - ela disse. - Tom quer seu meu macho nessa noite também?
- Só se for agora!
- ENFIM... - escutei Thalia interromper - Sam, obrigada por me dar uma noite de sossego com o Harry. - a Lia agradeceu e Flor gargalhou.



Coitada da Lia, no final, Harry achou melhor ir embora porque se eles fossem fazer algo hoje, com certeza duraria a noite inteira e mais um pouco, e amanhã era melhor ele acordar bem pra tocar no TMI... Então, mesmo sem as interrupções corriqueiras da Sam, não era hoje que ia rolar.




Estávamos todos - e quando eu digo todos, eu quero dizer os nove - no camarim do TMI, prontos para entrar. Um dos homens da produção havia acabado de deixar a sala pra avisar que entrávamos em cinco minutos.


-...E AGORA VAMOS O RECEBER O MCFLY! - ouvimos a voz de Flack gritar e os meninos entraram. - E aí, meninos?
- Oi, Flack! - Danny falou.
- Quanto tempo vocês não aparecem por aqui! - Mark foi quem disse dessa vez, e os meninos riram.
Eles trocaram algumas palavras e falaram algumas bobeiras até o Sam me anunciar e eu entrar animada, distribuindo tchauzinhos com um sorriso largo.
- Como vai, Johnson? - Sam me agarrou e eu gargalhei.
- Vou bem!
- Hoje nós temos muitas surpresas pra vocês. - Flack falou colocando uma mexa de cabelo pra trás.
- Uuuuh... - a platéia ecoou e eu ri.
- Estou até com medo agora. - disse.
- Não fique. - Mark falou. - Vamos começar logo com isso, anda, sentem no sofá. - obedecemos. Juro que foi sem querer mas eu acabei sentando ao lado do Tom.
- Então, primeiro vou falar logo a surpresa. - Sam (o apresentador, e não a garota estranha que cito desde o início da história) disse. -  Nós... Temos... Uma... CÂMERA! 
- Ahn? - Dougie resmungou.
- Sim, uma câmera! - Flack reforçou, animada.
- A gente sabe que vocês têm uma câmera... - Harry disse com obviedade, nos fazendo rir.
- Mas nós temos uma câmera na sala onde suas amigas estão... - Mark explicou e a gente abriu a boca, surpresos e começamos a gargalhar. - Isso mesmo, suas amigas serão filmadas e não sabem. Esperamos que elas não façam nenhuma besteira.
- O que é bem difícil. - Completei e os meninos concordaram.
- A gente vai checar a reação delas a cada resposta que vocês derem e vai funcionar como uma máquina da verdade. - Flack esclareceu, ajeitando o cabelo novamente. Eu tava um pouco apreensiva pelo fato da Sam (a amiga, dessa vez) não gostar muito da Flack... Rezava internamente pra que elas não fizessem nenhuma merda ou falassem algo desagradável.
O telão ligou bem na hora que Sam falava:
-... cabelo dela parece uma palha, credo... - Ela dizia, olhando pras unhas.
- Para com isso Sam, seja legal! - Flor a cutucou e as outras riram.
- Só eu que acho muito chato ficar aqui no 'backstage'? - Soph perguntou fazendo uma careta.
- Isso não é tecnicamente um basckstage, e vai se acostumando porque se você for ficar atrás do Dougie vinte e quatro horas, você vai viver nos 'backstages'... - Lia ia dizendo, mas eles cortaram a transmissão.
Flack ria, assim como o Sam e o MarK.
- Elas são animadas. - Flack comentou.
- E bonitas, com todo o respeito. - Sam disse e Mark lhe deu um tapa na cabeça.
- Ok, vamos começar com as perguntas. - Flack falou. - Estão animados pra Tour? Aposto que vocês estão cansados de responder essa.
- Essa pergunta não cansa, ela anima mais a gente! - Harry elucidou sorrindo.
- A gente tá muito animado. - Dougie enfatizou e eu concordei com a cabeça.
- VAMOS VER A REAÇÃO DAS MENINAS! - Mark gritou, gesticulando de forma exagerada, e elas apareceram no telão novamente.
-...que ele é muito lindo. - Lia falava.
- Quem? Só se for o Mark. - Flor disse rindo.
Transmissão cortada.
- Parece que elas não prestaram muita atenção dessa vez. - Flack deu de ombros e Mark tava com uma cara de bobo. 
 - Posso fazer essa pergunta? Posso? Posso? - Sam implorou pra Flack e ele provavelmente se referia à segunda pergunta.
- Ah, não! A gente combinou que eu faço essa!
- Ah, Flack! Por favor!
- Olha, melhor eu fazer e ponto final. - Mark pegou a fichinha da mão da Flack e perguntou: - Bela e Tom... - ele fez suspense a gente riu, corando. Danny nos olhou com um sorriso ladino e Dougie imitou. Harry apenas riu, colocando a mão sobre o ombro de Tom. - Vocês dois... Foram...
- VAI LOGO, MARK. - Flack ordenou.
- Desculpa, desculpa. Vocês dois foram vistos juntos por aí... E tem uma pergunta que não quer calar. 
- VOCÊS DOIS ESTÃO NAMORANDO?! - Sam perguntou rápido e Mark lhe lançou um olhar de Darth Vader, assim como Flack. - Foi mal, gente, não me segurei.
O telão foi ligado novamente antes que a gente respondesse.
- ...É agora que a cobra vai fumar... - Só passou essa fala de Sam, e o telão logo foi desligado. Eu ri. 
Estava um pouco nervosa.
- E então...? - Flack estimulou uma reposta de algum de nós e, pela primeira vez no programa, eu e Tom nos olhamos intencionalmente. Foi como se perguntássemos quem responderia.
- Er... - eu murmurei, e ri em seguida. - Sim, nós... Nós estamos juntos. - sorri.
- JUNTOS?! - Flack abriu um sorriso enorme.
Bom, depois disso, a vergonha foi passando. Os meninos cantaram o novo single, eu participei do joguinho com duas fãs; Danny falou que era o único solteiro e que estava feliz com isso, o que não foi nada legal porque a cara de náusea da Sam apareceu pra todo o mundo (não que o mundo todo tenha reparado, mas eu e os meninos reparamos, com certeza) e no final, eu cantei.


Posteriormente, quando chegamos no camarim, as meninas tinham acabado de descobrir que estavam sendo filmadas.
- NÃO ACREDITO, CARA! POR ISSO QUE TODA HORA O PROGRAMA ERA CORTADO! - Soph falou, nervosa.
- ERAM AS PARTES QUE A GENTE APARECIA! QUE MERDA, EU FALEI MAL DA FLACK!
- Calma, Sam, não apareceu nada demais. - A tranquilizei.
- Só a sua cara de anus quando o Danny...
- Cala a boca, Harry. - Lia o cortou.


Nos dirigimos todos para a casa de Tom, onde passamos a noite bebendo e conversando. Sam tava meio cabreira, e deve ser por isso que Lia havia acabado de chamá-la para conversar.


Thalia's POV


- Sam, você tá assim por causa do que o Danny falou, não é? - Peguntei sem rodeios, assim que chegamos na cozinha.
- Não...
- Para com isso, Sam, eu sei que é. Apenas facilite pra que a conversa seja produtiva.
- Tá, é. É por causa dele sim, mas e aí? O que isso vai mudar? 
- Nada... Eu só queria dizer que, bom... Você sabe que quem pisou na bola foi você, não sabe?
- Eu sei, Lia, eu sei. Não é necessário jogar na cara, ok?
- Calma, não precisa se estressar. Só quero dizer que, mesmo que não pareça, Sam, ele gosta de você também. Do mesmo jeito que você gosta dele, e sinceramente, eu não sei porquê vocês não se acertam logo. Sabe, é só juntar o útil ao agradável!
- Gosta mesmo? - seus olhinhos brilhavam.
- Gosta. Ele disse com todas as palavras e, qual é, não é como se você não soubesse.
- Qual é a vibe? - Flor perguntou ao entrar na cozinha.
- A de sempre. - Sam bufou. - Eu gosto do Danny, e ele está cagando pra isso.
- Eu acabei de dizer que ele gosta de você também. - Falei meio impaciente.
- Isso é verdade. - Flor reforçou.
- Mas não muda o fato dele estar cagando pra mim, muda? "Eu sou o único solteiro, e confesso que tô muito feliz assim".- imitou debochadamente a voz dele - Não existe indireta mais direta que essa.
- Tudo bem que deve ter sido chato o fato dele dizer isso, mas veja o lado dele. - Flor falou. - Ele também acha que você está cagando pra ele, porque você quase deu pro J...
- Eu já sei disso, pode parar de me lembrar toda hora, por favor? 
- Sam, a Flor tá certa. - falei. - Na cabeça do Danny, você também não liga pra ele.
- MAS EU LIGO SIM! 
- Mas ele não sabe! - contrapus.
- Que saco, eu to aqui, na seca há um século, querendo...
- Não vem falar de seca perto de mim! - quase gritei. - Eu tô na seca de verdade, sendo que estou NAMORANDO. - Quase soletrei a palavra. - E não é só isso! Eu tô namorando com o HARRY JUDD. Tem mais! Eu to na seca por sua causa! Você não tem o direito de falar de seca comigo.
Flor riu.
- Coitada de você, Lia. Tem que tirar o atraso, viu? Senão daqui a pouco o Harry arruma outra. - Flor disse com cara de pesar.
- Cê tá insinuando que o Harry tá comigo só por sexo?
- Se o Harry tivesse com você só por sexo, vocês já teriam terminado há muito tempo. - Sam falou como se ela não fosse a culpada pelo meu problema.
- Cara, eu to ficando desesperada. - confessei. - Até a Bela me passou. A BELA. 
- E te passou bonito, minha filha, porque pelo que eu vi ontem, Tom não tem descanso. - Sam adicionou.
- Vou quebrar tua cara, Bradley. Tudo isso é culpa sua. - ameacei e ela riu.
- Ei, ei, ei, Olha a fofoquinha na minha cozinha! - Bela entrou batendo palma autoritariamente, acompanhada de Soph.
- Sua cozinha? - perguntei erguendo as sobrancelhas.
- Isso mesmo, minha cozinha. Posso saber qual é o assunto?
- Pode, Thalia está bolada porque ela tá mais lerda que você. - Sam falou e Bela riu.
- E a culpa é toda sua. - adicionei.
Conversamos mais um pouco na cozinha, mas depois os garotos invadiram o ambiente com suas piadas infames de bêbado incluindo a do Danny que eu vou ter que narrar:
- ESCUTA ESSA. - Ele disse, meio alterado e alguns de nós ainda riamos da última piada. - A professora estava na sala de aula, mas teve que sair, aí a turma começou a bagunçar tudo, e uns moleques loucos começaram a jogar coisas pela janela. Aí, um nerd foi correndo chamar a professora, que voltou toda estressada já brigando: "Geraldinho, o que você fez?!","Joguei o quadro pela janela, professora...", "UMA SEMANA DE DETENÇÃO PRA VOCÊ! Pedrinho, o que você fez?", "Eu joguei os armários pela janela, professora...", "UM MÊS DE DETENÇÃO PRA VOCÊ! Joãozinho, o que você fez?!", "Eu joguei ramos de oliveira pela janela, professora...", "Ah, tudo bem Joãozinho, não tem problema, pode se sentar". Aí, depois de um tempo, batem na porta e quando ela abre, aparece um garoto todo ensanguentado, com as tripas pra fora e a professora pergunta: "MEU DEUS, QUEM É VOCÊ?", e o menino responde "Sou Ramos de Oliveira", AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHA.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHHHHHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH - Bela começou a rir freneticamente, assim como Dougie, Tom, Harry, eu e Soph... Sam apenas balançou a cabeça como se dissesse "que merda foi essa?", e Flor parecia não entender porque tanto riso.


Pois é, pra você ver como estava o nível, essa foi a melhor piada.
Depois disso, só lembro da gente acordando de ressaca no domingo, com o Dougie gritando:
- TENHO QUE IR PRA CASA, ESQUECI DE ALIMENTAR MINHA IGUANA!


Thalia's POV off


Mais uma segunda feira, oh, céus.
Eu não gosto de segundas feiras. Tudo bem que essa já tava passando rápido. Eu até já tava na aula de educação física, mais precisamente no final dela, onde apenas os meninos do time de futebol ficam jogando brutalmente como se a bola fosse algum tipo de macumba que precisava ser chutada pra longe. Tom não era desses. Que bom.
Estávamos conversando com Will, quando a Sam (que não devia estar ali) aparece e senta perto da gente.
- O que você tá fazendo aqui? - Tom perguntou, curioso.
- Não tava afim de ficar lá no meu tempo livre monótono...
- Que bonitinho. - Katy chegou com um olhar lunático - Os dois namorando... Muito típico. - Ela riu sem humor. 
- Rala, palmito. - Sam falou, e eu prendi o riso. 
- Cala boca, Sam, não estou falando com você. Seja educada e fale somente quando for chamada.
- E por algum acaso você foi chamada nessa conversa? - Sam retrucou muito bem retrucado.
- Sabe, Bela... - Katy a ignorou. - O Tom é muito bom na cama não acha?


Tom's POV


Ah, não. AH, NÃO. Puta que pariu. Não dá pra deixar a gente em paz não? Tem que ter sempre um ser pra atrapalhar? Porra, que merda isso! 
- Para, Katy. - pedi com a voz firme.
- Que foi, Tom? Deixa a menina responder! Ele não é bom na cama, Bela? Eu adoro aquilo que ele costuma fazer com o dedo antes do ato em si... Adoro a mania linda dele sussurrar que nos ama no pé do nosso ouvido, como eu adoro...
- Katy, cala a... - Sam ia dizendo, mas ela a interrompeu.
- Você gosta do jeito que ele diz que te ama durante o sexo? Que nem ele fazia comigo... ISSO É UMA MENTIRA DESLAVADA!
Por que eu estou gritando isso mentalmente?

- ISSO É UMA MENTIRA DESLAVADA! Bela, você não vai acreditar nisso tudo né? - falei a olhando e Bela continuou calada, sem quebrar o contato visual com a Katy. Fodeu. Fodeu. CACETE, PORQUE EU TENHO QUE TER ESSA SORTE DOS INFERNOS?
- Mentira? Você falava com todas as letras 'eu te amo, Katy', entre suspiros, no meu ouvido. - Só pra constar, isso é mentira. Sério mesmo, eu nunca diria isso pra Katy, coitada. Cada louca que me aparece...
- Katy, para com isso. - Falei um pouco mais alto.
- Bela, Bela, Bela... - ela suspirou me ignorando. - é assim que ele trata toda mulher. É assim que ele me tratava, é assim que ele tratou a Maddie... - nessa hora ela abriu um sorrisinho maldoso. - E é assim que ele vai tratar a próxima.
Bela não falava nada, apenas olhava sem expressão pra Katy. Se essa filha de uma puta fosse homem eu já teria batido nela há muito tempo. Olhei pro lado e Will tava segurando a Sam (eu ainda não tinha reparado nisso), que queria bater na Katy, e algumas pessoas observavam a cena.
Sério, o que eu fiz pra merecer isso?
Bela finalmente teve alguma reação, o que me deixou desesperado. Ela suspirou, quebrando o contato visual com a Katy e olhou pra baixo. Depois olhou novamente pra Katy e respirou fundo, como se estivesse cansada, antes de dizer:
- Sabe, Katy... É a sua palavra contra a do Tom. Em quem você acha que eu vou acreditar? E, desculpe, mas eu tenho provas o suficiente de que ele me ama do mesmo jeito que eu o amo, e além do mais, já estou preparada psicologicamente para as loucas, não que você seja uma, é claro,  - ela foi sarcástica e eu ri - que estarão dispostas a tudo para tê-lo. Situações como essas não me incomodam muito, então poupe seu tempo... Outra coisa: - Bela respirou fundo mais uma vez. - O que você pretendia falando isso tudo? Que nós terminássemos? Porque se for, eu me sinto na obrigação de te informar que mesmo se você conseguisse uma briguinha por ciúmes entre nós, depois a gente iria se reconciliar de uma forma... hm, maravilhosa. - sorriu maliciosa - Eu estaria lá com ele, o escutando dizer de verdade que me amava, então voltaríamos mais fofinhos do que nunca, para a sua infelicidade. Se você se incomoda tanto assim de me ver com ele, eu sugiro que evite esse tipo de provocação desnecessária, porque eu posso, eventualmente, por algum motivo desconhecido, sentir raiva da sua pessoa e começar a esfregar na sua cara o quão felizes nós somos juntos. Mas eu posso te garantir que, se você esperava aquela cena mexicana, cheia de lágrimas, discussões, brigas e términos dramáticos, sinto dizer que suas expectativas não correspondiam à realidade, fofa, eu não sou desse tipo. E, só mais uma última coisa: esse seu amor todo pelo meu namorado é normal, linda, não se sinta mal. Tem milhões de garotas no mundo que compartilham desse seu sentimento, mas, querida, quanto mais você nos perturbar, mais ele vai desgostar de você e te achar uma problemática... Então, se você realmente nutre algum tipo de paixão por ele e espera que ele ao menos te ature, é bom que pare de ser deselegante, ok? - Bela sorriu carinhosamente, mas da forma mais sarcástica possível. Eu tava me mijando de rir (internamente) da cara da Katy  
- Se fodeu, cadela. - Sam berrou - Agora cata aí a sua dignidade no chão! - gargalhei alto.
Me sentia completamente orgulhoso da Bela, ela foi perfeita (nenhuma novidade, convenhamos).

Tom's POV off



Fui bem sincera com a Katy. Primeiro que a última coisa que eu arrumaria era uma barraco. Segundo que ver a cara de ânus dela foi gratificante.
As palavras dela foram completamente desperdiçadas, coitada. 


