Bela's POV
Acordei sentindo-me um pouco mal. Eu estava tão
ansiosa e animada, na noite anterior, com essa viagem que comemorei com
bebedeira e sexo. Nada mais clichê, mas foi realmente bom. Uma delícia, como
sempre. Levantei-me enjoadíssima e catei minha calcinha do chão, vestindo-a.
Pensei em colocar a blusa do Tom só pra situação se tornar ainda mais clichê,
mas não a achei em canto algum, então vesti apenas o sutiã. Minha sorte era que
a cortina do quarto do Tom – e meu quarto também, se pensarmos praticamente –
eram pesadas e atenuavam eficientemente os raios de sol matinais, deixando o
cômodo sobre uma iluminação fraquíssima, perfeita pra acordar na ressaca. Mesmo
a claridade leve do inverno londrino, se entrada em contato com os meus olhos,
naquele momento, derreteria meu cérebro instantaneamente.
Cambaleei até o banheiro, lavando o rosto e
constatando meu estado deplorável. Eu era um monstro quando acordava, céus,
como eu tinha coragem de dormir todos os dias com o Tom?
Tomei um banho demorado e quente. A casa estava
fria mesmo com a calefação e o banho ajudaria a me esquentar e me preparar para
o dia de altas emoções. Talvez, um banho realmente relaxante até ajudasse com o
enjoo.
Ok, não.
Eu teria que sucumbir ao remédio.
Quando saí do banheiro – cheirosa, menos feia,
higienizada e remediada – vesti um moletom quentinho e desci pra preparar
qualquer coisa de café da manhã, mas me deparei com Dulce, o que fez um alívio
tomar conta do meu cérebro recém-acordado,
percebendo que não precisaria preparar nada pois ela era a rainha do fogão.
- Bom dia, Bela! - cumprimentou-me, mexendo em
algo na panela.
- Bom dia, Dulce!
- Animada?
- Estou me sentindo um pouco mal, na verdade,
mas tô animada sim.
- Oh, o que você tem?
- Enjoo, mas não se preocupe, já vou melhorar,
tomei remédio. - sorrimos uma para a outra.
- Também, com a festinha de ontem... E eu que
tive que arrumar toda a bagunça e sumir com esse cheiro de álcool... Como vocês
conseguem beber tanto?!
- Eu realmente não sei... - dei de ombros - Eu
nem ao menos gosto! - disse rindo. - O que está fazendo, quer alguma ajuda?
- Panquecas. - sorriu. - Sei que vocês gostam de
comer panqueca de chocolate de manhã... Pode ser a coisa menos saudável do
mundo, mas decidi fazer hoje porque vocês vão viajar e merecem esse agrado.
- Own! - Sorri, abraçando-a por trás e ela
gargalhou.
- Bom dia!
- escutamos a voz de Danny vindo da sala. - Cheguei pra comer!
- Bom dia, Danny. - Dulce cumprimentou,
recebendo um beijinho dele.
- Cadê a Sam? - eu quis saber, sentando-me à bancada.
- Aqui. - A própria respondeu, entrando na
cozinha, escondendo os olhos sobre óculos enormes. - Estou com uma olheira da
porra e um humor nada cordial. - sentou ao meu lado. - Oi, Dulce, bom dia.
- Bom dia querida. Por algum motivo
desconhecido, eu sabia que todos vocês viriam, contando com Harry, Dougie e as
meninas, que eu sei que vão chegar, por isso estou fazendo essa quantidade
exagerada de panquecas.
- Você é uma linda, eu já disse isso. -
comentei.
- Que milagre é esse do Danny e você terem acordado
e o Tom ainda estar dormindo? - Sam perguntou e eu dei de ombros.
- Ele está cansado. - expliquei, sem estender
muito o assunto.
- Isso quer dizer que os dois ficaram transado a
noite toda. - Danny falou, enfiando o dedo na bacia de chocolate que era pra
rechear as panquecas e Dulce lhe deu um tapa merecido.
- Não, isso quer dizer que o Tom ficou se
masturbando sozinho enquanto Bela dormia, porque, se pensarmos logicamente, -
eu já estava rindo, assim como Danny e Dulce - sempre que a Bela bebe, ela fica
com sono... E se ela tivesse feito sexo a noite inteira, ela também não estaria
acordada agora. Estaria lá dormindo com ele.
- Bom, sua teoria tem algum fundamento... - tive
que concordar. - Mas não foi bem isso que aconteceu.
- Tudo bem, eu não preciso saber! - Dulce ergueu
os braços. - Vocês deveriam ser jovens normais que têm vergonha de falar sobre
isso na frente de senhoras como eu! - ela riu. - Não acredito que estou
realmente escutando essas besteiras!
- Ah, Dulce, não é como se você nunca tenha sido
jovem e nunca tenha dado para seus namoradinhos! - Danny falou, a constrangendo
ainda mais.
- Jones! - ela repreendeu e eu gargalhei.
- Chegamooooos! - Soph berrou e logo depois
invadiu a cozinha. Junto a ela estavam Dougie e Lia. - Hm, que cheiro bom de
panqueca.
- Estou com friozinho na barriga. - disse
Dougie. - Vamos para o Brasil hoje!
- Imagina só como eu estou! - contorci-me na cadeira. - Vou morrer de tão ansiosa. Terei
mais tempo de viajem dessa vez, então quero visitar alguns lugares... Mal posso
esperar.
- Vai ser legal. - Lia disse, sorrindo sincera.
- Tenho bons pressentimentos.
- Ih, então fodeu. - Sam brincou, levando tapas
em seguida.
Algum tempo depois, Harry já estava lá e
Flor disse que não poderia vir agora, mas nos encontraria no aeroporto. Decidi
que já estava na hora de acordar o Tom. Ainda não tinha entendido porque logo hoje ele resolveu dormir tanto. O
relógio marcava meio dia e ele tinha o costume de acordar antes disso, mesmo
tendo tido uma longa noite de sexo.
Entrei no quarto e não o encontrei na cama. Ele
estava se barbeando no banheiro, de frente para o espelho, apenas com uma toalha branca na cintura. Seu corpo estava um pouco
molhado e a mão que ele não usava para se barbear estava apoiada na pia, de
forma que seu braço ficasse rígido e seu tríceps extremamente em evidencia. Oh, como ele estava sexy. Aquele
creminho branco no rosto e a forma como ele cruzava despreocupadamente um pé a
frente do outro davam um ar de homem ao menino
de dezenove anos por que eu era perdidamente apaixonada.
- Oi, Bela Adormecida. – entrei no banheiro,
abraçando-o pelas costas.
- Oi. – sorriu pra mim. – Te amo. – disse, como de costume. Ele sempre me dizia
isso ao acordar.
- Eu também. – me estiquei na ponta dos pés para beijar-lhe a nuca. – Nunca vi
você dormi tanto. – comentei risonha, talvez exagerando um pouco.
- Ainda me sinto muito sonolento... – suspirou. – Você, por algum acaso, andou
sabotando minha bebida? – perguntou com uma cara de desconfiança misturada à
sua vontade de rir, e eu gargalhei.
- É claro que sim! – fui irônica e ele riu um pouco, terminando de se barbear. –
Hm... Eu estava aqui te olhando e... Você é tão lindo, mas tão lindo que... Nem
sei o que falar. – o vi sorrir enquanto lavava o rosto. Obviamente, eu o provocava
descaradamente, falando tudo aquilo da forma mais sexy que podia, soprando em
sua nuca e roçando, muitas vezes, meu lábio ali. – Eu fiquei um pouco sem ar quando te vi aqui,
sabe? Fiquei com vontade de...
- Tudo bem, se você continuar com isso, vamos nos atrasar para o café da manhã.
Vamos nos atrasar muito. – virou-se
para mim, segurando minha cintura.
- Eu juro que não me importo... Nem estou com tanta fome assim... – dei de
ombros, e gargalhei quando ele me agarrou e levou-me para cama.
Oh, céus...
Bela's POV off
Tom’s POV
Descemos mais ou menos uma hora depois e
todos já haviam acabado o café da manhã.
- Espero que, pelo menos, na minha
própria casa, tenha sobrado alguma panqueca pra mim! – falei, olhando pra mesa
toda bagunçada e depois pra eles, jogados no sofá.
- Digo o mesmo! – Bela cruzou os braços emburrada, não encontrando nenhuma
panqueca na mesa. – Não acredito que na
minha própria casa não tenha comida pra mim por causa de um bando de
mendigos famintos.
- Se os ilustríssimos donos da casa não estivessem de sacanagem com a nossa
cara, copulando igual a dois coelhos no quarto enquanto passávamos fome aqui,
talvez tivéssemos deixado algo para vocês. – Lia falou e eu ri baixo, sentando
junto com Bela à mesa pra que pelo menos bebêssemos alguma coisa.
- Mas é claro que eu guardei panquecas pra vocês, meus amores. – Dulce apareceu
na sala com um prato cheio de panquecas e meus olhos brilharam.
- Desse jeito, vai ser promovida, Dulce... – Bela comentou, já com a boca
cheia. Tão linda, se sujando com o chocolate...
Tom's POV off
Danny’s POV
Eram quase três da tarde quando saímos
todos rumo ao aeroporto. O dia estava tão cinza que contrastava com a nossa
animação. A neve caía timidamente sobre as ruas e eu me senti feliz por estar
indo a um lugar quente novamente. O frio de Londres já estava enchendo o saco.
- Titico, vem aqui me esquentar! –
Sam me chamou manhosamente, com os braços esticados em minha direção.
- Fletcher! – berrei, já me aconchegando à minha namorada. – Tem cobertor aí na
frente?
- Está em uso! – ele gritou de volta e eu bufei.
- Porra, em uso por quem? – Sam quis saber, me agarrando em busca de algum calor.
O aquecedor da van em que estávamos deixava a desejar.
- Por mim e pela Bela. – ele respondeu.
- Mas tinham dois cobertores! – Sam retrucou impaciente.
- E nós somos duas pessoas, ora! – Bela foi quem respondeu e Sam riu
ironicamente, mais menos assim: “RA-RA-RA-RA”.
- Colocaram só dois justamente porque somos dois casais e supostamente
deveríamos dividir irmãmente: cada casal com um cobertor. – ela explicou,
irritada.
- Mas a Bela está passando mal e eu to com pena de deixá-la só com um.
- Passando mal é a minha bunda, me dá logo essa merda, eu to congelando aqui! –
Sam praticamente pulou para os bancos da frente e arrancou um dos cobertores
que estavam sobre os dois. – Idiotas. – ela murmurou, voltando ao bando de trás.
- Insensível! – a voz de Bela ressoou frágil, me dando um pouco de pena também.
Mas agora não era hora de altruísmo, certo? Eu estava congelando!
- Quem foi o idiota que só colocou dois
cobertores na porra da van, se nós somos quatro? – Tom reclamou alguns minutos
depois.
- O Fletch! – Bela respondeu.
- Por isso que eu o odeio. – Sam murmurou por fim, sendo seguida por um
silêncio longo e chato. Ah, qual é?! Estávamos indo pra América do Sul!
Quero dizer... O Brasil fica mesmo na América do Sul, não é? América do sul é
um país? Porque África do Sul é... Então... Não sei... Melhor eu dizer apenas
que estamos indo ao Brasil, por via das dúvidas.
Danny’s POV off
Thalia’s POV
Era meio óbvio que eu ficaria sozinha num
banco com Harry. Flor não ia conosco e o resto deles eram casais grudentos,
então, a não ser que eu decidisse ir no teto ou na mala, eu teria que ir até o
aeroporto – não era perto – junto com Harry. Sim, isso era ruim. Mesmo que eu
pudesse ignorar sua presença e ler um livro, mexer no celular, no iPad ou em
qualquer coisa, aquele clima tenso ainda pairava entre nós. Quero dizer, nós
estávamos um tanto quanto enrolados, entende?
Às vezes a gente se beijava e dizia frases comprometedoras um para o outro, mas
normalmente ficávamos nessa de nos ignorar. E aí o clima ficava ainda mais
pesado. Eu gostava de todas essas nossas recaídas, preciso admitir, mas odiava
o que vinha depois (essa série de indiferença, um para com o outro) então
preferia evitar. Mas quem disse que eu conseguia? Sempre que Judd vinha com
esse joguinho barato de frases de efeito pra cima de mim, eu cedia como uma
idiota, e depois, o que me restava pra manter a dignidade era essa estratégia
de ignorá-lo e defecar solenemente para a sua presença.
Eu teria que aguentar isso até a América Latina, até colocar os pés no hotel.
Eu teria que aguentar isso muitas vezes durante essa viajem e não sabia o que
fazer.
É melhor eu abrir logo essa janela e me jogar. Bem mais simples e fácil.
Mas não.
Sou tão inútil que nem coragem de me matar eu tenho.
Ok, isso soou realmente melancólico.
Não estou melancólica, apenas um pouco estressada.
- Lia? – arrancando-me de minhas
distrações, a voz de Harry veio acompanhada de um toque no meu braço.
- Sim?
- Estava mesmo concentrada nos pensamentos... Te chamei umas doze vezes.
- Ahn? Jura?
- Não. – ele riu. – Só foram duas mesmo. – deu de ombros e eu sorri brevemente.
- O que foi? – perguntei, referindo-me ao por que dele ter me chamado.
- Ah, queria saber se você não quer o cobertor. Está um frio da porra...
- Quero sim.
- Er... Mas nós teremos que dividir. Quer dizer, só tem dois e Soph e Dougie
estão usando um.
Puta. Merda.
Não sei se isso é ótimo pelo fato de Harry ser mais gostoso que o considerado
saudável para as mentes femininas, ou se isso é péssimo pelo mesmo motivo.
- Tudo bem, não ligo. – dei de ombros, mantendo-me superior e sendo mais falsa
que tudo.
É LÓGICO que eu ligo. Ligo, e muito.
- Ah, sim, porque eu ligo. – ele disse e eu, por alguns breves segundos, achei
que fosse a voz da minha consciência falando mais alto que o normal. Mas não.
Harry tinha mesmo acabado de dizer isso.
- Liga?... Liga... P-pra que?
Desculpe-me, Deus, por ser tão patética.
- Bom, as coisas já não estão exatamente confortáveis entre nós... Imagina
agora? Dividindo um cobertor... Isso não será fácil pra mim, não mesmo.
- É, entendo... Nem pra mim. – suspirei, sendo sincera. Gente, não entendi. De
onde veio essa coragem? – Então... – amaciei a voz para soar sexy - Por que não
tornamos isso mais fácil?
O QUE?
PERA AÍ. ONDE APAGA A FALA? CADÊ O “CTRL
Z”?
Sério, meu Deus.
Fiquei o olhando, ainda para piorar, com
minha cara sensual, insinuando mil coisas, e ele demorou alguns segundos pra se
dar conta de que eu realmente tinha sugerido aquilo.
E então ele me puxou pela nuca e nós nos beijamos com aquela veemência de
sempre.
Soph's POV
Não vamos comentar nada sobre Thalia e Harry se
pegando descaradamente no banco da frente, certo?
ERRADO.
COMO ASSIM? BEM NA NOSSA CARA?
Eu precisava filmar aquilo.
Cutuquei Dougie, que estava compenetrado em um
joguinho tosco no iPhone, e apontei pros bancos da frente. Ele esticou o
pescoço pra olhar e teve que prender a risada diante da cena. Nem precisei
pedir. Dougie era sagaz quando se tratava disso.
Ficamos filmando durante quase dois minutos
(SIM, PASMEM, ELES NEM SEQUER PERCEBERAM), mas decidimos parar pra não dar
bandeira. Já tínhamos um material e tanto ali.
Muahaha.
- Ei, meu oxigênio, – Dougie cutucou meu braço –
o que acha da gente se pegar um pouco também? – lançou-me um sorriso ladino que
foi suficiente pra que eu sucumbisse aos seus encantos.
Meio segundo depois, já estávamos compartilhando
saliva com bastante vigor. Precisávamos mesmo dar uma aquecida no ambiente.
Soph's POV off
Danny's POV
Demorou oito eternidades e meia pra chegarmos ao
aeroporto. As rádios anunciavam previsão para nevasca, as ruas estavam caóticas
por conta do transito... Tudo para atrapalhar.
Mas, enfim, a gente chegou vivo. Não morremos
congelado nem nada.
Abracei a Sam pelo ombro no curto caminho da van
até a entrada do aeroporto, o que pareceu muito mais dramático na hora. Estava realmente frio.
- Esse frio não faz muito bem a você, Danny. –
Tom apoiou a mão em meu ombro com uma cara de pesar. Não entendi. – Você já tem
poucos neurônios... Corre o risco de congelar os únicos que restam. – disse
sério e, por um momento, pensei sobre aquilo.
Será que...?
Oh, droga! É melhor eu comprar gorros e...
- Danny! Você não está levando isso a sério,
está? – Sam olhou-me irritada ao som da gargalhada alta de Soph. Lia me fitava
com uma cara de descrença ao soltar:
- Impossível... Você só pode estar brincando,
Jones! – disse, entre o riso e a incredulidade.
- Er... pfff! Claro que eu tava, né! – ri o mais
verdadeiro possível.
- Ele não estava brincando. – Harry explanou
indiferente. – Mas a gente te ama mesmo assim, Danny.
- Por isso que eu digo que eu não sou tão burro!
– disse Dougie, enfático. – Fala sério, qualquer um que anda com o Danny se
sente mais inteligente.
Sacanagem...
- Mas você é um gênio, bombom. – Soph afirmou,
acariciando as bochechas minguadas do Poynter. Não que eu tenha bochechas
gordas.
- Bela, tá calada por quê? – Sam, de repente,
mudou o assunto, fazendo com que todos voltassem a atenção pra Bela. Ela estava
enrolada numa espécie de mantinha azul escura, encolhida ao lado do Fletcher,
com a cabeça apoiada em seu ombro. Eles praticamente ocupavam a mesma cadeira.
- Não to me sentindo muito bem. – deu de ombros
sem dar muita importância. – To enjoada e meio indisposta.
- E qual você acha que vai ser o sexo do bebê?
HAHAHA – brincou Soph, despertando algumas risadas, inclusive a de Bela.
Danny's POV off
Harry's POV
- GENTE, DEMOREI MAS CHEGUEI! – do nada, Flor
surgiu esbaforida em nosso campo de visão.
- Já tava pensando que você não vinha. – Lia
falou, enquanto recebia os cumprimentos de Flor.
- Não perderia essa despedida por nada. –
sorriu. – Vou ficar morrendo de saudade.
- Odeio sua mãe, sério. – Soph reclamou. – Qual
problema de viajar com seus amigos para outro continente, mesmo tendo apenas
dezessete anos, sem nenhum responsável, muita bebida alcoólica, sexo e um bom
bocado de rock'n'roll?
Rimos.
- Realmente! Minha mãe é anormal por não deixar.
– Florence ironizou. – Mas não é só isso. Ainda tem a questão da grana. Sabe,
fica meio tenso pagar vários hotéis, a passagem, e dinheiro pra estadia e
alimentação... A tour não vai ser tão curtinha, não dá pra custear.
- Ah, fala sério! Você tem amigos com contas
bancárias realmente lindas e disponíveis para uso coletivo. – advogou Sam,
apontando pra nós. – Excluindo Soph e eu, só tem milionário, querida. Dinheiro
não é o problema. A coisa mais fácil do mundo é extorquir grana do Danny. Como
você pode ver, eu não to pagando nem uma respiração nessa viagem. – tagarelou,
nos fazendo rir novamente.
- Não sou tão abusada.
- Não é questão de abuso. – Soph defendeu. – É
amizade e sorte na vida.
- Flor, dinheiro nunca foi um empecilho pra você
ir conosco. – disse Lia e Bela concordou veemente.
- Ninguém ia se importar de pagar pra você. –
Tom adicionou.
- É, não venha inventando desculpinhas! –
brinquei, apontando o indicador em sua direção incriminadoramente.
- Certo, certo. – bufou, erguendo as mãos em
rendição – Mas eu odeio ficar dependendo dos outros, que os outros paguem pra
mim e tudo mais. O que eu posso, eu posso; o que não posso, não posso e fim da
história. Fui criada assim e não consigo agir diferente. E, como eu já tinha
dito antes, não é só a grana. Nem se eu fosse riquíssima minha mãe deixaria...
Ela não é muito dessa vibe liberal e tal. – deu de ombros e nos olhou
docemente. – Vou sentir saudade dos meus amores lindos!
- NÓS TAMBÉM! – Danny berrou desnecessariamente.
Fiquei com vergonha alheia.
- Abraço em grupo! – Dougie, expondo suas raízes
homossexuais, propôs e todos aderiram à ideia. Até a Bela, que, mesmo parecendo
um zumbi (coitada, mas é verdade. Ela já esteve em dias melhores...),
levantou-se e participou do momento colorido.
- Quando a gente voltar, a gente te conta o sexo
do bebê da Bela e tudo mais. – falei, no meio do abraço, escutando algumas
risadas.
- Vai passar rapidinho! As turnês sempre voam...
– Johnson, com sua voz franzina, falou de algum canto e nós concordamos.
- É, você vai ver. Nem vai dar tempo de sentir
tanta saudade. – assim que Lia terminou de falar, o nosso vôo foi anunciado.
Harry's POV off
Tom's POV
- Pessoal! – Fletch acenou pra nós pra que
fossemos para o portão de embarque. Nos despedimos uma última vez de Flor e
rumamos ao nosso avião
Seria uma viagem e tanto. Eu tinha certeza.
- Amor! TOM! THOMAS, ACORDA AGORA, PORRA! – Bela
me balançava brutalmente.
- Você não podia me acordar com um beijinho ou,
sei lá, no máximo uma cutucada de leve?
- Nem se eu te estuprasse aqui você acordava,
Fletcher. – retrucou irritadiça. Linda. – Já vamos pousar.
- Ah, tá. Nossa. Dormi mesmo... –
espreguicei-me, regulando o acento pra que ficasse ereto.
- Você não dormiu, lindo. Você hibernou.
- E você já tá bem melhorzinha né? – ri das suas
reclamações.
- Eu tomei remédio e melhorei, ora. Queria que
eu ficasse quase morta pelos cantos?
- Vejo que está bem temperamental, também.
- Estou sim. Algum problema? – empinou o nariz e
cruzou os braços.
A agarrei ali mesmo.
- Hã-ham! – alguém (Sam, eu tinha certeza)
pigarreou alto, chamando nossa atenção. – Este barulho de beijo está
incomodando meus ouvidos!
- Cala a boca, Bradley! – Bela reclamou,
voltando a dar a devida atenção a quem merecia. No caso, eu.
Tom's POV off
Thalia's POV
O vôo foi bem mais tranquilo do que eu pensei
que fosse ser.
Quero dizer, eu e Harry levamos numa boa.
A gente nem se beijou. Não muito. Só tiveram
três ou quatro vezes que foram praticamente... sem querer.
Estávamos voltando a ser amigos, o que eu,
particularmente, tava amando. Harry era o tipo de amigo que toda mulher precisa
ter. Não sei bem explicar o porquê disso, mas ele simplesmente é. Pergunte a
qualquer uma das amigas dele.
Estava um calor insuportável no Brasil. Já era
fim de tarde, o sol se pondo, e todas as axilas ali soando.
Mas nós estávamos preparados para isso. É claro
que todo mundo trouxe roupa pra trocar quando chegasse aqui, ou mudaríamos de
estado físico e viraríamos plasmas rastejando por aí. Sério, estava nesse
nível.
Me perguntei como as pessoas sobrevivam àquilo.
Pra sair do aeroporto foi um inferno, mas todos
os seguranças se mobilizaram a nos ajudar. A Bela ficou de graça, querendo dar
atenção aos fãs e tal, mas tava todo mundo morto de cansaço, loucos pra chegar
ao hotel. Por mais que a simpatia e cordialidade fossem essenciais em seus
trabalhos – incluindo os meninos do McFLY–, nós éramos seres humanos e
precisávamos de algum descanso.
Eu e Harry éramos os únicos a ter quartos
sozinhos. Os casais fizeram toda a questão de ficarem juntos, o que era de se
esperar. Toda a produção e equipe ficou no mesmo andar e isso foi ótimo.
Facilitaria a comunicação.
Quando terminei de "organizar" minhas
coisas no quarto, permiti-me dormir como se não houvesse amanhã.
Mas havia.
E eu tinha que levantar cedo.
Shit...
Thalia's POV off
Bela's POV
Sete horas da manhã, lá estava eu tomando um
banho fresco para encarar aquele dia cheio. Eu tava muito, muito cansada, mas
feliz. Sabia que o show daquela noite marcaria a minha vida. Seria o primeiro
de toda a minha carreira a ser dividido com os meninos. Eu tava tão
coloridamente radiante!
- Tom, atende a porta, por favor? Estou calçando
o sapato.
- Aham. – ele murmurou, indo até lá. – Oi, Lia.
Já estamos descendo.
- Ah, não, tudo bem. Só vim saber se ela já tava
pelo menos perto de pronta.
- Já estou quase pronta, ok? Sou muito
responsável. – terminei de colocar o sapato e caminhei até a porta para que
descêssemos.
- Claro, nos dois primeiros dias. –
rebateu, rolando os olhos.
- Sou só eu que to morrendo de sono? – Tom
resmungou, enquanto deixávamos o quarto.
- Eu também to, mas... Ei! Amor, você anda muito
sonolento!
- Ando mesmo. E meu sono fora de hora é
totalmente culpa sua.
- Não entrem em detalhes, por favor. – Lia pediu
erguendo os braços em repreensão. Eu ri, como de praxe.
Passei algumas horas fazendo cabelo e maquiagem
com minha dupla fiel e infalível, que me acompanhavam por todo o canto, para
dar uma entrevista ao multishow junto com o McFLY.
Foi divertido.
Depois fomos direto para a passagem de som e
ensaio geral com toda a equipe. O show era cumprido e muito bem dividido. As
partes do Ordinary Fantasy tinham coreografias, assim como umas poucas músicas
minhas, e era importante que passássemos aquilo o máximo de vezes possível.
Estava tudo dando certo até que...
- Céus, eu vou vomitar! – foi do nada. O enjôo
veio forte e repentino. Tive que correr até o banheiro, que por sorte era bem
na passagem do palco pro backstage. Deu tempo de chegar à privada.
- Bela, tá tudo bem? – Tom e Harry chegaram
alguns segundos depois, precedidos de Doug, Danny e as meninas, que também
estavam por ali.
- Foi só um... – mais uma vomitadinha pra fechar
com chave de ouro – enjôo repentino.
- Você comeu direito? – Lia perguntou,
soando preocupada.
- Ela comeu como um bicho no café-da-manhã,
vocês não viram? – Soph disse, tentando espreitar pela porta, mas os meninos
tapavam sua visão.
- Ai meu Deus... Será que ela vai morrer? Sério,
não to brincando. – Sam choramingou, se enfiando por entre os garotos e parando
ao meu lado. – É que eu vi um caso, no Discovery Home & Health, que a
menina tinha uma doença que não parava de vomitar, aí ela morreu.
- Desde quando você vê Discovery? – perguntei
depois de lavar a boca.
- Sei lá. - Deu de ombros e eu ri.
- Relaxa, deve ter sido alguma coisa que eu
comi. – palpitei. – Alguém pode pegar a minha escova de dentes? Tá dentro de
uma nécessaire na minha bolsa. – pedi e Lia se disponibilizou – Eu já to bem,
gente. Podem voltar a ensaiar. – sorri tentando parecer convincente.
- Ok... Se acontecer qualquer coisa, avisa, tá?
– Danny falou, me olhando com preocupação. Lhe sorri mais uma vez, assentindo.
- Amor, é sério. Avisa mesmo.
- Vou avisar, lindo. Pode ficar tranquilo. – Ele
pousou a mão em minha nuca e me puxou pra um selinho, mas eu freei no meio do
caminho. – Ei, não escovei os dentes!
- E daí? – ele riu e me puxou de novo, dessa
vez, selando seus lábios aos meus por alguns segundos. – Não é como se fosse
cair vômito na minha boca nem nada. Eu não tenho nojo.
- ECA VOCÊS DOIS, PUTA QUE PARIU. – Sam berrou,
afastando-se do banheiro com Soph rindo alto.