- Queria ter o seu autocontrole... - Sam me disse enquanto caminhávamos até a nossa mesa, com nossos lanches em mãos.
- Quem sabe um dia? - falei e ela riu.
- Qual é a boa? - Danny chegou perto de nós e apoiou o braço no meu ombro, enquanto Dougie apoiava no da Sam.
- Cade a Flor? - Sam perguntou reparando que ela não estava ali. Nem ela e nem o Tom, mas eu sabia que ele tava no banheiro. 
- Se pegando com o Will. - Danny respondeu. - Ela vai ao baile com ele, e decidiu dar uma chance ao garoto. Sabia que isso ia acontecer um dia... - ele filosofou. Todos sabíamos...
- A Maryssa Canpgam, da minha turma de Biologia, vomitou em cima do envelope de provas, e as provas foram adiadas pra amanhã, aí a Sra. Paskin foi lá avisar que todos os alunos fariam a avaliação amanhã no auditório. Isso significa que todos nós vamos fazer prova de biologia no mesmo lugar. - Dougie sorriu malicioso.
- Quem é essa Maryssa, que eu vou dar um beijo na boca? -  Harry perguntou procurando pelo refeitório e a gente riu.
- Cara, vou abrir um fã club pra essa garota! É A ÚLTIMA PROVA DO ANO, E ELA CONSEGUIU ISSO PRA GENTE. - Sam falou dando pulinhos.
- VOU SENTAR ENTRE O TOM E A BELA E PONTO FINAL. - Danny afirmou decidido.
- Ouço meu nome. - Tom disse se aproximando, tirando o braço do Danny no meu ombro e colocando o seu lá. Eu ri brevemente.
Os meninos contaram tudo para o Tom, que disse que não adiantava sentar do lado dele porque ele não tinha estudado muito pra essa matéria.
- Gente, por que a gente não estuda hoje a tarde, depois do ensaio? Aí ninguém precisa colar. - falei como se eu fosse a santa.
- NÃO, QUE ISSO. HOJE É SEGUNDA, DIA DE VIDEOGAME. - Danny disse com intensidade.
- Verdade! - Harry concordou enquanto limpava um pouquinho de molho que havia caído em sua blusa.
- Cara, eu não consigo abrir esse Ketchup. - Dougie disse meio desesperado. - Não consigo, cara, não adianta!
- Mas qual é a matéria, Bela? A gente pode estudar lá em casa... - Sam disse, ignorando o momento de sofrimento do Dougie. Danny foi tentar ajudar o coitado.
- Sam, vai lá no ensaio hoje e a gente estuda. - Tom sugeriu.
- É uma boa... - falei, comendo meu sanduíche. - A matéria é...
- MASTIGA ANTES E FALA DEPOIS, NOJENTA. - Sam falou enquanto mastigava (eu sei, meio paradoxal...).
- Vou te ignorar. - continuei mastigando e falando. - A matéria é fácil. Glândulas, sistema neurológico e digestivo. 
- ISSO TUDO? - Sam quase se engasgou.
- Não é muito não, criatura. - pontifiquei.
- NÃO ADIANTA! - Dougie reclamou todo sofrido - Não adianta, cara, esse Ketchup não gosta de mim! - tacou o sachê longe e eu gargalhei.
- Você supera essa, mano. - Danny deu dois tapinhas na suas costas.


Na aula depois do recreio a Sra. Paskin apareceu lá pra avisar que todas as turmas realmente fariam as provas no mesmo horário e no auditório. Eu e Danny nos olhamos rindo. Rataria pura.


Você acha mesmo que a gente estudou à tarde? PFFFF, óbvio que não, né. Dougie foi sair com a Soph, Harry ficou falando com a Lia no telefone durante um século, depois se juntou ao Danny e ao Tom que jogavam videogame, e eu, Sam e Flor ficamos falando da vida alheia, enquanto eu conferia as redes sociais e etc.
Até foi um dia legal, mas... nada de estudos.


...



Cara, vou te dizer uma coisa: nunca colei tanto na minha vida. Aquela sala do auditório serviu apenas de CCA (centro de compartilhamento de avaliações), e com bastante êxito. Os fiscais só ficavam comendo, ou dormindo, ou lendo revista.
Resultado: a prova do Danny foi xérox da minha, assim como grande parte da prova do Dougie, metade da prova da Sam e algumas poucas partes das provas do Harry e Tom. Flor nem quis sentar perto da gente... Vai entender...
- CARACA, BELA... – Danny saiu da sala junto comigo e Dougie, e me abraçou. - Se não fosse por você eu teria tirado zero.
- Idem. – Dougie complementou. – Não que a prova estivesse difícil, mas eu tava com muita preguiça de pensar.
- Ah, aí você tem sua amiga babaca que faz o trabalho duro enquanto você fica de boa lá e depois tira nota alta. – me fiz de indignada e os dois riram.
- Ah, Belinha, você sabe que eu te amo, né? – Ele me abraçou pelo outro lado e eu fiquei com dois homens pendurados em mim. Oh, céus.
- Bela, vou ser seu escravo eternamente. Sério, eu iria tirar o maior zero da história, eu não sabia nenhuma! A prova tava impossível!
- Ah, Danny, qual é... Não tava nem um pouco difícil. O professor falou praticamente tudo na última aula. Só faltou dar as respostas. A prova tava ridícula.
- Um: eu não sou nerd. Dois: só se foi na sua turma de biologia que o professor fez isso. Na minha, ele não falou nada. – Danny retrucou enquanto Dougie se mantinha alheio a discussão.
- Impossível o professor ter feito isso! Ele tem que dar a mesma aula em todos os terceiros anos!
- ELE NÃO FALOU NADA DISSO NA MINHA TURMA, PERGUNTA PRO HARRY!
- O que tem eu? – Harry cavou nossa conversa, saindo do auditório com cara de bem sucedido. – Ah, Bela! Valeu pela três e pela quatro. Eram as únicas que eu não sabia... Falando nisso, graças a Deus que a prova tava fácil. O professor falou tudo na última aula.
Olhei pro Danny com um sorrisinho vitorioso e ele fez cara de “ahn?
- Falou? – perguntou confuso.
- Falou, mas você preferiu desenhar a professora de artes pelada. – Harry disse, dando de ombros e eu e Dougie gargalhamos.
- E aí, galera, foram bem? – Flor saiu sorridente da sala. – Eu tô feliz comigo mesma. Fui bem, e não colei!
- Não colou? Como você foi capaz? – Harry perguntou incrédulo.
- É a última prova da minha vida escolar, gente, eu queria que meu conhecimento puro e bruto estivesse lá.
- Tá né... – resmunguei assistindo Sam e Tom deixarem a sala.
- Demoraram, hein... – Danny disse.
- Pois é. Eu sou lerdo, fiz a prova à lápis aí tive que passar tudo à caneta depois.
- E eu fiquei esperando o idiota do Tom olhar pra mim porque todo mundo já tinha saído e eu não sabia a primeira múltipla escolha até agora, já que certas pessoas esqueceram de me falar... – Sam desdenhou, se referindo a mim, obviamente, e eu rolei os olhos.
- Eu te passo a prova inteira e você ainda reclama?
- Tudo bem, desculpa. – ela riu e veio me abraçar. (Importante dizer que Danny e Dougie ainda estavam pendurados em mim. Não foi nada agradável.)
- Por que vocês estão soterrando minha amiga? – Flor miou retirando aqueles corpos de cima de mim enquanto eu ria da cena. – Desgruda, Dougie!  DOUGIE!
- Sai de mim, Poynter! – Tentei o empurrar, mas ele estava mais grudado que carrapato com super bonder.
- O Tom está vindo te pegar, hein. – Flor avisou. – E ele não está com uma cara boa... Iiiih, a cobra vai fumar...
- Tá bom, soltei, soltei. Nada de me despir no corredor da escola. – Dougie se afastou na defensiva enquanto a gente ria.
- Acho bom mesmo. – Tom fez voz de Darth Vader e eu gargalhei.

O resto da semana foi bem tranquila e sexta feira chegou rápido. Era o dia em que a gente receberia todas as provas, consequentemente saberíamos todas as nossas notas, o que nos ajudaria a saber se já havíamos passado direto ou não, mesmo que ainda faltasse uma semana e meia para o fim das aulas e para o BAILE!
- EU TO MUITO NERVOSA, EU NÃO VOU TER NOTA EM MATEMÁTICA, NEM EM BIOLOGIA E NEM EM INGLÊS! EU TÔ FERRADA! ME MATEM! – Sam se descabelava na aula de geografia.
- Calma, cara. A recuperação não é um monstro de sete cabeças... Qualquer coisa a gente te ajuda! – Flor falou acariciando a cabeça de Sam.
- É, Sam... Calma. – disse, a abraçando de lado.
- Daqui a pouco a senhora Pask...
- BOM DIA TURMA! – Senhora Paskin entrou interrompendo a fala de Sam que quase gritou. – Gostaria de convocá-los à sala do auditório para a entrega das provas. Por favor, sem tumulto. – ela pediu enquanto todos nos levantamos.
(...)
A Senhora Paskin entregou os envelopes com os resultados a todos os terceranistas, que seguiram o mesmo ritual de abrir e conferir todas as notas pra saber se passaram ou não. Foi um momento tenso...

- CARACA, EU PASSEI! PASSEI! PASSEI DE ANO! – Danny pulava e berrava pelos corredores, repetindo as mesmas palavras sem parar.
- Todo mundo já sabe que você passou, Danny. – Sam comentou sem ânimo.
- MAS EU TO FELIZ, CARA, NÃO ACREDITO, EU SOU FODA, PASSEI DE ANO!

Sim, todos nós passamos. Nenhuma recuperação, nenhuma prova final, nada. Passamos de ano (pelo menos é o que acreditamos, pelas nossas contas) e nada melhor a se fazer que comemorar.
Decidimos que eu iria comemorar sozinha com o Tom, o Dougie com a Soph e o Harry com a Lia. O Danny iria se juntar à Flor e à Sam e os três iriam a uma boate nova que a Flor conhecia.
De quem foi essa ideia? Da Lia. Era provavelmente A CHANCE dela de tirar o atraso QUE AINDA EXISTIA com o Harry.

Thalia’s POV

Eu tava saindo da faculdade, quando recebi uma ligação do Harry.
- Oi, Harry.
- Oi, pituquinha! Que foi? Aconteceu alguma coisa?
- Não... Eu só tô com saudade, você me esqueceu nesses dias...
- Ah, amor, esqueci nada. É que foi muito corrido, você sabe que disso.
- Tudo bem... – suspirei procurando um chiclete na minha bolsa. Tenho que lembrar de organizá-la, isso aqui está uma bagunça.
- Lia, hoje a gente recebeu as provas e descobrimos que, provavelmente, todo mundo vai passar direto e a gente pensou em comemorar. Tô ligando só pra avisar. Quer que eu te busque aí?  A gente vai passar a tarde na casa do Tom e depois vamos ver pra onde a gente vai, à noite.
- Não precisa me buscar não, tô de carro. Eu fiquei de buscar a Soph na faculdade, ela vai trabalhar agora... Isso quer dizer que ela não vai poder passar a tarde com a gente... E, pituquinho, eu tenho muita coisa pra fazer essa tarde que eu não queria deixar pro fim de semana. – falei suspirando – Por que a gente não faz uma comemoração particular à noite? Cada um com seus parceiros...? – sugeri maliciosa, vendo a chance única que eu teria de acabar com o meu... probleminha.
- Hm... – sabia que ele havia aberto um daqueles sorrisinhos que me faziam morrer. – Adorei a ideia. Vou falar com eles rapidinho...- ele demorou alguns segundos, talvez minutos, e depois voltou a falar comigo dizendo que eles aceitaram bem a segestão.
Vibrei internamente e fui correndo buscar a Soph.

-... Então, é hoje que você pega o pituquinho de jeito. – Soph disse rindo.
- Sim, é hoje. – sorri. Já estávamos chegando na casa dela.
- Vem almoçar comigo! – Soph pediu, antes de sair do carro.
- Você não tem que trabalhar, criatura?
- Só depois do almoço, criatura.
- Tudo bem então, criatura. – dei de ombros e manobrei para poder entrar com o carro na garagem do seu prédio.
- Ei, senhorita Harrison! – O porteiro chamou quando o carro estava passando pela sua cabine.
- Diga!
- A senhorita Johnson e a senhorita Bradley estão te esperando, eu as deixei subir.
- Tudo bem, obrigada Finnigan. – Soph sorriu e nós entramos.

- TROUXEMOS COMIDAAA! – Bela gritou assim que entramos. – Frango de padaria! Já tá no microondas e está com um cheiro maravilhoso.
- E UM GOSTO TAMBÉM! – Sam gritou da cozinha.
- Que bom que vocês trouxeram comida porque eu persuadi a Lia pra vir comer aqui com a intenção de fazê-la cozinhar! – Soph falou e eu abri a boca indignada.
- Sorte que elas trouxeram comida, porque senão hoje não teria alimento. – retruquei e Soph me mandou o dedo feio.
- Sem brigas meninas, vamos nos comportar porque eu sei que... HOJE O HARRY VAI ENTRAR NA CÂMARA SECRETA DA THALIA! – Bela começou a pular no sofá e eu gargalhei da piadinha infame.
- MUITO BOA, ESSA! – Soph disse, colocando a mesa.
- Como você está se sentindo, Lia? – Sam perguntou com uma cara de maníaca e eu ri.
- Normal, ora. Não é como se eu fosse um virgem ou algo do tipo.
- Você já fez sexo com amor? – Sam me perguntou.
- VOCÊ JÁ FEZ SEXO SEM AMOR? – Bela interviu, com uma cara assustada que me fez rir mais.
- Você acha mesmo que eu amava alguns dos caras com quem eu já dormi? – Sam rebateu e Bela fez uma cara ainda pior.
- Não sei se eu já fiz sexo com amor... – comentei, tentando lembrar de algum cara que eu tenha feito sexo com amor... – Não sei se quando eu fazia com meu ex era com amor. Talvez fosse, ou não, mas ele foi com quem eu cheguei mais perto de fazer sexo com amor...
- Eu acho que meu único sexo com amor foi com o Dougie. E eu realmente acho que amo o Dougie. – Soph disse, comendo um pedaço de frango.
- OOOOOOWN! – Eu, Bela e Sam berramos em coro.
- Como se você não amasse o Harry, você não amasse o Tom e você NÃO AMASSE O DANNY.
- Eu gosto do Danny, não sei se é amor.- Sam falou cuspindo um pouco de frango. Nada que eu já não tivesse acostumada.
- Quando você transou com ele, o que você sentiu? – Soph perguntou. – Seja sincera.
- Foi diferente de todas as outras vezes, sem querer parecer uma idiotinha apaixonada, mas eu senti um constante friozinho na barriga, e parecia que eu nunca tinha ficado excitada na minha vida, porque nenhuma outra excitação que eu já houvesse sentido poderia ser comparada àquela. Parecia que tinha algo além do desejo... Uma coisa a mais, uma coisa...
- Uma coisa que se chama amor! – Soph disse. – Foi exatamente assim com o Dougie!
- Meu Deus... Será que vai ser assim com o Harry? – eu realmente estava curiosa pra saber. Tava ansiosa pra sentir isso tudo. Mas e se não acontecer comigo?! E SE EU NÃO SENTIR ISSO COM O HARRY? E SE O HARRY FOR RUIM NA CAMA?
Céus, olha só o absurdo que eu acabei de pensar! Eu tenho que relaxar, mais... Cruz credo.
- Claro que vai, Lia... – Sam falou colocando uma de suas mãos no meu ombro. E a mão dela estava suja de gordura de frango de padaria. Que nojo.
- Gente, acho que a Bela é a única de todas nós cujo primeiro sexo teve amor! – Soph comentou olhando pra ela com uma cara de orgulho.
- Verdade! – Sam disse. – A Bela é a única que nunca fez sexo, apenas amor... Que fofura...
- E estou muito satisfeita com isso. Pra falar a verdade, nunca quero experimentar somente ‘sexo’. De verdade, porque, conforme vocês estão dizendo, vai faltar alguma coisa... Alguma coisa que deixa tudo melhor.
- Você tá certa. – eu disse. – Também acho que depois que eu experimentar o sexo com amor, eu não vou mais querer saber do sexo sem ele.
- Gente, a gente nunca conversou sobre essas coisas depois de eu ter perdido a virgindade, então eu quero perguntar uma coisa pra vocês...
- CHEGUEI! – Flor abriu a porta ofegante e entrou. – OBA! FRANGO DE PADARIA!
- Onde você tava, Flor? – perguntei, sentindo um cheiro estranho, que eu preferia não acreditar que era aquilo mesmo que eu estava pensando ser.
- Eu fui conhecer um pessoal depois da aula, eles são meio doidos, sabe? Uma vibe meio louca...
- Flor, esse cheiro é maconha? – Soph foi direta e Bela arregalou os olhos.
- Estou fedendo a maconha? – Flor perguntou e depois riu. – Que péssimo! Pois é, esse pessoal usa essas paradas, mas eu sou contra, sabe?  Não usei não, mas como eles estavam lá nesse lance, eu devo ter ficado meio fedida.
- Flor... Não anda com gente assim não... – Eu disse, preocupada.
- Eles são maneiros, Lia. Tranquilo.
- Mas você pode acabar se metendo em alguma merda... – Bela disse e eu concordei.
- Já falei que eu sou contra, meninas. Mas continua aí o assunto pra eu me inserir.
- Ah, é! A Bela ia perguntar alguma coisa. – Sam falou.
- Pois é. Bom... – Bela se ajeitou na cadeira. – eu quero saber se... Erm, vocês sabem que eu não era nenhuma louca por sexo, nem tinha tanta vontade de fazer isso, e tinha até um pouco de nojo...
- É, isso a gente já sabe, prossiga. – Falei.
- Bem... depois que eu e Tom... vocês sabem, depois que a gente...
- DEPOIS QUE VOCÊS TREPARAM – Sam a cortou e eu gargalhei.
- Ai, credo, a gente não trepou, a gente fez amor... – ela disse com o nariz empinado (depois riu de si mesma). – Enfim, depois disso, eu fiquei meio...
- Louca pra repetir mil vezes, todo dia? – Soph perguntou.
- Isso!
- Normal. Quer dizer... depois que eu transei com o Dougie, também fiquei com isso.
- Que bom, porque eu e Tom somos meio afoitos com essas coisas, sabe... A gente não para. – ela deu uma risadinha sem graça.
- Nossa, quem diria! – Flor exclamou rindo.
- Sabe qual foi meu Recorde? – ela perguntou rindo. – S-E-I-S.
- Mentira. – Falei tranquilamente. Eu simplesmente não acreditei, afinal, 'seis vezes' era muita coisa.
- Verdade. Eu juro. É sério.
- CARACA, BELA, TEMOS AQUI UMA RECORDISTA!- Sam começou a aplaudir, toda alegrinha. – TU É FODA!
- Meu máximo foram cinco vezes. E, no dia em que isso aconteceu, durante a quarta vez, eu jurava que não seria capaz de fazer mais uma de tão cansada que eu tava. Ou seja, você realmente está virando uma maníaca!
- Bela, Bela... Isso não é pra qualquer um não, hein... – Flor disse rindo, e a cutucando com o cotovelo.
- Mas me diz aí... Vocês ficam no papai e mamãe ou... – Sam foi gesticulando e eu comecei a rir, assim como a Bela.
- Pra te falar a verdade, acho que a posição que a gente menos faz é papai e mamãe. – Ela disse ficando vermelha. – Primeiro porque eu gosto mais das posições em que fico sentada, acho que tem mais contato, e segundo que existem outras posições mais interessantes...
- NOOOOOSSA! – Soph exclamou batendo palmas e eu ri incrédula, junto com a Flor e com a Sam.
Terminamos de almoçar depois de mudar de assunto umas sessenta vezes, e então Soph expulsou todo mundo porque tinha que trabalhar.
Eu fui correndo pra casa propiciar meu corpo para uma noite digna com Harry Judd. Ai, ai... A cama que se aguente.