Tom me deu mais um selinho e foi ensaiar, me
deixando ali, quieta com meus pensamentos...
Bela's POV off
Sam's POV
Obviamente eu quis ver o show de lá debaixo, no
povão.
Quer dizer, não exatamente no povão. Eu
sempre gostava de parecer meio importante então costumava ficar toda linda
naquele espaço entre a grade e o palco, onde só pessoas especiais (como eu)
ficam. Por muita insistência da minha parte, Soph e Lia foram comigo.
"Mas é só nesse primeiro show, porque eu
tenho muito o que fazer lá atrás!" Foi a desculpa esfarrapada da
Thalia. Ela nunca fazia nada. Ficava toda largada em algum canto, comendo
aperitivos e assistindo ao show como uma rainha.
Ela tem que aprender a ser gente também, pô.
Ainda que seja uma gente importantíssima, que fica entre a grade e o palco.
Ai, somos muito V.I.P.
- HELLO,
SÃO PAULOOOOOOOOO! ARE YOU READY TO HAVE SOME BALLS TONIGHT?! – a voz rouca e esgoelada de Danny soou nas caixas de
som, enquanto ele erguia as duas mãos pro alto como um divo e o Tom fazia
alguns sons na guitarra.
- LINDO, GOSTOSO, MARAVILHOSO! – Gritei, mas
seria impossível ouvir com o tanto de menina histérica berrando atrás de mim.
A música que começou foi star girl. Amei. E amei
todas as outras que seguiram. Ninguém no mundo inteiro podia negar que aqueles
quatro realmente DOMINAVAM a ARTE de saber fazer um show. Nada podia
ser mais contagiante.
Eu estava quase tendo orgasmos com o meu
guitarrista gostoso cantando daquele jeito. Claro, tinham os outros, mas o
Danny naturalmente se destacava por ser o melhor dos quatro, disparado.
Eu só tinha uma reclamação.
Como o show era quase uma mega produção,
aconteceu numa arena e o palco era enorme. E.N.O.R.M.E. E isso, somado ao fato
de que várias dançarinas entrariam ali mais tarde, fez com que os quatro
ficassem mais atrás e muito afastados um do outro.
Mas, mesmo assim, estava incrível.
- Er... Esperam que tenham gostado da noite até
agora. – Dougie falou ao final de Five Colours In Her Hair. – Porque depois
disso o show vai ficar horrível. – todo mundo gritou. Aposto que elas não
entenderam nada.
- Vai? – Tom perguntou ao microfone.
- Muito. – Poynter respondeu, apoiando uma mão
no baixo e coçando a nuca com a outra.
- Ele é um lindo, né? – Soph suspirou, vidrada
no namorado.
- Por quê? – Tom quis saber.
- Vão ter dançarinas lindas pelo palco. – Harry
falou, lá de trás. Todo mundo gritou, claro.
- Não é só por isso. – Doug voltou a falar.
- Mas isso com certeza vai atrapalhar. – Danny
adicionou. Eu vou te mostrar o que vai atrapalhar Jones. É a minha unha furando
seus olhos, isso é que vai atrapalhar.
- O show vai ficar realmente ruim porque o Tom
não vai conseguir tocar nenhuma música de tanto que vai babar. – Poynter
explicou, nos fazendo rir, e, adivinhe? Todo mundo gritou.
- Oh... Será? – Fletcher inquiriu com sua cara
de riso. Dougie assentiu. – Mas por que, exatamente?
- Porque... Bom, veja com seus próprios olhos.
E, de novo, a voz maravilhosa de Danny tomou
conta dos amplificadores.
- GUYS,
PLEASE WELLCOME OUR LOVELY, HOT, SEXY AND... – olhou rapidamente pro Tom – not single... BELA JOHNSON! – brincou,
ao convidá-la ao palco.
Os gritos, como sempre, quase me ensurdeceram.
A guitarra cantou enlouquecida ao passo que
Johnson foi entrando com sua cara de "eu sou gostosa", marchando
rebolativamente com uma das mãos na cintura, se achando a própria miss mundo.
Ela gostava dessas entradas fatais...
Meu queixo foi ao chão quando reparei em seus... Trajes (#). Era um show de musicas ou de strip-tease?
- Agora eu entendi por que ela não queria que
vissem o figurino dos shows... – comentei sem desviar os olhos do palco. As
meninas riram.
- Ela não queria morrer de tanto ser zoada... –
Soph disse rindo.
- Eu a ajudei a escolher. – Lia confessou. – Ela
disse "quero algo diferente e sexy", então eu providenciei. E, sendo
sincera, eu adorei. Ela tá maravilhosa, olha isso!
A bateria desenfreada fez o estádio vibrar e,
quando ela chegou na pontinha do palco, tudo parou. Silêncio.
Quero dizer, pelo menos da parte da música. O
povo continuou com aquela baderna sem noção.
Então Bela iniciou a música repentinamente, com
uma nota aguda que me deu um breve susto, mas ficou bem legal. Eu amava todas
as músicas dela, então era suspeito dizer.
Johnson era outra que sabia dar um show.
A junção daqueles dois gênios musicais (na minha
humilde opinião de puxa-saco) foi a coisa mais inteligente que um ser humano
pode arquitetar. Existe algo mais tudo-a-ver que Bela Johnson e McFLY juntos?!
Sam's POV off
Soph's POV
Depois que Bela entrou, o show ficou bem mais
engraçado. Ela ficava provocando o Tom, que acabava caindo na risada e
desencadeando o riso de todos os outros. A sorte é que eles só tinham que tocar
durante aqueles números.
Nas partes coreografadas, eu, Lia e Sam
tentávamos imitar, o que ficava cada vez mais tosco. Eu poderia muito bem parar
por vergonha, mas não o fiz porque estava divertido ver a Sam se achar
maravilhosa quando, na verdade, se assemelhava a uma lombriga com constipação.
No final do show, Bela cantou aquela música
bonitinha que todos sabem que é para o Tom, o que acabou sendo muito
emocionante. Todo mundo entrou no clima e o arranjo ficou lindo, bem forte e
profundo. Sam chorou, eu lacrimejei, Lia ficou sorrindo como uma idiota, Bela
deixou uma ou duas lágrimas escaparem sem querer (estranho), e o Fletcher não
parava de sorrir bobamente, visivelmente emocionado, tentando se concentrar em
sua guitarra.
O último número foi mais animado, mas ainda
assim, bonito. Shine a Light era sempre uma ótima opção. Eles modificavam o
final pra ficar impossível de você não sentir calafrios e uma breve depressão
pelo show ter acabado. O fato de Bela ter tido umas participaçõezinhas na
música deixou tudo ainda mais legal.
Foi lindo.
Um show marcante, mesmo pra mim que não sou
dessas muito sentimentais e tal.
- CARA. FOI FODA. – Sam chegou gritando pelo
backstage.
- FOI MAIS QUE FODA! – Lia berrou junto, o que
não era tão normal assim. Ela devia ter gostado MESMO do show. – Parabéns,
gente! Superou minhas expectativas!
- E QUE ROUPA É ESSA, HEIN, JOHNSON? – Não pude
deixar passar, é claro. – VAI DIRETO PRO TEU BORDEL QUANDO SAIR DAQUI? HAHAHA
- Claro que vou! – ela riu irônica. – Cala a
boca, insuportável. – levei um tapa ardido no braço. – Falando em roupa,
preciso tirar essa merda! Tá me apertando em todos os cantos.
- Não amor, não tira não... Vamos direto pro
hotel com ela... – Tom riu, a abraçando por trás.
Fiquei com vontade de ser agarrada pelo Doug
também, mas ele não tava por ali.
- Cadê o meu oxigênio? – perguntei, varrendo a
área com os olhos.
- Está no ar. – Harry respondeu com cara de
obviedade.
- Você entendeu, Judd.
- Ele foi ao banheiro há um século e ainda não
voltou. Saiu do palco direto pra fazer pipi. – Danny disse, parando de beijar a
Sam pra me dar um pouco de atenção.
- Vou lá procurar meu homem. – avisei, antes de
deixar o cômodo.
Soph's POV off
Thalia's POV
- Ai, eu to meio enjoada... – Bela reclamou. –
Acho que sacudi demais a cabeça no show. – ela deu uma risada fraca. Tom a
olhou num misto de preocupação e intriga.
- Bela, você tem que ver isso. Tá passando mal o
dia inteiro, desde ontem. – Falei.
- Desde ontem nada, ela já tá assim tem quase
uma semana. – Harry cagoetou. – Fica vomitando pelos cantos...
- Eu já falei com meu pai sobre isso, ele acha
que esses enjôos podem ser gastrite. – ela explicou despreocupada.
- Gastrite não dá tontura. – rebati.
- Não estou com tontura, é enjôo! E
provavelmente é porque sacudi muito a cabeça no show.
- Você sempre sacode e nunca reclamou disso.
- Eu estou bem, Lia! Mas que coisa! – fez birra,
fechando a cara.
- Linda, ela tá certa. – Tom a olhou, soando
carinhoso. – Você tem que ver isso. Qual o problema de ir ao médico?
- Nenhum, eu posso muito bem ir, se vocês tanto
querem. – se desvencilhou dos braços de Fletcher, ainda birrenta. – Vou trocar
de roupa.
- Bela está tão temperamental... Parece até eu.
– Sam comentou entre risos e nós concordamos.
Mas alguma coisa não me cheirava bem nessa
história toda...
Thalia's POV Off
Bela's POV
Tive uma noite mal dormida. Não deu pra
descansar muito, mas foi suficiente para acalmar os ânimos. Arrumei tudo que
tinha que arrumar às pressas e, à tarde, viajamos para Espírito Santo.
O Show lá foi tão legal quanto, e a viajem foi
rápida como a de São Paulo.
Em Minas, idem.
E então, finalmente, chegamos ao Rio. O meu Rio.
A minha cidade. O lugar que eu tanto sentia falta. Passaríamos uma semana
inteirinha ali e só faríamos dois shows! Eu teria tempo suficiente para
aproveitar bastante.
Mas eu não estava tão feliz quanto estaria se
tudo estivesse normal. Havia algo errado acontecendo comigo, eu tinha certeza.
Eu passava mal praticamente todos os dias e me sentia estranha. O humor estava
sempre oscilando muito e eu andava me cansando demasiadamente rápido nos
ensaios. Eu estava com medo de que fosse algo sério.
- Vamos sair por aí! – Sugeri animada, depois de
nos instalarmos no hotel.
- Sim! To louca pra conhecer o rio. – Sam
respondeu sorrindo, pegando sua bolsa.
- Vamos, gostosinho? – Soph chamou por Dougie
que balançou a cabeça afirmativamente. Os meninos se juntaram a todas nós e nós
partimos para a rua na cara e na coragem.
Mentira, não foi exatamente isso.
Nos dividimos novamente nas vans e ficamos
transitando por ali. Eu me sentia muito feliz. Uma nostalgia enorme me assolava
quando eu pensava na minha infância naquele lugar, quando eu andava por aquelas
ruas, a minha antiga escola, a minha antiga casa. Era uma sensação estranha,
mas boa.
- ALI! – apontei, pela janela, para a entrada do
condomínio que eu morava. – Minha casa era ali.
- Que condomínio bonito! – Sam exclamou,
admirando a fachada. Estava bem parecida com o que eu lembrava.
- Não mudou muito, eu acho. – murmurei, conforme
a paisagem ia sendo deixada pra trás na medida em que a van andava.
- Você sente falta? – Tom perguntou,
abraçando-me pelo ombro.
- Um pouco. – dei de ombros. – Era bom morar
ali.
Bela's POV off
Thalia's POV
O Rio é lindo mesmo. Aquele passeio, ainda que
tenha sido dentro de uma van, melhorou ainda mais meu humor, que já estava bom.
E isso se deve quase que única e exclusivamente a um motivo: Harry estava
sendo... Ótimo comigo.
Eu e ele estávamos ficando. Agora, oficialmente.
Não que os outros soubessem, mas nós dois sabíamos. Na noite do show de Minas,
nós quase transamos. Eu disse quase. As coisas só não aconteceram porque achei que talvez
pudéssemos estar sendo muito apressados.
Quando a gente chegou de volta ao hotel, liguei
meu notebook por hábito. Entrei nos sites de sempre e antes que eu desligasse,
decidi ver se minha vida andava estampada por aí.
E minha surpresa foi enorme ao ver que sim.
" Harry Judd, baterista da banda McFLY, tem momentos de afeto com
ex-namorada"
Oh, claro. Era só o que me faltava.
"Parece que o casal, mesmo com o término
turbulento, não aguentou ficar muito tempo separado. Thalia Hoppus, manager da
cantora Bela Johnson, foi vista com nosso baterista favorito em momentos românticos
no espaço externo vip da arena de Minas Gerais, no dia do show. Os dois parecem
estar bem próximos de reatar o romance, o que é uma pena. Harry Judd é um
partido e tanto!"
A foto que enfeitava a matéria era uma em que
Harry me abraçava pelo ombro e beijava minha bochecha. Não seria nada demais se
não fosse pelo meu sorriso apaixonado. Mas que merda! Desnecessário sorrir
desse jeito, não?
Bufei, colocando o notebook de lado. Precisava
falar com alguém. E, bom, a porta mais perto da minha é da Bela, então...
Eu estava perto de bater à porta quando escutei
alguns grunhidos. Não, não era nada parecido com sexo. Era mais para resmungos
de reclamação. Aproximei minha cabeça para escutar melhor.
-... Está muito atrasada! Tipo... Muito!
- É,
é uma merda. A minha também atrasa às vezes.
Aparentemente, Bela e Sam conversavam.
- Não,
você não entende! Eu to meio preocupada...
- Calma,
Bela. Se você ficar menstruada no meio do show, todo mundo vai achar que é
efeito especial.
- Não...
Olha, Sam, esquece ok?
- Mas...
Oh, não... Não pode ser o que eu estou
pensando... Será?
Andei de volta para o meu quarto, um tanto
atordoada.
Será mesmo que a Bela...?
Merda.
Thalia's POV off
Tom's POV
O show estava sendo incrível como sempre. Minha
namorada gostosa, com roupas que me faziam querer arrastá-la pra um canto
escuro e atacá-la como um babuíno, dançando, correndo e pulando pra lá e pra
cá, vindo até mim para fazer provocações injustas, ou brincando com o Danny,
implicando com o Dougie ou até mesmo fazendo visitas ao Harry, lá trás, no
púlpito da bateria. Eu não sabia como ela era capaz de escalar aquilo com
saltos.
As meninas estavam no backstage, dessa vez. Dava
pra vê-las vez ou outra quando olhávamos para o lado.
Enfim. Estava tudo certo.
Até que, de repente, Bela pareceu tonta. Parando
de dançar e cantar. Deixou que as backing vocals assumissem, junto à platéia,
enquanto ela dava pequenos passos incertos pra trás. Eu já estava quase
entrando em pane. Quase largando a guitarra e fazendo daquilo uma bela confusão.
Eu e os caras trocamos olhares tensos, quase implorei mentalmente a Danny pra
que fizesse alguma coisa. E Danny olhou pra Dougie, e Dougie olhou pra Harry. E
Harry sacudiu a cabeça com os olhos presos em Danny. Então Danny começou a
perambular com a guitarra pelo palco, parecendo muito empolgado para aquela
parte da música. Seria engraçado se não fosse trágico.
Bela estava aturdida, no fundo do palco
esgueirando-se em uma estrutura de metal. Eu precisava ir até ela!
Não percebi o que Danny tinha feito, só sei que
ele agora voltava, da direção do backstage, ainda animado com sua guitarra,
destinando-se a seu microfone.
- MOSTRE A ELES DO QUE HARRY JUDD É CAPAZ,
TIGRÃO! – berrou Danny, ouvindo gritos exaltados da multidão.
Então todas luzes se apagaram, sobrando apenas
uma sobre Harry, nos deixando invisíveis. Cortamos os outros instrumentos,
enquanto Judd improvisava por alguns minutos.
Praticamente larguei minha guitarra no chão e
corri até onde Bela estava. Ela tava terrivelmente nervosa. Tomei seu rosto
entre minhas mãos, a fazendo olhar pra mim. Dougie e Danny estavam ali também.
- Amor, o que houve?
- Estou me sentindo mal. – respirou fundo –
Estou tonta, acho que preciso... Vomitar. – ela praticamente arrancou minhas
mãos de onde estavam e correu para o banheiro mais próximo.
Eu estava realmente preocupado.
Era óbvio que Bela estava doente. Ela tinha que
ir ao médico.
- Cara... Tem alguma coisa meio errada com ela.
– Danny murmurou.
- Ah, jura, Danny? – o olhei, sorrindo irônico.
– Pensei que ficar vomitando pelos cantos há quase duas semanas era normal.
- ISSO TUDO?! – Dougie exclamou alarmado. –
Cara, vocês são loucos ou o que?! Já era pra ela ter ido ao médico há muito
tempo!
- É mesmo, Tom. – Danny concordou. Suspirei
exaurido. Eu sei que Bela era teimosa, mas eu deveria ter insistido mais. Ela
vive dizendo estar perfeitamente normal, mas isso tudo não tá nada normal.
E eu não vou esperar mais nenhum dia. Amanhã mesmo resolveremos isso de uma
vez.
Algo em torno de três minutos foi o que demorou
pra Bela estar de volta. Ela parecia melhor.
- Como está? – perguntei, preocupado.
- Ótima. Vomitei um pouco, bebi água e depois
energético. Acho que dá pra segurar as pontas.
- Vai mesmo continuar? – Danny quis saber, também
preocupado.
- Mas é claro! – exclamou e depois sorriu. –
Vamos logo!
Interrompemos o solo de Harry com as guitarras e
o baixo, Bela voltou a cantar e dançar como se nada tivesse acontecido. Não
pareceu exatamente improviso, até porque o solo de Harry estava incluso (mas
não nessa ordem, é claro) então soubemos administrar bem.
Bom, até que deu tudo mais ou menos certo no
final.
Tom's POV off
Sam's POV
Teríamos uma after party muito interessante lá
no hotel se nada tivesse ocorrido com Bela. Todo mundo tava meio desanimado e,
tenho que confessar, fiquei um tanto insatisfeita. Eu tava ansiosa para aquela
festinha, poxa!
Mas tudo bem, adiamos para depois do último
show.
- Que foi, amor? – Danny perguntou, depois de
entrarmos no quarto, acariciando meu cabelo.
- Eu queria que rolasse a festa.
- Ninguém tava no clima. – torceu a boca.
- Não sei por que. Bela nos certificou que
estava bem, não é? Então qual era o problema de manter a festa?
- Ela não está bem, Sam. – me olhou
profundamente. – Não consegue ver que sua própria melhor amiga está com
problemas?
Suas palavras foram cortantes, me atingiram de
forma inesperada. Desde quando Danny era tão sensato?! Estávamos falando de
Daniel Jones!
De repente, me senti muito mal. Eu estava mesmo
cagando para Bela! Era tão óbvio que ela estava mal... Como pude ser uma amiga
tão relapsa? Até a Soph – a pessoa mais insensível que conheço – estava mais
compadecida que eu. Mas a verdade era que eu e minha melhor amiga estávamos
mais afastadas que o normal. Eu e Bela, nessas últimas semanas, não fomos a
mesma coisa que costumávamos ser por toda uma vida. E essa constatação me fez
ficar ainda pior.
Era tudo culpa minha!
Eu tinha certeza que era! Eu sou uma amiga
terrível!
Não, na verdade, a culpa era inteiramente de
Danny, como sempre!
- JONES, A CULPA É TODA SUA! SOU UMA AMIGA
HORRÍVEL E A CULPA É SUA!
- Minha?! Está louca? – ele pareceu confuso.
- Não! A culpa é sua! Você monopolizou minha
vida nos últimos dias e eu... Eu e Bela... A gente se afastou tanto... – as
lágrimas brotaram de meus olhos, já molhando meu rosto. – Não queria que ela
achasse que estou trocando-a por você... Mas... É, com certeza, o que ela acha!
Minha relação com ela não é a mesma coisa e a culpa é toda nossa! É toda sua
que rouba completamente a minha atenção, Jones!
- Incrível essa sua capacidade de simplesmente
não conseguir assumir a culpa! O que eu tenho a ver com isso, Sammy? Eu, por
acaso, te implorei por atenção? Você esteve comigo por pura e espontânea
vontade, se você não consegue administrar seu tempo tendo namorados e amigos, o
problema não é meu! Não coloque a culpa em mim! – ele parecia realmente bravo.
As palavras me machucavam como adagas. A verdade era que ele estava certo.
Mas... Eu não conseguia entender. Parecia tão
certo passar todo o tempo com Jones... E a Bela não se importa tanto assim, se
importa?
- Ela nem ao menos... Reclamou. Ela se incomoda
mesmo com isso?
- Não sei, Sam. – Respondeu reticente, sentando
na cama – Mas acho que deve se importar, sim. Você deveria se aproximar mais
dela, ela pode precisar de você e você nem ao menos vai saber se continuar
desse jeito.
- Certo... Mas... O que posso fazer?! Tenho que
ter meu tempo com você, Danny.
- A gente vai continuar tendo nosso tempo
juntos, amor. Afinal, pode estar com ela e comigo ao mesmo tempo. Esqueceu que
somos todos amigos? A gente tá junto o tempo inteiro.
- Então... Por que ela reclama?
- Não acho que tenha sido um afastamento físico,
Sam. Foi meio... Emocional, se é que me entende. Vocês estão distantes, não são
mais como Bela e Sam. São como duas simples amigas.
O olhei desconfiada. Desde quando Danny tem todo
esse entendimento?
- Tenho certeza que você não concluiu tudo isso
sozinho.
- Certo, talvez eu possa ter presenciado uma
conversinha entre Lia e Soph...
- Hm... – suspirei, resignada. – Certo,
eu... Eu vou tentar... Conversar com ela. Também sinto falta de como éramos.
Vou falar com ela amanhã.
- Isso. Agora vem aqui que eu vou te consolar.
Você parece muito tristonha e eu quero te deixar mais feliz. – deitado de
barriga pra cima e com a cabeça apoiada num dos braços, ele me chamou com uma
cara de sou lindo, que eu puder ler exatamente como sou seu.
- Você vai me alegrar, vai? – caminhei
vagarosamente até ele.
- Vou sim. – respondeu com sua carinha de
safado.
- Como?
- Vou fazer nossa after party particular. Aqui
nessa cama.
Apenas sorri antes de praticamente atacá-lo.
Os beijos de Danny nunca iriam saciar minha sede
por ele... Ah, o amor.
Sam's POV off
Thalia's POV
O dia estava lindo. Muito, MUITO, quente, mas
lindo. Acordei relativamente cedo, não passava das nove, e desci para tomar o
café.
Encontrei com Tom e Soph lá embaixo.
- Bom dia. – sorri, sentando-me à mesa com eles.
- Bom dia. – ambos responderam, retribuindo a
cordialidade.
- Como está a Bela? – perguntei a Tom.
- Cansada como sempre. – suspirou. – Disse que
vinha tomar o café mais tarde porque tava um pouco enjoada. Sabe, planejo
arrastá-la até um medico ainda hoje.
- É bom. – concordei.
- Ela está assim ha quanto tempo? – Soph quis
saber.
- Quase duas semanas. – Fletcher respondeu sem
muita animação.
- Nossa... – ela fez uma careta – Bela deve
estar definhando. Leve ela a um médico logo, Tom.
- Tom não é o pai dela, não é como se a culpa
fosse dele. – O defendi.
- Não, tudo bem. – ele sorriu brevemente – Eu me
sinto um pouco na obrigação. Afinal, sou eu quem mora com ela. Assim como ela
cuidaria de mim, tenho que cuidar dela.
Assenti, concordando com aquilo. Os dois eram
bonitinhos.
- Hm... Fletcher, será que podemos conversar em
particular?
- Er... É claro. – ele me olhou incerto. – Algo
sério?
- Sim. – disse simplesmente e Soph me olhou
curiosa. – E bastante secreto, pelo menos até agora.
- Certo. To curioso.
- Que tal darmos uma volta pelo hotel?
- Agora?
- De preferência.
- Obrigada pela inclusão social, galera! – Soph
ergueu os braços num falso entusiasmo.
- É uma coisa muito séria e particular, Soph.
Desculpe. – Falei, puxando Tom pela mão.
Começamos a andar pela parte externa do hotel,
que era muito bonita. Eu analisava o horizonte, pensando em como abordar aquele
assunto. Ele ficaria um tanto chocado, eu tinha certeza.
Mas, bom, eu tinha que fazer aquilo.
- Tom... Você não acha todas essas coisas que
estão acontecendo com a Bela um pouco... Estranhas?
- Óbvio. – deu uma risada, enfiando as mãos nos
bolsos – Normal é que não é.
Rolei os olhos, acompanhando sua risadinha.
- Claro, claro. Hm... Será que eu posso... Te
fazer umas perguntas íntimas?
Ele me olhou de soslaio com os olhos espremidos.
- Sei lá, acho que sim.
- Ok. – suspirei – Com que frequência você e
Bela fazem... Sexo sem camisinha?
- Er... Nunca.
- Nunca?
- Ah, quase nunca. – reformulou.
- Então aconteceram algumas vezes. – afirmei em
tom investigativo.
- Algumas.
- Você sabe quantas foram, mais ou menos?
- Não, claro que não.
- Mais de dez?
- Talvez... – pareceu pensar para se certificar.
- Céus, então foram muitas! E você ainda tem a
coragem de dizer que nunca fazia sexo sem camisinha?!
- Foram poucas comparadas com o tanto de vezes
que a gente... Bom, você sabe... – coçou a nuca, constrangido.
- Ok, ok... Sabe me dizer se teve alguma vez
recente?
- Aonde quer chegar? – ele ainda não percebeu?
- Apenas responda!
- Certo. Hm... Acho que... – pensou – Mais ou
menos. Deve ter quase dois meses. Mas depois daquele dia, a gente usou
camisinha normalmente. A gente se preserva, Lia!
- Posso imaginar... – a ironia se escondeu entre
minhas palavras. – Dois meses, então?
- Algo entorno disso.
- Oh, céus... – suspirei, meio tensa. – Preciso
que me diga... o que aconteceu. A camisinha estourou ou o que?
- Não, não. A gente não tinha, aí foi sem.
- IRRESPONSÁVEIS! – Desculpe, não me contive.
Logo me recompus, antes de assustá-lo ainda mais com minhas proposições um
tanto coerentes e plausíveis. – Desculpe, mas é que... Tom! Você não percebe?
- O que eu deveria perceber?
- Vocês transaram sem camisinha há dois meses.
Bela está com enjôos e cansaço, comendo bastante, um temperamento diferente...
E, bom, eu escutei uma conversa em que ela dizia que a menstruação está
atrasada. Está na cara, Fletcher!
- Que porra...? – e então seus olhos saltaram
das órbitas, tão arregalados e assustados que até mesmo eu me senti
desconfortável. – Puta. Que.
Pariu.
Thalia's POV off
Bela's POV
- BELA!
BELA, ABRE ESSA PORRA DESSA PORTA!
- Já vai! Mas que saco! – resmunguei, me
livrando dos cobertores quentinhos e arrastando-me para atender o ser que
ousava perturbar meu sono.
- Bela! – Sam se jogou em mim. – Como está?
Precisamos conversar. – me olhou minuciosamente, dos pés à cabeça. – Wow, você
está péssima. Feche essa porta antes que te vejam assim!
O fiz, quase como um zumbi. Eu estava tããão cansada...
- O que tem para dizer? – perguntei, sentando-me
sobre a cama.
Tããão chamativa, quentinha, aconchegante...
- Eu queria conversar sobre... Nós.
- Hm... – mugi atenciosamente.
- Eu sei que, nesses últimos dias, a gente tem
se afastado... E eu não quero isso.
- Nem eu.
- Eu tenho uma leve noção de que ando dando
pouca atenção pra todo mundo porque comecei a namorar o Jones, mas...
- Relaxa, Sam. Isso é normal. É comum acontecer
no início, sabe? Você fica tão empolgada e apaixonada no namoro que só quer
saber do seu amorzinho e blá blá blá. Acontece com todos, é humano. Não precisa
me dar satisfações. – sorri, querendo parecer compreensiva.
- Mas você não nos deixou de lado quando começou
a namorar com o Tom, Bela.