Thalia’s POV off

Sam’s POV

Um dos motivos pra não gostar de Londres é essa droga de frio que não me deixa ir com um vestido decente (ou melhor, indecente) para os lugares. Eu tenho que botar uma calça, um bom casaco e algo quentinho nos pés senão não dá pra ficar bem.
Então lá estava eu, arrumada (#) (não como eu queria) esperando o taxi chegar, enquanto procurava um casaco bem grosso. Achei um preto que ficou bom.
- Ligaram da portaria dizendo que teu táxi chegou. Vai aonde? – Kaio perguntou, invadindo meu quarto.
- Vou sair.
- Não foi essa a minha pergunta.
- Vou a uma boate com o Danny e com a Flor pra comemorar, já que a gente passou de ano.
- E o resto não passou?
- Lógico que passou, mas eles foram comemorar com seus parceiros, na cama. Já que eu não tenho um parceiro pra ir pra cama comigo, vou pra boate mesmo.
- Entendi. Tudo bem então. Você volta tarde?
- Não sei se volto. Vou ficar bêbada então não sei pra onde vão me levar. - disse, e ele riu.
- Tudo bem, me liga quando tiver sóbria pra eu saber se você tá viva.
- Pode deixar, mano. – dei um beijinho na bochecha dele e caminhei até a porta.
- Esse vestido tá muito curto, hein. – ele disse antes de eu sair.
- Mas eu to de calça por baixo...
- Eu sei, é só pra não perder o costume.
- Ah, sim. - ri - Beijo! – saí e desci rapidamente. Pouco tempo depois, lá estava eu, na porta da boate, me encontrando com o Danny e com a Flor.
- E aí, Sammy! – Flor me abraçou. - Tá linda!
- Também amei sua roupa (#)! E... Oi, Dan.
- Oi! – ele sorriu e me deu um abraço.
- Me atrasei? – perguntei, enquanto íamos para a pequena fila da entrada vip.
- Não, a gente também acabou de chagar. – Danny falou e eu sorri.
O lugar era muito legal. Bem grande e aconchegante. Era tudo meio colorido... Adorei.
- Vamo lá pegar uma bebida, Sam! – Flor me puxou pela mão.

Sam’s POV off

Soph’s POV

Dougie me buscou na Starbucks e nós fomos pra minha casa, claro. Ficamos nos beijando no sofá, mas eu não tava me sentindo muito bem. Eu tava meio estranha, sei lá.
- Outch... – resmunguei baixinho durante um beijo, quando senti uma pontada na minha barriga. Essa não, hoje não, por favor...
- Que foi? – ele parou de me beijar e me olhou preocupado.
- Nada... Vou ao banheiro rapidinho.
- Não demora... – ele disse com um sorriso malicioso e eu tentei retribuir.
Corri pro banheiro, arriei minhas calças e vi a calcinha ensanguentada. DAMN!
- Puta-que-pariu. – resmunguei. Tirei toda a minha roupa e tomei um "projeto de banho". Lavei apenas o corpo e a calcinha, sem molhar o cabelo que já havia sido lavado mais cedo. Devo ter demorado uns cinco minutos no banheiro. Depois apenas troquei a roupa e voltei pra sala.
Dougie veio logo me beijar e eu o afastei...
- Mozi, hoje não vai rolar... – comentei meio triste.
- Por quê?!
- Porque eu... Eu tô meio que naqueles dias, sabe?
- Aaaah, não, tá brincando!
- Desculpa - o abracei, aconchegando minha cabeça em seu peito.
- Maldita natureza. – ele bufou e eu ri.
- Desculpa mesmo, amor... Mas se você quiser, eu posso te compensar.
- Não precisa, amor, tudo bem, a gente pode fazer varias coisas tipo... Ver filme... Sair pra jantar, ou qualquer outra coisa que você queira.
- Own, eu te amo, sabia?
- É, eu tinha uma noção. – ele riu e me deu um beijo longo.
- Tudo bem, então eu escolho sair pra jantar.
- Então vamos! – Doug se levantou do sofá e me puxou junto.
- Ei, espera, tenho que me arrumar.
- Oh, claro... - rolou os olhos e eu lhe dei um tapinha. - Não demora, tá?
- Tááá, Dougie. – resmunguei, caminhando até meu quarto.

Soph’s POV off

Estávamos vendo Star Wars, o primeiro. Tava bem na parte que aparece meu ídolo, o Anakin, todo fofinho, ganhando na corrida. Own, lindo. Quero ter um filho igualzinho a ele.
- Adoro essa parte. – Tom comentou vagamente.
- Eu também, mas eu já sei tudo que vai acontecer. – rolei os olhos. – A gente podia fazer algo mais interessante. E dói meu peito ter que falar isso, porque essa é, normalmente, a fala do homem.
- Foi mal, amor, é que tem muito tempo que eu não vejo o primeiro filme. Mas tudo bem, eu concordo que tem coisa melhor pra se fazer. – ele sorriu safadinho e eu retribuí, então começamos a nos beijar.
Pouco tempo depois, lá estava eu, apenas de calcinha, na minha cama e Tom apenas de boxer sobre mim. Eu tinha plena noção do estado dele, já que eu tinha o provocado de todos os jeitos.
- Camisinha... – ele sussurrou no meu ouvido e eu sorri. Já? Nossa, que apressadinho, mas tudo bem, não é como se eu tivesse em condições de esperar e enrolar também.
- Onde está? – perguntei no mesmo tom e ele parou de me beijar, me olhando com uma cara engraçada.
- Eu não trouxe, as minhas já acabaram... Onde você guarda?
- Como assim, onde eu guardo? Eu não guardo...
- Você não tem camisinha?
- Não! Eu não pensei que você tivesse tão pouca camisinha... Pra mim, você tinha um estoque em casa, e na carteira, e no carro, e em todos os lugares!
- Eu tinha! Mas a gente já usou tudo!
- Impossível,Tom! – eu disse, saindo de baixo dele e me sentando na cama, enfezada. – Não é como se a gente tivesse feito taaantas vezes assim! - ele me olhou com a sobrancelha erguida como se perguntasse "tem certeza?" e eu apenas rolei os olhos - Que merda, eu não vou transar sem camisinha. Não quero aparecer grávida por aí com dezoito anos.
- Também não quero ser pai tão cedo. – ele bufou. – E, porra, como você não tem camisinha em casa?
- Como você não traz camisinha quando você vem pra minha casa com o único objetivo de transar?
- Eu pensava que você tinha aqui, né.
- E eu pensava que você sempre teria com você. - suspirei alto - Ai, que merda, que merda...
- Existem coisas a se fazer que não precisam de camisinha.
- Ah, mas eu não quero ficar nessas coisas. – resmunguei.- E agora? A gente vai ficar aqui brincando de adoleta?
- Vamos comprar camisinha, ora. – ele deu de ombros.
- Só se você for, porque o que eles vão pensar de mim se eu for lá comprar camisinha? Imagina se alguém vê a gente comprando?! Vai sair na capa do jornal. Deus me livre! Você que vai.
- Bela, se eu for, vai dar no mesmo. Eles sabem com quem eu vou usar. – ele riu e eu ri junto.
- Tudo bem, a gente pode ligar anonimamente e pedir pra deixarem na portaria, sem dizer o que é. Aí depois a gente desce e passa na portaria pra pegar. Pronto, ninguém vai saber!
- Tá bom então, James Bond, vai lá.
- Vai lá nada! Você que vai! - vesti sua blusa que estava jogada ao meu lado e fui buscar o telefone da farmácia. - Pronto, tá aqui. E NÃO FAZ VOZ DE TOM, HEIN. - ordenei e ele riu, discando e colocando no auto-falante.


- Bliss Life Pharmacy, boa noite?
- Oi, er, boa noite. - Tom engrossou a voz e eu comecei a rir.
- Em que podemos ajudar?
- Eu queria fazer um pedido...
- Pode falar, senhor.
- Eu gostaria de... - ele olhou pra mim e sussurrou "quantas eu peço?" e eu respondi "um monte!". - Vinte pacotes daqueles que vêm cinco camisinhas.
- Desculpe senhor, mas a partir das dez horas nós apenas entregamos medicamentos. 
- O que? Por quê? Como assim?
- São as normas, senhor. E eu não sei se o senhor encontrará alguma farmácia que entregue preservativos a essa hora. 
- Ah, er... tudo bem. Obrigado. - ele desligou. - Fodeu, e agora?
- Não sei! - comecei a pensar, enquanto roía a unha do dedão.
- Eu vou lá comprar. - ele se levantou decidido.
- Não! Não! Ai, que vergonha... Como você faz pra comprar camisinha?
- O Fletch sempre compra pra gente.
- Ai, cadê o Fletch nessas horas?
- Porra, Bela, como você não tem camisinha, cara? 
- Não tendo, ora! 
- VAMOS PRA UM MOTEL!  Aí a gente pega todas as camisinhas do quarto.
- Não! Tá louco? Não vou pra um motel com você. - cruzei os braços.
- Por que não?!
- Porque não! Olha, acho que é melhor a gente voltar a ver star wars, sabe... 
- Não quero.
- Tem certeza?
- Tenho.
- O que você quer?
- Preciso mesmo falar?
- Tarado...
- Linda.
- Idiota.
- Linda.
- Para!
- Linda.
- Tom! Vou fazer greve! 
- Linda!
- OK, SEM SEXO DURANTE UM MÊS.
- O QUE? NÃO! PAREI, PAREI.
- Já era.
- Não, para. Nem fala uma coisa dessas. - ele me puxou pela cintura e foi beijando meu pescoço. Golpe baixo...
- Para Tom... - o empurrei, fazendo charminho, mas ele nem se moveu. - Para, Toooom!


Thalia's POV



Eu tava lá, linda e perfumada quando ele chegou. Nem disse oi, já foi me agarrando logo, me beijando e arrancando a roupa que eu escolhi cuidadosamente para esse dia. Mas tudo bem.
Se você quer saber, no caminho da sala até meu quarto, eu já tava toda despida, apenas de calcinha e sutiã, na maior desvantagem porque ele ainda estava apenas sem a camisa.


Harry praticamente me jogou na cama e desabotoou seu cinto enquanto eu sorria maliciosamente, e então ele veio como um lobo faminto pra cima de mim, explorando com bastante vontade o meu pescoço e colo. Suas mãos já massageavam meus seios, ainda cobertos e eu arfava de prazer.
O toque dele é tão sexy, brutal, firme e possessivo... Isso só me deixa ainda mais excitada.


Tirei sua calça, vendo o enorme volume em sua boxer e sorri. A boxer vinho, coladinha, aumentou demasiadamente meu apetite sexual. O fecho do meu sutiã já estava sendo procurado afoitamente, e não demorou para ser encontrado e aberto. No segundo seguinte a peça jazia no chão.
Sem perder tempo, a boca de Harry já explorava a região recentemente descoberta enquanto os gemidos insistiam em escapar da minha garganta. Minha boca já estava começando a sentir falta do gosto da boca dele, por isso o puxei pela cabeça fazendo com que nossas bocas se chocassem brutalmente e mais um beijo selvagem começasse.
Senti as mãos dele percorrerem minha lateral a té chegar no fino elástico da calcinha. A mesma foi lentamente puxada para baixo até minha intimidade encontrar-se descoberta e exposta.
Ele sorriu. Parecia realmente faminto. E então o famoso caminho de beijos languidos começou a ser traçado. Desde a minha boca, passando pelo pescoço, colo, abdômen, pelve, e finalmente... o ponto certo. 


Thalia's POV off


Florence's POV


Eu tava lá na maior alegria, bebendo e dançando, curtindo com a galera... Uma energia alto-astral e muito louca nos rodeava e aquilo era bom demais. Ao som de Toxic, da Spears, eu e Sam rebolávamos até o chão, junto com uns indivíduos que a gente tinha acabado de conhecer por ali.  
I'm addicted to you, don't you know that you're toxic? - Sam praticamente gritou, enquanto mexia lentamente e sensualmente o quadril. Entrei no passo e cantei junto. 
- And I love what you do, don't you know that you're toxic?! - Gargalhamos e no segundo seguinte, tinha uma mão na minha cintura, e se ele for tão gato quanto o que acabou de botar a mão na cintura da Sam, eu pego. Me virei de frente pra ele. Hmm, é gato... - E aí?
- Você dança bem. - ele disse com um sorriso safado.
- Hum, obrigada. Florence Johanson, prazer.
- Steve Baker, o prazer é todo meu. - ele me deu um beijo na bochecha, bem perto da boca. Hmm, ousado, gostei.
- Vamos dançar, Steve, eu quero ficar suada hoje! - disse, começando a me mexer no ritmo da batida, coisa que ele deveria fazer, porque (ao menos que ele esteja usando um fone invisível e escutando Hips don't lie da Shakira) ele não está dançando no ritmo certo. E eu não gosto de homens que não têm ritmo...
Steve começou a se empolgar e rebolar estranhamente, fazendo cara de orgasmo e eu estava achando aquilo definitivamente embaraçoso porque, querendo ou não, ele estava ali "comigo"...
- Er... S-steve, minha amiga está me chamando ali, eu já volto... - falei e ele nem ouviu, continuou lá na sua dança do acasalamento da qual eu preferia manter distância. - Sam! - chamei e ela olhou. Estava dançando com um cara, mas mantinha certa distância dele. - Vamos lá pegar uma bebida?
- Opa! Agora! 

- Quero um painkiller. - Sam pediu ao barman que assentiu e me olhou, esperando que eu dissesse o meu.
- Vou querer uma batida de coco. - E então o homem se afastou para fazer nossos drinks. - Painkiller? Isso é bebida de corno.
- Não é nada, é uma delicia se você quer saber.
- Pode ser gostoso, mas é bebida de corno, Sam, olha o nome! 
- Eu acho que eu vi o Danny... Com uma menina. - então esse deve ser o motivo do painkiller...
- Assim como ele deve ter te visto com um menino, enquanto você dançava. - disse com pesar. - Vocês têm que parar com isso, lindos. Podíamos estar aqui na maior curtição, mó vibe maneira, e vocês tão nessa de brigar e sentir ciuminho... Meu Deus, que péssimo.

O barman colocou os copos na nossa frente e Sam bebeu tudo de uma vez só, desprezando o canudinho, babando e deixando umas gotas vazarem pelos lados. Parecia uma alcoólatra.
- QUER SABER DE UMA COISA? - disse, batendo o copo no balcão, limpando, em seguida, a boca com as costas da mão. - Vou lá falar com ele. - então Sam se levantou, me deu as costas e foi marchando em direção ao dito cujo.
- Tá né. - dei de ombros e beberiquei minha batida, até alguém cutucar meu ombro.

Florence's POV off

Soph's POV


Me arrumei bem bonita, porque agora que eu ando com o Dougie, vai pegar mal se eu for toda troncha e eu não quero que justo eu vá parar nas revistas como 'a namorada do baixista lindo e maravilhoso que sai pra jantar numa sexta, toda horrorosa'. Por isso vesti uma roupa (#) simples, caso a gente fosse a um lugar simples, mas mesmo assim, chique e digna de uma namorada de Dougie Lee Poynter. 
Fiz uma trança muito rapidamente, propositalmente bagunçada, passei a maquiagem mais básica do mundo e pronto. 
- Tá linda. - ele disse com um sorrisinho fofo. - Agora vamos logo, já são dez horas. - demos as mãos e saímos. Nem vi qual restaurante ele escolheu, mas foi um que estava bem cheio e era muito agradável (e nada simples). 


- Ai, meu Deus, aquele é Dougie Poynter. - Escutamos uma moça falar e apontar pra nossa mesa. Prendemos o riso. - Oi, Dougie?
- Oi... Emily?! - ele pareceu reconhecê-la. Dougie se levantou e a abraçou com força. Eu lembrava dela de algum lugar.
Bom até o momento do abraço, tudo bem. Mas a partir do momento em que ela puxou uma cadeira, sentou e, sem nem olhar pra minha cara, começou a falar toda empolgadinha, aí cutucou a onça. E com vara curta.
Pigarreei.
- Doug? - ele me olhou, interrompendo a conversa animada dele com a tal Emma. Ou seria Emily? - Eu vou ao banheiro. - me levantei e segui, sem esconder qualquer resquício de insatisfação, até o banheiro.
Peguei o telefone e pensei em ligar pra Thalia. Mas ela não deveria estar num momento propício para atender telefonemas. Então, pensei em ligar pra Bela. Bom, ela também não devia estar num momento propício. 
Pensei em ligar pra Flor. É, ela iria me atender. Disquei e esperei. 
Nada.
Ok, vou apelar pra Sam. Não que haja algo de errado com ela, mas eu tenho certeza que ela vai dizer: "pega essa vadia pelos cabelos, mete a mão na cara dela e mostra que o Dougie é só seu!". Bom, milagres acontecem, então, eu posso tentar ligar pra ela. Novamente, disquei e esperei. 
Nada.
AI, QUE BODEGA.
Quer saber? Dane-se a Bela. Ela pode fazer o que quer que esteja fazendo outra hora. A obrigação de uma amiga é ajudar a outra, certo? Talvez... Ok. Vamos lá. Disquei... Esperei...
- Alô!
- FINALMENTE! - Exclamei. - Desculpa se eu estiver interrompendo alguma coisa aí...
- Não, não está interrompendo nada, porque, pelo visto, hoje não vai ter nada. - ela bufou.
- Ué, ele broxou?
- Não!
- Então o que houve, sexomaníaca?
- CERTAS PESSOAS não trouxeram a porcaria da camisinha, e quando ligamos pra farmácia, eles disseram que não pode entregar depois das dez!
- Vai na farmácia, ora.
- TÁ LOUCA? Não é a sua cara que vai estar em todos os cantos no dia seguinte.
- Ok, bom, não liguei pra resolver seu problema. Eu liguei porque eu to puta.
- Puta com o que? Você e o Mozi brigaram?
- NÃO, MAS DAQUI A POUCO, NÓS VAMOS.
- O que tá acontecendo?
- Bom, uma garota idiota que parece ser conhecida do Dougie chegou aqui no meio do nosso jantar...
- Vocês estão num restaurante?
- Sim... Enfim, ela chegou aqui no meio do nosso jantar e...
- Qual restaurante?
- BELA! 
- Ai, foi mal... É que eu tô com fome, e já que seu encontro já foi estragado mesmo, bem que eu podia aparecer aí com o Tom, né?
- Porra, você ajuda mesmo, hein.
- Own, desculpa, pode falar.
- Uma mulher que o Dougie já conhece chegou, o cumprimentou calorosamente, puxou uma cadeira assim, na maior cara de pau, sentou, começou a conversar com ele e NEM olhou na minha cara! Nem disse 'oi, com licença', ou pelo menos 'oi'! 
- Sério? Que vaca mal-educada! Ela é bonita?
- Pior que sim... É loira, olhos verdes, tem o cabelo liso e lindo, é meio alta, quase maior que o Dougie, e tem o maior corpão, e ainda se veste bem... Que merda. Acho que o nome dela é... Emily? Isso, Emily.
- Emily? Ai, meu Deus... 
- Que foi?
- Soph... Lembra da Emily? A menina que o Dougie era apaixonado, ex-vizinha dele...
- PORRA, ENTÃO ELA É A TAL EMILY! NÃO ACREDITO! QUERIA QUE A SAM TIVESSE AQUI. - Bufei alto.
- Calma... Erm, eu te aconselharia a ignorá-la totalmente, e começar a ficar de chameguinho com o Dougie, sabe? Ah, e também seja super legal com ela, porque assim você vai ser superior e fazê-la sentir mais raiva. Bom, é o que eu costumo fazer.
- Isso. É uma boa. Vou fazer isso.
- Qual o restaurante que vocês estão?
- Não sei o nome, é um que é quase em frente ao Big Ben... Um grande, chique.
- AH! JÁ SEI! Tô chegando aí. A gente vai deixar a Emily segurando vela, pode deixar. VAMOS AMOR! - ela gritou antes de desligar.


Voltei pra mesa e me sentei, dando um longo selinho em Doug. 
- Desculpe a demora, mozi, é que eu tava falando com a Bela no telefone, e... Você sabe, ela fala muito. - sorri e lhe dei outro beijo mais curto.
- Tudo bem. Ah, Emm, essa daqui é a Sophia, minha namorada. Desculpe, eu nem te apresentei. - Emm? EMM? QUE INTIMIDADE É ESSA, POYNTER?
Sorri docemente e estendi minha mão para cumprimentá-la. 
- Sou Emily Bolton, muito prazer.
- Da onde vocês se conhecem, mozi? - Não costumo chamá-lo assim na frente dos não íntimos, mas... Você sabe porque eu o fiz.


Soph's POV off


Eu e Tom já estávamos prestes a começar a tirar nossas roupas, ignorando temporariamente o problema da camisinha (ou da falta dela) quando a Soph me ligou. Foi até bom ela ter ligado.


Nos falamos, vesti uma roupa (#) rapidamente e fui pro restaurante com o Tom.


- Eu aposto que ele tem. Amanhã eu ligo pro Fletch e mando ele comprar bastante, tá?
- Beleza. - disse sorrindo. - Mas que fiquem bem claro que eu não estou indo só pra pedir uma mísera camisinha emprestada pro Dougie, tá? Eu tô indo por vários motivos.
- Mas um deles é pedir uma mísera camisinha emprestada pro Dougie. - ele riu e eu dei um tapa no braço dele.
- Outch! Que é? É mentira, por acaso?
- Não, mas...
- Não, mas... - ele me imitou debochadamente.
- Não, mas... - imitei debochadamente a imitação debochada dele.
- Por que você tá chata hoje? Isso tudo é falta de sexo? 
- Eu fiquei dezoito anos sem sexo, não é porque eu deixei de fazer um dia que eu vou mudar meu temperamento... E EU SEI QUE EU TO ERRADA, - eu disse rápido antes que ele me interrompesse pra falar o que eu já sabia. - mas me deixe errada que, como você mesmo já sabe, hoje eu tô chata. - dei um sorrisinho sem humor, e ele ficou com aquela cara e 'eu-estou-prendendo-o-riso'.


Paramos na porta do restaurante e o manobrista levou nosso carro enquanto entrávamos no ambiente. 


- Têm reserva? - a mulher perguntou com um sorriso bobo.
- Na verdade, nós viemos nos encontrar com o Dougie, ele já esta aí, certo? - Tom perguntou e a mulher assentiu prontamente, nos levando, em seguida, ao encontro deles.
Não é que a Emily estava lá mesmo? E, nossa, como ela tava bonita!
- Oi! - cheguei acenando para os três enquanto Tom sorria fofamente, daquele jeito peculiar que me fazia ter vontade de morder as bochechas dele.
- TOM, BELA! - Emily quase saltou da cadeira, me abraçou e depois abraçou o Tom.
- Você está maravilhosa! - minha pessoa disse sorrindo.
- Você sempre esteve! - a pessoa dela retribuiu o elogio, agradeci, e então eu e ele tomamos nosso lugares à mesa.
- Então, como vai o casal mais hot de toda Europa? - me lembrei que eu nunca gostei do jeito meio afetado dela de falar, sem contar que esse comentário é falta de educação, visto que tem outro casal digno de tabloides à mesa.
- Er... estamos bem, obrigada. - respondi. Troquei olhares com Soph que rolou os olhos, e tive que prender o riso.
- Vamos dar logo o castiçal pra ela. - Soph sussurrou, colocando discretamente a mão na frente da boca para que só eu visse. Sorri, assentindo levemente.
Soph, então, deitou sua cabeça no ombro de Dougie e começou a cariciar-lhe nuca e distribuir beijinhos pela região próxima à orelha.
Eu, depois de responder o garçom que veio perguntar o que nós dois pediríamos, simplesmente beijei o Tom, sem nenhum aviso prévio ou nenhuma cerimonia. Escutei um som estranho vindo de Soph e concluí que o som era proveniente de uma risada que quase lhe escapou dos lábios. 
Casais maneiros, um. Loira inconveniente, zero.


Thalia's POV


E finalmente, ele me penetrou. Finalmente, estávamos transando. Finalmente Harry entrou na câmara secreta
Quase ri com esse pensamento, e definitivamente o faria se não estivesse tão entorpecida de prazer. A cada estocada, meu gemido se tornava mais concreto e mais involuntário. Enrosquei as pernas em seu quadril buscando mais contato, e, certamente em reação à minha ação, ele passou a investir mais profundamente, o que me fazia arfar de um modo quase doentio.


Eu o queria tanto... Era tudo tão mágico, e diferente... Não importa o quão clichê isso soe, mas era. Era especial, era, com toda certeza, melhor do que qualquer outra transa que eu tenha tido.
Minhas mão passearam por suas costas sem preocupação se minhas unhas as arranhariam ou não. Toquei sua nuca de uma forma meio brutal, puxando seus cabelos e tentando trazer seu rosto pra próximo do meu.
Não conseguimos nos beijar. Os gemidos que preenchiam o quarto escapavam de nossos lábios de um jeito que não nos permitia selá-los, mas nossas bocas permaneceram colados, como se estivessem de prontidão para começar mais um beijo feroz.


Senti que meu ápice estava por vir. Meu corpo todo se arrepiou, o suor se intensificou e um grito parecia querer fugir da minha garganta. Senti meus músculos contraírem e relaxarem de forma completamente involuntária, em sincronia com as investidas dele, que  passaram a ter uma velocidade frenética, o que provava que seu orgasmo também não estava nada remoto.
E foi então que eu percebi o quanto o sexo com amor é melhor do que qualquer outra coisa. E eu percebi isso porque o que eu senti foi a melhor sensação de todas. Foi, definitivamente, o melhor orgasmo da história dos orgasmos e nada se compararia àquilo. 


Nota metal: me lembrar de praticar um pouco de auto-flagelação por ter me questionado, em um momento sequer, se o Harry era realmente bom de cama ou não. 


Meu coração, se tivesse pernas, já teria saído correndo pela minha boca, porque, nossa, o bicho estava acelerado... Parecia que eu tinha ficado duas horas sem respirar de tão ofegante e 'pesada' que estava me sentindo. Nunca senti tantos arrepios, nunca estive tão extasiada, nunca estive tão... bem. Nunca.
- Nossa... - Harry ofegou.
- Nossa... - Repeti o ato.
- Você é... Perfeita. - ele disse, distribuindo beijos pelo meu pescoço. - Perfeita.
- Harry... Eu amo você. - disse, e o silêncio (a não ser pelo som das nossas respirações aceleradas e pesadas) preencheu meu quarto, mas eu nunca tive tanta certeza do que dizer. 
- Eu também amo você. - ele disse um tempinho depois, e então eu sorri, o abraçando forte. - E, a propósito, oi. - ele riu.
- Ahn?
- Oi, eu nem falei com você quando cheguei. Que feio da minha parte! - ele se explicou e eu gargalhei.
- Que deselegante, Judd! 
- Desculpa. - deu uma risadinha - Mas, e aí, como foi seu dia?
- Meu dia foi maravilhoso e o seu?
- Idem. - disse, sem parar de distribuir beijinhos pelo meu pescoço.
- Hum, que bom. - disse. O sorriso bobo não queria sair do meu rosto, e... acredite, eu sentia como se tivesse acabado de perder a virgindade. Não pela parte da dor, porque, é sério, não doeu nada, mas pela parte das reações. O nervosismo, a felicidade, esse sentimento bom, mas ao mesmo tempo esquisito... O friozinho na barriga...
- Lia, se eu soubesse que você é tão... maravilhosa na cama, eu teria consumado o ato contigo há muito tempo. Teria te arrastado pra cama no primeiro dia que te vi.
- Tá me chamando de piranha, é, Judd?
- Não claro, que não. É só porque você é boa de cama mesmo. Ai, ai... Mais uma qualidade pra minha listinha de 'como a minha namorada é perfeita'.
- Nossa, você está tããão romântico hoje....
- Me deixa ser romântico, ok? Eu acabei de ter a melhor noite da minha vida, poxa.
- Ooown! - dei-lhe um selinho que, aos poucos, se tornou um beijo mais elaborado e... Hm... Excitante. 


Eu estava tão lisonjeada por ter sido 'a melhor para Harry Judd', porque, cá entre nós, ele já teve tantas, né... De todos os tipos... - Peitão, peitinho, peito médio, peito caído, bundão, bundinha, bolas-de-celulite, barriga tanquinho, barriga chapada, barriga flácida, cabeluda, carequinha, barulhenta, caladona... Ah, você entendeu. - Ele já teve tantas que é realmente uma honra ser a melhor.
Mas é o que dizem por aí... Sexo com amor faz toda a diferença mesmo...


Thalia's POV off


Sam's POV 


- Daniel Jones. - falei com firmeza e ele; que estava com cara de peixe, encarando um ponto aleatório, meio distraído e segurando uma bebida; me olhou. - eu quero falar com você. Agora.
- Que foi? Vai querer me dar um daqueles seus esporrinhos sem noção porque eu peguei uma garota? - ele alfinetou e eu fiquei com raiva. 'Esporrinhos sem noção' é o cu dele. - Se for, você vai perder seu tempo, Sam, na boa, porque paciência acaba. A minha é grande, mas já tá acabando e não é todo mundo que consegue ter paciência com você. E, além do mais, você também se divertiu bastante lá com os caras da pista de danç...
- Quer calar essa boca? Porra, não é nada disso, seu idiota. E também não precisa perder seu tempo falando do quanto eu sou chata, porque eu já sei muito bem, tá? Mas eu também sei, seu macaquinho albino, que é assim que você gosta de mim. - Continuei falando firme, e cruzei os braços mantendo minha pose autoritária.


Ele me olhou meio surpreso e rolou um silêncio  durante nossa troca de olhares. A loira que se agarrava com o grandalhão no sofá ao nosso lado parou de beijá-lo pra nos olhar e aquilo me incomodaria se eu não tivesse tão concentrada em fitá-lo.
- E... Eu também gosto de você exatamente do jeito que v-você é. - legal, agora eu, justo eu, estou gaguejando. E TRANSPIRANDO! Merda, minha axila tá molhada!
- Sam... - Danny vociferou meu nome com aquela rouquidão sedutora, num tom diferente dos que foram usados ultimamente, algo como... Preocupação... e eu senti um arrepio percorrer por entre as células do meu corpo. - ... Você bebeu?
What?!
Como é que é?
Ele quer uma porrada? É isso, produção?
- O-o que?
- Você bebeu, Sammy? - ele pareceu um pouco mais preocupado ao repetir.
Eu abri a boca, incrédula. Bufei e o olhei diabolicamente, cerrando os olhos.
- Olha aqui, Daniel, por que você não vai tomar no olho do teu cú e vai ver se eu tô na esquina? Aff! - virei as costas morrendo de raiva e andei apressada até a Flor. Ela tava conversando com um garoto muito gato, muito mesmo. Ele tinha dreads, mas não tinha aquele aspecto fedido e, nossa, ele era muito charmoso, caramba... Mas, sorry, eu terei que interromper.
- FLOR! - a chamei meio irritada e ela se virou sorridente.
- SAM! Esse aqui é o Samuel!
- Ah, oi Samuel. - sorri meio desconcertada. AQUELE era o famoso Samuel? 

- Oi, Sam. - ele sorriu, wow, que sorriso. - Prazer. - apertou delicadamente a minha mão. - É estranho chamar uma menina de Sam.... É o jeito que todo mundo me chama. - Nós três demos leves risadas.
- O Sam entrou de férias e veio aqui me visitar. - Flor sorriu e eu fiz o mesmo. - Mas você ainda não me falou como você me achou aqui... 
- Ah, sim. Foi bem fácil. Eu só liguei para aquela sua amiga, a Thalia, que você mandou eu ligar sempre que não conseguisse falar com você porque ela sempre atendia o telefone... - ele explicou. - Aí ela me disse que você estaria aqui.
- Ela tava gemendo ou parecia irritada? - perguntei curiosa e Samuel fez uma careta engraçada, tipo: "o.O".
- Não! - ele respondeu rindo. - Ela parecia normal.
- Ah, que bom... É porque justo essa noite ela ia...
- Sam, cala a boquinha. - Flor colocou a mão na minha boca com uma cara de reprovação disfarçada num sorriso sem graça, e eu entendi o recado. 
- Foi mal, foi mal... - murmurei. - Mas Flor, eu preciso mesmo falar você. 
- Mas agora...?
- Agora. 
- SAM! - escutei a voz de Danny vindo de trás de mim.
- Caralho, é o Danny Jones! - Samuel soltou e eu respirei fundo para não dar uma porrada no Jones.
- Eu te falei que eu conhecia ele... - Flor recobrou, dando de ombros.
- Ah, mas várias pessoas mandam esses caôs... - ele falou ainda boquiaberto, bem na hora que o Danny entrou na minha frente (entre mim e a Flor) e começou a falar:
- Posso te explicar? Você interpretou errado.
- Foda-se. É assim que eu quero interpretar e ponto final.
- Não, não é assim não. Você tem que me entender antes de tirar suas próprias conclusões. - ele me segurou pelo ombro. 
- Desinfeta, sua ameba nojenta. - tirei suas mãos dali e limpei os ombros. Infantil, eu sei, mas ajuda no drama.
- Para, Sam, dá pra você me escutar, por favor?
- Não. - disse, quase rosnando. Samuel fez uma cara medonha que, mesmo sem tirar os olhos de Danny, eu consegui ver perifericamente.
-  Saaaaam... - ele resmungou.
- Sai, Jones.
- Sam!
- SAI.
- Flor, fala pra ela me escutar? - Danny choramingou e Samuel arregalou os olhos (não me pergunte porquê).
- Sammy, para de ser boba e escuta o garoto logo... - ela resmungou sem ânimo.
- Não tô afim.
- Ah, Danny, deixa de ser idiota, também, né... Ela tá escutando, é só você falar. Isso tudo aí é birra.
- Ah, é verdade. - ele deu de ombros e Flor apenas rolou os olhos. - Bom, Sam, como eu já disse, você entendeu tudo errado. Eu perguntei se você bebeu porque eu estava realmente preocupado, afinal, você nunca fala aquele tipo de coisa, principalmente do nada, e ainda não me bateu por eu ter falado tudo que falei, e também porque você até... gaguejou, isso é sinistro. Aí eu juntei todas essas coisas estranhas e concluí que você poderia estar bêbada. Eu só perguntei pra saber se aquilo tudo era verdade mesmo e eu poderia ficar feliz, ou se eu tinha que ficar triste e frustrado pela triste realidade de você não saber o que está falando. - ele suspirou.
- Você também é um babaca, né? Por que não disse isso tudo antes? Porra, tinha que me estressar e esperar esse tempo todo pra falar?
- Eu tava tentando, né?! Você saiu correndo por essa multidão e queria o que? Que eu tivesse super poderes que fizessem todas essas pessoas ficarem invisíveis e eu poder transpassá-las? Desculpe mas eu ainda não sou o Tom, beleza? - ele falou e eu gargalhei.
Eu sei que tava bolada, mas foi engraçado, ora. Nem a Flor e nem o Samuel riram, já que foi uma piada muito interna.... 
- Ok, tudo bem, eu nem tô mais estressada, já passou. - suspirei. 
- Ótimo. - Danny disse antes de me puxar pela cintura e me beijar. Eu tava com tanta saudade daquele gosto!