- Deixei um pouco sim.
- Não deixou.
- Ok, tanto faz.
- A questão é que eu sempre disse que nunca
faria isso porque, no momento em que acontecer alguma crise no namoro, é às
melhores amigas a quem a gente recorre, então não é justo deixá-las de lado. –
É, verdade, ela falava isso mesmo. Mas, como Lia sempre diz, falar é fácil. Não
que eu esteja julgando nem nada. Já disse que é normal. – Eu sei muito bem que
tenho deixado vocês de lado e me concentrando apenas em Danny como se ele não
fosse mais estar ali amanhã, mas é que... Eu amo tanto ele... Não consigo
passar um segundo longe!
- Sam, não precisa se explicar, sério. – toquei
seu ombro. – Não se sinta mal.
- Mas você pode precisar de mim alguma hora e eu
nem vou saber! – Choramingou – Pelo menos foi o que o Danny disse. Eu... Eu
sinto sua falta... Vou voltar a ser o que era antes. Prometo. – respirou fundo.
Sorri, a abraçando.
- Obrigada. Saber que você se importa é muito
importante pra mim. E, fica tranquila, é lógico que você saberia se eu
precisasse de você. – disse, rindo levemente. – Te amo.
- Te amo também. Já estava achando que você tava
me trocando pela Thalia.
- Você está me trocando pelo Danny, é mais que
justo! – condenei pra provocar e ela estreitou os olhos com raiva.
- Vadia suja.
- Esgoto de sarjeta.
- Eca! – ela riu.
- Escuta, se você não se importa, preciso
dormir.
- Tá bom. Eu vou lá procurar alguma coisa pra
fazer.
- Certo, então tenha um bom dia. Agora, fora
daqui. – ordenei, já me aconchegando nos meus travesseiros novamente.
Bela's POV off
Dougie's POV
Eu estava vendo um vídeo de duas lagartixas da
Tunísia fazendo sexo (UM VÍDEIO HILÁRIO, MUITO BOM, RECOMENDO) quando Soph
entrou no quarto meio nervosa.
Pausei o vídeo.
- Que foi, linda?
- Não vem com essa de linda pra cima de mim! –
reverberou com a voz aguda.
Arregalei os olhos. WTF?
- Meu Deus, o que eu fiz?
- Nada, é que eu sempre quis falar essa frase. –
suspirei aliviado enquanto ela ria – Thalia e Tom me largaram como uma idiota
lá embaixo pra ficarem de segredinho. – fez careta.
- VAMOS ESPIONAR?! – pulei da cama, muito feliz.
- AI, VAMOS!
Dougie's POV off
Tom's POV
Eu tava quase entrando em curto circuito.
Eu ia ser pai.
Eu. Ia. Ser. Pai.
Pai.
Minha namorada estava grávida.
Bela Johnson estava grávida de mim.
Caralho.
- Tom. Ei, Tom, eu já to ficando com medo dessa
sua cara.
- A Bela está grávida.
- É uma hipótese.
- É uma hipótese óbvia. Meu Deus, vamos ser pais com dezoito anos. E eu... To
feliz. Como posso estar feliz?
- Tom... Você não parece feliz. Você tá com uma
cara hilária de medo. Se eu também não tivesse quase surtando, tiraria uma foto
pra divulgar na internet.
- Eu to com mais medo do que felicidade, mas...
- Olha, vamos com calma. Que tal passarmos na
farmácia do hotel pra comprar testes de gravidez? E mais tarde a gente vai ao
médico.
- Certo. – respirei ruidosamente. – Vamos logo,
antes que eu tenha uma porra de ataque cardíaco.
A drogaria era pequena e próxima a área da
piscina. Não tivemos que andar muito. Lia entrou sozinha para evitar qualquer
constrangimento e eu fiquei do lado de fora, andando como se meu pé estivesse
queimando. Eu não conseguia ficar parado sob hipótese alguma.
- E aí, comprou quantos? – perguntei, roendo a unha
do anelar.
- Seis.
- SEIS? Pra que isso tudo?!
- Ah, diminui a margem de erro, e, caso ela
deixe cair na privada com xixi, o que é a cara dela, ninguém vai precisar meter
a mão pra pegar.
- Incrível é você pensar nesse tipo de coisa.
- Deve se esperar tudo quando se trata da
Johnson.
Tive que concordar.
Eu não consigo nem ao menos lembrar-me do
caminho que fizemos para chegar ao meu quarto. Mas me lembro muito bem das
HORAS que demorei pra criar coragem de abrir aquela porta.
Lia estava quase me batendo.
Tom's POV off
Soph's POV
A gente andou um pouco lá por baixo, mas não
encontramos nada. Nossa espionagem foi um fracasso. Decidimos subir cerca de
cinco minutos depois e Doug sugeriu que fizéssemos uma visitinha pra Bela, que
tava doente.
- Mas que coisa! Não tem nem cinco minutos que a
Sam saiu! – ela resmungou.
- Ai, mal humorada! Viemos aqui pra visitar você
e você nos trata assim? – reclamei, falsamente sentida.
- Me visitar por quê?
- Você tá doente, ora. – Dougie deu de ombros e
saiu entrado pelo quarto. O segui.
- Eu estou bem, gente. – ela rolou os olhos.
- Aham. – concordei com ironia enquanto Dougie
deitava na cama dela.
Um segundo depois (o que acabou sendo meio
engraçado) Harry bateu apareceu alegando querer saber como ela se sentia. Ela
ficou bem estressada. Passei uma mensagem pra Sam e Danny pra que viessem
também e perguntassem se ela ainda estava mal só pra ver sua reação.
- QUANTAS VEZES VOU TER QUE REPETIR QUE EU-ESTOU-COMPLETAMENTE-BEM?! – essa foi exatamente sua reação, com direito a
mãos gesticulando, algumas salivas sendo expelidas e testa e nariz franzidos.
- É, a Bela anda meio estressada mesmo. – Harry
murmurou ao meu lado, esperando que ela não ouvisse.
Aparentemente, deu certo.
As conversas paralelas começaram alguns segundos
depois. Eu e Harry começamos um assunto sobre plantas medicinais, Dougie, Bela
e Danny falavam sobre picada de vespas e Sam mexia concentradamente em seu
celular. Ficamos assim por alguns minutos, até a porta se abrir e revelar um
Tom com uma cara extremamente nervosa (e suada), e uma Thalia um tanto
parecida.
- Precisamos conversar. – disse ele, olhando
para Bela de forma incisiva.
- Precisamos? – ela franziu o cenho, confusa.
- Muito.
- Sobre...? – Bela quis saber, ajeitando-se na
cama.
- É algo particular. – Lia foi quem respondeu.
- Se é particular, por que você sabe? – Sam
interferiu, erguendo as sobrancelhas e fazendo um bico estilo Queen Latifah.
- Eu descobri. – Thalia deu de ombros, sem dar
muita atenção à Sammy, o que não a deixou exatamente feliz.
- Parem com essas conversinhas particulares! –
reclamei. – É irritante.
- É algo muito sério, Soph.
- Ok, Hoppus, mas não deixa de ser chato esse
negócio de ficar de fofoquinha.
- O que tem nesse saco? – Harry quis saber,
apontando para o saco de farmácia que Lia segurava.
- N-nada. – Tom respondeu arregalando sutilmente
os olhos.
- Gaguejou, então é merda. – Judd concluiu,
fazendo Danny rir.
- Você já sabe do que se trata, não é, Bela? –
Lia a perguntou.
Bela permaneceu com sua expressão meio aflita,
respirando devagar, sem proferir resposta.
- Não sei...
- Bela... – Tom suspirou. – E-eu... É melhor
você... Fazer os testes.
Testes? Que testes?
Não fui a única eu enrugou a testa nessa hora.
- Mas... Eu to com medo de... – e aí ela começou
a chorar. E soluçar.
Ok, algo estava muito errado.
- QUEREM PARAR DE FALAR EM CÓDIGOS E EXPLICAR
QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO?! – Sam praticamente pulou da cama enquanto Danny
abraçava Bela de lado.
- É que a gente acha que talvez a Johnson possa
estar...
- CARALHO! – Foi Harry quem gritou, dessa vez,
atropelando as palavras de Lia. – É mesmo! CARAAALHO! – levou as mãos à cabeça,
e Bela chorou ainda mais forte.
- Eu não to entendendo nada. – murmurei,
perdida.
Lia suspirou.
- Vou dar só mais uma informação complementar
pra vocês ligarem aos fatos atuais e tirarem suas próprias conclusões: a
menstruação dela está atrasada. – disse, lançando um sorriso sem humor no
final, e tirando do saco algumas embalagens de...
Testes de gravidez.
Céus.
- MEUS DEUS. – Sam tapou a boca com as mãos. Os
olhos dela deviam estar tão esbugalhados quanto os meus, e a boca de Dougie,
tão aberta quando a minha.
- O que houve?! A Bela está sem sangue interno?!
- Danny exclamou preocupadíssimo.
Sem sangue interno.
Tudo bem que a situação não é dais mais legais,
mas tive que tirar uns segundos para rir.
Bela, que chorava com os rosto apoiado nos
joelhos, levantou a cabeça para checar se aquilo tinha sido sério mesmo.
E então caiu na gargalhada.
E depois Tom também começou a rir.
E depois foi Harry.
Depois, Dougie.
Depois Sam.
Depois Lia.
Depois ele mesmo.
- SEM-SANGUE-INTERNO! – Harry repetiu
sofregamente, lutando para vencer a crise de gargalhadas.
- SANGUE INTERNO. SANGUE INTERNO! – Bela quase
se debatia. Eu mal podia falar.
- Ah, desculpem, eu me confundi...
- CLARO, COMPREENSÍVEL. HÁ VÁRIOS CASOS DE
PESSOAS QUE NASCEM APENAS COM SANGUE EXTERNO. – Falei.
- Eu quis dizer apenas "sem sangue",
eu adicionei o "interno" porque, sabe, o sangue da menstruação sai,
então ele vira externo e...
- Isso não torna o seu comentário mais
inteligente. – Tom vociferou convicto.
- Não adianta, Jones, essa foi triplamente
burra. – Lia disse. – Primeiro pelo "interno", segundo pela eu
suposição absurda dela estar sem sangue, o que é humanamente impossível, a não
ser que ela seja uma vampira e tenha se esquecido de mencionar. Terceiro
porque, mesmo sendo óbvio, você simplesmente não captou a mensagem. – Sempre
tem que ter alguém pra explicar para o coitado – A BELA ESTÁ GRÁVIDA.
GRÁ-VI-DA.
Dito isso, Johnson caiu nas lágrimas de novo.
Foi impactante para todos. Escutar aquilo com
todas as letras trouxe de volta o clima tenso, anteriormente disperso com a
deficiência das faculdades mentais de Jones, que não estavam em seu melhor
estado (desde que ele nasceu).
- Não fale como se fosse certo! Ninguém tem
certeza sobre nada. – Bela rebateu aos prantos. – É só uma suposição...
- É o que a gente mais espera, Bela. – Lia disse
suspirando e estendeu os testes a ela. – Vai lá. Estaremos aqui fora esperando.
Bela, então, adentrou o banheiro levando consigo
nossos batimentos cardíacos.
Soph's POV off
Tom's POV
Eu não respirava, não pensava, não piscava.
Minhas mãos, entrelaçadas sobre os joelhos, transpiravam em bicas. Sentada ao
meu lado direito, Soph me
abraçava pelas costas, tentando transmitir alguma calma. Não estava
funcionando.
Ninguém ali estava calmo. Sam chorava
copiosamente no colo de Danny, que roia as unhas da mão. Dougie, sentado no
chão, apoiado nas pernas de Soph, encarava a porta do banheiro com os olhos
vidrados e arregalados. Lia era abraçada por Harry, ambos respirando tensos e
olhando para o nada, como eu.
Meus músculos retesados deixavam-me
desconfortável em qualquer posição que eu tentasse ficar. Mas eu nem ao menos
era capaz de pensar nisso.
Eu só escutava respirações. Nem um som vindo do
banheiro. Nem um mísero ruído.
Eu ia morrer!
Talvez tenhamos esperados 10 minutos. Talvez dez
horas. Talvez 10 segundos. Eu não fazia ideia. Mas podia jurar que todos os
meus órgãos pararam por um segundo quando a tranca interna do banheiro foi
girada.
Tom's POV off
Sam's POV
A maçaneta foi puxada e, quase que em câmera
lenta, Bela saiu do banheiro.
Aos prantos.
Eu ia ser titia.
Não sabia quem chorava mais ali. Se era eu ou
Johnson.
Mamãe Johnson.
Isso soa tão... tosco. Não pode ser verdade!
Enquanto Bela soluçava, todos a encaravam
atônitos, tentando digerir a informação. Seriamos todos titios. Exceto, é
claro, pelo mais novo papai
Fletcher, que agora tentava respirar.
Me joguei no chão querendo demonstrar um "o
que será de mim", e tornar meu sofrimento mais evidente, mas ninguém
prestou atenção. Não que meu sofrimento seja falso. Veja bem, estou aqui
fabricando muitas lágrimas, e nada disso é à toa.
Eu estava mesmo mal pela minha melhor amiga. Mas
me jogar no chão só foi pra dar um estilo.
Voltando à vida real, Bela tentava arduamente
parar de chorar pra falar algo.
- Deu... Positivo mesmo? – Danny foi o único que
conseguiu se pronunciar, engolindo seco.
- E-eu... – ela fungou e soluçou mais umas duas
vezes – Eu... N-não tive coragem de fazer o teste ainda.
E então todo mundo começou a resmungar e
mandá-la tomar no cu.
- PORRA, EU ME JOGUEI NO CHÃO À TOA! – reclamei
indignada.
- EU NÃO CONSEGUI, UÉ! SE DER POSITIVO, NÃO SEI
O QUE VAI SER DE MIM!
- Amor... – Tom suspirou, levantando-se e
caminhando até ela. Tomou seus rostos nas mãos antes de falar – Faz logo o
teste. Quanto antes a gente souber o resultado, melhor. – beijou sua bochecha.
- A gente vai segurar essa barra juntos, Bela. –
Harry disse fofamente, com um sorriso de canto.
- Estamos aqui no maior estilo stand by me.