- Caramba... - Samuel balbuciou. - Então... Você não apenas conhece o Danny Jones, você é amiga do Danny Jones! 
- É, Samuel, eu te disse. - Flor falou.
- Eu sei, mas é difícil acreditar.
- Por quê? Você sabe que eu sou amiga da Bela, então qual era a dificuldade de acreditar que eu conhecia os meninos?
- Isso é muito foda! - ele falou rindo. - Minha namorada é amiga das estrelas!
- SUA O QUE? - Eu, Danny e Flor falamos juntos e foi muito 'ceninha de filme'. Eu até ri depois, mas a Flor continuou com aquela cara de 'WHAT?!'


Sam's POV off


Um grude. Nós estávamos um grude. O problema é que essa brincadeira estava realmente me animando e me deixando... Excitada. Pois é, eu estava começando a ficar com certas vontades, se é que você me entende.
O plano da Soph tava funcionando bem. A menina inconveniente nem tinha onde enfiar a cara. Isso significa que eu já posso parar de ficar com o Tom, certo...? Espero que sim. Acho que é melhor eu ir acalmar os ânimos, jogar uma água no rosto...
- Er, eu vou ao banheiro.
- Tê aconselho a ir ao banheiro do segundo piso porque esse aqui é sempre muito cheio. - Emily informou assim que eu terminei de falar, como se tivesse desesperada pra dizer alguma coisa.
- Verdade. - Soph concordou sorrindo cordialmente. - Quando eu falei com você, fui no banheiro do segundo piso. Não tinha ninguém.
- Ah, obrigada. - sorri. Me levantei e fui apressada até o banheiro. Cheguei lá, apoiei minhas mãos na pia e respirei fundo. Aquele banheiro era meio macabro. Meio envelhecido (obviamente, era muito chique apesar disso. A "velhice" do local era algo estilístico) e me lembrava o banheiro da casa da velha sinistra do filme de terror. A porta era igualzinha e a iluminação fraca também...


Bom, quando eu disse que ia jogar uma água no rosto era só modo de dizer, porque é claro que nenhuma mulher em sã consciência iria tacar água no rosto enquanto está maquiada. Eu só queria respirar e me acalmar.
Encarei minha imagem no espelho e depois fechei os olhos. Respirei fundo de novo, ainda apoiada na pia e foi quando eu senti algo ou alguém envolvendo minha cintura.
Me preparei para dar um koshi guruma fatal - isso se eu não falecesse bem ali - na cara daquele ser maligno mas como minha primeira e involuntária reação foi, obviamente, abrir os olhos, eu vi pelo espelho que o idiota-sem-noção-filho-de-uma-égua era o Tom.
- Desgramado, quer me matar?!  - falei levando a mão à região do coração, que estava exacerbadamente acelerado.
- De amores? - ele perguntou e riu em seguida. Ri junto.
- Posso saber o que você está fazendo no banheiro feminino? Na verdade, isso é tão previsível, Fletcher...
- Você sabia que eu viria?
- imaginava. - confessei, e ele sorriu malicioso, me beijando em seguida. Foi me guiando até um das cabines, depois a trancou e tirou do bolso uma camisinha com uma cara sapeca.
- TOM! Que vergonha, você pediu pro Dougie na frente delas?! E todo mundo sabe que a gente veio dar uma rapidinha no banheiro?!
- Não, na verdade, só o Dougie sabe. Eu fui discreto, não se preocupe. - sorriu e me deu um selinho. - Agora eu quero usar isso aqui - balançou o pacotinho entre os dedos - urgentemente.
Sorri maliciosa e o puxei pelo pescoço para mais um beijo apressado.

E essa vez foi literalmente rapidinha. A gente mal tirou a roupa e fez tudo MUITO rápido (rolou aquele medo de alguém entrar e a adrenalina apenas contribuiu para a aceleração do orgasmo). Foi divertido. E quente.
Saímos rindo muito da cabine, afinal, tava frio e nós estavamos vermelhos de calor, suando igual a Sam de casaco em dias quentes. (Mentira, nem tanto).
Me ajeitei diante do espelho e saí um pouco antes dele pra ver se ninguém iria nos flagr...
- Bela!
- O-Oi... - sorri sem graça. Essa nããããão...
- Eu sou sua fã! Você é maravilhosa! Quando vai ter um show seu aqui?

- Va-vai ter um no fim do ano...
- Tô sabendo, em Paris, né...
- Isso.
- Vai ter aqui em Londres?
- C-claro! - Dei uma gargalhada forçada.
- Tom está aí?
Meu sorriso saiu na hora.
- Aí aonde?
- Aí, com você, ora!
- N-não! Como assim? O que você viu?
- Er, nada, eu queria saber se você veio sozinha ou...
- Ao banheiro?
- Ao restaurante.
- Ah, sim, é, ele veio. Ele está no banheiro. De homens. - sorri e ela fez o mesmo.
- Foi bom falar com você, Bela! Não posso esperar pelo show! Será que podemos tirar uma foto antes de eu entrar no banheiro? - puta merda.
- E-entrar no banheiro?
- É...
- Ok! Que bom que VOCE TÁ ENTRANDO NESSE BANHEIRO - falei alto para ele ouvir e se esconder - Ele é... É muito... Exótico! - nossa... me espanto comigo mesma, às vezes...
- Ah, claro... - ela deu de ombros não entendendo muito bem meu comentário sem nexo,  e sacou a câmera da bolsa. Batemos uma foto e ela entrou.
Foi questão de segundos até eu escutar um grito e observar o Fletcher saindo apressado.
- Fodeu. - balbuciei com os olhos fechados.
- Merda, como ela me viu? A cabine dela estava fechada! Que tipo de magia negra ela usou?

- Eu vou pra casa imprimir cartazes de "procura-se minha dignidade" e espalhar pelas ruas, adeus. - me virei de costas exatamente no segundo que a menina gritou, la de dentro:
- Alguém me salva! Uma barata! 


Sabe o que é alívio? Aquela coisa que te dá, que parece que uma bigorna de duzentas toneladas sumiu das suas costas? Então! Isso mesmo que eu senti. Suspirei tão alto que  Tom chegou a rir. Ou ele riu do meu comentário idiota sobre os cartazes da dignidade, ainda não sei.


- Vou lá salvar a menina. - Disse e ele assentiu, ainda rindo. Entrei no banheiro e ela estava escorada no canto do banheiro olhando com cara de pavor pra cabine (a que eu e Tom usamos, coincidentemente) onde tinha uma baratinha na porta.
Caminhei lentamente até a barata, a matei e olhei pra menina.
- Você tem medo?
- Pavor. Você me salvou, obrigada. Eu tinha entrado na cabine, já estava até me despindo quando vi aquele ser repugnante, ai, cruz credo. Obrigada, Bela. - ela sorriu. - Eu amo você!
- Own, obrigada! Agora pode usar o banheiro em paz. A gente se vê por aí. - sorri docemente e saí. - Nossa, hoje foi um dia intenso. - disse pro Tom, que segurou minha mão e nós descemos.
- Ainda não acabou. - ele retrucou rindo quando nos sentamos. Emily finalmente não estava mais lá.
- E aí, foi bom? - Soph perguntou.
- TOM! Você disse que foi discreto!
- Mas eu fui...
- O Dougie me contou. - Soph disse com indiferença.
- DOUGIE! - esbravejei.
- Não liga não, cara. A Bela está temperamental hoje. - Tom disse. - Cada hora ela tá de um jeito, tem que saber lidar.
- Vai à merda. - falei rindo.


Vou resumir o que aconteceu depois disso:
Comemos até os alimentos começarem a sair pelos orifícios, fui pra casa do Tom, Dougie foi pra casa da Soph e depois todos nós acordamos no sábado, felizes da vida, uhul!


- Alô? - atendi meu telefone que tocava pela milésima vez, acho que era a Sam.
- Oi, sua vaca. - É, era a Sam.
- Tá de bom humor, é?
- Estou sim. - ela riu - Precisamos conversar! - é, ela está mesmo de bom humor.
- Transou com quem?
- Com o Danny, HAHAHAHA.
- MENTIRA!
- VERDADE!
- AAAAAH! QUE LINDOOOO! 
- Eu sei! Bom, estou ligando porque eu quero que geral se encontre como a gente sempre faz. Fala pro Tom que vai ser na casa dele.
- Tá bom. Estamos esperando. 
- Beijos, feia.
- Beijos! - desliguei - TOOOOOOOOOOM! 
- QUÊ! - Ele gritou de algum lugar da casa.
- DUAS COISAS: TÔ COM FOME E O DANNY PEGOU A SAM! - gritei de volta.
- QUÊ? - esses gritos não estavam dando certo.
Desci e o encontrei mexendo em alguma coisa no estúdio.
- Tá fazendo o que?
- Eu quero um gato.
- Ahn?
- Eu tava vendo umas fotos de quando eu era criança e eu sempre tive gatos, agora que tenho minha própria casa, não tenho. Vou comprar um.
- É uma boa, eu gosto de gato.
- De que animal você não gosta? - ele brincou.
- Dos que andam muito rápido, ou muito devagar. 
- Ah, verdade. Por isso você não gosta de insetos, né.
- É. - sorri sem mostrar os dentes - Mas que porra de assunto é esse? Eu vim aqui falar coisas importantes!
- Fala. - ele disse rindo.
- São duas coisas. Um: tô com fome. Dois: O DANNY E A SAM SE PEGARAM! 
- Sério? Até que enfim! Porra, tava demorando, já.
- Pois é! Eu tô tão feliz... Mas ainda sim, faminta, o que diminui minha felicidade. Faz uma comida pra mim? - pedi, abraçando seu pescoço.
- O que você quer? - ele abraçou minha cintura.
- O que eu quero mesmo é uma quiche de queijo e presunto, mas eu aceito o que você quiser preparar.
- E se eu não quiser preparar nada? 
- Aí eu terei que te obrigar.
- Por que você não come um biscoito?
- Aqui tem os biscoitos que eu gosto?
- Tem! Você que comprou da última vez, e eu ainda não comi aquilo tudo.
- Tudo bem, então aceito os biscoitos.


Um tempo depois, eu e Tom estávamos comendo gelatina - acabamos com os biscoitos -, vendo TV, quando a campainha tocou. Ele me olhou claramente confuso e se levantou para abrir a porta.
- Fala aê, Fletcher. - Harry deu dois tapinhas nas costas dele e entrou com a Lia, com a Sam, com o Danny, Soph, Dougie, Flor e um cara bonito.
Um cara muito bonito.
Para tudo. 

Ele é lindo demais.
- Quanta gente! - Tom exclamou com uma expressão engraçada.
- Não sabia que a gente vinha? - Soph perguntou.
- Não...
- AH, É! - gritei - Tom, o pessoal vem pra cá hoje.
- Ah, obrigada por avisar com antecedência, Bela. - Ele gratificou (sem comentários sobre sua ironia gratuita), me fazendo rir.
- Cara, eu não acredito... - O garoto bonitinho falou com um ar sonhador. - Tô na casa do Thomas Fletcher...
- Não vai apresentar seu amigo, Flor? - eu disse fazendo charme, HAHAHAH.
- É, a Flor tem essa mania de nunca apresentar os gatinhos pra gente... - Sam disse e Lia concordou.
- Péssima mania... - adicionei, o olhando sem a menor discrição. - Muito prazer - estendi a mão para cumprimentá-lo (ele estava vermelhinho, que fofo). 
- Oh, meu Deus, o prazer é todo meu Bela, você é tão... tão... Linda, você é maravilhosa, desculpe meu olhar descarado, mas não consigo evitar, você é...
- Eu te achei tão bonito quanto, você é encantador... -  falei com sinceridade (ela era lindo demais, gente, cês não têm noção, pirei). - A propósito - comentei sorrindo, olhando no fundo dos seus olhos verdes, sem conseguir quebrar a conexão que estabelecemos. Eu devia estar olhando pra ele com uma cara de retardada, porque eu tava hipnotizada com tanta beleza... - Sou Bela Johnson, e você é...?
- Samuel Larsen, e, acredite, não tem nada mais encantador nessa sala do que seus olhos... - ele beijou cordialmente minha mão. Vou desmaiar.
Samuel, foi mal aí, mas tu é muito gato.
- Oh, seus olhos também são...
- Eu sei que ele é lindo, Bela, mas já tem dona, ok? Pode parar de olhar com essa cara de caçador pra cima da minha presa. - Flor disse agarrando-o.
Pera aí... Samuel... Samuel? SAMUEL! É O GAROTO DO ALASCA!
- Eu sei, eu sei. - ri e coloquei o cabelo atrás da orelha. - Desculpe, Flor, mas é que... Com todo respeito, o Samuel parece um Deus Grego... - comentei com um tom de humor.
Quando eu olhei pra Sam, ela ria, mas parecia um pouco preocupada. Acompanhei seu movimento de cabeça que indicava, que eu olhasse para onde Tom estava.
Harry terminava de cochichar alguma coisa em seu ouvido, e ele não estava com uma cara muito boa.
É, no lugar dele, eu também não estaria. Sabe, eu não sou uma pessoa ciumenta e eu sei que ele também não é, mas tem certas coisas que são impossíveis de não se importar... Até porque eu sabia o jeito como eu estava fitando o Samuel...

Shit.


- Er, por que vocês não entram? - falei, meio sem jeito. Tom virou as costas, sem nenhuma expressão no rosto (o que me assustava) e se sentou largadamente no sofá, com Dougie ao seu lado.
- Que foi, Tom? - Danny perguntou alto, notando seu comportamento frio, e Sam lhe deu um beliscão. - OUTCH! Qual o problema de perguntar o que aconteceu? 
- Danny, fica caladinho, fica? - Sammy pediu e ele rolou os olhos, indo pro sofá. - Gente, eu que chamei todo mundo aqui e foi por um motivo bem nobre. Nesse ano nós vamos passar o natal juntos, né?
- Sim. - todos responderam em uníssono.
- Ótimo, então eu quero saber como vai funcionar essa parada de presentes...
- Ah, o de sempre. - Harry deu de ombros. - Nós quatro nunca levamos isso a sério...
- A gente prefere ganhar brinquedos. - Danny falou e todo mundo olhou pra ele - Que é? Vai falar que ganhar brinquedo não é muito melhor que ganhar qualquer outra coisa?!
- Vou te dar um Ken Malibu. - Falei.
- O que é um Ken Malibu?
- O namorado, da Barbie Malibu, dããã! - Soph explicou e eu concordei.
- Ok, ok, gente, então vamos fazer o seguinte, só pra eu não falir, nada de presentes bons pra ninguém, tá bom? - Sam propôs.
- Tá. - todo mundo murmurou indiferente.
- Mas eu vou dar um presente bom pra Lia. - Harry foi logo declarando.
- Eu também. - Dougie disse.
- Vai da um presente bom pra Lia? - perguntei rindo.
- Vocês entenderam... - ele resmungou.
- Que você vai dar um presente bom pra Lia? - Danny questionou.
- Porra, que eu vou dar um presente bom pra minha namorada! - Ele disse sério, depois riu.
- Ah, tá. - Danny  balbuciou e eu gargalhei.
- Tá bom, tá bom, vocês vão dar presentes bons pras amadas de vocês, já entendi, mas de resto, nada de luxuosidades, pra eu não ficar me achando a pobre, beleza?
- Meu voto é que ninguém dê presente pra ninguém... Só os namorados, é claro... Senão eu vou empobrecer total, gente... Tudo bem por vocês? - Flor sugeriu.
- Beleza! - mais uma vez, todos concordaram.
- Pronto, só isso, agora todos já podem ir embora. - Sam disse com um sorrisinho. Óbvio que ninguém foi embora, PFFF...


Durante todo o tempo Tom nem me olhou. Aquilo estava me matando. Teve uma hora que ele se levantou e foi até a cozinha e eu fui atrás. Ele não percebeu que eu tinha ido até escutar o barulho da porta da cozinha se fechando.
Me olhou duramente e depois desviou o olhar para a geladeira, pegando uma cerveja.
- Tom... - ele nem sequer olhou. - Tom. - ainda não obtive resposta - Thomas! Quer parar com isso?
- Com isso o que? - perguntou meio impaciente.
- Quer parar de me ignorar?
- Ah, claro, me desculpa. - ele não fez nenhuma questão de esconder a ironia. Bufei.
- Tom, olha, eu sei que eu fui meio escrota...
- Meio?
- Quer parar, você também ta sendo escroto!
- Pois é, agora eu não tenho nem o direito de me irritar depois de ver a minha namorada se jogando pra cima de outro cara na minha frente, sem se dar ao trabalho de disfarçar, como se você não fosse ficar puta se me visse dando em cima de outra garota. - ele riu sarcasticamente e voltou a prestar atenção na cerveja.
Suspirei.
- Eu sei que eu ia... Mas eu confio em você e sei que você não faria nada disso comigo.
- Mas você fez comigo, isso significa que eu não devo confiar em você?
- É claro que não! Você entendeu o que eu quis dizer!
- Não, Bela, eu não entendi.
- Olha, Tom, não dificulta as coisas tá bom? Você sabe que eu quis dizer que eu sei muito bem que você não me trairia, assim como deveria saber que eu nunca faria isso contigo...
- Você parece não levar em conta que há poucas horas atrás estava de gracinha pra aquele babaca.
- Tom, para de ser idiota, por favor?
- Você está me tirando do sério. - ele passou por mim indo em direção a porta da cozinha para sair do cômodo, quando Dougie e Soph entraram. 
Eu os ignorei.
- Ah, então foda-se, também! Eu já pedi desculpas, se você quer ficar de criancice, problema é seu!  – ralhei e ele se virou lentamente até ficarmos frente a frente de novo.
- Você realmente acha que eu estou fazendo criancice? – perguntou incrédulo e assenti com a cabeça, erguendo as sobrancelhas. Tom riu ironicamente e depois me olhou meio raivoso. – Então vamos ver como você reage quando eu fizer mesma coisa.
- PORRA, eu já sei que isso não é uma coisa que agrade a alguém, MAS EU TAMBÉM JÁ PEDI DESCULPAS!
Soph e Dougie encaravam tudo assustados e quietos, talvez por nós dois sermos o tipo de pessoas que não brigam dessa forma.
- Tá, eu desculpo. – Tom deu de ombros e deixou a cozinha.
- Isso foi o mesmo que nada. – Dougie comentou o que eu já sabia.
- Cala a boca Dougie. - Soph repreendeu discretamente.
Eu estava com raiva demais para proferir qualquer palavra. Era óbvio que ele não tinha desculpado, e o fato dele ter dito aquilo com aquela cara de desprezo piorou tudo.
Eu quis gritar, mas não o fiz. Apenas saí batendo o pé, peguei meu casaco e deixei a casa, fazendo questão de bater a porta bem forte.

Thalia’s POV

Ninguém entendeu porquê o Tom saiu daquele jeito da cozinha, se jogou no sofá com a cara mais emburrada do mundo e quase acabou com latinha de cerveja num gole só.
- Cara, o que há de errado? – Danny perguntou.
- Nada. – Tom disse seco.
- Eu sei que tem alguma coisa acontecendo, você tá murmurando palavrões baixinho... Alguém deve ter te fodido legal.
Segundos depois, Bela passou como um furacão pela sala e saiu, batendo a porta.
Tom revirou os olhos. Já entendi tudo. Os dois brigaram. Também brigaria com ela se eu fosse ele, diga-se de passagem.
- Vou atrás dela, ela tá de cabeça quente e boa coisa isso não vai dar. – Soph avisou.
- Também vou. – Eu disse. Me senti na obrigação de conversar com a Bela.

Eu e Soph caminhamos até ela.
- Merda, merda, merda... – ela sussurrava, sentada em um banco, com a cabeça apoiada nas mãos, e os cotovelos no joelho.
- Bela... – chamei e ela me olhou. Estava com os olhos inchados e nariz vermelho.
- Eu não estou chorando, é só uma conjuntivite nos dois olhos e um soco no nariz que eu tomei de uma velhinha. – ela falou fungando e limpando as lágrimas.
- Ah, claro.  – Soph riu e sentou ao lado dela.
Olhei pro lado e avistei Sam correndo até nós.
- Lia, Lia! – ela me gritava. – Flor tá te chamando para não sei o que.
- Fiquem aqui, meninas, eu já volto. – disse e fui correndo até a casa do Tom. Sam ficou lá com elas.

- O que é?
- Te chamei pra ver essa foto super sensual sua e do Harry que saiu na internet. – ela disse rindo. Fui olhar a foto. Não era nada demais, a gente só tava se beijando intensamente.
- Pff, isso não é nada! – Danny debochou rindo – Olha todas essas do Tom com a B...
- Cala a boca, meu filho... – Harry censurou e Tom rolou os olhos.
- A Bela tá linda nessa foto... – Comentei sem prestar muita atenção.
- CADÊ? – Samuel se empolgou e chegou perto pra ver. Tom se levantou irritado e eu e Harry nos olhamos. – Ele está com raiva de mim?
- Talvez... – Dougie falou.
- Desculpem, foi sem querer...
- É que ele é fã da Bela, gente... – Flor disse.
- Pois é... Ela é muito...
- Melhor você não falar nada, Sam. – Flor o cortou. – A vibe tá tensa.
- Foi mal...

Continuamos vendo as fotos quando a Sam abriu a porta ofegante, com o braço sangrando e chorando tanto que não conseguia falar. Ela tava pálida, fraca, deu medo.
- O QUE HOUVE, SAM? – Danny perguntou estático no sofá.
- ELES E-ELES... LIGA PRA P-POLÍCIA, PELO AMOR DE DEUS! – Ela gritou antes de cair no chão. Não estava nem ligando pro braço sangrando, o que era mais estranho e mostrava o quão sério era o que estava acontecendo.
- CADÊ A BELA E A SOPH? – Foi a primeira coisa que eu consegui pensar antes das lágrimas queimarem meus olhos.
- FALA, SAM! CADÊ? – Tom perguntou desesperado.
- SAM, FALA ALGUMA COISA! – Dougie a sacudiu pelos ombros e Sam chorava cada vez mais. Senti minhas pernas fraquejarem e caí no sofá. Flor me abraçou chorando e Harry foi correndo para a rua.
- ELES AS LEVARAM, ELES AS LEVARAM, PELO AMOR DE DEUS, ALGUÉM CHAMA A POLÍCIA...
- Calma, Sam, vem aqui! – Danny a pegou no colo e a colocou no sofá. Eu não consegui mais respirar de tanto que chorava e então senti medo por Harry ter ido lá pra fora, medo pelo que a Soph e a Bela estavam sendo submetidas... Por isso me levantei e fui correndo até lá.
- HARRY! – Gritei chorando, ele também chorava ao ver as manchas de sangue no chão e no banquinho onde elas estavam o que me fez sentir algo que eu nunca havia sentido em toda a minha vida. A pior sensação do mundo. Eu não sabia direito o que era, mas era a pior coisa do mundo.
Olhei pro lado e Tom estava lá chorando também, olhando pro banquinho.

Meu Deus, diz que isso é um pesadelo, por favor. Por favor, diz que isso é só um pesadelo.

Thalia's POV off


[Bela's narrative mode off]



Não. Aquilo não foi um pesadelo.
Foi pior, bem pior. Aquele dia foi o pior dia da vida de todos eles. Os pais de Bela voaram para Londres no mesmo dia, e a imprensa, minutos depois já estava sabendo e comentando.

No dia seguinte, logo de manhã, Sam foi à delegacia contar como foi o momento, dar detalhes e tudo mais. Danny foi com ela para dar-lhe apoio. A menina mal conseguia falar.

- Senhorita Sammy Bradley? - Uma mulher a chamou. - Pode me acompanhar por favor?
Ela entrou numa sala onde dois homens (o delegado e mais um outro) se encontravam. Se sentou e respirou fundo, limpando as lágrimas.
- Bom dia, Senhorita Bradley. Sou Gregory Hoodie. - ela sorriu fraco para o senhor e ele pigarreou, se ajeitando na cadeira. - Respeitarei seu estado emocional mas preciso que, para o bem de todos, me responda algumas perguntas.
Sam assentiu com a cabeça e o delegado apoiou os cotovelos na mesa.
- Pode me contar como foi a cena do crime?
- P-posso sim. - ela fungou. - Estávamos conversando no banquinho em frente ao condomínio do Tom quando um carro grande freou bruscamente em nossa frente. A princípio não nos assustamos muito, porque, especialmente naquela região, são raros os casos de... de violência. - ela fungou novamente.
- Qual era o carro?
- Não sei qual era o carro, desculpe. Mas eu me recordo da cor, preto de vidros escuros, e de metade da placa: LY53N... Não me lembro do resto...
- Essas informações foram valiosas, senhorita Bradley. - ele sorriu e trocou olhares com o outro cara que registrava o que Sam dizia. - Continue.
- Foram dois homens. Um saltou do carro, o outro ficou no volante gritando 'vai logo, vai logo, se apresse!'. - fungou - Ele pegou primeiramente a Bela, a segurou como se tivesse dando uma gravata - fungou de novo - e colocou um paninho sobre a boca dela que a fez desmaiar em segundos. Eu comecei a gritar e chorar, então ele tirou uma faca de algum - fungou mais uma vez - lugar e golpeou meu braço. A Soph tentou impedir, e ele a golpeou também... - Sam começou a chorar abertamente, lembrando da cena - Foi na barriga, e ela caiu no chão chorando... - soluçou, pregando os olhos com força - com as mãos sobre o corte... E então o homem abriu a porta traseira, jogou Bela lá dentro e jogou a Soph também... Ele ia me pegar, mas e-eu corri, e outro cara disse que n-não havia tempo... Eles foram embora com elas... - Sam soluçou mais uma vez e o delegado apontou para um copo d'água que estava sobre a mesa. Ela bebeu e se recompôs. Ou pelo menos tentou.
- Você percebeu alguma intenção neles, como se aquilo fosse planejado...?
- Não sei, mas ele foi diretamente na Bela e a deixou inconsciente... Não sei se eles a queriam...
- Tem detalhes dos homens?
- Eles usavam máscaras e estavam vestidos de preto... Nem mesmo os olhos estavam descobertos. Nem as mãos, nem nada. - Uma vontade enorme de chorar e ir atrás das amigas lhe consumiu e o coração pareceu ainda mais pesado e apertado. Ela se sentia doente. - Eu não sei de mais nada, senhor delegado. Posso, por favor, ir embora?
- Sim. Obrigada, senhorita Bradley e não se preocupe, faremos o possível para trazê-las de volta, sãs e salvas.
- Obrigada, com licença. - Ela se levantou e saiu a apressada da sala, sendo recebida pelos braços de Danny e, inesperadamente, de seus pais.

- Tom... Tom, levanta daí, vem comer alguma coisa...
- Não, obrigado. Eu tô sem fome.
- Impossível, Tom, sou uma Fletcher e os Fletchers sentem fome o tempo todo. - Carrie disse com um leve sorriso. Havia voado para Londres com sua mãe assim que souberam do acontecido.
- A Bela não era uma Fletcher, mas sentia fome o tempo todo... - ele comentou, melancólico e sua irmã suspirou, limpando a lágrima que caíra de seu olho.
- Tom, ela vai ficar bem. Acredite... Apenas acredite. E você tem que ser forte por você e por ela porque, veja bem, quando ela voltar, não vai querer te ver magrelo e horroroso.
- Eu não quero comer agora, sério, Carrie. Obrigado.
- Tudo bem... Mas me prometa que você comerá bastante mais tarde.
- Tá. - ele disse sem pensar e ela deixou o quarto dele com pesar. Tom nem se moveu na cama. Apenas chorou mais um pouco.

- Dougie! Para de chorar, meu amor!
- Mãe, e se ela morrer? E se ela morrer, o que eu vou fazer? Se aqueles caras matarem a Soph, mãe? E se eles matarem as duas? O que vai ser de mim?
- Calma, filho, não pensa no pior... Pensa no melhor, reza pra elas voltarem logo...
- EU QUERO QUE ELAS VOLTEM AGORA! PORRA, SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE? O QUE ELES PODEM ESTAR FAZENDO COM ELAS AGORA? O QUE? IMAGINA O QUE AQUELES FILHOS DE UMA PUTA SERIAM CAPAZES DE FAZER, MÃE? 
- Dougie... - ela suspirou. Não havia nada a ser feito... Não havia nada a ser dito. - Eu sinto muito...
- Eu também sinto, mãe... Muito mesmo.

Lia estava arrumando as coisas para passar na casa de Bela e encontrar o Sr. e Sra. Johnson. Assim que saiu de seu prédio, junto com o Harry, ambos cobrindo os olhos inchados com os óculos escuros, foram atacados pela imprensa.
- THALIA, THALIA... TEM NOTÍCIAS DAS MENINAS?
- HARRY É VERDADE QUE DEPOIS DO SEQUESTRO, O MCFLY VAI CANCELAR A TURNÊ?
- THALIA, COMO SE SENTE?
- TEM ALGUMA COISA A DECLARAR?
- Não tenho nada a declarar. - ela disse simplesmente, antes de entrar apressada no carro.
Ao chegarem no prédio onde Bela morava, foram, obviamente, alvo da imprensa mais uma vez. Era estressante.

- Como está lá embaixo? - Sue perguntou com a voz falhada.
- Está um caos. - Harry respondeu.
- Temos que dar um jeito de nos livrar da imprensa.
- Não existe nenhum jeito. - Lia disse. - Eles vão estar sempre em cima da gente enquanto isso não acabar. - Suspirou cansada.
- É uma falta de respeito absurda. - Sr. Johnson reclamou, e logo em seguida, a campainha tocou. Eram os pais da Lia.
Eles conversaram um pouco, inclusive sobre o assunto  'inconveniência da imprensa', e Fern chegou a uma conclusão.
- Bom, na verdade só existe um jeito deles pararem. - ela disse.
- Qual? - Lia perguntou curiosa.
- Bom, não sei se vão parar, mas, com certeza, vai diminuir. - suspirou - Lia, você vai marcar uma coletiva, e você mesma vai responder a algumas perguntas e faça um apelo pra que eles parem. Talvez funcione mediante à gravidade dos fatos...
- Mãe, você acha mesmo que eles vão parar? - Lia perguntou, descrente.
- Eu tenho certeza que essa confusão aqui embaixo vai diminuir ou até acabar, se formos sortudos.
Lia suspirou.
- Tudo bem. Mas eu não sei se eu to preparada...
- É claro que está. - Sra. Johnson disse, carinhosa.
- Faça isso pelas duas... - Harry disse, abraçando e beijando o topo de sua cabeça.


Bela's POV

Eu já tinha acordado, mas meus olhos estavam estupidamente pesados e eu sentia uma dor de cabeça horrível. Não me lembrava de muita coisa, mas sabia que tinha acontecido algo ruim. Eu sentia isso. Fisicamente.

Finalmente abri os olhos e me deparei com um ambiente escuro, sujo e mau cheiroso. Era um pequeno cômodo com paredes de madeira, goteiras, um colchão fino onde um corpo jazia sobre. Era uma menina. Era a Soph.
- Soph! - sussurrei e tinha plena noção de que minha voz soou sofrida, falhada e forçada. - Soph? - as lágrimas rolavam livremente pelo meu rosto.
Ela se movimentou minimamente, parecia dolorida, estava suada e pálida.
- Bela? - Sua voz não estava muito diferente da minha. - Você acordou! Está bem? - ela também chorava.
- Eu... E-eu não sei, você está?
- Estou sobrevivendo... - ela riu fraco, sem parar de chorar. - Eles te machucaram?
- Não sei... O que eles fizeram com você?
- Minha barriga... Está cortada... Já parou de sangrar mais ainda dói muito. - comecei a chorar mais.
- O que eles querem?
- Eu não sei, Bela, mas é melhor a gente ser obedien...
- Muito bem! - um homem de voz rouca entrou abruptamente, bem nessa hora. - Se vocês forem obedientes, não precisa ser tão ruim!
- O que você quer? - Soph perguntou friamente.
- Muitas coisas. Entre as principais, dinheiro. - ele sorriu. - Mas, como eu disse, tem outras. Bela, não deu muito certo com você desacordada, então que tal tentarmos agora que você acordou? - ele sorriu malicioso e eu me encolhi de medo, chorando cada vez mais.
- Não faz isso, por favor... - supliquei sem muita força mas ele riu mais.
- Sabe, eu tenho um pôster seu no meu quarto. Você está de biquíni. Sempre sonhei em experimentá-la. Agora que a tenho não deixarei passar, docinho.
- Por favor, você não precisa violentá-la pra ter o dinheiro que quer... - Dessa vez, Soph quem tentou, mas ele apenas riu de novo.
- Eu já disse, docinho, que eu não quero só dinheiro. - sorriu mais uma vez antes de virar-se de costas. - Levantem-se - ele falou, ainda de costas, caminhando até a porta - e me sigam.
Percebi que eu estava amarrada. Minhas mãos estavam exageradamente amarradas, assim como as da Soph. Não conseguíamos mover um dedo sequer.

Soph gemia de dor e aquilo fazia meu coração se apertar cada vez mais. O corte devia ter sido feio, ela estava mal. 



Fomos andando atrás daquele homem e fui percebendo que o lugar não era tão asqueroso quanto aquele cômodo parecia ser. Era, na verdade, um corredor longo com muitas portas. Ele ordenou que Soph entrasse em um cômodo e eu, em outro, onde tinha um telefone e uma cama de casal. O quarto não era sujo, nem feio, nem nada do tipo, mas entrar lá foi como entrar numa cela com psicopatas atordoados. Um sentimento horripilante que me corroía por dentro.