– disse Soph. – Não precisa ficar com medo... E faz logo essa bosta que eu to
ansiosa.
- Bela, se não for muito inconveniente esse
comentário, será que eu não poderia... Sei lá, ser o padrinho? – Dougie pediu e
ela estreitou os olhos com a maior cara de raiva.
- NEM VEM, EU QUE VOU. – protestei.
- Eu disse padrinhO. Você tem um pênis
entre as pernas, por acaso?
- CALEM A BOCA, VOCÊS DOIS ESTÃO DEIXANDO A
GAROTA NERVOSA! – Lia berrou.
- Faz logo o teste, Bela! – Danny, muito tenso
sobre mim, apressou e ela respirou fundo antes de concordar com a cabeça.
Entrou no banheiro, de novo, depois de dar um selinho no Tom.
Ela levou exatamente oito minutos pra sair.
- Agora você fez o teste, né? – Harry perguntou
assim que a viu.
- Fiz... – respondeu num muxoxo. – To sem
coragem de ver o resultado. – suspirou. – Mas não fiz todos, deixei um cair na
privada com xixi e eu não ia meter a mão ali pra pegar. Não mesmo.
- Eu disse. – Lia murmurou, olhando pra Tom, que
soltou uma risadinha.
- Ok, vamos acabar logo com isso. – Tom
levantou, indo em direção ao banheiro, assim como todos nós.
- EI EI EI, SÓ O TOM! – ela berrou, fazendo
birra.
Todos a mandamos tomar no cu de novo, voltando
para nossos lugares.
Com os corações na mão, pudemos ouvir um "caralho!",
na voz de Fletcher, vindo do lado de dentro.
Caralho?
O que pode ser caralho?
Pode ser um "CARALHO, FODEU, MERDA, PUTA
QUE ME PARIU, SEREI PAPAI" ou um "Caralho! Ufa! Que sorte! Deu
negativo!"...
- Tomara que seja um bom sinal... – Torceu
Danny, olhando para todos nós.
No segundo seguinte, a porta do banheiro estava
sendo aberta pela milionésima vez. Mas, dessa vez, com respostas.
Sam's POV off
Bela’s POV
- Seremos pais. –
Tom disse curto e grosso, com a maior cara de cu possível. Então eu saquei
rapidamente o meu celular e tirei um foto da cara deles. TAVA HILÁRIO!
- VOCÊS TÊM QUE VER SUAS CARAS NESSA FOTO! –
Gargalhei loucamente, sentindo o peso nas minhas costas (ou na barriga) se
esvair e o alívio tomar conta do meu corpo.
Tom ainda ria, enquanto éramos quase linchados.
- Deu negativo? – Lia perguntou pra se
certificar. – Todos?
- Todos. – sorri largo. – Não parirei tão cedo!
– bradei feliz, sendo agarrada por Tom e jogada na cama em seguida. Os seis
vieram fazer um montinho na gente, gritando "ÊÊÊ" e "viva ao
espermatozóide burro do Tom". Mentira, ninguém gritou isso não, ficou só
no "ÊÊÊ" mesmo.
O problema foi que, logo depois, senti um enjôo
terrível novamente, e todo mundo me obrigou a ligar pro meu pai, pra explicar
meus sintomas e ver se ele conhecia algum médico que falasse Inglês pra nos
ajudar. Afinal, meu português não estava em seu melhor estado.
No final das contas, conseguimos marcar uma
consulta para o dia seguinte, na clínica de uma antiga amiga dele que também
era vinda de Londres. Ótimo!
Soph e Lia foram comigo. Sentamos, as três, de
frente para a doutora, — Barber Wheel — que nos encarava com um leve sorriso.
- Em que posso ajudar, senhorita Johnson? –
perguntou simpática.
- Tenho sentido umas... Coisas. – falei, fazendo-a
rir – Quero dizer, eu achava que tava grávida. Mas fiz os testes e deram
negativo.
- O que você tem sentido? – questionou,
digitando algo em seu notebook.
- Há umas duas semanas eu tenho ficado
constantemente enjoada, cansada e faminta. Além disso, minha menstruação tá um
pouco atrasada. – ela digitava o que eu dizia.
- E ela anda muito temperamental. Mais que o
normal. – Soph completou.
- Hm... Fortes indícios. – sorriu – Eu vou pedir
exames de sangue, fezes e urina pra investigar as causas do mal estar, cansaço
e enjôo, e te encaminhar pra ultra-sonografia pra fazermos uma analise mais
completa. – disse. – Mas, antes, me responde umas perguntas.
Assenti, tendo medo das perguntas que seguiam.
Seriam muito constrangedoras? Sobre sexo? Urgh...
- Você tem feito muito exercício físico?
- Sim, muito.
- Exageradamente. – Lia adicionou.
- Tipo... Muito mesmo. – Soph também quis dar
pitaco.
- Tem dormido direito?
- Er... Nem um pouco. Eu não consigo ter uma boa
noite de sono ha séculos.
- Hm... – a doutora digitou mais algumas coisas.
– E quanto à alimentação? É saudável?
- Não! Ela só come besteira! – Lia respondeu por
mim e eu a encarei reprovando-a.
- Seu pai me ligou ontem e comentou sobre sua
gastrite, e falou, também, o que ele acha que pode ser isso tudo que anda
acontecendo com você. – ela me olhou. – E, como os testes deram negativo, ele
provavelmente está certo. É comum que, com o aumento de exercícios físicos,
você sinta mais fome. O cansaço provavelmente é decorrente do excesso. Além, é
claro, do sono atrasado e dessa coisa toda de viagens. Isso é muito
estressante. – enquanto ela falava, eu ligava os pontos – O enjôo pode estar
ligado à gastrite. É comum, em alguns casos, que a pessoa não sinta dor, mas
enjôos constantes. E, como você devia estar vomitando muito, sentia fome toda
hora, o que era sanado com um bando de besteiras e mais besteiras, causando
ainda mais enjôo. É cíclico. – Dra. Wheel sorriu novamente. – Quanto ao atraso
menstrual, pode ser uma desordem no seu ciclo e isso só pode ser
resolvido por um ginecologista, então te aconselho a procurar um assim
que voltar para Londres.
- Certo. – concordei com atenção.
- Vou te receitar omeprazol para a gastrite.
Quero que use um por dia durante um mês e depois use sempre que sentir os
enjôos. É um remédio comum aqui, você vai achar em qualquer drogaria. – disse
ela, enquanto escrevia no bloquinho do receituário. – E aqui atrás, os pedidos para
os exames. Todos estão disponíveis na clínica.
- Mas quando ficam prontos? – Lia perguntou
preocupada – Porque nós vamos embora no fim da semana.
- Posso pedir urgência, mas vocês teriam que
pagar uma taxa extra. – avisou.
- Sem problemas.
Depois de mais algumas burocracias, fiz o exame
de sangue e a ultra-sonografia. Consegui fazer o de urina, mas o de fezes não
deu muito certo. Não queria sair, se é que me entende.
Passamos praticamente a manha inteira lá dentro.
Houve um momento em que Lia decidiu andar pra tomar um ar, mas voltou no minuto
seguinte, completamente irritada pela muvuca que estava lá fora. Tudo culpa
minha.
- Vou lá na porta dar um tchauzinho pra eles não
ficarem tristes.
- TÁ MALUCA? – Lia berrou.
- Thalia, deixa de ser cri cri. – Soph reclamou,
me fazendo rir.
- É, Hoppus, relaxa. Vou lá só fazer uma média,
você não ia gostar se seu ídolo aparecesse pra dar um tchau se você estivesse
mofando do lado de fora de uma clínica só por ele?
- Iria, Johnson, mas o problema é que eu te
conheço e você vai dar uma de pinto no lixo se for pra lá.
- Prometo ser discreta. – pisquei pra ela e fui
saltitando até onde meus fãs me esperavam.
Wow! Eram muitos mesmo!
Alguns seguranças faziam um cordão pra impedir
que o povo se aproximasse muito e, quando eu apareci, o trabalho dos
grandalhões dobrou, já que o alvoroço se fez ainda pior.
Distribuí tchauzinhos e sorrisos mais que
cordiais. Fiz umas poses bobas para as fotos e, depois de mais alguns gestos
atenciosos, já planejava entrar novamente. Mas todo mundo começou a cantar uma
das minhas músicas, e eles estavam tão bonitinhos ali que fiquei com pena de
deixá-los.
Me aproximei ainda mais, abraçando algumas
pessoas – fui meio agarrada e uma menina quase arrancou meus cabelos – e
cantando com eles. Foi legal.
Fingi que não vi o bando de paparazzi que estava
por ali, decidindo realmente não me importar com em eles. Eles ganhavam para
isso, não é? Por mais que fossem meio sem noção às vezes, não havia nada que
pudéssemos fazer.
Cheguei ao hotel no fim da tarde e estava muito
cansada. Muito mesmo. Lia tinha passado na farmácia do hotel para tentar
comprar o remédio e me mandou ir pro quarto tentar dormir.
Os meninos tinham ido fazer uma entrevista para
uma revista qualquer e Sam fora com eles. Para ficar o Danny, é claro.
Ri sozinha. Por mais incomodada que ela
estivesse, não desgrudaria do Danny para nos dar atenção tão fácil. Talvez
daqui há uns anos...
Fiquei até surpresa por Soph ter ido comigo. O
combinado era que todas fossemos com o McFLY, entretanto, com o pequeno
contratempo, os planos foram mudados. Eu já contava com a presença da Lia e a
"pseudo presença" de Tom (que me ligava de cinco em cinco
NANO-SEGUNDOS), mas a de Soph foi um tanto inesperada. Talvez ela e o
pudinzinho já estivessem na fase menos... colada.
Mal pude contar até cem. Peguei no sono tão
rápido que nem ao menos sei como – conforme percebi quando acordei já tarde da
noite – consegui parar dentro daquele pijama.
Thomas babava (não literalmente) ao meu lado,
agarrado a mim como se eu fosse seu poodle. Fiquei com pesar de sair de seus
braços onde eu estava tão perfeitamente aninhada, porém minha barriga roncava
de fome. Desbloqueei o celular pra ver que horas eram.
Duas da manhã.
Peguei o telefone do hotel pra pedir um
sanduíche, mas não parecia funcionar.
Como assim?!
Bufei antes de calçar minha pantufa e deixar o
quarto.
- Danny? – me assustei ao encontrá-lo ali,
moribundo no chão, escorando-se em sua porta. - O que faz aqui uma hora dessas?
Sam te expulsou do quarto? – brinquei, indo sentar ao seu lado.
- Não... Ela não sabe que estou aqui. – suspirou
lentamente.
Ele estava estranho.
- Algo errado?
- Não sei. Acho que sim. – Preocupei-me com a
resposta.
- Quer conversar?
- É, pode ser uma boa... – sorriu sem vontade.
Mas em que tipo de mundo paralelo o Jones dava
um sorriso morto desses?
Antes que ele falasse, a porta do meu quarto foi
aberta, e um Tom descabelado saiu do quarto, meio trôpego.
- Ah, você está aí. – sua voz era arrastada. – O
que aconteceu? – seu olhar, dessa vez, era direcionado a Danny.
- Não sei direito, preciso conversar...
- Particular? – perguntou o mais lindo. (Para os
desenformados: Tom)
- Não exatamente, aliás, eu queria mesmo falar
com você, cara.
- Hm, então pode falar. – Fletcher se aproximou
e sentou ao meu lado, formando um semi circulo.
Eu podia ver, numa analise rápida das feições de
Tom, que o semblante angustiado de Danny não preocupava só a mim. Talvez fosse
por isso que, mesmo claramente cansado, Thomas estivesse ali para escutá-lo.
- Eu... Não sei nem por onde começar.
Bela's POV off
Thalia's POV
Flashback on (algumas horas antes)
- E aí, como foi lá com a Bela? – Harry
perguntou assim que eu abri a porta do meu quarto pra que ele entrasse.
- Foi tranquilo. Tudo indica que seja uma
mistura de excesso de exercícios físicos, falta de uma boa noite de sono,
problemas no ciclo menstrual e gastrite.
- Hm... – ele sorriu. Tão sexy... – Na verdade, nem sei por que perguntei. – comentou entre risadas,
sentando-se na cama – Tom já tinha me falado mais cedo. Eu só tava querendo
estabelecer um dialogo e… sabe como é… ouvir sua voz.
Com toda certeza, minhas bochechas estavam
pateticamente vermelhas, mas mantive a expressão integra em prol da minha
dignidade.
- Ah... – abanei o ar, rindo com certa modéstia
– Nada a ver! Minha voz é… chata.
Eu estava tão ridiculamente constrangida que não
sabia nem ao menos o que dizer (percebe-se pelo meu último comentário).
- Sua voz é linda, Lia. Sabe disso. – ele
levantou-se e veio caminhando lenta e sexymente em minha direção.
A luz vermelha piscava treslouca sobre minha
cabeça, anunciando o perigo.
- S-sei, claro...
A respiração já começava a entrecortar e o
coração, a disparar.
Mal sinal, mas sinal.
- E não é só a voz. – escorei-me na parede e
Harry continuava a caminhar, agora a cinco passos de mim – Tudo. Tudo em você é
lindo. – quatro passos – Me hipnotiza, me prende. – três – Me deixa sedento...
– dois – Me deixa louco. – um.
- L-louco? – gaguejei como uma virgem.
- Muito. Muito louco. – colou seu corpo ao meu,
beijando languidamente meu pescoço. Os rastros de eu saliva evaporavam no
contato com minha pele em erupção. Suas mãos exerciam uma leve pressão em minha
cintura e eu poderia desistir do meu autocontrole naquela hora mesmo.
Afinal, estávamos ficando, certo? Que mal tinha
beijá-lo agora?
Mas eu sabia por que estava hesitando tanto.
Suas palavras, mesmo que tenham sido ditas no
calor (e que calor!) do momento, penetraram em mim com intensidade. Mexeram
comigo. Mexeram com algo que costumava adormecer tranquilamente dentro de mim,
mas que ultimamente não tinha um sono tão plácido assim. E que agora fora
acordado ferozmente, rugindo ávido no meu peito.
- Espera, Hazz, para. – Fiz uso do apelido de
infância justamente para chamar sua atenção.
Deu certo.