Soph's POV

Eu entrei num quartinho com uma pequena cama e mais nada. Meu corte ardia e me causava dores absurdamente fortes.
- Sophia Harrison - um voz masculina falou e só então eu percebi que havia um homem no quarto. O mesmo que me golpeou com a faca, constatei pela voz. - Dezenove anos. Estudante de moda. Extremamente bonita. Tão jovem e vívida para sofrer e morrer... - ele riu.
Eu só conseguia chorar.
- Eu tenho uma esposa, e eu a amo. Não sou como Vince que quer sexo a todo custo. Eu prefiro sangue. Dor. A mesma que eu fui obrigado a sentir há um tempo atrás.
- Não me machuc...
- Fica quietinha. Tire a blusa.
Relutei, mas ele fez uma cara tão ruim, sacando sua faca, que me senti obrigada a tirar.
- Sente frio? - ele me perguntou rindo, chegando cada vez mais perto. Não consegui me mover ou parar de chorar. - Tire tudo. Fique apenas de lingerie.
O fiz, com dificuldade pelas lágrimas e pelas dores. Minhas mãos tinham sido soltas há pouco tempo, pelo outro cara enquanto andávamos pelo corredor, e ainda doíam.
- Muito bem... Agora me diga. Onde você sente mais dor? - Apenas chorei mais. - Não vai dizer? - ele chegou mais perto. - HEIN, SUA VADIA?! - com a mão pesada, ele acertou meu rosto de uma forma tão estúpida que me fez desabar no chão. Eu chorava alto e gemia de dor. - Saiba que eu posso desfigurar todo seu lindo rostinho com meus instrumentos.
- Por que você tá fazendo isso? - perguntei aos prantos. A dor me consumia cada vez mais, estava ficando insuportável.
- Cala a boca! - Chutou minha barriga com força e aquilo foi o suficiente para me desacordar.

Bela'a POV

- Se fizer tudinho que eu mandar, docinho, prometo deixar você usar o telefone, tudo bem? - Sua voz era maliciosa e me deixava nauseada. Concordei infantilmente com a cabeça. A ideia de poder fazer uma ligação encheu meu peito de esperança.
- Muito bem, então fique de pé. - Ele disse e eu o obedeci. Comecei a chorar mais quando o vi deitar na cama, tirar sua camisa e desabotoar a calça. - Dance. - ele ordenou simplesmente, e eu me mantive imóvel. - DANCE. - repetiu mais impaciente. Continuei estática. - Se não começar a dançar agora, vou arrebentar tudo que tiver dentro de você e explodir a cabeça da tua amiguinha. - ele rosnou com olhos lunáticos, me fazendo soluçar. Eu não sabia exatamente o que fazer, mas comecei a dançar qualquer coisa.
- Isso. - ele sorriu, começando a masturbar-se na minha frente. Eu tentava não olhar, aquilo estava me matando. Eu sentia muito medo.
- Tire a roupa. - ele ordenou. Não sei como, mas eu consegui chorar mais. - ANDA, NÃO ME OBRIGUE A TOMAR ATITUDES DRÁSTICAS!
Parecia que cada peça que eu tirava, eu estava arrancando um pedaço de mim. Doía tanto... Era tão desesperador...
- Venha até mim, linda... - fui, enquanto rezava para que aquilo terminasse logo. Para que a polícia chegasse e me tirasse dali...
Assim que cheguei perto ele me puxou com força de modo que eu caísse sem jeito na cama, me beijou com maldade enquanto apertava todas as partes do meu corpo como se sua principal intenção fosse me machucar.

Ele abriu minhas pernas e, sem nem terminar de abaixar sua calças, me violentou enquanto eu gritava de tanto chorar.
Aquela fora a pior sensação de toda a minha vida. Dor, ardência, medo, nojo, frustração... Eu não desejava aquilo à ninguém. Simplesmente ninguém.
Aquele homem me machucava tanto... Inclusive com as mãos. Com as palavras... Ele me ameaçava, me torturava... Eu preferia morrer a passar por aquilo. Doía muito. Em todos os sentidos.

Bela's and Soph's POV off

Bela acordou, mais tarde, enrolada nos lençóis da cama. Todo o seu corpo latejava. Tudo. Sem exageros. Estava nua e sua cabeça pesava de tanto que havia chorado. Horas antes, quando o criminoso havia dado-se como satisfeito,  ele saiu do quarto a trancando lá, e  ela pôs-se a chorar até que o cansaço físico e mental a atingiram completamente. 



Acordou ao anoitecer sentindo frio, dor e fome. Se perguntou se Soph estaria bem. Talvez estivesse pior que ela. Esse pensamento lhe rendeu um belo e agressivo calafrio. Olhou para os lençóis e viu que estava sujo de sangue. Toda a região entre suas pernas estava pintada pelo fluido que corria em suas veias, por conta de um ato absurdamente agressivo e maldoso. As lágrimas voltaram com toda força.
Qualquer movimento que Bela fizesse, alguma parte de seu corpo protestava. Ela encarou a mesa onde se encontrava o telefone e reuniu forças para caminhar até ele, mas foi interrompida pelo agressor que adentrara o quarto sem a menor delicadeza, sustentando seu sorriso malicioso e seu olhar devorador. Bela tremeu.
- Ia mesmo usar sem a minha permissão? - ele riu. - Sua sorte é que eu vim aqui para isso. Pode fazer uma ligação. E coloque no alto falante, por favor. - ele falou como uma educação petulante, que, obviamente, a incomodou.



A essa hora estavam todos reunidos na casa de Bela. Todos preocupados e tristes. Tristeza. Essa era uma palavra que se aplicava bem às expressões estampadas nos rostos de todas aquelas pessoas.

Quando o telefone tocou, Dougie, que estava do lado do mesmo, movimentou-se rápida e desesperadamente para atendê-lo. Todos os corações foram à mil.
- ALÔ! - ele estava ofegante, nervoso, esperançoso.
Bela demorou um pouco para responder. Limpou as lágrimas primeiro, antes de sussurrar em resposta.
- Tom...? - a perguntou confusa, sem nenhuma força na voz.
- BELA?! BELA, VOCÊ ESTÁ BEM?  - Doug gritou e Tom avançou no telefone, tomando-o e já sentindo as lágrimas virem.
- Bela? Sou eu, meu amor, você está bem? - ele perguntou com a voz embargada.
- Tom... - ela sussurrou. - Estou com medo...
- Onde você está? Eu vou te buscar, me diz onde você está!
- E-eu não sei... - ela apenas sussurrava. - Tom, você ainda está bravo comigo? - seu tom beirava a infantilidade.
- Claro que não, eu não estou, eu... Eu... - ele chorava - Onde você tá Bela?
- Eu não sei, Tom... Eu não sei onde está a Soph, eu tô com medo que a machuquem mais...
- O QUE FIZERAM COM A SOPH? - Dougie perguntou desesperado.
- Eu não sei... - ela continuava aos sussurros. - Tom... Tom, estou sentindo tanta dor... - Bela começou a chorar. - Eles estão me...
- Já chega. - o homem falou - Vista-se e volte para a cama. - Tomou o telefone da mão dela e desligou, desligando o aparelho em seguida.
Tom sentiu o coração se dilacerar. Ele ouviu perfeitamente o homem falando "vista-se...", e aquilo o matou internamente.
Não havia uma pessoa naquela sala que não estivesse chorando.
- O que fizeram com a minha filha? - Sue soluçou, sendo abraçada pelo marido. Todos ouviram a ligação, já que estava no alto falante.

A polícia estava agindo. Eles conseguiram pistas através de testemunhas, como o resto da placa do carro. A ligação havia sido rastreada, mas o número, obviamente, era bloqueado. Mesmo assim, a polícia havia conseguido um sistema que ajudaria a obter informações a partir da ligação. Mas não seria um processo tão rápido assim.

Quatro dias se passaram. Quatro longos dias. Hoje era finalmente o dia em que a fiel representante de Bela iria  participar da tal coletiva.
Fern e Thalia estavam numa sala próxima a uma outra sala onde seria a coletiva.
- Filha, você vai se sair bem.
- Não estou nervosa, mãe... Estou apenas... Esgotada. Eu não quero ter que responder aquelas perguntas. Eu sei que vai me machucar ainda mais.
- É seu trabalho. - ela sorriu docemente acariciando o cabelo da filha. - E você precisa ser forte pelas suas amigas.
Thalia suspirou. Deixou a sala, depois de ganhar um beijo de sua mãe, e finalmente foi em direção à coletiva.
Logo que entrou, os flashes incomodaram a ponto dela pensar em desistir. A dor de cabeça deixava seu corpo completamene inóspito àquelas luzes.
- Bom dia. - Disse, ao se sentar à mesa. - Em respeito a todos nós, eu gostaria de deixar claro que responderei apenas as perguntas que achar conveniente, e, por favor, sem mais fotos.
- Senhorita Hoppus, qual é a situação em que Bela Johnson e Sophia Harrison se encontram?
- Bom, estamos sem muitas notícias, infelizmente, mas, segundo a polícia, a falta de informação não indica o pior.
- Thalia, vocês tiveram algum contato com elas desde o sequestro?
- Conseguimos falar com a Bela uma vez.
- Ela estava bem?
- Não posso afirmar que sim. Obviamente, isso seria no mínimo duvidoso.
- Thalia, houve um progresso nas investigações?
- Na verdade, houve. Graças a Deus a polícia tem conseguido informações importantes e acredito que tudo se resolva logo.
- Isso implicará na turnê ou na apresentação do Kids & Choices?
- Não sei responder, mas eu realmente espero que não.
- Como estão Dougie e Tom?
- Todos nós estamos muito sensibilizados e realmente gostaríamos do apoio de todos. Não apenas com qualquer tipo de informação, mas também com o respeito ao nosso momento difícil, nos dando privacidade e  um pouco de paz, porque tudo está sendo realmente exaustivo. Assim que tivermos mais informações, comunicaremos à imprensa, mas peço que, inclusive para o bem de todos os procedimentos, vocês nos deem um pouco de espaço. Muito obrigado e bom dia. - ela se levantou, escutando muitos ainda gritarem por seu nome, sedentos por mais informações mas aquilo era basicamente tudo que podia e devia dizer. Esperava que seu apelo desse certo, mas não podia ter certeza. Enfim, esperança é a última que morre.



Florence's POV


Estava em casa com o Samuel, zapeando pelos canais quando uma entrevista me chamou atenção. Era sobre Bela e Soph.

- ... e fazem quase cinco dias que a cantora Bela Johnson e a amiga, namorada do baixista da banda McFLY, Sophia Harrison, estão desaparecidas. Não se tem notícias sólidas sobre o sequestro, mas foi informado por Thalia Hoppus, amiga íntima e empresária de Bela, que a polícia apresentou progresso nas investigações. Danny Jones, também integrante da banda McFLY e amigo das duas, declarou estar esperançoso, apesar de extremamente triste. Foram divulgadas fotos de Tom Fletcher com a irmã, Carrie Fletcher na Oxford Street. A imprensa tentou falar com ambos, mas eles não quiseram se pronunciar. As únicas palavras de Tom foram "logo elas estarão de volta". Dougie Poynter também afirmou não ter nada a declarar. A falta de informações sobre o caso vem deixando fãs impacientes, e isto provavelmente é decorrente do sigilo de todos que são próximos das duas vítimas. Ninguém quis dar entrevistas, mas Thalia Hoppus afirmou que comunicará a imprensa a medida que obtiverem mais notícias sobre o crime...

Suspirei. Tudo estava sendo tão complicado... Eu não aguentava mais toda aquela agonia, aquelas noites mal dormidas... A falta de vontade de comer, de sair... de viver.

Florence's POV Off

- Senhor Johnson? - uma mulher simpática chamou. - O delegado está chamando em sua sala. - ela informou. Sr. e Sra. Johnson se levantaram e foram apressados até lá, com Tom em seus encalços.
Os três entraram na bela sala e o delegado pôs-se a falar.
- Trago boas notícias. Finalmente concluímos o processo de rastreamento de dados oferecidos pela ligação. O que conseguimos foi a confirmação de que a linha pertence a uma rede de telefones bloqueados sustentada por uma gangue que comete grandes crimes. Não acreditamos que tenho sido essa gangue que tenha sequestrado as duas pelos depoimentos e informações que coletamos, mas nossos detetives concluíram que os sequestradores estão usando o sistema deles. Ou seja. É bem provável que eles estejam no mesmo esconderijo que a tal gangue usava. Principalmente pelo fato da linha pertencer a esse sistema.
- Isso significa que vocês sabem onde elas estão? - Edward perguntou esperançoso.
- São suposições. Fortes suposições, mas ainda sim, não podemos dar certeza. Só que estou um tanto otimista quanto a isso, porque também avançamos muito no rastreamento da placa do carro.
- Quando vocês vão agir? - Tom perguntou.
- Vamos agir amanhã, logo pela manhã?
- Pode ser tarde demais! - Sue ralhou. - Por que não foram assim que descobriram isso tudo?
- Desculpe, Sra. Johnson, mas não é assim. Não podemos agir por impulso. Precisamos estudar as táticas, pensar em tudo, antes de qualquer coisa. Não podemos falhar.
Ela suspirou.
- Obrigado, delegado. Muito obrigado. - Sr. Johnson disse, sincero, ao se levantar. Foram embora depois dos cumprimentos formais. 
Todos para a casa da Bela. Era o que faziam, ultimamente.

O telefone tocou. Sam correu para atender e todos aguçaram os ouvidos.
- Alô. - ela disse firme.
- Sam! Sam! - Soph gritou do outro lado da linha. Era possível ouvir Bela chorando alto ao fundo, e isso desesperou a todos.
- Soph! Pelo amor de Deus, o que está acontecendo? SOPH! - Sam começou a chorar e Dougie pegou o telefone.
- Soph, calma, calma, amor... O que houve? - ele tentanva manter a calma, mas seu coração pulsava inverso a isso.
- Dougie, Dougie, pelo amor de Deus... - ela chorava - Faz o que eles pedirem... AI, AI, PARA, POR FAVOR! - ela suplicava, aos prantos.
- SOPH!
- Quem fala? - uma voz grossa, fria e aparentemente tranquila surgiu.
- Alô, é o Dougie. - ele respondeu nervoso.
- Dougie Poynter? Do McFLY? - o homem riu - Hm, mas que honra! Um prazer estar falando com você!
- O que você quer?!
- Dougie, me passa o telefone. - Sr. Johnson pediu, ele era mais calmo e frio para aquele tipo de conversa. Dougie obedeceu e juntou-se aos outros. O Sr. Harrison já havia colocado a polícia na linha pelo celular.
- Alô.
- Quem está falando agora? - o homem perguntou.
- Edward Johnson, pai da Bela.
- Olá, Sr. Johnson, sua filha é muito boa, viu? - ele disse rindo e Sue chorava cada vez mais. - Eu estou ligando pra, finalmente fazer minha proposta, depois de muito pensar e me aproveitar dessas lindezas aqui...
- Qual é a sua proposta?
- Bom, estou, infelizmente tendo que machucá-las. Mas posso tentar não desfigurar tanto a carinha delas se em duas horas não tiverem três milhões em dinheiro, na minha mão.
- Três milhões?! Em duas horas?
- AI, AI, PAI! - Bela gemeu de dor - Pelo amor de Deus...
- Sim, três milhões, doutorzinho. Em duas horas. Vou levar as meninas pra escola abandonada de Chelsea, e você me encontra lá com o dinheiro. Qualquer coisa, as meninas vão pra debaixo da terra, bem picadinhas...
- Não, por favor, calma. Em duas horas você terá o dinheiro. Não as machuque, por favor, você terá o que você quer.
- Duas horas. E pra cada minuto de atraso, é mais um corte. - ele riu.
- Tudo bem... Duas horas. Eu estarei lá com o dinheiro. - dito isso, a ligação foi finalizada. Os gritos das duas ao fundo assustaram a todos eles.
- A polícia já está indo pra lá. - Sr. Harrison disse, apreensivo.
- NÃO! ELES VÃO MATÁ-LAS SE A POLÍCIA FOR! - Sam gritou em meio as lágrimas.
- Eles vão dar um jeito, Sam, calma... - Flor disse, afagando a cabeça da menina em seu ombro. - Pensa positivo.
- Eles têm que dar um jeito... - Dougie murmurou mais pra si mesmo que pros outros. Eles precisavam acreditar.

Uma hora depois, Ed já estava no carro se dirigindo ao local marcado. Todos os outros se dividiram em vários carros e foram um pouco depois. A polícia recomendou que fosse o menor número de pessoas possível, por isso, os pais da Lia, da Sam e dos meninos ficaram. 
O resto não quis abrir mão de ir. Até Samuel foi. Ele se sentia culpado por tudo.
Apenas o Sr. Johnson prosseguiu depois de um certo ponto. Os outros precisavam aguardar a recomendação da polícia para se aproximarem. Os policiais estavam todos disfarçados de pessoas normais para chamar menos atenção possível. Eles cercaram discretamente a escola, e até agora, tudo esta a ocorrendo conforme o planejado.
Edward deixou o carro com a maleta em mãos, que continha no máximo algumas poucas centenas de libras. Não chegava nem perto dos milhões solicitados. Mas o dinheiro estava bem disfarçado também.

Ele entrou na escola e caminhou até um velho pátio de aspecto sombrio onde estava um carro e um homem, do lado de fora.
- Senhor Johnson, imenso prazer em vê-lo. - O homem falou com um sorriso quase sarcástico. - Vejo que trouxe meu tesouro.
- Espero que tenha trazido os meus.
- Eu trouxe. - Ele sorriu.
- Pode ao menos me mostrar? - nessa hora, seu coração acelerou.
- Ah, claro. Posso sim. - Num movimento rápido, ele abriu a porta do carro e puxou Soph pelos cabelos. A menina caiu no chão e ele apontou uma arma para a cabeça dela. Em seguido um outro homem saltou do carro, também com uma arma apontada para a cabeça de Bela, que era segurada pelo pescoço.