Seus olhos buscaram os meus de forma densa,
tentando compreender o momento.
- Eu... Eu... Sobre o que você disse, eu...
- Lia. – interrompeu minha patética falta de
palavras – Eu não disse nada demais.
- Nada
demais?! Você...
- Nada além da verdade – interrompeu novamente
minhas ressalvas desgostosas. Secretamente, meu coração derreteu-se quando ele,
com tamanho carinho, colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. –
Você não tem nenhuma noção, não é? – riu brevemente, sem desviar seus olhos dos
meus, estabelecendo uma conexão tão forte, linear e ímpar que eu pensei poder
vê-la. – Não tem noção do quanto mexe comigo... Do quanto sou vulnerável a
você. – acariciou levemente minha bochecha com o polegar, fazendo o ato de
respirar parecer dificílimo – Você tem noção do quanto esses meses sem você
foram horríveis? Do quanto eu ainda te...
A frase morreu no ar.
E meus batimentos cardíacos morreram junto.
"Do quanto eu ainda te amo". Eu
sabia que era o que ele queria dizer. Mas eu também sabia o quanto era
complicado dizer aquilo a mim. Eu poderia rir dele, ou soltar um "que
bom"...
Era tão típico...
Entretanto, não seria essa a minha reação. Não
mais. Cansei.
Cansei de negar, fugir, esconder. Cansei de
mentir. Já chega! Harry estava ali, disposto a me ter de volta e, basta ter bom
senso: se ele não realmente gostasse de mim, não se empenharia tanto. Ele podia
fazer como antes e sair comendo todas as groupies que se jogavam pra cima dele
como formigas no doce; mas simplesmente esforçava-se para me agradar a cada
segundo que tínhamos juntos. E, mais que isso, era tarde demais para negar que
meu coração batia unicamente por ele novamente.
Se é que um dia deixou de bater.
Então eu estiquei meus lábios num sorriso
sincero, e transbordei carinhos pelos olhos. Queria que ele visse o quanto eu o
estimava e o queria de volta. Abracei seu pescoço, reconstruindo a ponte entre
nossos orbes e respirei tranquilamente, matando a saudade das borboletas no
estômago, antes de falar:
- Eu também ainda te amo.
Desejei que meus olhos fossem câmeras
fotográficas para que eu pudesse capturar a imagem daquele sorriso lindo e
enorme, e guardar pra sempre. Confiei, por fim, que meu cérebro daria conta de
registrar aquilo com facilidade.
Encaixamos nossas bocas com euforia, nos
envolvendo num beijo intenso que marcava um momento especial.
Um começo.
Na verdade, um recomeço.
Eu sentia o amor nos circundar a todo momento.
Enquanto nos beijávamos, enquanto tirávamos as roupas, enquanto transávamos...
Em cada toque, cada ofegar, cada olhar; eu via amor.
E estava tão incalculavelmente feliz que senti
vontade de chorar.
Harry pediu champanhe. Estávamos sentados um de
frente para o outro na cama, vestindo somente roupas íntimas e apreciando a
atmosfera gostosa daquele quarto.
- Um brinde. – ele disse do nada.
Sorri, erguendo a taça.
- Ao nosso começo.
- Ao nosso recomeço. –
o corrigi, assim como havia feito comigo mesma minutos antes. – Mas espera! –
puxei a taça de volta pra mim antes que tilintassem. – Recomeço do que,
exatamente? – perguntei em tom divertido, erguendo uma sobrancelha.
- Do nosso namoro, ora!
- Que namoro? Ninguém me pediu em namoro, que eu
saiba. – empinei o nariz o fazendo rir.
- Certo. – Se aprumou na cama, pegando uma de
minhas mãos. – Então... Lia, namora comigo de novo?
- Er... Vai ter que ter uma conversinha com o
Sr. Hoppus. – avisei em tom preocupado e ele riu. – Mas, por hora, eu aceito. –
dei de ombros antes de ser agarrada e todo o champanhe da minha taça ir parar
derramado na cama.
Flashback off
- A minha mãe quase me matou quando soube que
terminamos, sabia? – estávamos de conchinha sob os cobertores, nus, e já
passava das duas da manhã.
- Jura? – ri comedida, usufruindo de seus
carinhos em meu cabelo.
- Juro. Ela falou que eu nunca iria arrumar
alguém melhor, que eu era um desnaturado e inconsequente por permitir que você
me largasse... – rimos juntos – Ela te ama.
- Eu também amo a minha sogrinha.
Ficamos alguns instantes em silêncio. Depois de
fazermos amor pela segunda vez, eu estava exausta.
- Você é tão linda... – acariciou meu rosto
devagar. Sorri, sentindo meu corpo se arrepiar pela milésima vez naquela noite.
- Você é tão bobo... – imitei sua entoação, mas
com um sorriso acanhado. Ele riu de leve, depositando um beijo em meu pescoço.
– Vamos dormir... – virei de frente pra ele, aconchegando minha mão em seu
rosto e meu corpo ao seu. – Amanhã vamos à praia e vocês têm ensaio na arena. –
Harry concordou com um aceno de cabeço e me deu um selinho.
- Bom sonhos. – desejou, já de olhos fechados.
- Bom sonhos, pituquinho.
Thalia's POV off
Bela's POV
- Fala logo Danny, chega desse suspense! – eu disse, não podendo mais me
conter de tamanha curiosidade. – Tem a ver com a Sam?
Ele suspirou angustiado antes de responder.
- Sim. É totalmente sobre ela.
- Por que eu tenho a impressão de que não é uma
coisa boa? – perguntou Tom retoricamente.
Eu me sentia preocupada. Já chega de problemas
nessa viagem, não é? Já tivemos o suficiente.
- Não, é que... – ele começou, coçando a nuca,
desconcertado. – Bom, eu estava hoje mexendo no computador e aí eu vi um artigo
sobre amores na juventude. Decidi clicar pra ver o que era, mas, se eu passasse
minha vida sem saber daquilo, estaria menos preocupado. – suspirou novamente.
Esse excesso de suspiros estava me deixando extremamente consternada.
- O que tinha lá? – perguntei, o esperando
prosseguir.
- Estava escrito sobre o quanto os jovens
superestimam relacionamentos. Que eles acreditam mesmo que com um ou dois meses
de namoro já estão amando mais que a própria vida, mas dizia que tudo isso não
passa de um coquetel de hormônios que nos faz sentir assim. Quer dizer o amor
da Sam por mim é só uma porra de coquetel de hormônios?! E o meu por ela
também? É tudo uma ilusão? Um dia esses hormônios acabam e junto com eles, acaba
a paixão também. É quando muitos casais terminam, se não tiverem feito laços
fortes durante o relacionamento. E se... eu e Sam não conseguirmos? FODEU!
- Danny, calma. – o interrompi. Ele me olhava meio
desesperado e eu suspirava aliviada por se tratar de algo tão bobo. Tom riu
baixo, enlaçando minha cintura e acariciando-a, também aliviado. – Acho que o
que você leu é um pouco verdade, sim. Eu concordo com esse artigo. Mas... Não é
bem isso que acontece entre vocês dois, não é? O relacionamento de vocês tem o
peso do tempo e da convivência, do carinho, da atração... E eu acredito que
seja daí que surja o amor. A Sam gosta de você desde pequena, vocês sempre
foram amigos, sempre conviveram e compartilharam sentimentos especiais. Por
isso eu tenho certeza que vocês se amam. – sorri, tentando o tranquilizar.
Danny parecia uma criança, me olhando atentamente e se apegando com afinco ao
que eu dizia.
- Então não existe amor assim, sem ser com
convivência? – ele perguntou confuso.
- Sou uma cética. Não acredito que ninguém se ame
em um mês. É inconcebível! – gesticulei.
- Não sei como uma pessoa que faz músicas tão
complexas e poéticas consegue falar uma merda dessas. – Tom rolou os olhos e eu
ri brevemente. – Isso é um exagero, existem casos e casos.
- Não acredito e ponto final. – cruzei os braços,
irredutível – Amor é uma coisa MUITO FORTE pra se sentir em tão pouco tempo.
- Não se define em quanto tempo surge um amor! –
Tom rebateu enérgico.
- Sim, mas também tem que ter bom senso pra
perceber que não surge em... Sei lá, vinte dias. As pessoas passam umas três
semanas namorando e já estão declarando que encontraram o amor de suas vidas,
despejando "eu te amo" como se fosse "quero um copo
d'água". Eu não consigo acreditar nesse amor.
- Você está sendo racional demais!
- Você está sendo passional demais!
- Estou sendo sensato! – afirmou vivaz. – Não to
dizendo que você está errada. Eu também não acredito nesses amores de uma
semana... Mas não precisa de anos de convivência.
- Precisa sim! – exclamei veemente e Danny
pigarreou, desviando um pouco o foco da nossa discussão.
- A questão principal aqui é que eu estou
preocupado com o meu relacionamento.
- Ah, claro. – recompus-me. – Olha, Jones, é claro
que você ama a Sam, ok? Não se preocupe com algo tão óbvio.
- É, Danny. – Tom o lançou um sorriso sereno – Não
precisa levar tudo tão a sério, não existe um padrão... É diferente pra cada
um. E NÃO SE DEVE RACIONALIZAR SENTIMENTOS, – falou enfático, olhando, dessa
vez, pra mim. – porque, além de subjetivos, eles são inexplicáveis e não seguem
a ordem lógica das coisas.
- Certo, certo. – cedi, pensando que, talvez, ele
pudesse ter alguma razão. – Mas mesmo assim, muita gente anda exagerando por aí.
- É, bastante. – sorriu de lado, beijando minha
bochecha.
- Obrigado, amigos. – Danny disse de uma forma
engraçada e me puxou pra um abraço apertado. Depois de me soltar, abraçou
Fletcher.
- E foi só por isso que você decidiu sentar no
meio do corredor com essa cara de morte? – perguntei, achando graça.
- Eu estava preocupado, ok? Precisava pensar e
colocar minhas ideias no lugar. Se eu falasse com a Sam, ela iria ficar
neurótica, começar a chorar e jurar seu amor por mim.
- Não sei não, Danny... – Tom disse, pendendo a
cabeço ligeiramente para o lado e encarando a parede – Ela não é tão ingênua
quanto você, que acredita em qualquer coisa que lê na internet e leva a sério.
– completou rindo.
- Estava no site do Daily Mail! É uma fonte confiável! – Justificou-se e eu me juntei a
Tom nas risadas.
- Ok, Danny, ok... – suspirei – Já que já está
suficientemente confortado, vai dormir que amanhã temos grandes planos. –
sorri, cutucando seu ombro.
- Certo, vou mesmo. Eu estou com sono. – coçou os
olhos como um bebê.
- Então boa noite, Jones. – levantei-me de mãos
dadas com o Tom e segui, leve, para o meu quarto.
É, leve.
Eu me sentia estranhamente... leve.
Bela's POV off
Soph's POV
O final da viagem no Rio passou voando. Todos os
dias que saímos foram um pouco tumultuados, os fãs perturbavam o tempo inteiro
e, se nas primeiras vezes eu amava ser reconhecida, ultimamente tenho odiado.
Fala sério! Uma garota sem noção colou meu rosto no corpo de uma vaca numa
carta pro Dougie! E o pior foi ele rindo e mostrando pra todo mundo.
Quero o verele rir quando eu fizer greve de sexo.
O último Show do Brasil foi incrível. Incrível
como nenhum outro jamais será. Acho que Bela deu o menor de si, pois estava em
sua cidade natal, amada, e não teria tempo de voltar ali tão cedo. Não que eu
seja psicóloga nem nada pra entendê-la assim. Era meio óbvio.
Os meninos não ficaram por baixo, entretanto. Se o
show foi tão demais, grande parte era por conta deles e de como eles sabiam
conduzir uma plateia à loucura extrema.
Bela chorou como um neném na partida. Acabamos
descobrindo que ela estava temperamental daquele jeito por causa de uma intensa
TPM. Sim. Acredite. É verdade. Ela, inclusive, menstruou no meio do show, mas
não foi algo que todos tenham percebido. Aliás, ninguém percebeu. Nem ela.
- Não disse?! Eu falei que ninguém iria notar.
Estou quase virando o mestre Yoda. – Sam não parava de repetir, e só Bela
parecia entender.
Fomos para a Argentina, onde ficamos por quase uma
semana. Os shows também foram ótimos e, de fato, as oscilações humorísticas de
Bela se suavizaram ao longo dos dias, até cessarem completamente e ela voltar
ao normal.
Depois de muitos outros shows pela América do Sul,
estávamos, enfim, voltando para casa.
- Já estou com saudade do meu porco. Será que a
Dulce o alimentou direito? Garry tem alergia a lactose. – Bela tagarelava
enquanto enfiava algumas coisas na minha mala. Eu havia pedido sua ajuda. E a
da Lia também. E a da Sam. Mas as duas estavam ocupadas com não sei o que,
então apenas Bela estava aqui.
- Aquele porco tem alergia a lactose?
- Er... Na verdade não. – Franzi o cenho sem
compreendê-la. – É que eu queria dar um toque especial nele.
- Alergia não seria um toque especial, seria mais
como um defeito.
- Ah, não. Eu acho charmoso.
- Oi, minha gelatininha! – Dougie entrou no quarto
sorridente.
- Está me chamando de Flácida, Poynter?
- O que? Não! – disse rápido, na defensiva –
Estava só pensando em algo gostoso que gosto de comer. Mais ou menos como você.
Gargalhei.
- Ei! Respeitem-me! Não posso ficar ouvindo essas
pornografias.
- Não é pornografia. – declinei, dobrando um jeans
– É que o Dougie é canibal.
- Cuidado comigo, Bela, posso aparecer à noite no
seu quarto para te comer. – brincou ele, com a voz assombrosa.
- Isso soou realmente pornográfico. – ela concluiu
entre risos.
Soph's POV off
Danny's POV
O aeroporto estava um caos.
Não, você não está entendendo. AQUILO ERA
REALMENTE O QUE SE PODE CHAMAR DE CAOS.
Não tínhamos onde ficar, mesmo que gostássemos
muito do contato com os fãs, aquilo ali já beirava o exagero. Bela estava mais
uma vez com o mal estar da gastrite e nós almejávamos um lugar calmo, que foi
complicado de encontrar.