O coração de Edward pegou fogo ao ver as meninas tão frágeis, ambas nuas cobertas apenas por finos lençóis, agredidas, sujas de sangue, sensíveis... Tão... Sofridas.
- Deixe a maleta no capô do carro que eu deixo as meninas irem. Qualquer gracinha, eu atiro.
- Certo. - Sr. Johnson disse aparentemente (apenas aparentemente) calmo e caminhou até o capô deixando a mala lá. Depois voltou para onde estava, mantendo certa distância. - Já tem o dinheiro, agora entreguem as meninas.
- Antes, vou conferir a grana. - anunciou, indo até a maleta e levando Soph junto.
Nessa hora, Edward se encheu de medo, seu corpo pareceu pesar toneladas.

Sam's POV

Eu estava abraçada ao Danny, Flor estava do meu lado, Dougie e Tom estavam nos bancos da frente. O ar parecia completamente rarefeito, sufocante... Estávamos todos muito mais que apreensivos. Danny mal respirava, eu não queria abrir os olhos, Flor respirava até demais e não queria nem imaginar como os dois ali da frente estavam.

O tempo se arrastava. O silêncio era incômodo e preenchido pela tensão. Esperávamos apenas o aval da polícia para que nos aproximássemos daquela maldita escola e finalmente acabássemos com esse pesadelo horrível.

Foi quando escutamos um disparo. Não só um disparo. Foram três disparos. Foi como se tivessem me acertado. A dor que eu senti fora tão física que eu realmente e ridiculamente pensei que a bala perfurara meu coração.

Foi tudo tão rápido... No final do terceiro disparo, Tom já estava do lado de fora do carro, correndo como um louco em direção a tal escola e Dougie não demorou muito para ir atrás. Quando vi, Lia também corria chorando, de mãos dadas a Harry na mesma direção que os outro. Eu me descontrolei.

- DANNY, DANNY! ME LEVA LÁ! - Eu chorava e esmurrava o peito dele. Flor foi mais rápida, abrindo a porta do carro e saindo correndo. Fui atrás, sendo seguida por Danny. A adrenalina me manteve firme até meu destino. Se não fosse por ela, eu teria me cansado e não chegaria nem na metade do trajeto. Sim, nós não estávamos tão perto assim.
Meu coração explodia de pavor e eu não descansaria até ver as minhas amigas. Vivas. Intactas.

Quando dei por mim, estávamos todos - todos mesmo - entrando na escola abandonada e correndo até o pátio.
A movimentação era estranha, eu não conseguia entender. Tinham muitos policiais agitados, eu não via nem Bela, nem Soph e nem o Sr. Johnson e isso foi me desesperando dolorosamente. Olhei para o lado e encontrei Tom, tão perdido quanto eu. Sofrendo tanto quanto ou até mais que eu.
Reparei que aquilo começou a encher mais que normal. Mas... Mas o que era aquilo? Imprensa? IMPRENSA?! Que merda é essa? Como eles... Como eles conseguiram nos achar aqui?! Como eles conseguem ser tão impertinentes e inconvenientes?!
Empurrei, meio descontrolada, o fotógrafo ao meu lado, que quase caiu.
- Ficou maluca, garota?! - ele esbravejou e, sinto muito, mas eu não tenho medo de cara feia.
Eu estava confusa e sozinha naquele bolo de gente... Então me abaixei e fiz o que mais tenho feito... Chorei. Eu não sabia exatamente o que fazer então escondi meu rosto e simplesmente comecei...
- Deus... Eu sei que não devo ser a melhor pessoa, eu sei que eu nunca lembro de você antes de fazer as coisas, eu sei que tem muita gente pra você ouvir, mas... Eu não... Não tenho mais a quem recorrer. Não tenho nem certeza se você existe, mas... Por favor... Protege as minhas amigas... Por favor, Deus, eu não aguentaria se alguma coisa ruim acontecesse... Elas não merecem... Por favor, Deus, por favor... Protege as minhas amigas... Por favor.

Sam's POV off

Thalia's POV

Estava tudo muito confuso, o que me assustou ainda mais. Eu me desprendi de Harry, cheguei na frente de todos e finalmente pude ver o que estava acontecendo. 
Eu vi... Apenas os bandidos sendo algemados e vários policiais pedindo que o pessoal da imprensa se afastasse. Eu não conseguia raciocinar, só queria ver minhas duas amigas bem. Só isso.
Finalmente o senhor Johnson apareceu com um expressão confusa, assim como a de todas nós e... E logo atrás dele...

Sorri. Chorei. Quase desabei ali mesmo. Chorei muito. Eram elas. As minhas amigas. As minhas meninas. Elas estavam vivas. E andando. Eu quis correr mas não consegui. O máximo que fiz foi levar as mãos ao meu rosto, sem tapar os olhos, e admirar aquela cena, chorando. Chorando muito. Elas estavam aqui. Estavam finalmente aqui. Alguns aplaudiram. As mães da Soph e da Bela correram até elas e as abraçaram com força. Todas choravam. Todas sorriam.  Foi um momento tão bonito. Tão aliviador...


Thalia's POV off

Bela's POV

Minha mãe tentava me proteger um pouco dos flashes, mas na realidade, eu não estava nem me importando com eles. É claro que só me esforçava para que o lençol tapasse tudo que fosse possível e me protegesse do frio, mas fora isso, eu apenas me importava com o abraço reconfortante da minha mãe.

- Mãe... - eu disse entre as lágrimas - Me responde com sinceridade... Eu tô fedida?
Ela gargalhou, ainda chorando bastante. Eu também ri, enquanto ela limpava minha lágrimas.
- Não.
- Mãe! Sinceridade!
- Ok, sinceridade: não. Você não está fedida. Nem cheirosa. Está com cheiro de nada. - ela riu, fungando. Sorri de volta. Olhei pro lado vendo Soph. Ela já estava nos braços de Dougie. Os dois choravam e intercalavam beijos com palavras de carinho.
Senti falta do Tom... Estive pensando tanto nele nesses dias... Na nossa briga... Eu tinha medo dele estar...
- Bela! - Escutei sua voz que soou meio desalentada vindo do meu lado esquerdo então sorri antes de olhar.
Quando aqueles olhos cor de mel afogados em lágrimas penetraram em meu campo de visão, foi como se a única coisa que realmente importasse fosse manter aquele contato visual e guardar aquela visão pra sempre.
No segundo seguinte seus lábios já estavam nos meus e seus braços já envolviam meu corpo possessivamente. Me embriaguei com seu cheiro e tornei a chorar.
- Eu senti a sua falta... - Choraminguei.
- Eu senti muito a sua falta, Bela. Eu amo você.
- Me desculpa por...
- Shh... Não é hora pra isso. Aliás, a hora disso já passou. Não vamos mais perder tempo com essa besteira, tá? - ele colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.
- Eu amo você, Tom. - o abracei mais apertado. - Nunca mais quero ser sequestrada. - Eu disse e ele gargalhou, então senti novos braços me abraçarem. Muitos braços. Muitos mesmo! Era um abraço coletivo. Todos nós, quero dizer... Os nove... Bom, nós nos agarramos e choramos ali mesmo.

Escutamos uma sirene. Era a ambulância.
- Bela, Soph, cada uma em uma ambulância... - Sra. Harrison falou de forma meio nasalada pelo choro (eu também tava assim) e nós nos olhamos por um momento. Então nos abraçamos.
- Fica bem, tá? - Soph disse, apertando o abraço.
- Você também... - Sorri.

Bela's POV off

Soph's POV

O Dougie não soltava a minha mão de jeito nenhum, e eu não queria que soltasse.
- Ouch... - resmunguei ao sentir o corte nojento da minha barriga doer.
- Que foi? - meu pai e Dougie perguntaram ao mesmo tempo enquanto eu tentava chegar até a ambulância (tarefa difícil por causa da imprensa e da dor).
- O corte...
- Que corte? - minha mãe perguntou intrépida.
- Deixa que a gente cuida dela. - um médico gordinho se aproximou e colocou a mão nas minhas costas. - Quer que te carregue? - ele perguntou e eu afirmei com a cabeça. O moço fez um movimento com a mão e, segundos depois, mais dois homens carregavam um pequena maca. Deitei ali e eles me levaram até a ambulância.
- Desculpe senhores, apenas um de vocês vai poder vir aqui na ambulância.
- Eu vou. - minha mãe disse e Dougie fez a cara de decepção mais fofa do mundo.
- Mãe...
- Sem essa, filha, eu vou. - ela disse e meu pai rolou os olhos.
- Desculpa Dougie, mas se não fosse a patroa, seria eu. Minha filha está com pouca roupa debaixo desse lençol e nunca que eu deixaria você ver. - papai disse e eu gargalhei. Me arrependi na hora, já que senti uma dor do cacete.
- Temos que ir. - o médico disse, fechando a porta, e nós partimos para o hospital.

Soph's POV off

- Ai, meu Deus, não acredito que acabou. - Flor suspirou e foi abraçada por Danny. 
- Gente! Deus existe! Foi logo quando eu acabei minha reza que as meninas apareceram! - Sam falou eufórica e todos riram. 
- Vamos pro hospital, a Soph acabou de ir e eu quero chegar lá junto com ela. - Dougie disse apressado e todos assentiram.

Bela's POV

Tom foi comigo na ambulância, depois do zerinho ou um com a minha mãe e meu pai.
Foi até engraçado porque eu vestia apenas um sutiã, calcinha e o lençol enrolado ao corpo.  A médica que estava na ambulância ficou nos olhando meio confusa e sem graça, porque provavelmente eu teria que tirar o lençol e ficar semi nua na presença do Tom, e pra ela, isso seria estranho...
- Er... Se você preferir, seu namorado pode ir na frente...
- Ele pode ficar. - sorri. Ela assentiu e começou a limpar os machucados do meu rosto. Fez algumas examinações e mandou que eu tirasse o lençol. O fiz e nessa hora... Tom viu que toda a região entre minhas pernas, toda a minha calcinha, estava suja de sangue... Seus olhos se arregalaram e sua expressão mudou completamente. Ele enrubesceu de raiva, creio eu, mas ainda parecia assustado.
A médica me olhou com pesar e passou um líquido nas minhas pernas para limpar tudo aquilo.
Meu estado era deplorável, constatei. Marcas horrorosas e enormes, pretas, roxas e esverdeadas, arranhões, cortes... Eu estava literalmente TODA machucada, sem contar que havia saído uma quantidade anormal de sangue nas duas vezes que eu fui...Er, violentada.
- Se sentir dor, avisa, tudo bem? - a mulher perguntou docemente, enquanto limpava minha perna. Ver todo aquele sangue me fez lembrar dos momentos horríveis que passei com aquele monstro... Então comecei a chorar.
Tom havia escondido o rosto com as mãos como se tivesse exausto e eu me senti incomodada...
- Tá doendo, querida? - mais uma vez, a senhora foi doce.
- Não, eu estou bem. - menti.
- Já estamos chegando... - ela disse talvez para me tranquilizar.

Eu já tava na sala do hospital e meus pais estavam lá com o Tom. Eu havia acabado de fazer alguns exames e tudo estava bem, para o meu alívio. "O sangramento é comum em casos de estupro, mas a quantidade exagerada de sangue, para nosso consolo, é apenas sua menstruação", foram as palavras do médico. Eu deveria ter considerado essa possibilidade, mas eu tava tão desesperada que se me desse vontade de espirrar eu culparia as feituras do sequestrador.
- Filha, eu vou lá comer alguma coisa com seu pai, o Tom vai ficar aqui com você, tá bom?
- Tá... - forcei um sorriso e ela beijou minha testa antes de deixar o quarto. - Você parece estar furioso. - eu disse, assim que minha mãe bateu a porta.
- Eu estou furioso.
- Mas por favor, não fique...
- Bela, você tem noção do que eles fizeram com você?! Do que eles fizeram comigo?
- Tom, por favor, não pense nisso, eu estou tentando não pensar. Se você ficar com essas coisas na cabeça não vai me ajudar em nada. - choraminguei.
Ele suspirou, vindo até mim e segurando minha mão. Sua expressão agora era de dor.
- Eles te machucaram?
- Um pouco... - o eufemismo nas minhas palavras era claro.
- Eu não consigo suportar a ideia de... - suspirou de novo - Desculpa. Prometo te fazer esquecer disso. - ele sorriu carinhoso e me deu um selinho.
- Obrigada, eu amo você, Tom.
- Também. - acariciou o meu cabelo.

Era manhã e eu estava louca para receber alta. Não me inquietei até chegar em casa. Quando cheguei, corri para o meu banheiro e liguei a banheira. Eu precisava do melhor banho da história dos banhos.
Primeiro tomei uma ducha só pra eu não ficar boiando na minha sujeira e depois corri para a banheira, ligando a  hidromassagem. Delícia.

Tom entrou no banheiro, me dando um susto. Ele riu.
- Tá fazendo o que? - perguntou, já tirando a blusa.
- O que parece que eu tô fazendo?
- Bela e sua língua afiada... - ele rolou os olhos, tirando a calça e depois a boxer. Eu ri dele cobrindo as partes íntimas e correndo até a banheira. - Que água quente! - reclamou, se ajeitando de frente pra mim, enquanto fazia massagem no meu pé.
- Sabe, eu estou um pouco nervosa. Está chegando o casamento da Becky e eu ainda não tenho o que usar. Ela disse: longo, elegante e em tons de bege e champanhe, de preferencia bem brilhante. Você sabe como ela é... Devo ter que ir parecendo um enfeite de natal.
- A gente pode sair um dia desses pra procurar. - ele sorriu. Sorri também e me inclinei pra beijá-lo. 
Bom, não fizemos nada, é claro. Com toda essa coisa de estupro ainda recente, acho que nenhum de nós seria capaz de tentar algo. Minha tarde se resumiu a entrar no computador, nas redes sociais, e ver aqueles bilhões de mensagens carinhosas. Comecei a responder a maior quantidade possível em retribuição a tanto carinho e consideração. 
Eu tava feliz. Muito feliz... Que saudade de sentir isso!


Bela's POV off

Danny's POV

Acordei sem ter muito o que fazer. Eu tava na casa da Lia junto com o Harry. E eu não tinha nada pra fazer. Eu já falei isso, né?
- Bom dia Danny lindo! - Lia beijou minha bochecha assim que me viu jogado no sofá.
- Bom dia! - sorri. - Tá de bom humor? A noite foi boa, é?
- Foi ótima. - ela riu maliciosa - O tigrão tá lá, derrubado na cama, exausto. - mexeu habilidosamente as sobrancelhas.
Gargalhamos, ignorando o celular de trabalho dela, que tocou.

Quando o barulho começou a ficar chato, ela atendeu.
- Alô?... Eu mesma... - a pessoa do outro falou um milhão de coisas e ela ficou fazendo careta - Não, ela não está interessada. Não por enquanto... Ok, por nada. Até mais.
- Quem era?
- Ah, o de sempre, desde ontem. Pessoas tentando marcar entrevista com a Bela.
- Entrevista pra que? Ela não tem nada pra contar, acabou de ser sequestrada, pô. Que desinformados!
- Seja menos burro, pelo menos pela manhã, Danny. - uma voz vinda do além falou e segundos depois o Harry apareceu na sala. Suponho que tenha sido ela a falar o comentário anônimo.
- Danny, querido, eles querem a entrevista justamente pelo sequestro, entende? - Lia explicou rindo.
- Aaaah, sim. Mas que insensíveis! Coitada da menina!
- Pois é. - Harry adicionou antes de puxar Lia pela cintura e beijá-lá. Eca. Na minha frente!
- Eeeew!
- Nossa, Danny, você reclama como se você não fizesse pior na nossa frente, de agarração com a Sammy. - Lia falou e Harry concordou com cara de Queen Latifah.
- É tanta agarração que eu nem assinei os canais prnôs nesses últimos meses. - arregalei os olhos. Da onde ele tirou tanta agarração da minha parte? Ele tá vendo coisas, só pode.
- HARRY, que porra é essa de canal pornô? - Lia indagou, boladona.
- Pô, amor, sou comprometido mas sou vivo... Não é todo dia que você tá lá em casa, né.
- E alá! Vai deixar? - botei pilha.

- Serei superior e cagarei solenemente para seu comentário, Judd. - falou com o nariz empinado. - Vou me importar com algo importante: você tem usado camisinha, Danny?
Mano, sério, da onde é que eles estão tirando essa cafetagem toda minha?
- Se vocês querem mesmo saber, o negócio tá tão feio que nem o pequeno Jones eu tenho usado. - mandei a real.
- Ué? Pensei que você e Sam tinham voltado! - Harry disse - Estavam tãããõ amiguinhos...
- Amiguinhos. - enfatizei.
- Ah, Jones, até parece. - Lia riu sarcástica - Sam não tem amiguinhos. Ou é ficante ou é só amigo. 
- Então sou só amigo.
- POR QUÊ?! - Harry questionou indignado - Sério, por quê?! Isso não faz o menor sentido! Vocês se gostam e os dois sabem disso!
- Ah, Judd... - lamentei - Não é tão simples...
- É sim. - Lia contrapôs.

Ok, não vou discutir. Eles que pensem que é fácil. 

Dei de ombros mentalmente. 

Danny's POV off


E foi nessa conjuntura que, mais uma vez, os nove jovens prosseguiram com suas vidas (não tão) pacatas. Mesmo nas horas difíceis, quando eles se mantém juntos, a coisa parece fluir melhor. Afinal, a verdadeira amizade duplica as alegrias e divide as tristezas.






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