Ninguém entendia o espanhol daquelas pessoas e o
mau humor foi chegando, rasteiro, em cada um de nós.
- Danny – Tom me chamou. – O que acha de irmos até
aquelas cabines de massagem?
E esse foi o melhor momento dia. As mãos daquela
velha eram as melhores mãos que já me tocaram durante todos esses anos de vida.
Eu fiquei um pouco envergonhado por babar o acento, mas, no fim das contas, estava
relaxado como nunca. E permaneci assim até chegar a Londres, quando o frio
absurdo devastou toda a minha paz.
- A gente se vê lá em casa? – Tom perguntou para
todos.
- Sim. – a resposta foi unânime.
- Eu não sei se vai dar. – Fletch disse,
lamentando. – Estou cansado e preciso ver minha família.
- Tudo bem, cara, então a gente se vê essa semana.
– Harry falou, o abraçando de lado. Estávamos todos meio cansados e desanimados.
Acontecia isso sempre que voltamos das turnês grandes. Parece que a alegria foi
toda esgotada e nós queríamos apenas sentar e bater um papo sobre nada. Era o
que costumávamos fazer.
- Sim. Vocês já têm alguns compromissos agendados,
então tratem de descansar nesses dias. E, não se esqueçam, quinta feira tem
reunião no estúdio.
- Sim senhor. – Tom bateu continência e Fletch deu
uma risadinha.
- Bom, vou lá, rapazes. Tchau, meninas.
- Tchau, Fletch. Mande um beijo para Tara. – disse
Bela.
- É, e para o seu cachorro fofinho. Como é mesmo o
nome dele? – Soph perguntou, tentando lembrar.
- Hugo.
- Ah, sim. Mande um beijo para o Hugo.
- E, Fletch, pare de consumir meu namorado, ele
vive cansado e eu tenho necessidades sexuais. – disse Sam, me agarrando. Fletch
riu, rolando os olhos.
- Vocês pensam muito em sexo, sabia? Céus!
Alguns instantes depois, já estávamos indo para a
casa de Tom. O céu começava a escurecer à medida em que o Sol sumia entre as
árvores. As ruas ficavam solitárias nos dias de neve, o que contrastava com a
América do Sul com a qual estávamos brevemente acostumados. Era tanta gente em
todos os lugares... Senti-me deprimido.
- No que está pensando, Danny? – Sam perguntou
agarrada a mim na van.
- No frio.
- Ah. Achei que estivesse pensando em mim.
- Estou sempre pensando você inconscientemente,
amor.
- Ai, meu lindo! – apertou minhas bochechas
enquanto distribuía beijos pelo meu rosto. – Amo você.
- Também. Muito. Eu vou me casar com você, tenho
certeza.
- Isso é uma promessa?
- Você quer que seja?
- Sim.
- Então tá bom. Prometo que vamos nos casar.
- Ebaaaaaaaa!
Danny's POV off
Tom's POV
Eu estava cansado. O motorista da van disse,
quando estávamos entrando no condomínio onde eu morava, que nós não
precisávamos nos preocupar, ele tiraria as malas e os instrumentos da van e os
deixaria dentro de casa por nós. Achei muito cordial e todos aceitamos sem
hesitar.
Quando vi minha casa pelo vidro da janela, fiquei
feliz. Era bom estar de volta.
- Não queria que acabasse tão rápido. – Bela
reclamou ao saltarmos da van. – Foi tão... Mágico.
- Foi. – concordei sincero, a abraçando pelos
ombros.
Ela vasculhou sua bolsa atrás da chave de casa,
mas não parecia conseguir achar. A van dos outros quatro parou atrás da nossa,
e eles saltaram correndo, vindo em nossa direção.
- Anda, Bela! Está frio aqui fora! – Sam reclamou.
- Calma, cara. Não to achando.
- VAI, QUERIDA, TO CONGELANDO! Aliás, não o sei por
que to com tanto frio, acho que é porque to acostumada com a temperatura
latina... Mas esse inverno está parecendo o mais frio da minha vida. – Soph
tagarelava, dando pulinhos na tentativa de se aquecer.
- Gente... Onde eu enfiei essa chave? – Bela
estava quase entrando na bolsa. – Eu me lembro de tê-la colocado bem aqui,
mas... Merda. – de repente, ela parou de procurar e nos olhou com uma cara
engraçada. – Eu meio que posso ter esquecido essa chave no banheiro do
aeroporto... – sorriu amarelo.
- COMO ASSIM? - Thalia berrou, arregalando os
olhos. – Porra, Johnson, não dá pra confiar em você, não é?!
- CARALHO, SUA SEM NOÇÃO! SÓ TE DANDO MUITA PORRADA
- Calma, Sam. – Dougie colocou a mão no seu ombro
– A gente pode fazer a social em outro lugar.
- É, então vamos logo, antes que a gente congele.
– disse Harry, abraçando-se.
- Pode ser lá em casa. – Soph sugeriu. – Mas quem
vota em deixar a Bela de fora?
Todos levantaram o dedo. Inclusive eu.
E isso me rendeu dores no braço depois dos socos.
- Foi sem querer! Vocês são os piores amigos que
eu já tive na vida! E, Tom, está tudo acabado entre nós!
Eu ri, a agarrando e lhe beijando algumas vezes
até ela parar com o draminha.
- Ok, vamos logo. – Danny apressou. – Antes que
meus poucos neurônios congelem.
Estávamos prestes a virar as costas para ir embora
quando a porta da sala abriu, revelando uma Flor toda arrumada nos olhando
incrédula.
- Eu tive todo o trabalho de preparar uma festa
surpresa pra recepcioná-los e vocês simplesmente iam embora! Como vocês podem
ser tão atrapalhados?!
- Tudo culpa dela. – Dougie apontou pouco antes de
entramos em casa e vê-la cheia.
Estavam todos lá. Todos os nossos pais, minha
irmã, o irmão da Sam com sua nova namorada, a avó da Bela segurando o porco,
Fletch e sua esposa, Becky e Josh, alguns amigos que andavam com Bela, Sam e
Flor na escola (eu sinceramente não lembro o nome deles), Georgia...
Georgia?
O que ela estava fazendo aqui?
Será que a Sam já viu isso?
- Quem a chamou aqui? – Lia sussurrou do meu lado,
apontando discretamente para Georgia, que conversava empolgadamente com a mãe
do Danny.
- Não faço ideia... A Sam já viu? – perguntei.
- Não ela está ali agarrada com o irmão.
- Isso não vai dar certo.
- Não mesmo.
- CARA! – Danny chegou de repente, me segurando
pelos ombros, de olhos arregalados. – Você viu quem está ali?
- Georgia Horsley.
- É! Que porra ela está fazendo aqui? Sammy vai
surtar!
- Relaxa, vamos ver no que isso vai dar.
- FILHO! – minha mãe abraçou-me apertado assim que
cheguei próximo a ela. Nossa relação não é a mesma de antes e não sei se um dia
voltará a ser, mas depois de sua iniciativa de conversar com Bela para acabar
com suas diferenças, passei a tentar tratá-la do modo como tratava antes. –
Estava com tanta saudade!
- Eu também. – beijei sua bochecha. – Como está?
- Melhor agora. – acariciou meu rosto. – Estava
morrendo de saudade de todos vocês.
- Oi, sogrinha linda! – Bela chegou rindo, com o
Garry no colo. Franzi o cenho, achando aquilo estranho. Não o Garry no
colo, mas ela com minha mãe.
- Oi, norinha linda! – Minha mãe me largou e foi
correndo abraçá-la como se fossem melhores amigas.
Ahn?
Se minha expressão era de surpresa, agora virou de
completa incredulidade. Como assim elas estavam tão... Íntimas?
- Que é? – Bela perguntou, percebendo minha cara.
– Nos falamos durante a viagem inteira. – ela deu de ombros. – Aliás, qual dos
dois vestidos você usou naquele jantar com o Bob, afinal? Você não respondeu.
- Você falou pra eu usar o preto, então eu usei o
preto, oras. – Minha mãe deu de ombros – Não achei que precisasse responder. E,
a propósito, ele gostou muito... Foi uma boa escolha. – as duas riram,
confidentes.
COMO ASSIM?
Só percebi que minha boca estava escancarada
quando Carrie, risonha ao meu lado, a fechou.
- Eu sei que é estranho, mas estou muito feliz.
Mamãe e ela parecem estar se dando melhor do que o esperado. – cochichou.
- Isso é definitivamente bizarro.
Tom's POV off
Bela's POV
- QUE SAUDADE, MULHER! – Agarrei Becky assim que
passei por ela, logo depois de falar com minha sogra.
- NEM FALA!
- Como vai o casamento?! – perguntei, ainda
abraçada a ela. Josh falava animadamente com Danny e Harry.
- Ótimo! – sorriu – Josh é mais bagunceiro que
qualquer ser da face da terra, mas, fora isso, não há ninguém melhor que ele.
- Ah, fala sério, Tom é muito melhor.
- O que? Está brincando! Josh é o melhor dos
melhores. Tom pode ser segundo lugar...
- Você não sabe o que está falando. – ergui uma
sobrancelha em provocação. – Tom é um Deus do sexo.
- Josh é mais que isso.
- Duvido.
- Pode apostar.
- Eu tive seis, repito, S-E-I-S orgasmo em uma
noite.
- SÉRIO?
Gargalhei.
- Sério.
- Eu não esperava isso de você, Bela...
- Nem eu!
- Mas, sinto dizer... Eu e Josh tivemos um a mais
na noite de núpcias. – Sua cara arrogante era a mais engraçada do mundo.
- Wow! Então eu e Fletcher temos um recorde a
bater!
Caímos na gargalhada depois disso. Eu estava
morrendo de saudade de conversar com ela. Tinha me esquecido do quão engraçada
e divertida era. Rebecca, com toda certeza, fora uma das minhas MELHORES melhores
amigas.
Alguns instantes depois, tive que prender o Garry
lá em cima porque a mãe da Sam estava morrendo de nojo dele. Tadinho, ele era
tão adorável!
- Tudo bem, Garry, mamãe já volta!
Ele me ignorou, começando a caminhar pelo quarto.
- Não faça cocô nem xixi senão o papai vai brigar
com você, hein. Se comporte. – o admirei mais alguns segundos antes de fechar a
porta.
Ah, eu amo meu porco.
Bela's POV off
Sam's POV
- Onde fica a cozinha mesmo? – Brian, nosso amigo
gay, perguntou pela segunda vez.
- Logo ali! - Apontei.
- Ali onde?
- Porra... Vem cá. – o puxei pela mão. – Já volto,
ok, Breena?
- Ei, aquela ali não é a ex do Danny?
Parei bruscamente.
- Ex do Danny? Onde, Brian?
- Ali, ó. – apontou. – Ali no cantinho.
PERA AÍ.
PARA TUDO.
O QUE GEORGIA BURRA HORSLEY ESTÁ FAZENDO AQUI?
POR QUE DIABOS ELA ACHA QUE É BEM VINDA?
E COMO EU SÓ VI ESSA ORDINÁRIA AGORA?
Caminhei rapidamente até ela.
- Olá, querida.
- Oh! Oi, Sam! – o jeito dela de falar me irritou
ainda mais por lembrar April Jones. – Quanto tempo, não? – sorriu com
aquele nariz de Grinch.
- Sim, muito tempo. Mas eu ainda gostaria que
fosse mais. Talvez uns... 264 anos... ou quem sabe mais? – sorri.
- Olha, Bradley, eu não estou aqui pra causar
intrigas. Vim porque estava com saudade de algumas pessoas...
- E isso inclui o MEU namorado?
- Sim, inclui.
- POR QUE VOCÊ NÃO VAI SE FODER, ENTÃO? – com o
meu grito, todos olharam.
- Sam! – Escutei minha mãe repreender.
- ESSA VADIA QUER ROUBAR MEU NAMORADO, MÃE!
- Mas, Sam, ela mal falou com ele! – Soph se
intrometeu e eu fiquei ainda mais puta. Ela era amiga de quem, afinal?
- EU QUERO ESSA PESSOA FORA DA MINHA FESTA. – Apontei pra vaca loira, sem conseguir
pronunciar seu nome de tanto asco.
- Calma, Sam. – disse Tom, aproximando-se de nós.
– A Georgia disse que não ia demorar. Ela já estava de saída, não é?
A loira assentiu com cara de nojo. Cara feia pra
mim é saco de pancada, queridinha.
- É bom mesmo. – falei, cruzando os braços.
- Tchau, gente, foi um prazer estar com vocês.
Todos se despediram dela com uma educação
desnecessária e eu não desfiz minha cara de puta até ela sair.
- Precisava disso, Sam? – Lia me olhou repreensiva
e eu apenas dei de ombros, voltando até onde Brian estava e o acompanhando até
a cozinha.
Sam's POV off
Tom’s POV
- Tenho que conversar com ela, cara. – Foi a
primeira coisa que Danny disse depois do escândalo de Sam. – Ela é muito
neurótica... Não é como seu eu fosse traí-la com a primeira garota que passasse
pela minha frente. Inclusive, mais cedo eu disse que ia casar com ela... Ela
não precisa ser tão neurótica.
- É, ela é pirada mesmo.
- Você não tem noção! Não posso demorar dois
segundos pra responder uma mensagem que ela já acha que aconteceu alguma
coisa...
Gargalhei.
Sam era a pessoa mais sem senso que eu conhecia.
Mas eu gostava dela mesmo assim.
- Acho que a Bela nunca me deu esse trabalho...
- Falando em Bela... – ele murmurou, apontando com
a cabeça para escada, onde ela descia sorridente e pulante.
Aquilo não poderia dar certo. Bela + escada +
pulos...
Eu não estava equivocado. E esse foi um dos
momentos mais tensos da minha vida.
Eu vi tudo em câmera lenta.
O modo como ela escorregou, o modo como caiu e
rolou os degraus. O modo como parou no fim da escada. O desespero de todos. Os
pais dela correndo até ela. Foi tudo muito lento. Estranhamente amargo, cinza.
Quando meus sentidos voltaram, corri entre as
pessoas pra vê-la, pálida e desacordada. Eu achei que fosse desmaiar.
Por que tudo acontece com a Bela?
Por que justo com ela?
E então, chorei.
Tom’s POV off
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